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9 de dezembro de 2017

Relato de parto da Mádala: parto normal hospitalar em Ji-Paraná



Faz 6 anos que pari meu último filho e tem 3 que não amamento mais. Este distanciamento de eventos femininos tão viscerais (parir, amamentar...) me faz, muitas vezes, se afastar de minha essência, já que poucas experiências são tão impactantes para nós mulheres quanto estas. Mas eu consigo trazer à tona todas essas emoções genuínas sempre que recebo presentes como este, no email partoemrondonia@gmail.com. 

O relato de parto da Mádala que trago aqui hoje me lembrou muito o relato do parto normal do meu segundo filho, que está aqui, por conta da gratidão imensa que ela deixou transbordar nas palavras... Agradecer a experiência do parto ao filho que chegou é de uma conexão tão profunda, explicada pela Ciência do Início da Vida, que chega sufoca de emoção! 

Curta esta história linda, recheada de amor e fotos!





Pois bem! Tudo começou em fevereiro de 2016, quando eu e meu então namorido Alex, descobrimos estar grávidos. Eu havia parado de tomar o anticoncepcional por quatro meses, em razão de um nódulo no seio, benigno, mas que me fez pensar em parar com o uso desse hormônio. Contudo, passados esses meses, comecei a ficar com medo de acontecer uma gravidez indesejada , e voltei a tomar o medicamento. O que eu não me atentei, foi para aquele prazo de 30 dias informado na bula dos anticoncepcionais, uma vez que já tomava há mais de cinco anos, pensei que desde o primeiro dia que tomasse a pílula já estaria prevenida. Ledo engano! Rsrs!

E aí, SURPRESA, dores nos seios, menstruação atrasada, teste de farmácia, estamos GRÁVIDOS! Foi um super susto, ainda não éramos casados, a data do casório estava marcada para maio, e além disso, meu emprego era um cargo de confiança, sem qualquer estabilidade. Chorei litros, mas depois foi só alegria, meus pais vibraram, vovó Raimunda (mãe do namorido) ficou radiante...

Primeira ultrassom, com apenas seis semanas, tudo ok! Segunda ultrassom, com 11 semanas, tivemos a triste notícia de que nosso já tão amado bebê não apresentava batimentos cardíacos. Era um aborto retido. Choramos muito. Tive que passar por uma curetagem, processo extremamente doloroso, meu coração ficou em pedaços. E então eu vi nascer em mim um desejo enorme de ser mãe. Perder aquele pequenino ser, me fez enxergar a vida de outra forma.

Eu e namorido nos casamos em maio de 2016, e nos programamos de engravidar novamente logo que eu fosse convocada para assumir o cargo de um concurso que eu havia sido aprovada. Tomei posse em setembro de 2016, e logo em seguida começamos a tentar.

Em meio a esses meses, estávamos passando pelo momento mais difícil de nossas vidas. Minha amada sogra estava lutando contra um câncer severo e raro, descoberto em junho. A perdemos no final de outubro do mesmo ano.

E assim, em meio a toda tristeza pela perda de uma pessoa tão amada, Deus nos presenteou com o sonhado positivo. Após a morte, Ele nos deu VIDA, maior motivo para seguirmos em frente.

Primeira ultrassom tudo ok. Segunda ultrassom, com 13 semanas, aquele medo enorme de acontecer um aborto retido novamente, mas fomos agraciados por fortes batimentos cardíacos. Foi quando descobrimos que teríamos um meninão, nosso Eduardo, carinhosamente apelidado de Dudu.

A partir disso comecei a pensar em que tipo de parto eu teria. Influenciada pelo estilo de alimentação que eu estava seguindo há alguns meses, baseada em menos industrializados e mais comida de verdade, decidi que não haveria melhor escolha para a minha saúde e do Dudu do que o parto natural.

Então passei a me empoderar! Comecei assistindo ao documentário ORenascimento do parto. Fiquei encantada e ainda mais consciente da minha escolha. Por meio desse filme conheci o trabalho da Dra. Melania e passei a acessar seu blog "Estuda Melania, Estuda", por meio do qual ela disponibiliza informações a respeito do parto, todas baseadas em evidências científicas. Foi quando tomei conhecimento de que, principalmente por interesses econômicos, a maioria esmagadora de nossos médicos são cesaristas, razão pela qual são realizadas muitas cesáreas desnecessárias (desnecesáreas) em nosso país.

