18 de fevereiro de 2014

Movimento de Humanização do Nascimento e Parto: 50 tons de... 'o ativismo pegou você'

  

por Cariny Cielo

Você percebe que o ativismo tomou conta de você quando...
  1. Quer digitar a palavra ‘parte’, mas digita automaticamente a palavra ‘parto’, reiteradas vezes
  2. Círculo de fogo não é um filme em cartaz nos cinemas e sim um momento do expulsivo
  3. Ric não é Ric Martin, aquele cantor latino, e sim um famoso escritor e obstetra gaúcho
  4. AC não é 'Antes de Cristo', e sim Ana Cris, famosa obstetriz paulistana
  5. O nome Melania te lembra imediatamente de ‘indicações reais e fictícias de cesárea’
  6. Você não está na Revolução Francesa, mas vive gritando “Maíra Libertad”
  7. Polido tem o arroz e tem a Carla
  8. DPP, DUM, TP, PD, IU, AU, LM, LD viram siglas cotidianas e você passar a ter um glossário próprio pra conversar nas redes sociais
  9. Líquido nunca é um estado físico da água, é sempre o amniótico
  10. Bolsa é a que envolve o bebê, raramente você se lembra que usa uma a tira colo
  11. Frotinha não é o apelidoso carinho do Alexandre Frota e sim um fictício (ou não) obstetra cesarista
  12. Falar e escrever ‘menas’ não é mais um errinho de gramática
  13. Você fala em períneo mais do que qualquer outro ser humano na face da Terra
  14. GAMA não é um clube de futebol, e sim o Grupo de Apoio à Maternidade Ativa
  15. Os obstetras têm medo de conversar contigo
  16. Escreve rehuna com ‘h’ mesmo quando quer escrever a conjugação do verbo reunir
  17. Gravidez prolongada é só quando passa das 42 semanas
  18. As pessoas não te contam que escolheram fazer cesárea
  19. O Michel famoso é o Odent, e não o Teló, e você o cita como se ele fosse seu chegado
  20. Você vai ao cinema várias vezes para assistir ao mesmo documentário, e chora em todas elas
  21. Você compra o DVD do filme O Renascimento do Parto só pra emprestar pros outros
  22. Coroar não te lembra monarquia e sim uma fase do expulsivo
  23. Tampão não te lembra absorvente interno, e sim aquele mucoso, que sela o colo do útero.
  24. Você diz pra todo mundo que o parto nasce ‘entre as orelhas’
  25. Você não é soldado, mas vive marchando
  26. Você tem licença pra escrever coisas como ‘doula a quem doer’
  27. Você cria neologismos como partolândia, maridoulo, doulamiga, mamaço...
  28. Quando grávida... mente sobre a data provável do parto, jogando umas duas semanas a mais. Não gasta com enxoval e sim com livros e equipe de assistência ao parto. Exige que o pai do bebê saiba tanto de parto quanto você. Faz 1/5 dos exames de ultrassom que o médico pede
  29. Na hora de parir... você toma até tapa na cara, mas não toma sorinho na veia. Cortam teu pescoço, mas não cortam tua vagina. Amarram tua boca, mas não amarram tuas pernas.
  30. Você ajuda mulheres que nunca viu na vida e talvez nunca veja, mas sente como se fossem irmãs
  31. Machismo, misoginia, patriarcado passam a ser termos correntes que ganham um significado negativo muito profundo
  32. Você ri por dentro quando alguém diz ‘minha cesárea foi humanizada, teve luz apagada e tocou CD da Enya’
  33. Você chora por dentro quando alguém diz que ‘minha cesárea foi por sofrimento fetal. O bebê nasceu com apgar 10-10’
  34. Desconfia de grupos, blogs, sites e afins que chamam as mulheres de mãezinhas, gravidinhas e demais 'inhas'
  35. Faz alguém se arrepender amargamente de ter constrangido uma mulher amamentando convocando um mamaço que sempre sai nos jornais em todo Brasil
  36. Nunca foi muito boa em planejar, mas virou perita em plano de parto
  37. Você tem amigas que são a biblioteca cochrane ambulante
  38. Você sabe mais sobre os protocolos de atendimento ao neonato do que o seu pediatra
  39. Alojamento conjunto não tem nada a ver com militares dormindo todos juntos
  40. Colo tem dois: o do útero e o que a mãe dá ao bebê, sem ressalvas
  41. Você pode ser urbana, mas visita direto uma Vila
  42. Você explica que violência obstétrica existe pra pessoas que achavam que violência contra a mulher era só 'esposa apanhar de marido'
  43. Você ficou fã de uma cientista depois que ela virou mãe
  44. Pra você, parto bom é o parto livre, é o parto ativo, é o Parto do Princípio
  45. Mexer com Jorge Kuhn é mexer com você
  46. Sonha em fazer terapia com Laura Upliger, Eleanor Luzes, Evania Reichert, Laura Gutman... 
  47. Você se empodera para o próprio parto e este empoderamento reverbera em outras áreas da sua vida
  48. Pra você, a Gisele Leal tem mais ibope que a Bündchen
  49. Bola de pilates não é pra fazer pilates, é pra relaxar a pelve durante o trabalho de parto e banqueta não é pra sentar, é pra parir 
  50. Você é chamada constantemente de radical, mas sempre tem uma amiga mais radical que você... e isto é ótimo



12 de fevereiro de 2014

O filme O Renascimento do Parto em Porto Velho Rondônia

Porto Velho: Imagem de Leonardo Valério

por Cariny Cielo

O parto, em Rondônia, está em festa!
Está em festa porque será renascido!
Está em festa porque em nenhum outro Estado, o parto está tão carente de renascimento!

Já falamos aqui que, há anos, Rondônia vem carregando o título de Estado número 1 em nascimentos por cirurgia e sabemos que os partos normais são, em sua maioria, ceivados de violência e na contramão das recomendações da Organização Mundia de Saúde e Ministério da Saúde.

Curiosamente, a postagem de maior popularidade na fanpage do facebook do filme O Renascimento do Parto, foi a de um relato de parto em Porto Velho!!! O parto da Verônica, que você pode ler aqui.

Pois bem!

O filme O Renascimento do Parto nasceu do sonho de duas pessoas em denunciar a grave situação obstétrica do país e apresentar uma nova visão sobre o nascimento. O parto não pode ser um evento traumático! E não pode porque é fisiológico... é natural por excelência!

Este documentário, até então, só havia sido exibido no interior de Rondônia, já que estreou em Cacoal no mês de novembro passado, no Cine Art, com emocionantes relatos...

Agora o filme chegou à capital e, finalmente, Porto Velho poderá ter acesso a tanta informação de qualidade sobre saúde, sobre amor, sobre vida! Depois de tanto "eu quero o filme!", o Cine Veneza atendeu nosso pedido e dedicará uma semana para exibir o documentário.



