16 de maio de 2016

Relato de Parto da Maíse: Parto normal na Maternidade de Porto Velho



Quando decidi que queria um parto normal e natural, confesso que nunca me amedrontei com os relatos da dor do parto, para mim isso era o de menos. Minha preocupação se dava pela possibilidade de parir em um hospital particular e com médico plantonista, o que aumentava as chances de intervenções desnecessárias no parto ou mesmo uma cesária. Isso me causava pânico, às vezes, até me aborrecia só em imaginar.

Desde o momento que confirmei a gravidez, tratei de procurar algum grupo de apoio ao parto humanizado e encontrei a equipe Bello Parto, naquele momento, Izabela Teixeira Melo, Sandra Schulz, Maiza e a doula Bibi, na cidade de Porto Velho-RO.

Graças à Deus minha gestação ocorreu em perfeita harmonia, minha DPP estava prevista para 15 de setembro, mas considerando as grandes chances de não ser nessa data, estava pronta desde as 37 semanas, todo dia era dia!

Na reta final, estava decidida a não ter o acompanhamento do meu médico, afinal seria eu quem iria parir, estava confiante no meu corpo, decidida a esperar até a 42ª semana de gestação, mesmo meu médico dizendo que se eu chegasse na 41ª ele iria induzir e, caso eu não aceitasse, ele não iria mais me assistir.

Meu marido ficou cambaleante, medo de pôr a vida do nosso filho em perigo, isso me tirou algumas noites de sono, mas como eu ainda tinha prazo resolvi não me atormentar com a possibilidade de indução ou ficar desassistida de médico.

Ao longo dos dias toda dorzinha podia ser sinal da chegada de Samuel Estava prestes a completar as 40 semanas, quando na madrugada do dia 14 de setembro, meu bebê mexeu tanto que fiquei até com medo dele ter mudado de posição, também senti algumas cólicas leves, e fui alertada de que eram os pródromos. Na manhã do mesmo dia, arrumei a casa, dei banho no gato, fiz o que pude para ocupar o tempo e a mente, no intuito de aliviar a ansiedade de ter em breve o meu filho no colo. Aproveitei a tarde para fazer a última aula de Pilates, fui a pé ao supermercado mesmo com recomendações para eu descansar - Eu deveria ter levado a sério essa recomendação (risos)!

Minha mãe tentou me alertar sobre a dor do parto, mas pensei: "Bem... Se for parecida a cólica menstrual, eu aguento"! Queria saber quem foi o ser humano que fez esse tipo de comparação? Me iludi nela! Mas vale lembrar que estou falando da minha experiência, cada mulher e cada filho é um parto, uma dor, uma história. Tanto, que nem gosto de começar meu relato de parto, dramatizando a dor. Penso ser desnecessário este enfoque.
Chegando à noite, as cólicas estavam no mesmo ritmo, mas já tinha a sensação de que eu iria terminar aquela semana com o baby no colo. Às 21:00h o tampão saiu, para felicidade da casa, a mamãe tratou logo de avisar a família no Pará. As cólicas, rapidamente se intensificaram, não dando espaço para eu me preparar psicologicamente (hahahahaha). Meu corpo reagiu à dor com vômitos. A água quente aliviou, a massagem ajudou e o amor me deu forças, na presença de minha mãe e do meu marido.
Durante esse tempo mantivermos contato com a equipe do Bello Parto e, às 2:00h do dia 15 de setembro, a enfermeira obstétrica, Sandra Schulz, veio em casa apenas para fazer avaliação e eu já estava com 6 cm de dilatação.
O Trabalho de parto estava evoluindo tão rápido que não daria tempo nem de esperar a doula para ajudar-me nos exercícios para alívio da dor, para completar as contrações eram tão próximas que eu esqueci de toda a preparação para este momento - ainda bem que Sandra me lembrava da respiração, o que ajudou muito - eu obedecia os comandos do meu corpo, ficando nas posições mais confortáveis para ele, ou seja, queria ficar de quatro a qualquer custo.

