11 de abril de 2020

Relato da Patrícia: parto normal hospitalar com doula em Cacoal



Desde minha adolescência, sempre falava com minha mãe que quando tivesse um filho seria parto normal e eu iria amamentar. O tempo passou, cresci, amadureci, e Deus me apresentou alguém muito especial, o Paulo, meu esposo. Nos conhecemos em um projeto da igreja em agosto de 2015, começamos a namorar em fevereiro de 2016 e, pouco tempo depois, já sabia que este namoro resultaria em casamento. No dia 10 de junho de 2017, nos casamos e iniciamos nossa família, cheios de planos e sonhos, e um deles era ter filhos. Adiamos por 1 ano e meio, até que em novembro de 2018 decidimos parar com o anticoncepcional e, para nossa surpresa, no dia 11 de janeiro de 2019, descobri que estava grávida.

Comecei a busca por informações a respeito de parto natural, amamentação e também um médico experiente, em quem eu realmente confiasse, mesmo se houvesse a indicação de cesárea. Foi um turbilhão de emoções, não esperava que aconteceria tão rápido. Mas era real, nosso bebê já estava a caminho. Nas primeiras semanas tive enjoos esporádicos, mas logo não senti mais nada. Com o passar dos dias, percebia meu corpo se adaptando ao novo ser que Deus formava dentro de mim. No dia 01 de abril descobrimos que era nosso príncipe Samuel que estava a caminho. Depois de pesquisar e avaliar a opinião de mulheres que tiveram seus bebês acompanhadas por um obstetra de Cacoal, marquei uma consulta com ele e decidi mudar de obstetra com 31 semanas.
Iniciamos a contagem regressiva para o grande dia. Eu estava com 39 semanas e 4 dias, era noite de lua cheia. Comecei a sentir contrações por volta de 2h da manhã do dia 15/09. Fui pra debaixo do chuveiro quente com a “bola de pilates", pra ver se amenizavam as dores, mas as contrações só aceleraram e os intervalos diminuíram. Meu esposo começou a cronometrar pelo aplicativo e, como os intervalos ficaram mais curtos e as contrações ritmadas, pedi pra ele chamar minha doula Cibele. Quando ela chegou, as contrações estavam muito fortes, então ela começou a realizar massagens e orientar meu esposo sobre como ele poderia ajudar a aliviar um pouco as dores.



Por volta de 03h30min, o Paulo ligou para o médico, explicou como eu estava e ele falou para irmos para o hospital. Chegamos lá e o doutor chegou em seguida, fomos para o consultório, ele fez o toque e eu já estava com 8cm de dilatação, então ele me encaminhou para o quarto, onde fiquei durante o trabalho de parto e parto. Fui internada às 04h, Paulo ficou o tempo todo comigo, me apoiando, dando todo suporte, me incentivando, em alguns momentos pensei que fosse desmaiar, olhava para ele e dizia: estou sem forças, não aguento mais, e ele respondia: aguenta sim! Ele foi incrível, tenho certeza que sem ele não conseguiria.


A doula também ficou o tempo todo com a gente e foi essencial para que a chegada do nosso primogênito fosse tão linda. Durante a parte mais intensa do trabalho de parto (hora da expulsão), foi um misto de sensações, tive medo de não conseguir, mas também uma força interior que eu nem imaginava ter, tomou meu corpo e me fez empurrar Samuel para fora.


E esse foi o momento mais emocionante, quando vi aquele serzinho tão aguardado e tão amado sair de mim. E, apesar de todo o cansaço, foi uma explosão de alegria. As 08h05min, Samuel nasceu e veio direto para os meus braços. Foi o momento mais emocionante, encantador e indescritível que vivi!!!

 

Meu nome é Patricia (Patricia Rosa Oliveira Silva Lanes), sou servidora pública estadual e atuo no cartório eleitoral. Sou casada com o Paulo e mãe do Samuel



Relato da Ana Deise: Cesárea com doula impedida de atuar em Rolim de Moura



***alerta de violência obstétrica***

Durante a gestação sempre fiquei tentando imaginar como que seria o meu relato de parto e hoje eu tenho a missão de escrevê-lo. Era madrugada do dia 12/01/2019, lembro-me de ter acordado por volta das 04:00 horas para uma ida rotineira ao banheiro, foi quando percebi que havia perdido o tampão mucoso. Só Deus sabe como fiquei feliz naquele momento, pois sabia que o momento que eu mais almejava estava chegando, tomei um banho e tentei descansar, pois sabia que precisava de forças para o trabalho de parto.

Por voltas das 05:00 da manhã comecei sentir fortes contrações, elas variavam em um espaço de tempo, então constatei que estava nos pródomos. Minha alegria era imensa, primeiro avisei ao meu esposo, que tentou se manter calmo naquele momento e me dar todo apoio necessário, em seguida avisei minha doula Suelen Leal e logo em seguida minha amiga e também enfermeira Elisandra. Elas ficaram felizes e me passaram todo apoio e tranquilidade que eu precisava naquele momento e me pediram para descansar o máximo que eu pudesse.

Às 10:30 da manhã do dia 12/01 minha doula foi ver como eu estava, ouvimos os batimentos fetais que estavam em 147 por minutos, ela me examinou e viu que eu estava bem e feliz e o mais importante, meu bebê estava muito bem. Ela disse: “Deise, sabe que pode demorar então se alimente e descanse, logo você entrará em trabalho de parto, precisará estar bem”. E foi o que fizemos, almocei, descansei e até dormi um pouquinho, eu estava tranquila afinal, tínhamos nos preparado para aquele momento.

Às 15:00 minha amiga Elisandra chegou em minha casa. É importante ressaltar que houve sim um planejamento de parto, tanto que eu tinha uma doula e uma enfermeira me dando suporte. Faríamos o trabalho de parto em casa e só iríamos para o hospital na fase latente do trabalho de parto. Assim que a Elisandra chegou ouvimos os batimentos do bebê e ele estava muito bem, se mexia com frequência, era como se quisesse me dizer que aquele era o momento. Logo em seguida minha doula chegou, sentamos, conversamos e demos risadas, o momento era de felicidade, todos estavam com o coração cheio de alegria.

Foi então que as contrações ritmadas começaram, e junto com elas o trabalho da Suelen que era me orientar e me apoiar em relação a tudo que eu devia fazer naquele momento. A cada contração eu agachava e minha doula fazia massagens em minhas costas, isso me ajudava relaxar, mas não parava por aí, em todo momento eu estava ativa, caminhei, agachei, fiz exercícios com a bola, tomei banho morno, descansei, comi... Ufa, como trabalhamos! Mas em meio a tudo isso, não havia tristeza, sofrimento, angustia e desespero, pelo contrario, era só felicidade.

Meu filho estava chegando e durante os nove meses de gestação eu havia me preparado para aquele momento, fiz o possível com relação ao que se tratava de saúde e de preparo. Durante a gestação me alimentei corretamente, fiz atividade física e sempre pensei em fazer o melhor para o meu filho, tanto que esperei o momento dele.

Por volta das 20:30 da noite o processo do trabalho de parto já estava significativamente evoluído, então resolvemos que era o momento de irmos para o hospital. Tomei um banho morno e relaxei meu corpo, meu esposo e a enfermeira colocaram as malas no carro. Eu me troquei, penteei o cabelo, então disse “estou pronta”! Não consigo descrever o que se passava na minha mente naquele momento, era uma mistura de dor das contrações com alegria do momento de ver meu filho chegando.

Então as 21:00 horas da noite demos entrada no hospital, passamos pela triagem e logo em seguida fomos encaminhados para a ala das gestantes, e foi ali que toda minha tranquilidade e felicidade acabaram. O medo, pavor e angustia tomaram conta de mim em frações de segundo. A enfermeira que estava no plantão chamou pelo meu nome para o médico me examinar, minha doula, que tem entrada permitida pela Lei Das Doulas, entrou comigo. Porém, assim que entramos e o medico a viu.. o circo dos horrores começou.

Primeiro, que a falta de educação era maior que qualquer coisa e, segundo, que quando entrei na sala de parto o médico não me cumprimentou, apenas me disse para tirar a calcinha e deitar para ele me examinar. Então eu disse: “Boa noite Dr., eu já estou em trabalho de parto”. Ele, como se não tivesse me ouvido, olhou para a doula e disse grosseiramente, “Quero que você saia e fique lá fora, pois eu preciso trabalhar”. Ela disse: “Dr. eu sou a doula dela, posso acompanhá-la”. Ele muito friamente, sem se importar em me respeitar, sem se importar com o que eu estava sentindo disse: “Não me importa o que você é, só quero que saia”. Eu que já estava deitada na maca para ser examinada indaguei: “Mas Dr. ela é minha doula, deixa ela ficar”, mas ele continuou dizendo que se ela continuasse, ela que faria meu parto, queria até que ela assinasse que ela era responsável por mim e pelo meu parto.