De 14 a 20 de fevereiro, sempre às 21:00 horas, teremos o privilégio de ver, na telona, profissionais renomados mundialmente apresentando uma nova forma de enxergar aquilo que tanto nos mobiliza, aquilo que nos faz tão iguais, tão humanos... o nascer!

No dia 15, sábado, haverá um Cine-Debate, pós filme, organizado pela Bello Parto e pela Slingue, duas novas empresas de Porto Velho super envolvidas no tema maternidade consciente. (Dica: Aproveitem para curtir a fanpage delas no facebook e divulgar o filme, valendo ingressos grátis!!!!)


              Alyssa Grigório(Slingue)  Izabela Texeira e Sandra Schultz (Bello Parto)



O filme é...

Uma chave mágica para quem ainda tem chances de fazer escolhas para o nascimento dos filhos

Uma catarse para quem, como eu um dia, sentiu ter sido roubada no parto

Um presente para quem busca qualidade nas informações e analisa as questões públicas do país com seriedade

Um bálsamo para aqueles que acreditam que para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer



Vai lá, assiste, e depois nos conta como foi!!!

Semana de exibição: 14 A 20 de fevereiro
Sempre às 21:00 horas
No Cine Veneza (Rua Joaquim Nabuco - 1855, Centro. Telefone: (69) 3221 - 8296)
!Cine-debate dia 15, com profissionais da área da saúde!

29 de janeiro de 2014

Maternidade Ativa: comemorando o aniversário dos filhos...

Comemorar é parte importante da nossa cultura.

Dividir o tempo em horas, dias, anos e dar-lhe significado tem um grandioso valor. Tem a ver com afeto, com lembrança, com compartilhar alegrias, e também tristezas... já que vivenciamos também o luto.

Existe na grande maioria das pessoas, a vontade de comemorar, marcar de alguma forma aquele dia especial. No caso do aniversário dos filhos, isto fica ainda mais evidente. Comemora-se a vida e comemora-se a família que se faz no entorno da vida desta criança.

No entanto, ganha espaço em nossa sociedade capitalista o culto à ostentação, muitas vezes esquecendo-se o valor intangível que existe nas coisas. Quando o assunto é festa de aniversário isso fica muito bem explicito. Muita gente já passou pela experiência de gastar demais, muitas vezes um dinheiro que não tinha, para montar uma festa plástica, descartável e que, em muitos casos, não agradou tanto as crianças... apenas deixou todos exaustos!

Sempre vale a pena refletirmos sobre nossas escolhas. Contribui para o auto-conhecimento e, em se tratando de ser mãe, faz parte do exercício da maternidade consciente. Pensar se aquela escolha combina com a gente, se combina com o temperamento do nosso filho, se é o que realmente nos atenderá e se é o que realmente mais importa.

Lembrando da máxima de que a pureza de amor das crianças é tão grande que pra eles é mais importante a presença que o presente e a brincadeira que o brinquedo, a Alyssa, Doula e proprietária da Slingue (carregadores de bebês) divide com a gente a experiência que teve ao fazer uma festa pensando única e exclusivamente nos interesses do filho mais velho.

E ouvir deles “esse é o melhor dia da minha vida” fez nascer nela o sentimento de que valeu a pena a ideia de fazer diferente.


...


No último aniversário do meu primogênito, em 2013, eu fiz uma festa em casa e gastei uma fortuna alugando o painel do ‘Ben10’, o bolo do mesmo personagem e todos os apetrechos. Aluguei pula-pula e fiz algumas brincadeiras como “Caça ao Tesouro” e outras que acabaram fazendo muito mais sucesso do o tema em si!

Então decidi que na de 6 anos não alugaria painel nenhum e resolvi investir em diversão. E o resultado: Igor, o irmão mais novo, entrou na festa gritando "Esse é o Melhor Dia da Minha Vida". Impagável né?!

Nesta o Alan escolheu o tema do Kung Fu Panda e logo corri para buscar algumas alternativas para enfeitar a festa e também agradá-lo nesse quesito.

Durante as duas últimas semanas fiquei nessa função de imprimir, recortar, dobrar e colar os "pepakuras". E o mais legal foi que eles participaram de tudo, acompanharam e ajudaram. Meu marido também entrou na onda de ajudar nas dobraduras.

Achei coisas bem legais na internet:
Fazendo nossa Festa 
Este aqui é um site que disponibiliza uma serie de modelos e ensina como cortar e editar para facilitar a nossa vida como convites, marca pagina... tem de tudo mesmo, com ou sem impressão. Tudo free!
Até quem é super leiga nessas coisas de edição, corte e montagem, não tem dificuldade alguma.

Analu Festas
Este site é de umas moças lá de Floripa que participam do Bazar Coisa de Mãe, super indicadas pela Lígia do Cientista que Virou Mãe. Elas criam temas próprios, sem se prenderem nesses temas da moda. Dá para tirar idéias legais no Blog delas. Para enfeitar a mesa, eu usei personagens de papercraft, muito legal. No google se consegue achar vários modelos para montar.




Paramount Pictures
Aqui está o site onde tirei os do Kung Fu. Tem também várias atividades de pintar, desenhar... que usei para colocar nas sacolinhas de lembrança.



A festa foi na Sede da A.A.B.B. em Porto Velho. Bem ao lado do salão tinha uma dupla de bombeiros praticando tirolesa, não hesitamos e fomos descer também. Logo o Igor (mais novo) quis descer também e então todas as crianças desceram.

Quanto à comida, optamos por fazer um churrasco. Contratei um churrasqueiro e uma cozinheira que deram conta de tudo. Já os doces, encomendei com um casal de amigos que chegaram recentemente em Porto Velho e estão trabalhando com vendas de doces. Foi no horário do almoço e durou até fim de tarde, umas 17:00 horas.

Teve ainda o futebol de sabão que alugamos que foi o auge da festa. Imaginem todas as crianças jogando futebol em um pula-pula todo molhado e cheio de sabão?? As fotos falam por si só:















<3

16 de janeiro de 2014

Relato de parto da Daniela: parto natural hospitalar em Cacoal


Uma gestante que teve uma bela - e rara - experiência de parto em um hospital de Cacoal. Parto sem intervenções desnecessárias, em menos de uma hora e meia de internação e com respeito ao tempo do bebê. Para esta mulher, cuja mãe teve dez (!) filhos, todos de parto normal e que já tinha passado pela experiência do parto com outras duas filhas, parto normal é exatamente como deve ser mesmo: normal.

Daniela é servidora pública e mora em Cacoal, Rondônia, com suas três filhas e nos conta agora como nasceu sua caçula, a Sara.



Depois de quase 13 anos da data de nascimento da minha primogênita de 8 anos, na data de nascimento da segunda filha, o sentimento da maternidade me tomou conta. Vários projetos foram tomando espaço em minha vida, adiando ainda mais a realização desse desejo. Entretanto, cheguei em uma fase em minha vida onde percebi que, dentre vários projetos realizados, o de ser mãe pela terceira vez era mais importante pra mim.