Fui para a maternidade municipal, em torno de 3 horas da madrugada, já estava com 9 cm de dilatação. Na reta final, já estava fora de mim, os intervalos entre cada contração me levava ao céu, sentia a cabeça do meu filho indo e voltando (coroando), olhava nos olhos da Sandra e sentia mais que confiança, sentia a força de que precisava, suas palavras me lembravam da minha capacidade de parir e a presença do meu marido, seu toque, sua força, me enchia de orgulho, para quem dizia que não conseguiria assistir ao parto, até participou!


O que dizer do Lívio, meu marido? Tenho orgulho e amor por este pai tão forte e corajoso que também estava nascendo naquele dia. Nos breves intervalos entre as contrações pensava comigo, que a Sandra mentia dizendo que não ia demorar muito para nascer, eu já estava no nível de dizer que eu não tinha mais força, que eu não iria conseguir, pedi uma anestesia (quando na verdade pedia à mim mesma uma episiotomia para “acelerar” o trabalho de parto (quanto delírio!!! hahahah), mas tinha algo que eu não pedia nem a mim mesma, a cesária! Afinal, estava mais que decidida no que era melhor pro meu filho, primeiramente, e no que também era melhor pra mim.

Ao longo de duas horas e meia, as contrações eram tão intensas que vivi o paradoxo do sentimento de fraqueza e de força, ali eu estava me tornando mãe, na materialidade da coisa. Na reta final para o nascimento do meu filho, senti a queimação mais de duas vezes, pensei mais uma vez que eu não daria conta, mas também pensava que em breve iria conhecer Samuel. Eu queria morder a cama de ferro, queria me jogar de cabeça no chão e acho que eu ia caindo de verdade, mas meu marido me segurou no momento do expulsivo.
No alívio da dor, às 05:19 horas, ouvi levemente o choro do meu filho. Com 3,300 kg e 48 cm, um pedaço de mim, tão perfeito, nasceu na perfeição do meu corpo e da minha capacidade de parir, exatamente na data prevista do parto (DPP), 15 de setembro.

Samuel nasceu sem nenhuma intervenção no parto, nasceu na posição que meu corpo pediu. Eu pari meu filho e nasci novamente. Mas esse parto sem intervenções, cheio de amor, sem pressões, cercado do apoio e segurança de que eu precisava, foi resultado de muita sorte. Sim! Afinal, eu estava em um hospital, graças à Deus, longe de algum médico viciado em procedimentos rotineiros, ou de uma equipe de enfermagem desrespeitosa, que poderia aproveitar-se do meu delírio e fazer uma “episio” desnecessária.

Com todas as informações que nos cerca, com todos os discursos de amor, de respeito e igualdade, o tempo ainda é dinheiro e esse se prevalece à vida. Talvez mais sortuda seja, aquela que pari, sem nenhum empoderamento, em algum hospital público ou particular, pari tão de pressa que não tem tempo de sofrer alguma violência obstétrica. Pari sem dar o espaço para dizer que o médico fez o seu parto.
Alegro-me e lastimo esta sorte, porque a experiência que tive deveria, por direito, ser minha, sem chance alguma de me ser roubada. É por isso que ao longo de toda a minha gestação, a dor do parto não fez parte dos meus medos. Meus medos se centralizavam na possibilidade viva de eu ser agredida num momento tão especial e único, que é a chegada de um filho.







Maíse Sousa Corrêa é Graduada em Ciências Sociais/Ênfase em Sociologia pela UFPA

11 de maio de 2016

Maternidade Ativa: Dia Das Mães especial em Porto Velho



Pela primeira vez em Rondônia, teremos a oportunidade de comemorar o Dia Das Mães de uma forma mais profunda, cheia de significados e discutindo maternidade ativa.

A equipe Bello Parto uniu-se ao Grupo Araripe, aos Carregadores de bebês Slingue SampaSling para proporcionar dias de puro deleite. Apoiam e patrocinam a ideia, ainda, o primeiro estúdio de Neopilates de Rondônia, Estúdio Mayara Tassi, a Clikids fotografia, a loja Alphabeto e o Instituto de Pós Graduação IPOG.  

Começou com uma aula de yoga para Gestantes com a Professora de yoga e Doula Helena Fernandes, que pode ser conferia aqui.

