31 de agosto de 2012

Diário de Grávida: Dias 28... 31 de agosto de 2011...

por Cariny Cielo

Há um ano eu conhecia uma doula.

A única que existe em Rondônia, se você quer saber.

Minha realidade não me permitia sonhar muito com os benefícios de ter uma doula no momento do parto, e são muitos esses benefícios!

Doula é uma palavrinha que vem do grego e significa 'servir'. Mulher que serve outra mulher. Atualmente é uma profissão em busca de regulamentação e muito rara em Rondônia... só temos uma e ela mora em Porto Velho!

Claro que é possível ter um parto legal sem ela, mas tendo uma, você aumenta muito suas chances de:

1. Não fazer uso de medicação para alívio da dor;

2. Não sofrer episiotomia;

3. Não sofrer violências verbais, emocionais;

4. Ter um parto legal, respeitoso e digno;

5. Fazer um plano de parto e garantir que ele seja cumprido pela equipe que lhe atende;

6. Garantir respeito ao seu filho no momento em que ele for recepcionado;

7. Escapar de uma cirurgia mal indicada;

8. Escapar de ter pelos raspados, sorinho na veia, lavagem intestinal, todas essas coisinhas que os hospitais fazem com as gestantes para transformar o parto em uma experiência aterrorizante...

Com uma doula, você tem uma defensora dos seus direitos, embora ela nunca irá substituir o atendimento do médico, da obstetriz.

Aliás, é bom que se esclareça: doula não confere pressão arterial, não faz toque, não avalia progressão do trabalho de parto, não ouve o bebê, não decide sobre os rumos do trabalho de parto...

Minha experiência com doula foi com uma 'não' doula. A Glória, que me atendeu no meu VBAC (sigla em inglês para 'parto normal após cesárea') não é doula, não tem essa formação, mas me foi muito importante por me garantir alívio da dor através de métodos naturais. Massagem, concentração, meditação, dança... ela é massoterapeuta e sua atuação foi pontual neste aspecto. Se ficou curioso, leia o relato aqui.

Ainda não se convenceu? Acesse e conheça o blog da Cris, uma doula bem famosa e que tem muita estória pra contar. Eu preciso mesmo de uma doula?

Tá, você agora vai dizer: de quê adianta fazer propaganda de doula, se por aqui sequer existem essas profissionais? Pois é! Não existem porque não tem demanda... a partir do momento em que houver procura, elas vão aparecer.

E também porque, no Estado número um do Brasil me nascimentos por cirurgia, falar em apoio à mulher no trabalho de parto ainda é falar outra língua.

É possível ter apoio no parto de alguém que não é doula, claro! O pai do bebê, a mãe, amiga, madrinha, avó, enfim...

Eu, no parto do Giordano: um parto natural hospitalar, tive minha mãe, uma massoteraupeuta, minha professora de yoga, minha tia, enfim... Hoje, quando lembro, acho gente demais! Mas, na época, toda ajuda era importante para eu vencer o mito do 'parto normal após cesárea'.

Só a doula estuda muuuuuuuuuuito sobre empoderamento e protagonismo da mulher e isso faz toda diferença!


No diário, com nove meses, são apontados estes exames que podem ser pedidos: Ecocardiografia, Cardiotocografia, Dopplerfloxometria e cultura de secreção.

O que eu acho importante falar sobre exames é que:

1. Eles devem ser solicitados com um propósito e nunca, de rotina!

2. Que eles podem apresentar erros e isso pode destruir a paz de uma gestante.

3. Que é um procedimento normalmente muito estressante para a maioria das mulheres. Eleanor Luzes, PHD em Ciência do Início da Vida diz que a grávida deve mentalizar saúde e que, muitas vezes, se submeter a exames cada vez mais invasivos tire da mulher a pureza de seus pensamentos e os levam ao medo, à doença, ao negativo.

Eu não fiz nenhum desses. Por que? Porque sou doida varrida? Não! Simplesmente não apresentei nenhum sintoma que indicasse uma investigação maior... só isso!

Mas tive que fugir, confesso, do preferido dos obstetras: o ultrassom do nono mês! O ultrassom do nono mês é o mais desnecessário, contraindicado e absurdo exame que se pode fazer em uma gestante como rotina! Eu disse, como rotina tá, gente?!

É com esse ultrassom que os médicos adoram marcar uma conveniente cirurgia com um nebuloso diagnóstico de:

Cordão enrolado!

Pouco líquido, muito líquido

Placenta 'velha'

Bebê muito grande ou muito pequeno

E por aí vaí...

A melhor lista não é minha não, é da Doutora (com doutorado!) Melania Amorim

Eu fiz apenas dois ultrassons na minha última gestação. Hoje, numa próxima, faria apenas o morfológico, por volta das 20 semanas.

Um dos meus textos mais populares, eu fiz com colaboração da Eleanor Luzes, depois que a conheci quando fiz o curso de Ciência do Início da Vida em 2010, fala muito sobre a invasão que o sistema faz no útero materno.

Com o título Ultrassonografias de rotina não! você irá conhecer estudos que convencem acerca do porquê não fazer aquela pancada de ultrassom (e encher o bolso do médico)...

Pára tudo! Ok admito: eu também já fui daquelas que não sabia de nada disso e fiz trocentos exames, crente de que só via meu filho bem, se fosse pela tela de chuviscos.

Se eu pudesse fazer um gráfico, sairia de 9 na primeira gravidez, para 5 na segunda e 2 na terceira... depois que a gente expande o cérebro ele não cabe mais nos mesmos lugares, nas mesmas crenças... e aí, lascou!
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