4 de novembro de 2017

Relato de parto da Daieny: parto normal hospitalar em Porto Velho com doula



Eu sou a Daieny Bisinella e sempre tive um grande desejo de ser mãe, desde a infância. Quero ser a melhor mãe possível e isso inclui o parto também. Meu relato é grande! Mas a empreitada também foi... e tudo valeu a pena! ❤️❤️

Quando descobri que estava grávida fiquei atônita. Não acreditei que havia chegado o momento que sempre esperei, o momento tão sonhado. Sabia que dali pra frente começaria a grande aventura de ser mãe.

Passado o primeiro impacto, fui à obstetra para dar início ao pré-natal. Desde essa primeira consulta, meu marido, Bruno, sempre esteve junto. Na segunda consulta, comecei o assunto sobre meu desejo de ter parto normal, pois na minha cabeça sempre foi natural a ideia de que meu(s) parto(s) seria(m) normal(is).

Bom, prontamente a GO que me acompanhava disse que realizava sim e era super a favor, mas seria normal SE eu estivesse bem até lá e que eu não fizesse terror de cesárea, porque hoje em dia ela era ótima, TÃO boa quanto o normal, ela mesma teve cesárea e voltou a trabalhar após 7 dias!!!!! E isso, na opinião dela, era maravilhoso. Saí de lá com o alerta laranja ligado!

Depois disso, as próximas consultas, foram, no mínimo, negligentes, ao ponto de eu ter ficado sem consulta do quarto mês e recorrer à maternidade municipal para não ficar sem o acompanhamento adequado. Nesse período, eu já havia me informado melhor sobre gestação e parto.


No começo, as pessoas me perguntavam se realmente eu tinha coragem para me submeter a um parto normal, e o comentário clichê se repetia abundantemente: "Nossa! Como você é corajosa!". Confesso que esses pouco me abalavam, porque eu tinha muito mais medo de uma cirurgia do que da dor que todos falavam do parto normal.

Mas comecei alucinadamente a me informar e ler e pesquisar sobre parto. Uma grande amiga serviu de inspiração, pois além de me incentivar, me dar dicas sobre a importância do empoderamento da mulher, teve um parto normal humanizado após uma cesárea. Então busquei! O começo foi assistir os documentários "O Renascimento do Parto" e "Violência Obstétrica".


O primeiro me mostrou como um parto poderia ser lindo e o segundo o como poderia ser horrível. Meu marido assistiu comigo os dois, sempre achei que deveria envolvê-lo, pois com ele ao meu lado tudo seria mais fácil e, afinal, foi pra isso que nos casamos, para ficarmos unidos, principalmente nos grandes momentos.

Participamos de rodas de conversa e orientação sobre parto, conhecemos e conversamos com doulas e descobrimos o parto domiciliar, o qual criou raízes no meu coração, pois enxerguei nele a forma mais adequada de uma mulher parir e a maneira de fugir dos profissionais desumanizados do sistema.

Foi aí que decidi mudar de GO. O meu marido mesmo falava que a que eu estava ia me induzir a uma "desnecesárea". Então fomos para o segundo GO, o qual era referência em parto normal na cidade, mas confesso que, desde a primeira consulta, coisas me deram sinais de que ele não era tudo isso que falavam, mas era o que conhecia de melhor.

Comecei nessa época, por volta de 27 semanas, a fazer fisioterapia obstétrica, com a Camila Patriota Ferreira: uma maravilha! Foi de várias maneiras importante para a construção do meu empoderamento.

O tempo passava e eu me informava e aprendia cada vez mais e aumentava a minha confiança em mim mesma. Foi quando, com cerca de 32 semanas, veio a notícia de que eu não poderia parir em casa, pois, por motivos alheios a minha gestação, a empresa que realiza o parto em casa não poderia me atender. No começo tive medo. Sabia o que acontecia a muitas mulheres nos hospitais. Mas então aceitei essa mudança como parte da história da minha gestação e do meu processo de nascer como mãe, e passei a tomar as providências que eu podia para assegurar que minha filha viesse ao mundo da melhor maneira.

No sétimo mês de gestação mudei novamente de GO, por indicação. Foi ótimo, me senti mais segura. Por fim, resolvi procurar também um pediatra que fosse humanizado para acompanhar o parto.
Do oitavo mês em diante, eu já estava me sentindo completamente confiante com relação a parir. Sabia, no meu íntimo, que pariria minha filha em qualquer lugar e com qualquer profissional que fosse acompanhando. Eu tinha o poder de parir e isso não dependia de mais ninguém. Eu gostaria que tudo fosse o mais harmônico e suave possível, mas eu tinha plena convicção da minha capacidade, entendi, então, o que era o famoso "empoderamento da mulher".

Com 38 semanas e tudo ótimo, sabia que dali em diante qualquer hora poderia ser a hora, porém sempre me esforcei para controlar a ansiedade. E chegou a DPP, 24/06 e nada. Fiquei com receio, mas ainda restavam duas semanas para esperar. Quando cheguei a 41 semanas, meu receio aumentou ainda mais, pois não queria me submeter a uma cirurgia, além de ter muita vontade de viver a experiência de parir e sentir trazer minha filha ao mundo. Entretanto, também me esforçava para me preparar psicologicamente para uma possível real indicação de cesárea ou indução.

Eis que após duas semanas de pródromos, muitos alarmes falsos e muita expectativa, às 2hs da madrugada do dia 03/07/17, começo a sentir contrações. Esperei pra ver se elas cederiam e após algum tempo avisei as doulas. Eu duvidava, mas a Talita Silveira Santana, doula, parece que sentiu que a hora havia chegado, e mesmo eu dizendo pra aguardar para termos certeza, ela se pôs a caminho da minha casa e quando eu avisei que achava que ela deveria vir mesmo, ela já estava na minha porta.

Na primeira hora de contrações eu ainda duvidava de que fosse trabalho de parto, tinha receio de que elas passassem. Mas quando percebi que era de verdade, me alegrei e senti muita gratidão, tinha muita confiança que dali em diante tudo daria certo. O Bruno logo colocou as malas no carro e deixou tudo certo para nossa saída para o hospital e depois de algum tempo foi dormir para poder ficar bem durante o dia.

Foi a madrugada mais maravilhosa da minha vida, tudo muito natural, tranquilo. Passei quase todo o tempo sentada na bola, fazendo os movimentos para relaxar entre uma contratação e outra e os exercícios pra TP que aprendi na fisioterapia. A Talita esquentava uma bolsa de sementes e fazia compressas na minha lombar e pelve, e durante cada contração eu vocalizava e relaxava meu corpo, para que ele pudesse trazer minha filha a esse mundo. Conscientemente eu vivia cada contração com amor e alegria desse trabalho de parto tão desejado. Por volta de 5:30h resolvi comer algo, pois queria ficar preparada para um possível TP demorado, então pensei que seria melhor manter minhas energias carregadas.

Por volta de 6:30h o Bruno acordou. Eu estava na sala, apoiada no sofá, tirando cochilos entre uma contração e outra, por conselho da Talita (e eu cochilei mesmo!) Esperai até 7h para ligar e avisar a família que a Maria Clara estava a caminho. Depois disso, após a insistência da Talita, fui para o chuveiro quente com a bola (eu enxergava na água quente a minha maior cartada contra as dores das contrações, e como sentia pouca dor, resistia a ir para o chuveiro pois achava que ainda ia piorar muito. Mas a Talita conseguiu me convencer quando me lembrou que a água quente apressava a dilatação).

Daí em diante, logo entrei na partolândia e foi lindo. O Bruno veio ficar comigo, Talita apagou a luz, colocou um aromatizador, acendeu uma vela e nos deixou a sós. Conversávamos como dois amigos, dois namorados, e foi nosso último momento de casal antes da nossa filha. A minha impressão é de que já havia se passado muito tempo, as contrações começaram a ficar mais intensas e mais próximas.

Avisamos o GO, que disse que em breve iria a nossa casa para me avaliar. Porém, depois de pouco tempo, a Talita avisou que não havia mais tempo pra esperar, já que as contrações estavam muito próximas e que deveríamos ir até o GO logo. Eu resisti a sair do chuveiro. Estava imersa naquele momento, mas cedi e avisei, enquanto me vestia, que se eles não queriam que ela nascesse em casa, eles deveriam se apressar. Senti que minha filha estava chegando.

Entramos no carro e fomos para o hospital, vocalizei em cada contração e me agarrava ao ombro do Bruno, ele era tudo que eu queria, tudo que eu procurava naquela hora. Quando chegamos, da entrada até o consultório do GO tive duas contrações na recepção e já estava sangrando. Após a avaliação, o GO informa que eu estou com dilatação total e que, de agora em diante, deveria mudar meu padrão de respiração para fazer força.

Lembrei da fisioterapia e de como fazer a força no expulsivo. Cheguei no quarto e assim que vi a escadinha de subir na maca, instintivamente me agarrei a ela e fiquei em 4 apoios, ninguém me tirava mais dali. Bruno correu no carro para buscar a bola e o tapete de EVA, o qual foi colocado sob meus joelhos. Mandei que apagassem a luz. Daí em diante eu não vi mais nada, só Bruno do meu lado esquerdo, cuja mão eu segurei quase o tempo todo, e a Talita, que estava do outro lado e me encorajava quando eu pedia e socorro.

Após algumas contrações senti que precisava mudar de posição para que minha filha pudesse sair, então estiquei a parte de baixo das pernas e na próxima contração senti o círculo de fogo, logo após o que a cabeça da Maria Clara saiu, juntamente com um braço, na mesma posição que sempre esteve durante a gestação.