A programação está abaixo. Aproveite para não perder nenhum evento e o grande final será com um super desfile de mães com carregadores de bebês Slingue, no Porto Velho Shopping!

Vai lá, confere, e conta pra gente como foi!!!





11 de abril de 2016

Relato de parto da Mylka: parto normal hospitalar em Ji-Paraná


Foi através da recomendação de uma amiga, doula Talita Silveira, que eu tive acesso ao auxílio e incentivo da doula Layne Regina que pôde me acompanhar de perto e me instruir durante minha gestação, eu me informei e busquei todas as medidas que fossem melhores para mim e para Ísis no parto o que me abriu várias portas para isto, descobri que minha obstetra que me acompanhava desde o início da gestação era aberta ao parto humanizado e que no hospital havia uma sala especial para parto humanizado.

Na reta final da gravidez a ansiedade só aumentava, mas quanto mais o tempo passava a hora tão esperada parecia nunca chegar; a gestação toda correu bem, sem nenhuma doença ou risco, porém com 39 semanas comecei a ser "apressada" por muitos e muito pressionada. Ouvia diversas histórias de pessoas que perderam o bebê que passou da hora, bebê que entrou em sofrimento, diversas possibilidades de "dar errado"... meu objetivo de esperar a hora certa que eu havia conseguido manter até então estava sendo ameaçado.

O medo e desespero começaram a tomar conta de mim, também pelo fato de que a médica aberta ao parto humanizado ia viajar e a probabilidade de ser empurrada para uma cesariana por um obstetra substituto era grande. Então fomos para o hospital, a médica fez um toque para acelerar a decida do tampão mucoso, no outro dia ele saiu, então comecei a fazer exercícios e tomar chás com mais frequência para tentar entrar em trabalho de parto. 

Minha doula Layne Regina sempre me tranquilizando e dando dicas para que eu pudesse esperar a hora certa sem indução, mas a pressão das pessoas sobre mim só aumentava e com ela minha preocupação. Então um dia antes da viagem da obstetriz voltamos ao hospital e já fiquei internada às 13:00 horas. 

Foram usadas algumas intervenções durante a tarde e a noite para que o trabalho de parto ativo começasse...e nada! Passei a noite sentido algumas contrações e dores leves, fazendo exercícios. Amanheceu e às 7:00 horas e decidi fazer mais uma caminhada pelo corredor. Quando cheguei na porta a bolsa estourou! Imediatamente o trabalho de parto ativo começou. 

A médica veio fazer o toque e estava com apenas 4 cm de dilatação... e me perguntou se eu queria cesariana, eu disse: "Não, eu vou tentar ter normal!". Ela saiu para fazer uma cesariana e, alguns minutos, depois a dor foi ficando cada vez mais intensa e eu já comecei a pensar que não conseguiria, por estar com apenas 4 cm dilatados, pensava que duraria a tarde toda, então entrei em desespero! 

Pedi cesariana, a minha sorte é que a obstetra estava na cirurgia e então eu tive que esperar cerca de 45 minutos... quando ela veio, eu já estava com 8 cm dilatados! Então desisti da cesariana e começamos a batalha pela saída da Ísis. 

Eu já estava muito fraca, mas criei forças para conseguir...  ia pra banheira, pra cama, pro banquinho de cócoras, e isto ajudou muito. A Doula Layne e minha mãe sempre me amparando bem perto de mim e me dando forças, parecia que não ia conseguir, mas consegui! 

Às 11:24 a Ísis saiu, e MAIS UMA BATALHA COMEÇOU, ela saiu inconsciente, praticamente morta, a sala encheu com mais enfermeiras e duas pediatras, fizeram massagem cardíaca, aspiração pulmonar, massagem respiratória, perdi meu chão, mas não pensei nem um minuto que ia perder minha filha, não cogitava esta possibilidade nem vendo ela morta na minha frente! 

