28 de setembro de 2016

Relato de Parto da Talita: Parto domiciliar em Porto Velho



A Talita já esteve aqui no blog contando sua história de sucesso na amamentação! O nascimento do primeiro filho não foi exatamente como ela queria... mas a nutriu de forças para a maternidade e para, tempos depois, formar-se Doula e se envolver no mundo do Ativismo pela humanização do nascimento e parto.

Comparem as diferenças nas fotos e inspirem-se na trajetória desta mulher...






Bom aqui vai meu começo de um dia maravilhoso...

Antes contar um pouco de minha história! Sou Talita, 30 anos, Mãe de um menino de 3 anos Benjamin e agora de uma menina de 24 dias Aimee . Há três anos atrás quando estava grávida do meu primeiro filho, com 33 semanas fui conhecer um pouco do que era parto humanizado, conheci as rodas do Bello Parto e pude participar de três rodas pois, com 36 semanas, minha bolsa rompeu e minha obstetra na época - na qual eu confiava veementemente - primeiro me perguntou que tipo de parto eu queria. Eu disse que queria normal e logo depois, internada, recebo a noticia que ela estaria chegando pra me operar e eu acreditando que aquilo era necessário.

Depois de um ano passei por um aborto retido com quase 16 semanas e aquilo me traumatizou muito, no meu intimo, tinha decidido que seria somente mãe do Benjamin. Mas, depois de um ano do acontecido, uma grata e surpreende noticia: eu estava grávida novamente! E resolvi comigo mesma que essa gestação seria diferente.

Ao contar uma noticia pra uma amiga enfermeira obstetra Izabela (parteira querida estudiosa e dedicada!), logo ela disse: "vamos sonhar com um parto domiciliar?". E eu: "simmmm!". Fiquei super feliz, mas dentro de mim eu ainda não estava acreditando no meu potencial.

Eu como Doula, e sabendo da importância de pessoas amadas que te apoiem e que estejam empoderadas sobre o parto junto com você, tive total parceria da minha amiga Helena... que é Doula e um monte de outras coisas que se eu escrever aqui não cabe! Hahahahahah Tipo: Professora de yoga, Massoterapeuta especializada em gestante e, o principal, uma grande amiga-irmã que sempre esteve ao meu lado dando amor, carinho e me ajudando resgatar meu feminino. Tive o grande apoio do meu marido que eu amo de paixão e nunca duvidou do meu poder de parir (Te amo Ivan. Vamos casar de novo?).

Foi uma gestação que até 35 semanas eu subia 40 degraus do prédio que morava (depois mudei pra uma casa a onde eu pari). Caminhava 1 km ou mais todo dia, andava de ônibus, segurava meu filho mais velho no colo, fiz yoga, chorei, sorri... emoções vivi (rsrsrs)...

Com 37 semanas ganhei um lindo chá de fraldas surpresa com mulheres lindas queridas as quais eu queria mesmo estar. Quando foi à noite, conversando com minha amiga Helena (a Doula), senti umas contrações de treinamentos mais fortes, mas sem dor, nada demais. Quando Helena foi embora, essas contrações de treinamento persistiram sem cessar. E Helena, sua linda, grata por passar essa madruga comigo mesmo sendo um falso trabalho de parto! Fez parte do processo!

A Aimee não queria vir aquele dia... ela estava apenas treinando e não parou mais de treinar e eu caminhei, desabafei todos meu grilos e só nos pródomos! E chegam as 38 semanas, as 39 semanas e mais pródomos... e daí chegam as 40 semanas e eu pensei: "Ai, Pai do Céu, isso vai até as 42!"

Não tem mais pra onde correr, eu já não dormia mais, estava ansiosa, estressada, já não era mais Doula, nem ativista.... era apenas uma gestante de 40 semanas cansada, com medo e etc.

Com 40 semanas e 3 dias, na madrugada, assistindo as reprises das olimpíadas com meu marido, vou ao banheiro e vejo saindo de quilos (exageradaaaaaa) meu tampão com estrias bem fininhas de sangue. Eu fiz a dancinha da comemoração, meu marido sorriu e disse: "Amor, o tampão pode sair uma semana antes do trabalho de parto, relaxa fica tranquila". (Eu pensei: porque fui treinar esse homem tão bem?).

