16 de setembro de 2021

Relato de parto da Isabela: parto domiciliar em Buritis


Foto: arquivo pessoal. Isabela, Rebeca e William


Em Buritis, interior de Rondônia, também tem parto domiciliar... vamos conhecer a história linda da Isabela parindo em casa sua filha, Rebeca.




por Isabela Cristina Moreti


Poucos meses após Matheus nascer, as pessoas já me perguntavam se eu planejava mais um filho e a resposta era: NÃO! E de fato, não cogitava outro, aliás, nas minhas convicções um filho era suficiente para um casal. Além disso, outros fatores envolviam minha decisão, entre eles o puerpério. Gente, fala sério, ninguém disse que seria fácil, mas nunca imaginei o quanto era difícil. Noites intermináveis, madrugadas geladas e solitárias acompanhavam as mamadas, era peito cheio, vazando, doendo, um cansaço sem fim. Tomar um banho e lavar os cabelos era uma raridade nos primeiros dias. Eu não tive aquele negócio de vovó coruja ajudando, era marido e eu. Graças a Deus minha amiga Denise que cuidava da casa me dava umas dicas, tentava me acalmar, ela foi meu único apoio, mas eu sinceramente não sabia nem trocar uma fralda. O bebê chorava, eu queria chorar também e chorava. Tinha medo de dar banho, trocar roupas e até do cocô e, diga-se de passagem, no quesito sujar fraldas Matheus “entendia” muito bem. Tive medo do coto umbilical e aquela de instinto materno não sei onde foi parar, porque comigo não rolou. E cá entre nós não estou reclamando, nem poderia. Tive um excelente trabalho de parto, a recuperação foi muito bem. Meu filho nasceu lindo, perfeito e saudável. Foram poucos episódios de cólicas, mas isso não anula o fato de que sim, é difícil maternar, você vence uma fase e logo surgirá um novo desafio.

Mas se tem algo que me ajudou muito nessa caminhada foram as Rodas, inclusive falei dela no relato de parto do Matheus. Após a chegada dele continuei participando, era prazeroso, diria ainda um grande privilégio estar com mulheres/mães tão incríveis, partilhando de experiências, contando as vitórias e as frustrações que permeiam esse mundo. Lá eu sabia que não estava só, todas passavam por desafios e o acolhimento nos fortalecia.

Bastou apenas 02 anos e sim, eu havia mudado de ideia quanto a ter mais um bebê e de certa forma a nossa Rede de Mães e Amigas me influenciou, pois em uma conversa mencionei um motivo pessoal em não planejar mais uma gravidez, mas uma das meninas me fez refletir em outra perspectiva, a partir dali nascia em mim o desejo de gestar outra vez. Retirei meu Implanon, aliás, me arrependi demais em ter usado ele como método contraceptivo por mais de um ano, pois deixou meu ciclo todo confuso.

GESTAÇÃO



Foto de Adriana Leal. Isabela

Quando descobrimos a gestação, pedi ao meu marido para aguardar um tempo, fazermos exames, USG e só depois dar a notícia. Nunca gostei de já sair divulgando a esse respeito. Tudo bem, quem faça, mas considero uma decisão bastante particular e está tudo certo, mas eu, Isabela, não gosto. Nossa primeira gestação foi anembrionária, e este foi um fator que influenciou na minha decisão de me resguardar algumas semanas, para só depois falar.

Durante o período que ainda esperávamos para contar a novidade tive um escape e aquilo já foi motivo de pânico, mas a enfermeira obstetra - Michele Gadelha, que me acompanhou no pré-natal, me pediu para fazer repouso durante alguns dias e observar. Graças a Deus não passou de um susto, mas acabamos adiando a novidade.

Quando estávamos com 14 semanas contamos nosso “segredo” e assim como na gestação de Matheus está também estava super tranquila, sem enjoos, pressão arterial normal, apenas sentia-me mais cansada com os afazeres da casa e uma criança de 03 anos que demanda atenção e cuidados, além da falta de sono e dor pélvica que também incomodaram já no segundo trimestre.

Ao completar 22 semanas, descobrimos que estávamos à espera da Rebeca. Inicialmente até pensei que seria outro menino, mas conforme as semanas iam avançando passei a suspeitar de que era uma menina, principalmente por notar mudanças na aparência da minha pele e eu estava certa no meu palpite. 
 