Juro que tentei me manter calma, mas pelo teor da situação, naquele momento o medo já havia tomado conta de mim, eu fiquei com medo do que ele poderia fazer comigo ou com meu bebê. Porém não havia mais para onde ir, nem o que se fazer. Deixei-o me examinar e ele por pura implicância disse que eu só havia dilatado 2 cm e que seria impossível eu ter parto normal. O único alivio foi ouvir o coraçãozinho do meu bebê, que se mantinha normal e saudável.

Assim que saímos da sala do médico, cogitamos a ideia de ir para outra cidade, mas vários medos rondavam minha cabeça, as contrações já eram bem fortes e eu tinha medo de não conseguir chegar até outro hospital. Eu já não era mais a mesma, meu corpo deu os sinais de que havia algo de errado comigo. A adrenalina tomou conta de mim e toda minha tranquilidade começou ir embora.

A adrenalina ativa a atividade do neocortex e inibe o processo de parto! O desencadeia a adrenalina? Medo, mau humor, conflitos, dúvidas, inseguranças, excesso de toques, preocupações e etc.

Foram todos esses sentimentos que começaram a me assombrar naquele momento. Demos entrada no leito, porém uma crise de choro tomou conta de mim, eu sentia medo de toda aquela situação. Comecei chorar e uma crise de tremores se espalhou pelas minhas pernas, eu não conseguia controlar aquele tremor, fiquei assim por mais ou menos 1 hora, sendo assim, meu trabalho de parto retroagiu, minhas contrações simplesmente pararam. Eu me lembro de ter cochilado por um tempo, o tremor havia passado e as contrações voltaram, foi então que decidi continuar lutando.

Porém eu não conseguia mais fazer o trabalho de parto como antes e, sabe, eu me culpava muito por isso, mas não era culpa minha, eu havia perdido toda energia na sala daquele médico. Minha doula Suelen tentava me acalmar e me animar e me dar forças, minha amiga Elisandra fazia o mesmo. Assim seguimos madrugada adentro, ali sozinhas, eu contava apenas com o apoio delas, meu esposo, coitado, não podia entrar, estava lá do lado de fora, o médico sei lá por onde andava, e as enfermeiras não gostavam da presença da doula ali.

Eu necessitava daquele momento de respeito à fisiologia do meu corpo, precisava me sentir protegida, segura, apoiada, confortável e relaxada, precisava sentir que era ali que eu devia estar, que era ali que meu filho nasceria, mas era tudo confuso. Às 02:00 da madrugada escutamos os batimentos cardíacos do bebê e estava tudo bem, 140 batimentos por minuto, e o médico fez o toque, com a rispidez de sempre e disse que estava apenas 5 cm.

Voltei para o quarto e lutei bravamente para não desistir, fiz todo o possível, não incomodamos ninguém, apenas seguimos no trabalho de parto, claro que eu já não estava como antes, com toda aquela felicidade, pois era tudo muito confuso, mas o propósito era o mesmo, eu acreditava bravamente que era possível sim meu filho nascer de um parto normal. Não era capricho, era apenas respeito ao nascimento, ao ato de parir.

Às 07:00 da manhã do dia 13/01 já na troca de plantão, uma enfermeira chegou e disse: “Nossa! Ela esta muito cansada, coitada, onde esta o médico que ainda não examinou?” Ela me levou para uma sala de espera que ficava ao lado da que o médico examinava as pacientes. Novamente ele, o médico, expulsou minha doula, meu Deus que tristeza! Que desespero eu sentia naquele momento, eu precisava de alguém comigo, precisava de um apoio, porém o médico disse para a doula sair, ele disse: “Vamos, saia daqui! Não te quero aqui! Se não sair eu não vou fazer o meu trabalho, eu não vou fazer o parto dela”.

Para não causar mais conflitos, a doula olhou com muita tristeza para mim e disse: “Deise, eu vou ter que sair, pois tenho medo do que ele pode fazer com você”. Eu estava apavorada, mas tive que aceitar, não tinha para onde ir, nem o que fazer. Então o médico mais uma enfermeira me levaram para a maca para poder ser examinada, eu mal tinha forças para subir na maca, estava apavorada, mas o sentimento de trazer meu filho ao mundo era maior.

É importante dizer que, não tenho nada contra a cesárea, assim como não tenho nada contra o parto natural, sou a favor de todas as mães terem seus filhos da forma que desejam, com respeito e sem serem coagidas.

Novamente o médico fez o toque e ele me disse que estava 9 cm dilatado, faltava apenas 1 cm, eu sentia muita dor, mas a felicidade era maior, pensei “meu Deus, sou capaz de conseguir, falta somente 1 cm”. Porém novamente ele veio com sua negatividade e disse: “Eu acho que não vai dar certo, vamos ver, não sei”. Pensei: "porque ele esta fazendo isso comigo, o que eu fiz para ele? Como pode alguém que estuda para ajudar as pessoas fazer isso?".

Ele pediu uma pinça para enfermeira e sem me informar nada, rompeu minha bolsa, assim, do nada, invadiu meu corpo como se eu não estivesse ali. Então me levaram para o quarto ao lado, o médico mandou eu deitar e apoiar os pés na cabeceira da cama, eu pensei: como assim? É aqui que fazem os partos normais? Não há uma sala separada e preparada? Pois é, não havia! Seria ali mesmo, o médico olhou para mim e disse: “olha, não sei se vai dar certo, mas você pode continuar tentando, você fez suas escolhas, preferiu ficar com elas (doula e amiga enfermeira), elas fizeram tudo errado com você e agora você terá que sofrer as consequências, talvez o seu útero tenha rompido e o seu feto não consiga". Eu super assustada perguntei se podíamos ouvir o bebê e ouvimos, estava tudo bem com o bebê, ele era forte e os batimentos cardíacos estavam em 140 por minuto.

Mas isso não foi o suficiente para o Dr. ele continuou indagando: “Olha já vou te falar, teremos que fazer a episiotomia se não você pode se rasgar toda”, a enfermeira disse a mesma coisa e ainda completou: “O seu bebê é grande será impossível não fazer”. O médico continuou dizendo: “Eu tenho mais estudo que essa menina (ele se referia a doula), tenho livros e livros de estudo e ela o que tem?"


Agora eu te pergunto, aonde foi que ele estudou que aprendeu a tratar uma paciente assim? Aonde ele aprendeu fazer uma cirurgia assim?

Enquanto eles falavam todas essas coisas, eu estava ali gritando de dor, eu pedi varias vezes para levantar, eu queria levantar, eu queria agachar, sentia meu corpo pedindo isso, então ele veio e de novo fez o toque, meu Deus eu já havia perdido as contas de quantas vezes ele já havia feito e de como era horrível, então ele disse: “Seu colo do útero ainda esta duro, não vai dar tempo, vamos ter que fazer cesárea”. Como assim, colo do útero duro? Eu não compreendia nada naquele momento, mas não tinha mais para onde ir, a não ser a mesa de cirurgia.

Fui carregada para o centro cirúrgico, lá eu mal consegui subir na mesa de cirurgia, sentia muita dor e o desespero era maior que qualquer outra coisa. Eu chorava, mas tive que engolir o choro e me calar. Lembro-me perfeitamente de ter apenas três pessoas na sala, a enfermeira, o médico e outro médico auxiliar. Foi o mesmo médico que aplicou a anestesia em mim, achei estranho, mas naquele momento a única coisa que eu queria era ver o fim de tudo aquilo, era ver meu filho bem.

Ele disse: “Fique quieta se não eu posso te machucar”, logo depois me deitaram, eu tremia muito, já na mesa de cirurgia, era uma mistura de sentimentos, lembro de que assim que me abriram ouvir o médico auxiliar disser: “Estava ou não encaixado?” Pela minha conclusão ele quis dizer que sim, quis dizer que meu filho já estava nascendo, só precisava de tempo e eu, de apoio, de ajuda.

Quando ouvi o choro do meu bebê, eu só queria velo, ver se estava bem, logo à enfermeira o levou e eu não via a hora de tudo terminar para eu sair dali e ver meu filho, ver como ele estava. Meu esposo que foi impedido de entrar, mesmo tendo um documento e assinado e protocolado pelo diretor do hospital, onde era permitido a sua entrada, mas é claro, isso também não foi respeitado, ele estava do lado de fora, desesperado em saber noticias nossas.

Era tão desesperador, quando sai, me senti derrotada, culpada, fracassada. Olhei para o meu esposo e chorei, pedi perdão por não ter conseguido, ele me olhou e disse: “Calma meu amor, você foi guerreira e o nosso filho é lindo”. Eu não queria encarar ninguém e dizia à todo tempo “eu não consegui, me perdoem”.

Tinha que lidar com tanta coisa, um momento era para ser de total felicidade, na minha cabeça era de total fracasso. Estava feliz e aliviada de ver meu filho bem, mas como mulher e mãe, me sentia um fracasso. No mesmo dia, muitas enfermeiras foram até o meu quarto, perguntaram sobre o parto e quando eu contava o ocorrido elas não se surpreendiam, diziam que para haver um parto ali com respeito, precisava de muita mudança.

