4 de fevereiro de 2021

Relato de parto da Nayane: parto domiciliar em Pimenta Bueno



No dia 12/01 foi meu Chá de Bênçãos, preparado e organizado pelas minhas amadas @mileferronato @laismacielmatias @raquelnns, era virada de lua, Lua Nova, lua de concepção da Helena, e eu acredito muito na influência da Lua! Comecei com os pródromos na quarta feira dia que mudou a lua, sentia algumas cólicas!Minha irmã teria que ir pra Ji-Paraná na quinta e só voltaria no sábado, queria muito que Helena esperasse ela, assim como no nascimento da Maria Clara, mas também entreguei nas mãos de Deus, se fosse pra Helena nascer sem ela aqui, que fosse feita a Sua vontade! Na quinta feira começou sair tampão, sexta mais um pouco e como percebi que a hora dela estava se aproximando, fui preparando o ambiente que ela nasceria do jeito que eu queria, o mais acolhedor e mágico possível! Titia Mile chegou no sábado, eu continuava em pródromos, mas nada de entrar em trabalho de parto, mas na minha cabeça eu imaginava que ela nasceria no domingo, dia que completaria 40 semanas e dia que Maria Clara também nasceu!



No sábado a noite, chamei meu marido no cantinho de oração que havia preparado e fizemos uma oração muito sincera, pedindo que ela viesse na hora dela e que Deus abençoasse o momento da sua chegada com muita saúde e ali me senti mais tranquila!Na manhã de domingo às contrações começaram a pegar um ritmo, a cada 5 minutos, me deu uma animada pensando que estava iniciando a fase latente, mas não durou muito tempo e perdeu o ritmo, não vou mentir que eu estava ansiosa porque as pessoas perguntavam o tempo todo, sabemos que não fazem por mal, mas isso atrapalha, também comecei a pensar que ela passaria muito das 40 semanas, que talvez não entrasse em TP e minha irmã teria que voltar pra Jí-Paraná às 05h30 da manhã de segunda! Tentei dormir e relaxar a tarde e por volta das 17h percebi que realmente entrei na fase latente, as contrações pegaram ritmo a cada 5 minutos e não pararam mais, eu estava muito tranquila, a dor era quase nada, fui caminha na quadra com a Lola, aguardando minha irmã, mãe e vó chegar lá em casa! Às 18h minha irmã fez um toque e estava com 4cm de dilatação, elas foram embora a noite e eu fui tentar dormir e quem consegue dormir, mesmo que as contrações eram muito suaves?Então por volta das 23h chamei minha irmã pra ficar aqui em casa comigo (ela estava na minha mãe), ela veio e madrugada a dentro o TP não pegava intensidade, verificamos o batimentos fetais a cada hora e tudo permanecia normal!Deitamos na sala e ela conseguiu dormir e foi aproximando a hora que ela teria que ir trabalhar, se não tivesse evolução ela teria que ir! Resolvi mais uma vez ir no cantinho de oração e pedi muito a Deus e Nossa Senhora do Bom Parto que evoluísse o TP, até porque já estava chato contrair a cada 5 min e não aumentar a intensidade.. rsrs...a dor não me incomodava nada, mas não conseguia dormir, então isso ficava exaustivo!



Comecei andar pela casa e percebi que as contrações estavam a cada 3min, mas sem intensidade, pedi a Mile fazer mais um toque, ela ficou receosa de fazer, com medo de não ter evoluído e eu ficar ansiosa! Só sei que as 05h ela então decidiu fazer, porque pedi muito, e eu lembro que falava mentalmente: Senhor tomara que já esteja uns 6 a 7cm de dilatação, e assim aconteceu, no toque ela constatou que estava 7cm e eu incrédula, até falei para ela como pode dilatar tanto sem eu sentir quase nada de dor? Liguei pra minha doula @laismacielmatias e pra @janetestocco... logo às 05h15 a Laís chegou e quando ela chegou a dor começou intensificar, mas ainda tudo tranquilo! Fomos nos preparando, conseguimos fazer umas fotos, ela me auxiliando nas massagens, exercícios, e ainda consegui dançar a música que queria "É Hoje" da Ludmilla...rsrs... e por uma hora a dor ficou a mesma! Meu marido não conseguiu ficar muito comigo, a Maria Clara acordou e ele foi ficar com ela, dando assistência quando preciso!



Às 06h10 a equipe do @hospitalsantacecilia chegou, minha amiga @janetestocco e @borchardtaristeu, e com a chegada dela a dor intensificou mais ainda... eu imagino que eu estava com uma 8cm, e acreditem a dor estava muito tranquila até, mas consegui interagir com a equipe! 

Janete e Aristeu muito tranquilos, observando, brincando com a Maria!Lembro que pedi a Laís que queria ir ao banheiro, ela me auxiliou, e ela ofereceu para ir pro chuveiro quente e foi ali quando agachei, foi que a dor intensificou daquele jeito, você tem a impressão que vai morrer, aliás, você sabe que vai morrer, porque na verdade você vai (re) nascer, é muita dor, e você se vê num beco sem saída, porque sabe que não tem como voltar atrás, é enfrentar a dor e se entregar!

Posição de 4 apoio no banheiro, senti um puxo (vontade involuntária de fazer força) pedi a Laís, minha doula, chamar minha irmã, ela tentou fazer um toque comigo de cócoras mas não conseguiu, fomos pra cama e então estava 9 pra 10cm, quase total, colo ainda não tinha apagado, e ela falou que pela bolsa íntegra, a bebê estava um pouco alta, talvez demorasse algum tempinho!