Me empoderei e fiz o mesmo com o maridão e meus pais, que me apoiaram incondicionalmente.
Alegria enorme foi descobrir que minha ginecologista, a competentíssima Dra. Adélia F. Pompeu, na contramão dos demais profissionais da área, é a favor do parto natural humanizado, tendo, inclusive, uma sala própria para isso no hospital HCR Maternidade, em Ji-Paraná. Nunca me esqueço dela me dizendo, em uma das inúmeras consultas de pré-natal, que: "O parto está na cabeça da mulher".


Outras influências para essa decisão foram: minha mãezinha, que apesar de ter tido cesáreas (assistida por médico cesarista, infelizmente não poderia ter sido diferente), esperou pelo momento que eu e meu irmão quisemos nascer. Minha sogra, que teve os quatro filhos de parto normal.

Minha cunhada Yasmine, que também passou por essa experiência, quando nasceu nosso amado sobrinho Isaac. Minhas avós materna e paterna, que tiveram 14 e 9 filhos, respectivamente, de parto natural. Uma colega de trabalho, Mileide, cujos relatos de parto eu li, e me influenciaram muito. Minha fisioterapeuta e amiga Keila, que também optou pelo parto normal no nascimento das suas princesas. E às inúmeras mamães que redigiram os vários e vários relatos de parto que eu li e reli.

Por volta das 30 semanas de gestação, em razão de uma conversa em família, percebi que apesar de me apoiarem, maridão e meus pais não estariam preparados emocionalmente para o dia do parto, e talvez sucumbissem a uma cesárea se me vissem sofrendo. Foi quando decidi que precisava de uma Doula. Pesquisei na internet, e encontrei o nome da Layne, no site Parto em Rondonia . Entrei em contato e marcamos um encontro. Conversamos bastante, e eu e minha família gostamos muito da Layne, e então fechamos nosso contrato verbal de que ela estaria conosco nos apoiando no dia do parto.



Tive uma gestação muito tranquila. Durante o terceiro trimestre passei a ter varias contrações de treinamento (Braxton Hicks) que me assustavam muito, em razão de ser marinheira de primeira viagem, rsrs, o que fez com que me adiantasse um pouco e tirasse a licença maternidade com 38 semanas de gestação, uma vez que moro em São Francisco do Guaporé, e não queria ter Dudu por aqui, em razão da política do único hospital da cidade, onde não é permitida a entrada de acompanhante com as mulheres que estão parindo, são obrigadas a parir deitadas, e são realizados vários procedimentos desnecessários, como a episiotomia.

Então, com 38 semanas de gestação fui para Ji-Paraná, aguardar na casa dos meus pais a hora do Dudu querer nascer. A ansiedade era meu segundo nome. Então passei a fazer várias coisas que poderiam ajudar a induzir o parto de forma natural. Passei a fazer acupuntura com a Fisio e amiga da família, Juliana Oliveira. Pulava e pulava na bola de pilates. Comidas picantes, chás de canela. E nada do Dudu querer nascer. Rsrs! Poucos sinais, algumas colicazinhas que passavam rapidamente ao tomar um banho morno.

Com 39 semanas ganhei uma despedida de barriga da querida Doula Layne. Que momento maravilhoso proporcionado por ela. Ganhei uma coroa de flores feita por ela, massagem nos pés e na lombar. Rsrs! Me senti uma rainha. Maridão e meus pais participaram desse momento também.



Por fim chegou a data prevista de parto, eu me convenci que Dudu só viria depois das 42 semanas, o que fez com que ficasse menos agoniada. Me concentrei em fazer o plano de parto, onde constei tudo o que gostaria e não gostaria que fosse realizado no momento do parto e após o parto.

Já que Dudu aparentava não nascer tão cedo, meu marido, acompanhado do meu pai, retornou para São Francisco do Guaporé, a fim de olhar nossa casa e dar uma atenção para nossos cachorrinhos.

Ficamos eu e minha mãe em casa. No sábado (05/08) fomos à igreja, depois saímos para jantar com um casal de amigos da família. Tomei um pote enorme de sorvete e passei a madrugada inteira sem dormir, empanzinada, rsrsrs! Minha barriga estava enorme, se eu comesse uma ervilha a impressão é que tinha comido um boi inteiro. Rsrs!

No dia seguinte, 06/08, quando já estava com 40 semanas e 04 dias de gestação, levantei às 06 da manhã para ir ao banheiro urinar e, SURPRESA, ao me limpar percebi que saiu um pouco do tampão mucoso. Na hora fiquei super, hiper, mega, power feliz! Kkkk! Mas, logo em seguida, lembrei de alguns relatos de parto que havia lido, em que as gestantes perderam o tampão mucoso uma a duas semanas antes do parto. Resolvi me aquietar e não alardear nada para a família.