"Decidimos engravidar" eu e meu amado. Há um ano sem tomar anticoncepcional, veio a notícia: Positivo! Impossível descrever a alegria, pois estava aguardando muito este dia. Mas a gestação não foi tão tranquila assim. Com cinco meses descobrimos que eu estava com Toxoplasmose e que teria que ingerir remédios para o bebe não nascer com sequelas, entre elas a surdez ou cegueira.

Desde sempre escutei minha mãe dizer que preferia ter 10 partos normais a ter uma cesariana. Ou seja, creio que inconscientemente fui absorvendo essa ideia, sem nem ao menos ter conhecimento dos benefícios do parto normal.

Especificamente no parto da Sara, eu já conhecia a dores iniciais e as "manhas" para que eu pudesse ajudá-la a nascer sem sofrer tanto. Meu médico sempre me dizia que fazer uma cesariana em mim seria um crime, pois tinha tudo para ter normal e que somente faria diferente se fosse estritamente necessário.

Graças a Deus aconteceu conforme o previsto. Às 3 horas e 20 minutos do dia 11/06/2013 comecei sentir as cólicas. Já sabia que era a Sara querendo nascer. Fomos para o hospital e, chegando lá, meu médico chegou com uns 10 minutos após ser comunicado. Não tenho porque fazer propaganda de médico, mas ele foi um ótimo médico quanto ao fornecimento de informações que necessitava (mesmo sendo o meu terceiro parto normal).

Fomos abençoados por Deus e às 4:45 horas da manhã me despi de toda vaidade que uma mulher pode ter para dar a luz a uma criança linda... tão linda que não saberia descrever tanta beleza. De parto normal e sem "pique" (diferente das outras duas gestações) nasce Sara.

Uma gestação marcada por altas doses de remédios fortíssimos, exames muitas vezes invasivos... tudo para controlar a enfermidade adquirida na gestação, mas que valeu à pena. Veio para completar meu trio: Maria Eduarda, Isabela e Sara. Os melhores presentes que Deus já me deu até hoje, dentre tantos outros.

Não tenho palavras para descrever a alegria que sinto, o sentimento de renovação que traz uma criança no lar de uma família...sentimento tão forte de amor, compaixão que só quem é mãe sabe do que estou falando. Olhar para o rostinho dela e vê-la perfeitinha e sem nenhuma sequela me deixa constrangida diante da imensa bondade do meu Jesus Cristo para comigo, pois não sei se sou merecedora de tão grande bênção.

Queria compartilhar esta alegria que sinto com meus amigos. Para os que ainda "não tem coragem" ou "tem muita coisa para fazer antes de ter filhos" lhes digo: vocês não sabem o que estão perdendo.









7 de janeiro de 2014

Relato de parto da Helena: parto natural hospitalar com doula em Porto Velho



A Helena já contou aqui uma experiência muito feliz de parto. Ela teve seu segundo menino de parto normal, após uma cesárea, num trabalho de parto que começou na tranquilidade do lar... 

Agora temos ela aqui novamente para contar uma história igualmente linda! Helena recebeu sua menina de parto natural. Pioneira em Porto Velho na confecção de um plano de parto, ainda assim ela teve que lutar para garantir alguns direitos e evitar intervenções desnecessárias e já desaconselhadas pela Organização Mundial de Saúde... episiotomia é uma delas!

A presença da doula foi dificultada mesmo havendo uma série de artigos científicos em revistas renomadas que citam a influência positiva do suporte físico e emocional contínuo durante o trabalho de parto e parto, através das doulas ou pessoas com essa função exclusiva! Veja aqui as referências.

Já dissemos aqui que o tempo é de luta e, infelizmente, só através dela conseguiremos garantir dos nossos direitos por um parto digno e um nascimento respeitoso aos nossos filhos. A Helena marchou, a Helena se preparou, planejou, gritou... e na hora, conseguiu desconectar e se entregar ao maior ritual de amor e fé da Vida! Parabéns! E que venham muitos outros bebês assim...




Arielle veio na minha vida para aprender a desapegar de coisas e sentimentos que não estavam funcionando mais. Um momento de transformação pessoal daquele jeito de rito de passagem transformador, me mostrando a importância dos pequenos detalhes e principalmente da minha conexão comigo mesma.

Então vamos lá.

Estava desconfiando que estava grávida há um mês, pois depois que tive meu segundo filho não menstruei e acabamos nos descuidando. Então foi que durante uma aula de yoga resolvi esticar bem o corpo amassar bem o abdômen nas posturas pra ver se sentia algo, foi então que no fim da aula, no momento de sentir a respiração, coloco a mão sobre o abdômen e sinto um movimento a princípio achei que fosse gases, mas senti um movimento novamente, e aquilo foi o sinal que tinha procurado. Saindo da aula passei na farmácia e comprei um teste rápido e pela manhã fui fazer o teste que logo me deu o resultado positivo. Nossa foi o momento mais assustador que tive na vida, 3 filhos, pra quem havia imaginado apenas ter um filho, já estava na terceira gestação e com mais um desafio, cuidar de duas crianças pequenas ao mesmo tempo, pois o Luan estava à beira de completar seus 2 anos de idade.

Passado o susto inicial, comecei o processo de pesquisa e mais informação sobre parto, ainda sonhava com o parto em casa que não consegui realizar com o nascimento do Luan, mas não era uma ideia paranoica. 

Comecei o pré-natal com o mesmo medico que acompanhou minhas 2 outras gestações, conheci o grupo Bello Parto com suas reuniões semanais gratuitas onde pude me informar mais e também compartilhar de minhas experiências. Lugar maravilhoso onde conheci pessoas incríveis como a Izabela e a Alyssa, anjos lindos que ajudam as mães a trazerem seus bebês ao mundo de forma natural e cheia de emoção.

Nesta gestação resolvi que queria ser cuidada - e fui muito bem cuidada - por minha doula linda Alyssa que em nossos tão esperados encontros, sempre vinha com uma mágica especial.

Minha gestação ocorreu perfeitamente bem sem qualquer alteração de pressão, e nem infecção de qualquer gênero. Perfeito para um parto em casa né Iza?! (rs).  (Izabela da Bello Parto)

Queria nesta gestação me entregar mesmo à minha intuição, tanto que nem queria saber o sexo do bebê, mas por pressão do pai, resolvi ceder e saber o sexo do bebê. Descobri numa ultra feita com 25 semanas, quase enlouqueci com as pessoas querendo saber o sexo, e eu, muito delicada, respondia que iriam saber quando nascesse. 

E então descobrimos que teríamos nossa menina. Ai o cabeção pirou novamente e agora só sei ser mãe de menino, como vai ser???? Esse sentimento de dúvida me seguiu por algumas semanas, depois fui relaxando, pois sabia que de uma maneira ou outra iria aprender, pois estamos aqui para aprender né, e como mães de qualquer sexo, aprendemos todos os dias. E que venham os desafios.