A enfermeira que estava com o médico quando dei entrada no hospital me visitou no dia seguinte, ela me relatou que sabia que o medico não faria a cesárea só de pirraça, pois não gostava da doula e que ele me deixaria sofrer ate o último momento e depois faria à cesárea, disse também que isso já havia acontecido outras vezes e que já ate tiveram que empurrar a cabeça de bebés que estavam coroando, eu fiquei sem palavras. Quando ela saiu eu pude concluir que eu não era a primeira e não seria a última vitima a passar por todas essas atrocidades, muitas mulheres passam por coisas terríveis dentro daquele hospital, triste a nossa realidade.

Quando você passa por algo tão traumático é uma luta diária para superar, você tem que lidar com muitas dores, mais a dor maior é a da alma, essa é a mais difícil de ser curada, essa dor lateja todos os dias dentro de você. Nos primeiros dias eu chorava a todo tempo, chorava escondido porque não queria que me vissem sofrer. Olhava para aquela cirurgia horrorosa e me sentia um grande fracasso, demorei a entender que a culpa não era minha, e que na verdade eu era a grande vitima. Todo dias peço a Deus para vencer cada novo dia, fico pensando até quando vamos ser desrespeitadas e maltratadas dessa forma? Infelizmente esse não foi o relato que sonhei escrever, mas foi o que me obrigaram.

 











Ana Deise Félix Oliveira tem 29 anos, mora em Rolim de Moura e é casada. Tem um filha fruto de um relacionamento anterior e o Heitor, cuja história de nascimento trazemos aqui.

24 de maio de 2019

Relato de parto da Márcia: parto normal hospitalar com doula em Cacoal



Olá sou Marcia Nascimento, oficial psicóloga da Polícia Militar de Rondônia e docente do ensino superior, tenho 33 anos, casada com Leandro Teles. Acreditava que não podia engravidar até Deus me presentear com o Álvaro. Quando descobri que estava grávida começou minha busca em ter um filho saudável e buscar um parto natural para nós.

Bem, inicialmente, não compreendia muita coisa sobre o assunto, mas assisti o documentário "O Renascimento do parto" que foi o suficiente pra eu saber que se eu queria um parto natural precisaria buscar mais informação. Iniciei minha busca, minhas pesquisas, acionei uma doula, a Cibele, e me faltava um médico em quem eu confiasse realmente, que eu não duvidasse que iria querer me submeter a uma cesária e que tivesse em seu currículo boas experiências em parto natural.

Foi quando a Cibele me falou sobre a médica Lívia, obstetra recém chegada na cidade e que fazia parto humanizado. Marquei consulta e foi amor à primeira vista (rsrsrsrsrs)! Com 32 semanas mudei de obstetra. Senti confiança e sabia que estava diante de uma profissional que transmitia transparência e respeito ao protagonismo da mulher no parto.

A previsão de parto era para o dia 19/04/18 (segundo a ultrassom), mas no dia 03/04/18 por volta das 6 horas comecei a sentir cólicas que foram aumentando ao longo do dia, as quais julguei serem pródromos.

A Cibele tinha me orientado a ficar no chuveiro porque iria melhorar se fossem pródromos ou iria ganhar mais ritmo se fosse trabalho de parto. Às 14 horas fui para o chuveiro quente e eis que às 15h30 mandei mensagem pra a doula, pois minhas contrações já estavam durando em média 40 segundos num intervalo aproximado de 3 minutos... retornei para o chuveiro e às 16h20, meu tampão mucoso saiu com um pouco de sangue e a Cibele disse que provavelmente tinha uma dilatação acontecendo e foi para minha casa.

Quando a Cibele chegou eu tinha me transformado na louca do agachamento, pois era a única coisa que aliviava e meu esposo arrumando a mala da maternidade (porque, claro, gostamos de viver perigosamente e não tínhamos preparado-a rsrrsrsrsr.

Pouco tempo depois a médica chegou (sim, ela foi à minha casa), verificou os batimentos do bebê e fez o exame de toque que já estava com 9 cm de dilatação, a emoção tomou conta de mim e foi quando comecei a acreditar q estava em trabalho de parto ativo, pois até então estava subestimando.

A dra. Lívia saiu para mobilizar pediatra, equipe do hospital e os outros materiais. A doula e eu continuamos com agachamento, massagem, chuveiro até que minha bolsa estourou e o líquido saiu escuro, para mim estava tudo tranquilo (já que nunca tive uma bolsa estourada), mas a Cibele, sabiamente, para que eu não ficasse preocupada, ligou para a dra. Lívia longe de mim e avisou sobre a presença de mecônio no líquido. Algum tempo depois a Dra Lívia retornou a minha casa e fez novamente o exame comigo em mim, eu em pé no banheiro mesmo, sem necessidade de deitar, e orientou a irmos para o hospital. (Para saber mais: Mecônio é sinal de sofrimento fetal?)

Às 18h22 fomos para o hospital todos num carro só e quando chegamos na porta da emergência um taxista parou para pegar duas pessoas e demorou para sair, meu esposo começou a pedir para sair porque o filho dele estava nascendo e o taxista ao invés de sair rápido abriu a porta do carro para discutir (Affs, taxistas, não façam isso!)

Já dentro do hospital, fui recebida pela equipe de enfermagem e tive a feliz notícia de que o pediatra que eu queria para acompanhar meu parto, Dr Paulo Brasil, ainda estava no hospital. Fui levada direto para o centro cirúrgico e quando vi a maca perguntei onde eu ia ficar e o enfermeiro disse que eu poderia deitar na maca, mas não quis.



A Dra Lívia chegou já com os forros e começou a forrar o chão e em mais uma contração e claro mais um agachamento, não levantei mais. Nesse momento senti uma pressão diferente, mais forte, era o neném avisando que seria aquela hora. Por isso fiquei ali de cócoras, meu esposo atrás de mim me segurando e a cada nova contração eu sabia que era menos uma para ver meu filho, que eu precisava apenas relaxar, não fazer força e deixá-lo nascer.

Às 18:53 meu pequeno Álvaro estreou no mundo!

Meu nobre guerreiro e a emoção tomou conta do centro cirúrgico. A primeira vez que aquele piso tinha sido o palco do milagre da vida, de um parto natural, sem intervenção. Ficamos ali, meu esposo, meu filho e eu. O cordão umbilical ainda pulsando e nós admirando nosso filho.

Toda a equipe ali olhando, sem nos apressar, esperando e apoiando nosso momento. Após um tempo que não sei dizer quanto, cortei o cordão umbilical e o pediatra foi fazer os procedimentos com o bebê e o meu esposo acompanhando. A médica, a doula e eu ficamos ali no chão esperando até a placenta se soltar. Depois que meu esposo retornou com nosso filho fomos todos para o quarto.

Eu, parida, realizada, sem lacerações, sem episiotomia, com um parto humanizado, que respeitou o meu protagonismo e o do meu filho, que colocou o nosso bem-estar acima de tudo.

Alguns aspectos foram essenciais para que meu parto fosse como foi: O apoio incondicional do meu esposo, o conhecimento que busquei durante a gestação; autocuidado com minha saúde, mas, acima de tudo, a confiança nos profissionais que me assistiram de tal modo que se a Dra Lívia me dissesse da necessidade de uma cesárea eu não duvidaria, saberia que era realmente necessária como toda cesárea deve ser, para exceções.






2 de abril de 2019

Relato de parto da Juliane: parto normal hospitalar com doula em Cacoal

arquivo pessoal


Parto da Juliane e nascimento do Tito


Passados mais de um ano e só agora parei para escrever o meu relato de parto. Eis que agora só 10 meses após estou aqui, tentando com o meu relato ajudar e encorajar outras mães.

Eu morava em Brasília e a pouco tinha voltado a morar em Cacoal, me mudei para cá já grávida e com um menino de 2 anos (Arthur que nasceu de parto normal também). Confesso que quando me vi grávida durante essa mudança começou em mim muitos medos: medo de não conseguir médico que fizesse meu parto natural, medo de não achar uma doula, medo de precisar de uma UTI neonatal medo e mais medo...

Mas aos poucos fui ficando mais tranquila e os medos foram sumindo. No trabalho uma amiga minha me falou que uma colega dela era doula, essa colega era a Cariny, ela me adicional no grupo de gestante e logo vi que eu poderia sim ter um parto muito bom aqui em Cacoal.

Logo de inicio já procurei o dr. Donizete do HGO por indicação de uma amiga que tinha tido parto normal com ele. Gostei tanto dele que nem fui em outros. Ele me ajudou muito me passando confiança e aceitando e respondendo todas as minhas dúvidas.

Com 30 semanas, Gustavo (marido) e eu levamos o plano de parto para o Dr. Donizete ver e ajustarmos nossas vontades com as determinações e procedimentos dele como obstetra. Ele concordou com tudo que colocamos no nosso plano de parto e assim eu ainda fiquei mais feliz. Eu também fiz uma consulta pré-parto com a neonatologista do hospital a Dra. Sandra Lopes levando também um plano de pós-parto para o Tito, ela recebeu muito bem nossos pedidos.

No dia do parto....