Voltei a deitar. Poucos minutos depois, comecei a sentir uma levíssima cólica, que vinha da lombar para o baixo ventre, eram as famosas contrações. Continuei quietinha, deitada. Pensando assim: Não é hoje, Mádala! Pára de ansiedade!

Quando deu umas 08 horas da manhã, percebi que as cólicas estavam ficando mais intensas, e aí comecei a cronometrar. Elas vinham a cada 15/20 minutos.

Fui para o chuveiro, fiquei debaixo da água morna caindo, e BINGO, as contrações não passaram. “Huum! Acho que realmente estou em trabalho de parto!” Rsrs!

Então me lembrei que havia lido que estimular os mamilos induz o parto naturalmente, uma vez que libera ocitocina. Peguei um gel lubrificante que havia comprado pra fazer massagem perineal, e comecei a passar nos mamilos. E não é que depois de uns cinco minutos as contrações ficaram mais intensas?! Sim! Nesse momento tive certeza, eu estava em trabalho de parto.

Liguei para o maridão super empolgada. Ele disse que já estava retornando com meu pai. Chegariam para o almoço. Em seguida, liguei para a Doula Layne, que prontamente me atendeu, e se dirigiu para a casa dos meus pais, onde eu estava.

Nisso minha mãe já estava super preocupada e querendo me levar ao hospital. Rsrs!

Por volta das 10h da manhã as contrações já estavam mais ritmadas e vindo a cada dez minutos, aproximadamente. A cada ida ao banheiro, saia mais um pouco do tampão mucoso. A única posição que me ajudava era de joelhos em cima de um colchonete apoiando os braços e tronco num banquinho à minha frente. A cada contração a Layne massageava minha lombar e fazia uma compressa morna com bolsa térmica, que me ajudavam muito.

Enquanto isso, minha mãe se controlava para me passar tranqüilidade, e se ocupava fazendo o almoço.

Ligamos para a minha ginecologista, Dra. Adélia, que me orientou ficar em casa mais um tempo, e só me dirigir ao hospital quando as contrações estivessem de 01 em 01 minuto, aproximadamente.

Liguei novamente para o maridão que ainda estava na estrada, tranqüilo e calmo, pensando ser um alarme falso. Kkkk!

Pai e marido chegaram por volta de meio dia, quando eu já estava urrando de dor. Sim, eu fui uma parturiente ESCANDALOSA! Sempre achei que sentiria as dores como uma lady, mas GRITEI feito uma condenada. Kkkkk!

Maridão ficou super preocupado e achou que devíamos seguir para o hospital. Eu concordei, pois a dor estava muito intensa. Entrei no carro do jeito que estava em casa. Por falar nisso, que terror é estar em trabalho de parto dentro de um carro. Foram 15 minutos de casa até o hospital, mas pareceu uma hora.



Enquanto isso meus pais se organizavam com as coisas que precisávamos levar para o hospital, minha mala, a mala do bebê, etc. E o almoço da minha mãe virou uma janta. Rsrs! Naquele domingo nenhum de nós almoçou.

Chegamos no hospital por volta de 12h45min. O médico plantonista fez o toque. OITO centímetros de dilatação! Estávamos quase lá!

A dor era realmente intensa, já não havia mais posição que aliviasse. Eu abraçava a Layne e urrava a cada contração. Coitados dos ouvidos da Layne. Rsrs!

Era um misto de sentimentos. DOR, ALEGRIA por já estar com quase toda dilatação necessária, MEDO de não aguentar a fase do expulsivo.

No elevador, subindo para a sala de parto, comecei a chorar e a murmurar. Pedia à Deus mais força, e que me guiasse para a aquilo que o meu corpo é naturalmente pronto. Lembrei das minhas antepassadas e todas aquelas que foram minhas inspirações para chegar até ali...

Chegando na sala de parto, as enfermeiras encheram a banheira, onde fiquei por cerca de uma hora. Maridão ficou na banheira comigo, segurava minhas mãos, massageava minhas costas, o companheirão que sempre foi.



Dra. Adélia chegou por volta das 13h30min. Fez o toque, DEZ centímetros de dilatação. Já estava na fase do expulsivo, eu sentia vontade de fazer força. A bolsa ainda não tinha estourado. Auscultaram o coração do nosso Dudu, tudo ótimo. Layne quis que eu bebesse um suco de laranja, dei um gole, mas nada descia, nem água.