Chegando no fim da gestação parei de dar aulas, pois via que precisava de um tempo para me entregar de verdade a minha gestação, foram semanas longas cheias de altos e baixos, hormônios em ebulição constante me fazendo ter todos os tipos de sentimentos que se possa imaginar. Sempre achei que o último mês é o mais longo, pois não conseguia posição pra dormir, sentar, ficar em pé todas essas coisas simples exigiam o máximo de mim.

E as semanas foram passando e chegamos as 39 semanas de gestação, acordei com contrações indolores que apenas me traziam um formigamento na pélvis, comecei a monitorar e estavam de 10 em 10 minutos. Como tinha consulta naquele dia, mandei mensagem para minha doula pra saber se iria na consulta para me certificar se estava mesmo em trabalho de parto e ela me recomendou a ir e então fui. Cheguei lá tinha um monte de grávidas esperando o médico chegar para marcarem suas 'desnecesáreas' e elas ficaram apreensivas pelo fato de eu estar sentindo contrações. O medico, chegando super atrasado, me atende primeiro e, é claro, fazemos o maldito toque... e nada de dilatação. Nossa como isso foi brochante pois eu estava super feliz em estar tendo contrações, mas sabia que a coisa podia engrenar já que estava em pródromos. 

Fui pra casa ainda sentindo as contrações mas logo ao deitar de noite elas cessaram e ficou tudo parado assim, contrações vinham.... quando pensava que agora vai..... paravam. Isso foi frustrante demais. E então 3 dias depois, a querida doula me manda uma mensagem pra saber como estávamos, e respondo tudo em paz, ela vem me ver à tarde e então fizemos uma massagem nos pés, tenta ativar os pontos para ver se tem contração e caminhar pelo bairro pra ver se algo acontece, e uma ou duas contrações e continuamos na mesma, então nos despedimos ela me sugere tomar um chá de canela pra dar uma estimulada. 

Não cheguei a tomar o chá, e meia hora que ela sai começam as contrações... primeiro sem dor e logo começam com dor. Mando mensagem que as contrações voltaram de 10 em 10. E então lá pelas 8 da noite ela chega e estou na bola e ganho uma massagem nas costas pra relaxar, e começamos a monitorar e certificamos que estavam de 10 em 10 mesmo.


Coloco as crias, marido e sogra para dormir e ficamos eu e doula na sala assistindo um canal de comédia, e entre risadas e contrações entramos a madrugada, rebola na bola, ganha mais algumas massagens, cochilamos no sofá e as contrações começam a apertar, vamos caminhar na varanda, rebolar, contrações de 8 em 8 começar a apertar. Agora fico de cócoras a cada contração e começo entoar o mantra do parir, aquele que vem do intimo que vai crescendo como aquela onda que se forma no mar. 

Contrações de 5 em 5... vamos buscar a força da terra ao caminhar de cócoras, me sinto cada vez mais perto do fim do arco-íris. E então chega o momento de ir pra maternidade, acorda marido, avisa sogra e vejo o céu que antes era escuro se abrir em luz, já era de manhã!

No carro em direção a maternidade tenho 2 contrações bem mais perto uma da outra, pois o carro sacoleja muito. Chegamos na maternidade damos entrada, e já começa a pressão básica por causa da doula que não queriam deixar entrar. 

No corredor em direção a sala de triagem tenho uma contração que tenho que parar... aí uma grávida passa na minha frente assustada! Consigo chegar na triagem, medem pressão, passa mais alguns dados e me encaminham para a médica. Na espera do atendimento tenho várias contrações e então me agarro em meu marido e volto a cantar o canto daquelas que estão em seu mundo particular num ritual só meu. 

Me sinto em estado de êxtase, tão perto de conhecer meu bebê, sinto toda a alegria transbordar do meu ser. Chega a minha vez de ser atendida, constatamos dilatação total! Nossa que alegria, realmente estava perto, tenho uma contração na sala da médica, começo meu canto novamente, e ela como não estava conectada com as mulheres antigas, me diz pra me calar para não me cansar, mas como eu estava em meu mundo particular ignoro ela com sua sábia ignorância. 

Sou encaminhada pra sala de parto, me mostram um leito e a enfermeira me diz para deitar, olho para ela e digo que não vou deitar... ela me diz como se eu não soubesse: 'seu bebê vai nascer'. E eu respondo 'eu sei que meu bebê vai nascer, mas não vou me deitar'. 


Então ela vai embora e vem outra e me pergunta como terei meu bebê, respondo que ainda não sei. Meu marido diz na hora: "ela vai ficar na posição que for melhor pra ela". Então peço pra ela colocar a barra que teria de cócoras, eu não me deitaria de jeito nenhum, se quisessem ver teriam que se abaixar. Peço encarecidamente que deixem minha doula entrar, aí a enfermeira diz pro meu marido ir chama-la, logo vejo ela tão doce e feliz por ter conseguido entrar. E logo aparece a médica 'diaba com cara de anjo', e diz que vai estourar a minha bolsa para acelerar, meu marido vai conversar com ela e mostra meu plano de parto e lá eles ficam discutindo os procedimentos que eu não queria, ela se negou a assinar e nisso estou só eu e minha doula, rebolo pra bebê descer mais e mais e sinto a pressão da cabecinha me abrindo, e a médica aparece e pergunta o que decidimos, respondo que ela não vai estourar a bolsa, ela resmunga, mas a ignoro novamente e logo ela vai embora, logo tenho uma contração bem forte e a bolsa rompe jorrando seu liquido quente para todos os lados. 

Aparece uma enfermeira e constata que o liquido está claro com grumos tudo certo e logo desaparece. Começo a ter contrações cada vez mais fortes e sinto cada vez mais a cabecinha me abrindo. Digo pra Alyssa 'ela tá vindo!'. Que momento... começo a sentir queimar as minhas entranhas, meu mundo estava se abrindo era o tal círculo de fogo que pra mim veio como o abrir de uma cratera de vulcão... tanto que meu canto se transformou em força e tive que abrir a garganta para que tudo aquilo saísse de mim... era a tal transformação que somente o parir te traz.

O controle sobre as coisas e minha identidade... tudo isso se foi e me joguei de corpo e alma naquela sensação de ser nada e ao mesmo tempo tudo! Deitei de lado para me entregar totalmente ao parir e vejo a cabeça saindo de mim e digo 'ela está aí'. Como o 'ver' às vezes é necessário, tentei passar a mão na cabeça, mas meu marido segurou não sei porque, tentei que ele soltasse meu braço, mas não consegui e voltei a me concentrar na saída da bebê.

Começo a sentir o corpinho sair de mim e de repente escorregar de mim, logo peço para me entregarem a enfermeira a seca um pouquinho e me entrega... meu bem mais precioso! Ouço seu choro, seu cheiro, sua temperatura e abraço seu corpinho quentinho, coloco próximo ao seio, mas ela apenas fica ali quietinha apenas sentindo e ficamos ali nos conectando. A emoção deste momento não pode ser definida em palavras, pois são muitas e nenhuma. A emoção só pode ser sentida, e estando ali naquele momento que é único e tão transformador “O Nascer”.