Mas as contrações eram uma atrás da outra, e os puxos cada vez mais forte, a cada contração eu agachava e fazia força!Eu coloquei a mão e senti a bolsa no canal vaginal, foi quando a Laís me conduziu pra piscina, antes de entrar fiz mais umas 2 forças, entrei na piscina e escolhi meu cantinho, olhando pra parede e de cócoras (sempre imaginei parindo sentada na banheira, mas é o instinto na hora que faz você saber como quer parir)Escutei o barulho da bolsa rompendo, coloquei a mão e senti a cabecinha dela no canal vaginal e dali não tirei mais a mão, senti ela o tempo todo até sair, arde demais socorro, mais umas duas forças e ela saiu na minha mão, eu a retirei e trouxe para meus braços, nós duas ali concentradas, como um animal que vai parir quietinho, porque o parto é isso, é preciso desativar o o lado racional e ativar o lado primitivo! 

Só sei que o desfecho final foi tudo tão rápido, minha irmã tinha acabado de sair pra ver algo, Saviano esquentando água, o momento que ela nasceu mesmo não deu pra filmar, quando falei que ela estava vindo, a Janete saiu correndo chamar todos.. rsrs! 

Só sei que foi assim, a segunda maior emoção da minha vida, não tem explicação de como foi surreal! E às 06h50 do dia 18/01 ela nasceu de mim e eu renasci dela, Helena! Nasceu super bem, com 1 circular de cordão, pesando mais ou menos 3.350 (pesamos certinho no outro dia), 50cm, já mamou bem lindinha no tetê da mamãe!!!

Mamãe Nayane Cristina S. Ferronato

Papai Saviano Fuzari de Abreu

Maninha Maria Clara!
Equipe: Obstetra Delano Evangelista, Enf. Obstetra Camile Ferronato, Doula Laís Stefani, Enf. Janete Stocco e Tec. Enf Aristeu Borchardt




Períneo íntegro!








2 de fevereiro de 2021

Relato de parto da Nayara: parto domiciliar em Cacoal


Olhando para o dia 21/11/2020 ainda não consigo acreditar que ele aconteceu, vou começar agradecendo a Deus por tudo e por todos que estiveram ao meu lado.

Desde que me lembro sempre imaginei que teria um parto normal, pois uma cirurgia seria uma saída de emergência. Quando descobri a gravidez, descobri também que não sabia nada sobre o que era um parto.

Durante as 38 semanas foram horas estudando livros, vendo depoimentos de outras mulheres e assistindo documentários (Meu marido viu todos tbm), enfim estávamos teoricamente preparados.
Ao longo das consultas do pré-Natal conhecemos o parto domiciliar planejado, e após apoio da GO Dra Livia, contratamos um enfermeiro obstetra para nos acompanhar. Confesso aqui que não manifestei interesse em contratar uma doula. (já adianto, um erro meu).

Chegamos então na sexta-feira 20/11 por volta das 17 horas, Foi onde percebi que as contrações de treinamento estavam ficando diferentes, mas vida que segue, achei que iria passar, mas elas foram aumentando a intensidade, a 01 hora da manhã de sábado acordei com uma contração mais forte, fui ao banheiro e o tampão tinha saído, voltei pra cama e cada contração ia para o banheiro, pq sentada no vaso eram mais leves.

As 06 da manhã mandei mensagem pra a Dra Livia e para o Enfermeiro Jonathan avisando do tampão e das contrações. Dra Lívia me disse que poderia ser os pródomos, fiquei tranquila, pq sabia que isso podia demorar, porém as 10 horas às contrações estavam mais intensas e eu já estava no chuveiro, lembro de dizer ao meu marido: agora sei pq algumas mulheres pedem pela Cesárea.

Nessa altura eu pensava: quando forem me avaliar se a dilação tiver em 3 cm eu vou pedir para ir pro hospital kkkkk, Cleverson ligou para Enf. Jonathan, que chegou perto das 12 horas, me avaliou e para a minha surpresa já estava com 7cm de dilatação, a Dra Lívia foi acionada e eu voltei pro chuveiro, pois deitada na cama as contrações eram muito mais dolorida.

Nesse meio tempo o Cleverson foi comprar o almoço e buscar a minha irmã, que não sabia de nada. O Jonathan tocou violão e cantou, me relaxando ainda mais entre uma contração e outra.

Minhas pernas já estavam ficando cansadas. Voltei ao vaso sanitário e entre uma contração e outra comi açaí, Dra Lívia chegou e ao avaliar estava com 9 cm, disse que estávamos quase lá e perguntou se podia chamar a doula.

Quando a Cibele chegou foi tão atenciosa, fez massagens durante as contrações, acupuntura, foi de enorme ajuda, me disse para tentar outras posições, um suporte tão importante que como eu disse nem imaginava a diferença que faz.

Cleverson foi um verdadeiro companheiro, meu suporte, sempre me apoiando literalmente, te amo ainda mais.



Nessa altura alguém perguntou se eu queria entrar na piscina e eu disse sim, entre uma contração e outra a gente fica meia dopada rsrsrs, e lá se foi a equipe encher a piscina, eram umas 15 horas, nesse momento a bolsa estourou.