 
Confesso que deu um medinho, era algo totalmente novo: “um mundo cor de rosa”. O que não diminuiu nossa alegria, aliás, essa coisa de preferir sexo nunca foi um problema pra mim, acho Deus tão grandioso em nos presentear com um filho perfeito e saudável que nunca me senti digna em exigir nada. Além disso, a Iza iria finalmente realizar o sonho de ter uma irmã. 
 
Foto de Adriana Leal. Isabela
 
 Com 34 semanas recebi uma deliciosa surpresa de algumas amigas da igreja e Rebeca ganhou muitos mimos, fiquei tão feliz, coração cheio. É muito bom ser surpreendido por pessoas especiais e eu dou valor a detalhes, coisas simples, mas que por trás tem gesto de amor e carinho me ganha. Uma semana mais tarde fui mais uma vez surpreendida, desta vez as meninas da Rede Mães e Amigas. Gente, eu fiquei tão feliz e emocionada! Já participei de vários chás surpresas com elas, mas estar no lugar da gestante é algo inexplicável e essas meninas da Rede transbordam amor, empatia, acolhimento. Sou muito honrada em fazer parte, amo e aprendo muito com cada uma. Receber tanto carinho assim foi uma injeção de ânimo a essa altura da gestação. 
 

Foto de Adriana Leal. Isabela e Matheus
 
Minha Rebeca foi uma bebê muito ativa durante a gestação, ela literalmente dançava na barriga, a DPP era para 29 de agosto, no entanto esse fator me fazia acreditar que ela anteciparia, além disso ela estava bem insinuada. Como não gosto de deixar nada para depois, tratei de organizar nossas malas e por volta das 37 semanas já estava tudo certo à espera da nossa pequena.

Erramos nas previsões e suposições. Até brinquei que “a lua me traiu”, pois passou a virada de lua cheia, e nada. Rebeca plena no lugarzinho dela, sem pressa alguma em deixar seu cantinho que apesar de apertado, naquele momento era o lugar que ela estava se sentindo mais segura.

Completamos 39 semanas e eu estava me sentindo tão bem. Pleníssima, eu diria. Propus à fotógrafa Dri (Adriana Leal), fazermos um novo ensaio para registrar a barriga. A Dri é uma profissional incrível, dona de um coração enorme. Passei a admirá-la no ensaio de newborn do Matheus, ela também faz parte da nossa Rede e é a melhor fotografa da nossa cidade, diria da região, muito dedicada ao que se propõe fazer.

IMPORTÂNCIA DA REDE DE APOIO
No dia 25 de agosto/2021, decidimos fazer uma “Roda” de última hora na casa da Enfermeira Cris. Não planejamos nada, só combinamos horário, local e quem tinha a tarde livre se juntou a nós. Que tarde/noite foi aquela? Nossa, muito agradável! Rimos, choramos, comemos muito, eu comi muito (com direito ao pão de queijo da mineirinha Cris, depois de anos nos prometendo... Hahaha)! Conversamos sobre assuntos diversos relacionados à maternidade e fiquei muito à vontade, tinha ocitocina no ar e sempre que nos reunimos não é diferente.

Foto: arquivo pessoal. Adriana Leal, enfermeiras Cris e Keila e Denise, Fernanda, Jóice, Jeane, Nauanny e Débora

O PARTO – 26/08/2021
Já de volta em casa, fizemos toda rotina normal com Matheus e fomos dormir. Por volta de 00:00 acordei com uma dorzinha chata nas costas parecido cólica menstrual, me levantei, fui ao banheiro e “nadica”. Estava tudo na mais perfeita ordem “lá embaixo”. Ainda fiquei algum tempo deitada no sofá, mas acabei voltando para cama. Dormi profundamente.

Acordei novamente era quase 02:00 sentindo a mesma dorzinha chata, fui novamente ao banheiro e sim! Sim, estava acontecendo. O meu corpo estava dando sinais que nosso momento estava chegando. Me deitei alguns poucos minutos no sofá, Rebeca fez um movimento forte, senti e ouvi um “poc”, era a bolsa rompendo. Fui ao banheiro e logo avisei a Cris, ela estava bem atenta a mim, pois me respondeu imediatamente e em seguida, ela se encarregou de avisar a Enfermeira Keila. Nesse instante as contrações estavam leves e uma a cada dez minutos. Uns 20 minutos depois as contrações estavam mais intensas e duas, a cada dez minutos.