No sábado dia 12 de agosto de 2017, véspera de dia dos pais, eu brinquei com o meu marido:

-Vou te dar o Tito de presente de dia dos pais. Dito e feito, eu que não sentia nenhuma dor ou contração, apenas dores na costa e nervo ciático (terríveis), no início da manhã de domingo

(Dia dos Pais) entrei em trabalho de parto ativo.

De início era um sangramento, pouco, mas me deixou alerta, era o tampão. Ligamos para o médico e avisamos que talvez iria ser hoje. Avisei minha mãe para ela não ir para a igreja porque talvez eu iria precisar da ajuda dela, que alias logo já estava na minha casa, minha tia também chegou para levar o Arthur para a casa dela, mas ele não quis sair de casa.

Nessa gravidez eu não fiz exercício nenhum, não pude fazer pois tinha hematoma. Então me dediquei à massagem do períneo, após a 37ª semana, e à respiração. Sim a respiração!!! Santa respiração! Das 07:30 até as 9:30 eu controlava muito bem a dor e as cólicas que iam e vinham, depois desse horário eu chamei meu marido para, com um aplicativo de celular, acompanhar as contrações e ver se elas tinham ritmo, e tinham!

Exatamente como vemos nos filmes e novelas... uma surpresa para mim, porque no meu primeiro parto minhas contrações eram muito irregulares. Quando as dores da contração vinham eu abraçava meu marido...

Estávamos só nos dois no quarto. Minha mãe e minha tia estavam com o Arthur, meu primeiro filho, na sala e eu passei esse tempo no quarto... respirando e me concentrando com os olhos fechados, nem vi esses momentos passarem.

Quando era por volta 11 da manhã, as contrações já eram fortes, mas eu ainda conseguia controlar a dor com a respiração e falava para o meu marido: "não esqueça de mandar eu fazer a respiração!"

Acabou que eu não esqueci e ainda brincava: você não está mandando eu respirar!

Quando deu meio dia, eu chamei a doula, as contrações estavam fortes e eu não conseguia sequer sentar. A Fabiola (doula) chegou rápido e com suas mãos santas me ajudou muito a suportar o insuportável.

Em pouco tempo chamei também uma enfermeira que fez um toque pois eu não queria ir ao hospsital sem muita dilatação. Mas minha dor já era tamanha que eu já não estava mais aguentando. Quando ela fez o toque falou que era mais de 6 centímetros, eu fiquei feliz e falei "vamos para o hospital porque eu não aguento mais não, já cheguei no meu limite e dei tudo que meu corpo poderia dar, estou em paz e seja o que Deus quiser".

Ligamos para o médico avisando que estávamos indo. Quando estava entrando no carro eu tive o aviso mais motivador do mundo, eu tive uma vontade de fazer coco! A contração da expulsão, falei para a Fabíola, vamos que o bebê vai nascer!

Durante a ida para o hospital eu sentia dor e felicidade, vou pegar meu filho nos colos daqui a pouco. Quando cheguei no hospital o centro cirúrgico estava ocupado e eu teria que ganhar no quarto, fiquei mais feliz ainda. 


arquivo pessoal

O Dr. me examinou e eu estava com 10 cm, o trabalho de parto deu uma parada, mas logo retomou com as contrações de expulsão, eu tive que me concentrar novamente, é muito comum estacionar o trabalho de parto se a gestante muda de ambiente.

Eu foquei, respirei e deixei vir, não obedeci nenhum comando de faz força, eu simplesmente deixei as contrações virem e ai sim ajudava o meu corpo, Tito nasceu depois de umas 3 contrações, ficou preço pelos ombros, mas sabiamente o Dr. Donizete agiu com muita destreza de quem já fez mais de 7000 mil partos e assim o Tito saiu pelas mãos do Gustavo. Cumpri com a promessa, o melhor presente!

Detalhe, meus dois partos foram de cócoras. Aluguei uma banqueta, porque infelizmente os hospitais não possuem. Dois partos naturais, dois partos totalmente diferente. A dor é muita, muito mesmo, mas é uma experiência transformadora. Os profissionais do HGO foram fantásticos, fiquei 100% satisfeita.

A forma como fomos atendidos sem burocracia já nos colocando no quarto foi maravilhosa. E minha doula Fabiola foi ótima!



Juliane é servidora pública e diz: "fui totalmente transformada depois de novembro de 2013, data em recebi meu teste de gravidez. Eu me vi encantada pelo mundo da maternidade. Adoro assuntos relacionados à gravidez, partos e filhos. Aqui, compartilho uma das duas experiências mais marcantes da minha vida (nascimento do Tito)".












































31 de agosto de 2018

Relato de parto da Isabela: parto humanizado com doula em Buritis



Primeiro relato de parto de Buritis, interior de Rondônia!!!!  Viva...




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Parto Normal do Século XXI em Buritis(RO)

A alguns anos atrás não tinha nenhuma expectativa de gerar uma vida, porém em 2016 essa ideia começou a ser mudada, e começamos a nos preparar e projetar aumentar a família. Tratei logo de interromper com o anticoncepcional e em novembro descobri que estava gestante. Em dezembro fiz minha primeira USG com aproximadamente 8 semanas, no entanto não foi possível ver o feto. Neste momento fiquei bastante assustada, também era perceptível o temor nos olhos do meu marido que me acompanhava. Conforme orientados, retornamos uma semana depois, e ainda não foi possível ver o feto. A esta altura já sabia qual poderia ser o problema, mas o médico optou por não dar o diagnóstico e pediu mais uma semana.

Como se aproximava as festividades natalina, preferi retornar somente na primeira semana de janeiro, quando fui diagnosticada com uma gestação anembrionada, uma semana depois decidi passar por uma AMIU. Fiquei triste, mas Deus me consolou e embora eu quisesse tanto, eu sabia que tudo seria no tempo dEle, e esta era a promessa que eu esperava ser cumprida em minha vida.

Fiquei tomando cuidado durante alguns meses, e quando passei a me descuidar qualquer atraso em meu ciclo, já era motivo de expectativa, mas ainda não era. Então resolvi fazer uma serie de exames ginecológicos, foi quando ao fazer o retorno em novembro de 2017, fiz uma USG e descobri que estava gestante. Ah aquele coração batendo tão forte fizeram as lagrimas rolar e sim, agora era de verdade! Meu filho, meu tão esperado filho estava sendo formado dentro de mim, obra de Deus!

Guardei a sete chaves meu maravilho segredo. Pouquíssimas pessoas sabiam, e as que sabiam respeitaram a minha decisão de não divulgar, mesmo porque no fundo ainda restava aquele medinho que a primeira gestação havia deixado. Somente a partir do terceiro mês fui deixando com que outras pessoas soubessem. Com 19 semanas fui tomada pela emoção de senti-lo mexer dentro de mim, passava minhas horas vagas na expectativa de ser privilegiada com aqueles gostosos movimentos, sensação única! A partir de então passei a fazer meu pré-natal com a Enfª obstetra Michele Gadelha, profissional sensacional que cuidou de mim com tanto carinho.



Posso dizer que tive uma gestação privilegiada, além de não ter tido nenhum desconforto, como os temidos enjoos, sempre estive rodeada de profissionais incríveis, como a psicóloga Luciana Amaral(Luh) que passou a me convidar para as Rodas de Gestantes, não perdi um encontro se quer! Eram trocas de experiências maravilhosas, cada relato, cada orientação decisivos para prosseguir. E em uma das Rodas pautamos o tema via de parto, desde o inicio eu já tinha em mente que a minha primeira opção seria pelo parto normal, e meu marido era meu maior incentivador. Fui bombardeada! Sim, as pessoas ficam no maior espanto quando ouvem uma mulher dizer que quer parir.

Porque? Não tenho a resposta, mas sei que mesmo ouvindo tanta negatividade, não me deixei abalar, pois a pessoa de quem eu mais precisava de apoio, estava ao meu lado. Mas, e onde parir, como encontrar apoio profissional? E de novo a Roda me trouxe essa possibilidade. Conheci a Enfª obstetra Cristiane(Cris). Ela é do tipo que quando ouve uma mulher falar sobre desejar ter parto normal, os olhos dela brilham.

Com 37 semanas tivemos uma loooonga e proveitosa conversa. A Cris só fortaleceu ainda mais em mim a vontade e o desejo de parir meu Matheus. A minha única preocupação era o fato de que ela talvez não estivesse presente, pois estava de viagem marcada duas semanas mais tarde. Mas, ela me tranquilizou, me deu muitas informações sobre as etapas do trabalho de parto, e me apresentou o Enfº obstetra Roberto(Beto) e a Enfª Keila. Estes seriam os enfermeiros que me acompanhariam caso ela não estivesse. Após as 38 semanas começou bater aquela pequena ansiedade, a essa altura minhas férias já haviam acabado e tive que retornar ao trabalho. No dia 21 de junho tive um dia normal, fui para casa após o expediente, jantei e fui dormir. Mal sabia que aquela era a noite que meu filho começaria a dar os sinais de que sua chegada estava bem perto.