Chegou um momento que não estava mais me sentindo bem na banheira, eu não encontrava uma posição confortável. E água morna estava fazendo com que as contrações diminuíssem. Sai da banheira. Foi quando não tinha mais posição confortável mesmo. A menos pior foi num banquinho próprio para parir. Ele parece um vaso e nas laterais tem alças para segurar enquanto se faz força.

Dra. Adélia fez mais um toque e disse: ele está quase aqui!

Enquanto isso, em meio à dor e meus gritos, eu ouvia tocar minha seleção de músicas para o parto. “Bem vindo meu novo ser, cercado de proteção, de tanto amor, tanta paz, dentro do meu coração. É como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar...”.


A sensação era de que minhas costas estavam abrindo, especialmente a lombar. Eu estava cansada e fazendo a força de forma errada. A Layne e as enfermeiras me orientavam para fazer força de cocô, falavam que eu estava fazendo a força com o pescoço. A bolsa ainda não havia estourado. Eu ouvia a minha volta que o bebê poderia nascer empelicado. Também ouvi meu pai dizer que a bolsa era de couro, rsrs, não consegui rir disso na hora. Rsrs.

Maridão, pai e mãe se revezavam atrás de mim, dando apoio para as costas. Layne o tempo todo ao lado segurando minha mão esquerda.



Chegou um momento que achei que não conseguiria mais. Minhas pernas tremiam, e se me oferecessem uma cesárea eu aceitaria sem pensar duas vezes. Rsrs! Com certeza eu já estava na famosa partolândia, não tinha mais consciência de quem estava atrás de mim dando apoio nas costas, e já não ouvia mais nada ao meu redor. Foi quando vi Dra. Adélia forrando um pano verde no chão, de frente a mim, e o pediatra, Dr. Freddy, sentando num banquinho ao lado. Dra. Adélia disse: FORÇA! Ele está aqui. Fiz mais três forças, senti o círculo de fogo, ele coroou ainda dentro da bolsa, e às 15h27min, do dia 06/08/2017, recebi Dudu nos braços, com 52 cm e 3,710kg.



"MEU FILHO", eu gritei!

Esperaram parar de bater o cordão umbilical e, ainda no meu colo, minha mãe o cortou. Rapidamente o pesaram e mediram. Apgar DEZ/DEZ. Enquanto isso, senti vontade de fazer mais uma forcinha, e pari a placenta. Senti amor por aquele órgão, afinal foi ele que alimentou meu bebê durante toda a gestação.



Levantei extremamente trêmula e fraca, e fui para uma maca, onde a Dra. Adélia deu uns pontinhos na pequena laceração que tive. Layne ao meu lado, ainda segurando minha mão.

Logo me entregaram Dudu no colo novamente, onde ele iniciou uma mamada despretenciosa, meio sem jeito, mas muito importante. Seguimos para um quarto, onde ficamos durante 48 horas sob observação, somente em razão das regras do hospital.



Eu estava cansada, mas falava feito uma maritaca, kkkk, e fiz questão de dar a notícia para todos os familiares com vários telefonemas. Dudu nasceu!!! Dudu nasceu!!! Parto natural!!!

Seria hipocrisia dizer que parir sem anestesia não dói. Mas dar à luz um filho de forma natural, fisiológica, sem qualquer intervenção, é uma força tão transformadora que equivale a nascer de novo. Parir é divino. É sagrado!

Para parir é preciso ter fé. Fé em Deus, em nós mesmas, na natureza, no nosso corpo, no próprio bebê (porque ele sabe nascer) e no que acreditamos.

GRATIDÃO!

À Deus, que nos permitiu conceber o Eduardo, nos guiando no caminho de um parto natural e saudável.

Ao Dudu, meu filho amado, que nasceu no tempo dele, e me fez renascer.

Ao maridão, que me apoiou nessa decisão e se empoderou comigo. Te amo ainda mais por ter aceito participar desse momento tão sagrado de nossas vidas.

Aos meus pais, minhas bases, por sempre me apoiarem incondicionalmente. Amo vocês de uma forma imensurável.

À Doula Layne, pelo profissionalismo, força e amabilidade transmitidos, antes, durante e após o parto.

À Dra. Adélia, por ser uma profissional competentíssima, e por proporcionar às mamães que acompanha a oportunidade de terem seus filhos da forma mais natural possível.

Ao Dr. Freddy, pediatra que estava de plantão no dia do nascimento do Dudu, o qual foi muito atencioso, respeitando os termos do meu plano de parto.

Às enfermeiras presentes durante o trabalho de parto.

Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente influenciaram para que eu vivesse esse momento divino, espetacular e SURREAL na vida de uma mulher.