A Keila me avisou que se deslocaria até a clínica para pegar alguns materiais necessários e já seguiria para minha casa. Enquanto ela estava a caminho, aproveitei para acordar o papai e contar que estava em trabalho de parto. Ele ficou todo feliz, se levantou e tratou logo de se arrumar. Ficamos aguardando e por volta das 03:15 ela me ligou para se certificar do endereço. Quando ela chegou, eu já nem sabia ao certo como estava à frequência das contrações, sei dizer apenas que eram constantes e mais doloridas. Eu pedia incessantemente para meu marido fazer massagem nas costas(no outro dia senti que o local ficou beeem dolorido, porque eu pedia para massagear com força). A Keila fez a ausculta e pedi apenas para tomar um banho gelado, foi extremamente rápido, pois ela precisava me avaliar.

Fomos para o quarto, lá a Keila me avaliou e eu perguntei como estava a evolução da dilatação, ela respondeu: “-Isa, sua neném já vai nascer! dilatação total”. Eu quase nem acreditei, fiquei muito surpresa mesmo, pois havia pouco mais de 1 hora que eu havia sentido as primeiras dores. Fiz um carinho na barriga e disse: “- Filha pode vir, mamãe está pronta pra te receber!” Por alguns instantes fiquei curtindo aquele momento. Enquanto isso, o papai havia ido ao carro buscar uma caixa a pedido da Keila. Comecei sentir uma dor muito forte e uma pressão, desci da cama me abaixei ali no chão mesmo, veio a primeira contração e vontade de fazer força, então toquei e senti a cabeça, a Keila apressou o papai, pois ela já estava nascendo, ele também ficou muito surpreso, pois estava acontecendo tudo muito rápido. Veio a segunda contração e nossa pequena Rebeca chegou! Chegou, chegando. Choro forte, alto, a Keila apenas amparou e ela veio para meu colo. Ali ficamos papai, ela e eu, conferimos cada detalhe. Linda, perfeita! Nossa menina nasceu às 03h40 medindo 50cm e pesando 3,525kg.


Foto: arquivo pessoal. Isabela e Rebeca.

O papai trouxe nosso menino para ver a novidade que ele tanto esperava. Após 39 semanas e 04 dias a Rebeca finalmente havia chegado e ela veio no aconchego do nosso lar, no nosso quarto.



Foto: arquivo pessoal. Isabela, Rebeca e Matheus

Quando a Cris chegou, ela já havia nascido, mas ficou ali e seguiu com os procedimentos juntamente com a Keila. Aguardamos o nascimento da placenta e diferente do parto do Matheus, desta vez as contrações foram bastante doloridas, me fez até perder a conexão com minha filha por algum tempo, mas graças a Deus não demorou muito. Foi um alívio quando nasceu e após ser avaliada a Keila constatou períneo integro.


Foto: arquivo pessoal. Isabela, Rebeca e a enfermeira Keila

O fato de ter sido assistida apenas pela Keila não foi um problema, muito pelo contrário, depois entendemos que Deus nos deu uma nova oportunidade de ressignificar para ambas. Pois como já mencionei no relato de parto do Matheus, ela nos acompanhou durante toda madrugada e quando eu já estava com dilatação total fizeram uma solicitação extra sobre serviços da clínica e ela teve que sair do quarto onde estávamos. Matheus acabou nascendo e ela não estava conosco no momento. De certa forma, aquilo me machucou e inconscientemente me senti ingrata. No fundo sei que havia marcado a ela também. Então desta vez, fomos apenas nós e foi lindo, perfeito!
Foto de Adriana Leal. Rebeca, Matheus, William e Isabela


GRATIDÃO
Eu sonhava receber minha filha de forma natural e humanizada e Deus sabia disso, Ele conhecia o desejo do meu coração e mais uma vez me surpreendeu em detalhes, quando amanheceu o dia Ele me fez lembrar esta canção:


“O nosso Deus é poderoso pra fazer

infinitamente mais

do que tudo

do que tudo que pedimos

do que tudo que pensamos

do que tudo que sonhamos

e esperamos...”♥



Foto de Adriana Leal. William, Matheus, Isabela e Rebeca

 
Como Deus é lindo!