Ariellle nasceu dia 30/12/2013 ás 07:09h pesando 3.520kg medindo 49cm.

Emocionando Mãe, Pai e Doula.

Apesar de sentir estar me partindo, não tive nenhuma laceração.

Não tive como impedir o uso do colírio e da vitamina k no meu bebê.

Como a equipe do hospital não sabia o que era um plano de parto e nem como procederem, tive que impor no grito alguns dos meus direitos o que me coube no momento pelo menos.

A caminhada pela humanização é longa e vamos percorrendo um passinho de cada vez, tentando tirar os profissionais de suas rotinas desnecessárias.


Quero agradecer meu marido que sempre me incentivou e esteve ali do meu lado segurando a minha mão. Agradecer a Alyssa que com sua voz suave e suas mão delicadas me auxiliou nessa jornada. Agradecer também a todas que fizeram parte dos encontros do grupo Bello Parto que me auxiliaram com suas energias positivas.



23 de dezembro de 2013

Relato de parto da Verônica: parto natural hospitalar


Contrariando uma  pesquisa que apontou que a grande maioria das mulheres, quando engravida, prefere o parto normal, a Verônica não! Ela, de plano, pensou em ter sua filha de cesariana. Por uma coincidência do destino, que eu chamaria de dádiva mesmo, o marido dela foi amigo de infância da doula Izabela, que é proprietária da Bello Parto e partiu dele a ideia de frequentar os encontros. Enquanto muitas mulheres precisam travar batalhas até mesmo com o próprio marido para conseguir um parto digno e um nascimento respeitoso pro filho, a Verônica saiu na frente...

E quando a ansiedade apertou, ao invés de pedir, em oração, para que a Betina nascesse... a Verônica foi além... e, na própria fé, pediu paciência... para aguardar a chegada da filha, para que tivesse a tranquilidade necessária para esperar o tempo da filha! Que lição maravilhosa que ela vai deixar para esta criança, que nasceu em meio a tanto respeito - e que lição que ela deixa aqui, pra nós!!!

A partir de alguns encontros, de muita informação e da comunhão de desejos... chegou a Betina! Betina significa promessa de Deus... e é assim mesmo que a mãe dela, a Verônia, chama o próprio parto: Uma experiência maravilhosa, como Deus criou! Vamos ao relato!



Me chamo Verônica, tenho 23 anos e estou casada há um 1 ano com meu esposo Thiago, 29 anos. Nossa Betina nasceu de um parto natural no dia 02 de Dezembro, próximo de completamos 1 ano de casado no dia 08 de Dezembro, comemoramos 1 ano de casado com o melhor presente de todos.

Descobrimos nossa gravidez com aproximadamente duas semanas de gestação, foi uma descoberta que me assustou um pouco até porque nós estávamos completando 2 meses de casados e um filho estava nos nossos planos, mas a uma distancia um pouco maior.

Todo mundo ficou feliz com nossa gestação, meu bebê não foi planejado mas sempre foi muito esperado, eu e meu esposo amamos crianças. Durante a gravidez sempre procurei me informar para ter uma gravidez saudável. Logo quando casei meu marido fez um plano de saúde para mim e, logo ao mês seguinte descobrimos nossa gravidez, rolou aquela preocupação, pois o plano não cobriria o parto (nessa época, só vinha em minha mente cessaria). Conversei com meu medico sobre o que poderia fazer a respeito dessa “carência”, ele informou que poderia fazer um “desconto”.

Meses atrás quando trabalhava numa empresa de idiomas, conheci um medico que matriculou seus filhos comigo (ainda não sabia que era medico). Certo dia, quando a gente acorda preocupada com a gravidez, me senti mal e fui ao PS do hospital 9 de julho em Porto Velho e me deparo com o tal pai que matriculou seus filhos. Para o meu espanto ele era medico obstetra. Muito atencioso, me tranquilizou a respeito a minha gravidez e contei pra ele a questão do plano não cobrir minha cesárea... logo me disse “Porque você não faz parto normal? Você tem tudo para ter normal, sua gravidez está ótima, o bebe está ótima, seu corpo tem tudo para ter normal e digo mais, você pode ter lá na maternidade municipal sem medo, lá é referencia!"

Insistir a ele para ter cessaria com ele e ele novamente insistiu para eu ter normal, que seria a melhor coisa para mim e minha bebe. Foi então que meu marido, também de acordo, me mostrou no facebook um grupo chamado  Parto em Rondônia sobre parto humanizado em que fazia parte uma amiga de infância dele. Ela é proprietária da Bello Parto, um grupo de parto humanizado e é doula.

Fui a algumas reuniões e tirei toda minhas duvidas a respeito, fiquei encantada com a possibilidade, passei a me sentir encorajada e disposta a enfrentar tudo e todos, passei a me cuidar mais ainda, fiz caminhada, ficava na piscina. Contava para familiares sobre minha escolha, muitos eram a favor, pois todas minhas tias (família grande de cearense) tiveram filhos de parto normal. 

A parte contraria só me falava da DOR, eu que sempre fui medrosa... eu me imaginava como eu me comportaria mas, ao mesmo tempo também pensava: “foi assim que Deus fez, o corpo da mulher está preparado para isso, eu vou conseguir".

Eu sempre avisava meu marido a não me deixa desistir na hora e ele sempre me dizia que eu iria conseguir que não precisava disso. Com 39 semanas de gravidez já começaram as cobranças do nascimento da nossa primogênita. Familiares e amigos ligavam perguntando quando seria o parto e, eu com muita paciência, respondia que tudo iria acontecer no tempo determinado por Deus, só Ele saberia quando nossa Betina viria ao mundo... Eu tinha na minha cabeça que até as 41 semanas esperaria tranquilamente, mais minha ansiedade já estava dando sinal há muito tempo. 

Eu até fui ao médico e ele me disse a mesma coisa, para ter paciência que a Betina ainda não queria vim, estava muito gostoso na barriga da mamãe. Ele me disse para quando desse 41 semanas para ir ao consultório dele, completei 40 semanas num sábado. No domingo seguia minha ansiedade e de todos por sinal. No fim de domingo, dia de ir para missa, conversei com Deus e pedi para que nossa Betina nascesse no tempo dela e que ele me desse força e paciência. 

Quando deu mais ou menos 20 horas, comecei a sentir umas pontadas, nada de muito forte e, eu não queria me iludir achando que era o inicio do trabalho de parto, então fingi que nada aconteceu. Ao dormir comecei a conversar com ela, falando que eu estava muito curiosa para conhecê-la e que se ela demorasse pra nascer, a data ficaria muito perto do natal e, isso depois ela não iria gostar, querendo ou não ela ia ganhar só um presente de natal ou de aniversario (rsrs). 