Enfim conseguiram reanimá-la, e me deram em meus braços, a sensação eu não posso explicar, mas posso dizer que foi a melhor que já senti na minha vida! Logo a levaram para os aparelhos e lá ela ficou por cerca de 35 horas; eu estava muito bem fisicamente, não tive nenhuma laceração grave, não levei nenhum ponto, me alimentava bem e não sentia dores, mas meu coração estava estraçalhado, era uma angústia inexplicável, eu ia lá ver ela por uma janela pequena e chorava tanto, a tristeza de ver ela ali mesmo sabendo que estava sendo bem cuidada, o desespero batia cada vez mais, mas após longas 35 horas ela veio para meus braços e pude cuidar de minha filha, após 4 dias de monitoramento recebemos alta, e minha anjinha está muito bem e saudável!

Foram muitas complicações, e o fato é que, se você opta por uma intervenção no parto você colherá as consequências dela e provavelmente terá que passar por outras intervenções para concertar a primeira. 

No meu caso não sei se teria dado certo esperar mais uma semana, mas cada caso é um caso. Tenho certeza que meu parto seria totalmente bem sucedido se fosse 100% humanizado, mas não pude prever tudo que aconteceria. Agora estou completa com minha filha em minha vida, sabe quando o coração transborda de amor? É assim que me sinto, agradeço a todos que me ajudaram a fazer possível este momento, minha doula dedicada e querida Layne Regina, minha preciosa mãe Lídia, e a atenciosa equipe do hospital.

11 de fevereiro de 2016

Relato de parto da Sheila: parto normal hospitalar em Ji-Paraná


Olá, me chamo Sheila, tenho 23 anos.

Pedro Davi é literalmente um presente de Deus, pois tive problemas de saúde e, para ter um bebê, precisaria fazer um tratamento. Com 15 dias que iniciei este tratamento, descobri o presente lindo. Foi um milagre, eu não esperava, não planejava, mais eu já amava incondicionalmente.

O período de gravidez foi bem turbulento pois, no início, a gravidez era considerada de risco. Pais de primeira viagem, hormônios à flor da pele... o que resultou em um divorcio dias antes do Pedrinho vir ao mundo.

Comecei com um GO cesarianista nato: eu tinha duvidas sobre os tipos de partos, perguntava e ele só dizia: "no 8º mês discutimos isso, não se preocupe". Isso foi me apavorando. Conversei com o pai do meu filho e decidimos mudar de obstetra. Foi onde conheci uma pessoa maravilhosa, a Dra Adélia. Parecia que nos conhecíamos a anos. Então, durante os 6 últimos meses de acompanhamento com ela, fui me apaixonando pelo parto humanizado.

A partir das 37 semanas, a ansiedade estava me matando... todo dia achava que ia nascer rsrsrs

Sozinha em casa, os dias e noites não passavam. Tiravam minhas duvidas com amigas e uma dizia: "Quando você acordar com uma super disposição, é o dia que vai nascer!". Eu ria e dizia: "Pedrinho vai ficar pra sempre na minha barriga rsrsrsrs". Outra dizia que quando eu me sentisse muito cansada era o dia! Minha cabeça ficava mais confusa ainda.