Quando foi umas 9 da manhã acordei com leves cólicas, sem comer nada, sem dormir nada, chamei meu marido e disse: "Vamos limpar a casa! É hoje! (Já tinha falado pra ele tantas vezes "é hoje", que ele não acreditou, coitado). Ele disse: "Vou dormir". Acordou, foi trabalhar contra a minha vontade, eu fiquei vendo o jogo do Brasil de vôlei masculino e no ultimo ponto senti uma dor forte e me levantei... e senti o famoso "Ploc"... minha bolsa rompeu! Avisei minha parteiras queridas Sandra, Izabela e Nayra e minha Doula que prontamente chegou aqui pra me acolher. Logo meu marido chegou, meio desconfiado... pensando 'será se essa mulher tá em trabalho de parto mesmo?'. Foi lavar a louça enquanto eu conversa com a Helena e às 16 horas chega a Sandra Schulz (Enf Obstetra MARAVILHOSA que me assistiu no parto), me avaliou e viu que eu estava com 1 cm de dilatação e colo do útero posterior... O QUEEEEEEE???? 1 CM E JÁ TÁ DOENDO ASSIM????

Eu olhei pra ela e com uma palavra de fé disse: "Vai evoluir rápido!". Ela saiu e disse que voltaria mais tarde. Assim que a Sandra saiu, começaram a contrações doloridas eu pensei: "Não é possível, tô só com 1 cm e tá doendo assim? Como assim?

Meu marido lavando a louça, agarrei nas costa dele numa contração como quem diz ei quero você aqui comigo! E começaram a apertar... quase não tinham mais intervalos entre as contrações e eu pirando no 1 cm. Botei minha garganta pra trabalhar: o vocalista de uma banda de Metal perdia feio pra mim. Griteeeiiiii... precisava gritar e quando dava pra falar eu dizia: "1cm? Como assim? Tô lascada! Não quero ser mais Doula! Quero uma cesárea A-GO-RA".

Ninguém dava confiança pro meu pedido de cesárea, nem marido, nem a Helena, nem a Izabela que tinha acabado de chegar. Eu dizia que era bulling! Eu queria dormir, vomitei, chorei e lá estava eu "A Talita Selvagem" a "Mulher Primitiva" uivando, gritando e pensado no 1 cm... até que a Helena diz: "Amiga, faz algumas horas que você está no 1 cm". E eu disse: "Sério? Pra mim pareciam 15 minutos". Partolândia não tem hora... o tempo é relativo srsrsr). Ela sorriu e me olhou e eu disse preciso chorar o luto do meu filho que perdi e ela disse "chora" (Nesse meio tempo não me lembro bem quando teve uma avalição de 3 cm pra 4 cm ....). Chorei! Foi ótimo e ela disse: "Chega dessa vibe, agora é vida! Vamos tomar um banho?"

Eu fui, tomei um banho, sentei errado na bola e quase cai numa contração kkkk. Logo chega a Sandra pra me Avaliar, novamente, eu estava de 5 pra 6 cm e eu disse: "só isso?" (A louca né? Nem tinha mais noção de o quanto foi boa a evolução). Ela me disse calma com a voz suave, tá evoluindo muito rápido... por isso tá doendo assim. Aquilo foi me tranquilizando, eu percebi que estavam enchendo a piscina, senti a Aimee bem embaixo, tomando sua posição.



Estava acontecendo! Minha filha sabia nascer eu, mesmo sem entender, sabia parir! Fui pra banheira, fiquei em 4 apoios e com um tempo fui me tranquilizando... ouvia minhas parteiras, minha doula e meu maravilhoso companheiro dizendo pra respirar, tranquilizar e aquilo foi me dando controle... aos poucos foi passando a vontade de gritar. A Sandra (parteira) disse: "Talita pega nela, sente a cabeça dela, tá bem aqui". E eu disse que não queria. Ela insistiu e eu resolvi sentir e lá estava a cabeça da minha Aimee!!!! Minha guerreira ponta de lança!!!! Aquilo me empoderou e aos poucos, perto do expulsivo, parei de gritar.