A contração passou... eu respirei... esperei... e logo veio mais uma contração e com a pouca força que eu fiz, ela nasceu! Chorou imediatamente, um choro lindo. Bruno a pegou, eu me sentei e encostei na parede e pedi minha filha. Ela veio pro meu colo, olhei-a sem acreditar. Choramos juntos, eu e Bruno, sem palavras pra expressar.



Tudo foi ótimo. Nem ela, nem eu, passamos por qualquer procedimento desnecessário: não houve corte prematuro do cordão umbilical, não foi aplicado nitrato de prata, não houve episiotomia e, ao final de tudo, períneo íntegro. Em todos os momentos ela ficou comigo ou com o pai, onde deveria ficar.

Nisso, minha noção de tempo estava completamente alterada mas, descobri depois, que chegamos ao hospital às 9:15h e a Maria Clara nasceu às 10:10h. Tudo foi muito rápido. Todos os profissionais que estiveram envolvidos foram muito respeitosos e humanizados. Me senti absolutamente dona do meu corpo e feliz por conseguir que minha filha chegasse a esse mundo com amor e respeito, no tempo dela, do jeito dela. Agradeço a Deus por essa oportunidade, ao meu marido e companheiro, Bruno, ao nosso obstetra, ao nosso pediatra e à doula querida, Talita.

Amei meu parto e foi a coisa mais forte e mais intensa que eu já vivi em minha vida, trouxe um amor que eu só imaginava que existisse.




19 de outubro de 2017

Relato de parto da Vanessa: parto na água em Ji-Paraná




Meu sonho de ter um parto natural estava engavetado desde a minha primeira gestação, onde meu desejo de parir não foi suficiente para vencer o sistema e acabei numa cesariana de indicação duvidosa após a ruptura espontânea da bolsa, com 37 semanas e 5 dias de gestação. Porém, a maternidade tem um poder curador e, quando me entreguei a ela, aos poucos, a frustração pela via de nascimento foi perdendo lugar para as inúmeras delícias de criar e amar um filho.

Quando nosso primogênito, Levi, estava com 1 ano e 7 meses, descobrimos que uma nova vida estava por vir. Foi uma grande surpresa, mas eu não imaginava que o “positivo” traria outras surpresas.

Tivemos algumas complicações de início. Sofri um atropelamento, tive descolamento do saco gestacional e sofri com os resultados de alguns laudos precipitados de ultrassonografias. Tinha muito medo de perder minha filha ou de ter um parto prematuro. Quando estava com 29 semanas fui convidada a participar de um grupo virtual de apoio ao parto humanizado e lá descobri que poderia sonhar de novo com um parto natural, mesmo após uma cesárea. Através desse grupo cheguei ao blog “Parto em Rondônia” e os relatos de parto que encontrei me encorajaram a lutar pelo vbac (do inglês 'Vaginal Birth After Cesarean' parto normal após cesárea).

Conversei com meu esposo, Anderson, que passou a sonhar junto comigo e concordamos que se tudo corresse bem na gestação, iríamos receber nossa filha da forma mais natural possível. Li tudo o que podia sobre o assunto, busquei apoio nas redes sociais, encontramos pessoas maravilhosas para nos ajudar. Minha xará Vanessa Rolim nos emprestou o filme “O Renascimentodo Parto”, que teve um grande impacto sobre nós.

Toda essa preparação foi dissipando os medos relacionados à gestação e eu passei a finalmente curtir o momento. Conhecemos nossa doula, Jeiéli Laís Borges, que passou a nos auxiliar em nossa jornada. Com 33 semanas de gestação, dei o grande passo: mudar de obstetra, pois sabia que essa era uma decisão essencial. Já na primeira consulta com a Dra. Adélia Pompeu ficou claro que a cesariana anterior não seria um impedimento. Algumas semanas depois, derrubados os medos levantados pelas ultrassonografias anteriores, confirmamos que estava tudo muito bem com a gestação e que o parto natural seria totalmente possível.

Comecei a fazer pilates com a linda Cristiely Oliveira Ecairo, que hoje se tornou uma amiga querida. Passei a fazer caminhadas com meu filho mais velho e segui normalmente a rotina de casa e trabalho. Eu e meu esposo continuamos nos preparando e fizemos nosso Plano de Parto.

No dia 16/07/2015 completamos 40 semanas e eu comemorei 31 anos de vida. Nervos à flor da pele, lágrimas escorrendo à toa e milhares de perguntas sobre “quando ela iria nascer”. A ansiedade das pessoas ao meu redor se tornou a minha ansiedade. Foi aí que minha doula teve uma ideia brilhante: a despedida da barriga. Marcamos para ela vir no sábado seguinte e aquilo me deu um novo ar e uma tranquilizada. Aproveitei para escrever uma carta de despedida para a barriga, avisando à minha pequena que já estava tudo pronto e que ela podia vir. “O amor está tão perto mas só no tempo certo vai chegar” (Música Escolhi te esperar – Marcela Taís).

Dra. Adélia havia feito o exame de toque pela primeira vez na consulta de 40 semanas e mencionou sua expectativa de que nossa princesa poderia chegar no final de semana seguinte. Deixamos uma consulta marcada para segunda-feira, dia 20/07, para reavaliar um pouco antes das 41 semanas.

Na sexta-feira, dia 17, meu tampão começou a sair, o que não quer dizer muita coisa mas já é suficiente para liberar uma boa dose de adrenalina. As contrações não ritmadas, que já vinham aumentando de duração e intensidade nos últimos dias, passaram a ser mais frequentes. Às vezes vinham a cada 20 minutos, no entanto, não se tornavam regulares. Nessa noite resolvi ir tomar um banho de piscina para dar uma acalmada e ficamos ali por algum tempo, eu, minha filha e Deus, entre as músicas da trilha do nosso parto, mergulhos, orações e contrações. O céu parecia estar muito perto.

Mais tarde, embaixo do chuveiro, comecei a ouvir uma canção que dizia “Ela é forte, só não sabia” (Menina não vá desanimar – Marcela Taís) e comecei a chorar pensando no quanto aquilo era verdade a meu respeito. O meu corpo não era defeituoso, mas perfeito e forte o suficiente para trazer uma nova vida ao mundo.

O sábado chegou e o clima na casa já tinha mudado, definitivamente. Anderson tinha marcado com a filha para que ela nascesse na segunda-feira, para que ele pudesse aproveitar melhor os dias de licença-paternidade. Fomos ao supermercado pela manhã e as contrações vinham mais fortes enquanto fazíamos compras. Depois do almoço elas deram uma acalmada e dormi bastante.

No final da tarde, quando a campainha tocou anunciando a chegada da Doula Jeiéli, senti uma contração forte e intensa. Enquanto ouvia mais uma vez nossa trilha sonora, sentindo aquele aroma gostoso de canela no ambiente, recebi escalda pés, massagem e dei boas risadas. Depois disso foi o momento de desenhar nossa bebê na barriga, tirar fotos e encher a bola de pilates, que seria minha companheira inseparável nas próximas horas.

Meu coração se tranquilizou quando a Jeiéli disse que já tinha vindo da sua cidade preparada para ficar em Ji-Paraná e que pretendia permanecer até segunda-feira. Nos despedimos e fui dormir. As contrações fizeram uma graça e sumiram no domingo, retornando só no final da tarde.

Tentei dormir na noite de domingo mas quem mandava em mim nessa hora eram as contrações. Minha filha avisava que estava mais perto e eu procurava ser forte para lhe dar as boas vindas. Às 02:00 da manhã desisti de lutar para ficar deitada e resolvi ir para o chuveiro. Coloquei música e fiquei lá o tempo que pude. Depois, voltei para o quarto e tentei dormir novamente mas sentir contrações deitada é a coisa mais insuportável desse mundo. Nessa hora até parei de monitorar o intervalo entre as contrações no aplicativo do celular. Enviei uma mensagem para a Jeiéli avisando da evolução, mas ela estava dormindo e não visualizou.

Como não dava mais para ficar sozinha, acordei o marido e lá foi ele me ajudar a passar a bola de pilates pelo box minúsculo do banheiro. Esse foi o meu momento de refrigério: ficar no chuveiro em cima da bola. Quis chamar a doula mas ele pediu para esperarmos amanhecer, o que me deixou um tanto quanto brava na hora. Resiliente, me contentei em tentar dormir em cima da bola de pilates, com o tronco apoiado na cama. Deu certo e tirei alguns cochilos entre as contrações.

Quando vi que eram 5:00 da manhã, só não gritei de alegria porque não tinha forças. O marido ligou para a doula e saiu para buscá-la. Quando a Jeiéli chegou eu estava jogada na cama, me sentindo destruída. O aroma de canela no ambiente e as mãos abençoadas da doula massageando minhas costas trouxeram um novo fôlego. Consegui dormir de verdade por algum tempo. O renovo chegou. Levantei animada e fomos tomar café.

Jeiéli foi preparar o famoso chá da Naoli (Naoli Vinaver, parteira) e eu tentei comer alguma coisa enquanto observava meu filho brincando e meu esposo todo sorridente, como se soubesse de algo que eu não sabia. Depois do parto, descobri que ele e a doula vinham conversando no carro e ela havia dito que achava que nossa menina nasceria até o dia seguinte. Ele, por sua vez, tinha certeza que sua filha seria obediente e nasceria naquela segunda-feira, conforme combinado.

