28 de outubro de 2013

Relato de parto da Mileide: parto natural hospitalar



Mileide Campanha está estreando o nosso novo ambiente!!!

O blog "Parto em Rondônia" será um espaço para tratar sobre maternidade ativa em nosso Estado - tão carente de projetos nesta área. Iremos reunir aqui textos, ações, relatos, entrevistas... e tudo que tiver no entorno da maternidade ativa.

A Mileide participou de alguns cursos da Bello Parto e procurou focar-se em realizar seus desejos, ou seja, empoderar-se...

Vamos conhecê-la!

<3


Meu nome é Mileide, tenho 27 anos e estou casada com meu marido Rafael, 32 anos, há 3 anos. Estamos juntos, contando com o namoro, há 10 anos e sempre quisemos ter filhos e uma família bem grande, porém, minha gravidez não foi planejada. Mesmo assim, ficamos muitíssimo felizes com a notícia, e ainda mais quando soubemos que teríamos uma linda menina em alguns meses!! Ela se chama Rebeca e nasceu de um lindo parto normal no dia 03 de agosto de 2013, para colorir de rosa as nossas vidas!!!

Durante a gravidez eu continuei me exercitando, como sempre fiz: natação, pilates e caminhada (essa última mais durante o último mês). Engordei 16 kls ao todo e desde o início eu e o meu marido desejamos que meu parto fosse normal. Minha mãe almejava que eu fizesse uma cesariana, porque ela já tinha feito duas, mas eu não deixei que isso me influenciasse, tudo com o apoio do meu marido.

Uma cesariana era desnecessária porque minha gravidez foi muito tranquila e saudável. Minha bebê então, sempre forte e saudável também!

Fiz 39 semanas numa sexta-feira e não sentia nada, nenhum sinal de que minha bebê estava para chegar, a não ser pelos pés inchados que se instalaram dois dias antes e não queriam mais desinchar. Fora isso, não sentia nem a mínima cólica, o que me deixava ansiosa e apreensiva porque queria que meu parto fosse normal e a médica já tinha avisado que esperaria somente até a quadragésima semana para fazer o parto.

Fui dormir meio desapontada. Foi então que na meia noite de sábado comecei a sentir as contrações: pequenas dores nas costas bem suportáveis. Parecia uma dor de barriga, vontade de fazer cocô mesmo. Fui no banheiro e elas passaram um pouco. Até pensei que não estava em trabalho de parto. Me deitei e as dores voltaram. Elas vinham de meia em meia hora, eram pequenas e irradiavam das costas para o pé da barriga. Bem suportáveis, como pequenas cólicas. Assim, duvidando que eram realmente as contratações, eu consegui dormir entre uma dor e outra. Às 3:40 senti um chutão da minha bebê e um "ploc". Minha bolsa tinha estourado! Só que o líquido veio com sangue vivo, deixando a água que escorria rosada. Corri para o hospital com receio por causa do sangue, mas fui examinada pelo médico platonista e a bebê estava bem, com os batimentos cardíacos ótimos e eu estava com 4 cm de dilatação.

As dores vinham de 10 em 10 min. Depois de 5 em 5, logo de 3 em 3 minutos, durando 1 minuto cada. Assim, para acelerar o trabalho de parto, eu fiquei caminhando pelo corredor do hospital, acompanhada pela minha mãe e irmã e pelo marido querido. Quando vinham as contrações eu parava de andar, me apoiava no meu marido e eles me faziam uma massagem bem forte na lombar, o que aliviava um pouco a dor. Desde o início, a cada hora, os enfermeiros mediam minha pressão e verificavam os batimentos da bebê.

Até os 7 cm de dilatação (8h da manhã) as dores eram totalmente suportáveis e eu estava muito feliz porque sabia que em algumas horas minha filha estaria em meus braços! Só a partir dos 8 cm é que as dores ficaram mais fortes. Foi então que resolvi ir para o chuveiro bem quente, e deixava a água cair sobre minha lombar. Isso me aliviou um pouco, mas quando as dores atingiam um pico eu cheguei a duvidar se iria conseguir. Eu achava que iria desmaiar de dor, nem cheguei a pensar em pedir anestesia, porque antes minha médica já havia avisado que não haveria anestesista presente no momento do parto e que se fosse realmente necessário ele seria acionado e demoraria a chegar.

Não pedi cesariana porque estava decidida que faria normal, já que já tinha sentido todas aquelas dores por tanto tempo. Mas duvidei que me corpo aguentaria tamanha dor e nessas horas eu olhava para meu marido e perguntava: - Eu vou conseguir??? E ele sem hesitar respondia: -Cooom certeza! Você é forte e já está quase acabando! Nossa bebê tão amada e esperada está chegando! Isso me ajudava a recuperar as forças e a não querer desistir.

Com as últimas dores vinha uma vontade de fazer força. Tentei ficar de cócoras mas a dor aumentou. Tentei ficar de quatro em cima da cama, mas doeu mais. Nisso, minha médica veio verificar a dilatação mais uma vez e me pediu que deitasse de barriga para cima na cama. Pediu que eu segurasse minhas pernas flexionadas e as puxasse em direção à minha cabeça. Meu marido segurava minha cabeça e a puxava em direção ao meu peito, tirando-a do travesseiro. Quando vinham as contrações, minha irmã fazia a respiração bem forte perto do meu ouvido, assim eu a escutava respirando e a imitava respirando também.

O pediatra que pegaria a bebê chegou e me pediu que fizesse uma força bem longa de fazer cocô quando as contrações viessem. Porém, nas primeiras tentativas eu parava de fazer a força quando a contração terminava. Foi então que ele falou para segurar a força mesmo que a contração fosse embora. Assim eu fiz, e ao mesmo tempo tendo que respirar. Fiz duas vezes a maior força da minha vida e minha filha nasceu às 10 horas, em ponto.

Quando ela saiu só senti uma ardência, e a dor das contrações parou na mesma hora. O que dói são as contrações finais e ter q fazer a força junto com a contração.

Assim que nasceu, minha filha foi colocada em meu peito e a felicidade invadiu minha alma!!! Comecei a conversar com ela e a dizer o quanto ela foi esperada e ela parou de chorar na hora e ficou me olhando!!! Durante esse período a médica fez os pontos. Não injetaram ocitocina em mim, nem fizeram episiotomia. Mas tive vários pontos em razão da laceração. Meu marido ficou comigo até o fim, o que foi primordial porque no fim achei que não conseguiria!

Sempre tive muito medo do parto, nunca quebrei uma unha, mas é incrível como nascemos preparadas para parir. Faria tudo de novo! Foi uma experiência maravilhosa, que serviu para me mostrar o quanto nós mulheres somos fortes!










Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...