Eu e meu marido fomos dormir rindo da brincadeira. Foi então que à 1 hora da manha, senti um “ploc”... fui ao banheiro, senti alguma coisa diferente novamente, um cheiro diferente, um volume diferente, meu sorriso foi no olho e, eu corri para contar para meu esposo! Ele na hora se levantou feliz e muito nervoso ao mesmo tempo. Fiquei calma, deitei e tentei dormir mas estava tão feliz que não conseguia fechar os olhos. 

As primeiras contrações me faziam rir, minha mãe que tinha chegado de viagem 10 dias antes - ela mora em Linhares-ES - também começou a sentir minhas contrações (era até engraçado). Minha felicidade era imensa, as contrações ainda não... conversei com as meninas do Bello Parto (sempre presente na minha gravidez) via whatsapp e, me pediram ficar calma e fazer exercício, tentei ficar calma pois as contrações começava a ficar mais fortes, mas fiquei caminhando pela casa acompanhado com meu marido. 

Às 3 horas da manhã fui ao hospital para saber minha situação, estava com apenas 2 cm de dilatação, voltei para casa pois na maternidade só é permitida a internação com 4 cm. Em casa com as dores mais fortes, queria dormir mas era impossível... as dores vinham e vinham fortes, não eram mais aquelas dores que me faziam sorrir, mas eu sabia que era para chegada da filhota. Isso que ia me acalmando. 

Cinco horas da manhã, fui a maternidade e ufa!, 4 cm de dilatação. Agora vai ser rápido, o medico ainda me disse “la pelas 11 horas ela nasce”...  ERRADO! rsrsrsrs

Me sentia cansada, sem vontade de fazer nada apenas de dormir, sentia as dores, ao lado do marido, e queria que as horas passassem rápido... Errado também! As horas passavam, menos as dores e nada de dilatação aumentar, meu marido insistia em fazer caminhada junto comigo para acelerar o trabalho de parto mas eu estava cansada. 

Às 8 horas, com 6 cm de dilatação, surge ela, com aquela rosto tranquilo que transmite paz: Sandra Schulz   (integrante do Bello Parto) e me pergunta: “Oi Veronica? Tá tudo bem?” e eu só respondia “Não, estou cansada, não vou conseguir”, então ela afirmou “você vai conseguir, sim! Pois eu vou ficar aqui com você”. 

Ela trocou de roupa e voltou com um copo de suco com glicose para me dar energia, já trouxe uma banqueta para auxiliar no parto humanizado e me deixou junto com meu esposo em baixo do chuveiro bem quente e deixava a água cair na lombar, enquanto meu marido fazia massagem, ajudou aliviar a dor. 

As dores eram mais fortes, ela sempre ao meu lado também me auxiliava na respiração. Fiquei horas e horas no chuveiro ao lado do meu marido, as vezes gritava com ele porém, ele nem ligava, apenas sorria e me pedia calma, que faltava pouco. 

Era só isso que os dois diziam: “calma, falta pouco, você vai conseguir”. Ao meio dia fui para cama e fiquei de quatro abraçada na cama, já não me importava com as dores, era uma posição mais confortável que achei. As dores vinham mais fortes, estava quase na hora, mais ou menos às 13 horas, percebi que a Sandra já arrumava o local para receber minha Betina, então eu pensei FALTA POUCO... mas aí as dores vinham fortes mesmo. 

Meu marido ajudava fazendo massagem na lombar e, segurando na minha mão ele disse baixinho no meu ouvido “Força amor, tá quase, já estou vendo o cabelinho dela”. A Sandra me pediu para quando a contração viessem eu fazer força... na primeira tentativa eu não achava força de lugar nenhum, então eu busquei forças... respirei, respirei e quando a contração final veio foi uma mistura de de dor e alivio... ouvir o chorinho dela, ver meu marido ao lado chorando de emoção... naquela ocasião nem lembrava mais que havia sentido dor.

A Sandra me trouxe a Betina e a colocou no meu peito... que sensação maravilhosa! Meu marido ao lado filmava tudo muito emocionado, olhei para minha filha e disse que ela era a banguela mais linda e todos do quartos riram, falei que ela tinha o queixo do vovó e o cabelo do papai. 

Assim nasceu minha filha amada, às 13:27 do dia 02 de Dezembro de 2013. Um bebezão com 3,835 quilos e 51cm. Não injetaram ocitocina, nem fizeram episiotomia, tive 2 pontos em razão da laceração. Se eu tivesse em outro local que não fosse a maternidade municipal não seria tão lindo assim. Foi maravilhosa a presença da Sandra e de meu marido que foi primordial desde do inicio da gravidez, sempre cuidado de mim e da Betina, com certeza ele sem eles não teria sido tao lindo e emocionante. 

Uma experiência maravilhosa como Deus criou.






2 de dezembro de 2013

Maternidade Ativa: a síndrome de down não detectada e muito amor às surpresas da vida



Umas das coisas mais deliciosas de se manter um blog é a oportunidade de conhecer pessoas!
Esta pessoa eu não conheci agora, mas a última vez que eu a vi, morávamos em Porto Velho e éramos meninas ainda. Hoje eu a encontrei numa condição muito especial e a convidei pro nosso espaço.

Ela é mãe agora e procura desenvolver a maternidade de forma consciente, encantada com este amor maior. Sinto-me honrada de poder levar à público uma condição especial e que poderá servir de norte para tantas famílias pelo mundo afora.

Já dissemos por aqui que 'Filhos... o importante é que venham...'. Sim, muito mais do que preferência pelo sexo, cor de olhos, saúde e ideais de perfeição, nossos filhos serão sempre aceitos e vêm por razões mágicas, por acordos encantados dos quais pouco compreendemos.

Temos aqui a dádiva de conhecer uma história (dentre muitas outras anônimas) em que o famigerado exame de translucência nucal e todos os demais exames da praxe de um pré-natal nada detectaram e eis que uma surpresa chegou!

Esta é a Lauriceane, fisioterapeuta, contando sobre sua primeira grande realização como mãe: receber o Lucas...





Após onze anos de namoro e cinco anos de casados, eu e meu marido, ambos com 26 anos na época decidimos engravidar do nosso primeiro filho, tudo muito programado e planejado. Na época, eu morava em Porto Velho, Rondônia, estava no último ano da faculdade de fisioterapia e iria me formar em dezembro de 2007.

Em setembro de 2007 procurei uma ginecologista obstétrica para me preparar para engravidar. Ela me receitou acido fólico por três meses antes da gravidez, pois tomava anticoncepcional há muito tempo. Após três meses de tentativas conseguimos engravidar.

Em fevereiro de 2008 fiz o exame de sangue e descobri que estava esperando o nosso primeiro filho, primeiro neto de ambas as partes, só alegria e muita emoção! Fiz o meu pré-natal minuciosamente e todos os exames ficavam sempre dentro da normalidade, inclusive o da translucência nucal. Com 16 semanas descobrimos o sexo: um menino e decidimos o nome: Lucas Pessetti Antonelo.

Nesta ultrassom o osso nasal estava presente (na síndrome de Down ele demora a aparecer devido ao formato do nariz característico da doença), enfim, tudo sempre normal.