Então chegou o dia 30 de Novembro de 2015. Acordei com a preguiça de sempre (rsrsrs), sem dor nenhuma. Era uma manhã até então normal... almocei.... dormi.... Acordei e, por volta das 15 horas, resolvi colocar uns enfeites de natal na porta de casa e assim fiz. Sobe e desce da cadeira, até que terminei e me senti cansada, muuuito cansada. Resolvi deitar no sofá e percebi que a barriga ficava “dura” e voltava, e assim ficava a cada 10min; Achei diferente e então chamei uma amiga que me incentivou sempre ao parto normal, a Sandra, chamei ela no whatsApp, expliquei o que eu sentia, ela me perguntou se tinha algum sangramento, perda de liquido, ou corrimento, e não tinha nada, ai ela me disse: provavelmente ele nasça daqui uns dois dias, isso foi como um balde de água fria rsrsrsrs. Então ela mandou eu fazer exercícios na bola, isso era 05:30 da tarde. Fui então pra bola. Meu humor tinha ficado azedo rsrsrs, me irritei e disse que não queria fazer exercícios, então a Sandra falou pra ir pro chuveiro, meia hora na água quente e surgiu então aquelas dores chatas rsrs, corri e contei pra ela, eufórica, eu sentia que ia nascer, então ela pediu pra eu avisar a médica, mas resolvi esperar um pouco, pois aquela dor parecia mais vontade de fazer o numero 2, do que contração (mãe de primeira viagem, não sabia o que era dor de contração rsrs), sentei no vaso por 15 min e nada, então voltei para o chuveiro, mandei uma mensagem para minha mãe, pedindo para que fizesse uma sopinha (mais não contei das dores, pois era mais apavorada que eu rsrsrs), no meio do banho, escuto meu pai saindo de carro, fiquei desesperada, e se o bebe fosse nascer, como ia para o hospital? Respirei fundo, continuei no banho, terminei, fui até a casa da minha mãe, e adivinhem? Ela também estava de saída, fingi que não sentia nada, a dor era fraquinha, e como o bebe tava previsto pra depois do dia 02, me acalmei, tomei a sopa, quando levantei, veio uma dor mais forte, abaixei de cócoras e ela passou, como meus pais tinham saído, resolvi falar com a médica. As contrações vinham em um intervalo de 4 minutos e duravam, 30 seg. Ela pediu para eu ir no hospital, isso era por volta das 20:00 horas. Chamei o pai do bebe no whats, expliquei a situação e pedi que me levasse ao hospital, (se tivesse ido com os bombeiros, tinham me assustado menos rsrsrs), fomos voando para o hospital, pisca alerta ligado, velocidade lá em cima, emoções transbordando, não sabia o que pensar, falar, só respirava fundo para aquela dor passar.

Cheguei no hospital, as contrações vinham a cada 3 minutos e duravam 30 segundos... aquela dorzinha irritante, pelo intervalo delas, imaginei que já estava com uns 7 centímetros de dilatação hahahha!!!

A médica fez o “delicioso” toque, olhou para mim, sorriu e disse: Você está de 1 pra 2 cm de dilatação. Foi um balde de água fria rsrs. Ela então me deu a opção de ir pra casa e voltar depois ou me internar, antes que respondesse, o ansioso papai respondeu que ficaria ali mesmo, e assim fiz (não tava com paciência pra discutir)... liguei para minha mommy e ela ficou eufórica por saber que o primeiro neto estava a caminho.


Fomos para a sala de parto, eu, papai e vovó paterna, assim que entramos, chegou minha mãe e minha melhor amiga (estavam no meu plano de parto). Acabou que todos (papai, vovós e titia), assistiram o parto, entre uma contração aqui e outra ali, bebia água, bebia suco, exercícios na bola, barra, banquinho, nada da bolsa estourar, mais as dores ainda estavam suportáveis. Quando foi 01:37 da madrugada, veio uma contração, abaixei no banquinho, e senti um “plock”, olhei para baixo, e senti aquele delicioso liquido quente, chamei o papai e disse calmamente: Acho que minha bolsa estourou! A reação dele foi como se tivesse dito: "O bebe nasceu rsrsrs". Ele saiu apavorado chamando a enfermeira, enquanto isso aquela "dorzinha chata", se tornou uma dorzinha incômoda. Chegou o médico plantonista, já colocando aquela luvinha, olhei pra ele um pouco irritada e perguntei se era necessário esse toque e, obviamente era. Pelas dores pensei: agora sim, 7cm ! Ele fez o toque, e disse: Colo ainda grosso e você esta de 4 para 5cm , eu quis chorar, e dizer que ele tava mentindo, mais respirei fundo e disse: Essa dor ainda esta a suportável, eu aguento!
Uma enfermeira (não me lembro o nome), muito carinhosa, disse pra eu usar o chuveiro, para aliviar a dor (nessa hora, eu nem lembrava do chuveiro, só queria ver o rosto do bebê). Então, fui para o chuveiro, meu ex marido sempre prestativo, caindo de sono, e estava lá do lado, pegando isso ou aquilo, segurando minha mão, minha amiga e minha mãe revezavam ao lado dele. O chuveiro foi um presente de Deus hahaha Quanto alivio!