A manhã seguiu com chá, massagem e casa perfumada por canela e alegria. As contrações apertaram novamente e lá fomos nós – eu e a doula – para uma nova sessão de massagem e pressão na lombar. Dessa vez a massagem parecia não ter efeito, o chuveiro parecia não funcionar e senti vontade de ir ao banheiro. Voltando ao quarto, vi uma poça de água no chão. Líquido transparente e grumoso. A bolsa rompeu! Arrumei um jeito para não ficar alagando tudo por onde passasse, pois já sabia que aquela água parece não ter fim, e segui o meu dia.

Eram 12:00 e esperei a fome chegar para almoçar, pois sabia que precisava me alimentar para encarar o que estava por vir. Almocei em cima da bola de pilates, para driblar as contrações e ganhei um novo massagista: meu filho.

Por volta das 14:00, Anderson ligou para a Dra. Adélia para informar em detalhes o ocorrido. A essa altura eu já estava tão conectada com Deus e com meu corpo que nem lembrei do episódio da primeira gestação e não tive medo de uma nova cesariana. As palavras da obstetra vieram confirmar meu sentimento de que tudo daria certo: “não precisam ter pressa, se tudo continuar como está, deixem para vir ao consultório mais tarde”. O consultório e a maternidade ficavam a 400 metros do nosso apartamento.

Nesse instante as contrações resolveram brincar de esconder e o processo desacelerou. Subi e desci as escadas do prédio, caminhei pelo estacionamento, recebi a visita da minha irmã mais nova (morrendo de medo de ela se assustar com as caras que eu fazia durante as contrações). Fiz o esposo sair de casa para comprar um guaraná, do qual só conseguir tomar um gole...

No final da tarde checamos as bolsas de maternidade e fomos para a consulta. Nosso filho ficou em casa com a Lola, minha amiga e filha espiritual. Fizemos tudo tão devagar que chegamos lá quase às 19:00, no horário da consulta. As contrações haviam retomado o intervalo de 7 minutos (estavam assim desde a madrugada do domingo). Quando cheguei à sala de espera elas desaceleram de novo. Entrei no consultório sem contrações e a Dra. Adélia me examinou, fez o toque e disse que era hora de internar.

Adrenalina correndo novamente! Recebi algumas orientações da equipe do hospital e continuei conforme meus instintos. Devido o parto humanizado ser algo novo no hospital, a equipe de enfermagem ficou tensa ao receber a cópia do Plano de parto, mesmo já tendo a assinatura prévia da minha obstetra e da pediatra. Plano de parto parece soar como processo aos ouvidos de uma instituição hospitalar mas espero que mude na medida em que as práticas hospitalares forem sendo submetidas à humanização do nascimento.

Já na suíte de parto, nossa trilha sonora começou a tocar “Quando o mundo cai ao meuredor” (André Valadão). A enfermeira conhecia a música e cantarolou junto, parece que a música serviu para quebrar o clima chato do início e nos unificar como equipe.

Uma conhecida nossa estava na recepção do hospital e, ao ver meu esposo dando entrada na minha internação, pediu para ir me ver. Ele sabia que isso estava totalmente fora de cogitação em nosso plano de parto mas ficou sem jeito de dizer não. Quando ele subiu, a conhecida foi atrás e fez aquela cara de horror ao me encontrar. Que dó, que pena, finalizando com a frase: “ih, o primeiro foi cesárea, então esse não vai vir normal, não”. Diante de tal afirmação, apenas sorri, confiante e me senti grata quando ela foi embora.

Ficamos na suíte apenas eu, Anderson e nossa doula. Meu esposo já estava cansado da jornada e tentava se distrair um pouco no celular, o que me fazia querer atirar o aparelho pela janela. Fiquei um tempo na bola de pilates, quando os plantonistas do hospital vieram se apresentar.

O momento não era muito propício e eles logo foram embora. Decidi ir para o chuveiro, mesmo com uma enfermeira dizendo que aquilo poderia atrasar o trabalho de parto e, conforme diziam meus instintos, saí de lá com o trabalho de parto realmente engrenado. As contrações vinham uma atrás da outra, tão próximas que a doula nem quis cronometrar o intervalo.

Passei a pedir pressão no quadril constantemente. Jeiéli já não dava conta de pressionar sozinha e meu esposo começou a ajudá-la. A contração vinha e cada um pressionava de um lado. Agachei ao lado da banheira e me senti menos desconfortável durante as contrações. Ouvi o som dos sapatos da Dra. Adélia e me senti um pouco temerosa, pois sabia que ia rolar o exame de toque e, se eu pudesse abolir alguma coisa da experiência do parto, certamente o tal toque seria eliminado.

O exame foi feito comigo na banqueta de parto. Essa parte não foi legal. Continuei na banqueta e a Dra. disse que a bebê teria que nascer até meia-noite. Conversando depois, ela me explicou que a frase seria para expressar que, com aquele andamento do TP, se não nascesse até meia-noite é porque tinha algo atrapalhando o parto. Na hora, porém, ouvir o até meia-noite me deixou nervosa por alguns segundos. Eram por volta de 22h. Respirei fundo, relaxei o máximo possível e sorri para mim mesma dizendo em pensamento: sim, ela nascerá até meia-noite.

Dra. Daniele, pediatra do hospital com quem eu havia conversado sobre meu plano de parto dias antes, era a plantonista da noite (Yesss! Deus é perfeito!) e passou no quarto para ver como estava o TP. Ao me ver ali na banqueta, não conseguiu disfarçar a empolgação e soltou um “mas já?”. Dali em diante foi tudo muito rápido. Equipe enchendo a banheira. Eu sentindo os puxos, tentando escolher entre banqueta ou banheira e minha filha querendo muito vir ao mundo. Dra. Adélia perguntou ao Anderson se ele entraria na banheira e já deu a roupa para ele trocar, sem nem dar tempo de ele pensar (sou grata a ela por isso, pois se ele tivesse tempo de pensar, teria desistido).

No plano de parto eu havia decidido que escolheria o lugar e posição de parir durante o TP, da maneira que me sentisse mais confortável, por isso os puxos me pegaram de surpresa e eu até esqueci que o parto na água era o meu sonho acalentado e engavetado. Dra Adélia auxiliou minha memória me convidando a ir para a banheira, que daria tempo de eu entrar lá.

Entramos na água, eu e Anderson. A iluminação da suíte não ajudava muito e me senti incomodada quando tiveram que ascender as luzes. O silêncio também não estava absoluto como eu queria, mas tentei ir ouvindo nossas músicas e me concentrando no momento. Foram dois ou três puxos e, no último, às 23:45, Ana Leticia veio numa força só, ao som de “pra maior festa da vida quem convida é o amor”.









Ela veio virada para mim, saindo da água na minha direção e com o bracinho estendido como que pedindo para eu pegá-la. Minha emoção não me deixou ser tão rápida. Dra Adélia a amparou pelas costas para que ela chegasse na minha perna e daí eu a peguei. Quentinha, com aquele cheiro inesquecível, de olhinhos abertos, serena, sem chorar.

Éramos nós quatro na água: Deus, Ana Leticia, eu e o pai. A equipe assistia do lado de fora. Ninguém tocou nela enquanto estava no meu colo. Dra. Daniele pediu para que eu visse se ela estava respirando. Ficamos ali, com o tempo suspenso, aproveitando o momento. Depois que o cordão parou de pulsar, meu esposo foi pego novamente de surpresa com a pergunta se queria cortá-lo. Entre o medo e o desejo, ele optou por fazê-lo.

Senti um novo puxo e imaginei que era a placenta que nasceria. Com o auxílio da equipe, Anderson e Ana Leticia saíram da água primeiro, em seguida eu saí para a expulsão da placenta. Fui para a mesa para ser examinada. Tive alguma laceração e precisei de pontos. Enquanto isso, minha filha estava no berço ao meu lado, sendo aquecida e vestida com a roupa que escolhi, recebendo os primeiros cuidados com todo o respeito, sob o olhar dos pais, sem intervenções desnecessárias.

De volta ao meu colo, ela mamou como quem já nasce especialista no assunto. A vitamina K foi aplicada gentilmente pela pediatra durante a mamada. Dra. Daniele e a enfermeira Daiane estavam ali para orientar a pega correta. Anderson e Dra. Adélia elogiavam a obediência da Ana Leticia por ter nascido antes da meia-noite.

Após a sutura (sim, essa parte é bastante incômoda mas a equipe ajudou muito a suavizar o processo), fui ao banheiro tomar um banho rápido. Daiane estava ali me encorajando e pronta a dar apoio caso eu pedisse. Jeiéli seguia nos observando e dando o suporte necessário. De banho tomado e vestida com minha própria roupa, senti uma fome do tamanho do mundo inteiro e pedi um lanche.

Fomos para o nosso quarto e optei pelo suporte da cadeira de rodas no trajeto, pois estava cansada da longa maratona. Nos despedimos da nossa doula e ficamos ali na atividade que Ana Leticia mais gosta até hoje: mamar.

Há dois anos essa princesa alegre, bagunceira e cheia de personalidade chegou na nossa família e meu coração transborda de amor, de gratidão a Deus, ao meu esposo e a todos que fizeram parte desse momento. No dia 20/07/2015, às 23:45, Ana Leticia nasceu e eu renasci como mulher e como mãe.


por Vanessa, esposa do Anderson, mãe do Levi, da Ana Leticia e esperando a Liz. 





2 de outubro de 2017

Projeto Doulas Voluntárias em Ji-Paraná





Radiante com a notícia que recebi - em primeiríssima mão - de que o hospital público de Ji-Paraná agora conta com projeto de doulas voluntárias, abro espaço para que a idealizadora do projeto, Doula Layne, nos conte como tem sido a experiência.