Meu marido me dando força dizendo que eu era uma guerreira, que ele me amava, e que ele estava orgulhoso. Minha querida Sandra dizendo que eu estava me saindo bem que eu estava fazendo tudo certinho naquele momento... foi tudo pra mim. Aquilo parecia que ia me trazendo mais ainda pro controle do meu corpo e aí eu sentia a cabecinha da Aimee indo e voltando. Naquele momento pude entender a frase: "No trabalho de parto, a mãe vai nas estrelas, busca seu filho e volta". Pois é... fui lá... estive lá... e foi maravilhoso naquele momento! Consegui curtir, sentia meu quadril abrindo, uma ardência boa e começou o círculo de fogo, senti direitinho e pensei isso é o círculo de fogo! Estamos conseguindo filha!!!!

Ela veio e voltou... eu estava cansada e meu marido veio no meu ouvido e disse "Meu amor Deus tá aqui, ele está aqui nesse momento maravilhoso". Então respirei fundo e ela nasceu! Com 3,930 kg, 52 cm, olhos lindos, bochechuda e quando eu vi, senti a maior serenidade do mundo, o amor mais tranquilo e sereno. O Ivan, meu marido, chorou de emoção e eu relaxei de amor!





Sabia que tudo estava bem, tudo estava cooperando pra nossa saúde para esse encontro mãe e filha no aconchego do nosso lar. Meu filho mais velho ficou super sereno e encarou com normalidade, assistiu o desenho dele e depois veio conhecê-la.





E eu digo a todas essas mulheres que sonham em parir e que querem ter em casa... Tenham! Foi o lugar mais seguro, aconchegante, com uma equipe maravilhosa: Sandra, Helena, Izabela, Nayra... gratidão sempre ! Vocês estarão sempre na lembranças e historias familiares por gerações.


Parto domiciliar planejado é seguro, é amor e é inesquecível... eu recomendo virei ativista ainda mais!



Na foto: Doula Helena, Parteiras Sandra, Nayra e Izabela.
Talita e sua Aimee


21 de junho de 2016

Relato de parto da Yúli: Parto normal hospitalar com Doula em Porto Velho


Relato de parto normal com Doula, para animar o blog! Com a palavra, Yúli, de Porto Velho:


Meu nome é Yúli Cristina de Souza Barros, tenho 22 anos e minha filha se chama Maria Clara e nasceu no dia 12 de fevereiro de 2016, as 16:12, de parto normal sem qualquer interferência com o apoio da Doula Iaci Cajô desde as contrações mais fortes e quando estourou a bolsa até o momento em que minha filha nasceu.

Hoje com minha filha nos braços e depois de dias pensando no momento mais especial da minha vida que foi o dia em que Maria Clara nasceu, resolvi cumprir o prometido e escrever meu breve relato. Até porque não sou muito boa com isso e é difícil achar palavras para descrever aquele dia. Mas, inspirada em um relato lindo que li nesta madrugada vou tentar. 

A notícia de estar grávida foi uma grande surpresa com um pouco de medo, mas com muito apoio de ambas as famílias. Nos primeiros meses muito enjoo, vômitos, achávamos que era até um menino pois dizem que puxa mais da mulher, depois descobrimos que era minha princesa, uma das maiores alegrias foi vê-la pela ultrassom, e descobri que quando não é seu filho você não entende nada daquela imagem borrada, mas quando é seu, você vê cada detalhe, tudo que ninguém vê. rsrsrsrsrsrs.

Perto de completar 8 meses fui para Porto Velho, para ter minha menina perto da minha família, com minha mãe, e então comecei a pensar seriamente em como seria meu parto. O medo começou a tomar conta de mim, mas tive em mente o parto normal, porque todos diziam que assim que nascesse toda dor passaria. Confesso que pensei somente na dor, e não imaginava que havia muitos outros benefícios além da rápida recuperação. 