Por volta das 03:30 horas, eu me sentia cansada... olhei para o pai do bebê e disse: Estou cansada, não vou conseguir! (eu já estava chorando), não era a dor, era o cansaço, o sono, estava exausta. Ele então me abraçou e disse: "Você vai conseguir, eu estou aqui, segura minha mão, você é forte!". Respirei fundo e veio mais uma... cada contração, eu só lembrava do que me dizia a Sandra, minha amiga: "Sempre pensa, menos uma, menos uma!" E assim foi!

A médica chegou, fez um toque e disse: "7 centímetros de dilatação, por volta das cinco e meia, Pedrinho está aqui". Me senti mais confiante... agora eu já tinha mais ou menos um horário, até esqueci que era no tempo do Pedrinho e não no nosso rsrsrs. Então ela voltou para a sala dela e disse que qualquer coisa que eu precisasse era pra chamá-la, olhei para ela sorri e me lembrei que na penúltima consulta eu disse que não iria ficar chamando ela toda hora, que iria querer ficar sozinha rsrs, e assim foi... não chamei, dor vinha, dor ia... mas não sentia que tava chegando. Chegou outra enfermeira, encheu a banheira e disse: quando vir a contração faz força, aquela de ir ao banheiro (se eu visse ela hoje, dava uns puxões de cabelos por ter dito isso), como imaginei que o neném já estava nascendo, cada contração fazia força, mais ainda não era o momento do expulsivo... fiquei exausta! Por volta das seis da manhã, chamei a enfermeira e disse: "Me dá uma injeção de força, anestesia, cesárea, qualquer coisa, mais tira o bebê!" (Acho que falei num tom meio DESESPERADO). Como havia pedido no plano de parto nenhuma intervenção, ela correu e chamou a médica. Vem ela correndo rsrsrs, segurou a minha mão e disse calmamente: "Calma! Lembra de toda nossa teoria, agora é colocar em prática, mantenha o foco, trabalhe seu psicológico". Olhei para ela e disse: "mas não é a dor, eu aguento mais, mas não tenho forças pra fazer forças, estou exausta!"

Então ela fez mais um toque, balançou a cabeça e disse: "Não dá tempo, ele está vindo!"

Força, nas contrações mas, se não sentir vontade de fazer força, não faça. Faça apenas quando sentir vontade. E assim foi... algumas contrações eu dormia, outras fazia força... a médica foi fazer uma cesárea, e continuei descansando e fazendo força. Às 06:30 horas, apontou a linda cabecinha do meu príncipe, com uma mão eu segurava no pai do bebê e, com a outra, segurava a mão da minha melhor amiga (quase quebrei) rsrs, e faz força aqui e ali. Já era o momento do expulsivo e não via mais nada, não ouvia e não falava, só queria fazer força. Eu senti o corpo pegar fogo, e então saiu a cabeça! Papai, titia e vovós começaram a chorar, e eu achava que não iria conseguir, me lembro de ouvir a médica dizer: só mais um, Sheila, vamos, Pedro está quase aqui!

Fechei os olhos novamente, fiz força... e então chegou ao mundo meu bebe... a sensação foi estranha, me senti roubada, vazia, quando a pediatra o pegou, chorava tão lindo, de imediato ela colocou no meu colo, e ele calou, e me olhava com aqueles olhinhos espertos, parecia que queria dizer: Estou aqui mamãe, pra te amar muito!

Meus olhos se encheram de lagrimas, e ele não tirava os olhos de mim, foi a maior emoção da minha vida, um amor inexplicável, nunca imaginei que caberia tanto amor em uma só sala, todos chorando, papai, titia, vovós, as enfermeiras me parabenizando, e eu só queria ficar ali quietinha com meu príncipe no colo até o cordão parar de pulsar... ele trocou olhares com o papai, o papai chorava tanto que achei que não conseguiria cortar o cordão rsrsrs.
E assim foi o meu parto, lindo, “rápido”, humanizado e cheio de amor... não me arrependi, faria tudo de novo. Pedro Davi chegou ao mundo no dia 01 de Dezembro às 06:42 horas, com 48 centímetros e 3.110 quilos. Hoje minha vida tem sentido, cor, amor.

Meu filho, meu tudo.