O Doulas Voluntárias é uma sementinha que lancei com muito amor em 2014, em Cacoal, e já tenho dados frutos em outras cidades do país!

O serviço voluntário é legítimo, amparado por lei e costuma ser excelente ferramenta de melhorias. Em se tratando do trabalho de doulas, ainda pouco comum no brasil, o serviço voluntário ganha aspectos positivos com relação à mutualidade, ou seja, benefícios para ambas as partes. Ganha a doula com experiência e vivências únicas relacionadas à realidade obstétrica do local e ganha a unidade de saúde e, mais ainda, as usuárias do serviço de saúde por poderem dispor de um serviço da mais alta qualidade e com resultados comprovadamente positivos.

Vamos ouvir a idealizadora do projeto em Ji-Paraná:



"Desde quando conheci o trabalho das Doulas, em 2015, me capacitei e mergulhei profundamente nesse universo do parto e nascimento, logo tive a oportunidade de acompanhar alguns partos em hospitais particulares de Ji-paraná, e comecei a perceber o quanto faltava (e ainda falta) levar informações sobre parto e apresentar o trabalho das doulas para nossa cidade.

Foi quando eu encontrei no blog Parto em Rondônia, uma matéria Doulas Voluntárias, desenvolvido pela doula de Cacoal Cariny Cielo, que com grande generosidade disponibilizou para que outras profissionais de outras cidades pudessem utilizar.

Então iniciei as adaptações para trazer o projeto para Ji-Paraná. A ideia ficou pausada por quase um ano, até que iniciei um estágio do meu curso de Psicologia nas UBS (unidade básica de saúde).

Levando informações importantes para as gestantes, como o trabalho das doulas, técnicas utilizadas para o alivio da dor do parto, vínculos afetivos desenvolvidos durante a amamentação entre outros.

Foi aí que despertou ainda mais o desejo de estar ao lado dessas mulheres na hora do nascimento dos seu filhos e ter a oportunidade de demostrar na pratica o trabalho da Doula no parto e pós parto, apresentar não somente para as gestantes, mais toda a equipe multidisciplinar da maternidade do Hospital Municipal de Ji-paraná.

Depois de algumas poucas alterações no projeto anterior, surgiu o "Projeto ReNascer": Doulas voluntárias de Ji-Paraná.

Entrei em contato com o enfermeiro Rafael Pappa, chefe da maternidade do HM que, com gentileza, recebeu o projeto e apresentou a direção do hospital, o qual aprovou, para que eu e outras Doulas, cadastradas no projeto possam atuar na maternidade.

Estou atuando duas vezes na semana na sala de pré-parto, ajudando as mulheres que desejam o acompanhamento da Doulas. Proporcionando um apoio continuo emocional e físico durante o parto, para seja o mais tranquilo possível, em um momento que é tão importante para uma família.



Levar um atendimento de respeito a essas mulheres com um toque de carinho, massagem, um olhar de tranquilidade e no final de cada parto essas mulheres segurar seu filho e logo te olhar com gratidão não tem preço, me emociono a cada parto e nascimento.

Quero aqui agradecer à Cariny Cielo que idealizou o projeto e o disponibilizou para que outras Doulas possam ajudar outras mulheres também, ao enfermeiro Rafael Pappa e toda a equipe da maternidade do Hospital Municipal de Ji-paraná que me recebeu com tanto carinho."


Gostou da novidade?
Você é Ji-Paraná e fez parte do projeto? Conta pra nós como foi!

Elaine Regina é Doula em Ji-Paraná, Educadora perinatal eAcadêmica do curso de Psicologia da UNIJIPA. Contato: <laineregina250543@gmail.com>


21 de agosto de 2017

Relato de parto da Sandra: terceiro parto normal hospitalar em Ji-Paraná


Trazer ao blog o SEGUNDO relato de parto é motivo para comemoração em dobro não é? A Sandra já pariu e nos emocionou com uma história leve e divertida. Desta vez, grávida do terceiro filho, ficamos todos acompanhando no grupo Parto Em Rondônia e na torcida por um desfecho igualmente feliz! E esse dia chegou...







Sou a Sandra, de Ji-Paraná - RO, agora mãe de 3 meninos.
Três histórias diferentes para contar.
Três partos absolutamente diferentes um do outro, no mesmo hospital.

Primeiro parto, traumático, violento, anormal.
Segundo parto, normal com menos intervenções.
Terceiro parto, um parto a jato, lindo, natural e é desse que quero falar!

Leonardo estava previsto para dia 10-11-13/08 segundo as ultrassonografias, mas isso não me deixava tão ansiosa quanto ao atendimento que me esperava no hospital daqui. Dia 15 de agosto acordei com contrações doloridas de madrugada mas não dei crédito pra elas. Às 10 horas, comecei a fazer almoço porque tinha um compromisso às 11 horas e precisava deixar tudo pronto. Mas, nesse momento entendi que as contrações eram sinal do Leo querendo vir.

Contei para as amigas de um grupo de mães no whats só pra deixar todas ansiosas junto comigo kkkkkkk. Terminei o almoço e fui preparar minha mala que levaria para o hospital (sim, enrolei a gravidez toda)... terminada a mala, já estava me exercitando esperando o trabalho de parto engrenar.

Passei a tarde tranquila, sentindo que as contrações aumentavam, mas não quis alarmar ninguém porque estava na casa da minha mãe e ela é um pouco desesperada e não ajuda muito. kkkkkkkkk

Enfim, decidi ir pro hospital às 18:35, e já fui sabendo que estava próximo. O hospital não aceitava acompanhante homem e uma tia ia me acompanhar. Tudo certo, fui com meu esposo que me deixaria e aguardaria notícias do lado de fora.

Demos entrada às 18:45, médico naturalista me atendeu, fez toque (por incrível que pareça não senti dor) disse que eu podia ir pro pré parto, enquanto meu marido faria minha internação. Fui. Contração atrás de contração e nada da minha tia chegar.

Às 19:34, com uma contração muito forte e uma força involuntária, a bolsa rompeu, coloquei a mão e senti o círculo de fogo. Gritei pro meu esposo que ia nascer e pedi pra chamarem a enfermeira. Ela chegou, agachou na minha frente e pacientemente me guiou, me ajudando a respirar, me amparando.

Meu esposo me manteve de cócoras e ajudou aparar o bebê que foi muito parceiro e juntos conseguimos realizar mais um sonho. Papai cortou o cordão (cordão esse que tinha um nó verdadeiro e que fizemos questão de registrar).

Foi lindo, foi uma experiência de renascimento, tanto pra mim quanto pro pai que pôde participar de tudo. E a minha tia que ia me acompanhar, chegou no exato momento do nascimento mas não quis "atrapalhar".

Leonardo Gael nasceu com 3,590kg e 52cm de PARTO NATURAL HOSPITALAR




7 de agosto de 2017

Relato de parto da Izabela: Nascimento de Clarice: Parto domiciliar assistido, em Porto Velho




Nasceu a Luminosa!

Clarice significa a que é brilhante, a que produz luz! Assim, na calada da noite e na virada da lua, chegou essa menina intensa. Escolheu uma parteira para mãe e não poderia ter acertado mais!

Izabela é parteira e intensa... igual sua menina Clarice.

Em 2013, veio de Porto Velho para Cacoal só para assistir a estreia no cinema do filme O Renascimento do Parto. Saiu aos prantos, me emocionando, dizendo perceber tão nitidamente, a razão pela qual havia nascido.

Se é pra marchar, Izabela marcha! Se é pra instruir, Izabela instrui e realiza! Que frutos poderiam colher aquela que luta por nascimento respeitoso e digno, por parto baseado em evidências científicas... que luta por ser exatamente aquilo que prega e defende?

Acredito que ninguém esperava mais a concretização deste relato, do que eu, Cariny! Isto porque, há pouco mais de 5 anos, não havia relatos de partos na internet do nosso Estado! Hoje, temos Doulas, temos relatos, temos Grupos de apoio, temos histórias felizes de escolhas seguras espalhadas por toda Rondônia!

Podemos agora ver, e nos emocionar, viajando nas histórias dos partos desta enfermeira obstetra que precisou vencer muitos medos... navegou nos mares da ambivalência entre a visão profissional e técnica e sua essência, seus instintos de mulher, de mãe. Que bom que ela abriu seu coração, deixou-nos entrar em sua intimidade e nos mostrou um mar de amor e fé...

O resultado está todo aqui. Desfrutem.






Desde que comecei a acompanhar partos sonhei como seriam os meus, porém nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria viver as duas melhores experiências de transformação e amor.

Me arrepio só de lembrar!


Nascimento do Valentin

Meu primeiro filho veio cheio de desafios, fruto de uma gravidez mais que planejada, tranquila e sem intercorrências ❤

Nasceu num parto domiciliar, assistido pela Equipe Hannami de Cuiabá (Enfermeiras Bruna e Damaris, Doula Amanda), na casa da minha amiga Elis Freitas (Fotógrafa e Doula).

Não poderia ter dado mais certo ❤!

Assim vivi junto ao meu marido Helton, a nossa primeira experiência de nascimento do nosso primogênito Valentin.



Vídeo aqui!


Nascimento da Clarice

Desde o nascimento do Valentin, já tínhamos em mente que o nosso segundo filho nasceria em nossa casa, planejamos e enfim, em 2017, começamos o ano de casa nova. No dia 23 de outubro de 2016 descobrimos que estávamos grávidos novamente. Conversei com Elis e disse que ela não poderia faltar nesse momento em nossas vidas.