Eu tive uma gestação saudável, só felicidade. Quando me aproximei da 37ª semana, conversei com minha médica e decidimos esperar o parto normal, porem não tive sucesso. Na ultima consulta com 39 semanas já estava há uma semana com 1 dedo de dilatação e o batimento do bebê já estava diminuindo, logo ela achou melhor interromper a gestação e fazermos a cesariana.

No dia 31 de outubro, as 17 hs, nasce o nosso amado e esperado Lucas. Durante o parto, mesmo sendo cesárea, a doutora teve dificuldade em retirar o Lucas. Tiveram que empurrar muito minha barriga e quando ela pegou e disse que ele tinha nascido, não o ouvi chorar. Questionei o anestesista que estava do meu lado e ele disse que estava tudo bem.

De repente vi o pediatra correr com o Lucas para a sala do lado e dentro de instantes o Lucas chorou, mas foi mais um grito do que choro. Depois de um tempo ele veio me mostrar o Lucas. Nossa muito lindoooo, todo delicadinho, porém bem roxinho e gelado! Perguntei se estava tudo bem, ele respondeu que sim, mas que estava com frio e que tinha que ficar na incubadora para aquecer. Pedi que avisasse meu marido, minha família e amigos que estavam aguardando lá fora o nascimento, pois o hospital que tive o Lucas não permitia a entrada de acompanhantes no parto cesariano.

Bom, enquanto eu estava no centro cirúrgico, antes de ir pro quarto, o pediatra estava dando a noticia para o meu marido e para os avós do Lucas. A notícia era a de que, provavelmente, ele seria portador da Síndrome de Down, tendo em vista algumas características que ele tinha observado. No entanto, avisou que só o exame de sangue, o cariótipo, iria confirmar.

Até esse momento, eu não sabia de nada... Meu marido não aguentou e foi caminhar em volta do hospital tentando aceitar a notícia... Meus pais não entendiam nem o que era ser uma criança com Síndrome de Down... Minha sogra, viúva e com muita fé, aceitou muito bem e tentou fortalecer os demais na aceitação...

Logo que fui para o quarto, vi que algo não estava bem. Não via meu marido perto de mim. Ainda sonolenta achei que estava lá com o Lucas na incubadora, porém, logo veio a minha médica – fantástica – de uma delicadeza imensa, me dar a notícia!

Ela iniciou a conversa dizendo que tínhamos feito todos os exames necessário e que tudo tinha dado normal, mas que o pediatra estava achando que o Lucas tinha síndrome de down. Nessa hora apenas conseguia ter mais amor no meu coração e dizer que não tinha problema, que o amaria do mesmo jeito, que era meu filho e que estava muito preparada para receber e amar muito o Lucas.

Sempre fui apaixonada pela pediatria e era essa área que queria seguir na minha carreira profissional, todo o meu trabalho de conclusão foi em estimulação precoce. Nossa! O Lucas nada mais era do que um grande presente de Deus na minha vida.

Logo em seguida meu marido entra no quarto abatido e preocupado. No entanto, quando viu minha reação, tudo foi mais tranquilo, toda a tensão acabou e começaram a, finalmente, comemorar o nascimento do nosso pequeno e amado Lucas!

Às oito horas da noite, o Lucas veio pro quarto e, quando peguei ele nos braços e ele abriu o olhinho pra mim, vi realmente que ele tinha Síndrome de Down, mas estava muito ativo e esperto. Eu notei quando ele abriu o olho por causa da prega oblíqua ocular, que só os orientais apresentam. Como na nossa família não temos orientais, não seria uma característica nossa.

O pediatra relatou, além da prega ocular, dedos das mãos curtos e grossos (apesar de que meu marido tem essa característica), linha da palma da mão única e hipotonia muscular (por isso que a médica teve dificuldade em retirar o Lucas, ele era muito molinho).

Muitos pediatras não acreditavam que ele tinha a síndrome, mas o neonatologista que pegou o Lucas é muito bom, ele de cara notou. É um medico muito conceituado em Porto Velho. Fui pra casa num domingo e na segunda fizemos todos os exames de ecografia dos órgãos, coração, tudo normal. O cariótipo confirmou a trissomia livre do cromossomo 21, ou seja, o Lucas era portador da Síndrome de Down e eu, como fisioterapeuta, comecei a estimulá-lo desde muito cedo.

O Lucas apresentou um pouco de dificuldade para mamar, não pela hipotonia de face, porque ele sempre apresentou muita força na sucção e sempre manteve a linguinha dentro da boca, mas sim porque meu bico do seio era muito grande e a boca dele muito pequena. Mas eu não desisti! Eu colocava ele para mamar e, quando recém nascido, tirava o leite, colocava numa seringa e ele sugava. Já era uma forma de estimulação pra musculatura da face. Com um mês ele já mamava perfeitamente no seio e foi até 1 ano e meio.


Meu trabalho de conclusão do curso de Fisioterapia foi através do método portage, uma escala que avalia a criança e descobre em que idade motora ela está e mostra o que a criança deveria estar apresentando 'motoramente' falando, comparando com a idade cronológica. Essa escala foi realizada para pais com filhos com síndrome de Down, por isso que digo que eu fui muito preparada por Deus, intuitivamente, pra receber o Lucas.

Na época não imaginaria que teria um filho especial, louco isso né?! A estimulação precoce é realizada através de exercícios que estimulam a criança a desenvolver as etapas do desenvolvimento motor, como rolar, sentar, engatinhar, caminhar.


Nossa família, além do Lucas, tem a Giovana de 1 ano e 8 meses e que não tem a síndrome. No entanto, eu nunca quis ter um segundo filho antes de curtir muito o meu filhão. Alguns profissionais diziam pra eu ter em seguida um irmão para ajudar a estimulá-lo, mas eu nunca achei isso certo. Queria ter na hora que eu pudesse dar a atenção necessária que uma criança requer. Logo quando o Lucas começou a caminhar, aos dois anos, decidi engravidar do nosso segundo filho.

Eu poderia ter feito essa aminiocentese nesta segunda gestação, mas não quis fazer, é um procedimento de risco e, sinceramente, pra mim não ia mudar em nada.


Na minha gestação do Lucas, os exames de ultrassom foram todos feitos com um médico muito bem conceituado em Porto Velho. Ele é amigo da nossa família e de extrema confiança. Tudo sempre dava normal, fiz até aquele mais avançado. Quando o Lucas nasceu, meu pai ligou pra esse médico e falou o que estava acontecendo e ele disse que a ultra-som tem algumas triagens que fazem pra ver se o feto apresenta alguma anomalia, porém no caso do Lucas todas eram normais, ou seja, não havia razão para se fazer exames mais invasivos, pois não havia nenhuma anormalidade nos ultrassons de rotina.

Explicou que só iríamos ter certeza fazendo uma amniocentese que é um exame que tira o sangue do cordão umbilical e faz o cariótipo, mas como eu tinha pouca idade e era o primeiro filho, não era recomendado fazer, até porque nos exames habituais o bebê não apresentava nenhum indício de ser portador da síndrome.

