25 de novembro de 2013

Filme O Renascimento do Parto em Cacoal Rondônia: da estreia com estudantes à despedida com uma parteira tradicional...


por Cariny Cielo

O filme O Renascimento do Parto estreou em Cacoal dia 18 de novembro. Pela primeira vez, rondonienses puderam assistir o documentário recorde de bilheteria no país e que aborda, de maneira sensível e corajosa, uma questão de saúde pública: a violência sofrida pelas mulheres no momento do parto e o abuso de cesarianas feitas por conveniência.

O que esperar de uma sociedade nascida pela marca da violência de um parto normal sem respeito ou por via cirúrgica onde o hormônio do amor, a ocitocina ou é sintético ou é anulado por uma cesariana eletiva? Foi a pergunta-chave que restou do filme...

Ficou confirmado pra mim algo que já era bem claro: as mudanças precisarão vir das mulheres. Nós, usuárias dos serviços de saúde é que temos que deixar claro que sabemos exatamente o que queremos e porque queremos...

"Não me corta, porque eu sei o que eu tô perdendo". A obstetriz Ana Cristina Duarte, no filme, explica exatamente essa realidade da sociedade capitalista que se move conforme uma demanda! É isso, as mudanças ocorrem segundo demanda e essa demanda tem que ser exercida pelas gestantes, pelos pais, pelas famílias... eu já disse muito isso por aqui, o tempo não é de 'deixar a vida acontecer naturalmente' porque nosso sistema obstétrico não permite isso...

O tempo é de luta, embora nosso objetivo seja a paz... o nascer em paz!

E embora não seja óbvio - ainda - para muitas pessoas, a importância da vinda do filme pra cá e de se levantar debates em uma seara antes intocada - a das condutas médicas no nascimento - foi um dia relevante e que deixou sementes nestes Estado que carrega o vergonho título de número 1 em nascimentos por cirurgia...



Teve exposição de fotos na entrada no Cine Art Cacoal com fotos da Semana Mundial de Respeito ao Nascimento da Parto do Princípio com ajuda da fisioterapeuta Mayara Tassi.


Teve gente agradecendo e comemorando muito a oportunidade, como a Juliane, da cidade de Rolim de Moura, estudante de biologia da Facimed, casada também com um biólogo e que me disse: "eu busco informação há muito tempo e quero muito ter filho de parto humanizado. Meu marido é biólogo, eu estudo biologia... a gente sabe que somos mamíferos e que o melhor parto é o parto mais natural possível".



Alguns médicos prestigiaram a estreia. Mas a presença maciça ficou por conta dos acadêmicos de enfermagem e medicina da Facimed Cacoal, orientados pela Coordenadora do projeto, professora Tânia Roberta Furtado e pela também professora Helizandra Bianchini Romanholo. A Faculdade de Pimenta Bueno também veio, em um ônibus particular.

Teve a presença especial do Conselho Municipal de Direitos da Mulher e da Presidente do Conselho Municipal de Saúde.


(foto: professora Helizandra Bianchini Romanholo, conselheira de saúde Edna Mota, 
enfermeira Clarice Hamanaka, Cariny Cielo, Tânia Furtado e Flávio Ferrari)



Após a exibição do filme, entreguei dois exemplares do livro 'Memórias do Homem de Vidro', do obstetra e homeopata Ricardo Jones - que participa do filme - à Facimed, por meio da enfermeira Tânia Roberta Furtado e ao pediatra Flávio Ferrari, que é coordenador do curso de medicina da Facimed e apoiou o projeto de extensão acadêmica. Com direito à autógrafo!

O filme seguiu em cartaz na terça, quarta e quinta-feira para alguns poucos interessados. Na quarta-feira eu fui com algumas amigas e, talvez por estar mais relaxada, não tão envolvida com as organizações da estreia, pude curtir mais a telona.... e chorar... o parto roubado e toda a violência obstétrica sofrida, mas chorar também a emoção de ter, enfim, vivido o nascimento de um filho como maior evento de fé da minha vida, compreender minha fuga do sistema. Definitivamente, o filme fez um eco especial dentro de mim. O filme faz eco dentro de cada um que assiste.

Agora, a emoção mesmo ficou por conta da despedida! Sábado, dia 23 de novembro, em horário alternativo, às 11:00 horas, assisti o filme na presença de uma doula de Porto Velho, a Izabella, da Bello Parto e com uma parteira tradicional de Cacoal. Algumas estudantes de pós-graduação em obstetrícia também prestigiaram.


A Izabella saiu do filme muito emocionada, não por ter sofrido violência obstétrica, como acontece com a grande maioria... não, ela chorou um choro de encontro, de harmonia, de felicidade e encantamento. A emoção de encontrar um lugar no mundo, uma missão... a emoção de, como ela mesmo falou: "perceber tão nitidamente, a razão pela qual eu nasci"

A parteira é pioneira em Cacoal e vai fazer 70 anos e durante mais de 3 décadas 'pegou menino' como ela mesma diz. Emocionou-se ao ver um tema que permeou sua vida ser tratado com tanto respeito e importância. O nascimento natural agora ganhou as telonas! Ela voltará aqui para uma entrevista super emocionante divertida.

E acabou. O filme foi embora deixando um  nó na garganta de muitos e um novo olhar sobre o nascimento em outros tantos...


pelas pessoas que agradeceram a oportunidade de ver um tema afeto aos grandes centros chegar até aqui...
pelos estudantes que tiveram a chance de, não apenas ler, mas ver a outra história do nascer...
pelos homens que entenderam que não se trata de um tema só de mulheres...
pelas mulheres que saíram chorando aos soluços ao perceberem o que seu íntimo já sabia...
pelas gestantes e futuras gestantes que tiveram a chance de ainda discutir uma via respeitosa de nascimento aos seus filhos...
pela parteira que chorou quando viu a Naoli Vinaver dizer 'nós mulheres gostamos de parir'...
pelos encontros e sensação de pertencimento constatados através daquelas imagens...
por todas as lágrimas e por todos os sorrisos...
Gratidões eternas!


E você? Assistiu o filme? Conte como se sentiu...


Divulgação:
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