Clarice desde cedo, com 34 semanas aproximadamente, já demonstrava que chegaria rapidamente, eu sentia... a forma com que ela se encaixava no meu corpo era diferente, era forte, intensa. Me fez desacelerar meu ritmo, me tirou do controle, ainda na gestação. Mesmo sendo tranquilizada e acalmada pelo meu médico, que sempre apoiou a minha decisão e soube das minhas escolhas de parir, eu me sentia insegura.

Quando uma parturiente e uma parteira estão no mesmo corpo, há um sensação estranha de poder enxergar tudo de fora para dentro, como um mergulho dentro do próprio corpo, precisei me despir dos medos da prematuridade, do controle para parir.



Com o meu chá de bênçãos que minhas doulas Helena e Talita organizaram, consegui me entregar, dividir com mulheres que também acreditavam no meu corpo e na minha historia, foi uma conexão incrível.



Tudo pronto, Julho chegou! Elis chegou! Sandra e Nayra, minhas parteiras, deixaram tudo prontinho... minha casa estava toda arrumada para a chegada de Clarice ❤

No dia 9 de julho, fui a um evento de uma amiga junto com meu filho e, por volta das 17 horas comecei a sentir umas cólicas leves que eu não sabia nem descrever ... sim eu não soube descrever kkkkkkk. Às 19 horas, quando eu estava saindo do evento, ainda com aquelas cólicas, sem rumo, sem descrição. Ali eu senti, que estava próxima a chegada da Clarice.

Liguei para o meu marido, avisei que estava sentindo umas cólicas, porém aquilo não seria motivo de alardes, poderiam durar semanas, horas, tudo poderia acontecer.

A Lua estava linda, sim era uma virada de lua ❤

Meu marido veio de um plantão de 36 horas exausto. Ao chegar em casa, comecei a organizar as coisas para que tudo ficasse lindo para o tão esperado dia. As cólicas, ainda irregulares e leves, começaram a dar sinais de incomodo por volta de 23 horas, quando pedi ao meu marido que fosse descansar, que naquela noite poderia ser que Clarice chegasse!

Avisei a minha parteira Sandra e minha Doula Helena sem alardes, sem sustos, porque eu realmente me sentia bem e estava tranquila, fiz minhas orações.

Às 23:30 comecei a sentir umas coisas estranhas e avisei Helena. Pedi que viesses ficar comigo em casa... eu não sabia descrever o que estava sentindo! Sem perda de tampão, sem contrações, apenas cólicas mais intensas. Helena chegou por volta de meia noite, as dores começaram a intensificar, apertarem de verdade, nada servia mais, nem bola, nem massagem, apenas o chuveiro de água quente aliviava a minha dor. Helena chamou meu marido para que preparasse a banheira, ligou para Sandra e para Elis. Tudo aconteceu dali muito rápido.



Agora sim eu sabia o que estava ocorrendo, eu estava parindo! De olhos fechados, eu sentia cada vez mais Clarice passando por mim... às vezes eu mal tinha tempo de respirar, ela veio realmente muito intensa. A todo tempo eu perguntava pela Sandra e pela Elis. Como no sonho das minhas amigas Doulas Mileide e Talita e no meu sonho: tudo seria muito rápido, e era assim que estava acontecendo!

Meu coração se acalmou quando vi Elis me olhando na porta do banheiro, com um sorriso que dizia: "eu cheguei, vim de tão longe e já deu certo". Faltava Sandra que veio voado e já me encontrou dizendo que ela já estava ali, que Clarice ia nascer. Tínhamos sonhado isso tantas vezes, viver essa experiência juntas, como queríamos da primeira gestação.

Fomos para sala , organizamos o sofá, e às 01:59 da manhã, rodeada de muito amor, com o meu marido segurando minhas mãos e com olhar amoroso que sempre acreditou em mim e nas minhas escolhas ❤ , minha equipe , minha doula...

Clarice nasceu ❤



A palavra que define esse nascimento é: intensidade! Eu me senti muito completa, muito imersa na minha dor e no meu corpo.

Foram praticamente as 2 ou 3 horas mais intensas da minha vida, que me deram um amor de 51 cm, 3.490g, nas minhas 38 semanas e 2 dias (10/07/2017)! Minha menina, minha força, minha Clarice.

A escolha desse nome, Clarice, veio de uma historia muito especial que vivi em Recife, no meu curso de Parteria Urbana. De uma bebê linda e guerreira que acompanhamos nascer e nos provou que o milagre da Vida existe porque as mulheres sabem parir e os bebês sabem nascer! E o quão importante é o nosso trabalho, e a responsabilidade dele. ❤



Obrigada a todas!


Na foto: Parteiras Nayra e Sandra, Izabela, Doula Helena, Fotografa Elis e Clarice.

Equipe: Enfermeiras obstetras Sandra e Nayra

Fotografia: Elis Freitas. Não deixe de ver mais fotos: Aqui

Doula: Helena Grupo Araripe de Apoio ao Parto







18 de julho de 2017

Relato de Parto da Anne: Parto normal hospitalar em Porto Velho com doula




Começo meu relato de parto talvez com a mais óbvia das poucas certezas que temos na vida, que é o fato de que quase sempre o que mais tememos, acontece.

Quando eu completei 36 semanas de gestação, passei a acreditar que iria parir logo, talvez antes mesmo de completar 38 semanas. Não sei se esse pressentimento era pura ansiedade ou consequência de uma ultrassonografia que fiz, onde a médica disse que minha placenta já tinha atingido o grau III, ou seja, em tese já estaria velha.

Após consultar meu médico, ele disse que isso não significava absolutamente nada e que eu podia ficar tranquila. Assim fizemos.

Meu parceiro e eu decidimos não compartilhar essa informação, uma vez que poderia gerar uma apreensão desnecessária nas pessoas, amentando ainda mais os questionamentos sobre o nascimento da Luiza. Comentei com a Helena, minha doula, e com minha cunhada, que também é doula... ambas falaram a mesma coisa: Não havia motivo para preocupações.

Quando eu completei 37 semanas, durante uma noite, comecei a sentir cólicas seguidas de contrações, as quais se estenderam pela madrugada. Sabia que para o trabalho de parto começar, elas precisam de ritmo. Avisei minha doula e fui dormir, porque se fosse mesmo a hora eu precisava estar descansada.

No decorrer dos dias, continuei a sentir as contrações de treinamento, algumas vezes com a presença de cólicas, outras não. Meu tampão mucoso também começou a sair e continuou até o dia do parto. Como eu havia me preparado durante os nove meses da gestação, sabia que meu corpo já vinha dando sinais de que o grande dia estava próximo, mas que eu também saberia o momento certo. Não há como se enganar.

Já com 38 semanas, fui informada pelo médico de que ele não estaria na cidade no final de semana do dia 25 de maio. A partir dai, comecei a ficar apreensiva, pois na minha cabeça, meu trabalho de parto seria inicio no exato momento em que ele saísse de Porto Velho.

Os dias foram passando e na sexta-feira, dia 19, fui à consulta de rotina e mais uma vez o médico deixou claro que não estaria na cidade no final de semana do dia 25. Ele me perguntou se eu continuava firme no propósito do parto natural e disse que estava receoso com o fato de eventualmente eu ser atendida por outra pessoa em sua ausência. Eu disse que nada havia mudado e que só me restava aguardar o momento em que ela quisesse nascer.

Sai da consulta tensa. Mandei mensagem pra minha doula e ela mais uma vez tentou me tranquilizar. Disse que eu iria parir, com ou sem a presença do médico. No final da manhã, mandei mensagem a ela novamente dizendo que estava com muito medo de acabar sendo atendida por outra equipe médica, que não respeitasse minha vontade e então perguntei se haviam meios naturais de induzirmos o trabalho de parto.

Ela então me disse que até poderíamos tentar, mas que eles não funcionariam se não fosse a hora certa. Como eu estava muito aflita, ela me perguntou se eu gostaria de ir ate sua casa, para receber uma massagem e fazer a acumpressão.

Ao chegar a sua casa, comecei a chorar e disse que tinha muito medo de vir a sofrer violência obstétrica, de não ter o parto da maneira tão sonhada durante esses nove meses. Disse que meu pressentimento era de que no momento em que o médico viajasse, o trabalho de parto teria início, mas que também não queria ser submetida a uma cesariana, tampouco ter o TP induzido, porque me passava a sensação de que eu estaria desrespeitando a hora certa da minha filha nascer.

Após a massagem, ela me tranquilizou. Disse que não faria a acumpressão, pois sua intuição dizia que a hora estava próxima. Voltei para casa aliviada. Chamei meu parceiro para jantar fora, tivemos uma noite agradável. Dormimos até as nove do dia seguinte e ao acordar, ele disse que a Luiza nasceria logo, por isso tínhamos dormido tão bem.

Na noite de sábado, dia 2o, comecei a sentir contrações acompanhadas sempre de uma cólica, que agora se apresentava mais forte, como cólica de menstruação mesmo. Passei então a monitora-las e elas vinham em intervalos de dez minutos. Como já tinha sentido isso algumas outras vezes, não botei fé que o negocio ia engatar. Para mim, era mais um alarme falso.

Dormi bem, mas acordei cansada. A sensação que eu tinha era que estava cansada de correr e que havia tomado um porre daqueles. O ritmo do meu corpo havia mudado. Dormi a manhã toda, entre uma contração e outra.