Cibele me disse: as contrações vão ficar mais fortes e realmente ficaram. Durante todo o dia eu só pensava até que ponto vai aumentar a dor, então eu descobri, e desisti da piscina, voltamos ao chuveiro, estávamos todos lá no meu banheiro, médica, enfermeiro, doula, meu esposo e minha irmã.

Meu marido sentou em um banquinho e eu fiquei apoiada nele e de cócoras, a cada contração eu era motiva mais e mais, até que ao colocar a mão senti os cabelos da minha filha. Faltava pouco.

Então tudo começou a arder muito, o tal do círculo de fogo estava queimando, ainda não sei como minhas pernas estavam respondendo.

Então as 16:21h de um sábado a tarde, no banheiro da minha casa, Clara veio ao mundo pesando 3035kg, 49cm, apgar 9/10, do meu ventre pros meus braços, cercada de amor, uma emoção sem fim. Papai cortou o cordão, ficamos ali por um tempo precioso, quando a placenta saiu ainda estávamos em êxtase.

 

Tomei um banho com a ajuda do marido, enquanto a equipe cuidava da Clara, depois comi uma panqueca, Clara ficou nos braços do papai, e a equipe celebrou com guaraná Jesus Rsrsrs .

A frase da minha irmã resume bem o que é um parto: foi feio (leia-se gritos e dores) mas foi lindo. Eu não mudaria nada, pra mim o dia passou tão rápido que ainda não consigo acreditar. Obrigada a todos sem vocês nada disso teria sido possível.









Relato de parto da Gabriela: parto domiciliar em Pimenta Bueno





Histórias de quem nasce entre os lençóis de casa... Rondônia tem parto domiciliar assistido!!! E a Gabriela é doula, então sabe bem a razão de ser desta forma de nascer. ❤



Bom tudo começou na manhã de terça-feira as:

07:00 acordei com uma leve cólica que vinha e ia, levantei para ir ao banheiro fazer xixi. Quando desci da cama escorreu pela perna um pouco de líquido (ERA A BOLSA, que até então achei que era o xixi vazando 🤭). Voltei a deitar pra ver se passava.

08:00 recebi a esteticista para fazer a depilação que já estava marcada e as cólicas permaneciam... eu achando que já passariam e seriam apenas pródomos.

09:00 tomei um banho, fui fazer um leite com aveia para tomar e elas estavam bem mais intensas. Fui ao banheiro e o tampão saiu um pouco. Comecei a sentir uma alegria misturada com frio na barriga, andei pela casa conversando com o Leo, sem crer que estava perto!

09:30 mandei mensagem pra minha Doula Cibele e para a Fernanda, enfermeira do meu obstetra Dr Jonatan, que havia acordado diferente e que teve saída de tampão. Mas que estaria monitorando no decorrer do dia e avisaria se evoluíssem. As contrações já estavam vindo de 3 a 2 minutos, mas eu não acreditava que iriam permanecer nesse ritmo, estava esperando elas acalmarem ainda e aí eu organizaria as coisas que estavam faltando. Mas esses espaços não chegavam...

10:00 mandei mensagem para o Cássio que quando pudesse vir do serviço pra casa pois estava com sintomas de TP. Chegou na mesma hora. As contrações permaneciam 3 a 2 minutos e bem mais fortes.

10:30 Sentei no tapete do chão do quarto com o Cássio e já estava pra lá de baguida. Ele até sugeriu chuveiro, mudanças de posições, mas eu já não respondia por mim e não conseguia sair dali. Apenas queria ele ali comigo... Pedi pra que ligasse pra doula e a equipe avisando que eu realmente estava em trabalho de parto ativo e que eles poderiam vir.

10:45 eu fui ao ápice e falei: CASSIO LIGA PRA TODO MUNDO DE NOVO! CHEGOU A HORA!

Eu já estava com vontade de fazer força incontrolável! Sentia um pressão em baixo! Vocalizando com a contração! Assustei real!

Cassio ligou novamente para a equipe e ligou para minha mãe que em 5 minutos estava aqui e me abraçou jogando um balde de energias!

11:15 equipe chegou. UFA! Dr Jonatan conversou comigo ali no chão com toda calma e tranquilidade e depois pediu pra eu me deitar na cama pra me avaliar eeeeee Gabi bebê tá aqui em baixo! Agora é só a força e ele nasce. Todo mundo começou a pegar as coisas e eu passada! Pedi pro Cassio pegar a caixinha de som e meu celular para eu por minha playlist que não tinha colocado ainda


E então concentrei no maior encontro da minha vida, me atentei que chegamos ali trabalhando juntos! Que orgulho desse bebê! agora era mais uma etapa e eu e ele e seu pai nos conheceríamos...

No intervalo das contrações pegava forças no olhar do Cassio que apoiada sobre ele me lembrava que o Leo estava chegando.

A feição da minha mãe de alegria de que a vida e o Espírito Santo estavam ali!!!

Dr Jonatan que passou toda segurança que estava indo tudo lindo e bem

11:45 Chamei ele e então, Leo chegou! E com todo respeito veio para meus braços, no calor do seu lar, eu, ele e seu pai nos apresentamos com o som mais lindo do mundo, chorou!


Acredite, mulheres sabem parir e bebes sabem nascer!