Foi então que minha mãe pediu para a filha de sua amiga, a Iaci Cajô, que é fisioterapeuta e doula, conversar comigo a respeito do parto normal. Então ela veio até nós e nos tranquilizou com uma ótima conversa a respeito do parto, dar dores, tirou as dúvidas do meu marido, me ensinou alguns exercícios que eu poderia fazer para relaxar, aliviar as dores nas costas. E mesmo que algumas pessoas dissessem: " nossa você não vai conseguir ter normal, essa criança é grande, você é muito pequena ", ela me mostrou que eu poderia sim ter minha filha de parto normal e que nós mulheres fomos feitas para isso. 

No dia 12 de fevereiro as 4:30 da manhã eu comecei a sentir as contrações, esperei um pouco para ver se era mesmo e depois chamei meu marido, depois, as 7 horas fomos à maternidade e eu estava apenas com 2 cm de dilatação, depois voltamos às 9 horas e eu estava com 4 cm e disseram q eu devia ficar internada, mas a Cajô já havia me dito que o melhor seria ficar no conforto da minha casa, falamos com ela e ela foi pra lá me ajudar. 

Mais ou menos 11 horas minha bolsa rompeu e como as contrações estavam mais fortes, ela achou melhor irmos para a maternidade, eu estava apenas com 5 cm, mas já ficamos lá. Mesmo tendo ficado em dúvida entre meu marido e minha mãe para me acompanhar, vi que eles estavam tão nervosos quanto eu por me ver sentindo tanta dor, então pedi que a Doula me acompanhasse. 

E confesso que foi Deus quem a colocou em nossa vida, porque não sei o que faria naquele momento sem ela, nunca imaginei que fosse tanta dor assim rs. Só ela para me acalmar, me fazer confiar em mim e no meu corpo. Queria desistir e achar uma maneira de acabar logo com aquela dor, disse que não aguentava mais é ela sempre com mensagens de apoio, coragem como dizer: "você consegue, seu corpo foi feito pra isso". 
E ela estava certa! Tivemos um pequeno problema com a posição do parto, por ela não achava que a posição convencional fosse a melhor, mas o enfermeiro só poderia fazer o parto naquele (foi um momento bem chato, por culpa do enfermeiro que não foi dos mais delicados, mas depois se explicou). 

Mas graças à ajuda dela, dizendo o que eu não devia fazer, me incentivando a fazer os movimentos com os quadris, e me fazendo caminha e agachar, porque confesso que se outra pessoa disse-se eu não faria, pois era dor demais... por mim não faria nada! Mas isso sem dúvida fez com que minha filha viesse ao mundo sem nenhum problema. 

Independente da posição, foi um ótimo parto, com duas ou 3 forças ela já veio ao mundo, tão linda e cheia de vida às 16:12 do dia 12 de fevereiro, uma semana antes do previsto, no tempo dela, apressada como a mãe.

E, por fim, eu só queria agradecer imensamente à minha Doula por tudo, pelo apoio, pelo incentivo, e por fazer com que meu primeiro parto fosse o melhor possível. Muito obrigada Iaci Cajô. Mesmo com toda dificuldade e dor não a nada mais prazeroso do que ver sua filha nascer e pegá-la no colo no mesmo instante, sem anestesia, sem corte nem nada.



16 de maio de 2016

Relato de Parto da Maíse: Parto normal na Maternidade de Porto Velho



Quando decidi que queria um parto normal e natural, confesso que nunca me amedrontei com os relatos da dor do parto, para mim isso era o de menos. Minha preocupação se dava pela possibilidade de parir em um hospital particular e com médico plantonista, o que aumentava as chances de intervenções desnecessárias no parto ou mesmo uma cesária. Isso me causava pânico, às vezes, até me aborrecia só em imaginar.

Desde o momento que confirmei a gravidez, tratei de procurar algum grupo de apoio ao parto humanizado e encontrei a equipe Bello Parto, naquele momento, Izabela Teixeira Melo, Sandra Schulz, Maiza e a doula Bibi, na cidade de Porto Velho-RO.

Graças à Deus minha gestação ocorreu em perfeita harmonia, minha DPP estava prevista para 15 de setembro, mas considerando as grandes chances de não ser nessa data, estava pronta desde as 37 semanas, todo dia era dia!