Por volta das 23:00h comecei a sentir algumas dores e a partir de então fui marcando, sim, era o inicio das famosas contrações. De tempo em tempo elas vinham e conforme fui orientada pela Cris, trabalhava minha respiração enquanto fazia agachamentos para que meu filho encaixasse. Notei que a 01:00h tive uma leve perca de liquido, me mantive tranquila e como as contrações ainda estavam bem espaçadas, achei melhor não acordar meu marido. Somente as 02:00h avisei o que estava acontecendo, ele ficou todo feliz e esboçou: O filho vai nascer!? Rsrs foi magnifico ouvir aquela expressão. Ainda ficamos mais um tempo em casa, mas logo seguimos para o hospital.

Fomos recepcionados pela plantonista e logo a Keila chegou, me examinou e esperamos pelo Beto que também me examinou, estava com praticamente 5cm de dilatação. Entramos madrugada a dentro, e pra mim não achei longa demais, pelo contrario, achei que passou bem rápido e tudo que queria era ter meu pequeno em meus braços. Contudo pra mim não funcionou bola e chuveiro com agua quente, ficar sentada ou deitada, mas o que faziam minhas contrações acelerar eram as caminhadas, quanto mais caminhava, mais frequentes eram, e isso pra mim foi de certa forma motivador, soube reconhecer os sinais em meu corpo.

Já era um lindo dia de sol quando havia chegado a dilatação total, e agora era só questão de tempo para o meu Matheus nascer. A partir de então, fui orientada a fazer força quando viesse as contrações. Nisso a Tec.em enfermagem Irene também já fazia parte do quadro de profissionais que me acompanhavam. As 08:00h estava começando o segundo jogo do Brasil, pedi para deixar a TV ligada, pois eu conseguiria ficar mais tranquila, afinal tinham dois homens ali na sala e não queria ter a sensação de que estavam com pressa de tudo aquilo terminar, para assistir. Embora eu tivesse certa de que naquele momento para o meu marido, o que menos importava seria esse tal jogo, e sim vermos o nosso pequeno.

As contrações deram uma sessada, mas logo viriam com força total, a esta altura já estava bastante esgotada, mas faltava tão pouco e não poderia recuar, mas nem por um momento pensei nisso, estava muito focada.

Escolhi a banqueta para chegada do meu filho e meu marido apoiando atrás.Comecei a chama-lo intensamente cada vez que vinha a vontade de fazer força. Esbravejei por diversas vezes: Vem Matheus, vem Matheus! Vem filho, vem filho! (era a força de que a Cris havia falado, uma força que nem sei explicar de onde vem).

E as 09:28h da manhã do dia 22 de junho meu filho enfim chegou pesando 3.560kg e 51 cm. Ele veio direto para meus braços, veio para meus seios receber o melhor alimento que eu poderia oferecer, e ele já sabia mamar muito bem, pega correta! Ah! e sim ele era lindo, perfeito! Tocava em seus pezinhos, suas mãozinhas conferindo cada detalhe desenhados por Deus. Meu coração não cabia em mim. Era tanta gratidão! E meu marido? Ah, ele estava a todo momento do nosso lado, um verdadeiro guardião e pudemos compartilhar os primeiros segundos de vida do nosso filho ali juntos, literalmente éramos um. Fiz questão de que ele cortasse o cordão umbilical que nos uniu durante 39 semanas e 05 dias. Agora o vinculo não era somente entre eu e meu Matheus, mas também com o papai.




Posso dizer que tive um parto dos sonhos. Meu filho nasceu no dia e hora marcados por Deus e ele. Aprendi que nós temos o direito de fazer escolhas, e escolhi o que entendia ser melhor pra mim e para meu filho. Digo que as mulheres precisam saber que independente da via de parto, é bom que elas sejam autoras dessa escolha, e não outros. Orientação e acompanhamento com bons profissionais fazem toda diferença, mas é necessário estar convicta de tal decisão.

Minha gratidão primeiramente é a Deus por ter cumprido essa linda Promessa em nossas vidas. Ao meu esposo por todo apoio e amor, sem a qual acredito, não teria sido possível. A psicóloga Luciana Amaral(Luh) que com tanto amor sempre me dizia que eu deveria focar em meu objetivo, buscar informações e não permitir que frustrassem essa minha vontade e desejo. A Enfª obstetra Michele Gadelha por ter me encorajado a buscar por ajuda de quem poderia me propor um parto humanizado e ter cuidado de mim no pré-natal. A Enfª obstetra consultora de amamentação e doula Cris, por ter me acolhido e me orientado tão bem, mesmo estando em viagem ela estava lá de longe me apoiando. A Enfª Keila, poxa até me emociono, ficou comigo a madrugada toda, um cuidado e um amor que dinheiro nenhum pode pagar, obrigada! Ao Enfº obstetra Beto realmente Cris me deixou em boas mãos, e tive certeza disso todo tempo, ele me transmitiu essa segurança, super profissional. A Tec. Irene que estava auxiliando o Beto no momento que meu filho nasceu. A Tec. Maria que em plena madrugada foi quem nos recepcionou em seu plantão quando chegamos ao hospital. Ah, claro não poderia esquecer da Enfª Edilza, ela estava sempre presente nas Rodas, e absorvi muitas informações importantes.

Enfim, posso dizer sem medo que esta foi a maior e a mais linda experiência da minha vida. E digo ainda que você mulher é capaz! Seja você protagonista da sua história, faça valer sua decisão, sua escolha e permita-se viver intensamente a maneira como decidir trazer seu filho ao mundo, de maneira consciente sabendo que seu histórico e gestação caminham bem.


Sou Isabela Cristina C. de M Moreti, 29 anos e mamãe de primeira viagem!

4 de agosto de 2018

Relato de parto da Mayara: Parto normal hospitalar com doula em Cacoal



Feliz demais em trazer para o blog a história de gravidez e parto da minha amiga e irmã de alma, Mayara, que eu tive o privilégio de doular (do verbo "ser doula" rsrsrsrsrs).

"Não basta ser amiga-irmã, confidente, terapeuta, massagista, não basta ser comadre... Tem que ser doulanda com parto relâmpago e em 6 horas trazer nossa Manuela". Foi assim que anunciei a chegada da bebê da Mayara e é assim que começo o relato aqui. Uma história de desencontros e reencontros que culminou em uma desfecho iluminado.


sentaquelávemrelato💜sentaquelávemrelato



por Mayara Tassi


Desde de minhas memórias mais antigas lembro do meu desejo em ser mãe, sinto que tudo só estaria completo quando este momento chegasse, mas pelo fato de ser sempre tão racional, adiei esta vontade por algum tempo.

Me dedico ao tema “gravidez e parto” desde o início da faculdade em fisioterapia, há 12 anos. Acompanho a militância da minha amiga e doula Cariny sobre humanização do parto há quase o mesmo tempo, há 2 anos criamos uma roda de gestante para dividir experiências e informações de qualidade, e trabalho com pilates para gestantes há 4 anos.

Em fim esse assunto faz parte da minha vida há muito tempo!



Casei aos 20 anos, mas somente aos 27, mais especificamente em março de 2015 começaram as tentativas para engravidar. Desde a adolescência fui diagnosticada com S.O.P. (síndrome dos ovários policísticos), apresentava ciclos irregulares e longos períodos sem menstruar, tive ciclos de até 120 dias, o que não me dava a chance de saber se havia ovulado.

Comecei a buscar por informação a fim de conhecer o meu corpo, e conheci o método sintotermal. Aferi temperatura, muco e colo diariamente durante 1 ano. Passei a perceber, mesmo sem muitas expectativas neste período, apenas 3 ciclos em que havia chance de ovulação. Impossível não ficar ansiosa! Tudo que estudava era sobre S.O.P. e ovulação... mais de 2 anos e nada da gravidez, o ciclo mais curto foi de 40 dias, tratamentos e mais tratamentos naturais...

Por diversas vezes me senti só na tentativa em engravidar. Entendia a resistência do meu marido devido a sua sobrecarga de responsabilidades, o que fez com que me dissesse por algumas vezes que me apoiava, mas não compartilhava do mesmo desejo, me gerando muita insegurança, e me fazendo refletir sobre os mistérios do nosso inconsciente, os traumas, medos, e padrões repetitivos que herdamos... mas nada me tirava o imenso desejo de ser mãe... fazia planos, sonhava e vislumbrava cada momento com um bebê.

Após uma constelação familiar, muitas coisas se mobilizaram. Começara um movimento sutil e ao mesmo tempo avassalador.

Em abril de 2017 decidimos nos separar. Foi uma decisão de ambos, para que nossa relação fosse preservada, uma vez que sempre nos admiramos. Fomos apoio e porto seguro um ao outro há 9 anos. Terminamos com o desejo que em um futuro breve as coisas pudessem melhorar e talvez o nosso casamento ser resgatado. Foi um período muito difícil, cheio de dúvidas, medos e inseguranças. Após 3 meses ocorreram muitas mudanças em ambos, o amor falou mais alto, e nosso reencontro foi preparado por Deus. Fomos para a terapia, e dia 02 de agosto de 2017 tivemos a certeza que não poderíamos viver mais um sem o outro, e a primeira coisa que ele desejou para nós foi um filho!