Gabriela Stocco, Pimenta Bueno-RO
Parto Domiciliar Planejado
Equipe do Hospital Santa Cecília Obstetra: Drº Jonatan Peres






Relato de parto da Kamilla: parto normal domiciliar-hospitalar em Villhena



Eu me apaixonei por esta história de parto quando o li no grupo Parto em Rondônia do Facebook. Fico feliz que a Kamilla tenha compartilhado... que inspire e emocione! Vamos ao relato...

Sabe aqueles partos de novela, que a mulher já chega parindo no hospital...assim foi o meu! Se eu for relatar apenas o parto ia dar algumas poucas palavras, por isso decidi relatar o dia inteiro do parto.

Dia 23 de Abril de 2019, Vilhena/RO.

Durante toda a gestação continuei com a minha rotina de exercícios e alimentação saudável, e no dia do parto não foi diferente. Acordei cedo, arrumei as crianças (já tenho 2 meninos) para a escola e demais atividades, tomei meu café e fui para academia, e neste dia estava mais animada do que nunca, decidi andar 3 km na esteira, e não 2 km como de costume, fiz uma serie de agachamentos, me alonguei e fui embora satisfeita...de la fui direito para o trabalho, como faltava apenas 1 dia para 40 semanas (não achava que a gestação ia tão longe desta vez) já havia deixado muito coisa resolvida e encaminhada no escritório, então passei algum tempo ali e logo fui fazer outras coisas relacionadas a rotina de mãe e esposa...Almocei e passei a tarde em casa com o filho mais novo (até então).

Final da tarde Dr° Nilton mandou mensagem pedindo para dar um pulinho no hospital para monitorar o bebê...chegando lá, ele pediu minha autorização para fazermos um “toque”, pra ver como estava o colo do útero, ate então nunca havia feito este procedimento, mas foi claro ao dizer que se não quisesse esperaríamos o momento do início do trabalho de parto...eu autorizei, e para nossa surpresa já estava com 4 para 5 de dilatação, e Dr. Nilton disse que não demoraria muito para o trabalho de parto começar e que ele achava que seria um parto rápido e fácil, nos aconselhou a ir para casa fazer uns agachamentos e caminhar.



Apesar de termos ficado animados, meu marido tinha um compromisso no outro dia de manha e não queríamos que o trabalho de parto iniciasse naquela noite, então tentei ficar quietinha, mas ser mãe de 2 meninos não me permite esse luxo, fui dar banho nas crianças enquanto o marido preparava o jantar.
La pelas 20:30h comecei a sentir que as contrações de treinamento se intensificaram e estavam mais ritmadas, comecei a desconfiar que o trabalho de parto ia começar...colocamos as crianças para dormir, organizamos a cozinha e sentia as dores cada vez mais fortes.



As 21:30h resolvi ligar para o Jonathan, nosso enfermeiro obstétrico, naquela altura já sabia que o trabalho de parto tinha dado início. A última coisa que eu queria era entrar em TP (trabalho de parto) a noite, não queria passar a madrugada sentindo dor, tenho a impressão que a noite todas as dores se intensificam e o tempo demora mais a passar. Mas como não temos controle de tudo, me conformei e mergulhei de cabeça neste momento.

Jonathan chegou as 22h, fez o toque, e apesar das contrações estarem fortes e bem ritmadas, ainda estava com 5 de dilatação, disse que faríamos uma nova avaliação as 23 h, então imaginei que a noite seria longa...ficamos na sala de casa, eu, o marido e Jonathan partejando, assistindo o renascimento do parto...o marido fazendo massagem nas costas, Jonathan monitorando o bebê...resolvi chamar a fotógrafa que já estava de sobreaviso e logo ela chegou. Liguei para minha mãe vir ficar com os meninos, porque provavelmente ia para o hospital continuar o trabalho de parto por lá.

A cada contração sentia que as dores se intensificavam, e elas viam a cada 2 a 3 minutos...e quando faltava alguns poucos minutos para as 23h relatei que a vontade de fazer força havia chegado, Jonathan pediu pra avaliar e para nossa surpresa, estava com dilatação total e bebê no expulsivo, Jonathan pediu pra irmos urgentemente para o hospital. E eu, na maior cara de pau e paciência do mundo, pedi pra ganhar em casa, mas ele não me permitiu rsrsrsrs. Na próxima contração a bolsa estourou. Marido se apressou em pegar as malas e enquanto esperávamos no jardim ele sair da garagem outra contração, achei que Bento ia nascer ali mesmo...dentro do carro a vontade de fazer força era enorme, e tive que me controlar muito pra não nascer ali, se fosse durante o dia, onde o trânsito se torna mais lento, acho que teria nascido dentro do carro...mas enfim, chegamos ao hospital e no corredor eu me agachei, não conseguia mais andar, e Jonathan viu que o bebê estava coroando, e que iria nascer ali mesmo...mas o marido me pegou no colo e me colocou na maca, naquela fria de alumínio mesmo, e fomos correndo para a sala da maternidade...correndo não, voando...e em menos de 30 segundos, as 23h10 Bento nasceu...ja chegou fazendo um show, do jeito que eu gosto, pura emoção e adrenalina...porque se eu gostasse de monotonia e previsibilidade tinha feito uma cesárea por opção.



Colocaram ele no meu colo/peito e ficamos ali conectados durante um tempo, Dr. Nilton, que estava em outro parto na hora que cheguei no hospital, foi ao nosso encontro pouco tempo depois de o Bento nascer. Quando enfim a placenta parou de pulsar o marido cortou cordão, e ficamos ali nos 3, sentindo aquela emoção, deixando a ocitocina nos envolver.