Na reta final, estava decidida a não ter o acompanhamento do meu médico, afinal seria eu quem iria parir, estava confiante no meu corpo, decidida a esperar até a 42ª semana de gestação, mesmo meu médico dizendo que se eu chegasse na 41ª ele iria induzir e, caso eu não aceitasse, ele não iria mais me assistir.

Meu marido ficou cambaleante, medo de pôr a vida do nosso filho em perigo, isso me tirou algumas noites de sono, mas como eu ainda tinha prazo resolvi não me atormentar com a possibilidade de indução ou ficar desassistida de médico.

Ao longo dos dias toda dorzinha podia ser sinal da chegada de Samuel Estava prestes a completar as 40 semanas, quando na madrugada do dia 14 de setembro, meu bebê mexeu tanto que fiquei até com medo dele ter mudado de posição, também senti algumas cólicas leves, e fui alertada de que eram os pródromos. Na manhã do mesmo dia, arrumei a casa, dei banho no gato, fiz o que pude para ocupar o tempo e a mente, no intuito de aliviar a ansiedade de ter em breve o meu filho no colo. Aproveitei a tarde para fazer a última aula de Pilates, fui a pé ao supermercado mesmo com recomendações para eu descansar - Eu deveria ter levado a sério essa recomendação (risos)!

Minha mãe tentou me alertar sobre a dor do parto, mas pensei: "Bem... Se for parecida a cólica menstrual, eu aguento"! Queria saber quem foi o ser humano que fez esse tipo de comparação? Me iludi nela! Mas vale lembrar que estou falando da minha experiência, cada mulher e cada filho é um parto, uma dor, uma história. Tanto, que nem gosto de começar meu relato de parto, dramatizando a dor. Penso ser desnecessário este enfoque.
Chegando à noite, as cólicas estavam no mesmo ritmo, mas já tinha a sensação de que eu iria terminar aquela semana com o baby no colo. Às 21:00h o tampão saiu, para felicidade da casa, a mamãe tratou logo de avisar a família no Pará. As cólicas, rapidamente se intensificaram, não dando espaço para eu me preparar psicologicamente (hahahahaha). Meu corpo reagiu à dor com vômitos. A água quente aliviou, a massagem ajudou e o amor me deu forças, na presença de minha mãe e do meu marido.
Durante esse tempo mantivermos contato com a equipe do Bello Parto e, às 2:00h do dia 15 de setembro, a enfermeira obstétrica, Sandra Schulz, veio em casa apenas para fazer avaliação e eu já estava com 6 cm de dilatação.
O Trabalho de parto estava evoluindo tão rápido que não daria tempo nem de esperar a doula para ajudar-me nos exercícios para alívio da dor, para completar as contrações eram tão próximas que eu esqueci de toda a preparação para este momento - ainda bem que Sandra me lembrava da respiração, o que ajudou muito - eu obedecia os comandos do meu corpo, ficando nas posições mais confortáveis para ele, ou seja, queria ficar de quatro a qualquer custo.

Fui para a maternidade municipal, em torno de 3 horas da madrugada, já estava com 9 cm de dilatação. Na reta final, já estava fora de mim, os intervalos entre cada contração me levava ao céu, sentia a cabeça do meu filho indo e voltando (coroando), olhava nos olhos da Sandra e sentia mais que confiança, sentia a força de que precisava, suas palavras me lembravam da minha capacidade de parir e a presença do meu marido, seu toque, sua força, me enchia de orgulho, para quem dizia que não conseguiria assistir ao parto, até participou!


O que dizer do Lívio, meu marido? Tenho orgulho e amor por este pai tão forte e corajoso que também estava nascendo naquele dia. Nos breves intervalos entre as contrações pensava comigo, que a Sandra mentia dizendo que não ia demorar muito para nascer, eu já estava no nível de dizer que eu não tinha mais força, que eu não iria conseguir, pedi uma anestesia (quando na verdade pedia à mim mesma uma episiotomia para “acelerar” o trabalho de parto (quanto delírio!!! hahahah), mas tinha algo que eu não pedia nem a mim mesma, a cesária! Afinal, estava mais que decidida no que era melhor pro meu filho, primeiramente, e no que também era melhor pra mim.