30 de novembro de 2015

Relato de parto da Bárbara: parto normal hospitalar em Vilhena

E tem história de parto de Vilhena! Conheci a Bárbara quando ela estava na metade da gestação, ainda cheia de dúvidas sobre onde parir... devagarzinho ela foi plantando sementes de apoio, auto-confiança e fé nos processos naturais do próprio corpo para, enfim, conseguir o parto que sonhava, ou melhor, parece que saiu até muito melhor do que ela imaginava!!! Um furacão de mulher, com vinte e poucos anos...


"Escolhi essas fotos menos glamourosas pra ilustrar a realidade do meu Parto. Não posso afirmar que o parto de todas as mulheres seja assim totalmente sem glamour mas o meu foi e com meu relato quero demonstrar um pouquinho de tudo que senti aquele dia 30 de setembro de 2015.

Tudo começou dia 19 de setembro quando meu marido chegou na Bolívia pra esperar que nosso filho nascesse. Eu estava em época de provas e acreditávamos que o bebê nasceria lá... passou 1 semana e nenhum sinal de trabalho de parto ativo. Minha ultima prova seria dia 28 de setembro e decidimos que se não nascesse até esse dia, íamos viajar pra Vilhena.

Chegou dia 28, fomos à consulta. Chegando lá, explicamos para a médica a nossa vontade de viajar. Descobri que eu já estava com 2 a 3 cm de dilatação e ela foi bem clara: "se forem viajar, viagem hoje, essa semana seu bebê deve nascer!". Detalhe: nossa viagem era de ônibus, uma viagem nada confortável e duraria de 26 a 30 horas. Decidimos encarar e viajamos. Saí da Bolívia dia 28 as 20:00 horas e cheguei em Vilhena dia 29 as 21:30 aproximadamente. Fomos descansar e às 5 da manhã do dia 30 de setembro, acordei sentindo umas cólicas diferentes, muito leves. Fiquei na dúvida, mas eu sentia que era diferente de tudo que já tinha sentido. Comentei com meu marido e decidimos ir ao hospital às 7:00 da manhã.

Chegando lá tinham muitas mulheres na fila e decidimos ir tomar café e resolver umas coisas na rua. Voltamos para o hospital umas 11:00, fui atendida e a enfermeira disse que eu estava com 4 cm de dilatação, mas que meu colo estava ainda posterior e grosso. Pediu que eu voltasse às 14:00 horas.

Fui pra casa, almocei bem pouco pois estava muito ansiosa e sem apetite. Fui ao mercado com minha sogra, sentia que as contrações estavam progredindo e as dores aumentando aos poucos mas ainda era leve demais. Voltei pra casa, tomei um banho, preparei as coisas que levaria pra maternidade e decidi ir ao salão fiz as unhas e até uma escova! Eu queria me sentir bonita para a grande hora... mas mal sabia o que me esperava!

Eu sabia que estava em trabalho de parto mas estava achando tudo muito tranquilo. Às 16:00 horas, voltei ao hospital já com cólicas mais fortes. O médico fez o toque e eu estava com 5 cm de dilatação, o colo estava mais fino e, como a dor era suportável, decidi voltar pra casa. O médico pediu para voltar às 19:00 horas.

No caminho até o carro senti que as dores estavam bem mais fortes e as contrações com menos intervalo. A dor apertou! Chegando em casa me tranquei no quarto sozinha, gritava de dor, me ajoelhava no chão, pedia socorro a Deus, fazia agachamentos, queria xingar, comecei me contorcer de dor e finalmente tinha a certeza: É HOJE!!!

Comecei olhar o relógio e perceber que o tempo não passava e tomar consciência que eu iria sofrer bastante de dor até a hora do período expulsivo. Às 6:00 decidi ir tomar mais um banho quente, fiquei jogada no chão do banheiro chorando de dor... saí do banho, coloquei a roupa e as 6:30 decidi que queria ir pro hospital... Já entrei no Hospital Regional de Vilhena com muita, muita dor... quando o médico fez o toque, eu estava com 6 cm de dilatação. Decidi que queria ficar... entramos eu e meu marido, as enfermeiras nos ensinaram alguns exercícios, ensinaram as massagens para o meu marido fazer em mim, pra aliviar as dores também... minhas dores eram tão fortes que eu não conseguia me movimentar muito, fiz alguns agachamentos, alguns exercícios na bola, vomiteiii de dor e tudo que eu queria era ficar jogada no chão, ou sentava no vaso sanitário.