 

Não houve episio, porém houve uma pequena laceração. No momento em que Dr. Nilton avaliava e dava os pontinhos necessários, Bento foi avaliado pelo pediatra...nasceu com 51 cm e 3.720 kg.

Pouco tempo depois já estávamos no quarto e ficamos ali a noite inteira contato pele a pele, entre mamadas e cochilos.



Em nenhum momento foi necessário suplementação com leite artificial, o contato pele a pele foi imprescindível para a apojadura (descida do leite).

Na minha primeira gestação o puerpério foi terrível, na segunda um pouco menos, na terceira passou batido...é claro que a maturidade e experiência nos tornam mais traquilas, mas este parto foi um das maiores realizações da minha vida. Me sinto realizada, segura e empoderada.



Quando me perguntam o que eu fiz pra ter um parto assim, minha resposta é...busque o apoio do marido/pai do bebê, seja acompanhada por um bom profissional da saúde que te oriente com a verdade e não pensando em interesses próprios, tenha uma boa alimentação, faça exercícios físicos regulares e pra finalizar...seja positiva, acredite que tudo dará certo, que o seu corpo esta preparado, não existe nada mais empoderador do que acreditar na própria capacidade. Eu mentalizei e rezei para que este parto fosse assim...e Deus atendeu o meu pedido.

Mãe: Kamilla Bagattoli Rodrigues
Pai: Jean Fagner Rodrigues
Bebê: Bento Bagattoli Rodrigues
Enfermeiro Obstétrico: Jonathan Souza
Médico Obstétra: Dr. Nilton Nilo
Hospital: Regional de Vilhena/RO
Fotografia: Fran Bona





11 de abril de 2020

Relato da Patrícia: parto normal hospitalar com doula em Cacoal



Desde minha adolescência, sempre falava com minha mãe que quando tivesse um filho seria parto normal e eu iria amamentar. O tempo passou, cresci, amadureci, e Deus me apresentou alguém muito especial, o Paulo, meu esposo. Nos conhecemos em um projeto da igreja em agosto de 2015, começamos a namorar em fevereiro de 2016 e, pouco tempo depois, já sabia que este namoro resultaria em casamento. No dia 10 de junho de 2017, nos casamos e iniciamos nossa família, cheios de planos e sonhos, e um deles era ter filhos. Adiamos por 1 ano e meio, até que em novembro de 2018 decidimos parar com o anticoncepcional e, para nossa surpresa, no dia 11 de janeiro de 2019, descobri que estava grávida.

Comecei a busca por informações a respeito de parto natural, amamentação e também um médico experiente, em quem eu realmente confiasse, mesmo se houvesse a indicação de cesárea. Foi um turbilhão de emoções, não esperava que aconteceria tão rápido. Mas era real, nosso bebê já estava a caminho. Nas primeiras semanas tive enjoos esporádicos, mas logo não senti mais nada. Com o passar dos dias, percebia meu corpo se adaptando ao novo ser que Deus formava dentro de mim. No dia 01 de abril descobrimos que era nosso príncipe Samuel que estava a caminho. Depois de pesquisar e avaliar a opinião de mulheres que tiveram seus bebês acompanhadas por um obstetra de Cacoal, marquei uma consulta com ele e decidi mudar de obstetra com 31 semanas.
Iniciamos a contagem regressiva para o grande dia. Eu estava com 39 semanas e 4 dias, era noite de lua cheia. Comecei a sentir contrações por volta de 2h da manhã do dia 15/09. Fui pra debaixo do chuveiro quente com a “bola de pilates", pra ver se amenizavam as dores, mas as contrações só aceleraram e os intervalos diminuíram. Meu esposo começou a cronometrar pelo aplicativo e, como os intervalos ficaram mais curtos e as contrações ritmadas, pedi pra ele chamar minha doula Cibele. Quando ela chegou, as contrações estavam muito fortes, então ela começou a realizar massagens e orientar meu esposo sobre como ele poderia ajudar a aliviar um pouco as dores.



Por volta de 03h30min, o Paulo ligou para o médico, explicou como eu estava e ele falou para irmos para o hospital. Chegamos lá e o doutor chegou em seguida, fomos para o consultório, ele fez o toque e eu já estava com 8cm de dilatação, então ele me encaminhou para o quarto, onde fiquei durante o trabalho de parto e parto. Fui internada às 04h, Paulo ficou o tempo todo comigo, me apoiando, dando todo suporte, me incentivando, em alguns momentos pensei que fosse desmaiar, olhava para ele e dizia: estou sem forças, não aguento mais, e ele respondia: aguenta sim! Ele foi incrível, tenho certeza que sem ele não conseguiria.


A doula também ficou o tempo todo com a gente e foi essencial para que a chegada do nosso primogênito fosse tão linda. Durante a parte mais intensa do trabalho de parto (hora da expulsão), foi um misto de sensações, tive medo de não conseguir, mas também uma força interior que eu nem imaginava ter, tomou meu corpo e me fez empurrar Samuel para fora.


E esse foi o momento mais emocionante, quando vi aquele serzinho tão aguardado e tão amado sair de mim. E, apesar de todo o cansaço, foi uma explosão de alegria. As 08h05min, Samuel nasceu e veio direto para os meus braços. Foi o momento mais emocionante, encantador e indescritível que vivi!!!