Mádala Vieira tem 29 anos e é servidora pública do Tribunal de Justiça de Rondônia. E esse é o Dudu! Contato: madalavieira@hotmail.com

19 de outubro de 2017

Relato de parto da Vanessa: parto na água em Ji-Paraná




Meu sonho de ter um parto natural estava engavetado desde a minha primeira gestação, onde meu desejo de parir não foi suficiente para vencer o sistema e acabei numa cesariana de indicação duvidosa após a ruptura espontânea da bolsa, com 37 semanas e 5 dias de gestação. Porém, a maternidade tem um poder curador e, quando me entreguei a ela, aos poucos, a frustração pela via de nascimento foi perdendo lugar para as inúmeras delícias de criar e amar um filho.

Quando nosso primogênito, Levi, estava com 1 ano e 7 meses, descobrimos que uma nova vida estava por vir. Foi uma grande surpresa, mas eu não imaginava que o “positivo” traria outras surpresas.

Tivemos algumas complicações de início. Sofri um atropelamento, tive descolamento do saco gestacional e sofri com os resultados de alguns laudos precipitados de ultrassonografias. Tinha muito medo de perder minha filha ou de ter um parto prematuro. Quando estava com 29 semanas fui convidada a participar de um grupo virtual de apoio ao parto humanizado e lá descobri que poderia sonhar de novo com um parto natural, mesmo após uma cesárea. Através desse grupo cheguei ao blog “Parto em Rondônia” e os relatos de parto que encontrei me encorajaram a lutar pelo vbac (do inglês 'Vaginal Birth After Cesarean' parto normal após cesárea).

Conversei com meu esposo, Anderson, que passou a sonhar junto comigo e concordamos que se tudo corresse bem na gestação, iríamos receber nossa filha da forma mais natural possível. Li tudo o que podia sobre o assunto, busquei apoio nas redes sociais, encontramos pessoas maravilhosas para nos ajudar. Minha xará Vanessa Rolim nos emprestou o filme “O Renascimentodo Parto”, que teve um grande impacto sobre nós.

Toda essa preparação foi dissipando os medos relacionados à gestação e eu passei a finalmente curtir o momento. Conhecemos nossa doula, Jeiéli Laís Borges, que passou a nos auxiliar em nossa jornada. Com 33 semanas de gestação, dei o grande passo: mudar de obstetra, pois sabia que essa era uma decisão essencial. Já na primeira consulta com a Dra. Adélia Pompeu ficou claro que a cesariana anterior não seria um impedimento. Algumas semanas depois, derrubados os medos levantados pelas ultrassonografias anteriores, confirmamos que estava tudo muito bem com a gestação e que o parto natural seria totalmente possível.

Comecei a fazer pilates com a linda Cristiely Oliveira Ecairo, que hoje se tornou uma amiga querida. Passei a fazer caminhadas com meu filho mais velho e segui normalmente a rotina de casa e trabalho. Eu e meu esposo continuamos nos preparando e fizemos nosso Plano de Parto.

No dia 16/07/2015 completamos 40 semanas e eu comemorei 31 anos de vida. Nervos à flor da pele, lágrimas escorrendo à toa e milhares de perguntas sobre “quando ela iria nascer”. A ansiedade das pessoas ao meu redor se tornou a minha ansiedade. Foi aí que minha doula teve uma ideia brilhante: a despedida da barriga. Marcamos para ela vir no sábado seguinte e aquilo me deu um novo ar e uma tranquilizada. Aproveitei para escrever uma carta de despedida para a barriga, avisando à minha pequena que já estava tudo pronto e que ela podia vir. “O amor está tão perto mas só no tempo certo vai chegar” (Música Escolhi te esperar – Marcela Taís).

Dra. Adélia havia feito o exame de toque pela primeira vez na consulta de 40 semanas e mencionou sua expectativa de que nossa princesa poderia chegar no final de semana seguinte. Deixamos uma consulta marcada para segunda-feira, dia 20/07, para reavaliar um pouco antes das 41 semanas.

Na sexta-feira, dia 17, meu tampão começou a sair, o que não quer dizer muita coisa mas já é suficiente para liberar uma boa dose de adrenalina. As contrações não ritmadas, que já vinham aumentando de duração e intensidade nos últimos dias, passaram a ser mais frequentes. Às vezes vinham a cada 20 minutos, no entanto, não se tornavam regulares. Nessa noite resolvi ir tomar um banho de piscina para dar uma acalmada e ficamos ali por algum tempo, eu, minha filha e Deus, entre as músicas da trilha do nosso parto, mergulhos, orações e contrações. O céu parecia estar muito perto.