Consegui almoçar e fui me deitar novamente. Mandei mensagem pra doula e para o médico, que não me respondeu. A partir de então, as contrações começaram a ficar mais intensas e a cólica também. Passe instintivamente a vocalizar na hora da contração e a segurar na mão do meu parceiro, que delicadamente acariciava meus cabelos.


      

Às 14 horas mandei mensagem pra doula e ela disse que viria me ver. Quando ela chegou, por volta das 15 horas, eu estava deitada e ela começou a cronometrar as contrações, que estavam irregulares no começo.

Após um período deitada, ela me convidou a sentar na bola de pilates e ali eu fiquei recebendo massagem nas costas e segurando na mão do meu parceiro. A cada nova contração, eu me concentrava na dor e só pensava que logo iria passar, era só mais uma. Ainda conseguia conversar.

Me concentrei em tudo que havia aprendido durante a gestação e permaneci firme no meu propósito. De repente, por volta das 16 horas, a bolsa estourou. Junto com o liquido que passou a sair de mim, saiu também um choro, o mais sincero e profundo da minha vida, um misto de felicidade e prazer, porque somente naquele momento eu percebi que a hora havia chegado.

Desci para tomar banho. Já não consegui mais subir e conversava quase nada. Meu parceiro tentou por várias vezes ligar para meu médico e seu telefone só dava desligado. Fiquei mais algum tempo sentada na bola e então a doula sugeriu que fossemos para o hospital e esperássemos o médico lá.

As contrações continuam muito fortes e agora em intervalos bem pequenos. Chegamos ao hospital por volta das dezessete horas e vinte minutos. Eu só conseguia me concentrar na dor e não consegui deixar que medissem minha pressão. Nesse momento, meu maior medo se concretizou.

Não sei por qual motivo, meu médico não estava na cidade. Quando ainda estávamos a caminho do hospital, ele mandou mensagem dizendo que em duas horas chegaria a Porto Velho e que eu fosse para o hospital. Ao ser examinada pelo médico plantonista, descobri que já havia dilatação completa e que o parto seria feito por ele, um médico antigo e que ao perguntar quem era a moça que me acompanhava, disse de pronto que não aceitaria a presença de doula na sala de parto.

Graças às preces da minha doula, ele voltou atrás e disse que aceitaria sua presença, desde que ela não mandasse em seu trabalho. Consegui ainda explicar que ela jamais faria isso e então, fui levada para a sala de parto, sala essa que nem o médico sabia que existia. Consegui ainda dizer ao médico que eu não queria que ele fizesse episiotomia em mim.

Não sei dizer quanto tempo o expulsivo demorou, só sei que foi rápido e muito intenso. Além de ter que administrar o médico forçando meu períneo na crença de que isso facilitaria a saída do bebe, tive que administrar a presença da pediatra, que não entendia nada sobre parir.

Naquele momento, sabia que tudo que ela estava falando estava errado e passei a me concentrar na voz do meu parceiro e no olhar da minha doula. Mantive-me firme neles. Quando o médico disse que a Luiza estava quase nascendo, perguntei a doula se era verdade e ela disse que sim, que já dava para ver os cabelinhos.

Tentei respirar na folga da contração e quando veio a próxima, Luiza chegou ao mundo, as 18h5min, do dia 21 de maio desse ano. O médico não permitiu que ela saísse naturalmente, o que também motivou a laceração que eu sofri. Quando eu a vi, estava em êxtase, conseguia apenas ouvir a voz do meu parceiro dizendo que ela havia nascido.

Uma paz passou a habitar meu ser. Tudo passou a ter um novo significado na minha vida. A sensação de ter conseguido apesar de todos os percalços, é maravilhosa. Só conseguia pensar em como valeu a pena esperar, que meu corpo sabe parir e que acreditar nisso fez toda a diferença. Eu, que passei a vida toda achando que não tinha foco para terminar o que começava, me vi encerrando um ciclo e dando início a outro, utilizando meu corpo para trazer ao mundo um ser humano.

Após os procedimentos padrões, a Luiza veio definitivamente para meu colo e não saiu mais. Minha placenta nasceu, recebi os atendimentos ali na sala de parto e depois fui para o quarto. Tomei banho sozinha, jantei e passei a noite tentando entender a grandeza do que eu havia vivido. Meu médico chegou na cidade pouco depois que a Luiza chegou ao mundo e as 21 horas do mesmo dia, iniciou seu plantão no hospital em que eu estava. De fato não era pra ser.

Meu parto não foi como eu havia planejado na minha cabeça, mas foi encorajador o suficiente para que eu me concentrasse no meu desejo, mantendo-me firme no meu propósito.

Atribuo a evolução do meu trabalho de parto a minha simples dedicação em não tentar controlá-lo, deixando que as coisas caminhassem no seu tempo. Apesar de intenso, não consigo me lembrar da dor. Talvez seja pelo fato de jamais ter aliado o ato de parir com qualquer coisa negativa. Tudo passou a ser ressignificado na minha vida.

Sou grata pela oportunidade de ter vivenciado tamanha experiência, juntamente com meu parceiro. Vimos a vida saindo de dentro de mim, na hora dela, no tempo dela. Parir é visceral. De fato, eu não poderia passar por essa vida e não me permitir viver tudo isso. Gratidão.










19 de abril de 2017

Relato de parto da Eva: segundo Parto normal: hospitalar com doula


Bem... fiz o meu primeiro relato de parto nesse grupo (Grupo Parto Em Rondônia no Facebook). Apesar de eu ter tido um parto rápido, foi extremamente doloroso pela violência obstétrica que sofri. A minha primeira filha foi uma gravidez planejada e fizemos de tudo para que ela fosse bem recebida (mas não aconteceu). Superamos! Mas não esquecemos.

Já a minha segunda gravidez, não foi planejada. Eu estava fazendo exames para detectar um tumor abaixo da minha tireoide e descobri que estava grávida, fiz uma ultra para confirmar e já estava com 4 meses. Sem sintomas nenhum até "aquele dia". Depois tive enjôo até o dia de parir.

Apesar do mega susto, eu sabia que iria precisar de uma #DOULA (depois contem quantas vezes vou citar essa palavra no meu texto!). Sim! Foi um susto grande, desmamei a minha filha com 2 anos e 5 meses da forma mais natural possível e estava tomando remédios para secar o leite. Quando descobri que estava grávida, procurei uma amiga que tinha acabado de ganhar neném após 3 anos de uma cesárea eletiva (da qual ela havia se arrependido muito). Depois li o relato lindo dela sobre o parto natural, acompanhado de uma doula. Pensei: Preciso urgentemente de uma doula. Ela me indicou a doula que atendeu ela, eu comecei a conversar com ela pelo whatsApp.

Marcamos nosso primeiro encontro para conversar. Expliquei que estava muito fragilizada e que já havia sofrido no primeiro parto e não queria isso para o segundo. Minha maior dor foi o que fizeram com o meu bebê e não queria isso para aquele novo bebê.

Ela me atendeu em todos os meses seguintes. Me ajudou em todos os momentos. Apesar da minha angústia pelo tumor na garganta e não ter planejado um novo bebê, ela me fez ver e curtir o lado bom de estar grávida. Doula não é um gasto, é um investimento...

Foi o que disse para o meu marido quando ele questionou, como iríamos pagar sendo que nem começamos a fazer o enxoval do bebê. Para mim o bebê poderia ficar enrolado em uma manta, desde que ele tivesse um nascimento respeitoso. Eu me preocupei com cada detalhe (inclusive pós nascimento). Eu poderia amamentar na primeira hora de vida dele/dela? Assim que ele/ela nascesse, viria direto para o meu colo? Quais procedimento eu posso pedir (exigir) que não façam no meu bebê? O banho? Quando e como dar? Quem pode dar? Nessa gestação fiz: pintura na barriga (minha doula que fez), roda materna, Yoga e etc...

#Dia #Do #Parto

Cheguei a 39 semanas e 1 dia. Estava exausta, não dormia bem pois a barriga era enorme; levantava mil vezes a noite para ir fazer xixi. O calor era sobrenatural. As roupas do bebê já estavam prontas e arrumadas na mala já havia um mês, de tanto cólica que eu sentia. Mas apesar de tudo isso, eu orava para que o bebê nascesse no final de semana, pois minha doula havia começado a trabalhar em uma empresa e meu marido também trabalhava durante a semana. A doula já havia deixado uma outra doula de reserva caso ela não pudesse ir. Mas eu não me sentia a vontade com uma doula que eu ainda nem tinha conhecido. Queria ela em meu marido! Orei muito para o bebê nascer no final de semana, mas a cada final de semana, nada de ele vir.

Tínhamos um grupo no whattsApp só de mulheres grávidas que a minha doula atendia, no mês de outubro éramos só em 3 grávidas. Um bebê nasceu de 37 semanas após um encontro nosso num sítio para fazer pinturas de barriga e fotos. Passando mais 3 semanas o outro bebê nasceu de 38 semanas e alguns dias. E nada do meu bebê chegar. Pelas contas de uma ultra era para eu estar com 40 semanas e 5 dias (no dia do parto) mas essa é a mesma ultra que dizia que meu bebê era uma MENINA quando na verdade nasceu um MENINO. Pela ultra do outro médico eu estava com 39 e um dia.