 

Meu nome é Patricia (Patricia Rosa Oliveira Silva Lanes), sou servidora pública estadual e atuo no cartório eleitoral. Sou casada com o Paulo e mãe do Samuel



Relato da Ana Deise: Cesárea com doula impedida de atuar em Rolim de Moura



***alerta de violência obstétrica***

Durante a gestação sempre fiquei tentando imaginar como que seria o meu relato de parto e hoje eu tenho a missão de escrevê-lo. Era madrugada do dia 12/01/2019, lembro-me de ter acordado por volta das 04:00 horas para uma ida rotineira ao banheiro, foi quando percebi que havia perdido o tampão mucoso. Só Deus sabe como fiquei feliz naquele momento, pois sabia que o momento que eu mais almejava estava chegando, tomei um banho e tentei descansar, pois sabia que precisava de forças para o trabalho de parto.

Por voltas das 05:00 da manhã comecei sentir fortes contrações, elas variavam em um espaço de tempo, então constatei que estava nos pródomos. Minha alegria era imensa, primeiro avisei ao meu esposo, que tentou se manter calmo naquele momento e me dar todo apoio necessário, em seguida avisei minha doula Suelen Leal e logo em seguida minha amiga e também enfermeira Elisandra. Elas ficaram felizes e me passaram todo apoio e tranquilidade que eu precisava naquele momento e me pediram para descansar o máximo que eu pudesse.

Às 10:30 da manhã do dia 12/01 minha doula foi ver como eu estava, ouvimos os batimentos fetais que estavam em 147 por minutos, ela me examinou e viu que eu estava bem e feliz e o mais importante, meu bebê estava muito bem. Ela disse: “Deise, sabe que pode demorar então se alimente e descanse, logo você entrará em trabalho de parto, precisará estar bem”. E foi o que fizemos, almocei, descansei e até dormi um pouquinho, eu estava tranquila afinal, tínhamos nos preparado para aquele momento.

Às 15:00 minha amiga Elisandra chegou em minha casa. É importante ressaltar que houve sim um planejamento de parto, tanto que eu tinha uma doula e uma enfermeira me dando suporte. Faríamos o trabalho de parto em casa e só iríamos para o hospital na fase latente do trabalho de parto. Assim que a Elisandra chegou ouvimos os batimentos do bebê e ele estava muito bem, se mexia com frequência, era como se quisesse me dizer que aquele era o momento. Logo em seguida minha doula chegou, sentamos, conversamos e demos risadas, o momento era de felicidade, todos estavam com o coração cheio de alegria.

Foi então que as contrações ritmadas começaram, e junto com elas o trabalho da Suelen que era me orientar e me apoiar em relação a tudo que eu devia fazer naquele momento. A cada contração eu agachava e minha doula fazia massagens em minhas costas, isso me ajudava relaxar, mas não parava por aí, em todo momento eu estava ativa, caminhei, agachei, fiz exercícios com a bola, tomei banho morno, descansei, comi... Ufa, como trabalhamos! Mas em meio a tudo isso, não havia tristeza, sofrimento, angustia e desespero, pelo contrario, era só felicidade.

Meu filho estava chegando e durante os nove meses de gestação eu havia me preparado para aquele momento, fiz o possível com relação ao que se tratava de saúde e de preparo. Durante a gestação me alimentei corretamente, fiz atividade física e sempre pensei em fazer o melhor para o meu filho, tanto que esperei o momento dele.

Por volta das 20:30 da noite o processo do trabalho de parto já estava significativamente evoluído, então resolvemos que era o momento de irmos para o hospital. Tomei um banho morno e relaxei meu corpo, meu esposo e a enfermeira colocaram as malas no carro. Eu me troquei, penteei o cabelo, então disse “estou pronta”! Não consigo descrever o que se passava na minha mente naquele momento, era uma mistura de dor das contrações com alegria do momento de ver meu filho chegando.

Então as 21:00 horas da noite demos entrada no hospital, passamos pela triagem e logo em seguida fomos encaminhados para a ala das gestantes, e foi ali que toda minha tranquilidade e felicidade acabaram. O medo, pavor e angustia tomaram conta de mim em frações de segundo. A enfermeira que estava no plantão chamou pelo meu nome para o médico me examinar, minha doula, que tem entrada permitida pela Lei Das Doulas, entrou comigo. Porém, assim que entramos e o medico a viu.. o circo dos horrores começou.

Primeiro, que a falta de educação era maior que qualquer coisa e, segundo, que quando entrei na sala de parto o médico não me cumprimentou, apenas me disse para tirar a calcinha e deitar para ele me examinar. Então eu disse: “Boa noite Dr., eu já estou em trabalho de parto”. Ele, como se não tivesse me ouvido, olhou para a doula e disse grosseiramente, “Quero que você saia e fique lá fora, pois eu preciso trabalhar”. Ela disse: “Dr. eu sou a doula dela, posso acompanhá-la”. Ele muito friamente, sem se importar em me respeitar, sem se importar com o que eu estava sentindo disse: “Não me importa o que você é, só quero que saia”. Eu que já estava deitada na maca para ser examinada indaguei: “Mas Dr. ela é minha doula, deixa ela ficar”, mas ele continuou dizendo que se ela continuasse, ela que faria meu parto, queria até que ela assinasse que ela era responsável por mim e pelo meu parto.