Mais tarde, embaixo do chuveiro, comecei a ouvir uma canção que dizia “Ela é forte, só não sabia” (Menina não vá desanimar – Marcela Taís) e comecei a chorar pensando no quanto aquilo era verdade a meu respeito. O meu corpo não era defeituoso, mas perfeito e forte o suficiente para trazer uma nova vida ao mundo.

O sábado chegou e o clima na casa já tinha mudado, definitivamente. Anderson tinha marcado com a filha para que ela nascesse na segunda-feira, para que ele pudesse aproveitar melhor os dias de licença-paternidade. Fomos ao supermercado pela manhã e as contrações vinham mais fortes enquanto fazíamos compras. Depois do almoço elas deram uma acalmada e dormi bastante.

No final da tarde, quando a campainha tocou anunciando a chegada da Doula Jeiéli, senti uma contração forte e intensa. Enquanto ouvia mais uma vez nossa trilha sonora, sentindo aquele aroma gostoso de canela no ambiente, recebi escalda pés, massagem e dei boas risadas. Depois disso foi o momento de desenhar nossa bebê na barriga, tirar fotos e encher a bola de pilates, que seria minha companheira inseparável nas próximas horas.

Meu coração se tranquilizou quando a Jeiéli disse que já tinha vindo da sua cidade preparada para ficar em Ji-Paraná e que pretendia permanecer até segunda-feira. Nos despedimos e fui dormir. As contrações fizeram uma graça e sumiram no domingo, retornando só no final da tarde.

Tentei dormir na noite de domingo mas quem mandava em mim nessa hora eram as contrações. Minha filha avisava que estava mais perto e eu procurava ser forte para lhe dar as boas vindas. Às 02:00 da manhã desisti de lutar para ficar deitada e resolvi ir para o chuveiro. Coloquei música e fiquei lá o tempo que pude. Depois, voltei para o quarto e tentei dormir novamente mas sentir contrações deitada é a coisa mais insuportável desse mundo. Nessa hora até parei de monitorar o intervalo entre as contrações no aplicativo do celular. Enviei uma mensagem para a Jeiéli avisando da evolução, mas ela estava dormindo e não visualizou.

Como não dava mais para ficar sozinha, acordei o marido e lá foi ele me ajudar a passar a bola de pilates pelo box minúsculo do banheiro. Esse foi o meu momento de refrigério: ficar no chuveiro em cima da bola. Quis chamar a doula mas ele pediu para esperarmos amanhecer, o que me deixou um tanto quanto brava na hora. Resiliente, me contentei em tentar dormir em cima da bola de pilates, com o tronco apoiado na cama. Deu certo e tirei alguns cochilos entre as contrações.

Quando vi que eram 5:00 da manhã, só não gritei de alegria porque não tinha forças. O marido ligou para a doula e saiu para buscá-la. Quando a Jeiéli chegou eu estava jogada na cama, me sentindo destruída. O aroma de canela no ambiente e as mãos abençoadas da doula massageando minhas costas trouxeram um novo fôlego. Consegui dormir de verdade por algum tempo. O renovo chegou. Levantei animada e fomos tomar café.

Jeiéli foi preparar o famoso chá da Naoli (Naoli Vinaver, parteira) e eu tentei comer alguma coisa enquanto observava meu filho brincando e meu esposo todo sorridente, como se soubesse de algo que eu não sabia. Depois do parto, descobri que ele e a doula vinham conversando no carro e ela havia dito que achava que nossa menina nasceria até o dia seguinte. Ele, por sua vez, tinha certeza que sua filha seria obediente e nasceria naquela segunda-feira, conforme combinado.

A manhã seguiu com chá, massagem e casa perfumada por canela e alegria. As contrações apertaram novamente e lá fomos nós – eu e a doula – para uma nova sessão de massagem e pressão na lombar. Dessa vez a massagem parecia não ter efeito, o chuveiro parecia não funcionar e senti vontade de ir ao banheiro. Voltando ao quarto, vi uma poça de água no chão. Líquido transparente e grumoso. A bolsa rompeu! Arrumei um jeito para não ficar alagando tudo por onde passasse, pois já sabia que aquela água parece não ter fim, e segui o meu dia.

Eram 12:00 e esperei a fome chegar para almoçar, pois sabia que precisava me alimentar para encarar o que estava por vir. Almocei em cima da bola de pilates, para driblar as contrações e ganhei um novo massagista: meu filho.