Hoje moramos em Gravataí, no Rio Grande do Sul, o Lucas está com cinco anos, frequenta há dois anos a escolinha e só nos dá orgulho, pois é muito inteligente, carinhoso e amado por todos. A fala ainda está querendo sair, mas a fonoaudióloga diz que ele está no caminho certo, compreende tudo e se comunica perfeitamente do jeitinho dele! E é isso que importa.




O grande segredo para se criar uma criança especial é só criar com muita normalidade, respeitando as limitações e dar muito AMOR, e isso graças a Deus nunca faltou pro nosso amado Lucas. 




25 de novembro de 2013

Filme O Renascimento do Parto em Cacoal Rondônia: da estreia com estudantes à despedida com uma parteira tradicional...


por Cariny Cielo

O filme O Renascimento do Parto estreou em Cacoal dia 18 de novembro. Pela primeira vez, rondonienses puderam assistir o documentário recorde de bilheteria no país e que aborda, de maneira sensível e corajosa, uma questão de saúde pública: a violência sofrida pelas mulheres no momento do parto e o abuso de cesarianas feitas por conveniência.

O que esperar de uma sociedade nascida pela marca da violência de um parto normal sem respeito ou por via cirúrgica onde o hormônio do amor, a ocitocina ou é sintético ou é anulado por uma cesariana eletiva? Foi a pergunta-chave que restou do filme...

Ficou confirmado pra mim algo que já era bem claro: as mudanças precisarão vir das mulheres. Nós, usuárias dos serviços de saúde é que temos que deixar claro que sabemos exatamente o que queremos e porque queremos...

"Não me corta, porque eu sei o que eu tô perdendo". A obstetriz Ana Cristina Duarte, no filme, explica exatamente essa realidade da sociedade capitalista que se move conforme uma demanda! É isso, as mudanças ocorrem segundo demanda e essa demanda tem que ser exercida pelas gestantes, pelos pais, pelas famílias... eu já disse muito isso por aqui, o tempo não é de 'deixar a vida acontecer naturalmente' porque nosso sistema obstétrico não permite isso...

O tempo é de luta, embora nosso objetivo seja a paz... o nascer em paz!

E embora não seja óbvio - ainda - para muitas pessoas, a importância da vinda do filme pra cá e de se levantar debates em uma seara antes intocada - a das condutas médicas no nascimento - foi um dia relevante e que deixou sementes nestes Estado que carrega o vergonho título de número 1 em nascimentos por cirurgia...



Teve exposição de fotos na entrada no Cine Art Cacoal com fotos da Semana Mundial de Respeito ao Nascimento da Parto do Princípio com ajuda da fisioterapeuta Mayara Tassi.


Teve gente agradecendo e comemorando muito a oportunidade, como a Juliane, da cidade de Rolim de Moura, estudante de biologia da Facimed, casada também com um biólogo e que me disse: "eu busco informação há muito tempo e quero muito ter filho de parto humanizado. Meu marido é biólogo, eu estudo biologia... a gente sabe que somos mamíferos e que o melhor parto é o parto mais natural possível".



Alguns médicos prestigiaram a estreia. Mas a presença maciça ficou por conta dos acadêmicos de enfermagem e medicina da Facimed Cacoal, orientados pela Coordenadora do projeto, professora Tânia Roberta Furtado e pela também professora Helizandra Bianchini Romanholo. A Faculdade de Pimenta Bueno também veio, em um ônibus particular.

Teve a presença especial do Conselho Municipal de Direitos da Mulher e da Presidente do Conselho Municipal de Saúde.


(foto: professora Helizandra Bianchini Romanholo, conselheira de saúde Edna Mota, 
enfermeira Clarice Hamanaka, Cariny Cielo, Tânia Furtado e Flávio Ferrari)



Após a exibição do filme, entreguei dois exemplares do livro 'Memórias do Homem de Vidro', do obstetra e homeopata Ricardo Jones - que participa do filme - à Facimed, por meio da enfermeira Tânia Roberta Furtado e ao pediatra Flávio Ferrari, que é coordenador do curso de medicina da Facimed e apoiou o projeto de extensão acadêmica. Com direito à autógrafo!

O filme seguiu em cartaz na terça, quarta e quinta-feira para alguns poucos interessados. Na quarta-feira eu fui com algumas amigas e, talvez por estar mais relaxada, não tão envolvida com as organizações da estreia, pude curtir mais a telona.... e chorar... o parto roubado e toda a violência obstétrica sofrida, mas chorar também a emoção de ter, enfim, vivido o nascimento de um filho como maior evento de fé da minha vida, compreender minha fuga do sistema. Definitivamente, o filme fez um eco especial dentro de mim. O filme faz eco dentro de cada um que assiste.

Agora, a emoção mesmo ficou por conta da despedida! Sábado, dia 23 de novembro, em horário alternativo, às 11:00 horas, assisti o filme na presença de uma doula de Porto Velho, a Izabella, da Bello Parto e com uma parteira tradicional de Cacoal. Algumas estudantes de pós-graduação em obstetrícia também prestigiaram.


A Izabella saiu do filme muito emocionada, não por ter sofrido violência obstétrica, como acontece com a grande maioria... não, ela chorou um choro de encontro, de harmonia, de felicidade e encantamento. A emoção de encontrar um lugar no mundo, uma missão... a emoção de, como ela mesmo falou: "perceber tão nitidamente, a razão pela qual eu nasci"

A parteira é pioneira em Cacoal e vai fazer 70 anos e durante mais de 3 décadas 'pegou menino' como ela mesma diz. Emocionou-se ao ver um tema que permeou sua vida ser tratado com tanto respeito e importância. O nascimento natural agora ganhou as telonas! Ela voltará aqui para uma entrevista super emocionante divertida.

E acabou. O filme foi embora deixando um  nó na garganta de muitos e um novo olhar sobre o nascimento em outros tantos...


pelas pessoas que agradeceram a oportunidade de ver um tema afeto aos grandes centros chegar até aqui...
pelos estudantes que tiveram a chance de, não apenas ler, mas ver a outra história do nascer...
pelos homens que entenderam que não se trata de um tema só de mulheres...
pelas mulheres que saíram chorando aos soluços ao perceberem o que seu íntimo já sabia...
pelas gestantes e futuras gestantes que tiveram a chance de ainda discutir uma via respeitosa de nascimento aos seus filhos...
pela parteira que chorou quando viu a Naoli Vinaver dizer 'nós mulheres gostamos de parir'...
pelos encontros e sensação de pertencimento constatados através daquelas imagens...
por todas as lágrimas e por todos os sorrisos...
Gratidões eternas!


E você? Assistiu o filme? Conte como se sentiu...


Divulgação:
Rondonia In Foco
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O Combatente
Acadêmicos de Medicina Facimed
News Rondônia
Cine Art Cacoal

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