Havia menstruado no dia 30/07/2017, mas com um ciclo irregular e há quase 3 anos de tentativa, gravidez não era uma possibilidade. Agora era eu que achava que não era o momento de ter filhos, muitas mudanças na área profissional, achei que era melhor esperar. Dia 01/09/2017, uma sexta-feira, tive um escape, como já conhecia perfeitamente o meu corpo e meu ciclo, logo suspeitei de gravidez... seios doloridos e um sono incontrolável me deixaram ainda mais na certeza.

Fiz um teste de farmácia no dia seguinte, e como tantos outros... NEGATIVO. Na segunda feira, meu esposo percebeu que meus seios estavam maiores. Convicta depois do teste que deu negativo, respondi que deveria ser TPM. Contudo a dor nos seios não aliviavam, e nunca havia sido tão intensa. Resolvi comprar outro teste de farmácia uma semana depois, fiz logo no meio da tarde, e... POSITIVO! Uma linha forte de controle e outra clarinha, não acreditei! Imediatamente mandei mensagem para minha prima Luana e minha irmã Letícia, como em 2016 tive uma provável gravidez química (positivou o teste de farmácia e negativou o beta hcg) fiquei com medo de ter acontecido novamente, e logo providenciei o teste laboratorial.

Mas, no fundo, não me restavam mais dúvidas. Antes do resultado do exame de sangue, saí para comprar lembrancinhas pra fazer a surpresa pro papai! E pouco tempo depois chegam meus irmãos no meu trabalho com o resultado do exame... aos prantos, todos! Era muita felicidade! A noite fiz a surpresa para o meu esposo - que foi o último da família a saber. E ali no dia 11 de setembro de 2017 minha vida começava a mudar para sempre... eu, que tanto desejei, tanto esperei, não conseguia acreditar! Misto de sentimentos... parecia um sonho e eu tinha medo de acordar!



A ultrassom confirmava minha ovulação tardia, pois não coincidia com a data da última menstruação (D.U.M)... provavelmente ovulei 2 semanas depois do esperado de um ciclo normal, pelas minhas contas a concepção provavelmente ocorreu próximo ao dia 26/08/2017, saindo totalmente do meu controle e da minha racionalidade, pra quem era tão controladora, isso foi a prova de que as coisas precisavam fugir do meu domínio para então seguir seu curso natural.

Por volta da 7ª semana começaram os enjoos, no início até achamos engraçado, mas com o passar do tempo, fiquei muito indisposta, vomitava muito, principalmente de madrugada, achava que nunca mais fosse saber o que era conviver sem enjoos. Graças a Deus eles cessaram com exatas 14 semanas. Tirando esse detalhe, minha gravidez foi muito tranquila, e não tive nenhum contratempo. Com 9+2 dias realizei o exame de sexagem fetal, e após 8 dias, descobrimos e confirmamos o que eu e Fabrício intuíamos: é uma menina!!!



Meu médico desde o início apoiou as minhas escolhas e eu confiei em minha intuição, nunca me imaginei fazendo uma cesariana, nunca me preocupei com as dores do parto, inclusive me questionava se não subestimava as dores ou realmente estava preparada para enfrentá-las, depois de tudo que já havia estudado e acompanhado.



Me preparei emocionalmente para passar das 40 semanas, até para dar suporte à família e ao meu esposo, que era o mais ansioso. Com 38 semanas, meus padrinhos, que hoje assumem o papel dos meus pais, chegaram para ficar comigo... a ansiedade então só aumentava. Me mantive tranquila, tendo em mente que poderia chegar a 42. Minha madrinha, 2 meses antes, previu que seria na virada da lua nova, que era de fato a minha nona lua, dia 15/05/2018. Fabrício, meu esposo, desejava que ela viesse no dia 19/05 (aniversário dele e Data Provável do Parto - DPP), e eu confesso que não tinha palpite algum.

Dia 01/05/2018 percebi que minha barriga havia descido, assim de repente, da noite pro dia, a parte superior do abdômen estava mole, sinal que ela começava a encaixar.

Dia 13/05/18, domingo, 39 semanas e 1 dia, percebi um muco, pouca quantidade e sem rajadas de sangue, mas talvez fosse o tampão, foi o único sintoma pré-parto. Me sentia já bem cansada, mas ainda estava bem ativa, fazia meus exercícios na bola, ficava de cócoras, trabalhava na medida do possível e tentava namorar sempre que possível. Minha irmã mais velha, Tatiana, pressentiu que algo estava por vir. Fomos a chácara de uma amiga, Mariana (relato aqui), no intuito de tomar o famoso banho de bica, que trouxera Mateus, seu caçula, após 2 dias.

Dia 15/05/2018 virada da lua nova o dia amanheceu diferente, chuvoso e Fabrício anunciou a chegada da nossa pequena: disse que era o dia perfeito pro nascimento! Me sentia melancólica, não havia dormido nessa noite, mas me sentia disposta. Por volta de 11:30 ao falar com a minha irmã Tati pelo telefone, me dei conta que as contrações de treinamento estavam mais intensas, uma pressão diferente, mas ainda não classifiquei como dor. Contei apenas para o Fabrício, já enfatizando pra que não ficasse ansioso pois ainda poderia ficar dias em pródomos.

Resolvi cronometrar e as contrações estavam ritmadas, 7/8 min com duração de 50 segundos em média, mas era apenas uma pressão diferente, sem dor. Informei minha irmã Tatiana, pois ela precisava viajar 220 km para acompanhar o parto como planejamos desde o início.

Informei meu médico às 14 horas que pediu pra me avaliar às 16 horas. Às 16:30 horas, o obstetra me avaliou, fizemos o toque sob meu consentimento. Ainda não estava em trabalho de parto, nenhum centímetro dilatado, e colo alto. Provavelmente não nasceria nesse dia... afirmou o médico. Chegando em casa tentei dormir para poupar energias e Fabrício foi trabalhar pra amenizar a ansiedade.

Às 18:00 horas chegava minha doula querida Cariny, com todo seu aparato! Achei engraçado pois achava que ainda era muito cedo para luzes, massagens, escalda pés... mas aproveitei o momento. Às 18:15 hs chega minha irmã Tatiana, rimos e relembramos os seus partos, enquanto minha madrinha preparava meu chá (chá da Naoli) e meu escalda pés. Às 18:30hs percebo que as contrações intensificaram, parei de conversar, começou a perder a graça. Às 19:00h as contrações ficaram realmente intensas, e logo chega meu marido, curtimos um tempo a sós, mas as contrações ficam tão fortes e doloridas a ponto de me fazer vomitar.



Tomei um caldo em meio às contrações que minha madrinha preparou com todo amor, me arrumei para ir ao hospital para ser reavaliada, mas as contrações quase não tinham mais intervalos. Durante o trajeto ao hospital pensava que se não estivesse em trabalho de parto, eu não aguentaria.

Paramos 3 vezes no trajeto, porque a dor era muito intensa. Chegando ao hospital mal conseguia deitar para auscultar os batimentos cardíacos fetais, e então o médico resolve fazer um novo toque, e para a surpresa de todos 4 cm de dilatação! Renovava então minhas forças. Fui encaminhada a outro hospital, pois não havia vaga no hospital que eu havia planejado.



Demos entrada as 21 horas na maternidade, logo na entrada, eu vomito novamente. As contrações não davam trégua. Às 21:30hs vou para o chuveiro com o meu esposo, fiquei por alguns minutos de cócoras e revezava entre sentar e ficar em pé com a água quente caindo sobre minha barriga. Enquanto Cariny e meus tios traziam de casa tudo que planejamos, bola, som, chá, luminária, travesseiros... As contrações eram todas no baixo ventre. Após 30 minutos de chuveiro só queria deitar, queria achar uma posição que doesse menos...



De repente comecei a sentir muita pressão no períneo, coincidindo com o momento da chegada do médico. Estávamos no apartamento, e por protocolo do hospital não poderíamos fazer o parto ali. Trouxeram uma cadeira para me levar ao centro cirúrgico, implorei para não ir, ela estava coroando, e eu não aguentava sair daquela posição!
As 22:14 senti o círculo de fogo, comuniquei ao médico que senti que ela havia coroado, ele confirmou com um exame de toque e ficou impressionado com a rapidez de tudo! Pude ouvir e sentir a comoção de todos presente, misto de euforia e felicidade. Ouço as palavras de incentivo da Cariny e da minha irmã que, juntas, seguravam a minha perna, pois achei mais confortável ficar deitada, e da minha outra irmã Letícia, que registrou o nosso momento... e, em especial, meu marido, que segurou a minha mão em cada fase, ria e chorava, me deu apoio e foi meu guia, senti que nunca estivemos em total conexão como neste momento, adivinhava meus pensamentos e respirava amor, jamais esquecerei da nossa sintonia... a bolsa rompeu durante o período expulsivo, eu gritei neste momento, um grito da alma, das entranhas, da profundeza dos meus sentimentos mais ocultos... foram mais 4 contrações, e em 15 minutos ela nasceu!