Por volta das 14:00, Anderson ligou para a Dra. Adélia para informar em detalhes o ocorrido. A essa altura eu já estava tão conectada com Deus e com meu corpo que nem lembrei do episódio da primeira gestação e não tive medo de uma nova cesariana. As palavras da obstetra vieram confirmar meu sentimento de que tudo daria certo: “não precisam ter pressa, se tudo continuar como está, deixem para vir ao consultório mais tarde”. O consultório e a maternidade ficavam a 400 metros do nosso apartamento.

Nesse instante as contrações resolveram brincar de esconder e o processo desacelerou. Subi e desci as escadas do prédio, caminhei pelo estacionamento, recebi a visita da minha irmã mais nova (morrendo de medo de ela se assustar com as caras que eu fazia durante as contrações). Fiz o esposo sair de casa para comprar um guaraná, do qual só conseguir tomar um gole...

No final da tarde checamos as bolsas de maternidade e fomos para a consulta. Nosso filho ficou em casa com a Lola, minha amiga e filha espiritual. Fizemos tudo tão devagar que chegamos lá quase às 19:00, no horário da consulta. As contrações haviam retomado o intervalo de 7 minutos (estavam assim desde a madrugada do domingo). Quando cheguei à sala de espera elas desaceleram de novo. Entrei no consultório sem contrações e a Dra. Adélia me examinou, fez o toque e disse que era hora de internar.

Adrenalina correndo novamente! Recebi algumas orientações da equipe do hospital e continuei conforme meus instintos. Devido o parto humanizado ser algo novo no hospital, a equipe de enfermagem ficou tensa ao receber a cópia do Plano de parto, mesmo já tendo a assinatura prévia da minha obstetra e da pediatra. Plano de parto parece soar como processo aos ouvidos de uma instituição hospitalar mas espero que mude na medida em que as práticas hospitalares forem sendo submetidas à humanização do nascimento.

Já na suíte de parto, nossa trilha sonora começou a tocar “Quando o mundo cai ao meuredor” (André Valadão). A enfermeira conhecia a música e cantarolou junto, parece que a música serviu para quebrar o clima chato do início e nos unificar como equipe.

Uma conhecida nossa estava na recepção do hospital e, ao ver meu esposo dando entrada na minha internação, pediu para ir me ver. Ele sabia que isso estava totalmente fora de cogitação em nosso plano de parto mas ficou sem jeito de dizer não. Quando ele subiu, a conhecida foi atrás e fez aquela cara de horror ao me encontrar. Que dó, que pena, finalizando com a frase: “ih, o primeiro foi cesárea, então esse não vai vir normal, não”. Diante de tal afirmação, apenas sorri, confiante e me senti grata quando ela foi embora.

Ficamos na suíte apenas eu, Anderson e nossa doula. Meu esposo já estava cansado da jornada e tentava se distrair um pouco no celular, o que me fazia querer atirar o aparelho pela janela. Fiquei um tempo na bola de pilates, quando os plantonistas do hospital vieram se apresentar.

O momento não era muito propício e eles logo foram embora. Decidi ir para o chuveiro, mesmo com uma enfermeira dizendo que aquilo poderia atrasar o trabalho de parto e, conforme diziam meus instintos, saí de lá com o trabalho de parto realmente engrenado. As contrações vinham uma atrás da outra, tão próximas que a doula nem quis cronometrar o intervalo.

Passei a pedir pressão no quadril constantemente. Jeiéli já não dava conta de pressionar sozinha e meu esposo começou a ajudá-la. A contração vinha e cada um pressionava de um lado. Agachei ao lado da banheira e me senti menos desconfortável durante as contrações. Ouvi o som dos sapatos da Dra. Adélia e me senti um pouco temerosa, pois sabia que ia rolar o exame de toque e, se eu pudesse abolir alguma coisa da experiência do parto, certamente o tal toque seria eliminado.

O exame foi feito comigo na banqueta de parto. Essa parte não foi legal. Continuei na banqueta e a Dra. disse que a bebê teria que nascer até meia-noite. Conversando depois, ela me explicou que a frase seria para expressar que, com aquele andamento do TP, se não nascesse até meia-noite é porque tinha algo atrapalhando o parto. Na hora, porém, ouvir o até meia-noite me deixou nervosa por alguns segundos. Eram por volta de 22h. Respirei fundo, relaxei o máximo possível e sorri para mim mesma dizendo em pensamento: sim, ela nascerá até meia-noite.