Chorei no sábado a noite (dia 5 novembro). Estava muito cansada via mais um final de semana indo embora e nada do bebê chegar, tinha medo dele nascer durante a semana. Minha filha me viu chorando no quarto sozinha, chegou bem de vaga e disse: "calma mãe, vai ficar tudo bem. O bebê te ama"... eu ouvi aquilo e me acalmei. Orei mais uma vez, pedi que fosse a vontade de Deus e levei ela e a família para lanchar fora e naquela noite combinamos um piquenique no parque. No domingo de manhã acordei com a alma mais leve e uma música do Tim Maia na cabeça "Dia de Domingo"... arrumei nossas coisas com uma vontade de por algumas roupas do bebê. Mas só coloquei meus documentos e a carteira de gestante. Fomos de manhã bem cedo. Brincamos com quatis, capivaras, caminhei, descansei em uma rede... dia perfeito e aquela musica tocando na minha cabeça.

"Eu preciso respirar o mesmo ar que te rodeia e na pele quero ter o mesmo sol que te bronzeia. Eu preciso descobrir a emoção de estar contigo"...

As 17:00 estávamos saindo do parque, com uma vista linda do lago. Eu pedi para pararmos e comprar um dindim (aqui eles chamam de gelinho), depois vi uma pipoca e a filha correu para brincar no balanço com outras crianças. Eu fiquei com a minha mãe enquanto o Marcus convencia ela que deviamos ir embora. Até que senti uma água quente descer. Pensei... sera que fiz xixi? O líquido que desceu era pouco, na aquela altura a incontinência urinária reinava. Eu ja estava com um absorvente. Fui conferir. Fiz mais uma força e desceu líquido novamente. Fui para um lugar reservado (a guarita de um guarda) para ver o que era (mesmo já sabendo). Siiiiim! Minha bolsa estourou! \0/ num dia de domingo.


Voltei com um sorrisão no rosto e contei pro meu marido. Ele olhou pra mim e disse: cadê? Ele esperava uma tsunami de líquido amniótico. Hahahhahaha....

Decidi ir para a casa da doula, chegando lá fui conferir novamente e vi o tão famosos tampão mucoso. Liiiiindo! \0/ Me despedi da filha e meu marido levou ela e minha mãe para casa e foi buscar as nossas coisas. (Ele estava super nervoso).

Quando ele chegou já era umas 19:30 as contrações começaram. (Todas suportáveis). Fomos caminhar na rua... conversar como um casal de namorados ♥... foi tão bom, a tempos não fazíamos isso. Minha doula ligou para todas as maternidades daqui para saber quem era os plantonistas, só depois de levantar a ficha de cada médico é que decidimos para onde ir. Eu ja estava com contrações vindo de 11 e 11. (Suportáveis ainda). Chegamos lá fui atendida pelo "tal" médico (para fazer a triagem) e tudo que ele ia fazer ele me avisava antes. Disse que eu já estava com 7 cm. Ia me internar.


Chamei a doula e o marido. Fomos para uma sala de parto só nossa. Lá havia bola, banqueta tudo a nossa disposição. O médico não apareceu por lá. Enquanto eu fazia exercício apareceu uma enfermeira com soro na mão, dizendo que o médico tinha receitado ocitocina.


Quando eu vi isso. Disse um alto e sonoro NÃO! EU NÃO QUERO E NÃO VOU FICAR PULSIONADA. Ela disse tudo bem, vou avisar ao médico. E foi embora e não voltou mais. Graças a Deus! Eu estava disposta a comprar briga.
Quando as dores aumentaram fui pro chuveiro. Meu marido fazia massagens instruído pela doula.


 

Ela entendeu que se ele ficasse parado, ele ficaria mais nervoso. O negócio era dar uma função pro marido.


Quando as dores aumentaram eu entrei na #partolândia já não me importava se estava nua, se queria rolar no chão. Nada! Comecei a pedir "Vem meu filho" mesmo com duas ultra dizendo ser menina e uma dizendo ser menino eu sentia que era um menino. E obediente que ele é, começou a coroar no chuveiro. Eu me toquei e senti o cabelinho dele e sua cabeça.


Então gritei tá coroando vai nascer!!!!! A equipe médica que estava lá fora ouviu e entrou no banheiro pedindo pra eu ir para cama. Nem conseguia me levantar, mas o médico disse que não podia parir ali, pelo risco de contaminação.

Meu marido me levantou e me levou para a cama (senti o bebê voltar nessa hora). O médico fez o toque e de fato estava com 10 cm bebê querendo sair. Ele pediu pra eu levantar as pernas e colocar no apoio e eu disse: Nãooooo! Eu quero parir na banqueta. Imediatamente ele mandou a equipe arrumar a banqueta, sentou na minha frente e mandou meu marido sentar atrás e me apoiar.

Senti o bebê corando novamente. Não fiz força. Fui deixando ele ir se ajeitando para não me lacerar. O médico não tocou em mim enquanto isso. Ele apenas disse: quando sentir vontade empurra sem medo. Eu senti! Empurrei. Equanto a cabeça saia, o médico me perguntou: é menino ou menina? Eu gritei: eu não seiiiiiii!

E saiu o corpinho do bebê e ele colocou direto no meio dos meus seios. Veio pra mim, como alguém que acaba de sair do mergulho de uma piscina. Não foi aplicado injeção, nem colírio nele. Foi só medido, pesado, avaliado e entregue ao pai dele. Eu tive que ser pulcionada depois, porque tenho uma anemia crônica que precisa de cuidados.


O bebê foi pro peito nos primeiros minutos de vida. Ele só tomou banho no outro dia, um banho supervisionado pelo pai, cheio de carinho. Meu colostro não desceu logo, mas uma equipe do banco de leite sempre visita as mães recém paridas para ensinar a pega correta, massagens para estimular a descida do leite. Saimos de lá muito felizes. ♡♡♡♡♥♥♥♥♥

Esse parto curou minhas feridas do parto anterior. Meu marido também se realizou nele, esteve mais presente e hoje mais que nunca reconhece a importância de uma doula.
Não houve laceração! No outro dia foi super tranquilo fazer xixi, eu não estava machucada como no parto anterior. Meu bebê demorou para abrir os olhos de tão tranquilo e a vontade que ele estava. Só recebeu amor e carinho na maternidade, só ficou no meu colo ou no colo do pai... Ele sentiu toda a proteção dos nossos abraços, beijos e cheiro. Ele era só nosso e ninguém ousava tira-lo do nosso colo.


Éramos só amor naquele momento. ♥






6 de abril de 2017

Relato de Parto da Adriana: Parto domiciliar em Porto Velho


RELATO DE PARTO DOMICILIAR: Empoderamento e amor definem esse momento

Por: Adriana Maria de Andrade

O começo de tudo...

Sou Adriana Maria, tenho 31 anos, esposa do Túlio e agora mamãe do Heitor. Enfermeira, baiana, residente em Rondônia há seis anos. Discorrer a respeito das minhas percepções em relação ao meu parto domiciliar, considerado um dos eventos mais especiais nas nossas vidas (ou o mais especial de todos!!), consiste, por si só, em uma oportunidade singular, considerando a importância desse momento permeado por sentimentos maravilhosos e até indescritíveis. Para tanto, faz-se necessário relembrar os caminhos que nos levaram a essa importante decisão. Isso implica revivê-los em alguns pequenos e importantes detalhes, que influenciaram direta ou indiretamente nesse processo.

Este relato objetiva promover uma reflexão a respeito do meu parto, no sentido de auxiliar na disseminação da ideia do parto natural humanizado, bem como ajudar as futuras mamães que estão à busca de encorajamento para esse momento que é único na vida de cada mulher, de cada família. No intuito de possibilitar maior compreensão sobre o despertar do meu interesse nessa ideia e a efetivação da mesma, farei uma breve contextualização.

Bem, a minha gestação não foi planejada (embora tenha sido recebida como um presente!), pois os nossos planos seriam para o próximo ano, após a conclusão de alguns projetos como mestrado, viagens, entre outros. No entanto, meu filho Heitor resolveu se antecipar, e, na troca de anticoncepcional - Bingo!! - engravidei. Pelos meus cálculos acredito que engravidei na semana que inauguramos nossa casa nova - acho que meu bebê descobriu que já tinha um quartinho e um quintal grande para brincar, e assim decidiu chegar!

Descobri que estava grávida já com 6 semanas, ao passar mal na aula de mestrado e aceitar a sugestão da minha amiga Tássya em fazer o Beta HCG. Ao receber o resultado tive uns 10 minutos de confusão de sentimentos, um misto de alegria, euforia, felicidade, insegurança, medo, ansiedade... Enfim, um turbilhão de emoções. Era véspera do Dia dos Namorados, então resolvi guardar a notícia para presentear o meu marido Túlio no dia seguinte. E meu Deus, como foi difícil segurar o segredo!! E assim, no nosso jantar do dia 12/06/16 pedi ao garçom que trouxesse junto com os pratos servidos o presente do meu amor: um lindo par de sapatinhos que trouxemos de uma viagem à Argentina, já pensando no nosso futuro baby. E gente, olha a reação do meu marido: (misto de sentimentos)...





O despertar do interesse no parto domiciliar

A partir desse dia nossa vida deu uma virada de 360º. Tudo passou a ser planejado e pensado para três, vieram os exames, pré-natal, cuidados, adaptações. Optamos por realizar o pré-natal na atenção básica da rede pública de saúde, acompanhados pela Dra. Giseli, uma grande amiga. A decisão por acompanhar na rede pública não foi por acaso, pois já estava decidida desde o início que queria parto normal, e nesse sentido, os profissionais que atuam na rede pública tendem a interferir menos e apoiar mais essa decisão. E eu, claro, não queria ser convencida do contrário. O Túlio, como sempre, foi um super-parceiro nesse processo. Passamos a ler e discutir bastante a respeito de tudo que envolvia a gestação, parto, bebê. E nessas pesquisas, encontrei vários relatos de parto domiciliar, e passei a sonhar com isso! Mas tudo que lia se referia a experiências em locais fora de Rondônia, não imaginava que seria possível realizá-lo aqui.