Neste momento meu mundo parou, a emoção mais visceral que senti na vida, lembro de sua pele quentinha escorregar em meus braços, o seu chorinho soar como música aos meus ouvidos, o coração explodir de amor e felicidade, meu corpo estremecer, e eu pensar a todo momento como eu nasci para ser mãe, e ser mãe da Manuela! Ela estava pronta, a nossa espera para vir a este mundo, no melhor momento, e em seu momento! O amor mais genuíno que alguém pode sentir.



Obrigada, minha filha, por me permitir essa experiência divina... através de você eu tive a oportunidade de renascer!



Não poderia deixar de agradecer a minha incrível rede de apoio, como sou privilegiada por isso! A começar pelo meu marido que engravidou junto, sempre cuidadoso, disposto a me cuidar, e ser o melhor pai e marido para mim e Manuela. A minha doula, amiga e irmã de alma Cariny que sempre me guiou e dividiu suas experiências da maternidade há 11 anos, sonhando e planejando comigo cada detalhe deste dia. A minha família que esteve presente em cada momento, vibrando com cada novidade, sonhando junto, me apoiando em cada decisão e com muito amor e dedicação transformando-se em tio, tias, primo, prima, avô, avó, padrinho e madrinha. As minhas amigas, por cuidarem de mim, por cada gesto de carinho e preocupação, por compartilharem suas vidas e suas experiências.

 
  

Ainda com nó na garganta por não poder dar esse presente aos meus pais, sei que eles estariam em êxtase junto com a gente, vibrando, chorando e amando ser avós, mas sei que em algum plano espiritual olham por nós, vocês serão sempre minha maior inspiração. Serei eternamente grata a vocês.





Mayara tem 29 anos, mora em Cacoal, onde trabalha como fisioterapeuta.
Proprietária do Estúdio de NeoPilates Mayara Tassi. Casada com Fabrício Klipel.






13 de maio de 2018

Relato de parto da Bianca: parto normal hospitalar com doula em Cacoal


ESPECIAL DE DIA DAS MÃES

Quando estamos grávidas, procuramos nos preparar de várias formas! Mas quem mergulha no universo do parto normal e sabe que, por mais preparação que faça, abrirá mão de todo controle, a gestação, o parto e o início de maternidade serão sempre uma surpresa! Uma louca e maravilhosa surpresa... uma exaustiva e feliz surpresa...
Contradição é o que vive nós, mães, quando nos aventuramos nesta delícia de perpetuar a humanidade.

Quando achamos que está tudo acertadinho e sob controle, a vida vem e mostra que quando o assunto é 'ser mãe' temos que abrir mão de expectativas, de planejamentos em excesso, da ansiedade desmedida, do apego... e haja desapego!

Portanto, em se tratando de maternidade:
e se divirta

Feliz feliz dia das mães e que possamos ganhar aquelas 'coisas' que dinheiro nenhum compra: rede de apoio em casa e no trabalho, incentivo à amamentação, profissionais engajados com o aleitamento materno, valorização da maternidade real, vínculos profundos com quem amamos, respeito às nossas escolhas, informações de qualidade... 

Para coroar o tema 'surpresas', trago o relato da Bianca... e a surpresa eu deixo para vocês descobrirem lendo a história dela!


Relato de parto da Biana, nascimento do Davi:

A espera de um serzinho que a gente não conhece, é um tanto desafiador. Ficamos nove meses esperando ansiosamente para entender o que se passa dentro de nós, como tudo funciona e se está tudo bem. E, somente na hora do nascimento descobrimos que, quando nasce um bebê, nasce uma mãe e uma família. Davi veio da maneira que ele quis, e no momento escolhido por ele, mostrando que cada parto e cada gestação são únicos.

Dia 19/05/2017 descobrimos que estávamos grávidos (eu e meu noivo). A gestação foi o mais lindo e perfeito presente surpresa que já ganhamos. A partir de então, começamos o famoso pré-natal (exames sanguíneos mensais, vacinas), cuidados com alimentação, corpo, e a mente. Literalmente uma maratona.

A gravidez foi bem tranquila. Fizemos muito pilates, hidroginástica, academia, dança e acompanhamento com a querida doula Fabíola Dias. Estávamos sendo acompanhados por um médico muito experiente, e ele anotou nos laudos de ultrassom que a DPP seria dia 19/01/2018. Provavelmente seria uma cesariana, pois meu bebê permaneceu a gravidez inteira pélvico (sentado). Aceitar a cesariana foi um processo muuuuuuito frustrante e difícil. Acredito que em meu coração eu não havia aceitado, pois me preparei demais para o parto normal. Eu gostaria de viver aquilo. De um dia dizer “EU PARI”, “EU CONSEGUI”. Porém, as esperanças eram mínimas do neném virar. Mas, Deus antecipou esta data e fomos totalmente surpreendidos (em todos os sentidos).

Algumas mães relatam que sentem dores, contrações e “pontadas” na semana ou dias antes do parto, porém, EU não senti absolutamente NADA antes. Somente no dia. Era sábado, dia 06/01/2018, às 16h fui ao salão fazer as unhas (jamais imaginando que aquele seria o grande dia) e comecei a sentir cólicas suuuuuper leves (já havia sentido nos meses anteriores, então ignorei). Saindo do salão eu e meu noivo fomos fazer uma caminhada (como de rotina aos sábados), então eu senti que as cólicas estavam começando a incomodar e preferimos ir para casa. As 19h as cólicas estavam sendo mais frequentes e intensas, foi ai que procurei minha doula e ela pediu para marcar os intervalos entre as dores, sendo estes a cada 2 ou 3min. Mas, não estávamos crendo que este seria o dia do nascimento, então ela me pediu pra tomar um banho morno, e de nada adiantou. As “cólicas” já eram pródomos e nós nem imaginávamos. Após o banho, deitei na cama e em alguns segundos levantei novamente para fazer xixi, ao pisar no chão a bolsa rompeu. Imagina o susto!!! Era aquela “água clara” com muuuuito sangue vivo e muuuuita contração. Meu noivo ligou imediatamente para a doula Fabiola e ela disse “trabalho de parto ativo, corre para o hospital”. Assim fizemos. Eu moro no 4º andar de um prédio que NÃO tem elevador, e descer as escadas com FORTES contrações não foi nada fácil.

O caminho até o hospital parecia o mais longo possível. Ao chegar lá (20h), as enfermeiras me receberam e logo me deitaram na cama (enquanto aguardávamos a chegada do médico), deitada eu senti náuseas e a Fabíola me levantou. Instintivamente eu estava de cócoras e a cada minuto as contrações eram mais fortes. Eu gritava por uma anestesia logo, pois iria ser cesariana (já que meu bebê estava sentado e todos diziam ser impossível essa forma de nascimento normal). Graças a Deus, o médico não demorou, e em torno de 30min já estava no hospital. Eu lembro que ele me perguntou “como você está?” e eu disse “com muita vontade de fazer cocô, fazer força”, no mesmo momento corremos para a sala ao lado onde ele fez o toque (sinceramente não sei como eu andei até outra sala, tenho apenas leves lembranças, rs). 

Ao me examinar ele disse para as enfermeiras “corre que está nascendo”. A partir de então eu não conseguia mais controlar a vontade de fazer força, e quando percebi, já estava na sala de cirurgia (não deu tempo nem de trocar de roupa), imaginando que iria fazer cesariana. Mas minha doula olhou pra mim e cheia de felicidade disse “você vai ter seu neném da forma que sempre quis”, do outro lado estava meu noivo segurando na minha mão e disse “nós conseguimos amor, vai dar certo, vc vai ter normal”. Nesse momento minha ficha caiu que eu milagrosamente conseguiria PARIR de forma NATURAL o meu anjinho que estava chegando. Foi aquela correria louca, o pediatra já recebendo meu Davi (ele dizia pro médico “corre que tá nascendo”), enquanto o médico ainda terminava de se paramentar, rs. Mesmo todos desacreditando, Deus foi generoso comigo. E eu só ouvia “força, força, tá quase”. E às 21:30h, eu já estava com meu anjinho em meus braços e mamando. Foi o momento mais emocionante da minha vida. Ele veio cheio de saúde, um meninão de 49cm e 3,050kg.

Minha mensagem para todas as mamães, é a seguinte: acredite no impossível, acredite em Deus, acredite em você. Tudo é possível quando você se prepara e quer MUITO algo. Parto pélvico é possível SIM. Com muito cuidado e equipe médica preparada.




6 de abril de 2018

Relato de Parto da Mariana: Parto normal hospitalar com doula em Cacoal

Arquivo pessoal

A Mariana já nos brindou com um relato lindo contando o nascimento da primeira filha, Alice, aqui e nos emocionando com uma carta à filha sobre os desafios de amentar com relactação, aqui.

Em 2014, ela precisou viajar até Brasília para conseguir o tão sonhado parto. Agora, a história foi bem diferente, e vamos com ela, saber como foi!