Juro que tentei me manter calma, mas pelo teor da situação, naquele momento o medo já havia tomado conta de mim, eu fiquei com medo do que ele poderia fazer comigo ou com meu bebê. Porém não havia mais para onde ir, nem o que se fazer. Deixei-o me examinar e ele por pura implicância disse que eu só havia dilatado 2 cm e que seria impossível eu ter parto normal. O único alivio foi ouvir o coraçãozinho do meu bebê, que se mantinha normal e saudável.

Assim que saímos da sala do médico, cogitamos a ideia de ir para outra cidade, mas vários medos rondavam minha cabeça, as contrações já eram bem fortes e eu tinha medo de não conseguir chegar até outro hospital. Eu já não era mais a mesma, meu corpo deu os sinais de que havia algo de errado comigo. A adrenalina tomou conta de mim e toda minha tranquilidade começou ir embora.

A adrenalina ativa a atividade do neocortex e inibe o processo de parto! O desencadeia a adrenalina? Medo, mau humor, conflitos, dúvidas, inseguranças, excesso de toques, preocupações e etc.

Foram todos esses sentimentos que começaram a me assombrar naquele momento. Demos entrada no leito, porém uma crise de choro tomou conta de mim, eu sentia medo de toda aquela situação. Comecei chorar e uma crise de tremores se espalhou pelas minhas pernas, eu não conseguia controlar aquele tremor, fiquei assim por mais ou menos 1 hora, sendo assim, meu trabalho de parto retroagiu, minhas contrações simplesmente pararam. Eu me lembro de ter cochilado por um tempo, o tremor havia passado e as contrações voltaram, foi então que decidi continuar lutando.

Porém eu não conseguia mais fazer o trabalho de parto como antes e, sabe, eu me culpava muito por isso, mas não era culpa minha, eu havia perdido toda energia na sala daquele médico. Minha doula Suelen tentava me acalmar e me animar e me dar forças, minha amiga Elisandra fazia o mesmo. Assim seguimos madrugada adentro, ali sozinhas, eu contava apenas com o apoio delas, meu esposo, coitado, não podia entrar, estava lá do lado de fora, o médico sei lá por onde andava, e as enfermeiras não gostavam da presença da doula ali.

Eu necessitava daquele momento de respeito à fisiologia do meu corpo, precisava me sentir protegida, segura, apoiada, confortável e relaxada, precisava sentir que era ali que eu devia estar, que era ali que meu filho nasceria, mas era tudo confuso. Às 02:00 da madrugada escutamos os batimentos cardíacos do bebê e estava tudo bem, 140 batimentos por minuto, e o médico fez o toque, com a rispidez de sempre e disse que estava apenas 5 cm.

Voltei para o quarto e lutei bravamente para não desistir, fiz todo o possível, não incomodamos ninguém, apenas seguimos no trabalho de parto, claro que eu já não estava como antes, com toda aquela felicidade, pois era tudo muito confuso, mas o propósito era o mesmo, eu acreditava bravamente que era possível sim meu filho nascer de um parto normal. Não era capricho, era apenas respeito ao nascimento, ao ato de parir.

Às 07:00 da manhã do dia 13/01 já na troca de plantão, uma enfermeira chegou e disse: “Nossa! Ela esta muito cansada, coitada, onde esta o médico que ainda não examinou?” Ela me levou para uma sala de espera que ficava ao lado da que o médico examinava as pacientes. Novamente ele, o médico, expulsou minha doula, meu Deus que tristeza! Que desespero eu sentia naquele momento, eu precisava de alguém comigo, precisava de um apoio, porém o médico disse para a doula sair, ele disse: “Vamos, saia daqui! Não te quero aqui! Se não sair eu não vou fazer o meu trabalho, eu não vou fazer o parto dela”.

Para não causar mais conflitos, a doula olhou com muita tristeza para mim e disse: “Deise, eu vou ter que sair, pois tenho medo do que ele pode fazer com você”. Eu estava apavorada, mas tive que aceitar, não tinha para onde ir, nem o que fazer. Então o médico mais uma enfermeira me levaram para a maca para poder ser examinada, eu mal tinha forças para subir na maca, estava apavorada, mas o sentimento de trazer meu filho ao mundo era maior.

É importante dizer que, não tenho nada contra a cesárea, assim como não tenho nada contra o parto natural, sou a favor de todas as mães terem seus filhos da forma que desejam, com respeito e sem serem coagidas.

Novamente o médico fez o toque e ele me disse que estava 9 cm dilatado, faltava apenas 1 cm, eu sentia muita dor, mas a felicidade era maior, pensei “meu Deus, sou capaz de conseguir, falta somente 1 cm”. Porém novamente ele veio com sua negatividade e disse: “Eu acho que não vai dar certo, vamos ver, não sei”. Pensei: "porque ele esta fazendo isso comigo, o que eu fiz para ele? Como pode alguém que estuda para ajudar as pessoas fazer isso?".

Ele pediu uma pinça para enfermeira e sem me informar nada, rompeu minha bolsa, assim, do nada, invadiu meu corpo como se eu não estivesse ali. Então me levaram para o quarto ao lado, o médico mandou eu deitar e apoiar os pés na cabeceira da cama, eu pensei: como assim? É aqui que fazem os partos normais? Não há uma sala separada e preparada? Pois é, não havia! Seria ali mesmo, o médico olhou para mim e disse: “olha, não sei se vai dar certo, mas você pode continuar tentando, você fez suas escolhas, preferiu ficar com elas (doula e amiga enfermeira), elas fizeram tudo errado com você e agora você terá que sofrer as consequências, talvez o seu útero tenha rompido e o seu feto não consiga". Eu super assustada perguntei se podíamos ouvir o bebê e ouvimos, estava tudo bem com o bebê, ele era forte e os batimentos cardíacos estavam em 140 por minuto.