Ao longo de duas horas e meia, as contrações eram tão intensas que vivi o paradoxo do sentimento de fraqueza e de força, ali eu estava me tornando mãe, na materialidade da coisa. Na reta final para o nascimento do meu filho, senti a queimação mais de duas vezes, pensei mais uma vez que eu não daria conta, mas também pensava que em breve iria conhecer Samuel. Eu queria morder a cama de ferro, queria me jogar de cabeça no chão e acho que eu ia caindo de verdade, mas meu marido me segurou no momento do expulsivo.
No alívio da dor, às 05:19 horas, ouvi levemente o choro do meu filho. Com 3,300 kg e 48 cm, um pedaço de mim, tão perfeito, nasceu na perfeição do meu corpo e da minha capacidade de parir, exatamente na data prevista do parto (DPP), 15 de setembro.

Samuel nasceu sem nenhuma intervenção no parto, nasceu na posição que meu corpo pediu. Eu pari meu filho e nasci novamente. Mas esse parto sem intervenções, cheio de amor, sem pressões, cercado do apoio e segurança de que eu precisava, foi resultado de muita sorte. Sim! Afinal, eu estava em um hospital, graças à Deus, longe de algum médico viciado em procedimentos rotineiros, ou de uma equipe de enfermagem desrespeitosa, que poderia aproveitar-se do meu delírio e fazer uma “episio” desnecessária.

Com todas as informações que nos cerca, com todos os discursos de amor, de respeito e igualdade, o tempo ainda é dinheiro e esse se prevalece à vida. Talvez mais sortuda seja, aquela que pari, sem nenhum empoderamento, em algum hospital público ou particular, pari tão de pressa que não tem tempo de sofrer alguma violência obstétrica. Pari sem dar o espaço para dizer que o médico fez o seu parto.
Alegro-me e lastimo esta sorte, porque a experiência que tive deveria, por direito, ser minha, sem chance alguma de me ser roubada. É por isso que ao longo de toda a minha gestação, a dor do parto não fez parte dos meus medos. Meus medos se centralizavam na possibilidade viva de eu ser agredida num momento tão especial e único, que é a chegada de um filho.







Maíse Sousa Corrêa é Graduada em Ciências Sociais/Ênfase em Sociologia pela UFPA

11 de maio de 2016

Maternidade Ativa: Dia Das Mães especial em Porto Velho



Pela primeira vez em Rondônia, teremos a oportunidade de comemorar o Dia Das Mães de uma forma mais profunda, cheia de significados e discutindo maternidade ativa.

A equipe Bello Parto uniu-se ao Grupo Araripe, aos Carregadores de bebês Slingue SampaSling para proporcionar dias de puro deleite. Apoiam e patrocinam a ideia, ainda, o primeiro estúdio de Neopilates de Rondônia, Estúdio Mayara Tassi, a Clikids fotografia, a loja Alphabeto e o Instituto de Pós Graduação IPOG.  

Começou com uma aula de yoga para Gestantes com a Professora de yoga e Doula Helena Fernandes, que pode ser conferia aqui.

A programação está abaixo. Aproveite para não perder nenhum evento e o grande final será com um super desfile de mães com carregadores de bebês Slingue, no Porto Velho Shopping!

Vai lá, confere, e conta pra gente como foi!!!





11 de abril de 2016

Relato de parto da Mylka: parto normal hospitalar em Ji-Paraná


Foi através da recomendação de uma amiga, doula Talita Silveira, que eu tive acesso ao auxílio e incentivo da doula Layne Regina que pôde me acompanhar de perto e me instruir durante minha gestação, eu me informei e busquei todas as medidas que fossem melhores para mim e para Ísis no parto o que me abriu várias portas para isto, descobri que minha obstetra que me acompanhava desde o início da gestação era aberta ao parto humanizado e que no hospital havia uma sala especial para parto humanizado.

Na reta final da gravidez a ansiedade só aumentava, mas quanto mais o tempo passava a hora tão esperada parecia nunca chegar; a gestação toda correu bem, sem nenhuma doença ou risco, porém com 39 semanas comecei a ser "apressada" por muitos e muito pressionada. Ouvia diversas histórias de pessoas que perderam o bebê que passou da hora, bebê que entrou em sofrimento, diversas possibilidades de "dar errado"... meu objetivo de esperar a hora certa que eu havia conseguido manter até então estava sendo ameaçado.