Nada do que aconteceu foi por merecimento meu, mas sua graça e sua misericórdia não têm fim, Ele nos ama, Ele me ama e cuida dos meus.

Gratidão pelo amor e cuidado dEle.

Ao meu marido por estar ao nosso lado mais uma vez, sua presença foi essencial, sem ela não teria me sentido segura e mais forte. Ao nosso filho também, que apesar de ainda ser um bebê ele estava muito feliz e ansioso para conhecer a irmã.

À enfermeira obstetra Michele Gadelha que não mediu esforços para nos atender fazendo com carinho e amor nosso pré-natal.

Às meninas da Rede Mães e Amigas. Amor, empatia, disponibilidade é o que nos une, amo cada uma. Em especial a Adriana Leal que apesar de ter chegado após o parto, ela eternizou com registros lindíssimos minha gestação e fotos pós-parto. Gratidão.

À enfermeira obstetra, consultora em amamentação e doula Cristiane de Figueiredo e enfermeira graduanda em obstetrícia Keila Becker pelo amor e carinho incondicional naquilo que fazem. A Cris me acompanhou nas últimas semanas e a cada encontro/consulta ela me motivava, riamos e chorávamos juntas, me passava segurança de que tudo daria certo, e deu. E a Keila é o anjo que Deus colocou na minha vida para estar comigo nos momentos mais importantes da minha vida, sou grata e amo demais. Sabem qual o segredo delas? Colocar Deus sempre à frente para que tudo dê certo.

E gratidão também a cada amiga que estava orando e intercedendo por mim e pela minha família neste momento tão único e especial para nós.

Se me perguntassem como fiz para viver está experiência, diria: Orei a Deus, busquei informações, uma boa assistência com profissionais capacitados e comprometidos e desejei muito, mais do que tudo. Eu tinha um histórico de gestação muito bom então fui apenas um portal, uma passagem trazendo Rebeca para o lado de cá.

Foto de Adriana Leal. William, Rebeca e Matheus

O milagre da vida aconteceu, Rebeca nasceu de mim e eu renasci dela. Renasceu uma nova mãe, desta vez mais segura, forte e corajosa, não melhor do que outra mãe, mas a melhor versão de mim para eles.

Tenho plena consciência de que essa nova etapa na minha vida será de grandes desafios, mas também de oportunidades para crescer e aprender com meus filhos. E se alguém me perguntasse se quero ter mais filhos, a resposta seria: NÃO! Mas o amanhã não me pertence, hoje tenho esse pensamento, as opiniões mudam e quem sabe isso aconteça daqui algum tempo.”


Sou Isabela Cristina, 32 anos, esposa do ‘papai’ William Moreti e mamãe do Matheus de 03 anos e da Rebeca.

Foto de Adriana Leal. Matheus, Isabela e Rebeca 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

9 comentários:

  1. Que Relato lindo Amiga. Parabéns

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  2. Que benção! Ninguém explica Deus , fico muito feliz por vcs. Deus os abençoe cada dia mais e mais.

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  3. Q lindo Iasbela ,Deus abençoe muito vc .

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  4. Mulher corajosa e determinada parabéns continui assim vale a pena qui Deus ti abençoe e ti protegia sempre

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  5. Recebi esse post pela manhã, falei que só poderia ler mais a tarde, e fiz bem chorei lendo e saber do cuidado de Deus com vc e os seus. admiro sua fé e cuidado que vc sempre procura em falar de Deus...muito feliz com Deus ele ter dado essa experiência a vc ..Deus continue abençoando vcs .♥️😍

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  6. Q lindo fiquei muito emocionada e feliz por você chorei muito lendo seu relato te admiro muito minha amiga linda que Deus continue abençoando grandemente vcs . Deus e bom o tempo todo quando vc me contou que seria mãe novamente eu fiquei muito feliz e orei muito a Deus pra rodar uma boa hora e assim ele fez graças a ele foi tudo muito rápido e perfeito Glória a Deus não vejo a hora de rever vocês e conhecer essa princesa linda forte abraço Bela e família 🥰😘

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  7. Que perfeito amiga amei ler seu relato me emocionei muito, parabéns pela mãe incrível que se tornou��

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  8. Que lindo...Deus e fiel oque achamos impossivel ele faz possivel.

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