Mas isso não foi o suficiente para o Dr. ele continuou indagando: “Olha já vou te falar, teremos que fazer a episiotomia se não você pode se rasgar toda”, a enfermeira disse a mesma coisa e ainda completou: “O seu bebê é grande será impossível não fazer”. O médico continuou dizendo: “Eu tenho mais estudo que essa menina (ele se referia a doula), tenho livros e livros de estudo e ela o que tem?"


Agora eu te pergunto, aonde foi que ele estudou que aprendeu a tratar uma paciente assim? Aonde ele aprendeu fazer uma cirurgia assim?

Enquanto eles falavam todas essas coisas, eu estava ali gritando de dor, eu pedi varias vezes para levantar, eu queria levantar, eu queria agachar, sentia meu corpo pedindo isso, então ele veio e de novo fez o toque, meu Deus eu já havia perdido as contas de quantas vezes ele já havia feito e de como era horrível, então ele disse: “Seu colo do útero ainda esta duro, não vai dar tempo, vamos ter que fazer cesárea”. Como assim, colo do útero duro? Eu não compreendia nada naquele momento, mas não tinha mais para onde ir, a não ser a mesa de cirurgia.

Fui carregada para o centro cirúrgico, lá eu mal consegui subir na mesa de cirurgia, sentia muita dor e o desespero era maior que qualquer outra coisa. Eu chorava, mas tive que engolir o choro e me calar. Lembro-me perfeitamente de ter apenas três pessoas na sala, a enfermeira, o médico e outro médico auxiliar. Foi o mesmo médico que aplicou a anestesia em mim, achei estranho, mas naquele momento a única coisa que eu queria era ver o fim de tudo aquilo, era ver meu filho bem.

Ele disse: “Fique quieta se não eu posso te machucar”, logo depois me deitaram, eu tremia muito, já na mesa de cirurgia, era uma mistura de sentimentos, lembro de que assim que me abriram ouvir o médico auxiliar disser: “Estava ou não encaixado?” Pela minha conclusão ele quis dizer que sim, quis dizer que meu filho já estava nascendo, só precisava de tempo e eu, de apoio, de ajuda.

Quando ouvi o choro do meu bebê, eu só queria velo, ver se estava bem, logo à enfermeira o levou e eu não via a hora de tudo terminar para eu sair dali e ver meu filho, ver como ele estava. Meu esposo que foi impedido de entrar, mesmo tendo um documento e assinado e protocolado pelo diretor do hospital, onde era permitido a sua entrada, mas é claro, isso também não foi respeitado, ele estava do lado de fora, desesperado em saber noticias nossas.

Era tão desesperador, quando sai, me senti derrotada, culpada, fracassada. Olhei para o meu esposo e chorei, pedi perdão por não ter conseguido, ele me olhou e disse: “Calma meu amor, você foi guerreira e o nosso filho é lindo”. Eu não queria encarar ninguém e dizia à todo tempo “eu não consegui, me perdoem”.

Tinha que lidar com tanta coisa, um momento era para ser de total felicidade, na minha cabeça era de total fracasso. Estava feliz e aliviada de ver meu filho bem, mas como mulher e mãe, me sentia um fracasso. No mesmo dia, muitas enfermeiras foram até o meu quarto, perguntaram sobre o parto e quando eu contava o ocorrido elas não se surpreendiam, diziam que para haver um parto ali com respeito, precisava de muita mudança.

A enfermeira que estava com o médico quando dei entrada no hospital me visitou no dia seguinte, ela me relatou que sabia que o medico não faria a cesárea só de pirraça, pois não gostava da doula e que ele me deixaria sofrer ate o último momento e depois faria à cesárea, disse também que isso já havia acontecido outras vezes e que já ate tiveram que empurrar a cabeça de bebés que estavam coroando, eu fiquei sem palavras. Quando ela saiu eu pude concluir que eu não era a primeira e não seria a última vitima a passar por todas essas atrocidades, muitas mulheres passam por coisas terríveis dentro daquele hospital, triste a nossa realidade.

Quando você passa por algo tão traumático é uma luta diária para superar, você tem que lidar com muitas dores, mais a dor maior é a da alma, essa é a mais difícil de ser curada, essa dor lateja todos os dias dentro de você. Nos primeiros dias eu chorava a todo tempo, chorava escondido porque não queria que me vissem sofrer. Olhava para aquela cirurgia horrorosa e me sentia um grande fracasso, demorei a entender que a culpa não era minha, e que na verdade eu era a grande vitima. Todo dias peço a Deus para vencer cada novo dia, fico pensando até quando vamos ser desrespeitadas e maltratadas dessa forma? Infelizmente esse não foi o relato que sonhei escrever, mas foi o que me obrigaram.

 











Ana Deise Félix Oliveira tem 29 anos, mora em Rolim de Moura e é casada. Tem um filha fruto de um relacionamento anterior e o Heitor, cuja história de nascimento trazemos aqui.
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