Às 19:30 horas, aproximadamente, eu não tinha mais forças, só queria ficar deitada e tinha muito sono, mas não conseguia dormir e cada vez mais as cólicas vinham mais fortes... vomitei mais umas 2 ou 3 vezes, então o médico ofereceu colocar glicose na veia pra eu recuperar forças e eu aceitei. Com 10 minutos eu já estava mais forte, consegui sair da cama, decidi tomar uma ducha, intercalava com o vaso sanitário e o chão. Em determinado momento minha dor era tanta que eu não tive forças pra ir ao banheiro e fiz xixi no chão mesmo, meu marido tava todo tempo do meu lado me dando muito apoio, comecei a perder energia novamente e então recebi mais uma bolsa de glicose.

Por volta das 20:30 eu já estava de 8 a 9 cm de dilatação, lembro que voltei pra cama e não queria mais levantar meu marido fazia massagens nas minhas costas pra aliviar minhas dores, eu não conseguia falar, eu não queria conversar, as dores eram cada vez mais fortes e eu tinha cada vez menos tempo pra descansar porque as contrações vinham em intervalos curtos. Lá pelas 21:00 horas, eu ainda estava com bolsa integra e chegando aos 10 cm de dilatação, eu não aguentava mais, eu implorava a Deus descanso, eu queria dormir, ter um tempo e só depois voltar a sentir dor, mas não é assim que funciona! Uma enfermeira apareceu, conversou comigo, pediu pra eu ser forte, e perguntou se eu queria que ela estourasse a bolsa pra acelerar o processo, conversei com meu marido e decidi aceitar. Lembro que eu voltei a gritar bem forte de dor e ao mesmo tempo sentia estar perdendo as forças. Umas 21:20, o médico perguntou se eu aceitava ocitocina pra acelerar um pouco mais, pois eu estava muito fraca e eu aceitei pois naquele momento tudo que eu queria era acabar com a minha dor, lembro que colocaram na minha glicose e poucos minutos depois toda a equipe correu pra sala de pré parto! O médico um toque, disse que já estava sentindo a cabecinha do bebê, perguntou se eu queria ir pra sala de parto e eu implorava pra não ir, eu não queria sair do lugar, a dor me imobilizava, então ele aceitou que seria ali mesmo na cama, afastou ela da parede e percebi que toda equipe ficou acelerada, colocaram luvas, médico preparou o campo estéril na cama, colocou o jaleco cirúrgico, a equipe me ensinou como fazer forças, meu marido se posicionou perto da minha cabeça, fazia carinho, segurava minha mão, a equipe toda me dava apoio, o médico me mandava fazer força de fazer cocô, até hoje eu tenho dúvida se não saiu um cocôzinho na hora kkkkkkkk!!!

O médico também chamava: VEMMMMM BEIJOCA, VEMMMMM BEIJOCA (apelido que deu ao meu Filho Benjamin) Lembro que ele narrou o parto, tá vindo a cabecinha, saiu a cabecinha, saiu o ombrinho... acredito que com umas 6 forças o Benjamin veio ao mundo, às 21:38 do dia 30 de setembro.

O período expulsivo foi a melhor parte, a que menos doeu, só lembro da força que tive que fazer e dele saindo... Foi gostoso, ele nasceu e veio pros meus braços, não teve episiotomia e nem laceração, a equipe toda foi maravilhosa, sem a equipe e sem o apoio do meu marido eu não sei se conseguiria, eu considero que meu parto foi humanizado, fui respeitada em todos os momentos, tudo que foi feito foi permitido por mim, me senti abraçada pela equipe, minhas expectativas foram supridas em todos os quesitos, foi de Deus tudo que aconteceu naquele dia.

Obrigada a todos os profissionais que participaram desse momento tão especial na minha vida!"



Foto: Bárbara Nicole e seu Benjamim


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