O medo e desespero começaram a tomar conta de mim, também pelo fato de que a médica aberta ao parto humanizado ia viajar e a probabilidade de ser empurrada para uma cesariana por um obstetra substituto era grande. Então fomos para o hospital, a médica fez um toque para acelerar a decida do tampão mucoso, no outro dia ele saiu, então comecei a fazer exercícios e tomar chás com mais frequência para tentar entrar em trabalho de parto. 

Minha doula Layne Regina sempre me tranquilizando e dando dicas para que eu pudesse esperar a hora certa sem indução, mas a pressão das pessoas sobre mim só aumentava e com ela minha preocupação. Então um dia antes da viagem da obstetriz voltamos ao hospital e já fiquei internada às 13:00 horas. 

Foram usadas algumas intervenções durante a tarde e a noite para que o trabalho de parto ativo começasse...e nada! Passei a noite sentido algumas contrações e dores leves, fazendo exercícios. Amanheceu e às 7:00 horas e decidi fazer mais uma caminhada pelo corredor. Quando cheguei na porta a bolsa estourou! Imediatamente o trabalho de parto ativo começou. 

A médica veio fazer o toque e estava com apenas 4 cm de dilatação... e me perguntou se eu queria cesariana, eu disse: "Não, eu vou tentar ter normal!". Ela saiu para fazer uma cesariana e, alguns minutos, depois a dor foi ficando cada vez mais intensa e eu já comecei a pensar que não conseguiria, por estar com apenas 4 cm dilatados, pensava que duraria a tarde toda, então entrei em desespero! 

Pedi cesariana, a minha sorte é que a obstetra estava na cirurgia e então eu tive que esperar cerca de 45 minutos... quando ela veio, eu já estava com 8 cm dilatados! Então desisti da cesariana e começamos a batalha pela saída da Ísis. 

Eu já estava muito fraca, mas criei forças para conseguir...  ia pra banheira, pra cama, pro banquinho de cócoras, e isto ajudou muito. A Doula Layne e minha mãe sempre me amparando bem perto de mim e me dando forças, parecia que não ia conseguir, mas consegui! 

Às 11:24 a Ísis saiu, e MAIS UMA BATALHA COMEÇOU, ela saiu inconsciente, praticamente morta, a sala encheu com mais enfermeiras e duas pediatras, fizeram massagem cardíaca, aspiração pulmonar, massagem respiratória, perdi meu chão, mas não pensei nem um minuto que ia perder minha filha, não cogitava esta possibilidade nem vendo ela morta na minha frente! 

Enfim conseguiram reanimá-la, e me deram em meus braços, a sensação eu não posso explicar, mas posso dizer que foi a melhor que já senti na minha vida! Logo a levaram para os aparelhos e lá ela ficou por cerca de 35 horas; eu estava muito bem fisicamente, não tive nenhuma laceração grave, não levei nenhum ponto, me alimentava bem e não sentia dores, mas meu coração estava estraçalhado, era uma angústia inexplicável, eu ia lá ver ela por uma janela pequena e chorava tanto, a tristeza de ver ela ali mesmo sabendo que estava sendo bem cuidada, o desespero batia cada vez mais, mas após longas 35 horas ela veio para meus braços e pude cuidar de minha filha, após 4 dias de monitoramento recebemos alta, e minha anjinha está muito bem e saudável!

Foram muitas complicações, e o fato é que, se você opta por uma intervenção no parto você colherá as consequências dela e provavelmente terá que passar por outras intervenções para concertar a primeira. 

No meu caso não sei se teria dado certo esperar mais uma semana, mas cada caso é um caso. Tenho certeza que meu parto seria totalmente bem sucedido se fosse 100% humanizado, mas não pude prever tudo que aconteceria. Agora estou completa com minha filha em minha vida, sabe quando o coração transborda de amor? É assim que me sinto, agradeço a todos que me ajudaram a fazer possível este momento, minha doula dedicada e querida Layne Regina, minha preciosa mãe Lídia, e a atenciosa equipe do hospital.

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