Relato de Parto da Mariana, nascimento do Mateus:





O Mateus já veio pra mostrar que cada gravidez e parto é totalmente único... a começar pela gravidez prolongada, enquanto minha primogênita não chegou a 40 semanas, ele nasceu com 41+3 dias... e já vou falando que esperar depois que passa das 40 semanas é muito difícil, não só pra mim, mas pra toda família... ainda bem que meu marido e minha mãe me apoiaram nessa espera, mas a vovó no final começou a ficar preocupada - fez até promessa.

Eu estava acompanhando com um médico aqui em Cacoal, mas com antecedência ele me avisou que viajaria 2 de outubro e minha DPP era 4 de outubro. Fiquei perdida e resolvi acompanhar com uma médica de Ji-paraná. Bom, antes de completar 41 semanas a médica fez um procedimento chamado descolamento de membrana para induzir o trabalho de parto naturalmente ... cheguei à conclusão que não foi uma boa ideia para mim, pois passei a sentir pontadas no útero, tive pródomos, câimbras, comecei a perder tampão, tudo ficou desconfortavel e confuso depois disso, o que gerou mais ansiedade. Passei uns dias agradáveis em família em Ji-Paraná à espera de Mateus e como não nasceu e o médico voltou de viagem, voltei pra Cacoal.

Na sexta feira, um dia antes do Mateus nascer, eu me senti muito desanimada com a gestação prolongada... tive enxaqueca a noite, me dei conta de algumas situações emocionais que podiam estar atrapalhando meu trabalho de parto de engrenar, foi uma noite muito difícil, onde eu já não sabia se conseguiria trazer meu filho ao mundo como sonhei ... no sábado eu tinha um ultra-som agendado, e sábado, 14 de outubro, foi o dia que meu marido fez questão de me acompanhar, apoiar, mostrar que estava realmente entregue a esse momento ... fizemos e estava tudo bem no ultra-som, saí de lá leve, mais animada, liguei para o meu médico e ele disse que então podíamos esperar mais tempo tranquilamente ...

Em casa dei as boas notícias para todos e fomos almoçar... e lá começou a fase latente do meu parto, comecei a ter contrações suportáveis, e foi assim o dia todo, estava com medo de criar expectativas, mas achava que estava próximo. Por orientação de uma amiga, tomei um chá que é uma mistura de canela, Pimenta do reino, gengibre, chocolate em pó...para ajudar no trabalho de parto.

Falei com Fabiola, minha doula, ela me orientou a tomar um banho bem quente pois se fosse mesmo trabalho de parto iria engrenar... enrolei o dia todo e umas 19h fui para o banho quente. Daí pra frente as contrações começaram a tomar ritmo, ficaram intensas, por volta de 21:30h resolvi chamá-la para ir lá em casa.

A doula chegou, me sugeriu dar uma volta no quarteirão, agachar, água quente, mas nessa altura eu não queria nada disso... a dor estava muito intensa, fomos para o meu quarto e com luz baixa, ela fazia massagens a cada contração... minha casa estava cheia, meus irmãos, os avós, todos esperando Mateus, mas todos respeitaram meu momento e tive privacidade. Minha mãe foi lá no quarto e perguntou se já tínhamos falado com o médico, foi quando decidi ligar e a doula falou com ele. Ele já pediu para nós irmos para o hospital,...graças a Deus no caminho não tive contração, mas assim que chegamos na porta do hospital veio uma forte, fomos então para a sala do médico, para fazer o toque, e mais contração, foi um sufoco deitar na maca para o toque ... e para a minha surpresa: 8cm de dilatação!!! Eu sabia que estava em TP mas não imaginava que estava tão avançado pois as contrações apesar de MUITO dolorosas, não chegavam a durar 1 minuto.

Arquivo pessoal

Fomos para o quarto, eu, minha mãe, meu marido, a doula e o médico. Lá fui para o chuveiro quente, o que parece ter acelerado ainda mais o trabalho de parto. Fiquei apoiada na bola de pilates, com a água quente caindo nas minhas costas, enquanto minha mãe segurava a bola para dar estabilidade, a doula massageava minhas costas, disse a ela qual jeito me aliviava mais, ela me disse palavras de incentivo, pois estava sendo muito intenso e rápido, o que acredito ter tornado MUITO doloridas as contrações.

A pediatra chegou, e como já havia pedido pra doula, ela conversou com ela sobre não pingar o nitrato de prata, esperar o cordão pulsar, amamentar na primeira meia hora. E ela voltou me tranquilizando que estava tudo certo com a pediatra, que ela tinha aceitado.

O médico veio na porta do banheiro e perguntou como estava e disse que na hora que eu começasse a ter vontade de fazer força, sair do chuveiro. Logo eu comecei a sentir e quis sair, me embrulharam numa toalha,desligaram o ar, o médico fez um toque (mega incomodo) e já estava com 10 cm!

Ele me perguntou se queria ir para o centro cirúrgico ou ficar no quarto, optei ficar lá mesmo no quarto, e adorei a opção. Fiquei na cama apoiada na bola de pilates, tipo 4 apoios, mas a perna cansou e o médico tinha falado que se eu deitasse faria manobras pra proteção do períneo durante o expulsivo, mesmo com todas as informações sobre essa posição não ser favorável para ganhar bebe, achei confortável na hora e fiquei deitada, primeiro de lado com a perna apoiada e depois virei e fiquei deitada mesmo.

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A doula começou a colocar travesseiros nas minhas costas pra ficar mais vertical, usei uma bolsa de água quente no pé da barriga pra aliviar as dores das contrações e meu marido foi parceirão e segurou minha mão e me abanou com um leque, pois eu sentia frio e calor. Achei demorado o expulsivo, e não me toquei na hora que pode ter sido exatamente a posição, pois não tinha a gravidade ajudando.

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Depois de muita força, muita dor, quando meu bebe coroou, o médico ainda segurou a cabecinha para não sair de uma vez e preservar o períneo, mas eu pedi: “por favor, alguém me ajude!”. Aquilo não acabava nunca. Minha mãe disse: “coitadinha Dr”... depois que coroou, tinha uma circular de cordão, que tranquilamente o médico tirou e...

De mãos dadas com meu marido, com o carinho da minha mãe, apoio da minha doula, meu caçulinha chegou ao mundo e veio para os meus braços. Alguns segundos de tensão até soltar seu primeiro chorinho, meu presente divino veio me transformando mais uma vez, renasci como mãe do Mateus, mãe de dois, mãe de menino, mãe de segunda viagem.

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Peguei meu pacotinho, disse “é a mamãe, filho”, ele me olhou nos olhos, nos conhecemos e reconhecemos ...o papai cortou o cordão: “agora é com você, filho”, amamentei na primeira meia hora, meu bezerro já sabia mamar, pega correta. Demorou ainda até que a placenta nascesse e eu levasse alguns pontos superficiais, enquanto o papai e a vovó o acompanhavam na pediatria, um meninão de 50cm e 3425kg, 14/10/2017, às 23:05h.

   
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E eu sou só gratidão, minha família está mais completa, tudo correu perfeitamente como planejado, ele encheu minha vida de amor, fé, leveza. Obrigada

Deus, minha mãe Maria, minha mãe Laurinha maravilhosa e companheira de todos os momentos, meu marido que ficou ao meu lado de mãos dadas(como devemos seguir sempre), Fabíola pelo incentivo e conforto. Obrigada a minha família e a do marido que estava em peso à espera de Mateus. A todos os amigos que fizeram oração, vibraram e torceram por nós!!! Gratidão também aos médicos que me assistiram, por me respeitarem em minhas escolhas, pelo profissionalismo e competência!

Minha familia, projeto de Deus!

Obs.: como relatado antes, minha filha Alice nasceu em Brasília e toda minha experiência de empoderamento, meu e da família e busca por conhecimento, foi maior na sua gravidez. Como já estava mais segura e tranquila dessa vez, pois eu já tinha dado à luz uma vez, escolhi ficar na minha cidade e casa pra ganhar o Mateus. E como estamos no blog parto em Rondônia, posso afirmar seguramente para as gestantes empoderadas que buscam um parto natural, que minha experiência de nascimento do Mateus não deixou nada a desejar quando comparada a da Alice.

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Já estamos contando com médicos super adeptos ao parto humanizado, tive um excelente pré natal tanto com a médica em Ji-Paraná quanto com o médico em Cacoal, e um parto incrível e super respeitoso aqui. Dessa vez a pediatra não pingou o nitrato, o que era um grande desejo meu e o médico me ofereceu parir ali no quarto, o que também me deixou muito feliz e satisfeita de não ter que deslocar para o centro cirúrgico com tanta dor e por considerar um ambiente mais aconchegante do que o centro cirúrgico.

Muito animada por ver a sementinha que nossa amiga Cariny, através da iniciativa desse blog e muitas outras iniciativas como a roda de gestantes absolutamente gratuita e rica em informações, e outras ações em prol da humanização do nascimento, dando frutos e hoje contamos com doulas super capacitadas no estado de Rondônia, como a Fabiola aqui em cacoal, médicos como esses que já citei aqui, que estão cada vez mais abertos, enfim! Orgulhosa por não precisar me descolar para ter mais uma vez essa vivência tão transformadora e especial!

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Obrigada, Mariana, você é INSPIRAÇÃO...
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