A minha visão sobre gestação e parto sempre foi como um processo natural, familiar, acolhedor, e não como doença, de maneira que optei por vivenciá-lo na sua essência, com o mínimo de intervenções possíveis. Passei então a me preparar física e psicologicamente para esse momento: Ingressei no pilates, ioga, algumas caminhadas... E claro, o mais importante de tudo: informação! Sim, porque informações corretas, positivas e de fontes confiáveis são a base para nos transmitir segurança e coragem.


No meu relacionamento com o Túlio tudo tem sido sempre muito especial, buscamos valorizar cada conquista, cada detalhe, cada momento. A ideia de que o nosso filho pudesse nascer no momento dele, de forma tranquila, acolhedora, no aconchego do nosso lar e cercado pelas pessoas que amamos cada dia mais tomava forma na minha cabeça. Então, um belo dia, conversando por acaso com uma colega de mestrado, a mais que querida Sandra, descobri que ela tinha uma empresa parto humanizado, a Bello Parto. Nem preciso dizer o quanto fiquei feliz e empolgada né? Aí sim, comecei a me preparar ainda mais para realizar meu sonho maternal.


O caminho até a chegada de Heitor


Comecei a acompanhar com a equipe Bello Parto a partir das 30 semanas, já com a certeza de se tratar de uma gestação de baixo risco, tranquila. As meninas (Sandra, Naira e Izabella) foram maravilhosas comigo em todo o processo, desde as reuniões com a minha família (marido e primas) até o pós-parto, sempre nos prestando muita atenção e apoio. Também contratamos a Helena como doula, que já me acompanhava na ioga para gestante, e gente, ela foi simplesmente perfeita! Um dos melhores investimentos da minha gestação!! Assim como a equipe Bello Parto, a Helena me transmitia segurança, tranquilidade, apoio, e força, trabalhando muito meu equilíbrio e paz interior.





Nas últimas semanas de gestação me senti um pouco mais ansiosa, principalmente ao imaginar o quanto nossas vidas seriam modificadas, mas não cheguei ao ponto de perder o sono ou me desesperar. O acompanhamento da equipe foi fundamental nesse sentido. No dia 03 de fevereiro ganhei das meninas um lindo Chá de Bênçãos, um dos momentos mais especiais que já vivi, onde participaram as minhas amigas mais próximas, meu marido e a equipe, com direito a desenho do Heitor na minha barriga, lava-pés, músicas do trabalho de parto, discursos, desejos de bom parto e boas energias, enfim, momentos únicos e maravilhosos!








Trabalhei até a véspera do nascimento de Heitor, e trabalharia no dia D, só não fui porque tinha uma consulta na data. Mas vamos lá, relembrar como foi o dia mais importante da minha vida!!


Bem, acordei no dia 14/02/17 umas 7hs da manhã, já sentindo algumas contrações bem leves e irregulares, mas com frequência beeeeem espaçada. Daí já imaginei que o momento estava chegando, considerando que eu já estava com 40 semanas e 3 dias de gestação. Fui à consulta, mas não deu certo devido a um problema na agenda da unidade de saúde.


Então falei para o Túlio: “Amor, eu acho que o Heitor chega hoje, então vamos resolver todas as pendências que temos, comprar tudo o que falta e nos preparar para receber nosso príncipe!”. E assim fizemos. Reconferi pela milésima vez o material do check-list de parto domiciliar entregue pela equipe, revisei a limpeza e organização do nosso quarto e banheira, fomos ao supermercado e compramos bastante suco, sorvete e tudo que eu queria comer no momento do parto. Até aí já foi a manhã inteira.




Fomos almoçar com minha sogra, e então a partir das 13hs percebi que a frequência das contrações estava maior, e a intensidade também. Entrei em contato com a equipe, que prontamente veio me avaliar. A Sandra constatou que estava tudo bem comigo e o bebê, me passou todas as orientações necessárias, e continuamos monitorando a frequência e intensidade das contrações, (baixei um aplicativo no celular que ajudou muito!) e mantivemos o contato todo momento com todas as enfermeiras e doula. Conforme orientado, resolvi descansar e tentar dormir um pouco a tarde e me preparar para o momento. Mas não consegui dormir. À noite as contrações estavam já bem doloridas, e então comecei a reclamar da dor, mas ninguém tava ainda acreditando que já tivesse muito próximo, pois a minha reação estava bem tranquila. Até eu me surpreendi com a tranquilidade com que estava lidando com esse momento, mas agradeço muito a Deus ter sido dessa maneira.


Às 22hs a dor já estava bem insuportável, e as contrações muito regulares, com média de 2 minutos de frequência e intensidade forte. Então optamos por realizar o toque e, surpresaaa: 8 centímetros de dilatação. Fiquei super empolgada com essa notícia, e todos que estavam comigo também. A minha inquietação aumentou, buscava muito uma posição que a dor fosse embora. Mas aí concentrei na respiração, nos exercícios com a bola, aromaterapia, musicoterapia, e claro, as massagens maravilhosas da Helena e do Túlio. E gente, é sério: Tudo funciona muitoooo! Colocamos a playlist com mais de 60 músicas escolhidas a dedo que preparei para esse momento, a Helena colocou uma óleo de lavanda no quarto, o Tulio preparou a banheira e assim foram passando as horas...





Eu decidi ocupar minha mente com o pensamento de que cada contração que vinha era uma a menos para a chegada do meu bebê. E assim foi. Em cada contração eu apertava forte a mão do Túlio e/ou da Helena, e reclamava da dor, mas a cumplicidade e apoio que eu observava no olhar e nas palavras de todos ali presentes me motivava e passava uma segurança inexplicável.




E assim consegui me manter tranquila e forte madrugada adentro. Fiz diversas tentativas de parir na banheira, conforme eu tinha planejado, as não consegui pois as contrações ficavam menos intensas e eu perdia um pouco a força, então decidi ir para o quarto. Também pensei em caminhar no nosso quintal, mas chegando na porta resolvi voltar correndo para o quarto. Era uma inquietação sem limite!!! (risos).


Às 4h42 do dia 15/02/17, depois de uma supercontração o momento mágico: Meu filho bem ali, ao alcance das nossas mãos, em um momento simplesmente indescritível. Uma emoção sem igual. Eu já não sabia se ria ou se chorava, experimentei um misto de sensações maravilhosas...




Como foi bom receber nosso bebê no aconchego do nosso lar, envolvê-lo em meus braços e amamentar no seu primeiro minuto de vida! Heitor nasceu no melhor ambiente que poderíamos proporcioná-lo, cercado de amor, de respeito, de tranquilidade e de acolhimento, e na prática foi muito melhor do que planejamos e sonhamos por toda a gestação. Não dá para descrever o quanto me senti realizada, empoderada, feliz por ter proporcionado esse momento lindo ao meu filho.





A nossa casa parece um sítio em meio a cidade, cheia de plantas, frutas, bichinhos de estimação, tudo cuidado com muito carinho. E tenho que admitir que foi muito engraçado o comportamento da minha gata Misa, que ficava na porta e janela do meu quarto a todo momento, com seus grandes olhos azuis observando toda a movimentação da casa, e em qualquer vacilo quando alguém saía ela corria para perto de mim, como que cuidando, me dando apoio!


E sem contar a beleza que foi poucos minutos depois do nascimento do Heitor, o dia amanhecendo e os muitos pássaros cantando nos galhos da mangueira na minha janela, juro que parecia cena de filme! Mas o melhor foi poder curtir com o meu marido os primeiros momentos de vida do nosso bebê, sem intervenções desnecessárias, curtindo o silêncio que era quebrado apenas pelas nossas respirações e suspiros de admiração! E a emoção do Túlio ao cortar o cordão umbilical do Heitor então... Enfim, momentos únicos na nossa vida, que ficarão guardados para sempre nas nossas memórias, e que com certeza teremos o maior prazer em compartilhar com o nosso filho no futuro.




Nos dias seguintes ao parto continuamos sendo acompanhados diariamente pela equipe, que fez os primeiros acompanhamentos e orientações a mim e ao Heitor, todo o suporte nos primeiros cuidados, tais como os banhos do bebê, cuidados com o coto umbilical, cuidados puerperais, massagens, novas rotinas entre outros tanto. E ainda nos ajudaram a realizar o ritual lindo da placenta, registrando em uma tela o carimbo da placenta e do cordão umbilical. O Heitor ganhou da vovó paterna um Pé de Jabuticaba, que foi batizada como a sua árvore da vida, e nós a plantamos no quintal, em frente a janela do quartinho dele, com a placenta plantada abaixo das raízes da árvore.




E assim construímos mais uma parte da nossa linda história. Os dias que se passaram após o parto têm sido cheios de novidades, cada gritinho, cada sorriso, cada olhar, cada gestinho do Heitor nos encanta. É o nosso príncipe lindo.




E afirmo para vocês, valeu apena cada minuto, e caso tenhamos mais filhos não tenho dúvidas que optaria pela mesma maneira e tipo de parto! Só tenho a agradecer, primeiramente a Deus, meu marido Túlio, Helena, Sandra, Izabella, Naira, e claro, ao príncipe lindo Heitor, protagonista de todo o processo.









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