Dra. Daniele, pediatra do hospital com quem eu havia conversado sobre meu plano de parto dias antes, era a plantonista da noite (Yesss! Deus é perfeito!) e passou no quarto para ver como estava o TP. Ao me ver ali na banqueta, não conseguiu disfarçar a empolgação e soltou um “mas já?”. Dali em diante foi tudo muito rápido. Equipe enchendo a banheira. Eu sentindo os puxos, tentando escolher entre banqueta ou banheira e minha filha querendo muito vir ao mundo. Dra. Adélia perguntou ao Anderson se ele entraria na banheira e já deu a roupa para ele trocar, sem nem dar tempo de ele pensar (sou grata a ela por isso, pois se ele tivesse tempo de pensar, teria desistido).

No plano de parto eu havia decidido que escolheria o lugar e posição de parir durante o TP, da maneira que me sentisse mais confortável, por isso os puxos me pegaram de surpresa e eu até esqueci que o parto na água era o meu sonho acalentado e engavetado. Dra Adélia auxiliou minha memória me convidando a ir para a banheira, que daria tempo de eu entrar lá.

Entramos na água, eu e Anderson. A iluminação da suíte não ajudava muito e me senti incomodada quando tiveram que ascender as luzes. O silêncio também não estava absoluto como eu queria, mas tentei ir ouvindo nossas músicas e me concentrando no momento. Foram dois ou três puxos e, no último, às 23:45, Ana Leticia veio numa força só, ao som de “pra maior festa da vida quem convida é o amor”.









Ela veio virada para mim, saindo da água na minha direção e com o bracinho estendido como que pedindo para eu pegá-la. Minha emoção não me deixou ser tão rápida. Dra Adélia a amparou pelas costas para que ela chegasse na minha perna e daí eu a peguei. Quentinha, com aquele cheiro inesquecível, de olhinhos abertos, serena, sem chorar.

Éramos nós quatro na água: Deus, Ana Leticia, eu e o pai. A equipe assistia do lado de fora. Ninguém tocou nela enquanto estava no meu colo. Dra. Daniele pediu para que eu visse se ela estava respirando. Ficamos ali, com o tempo suspenso, aproveitando o momento. Depois que o cordão parou de pulsar, meu esposo foi pego novamente de surpresa com a pergunta se queria cortá-lo. Entre o medo e o desejo, ele optou por fazê-lo.

Senti um novo puxo e imaginei que era a placenta que nasceria. Com o auxílio da equipe, Anderson e Ana Leticia saíram da água primeiro, em seguida eu saí para a expulsão da placenta. Fui para a mesa para ser examinada. Tive alguma laceração e precisei de pontos. Enquanto isso, minha filha estava no berço ao meu lado, sendo aquecida e vestida com a roupa que escolhi, recebendo os primeiros cuidados com todo o respeito, sob o olhar dos pais, sem intervenções desnecessárias.

De volta ao meu colo, ela mamou como quem já nasce especialista no assunto. A vitamina K foi aplicada gentilmente pela pediatra durante a mamada. Dra. Daniele e a enfermeira Daiane estavam ali para orientar a pega correta. Anderson e Dra. Adélia elogiavam a obediência da Ana Leticia por ter nascido antes da meia-noite.

Após a sutura (sim, essa parte é bastante incômoda mas a equipe ajudou muito a suavizar o processo), fui ao banheiro tomar um banho rápido. Daiane estava ali me encorajando e pronta a dar apoio caso eu pedisse. Jeiéli seguia nos observando e dando o suporte necessário. De banho tomado e vestida com minha própria roupa, senti uma fome do tamanho do mundo inteiro e pedi um lanche.

Fomos para o nosso quarto e optei pelo suporte da cadeira de rodas no trajeto, pois estava cansada da longa maratona. Nos despedimos da nossa doula e ficamos ali na atividade que Ana Leticia mais gosta até hoje: mamar.

Há dois anos essa princesa alegre, bagunceira e cheia de personalidade chegou na nossa família e meu coração transborda de amor, de gratidão a Deus, ao meu esposo e a todos que fizeram parte desse momento. No dia 20/07/2015, às 23:45, Ana Leticia nasceu e eu renasci como mulher e como mãe.


por Vanessa, esposa do Anderson, mãe do Levi, da Ana Leticia e esperando a Liz. 





2 de outubro de 2017

Projeto Doulas Voluntárias em Ji-Paraná





Radiante com a notícia que recebi - em primeiríssima mão - de que o hospital público de Ji-Paraná agora conta com projeto de doulas voluntárias, abro espaço para que a idealizadora do projeto, Doula Layne, nos conte como tem sido a experiência.

O Doulas Voluntárias é uma sementinha que lancei com muito amor em 2014, em Cacoal, e já tenho dados frutos em outras cidades do país!

O serviço voluntário é legítimo, amparado por lei e costuma ser excelente ferramenta de melhorias. Em se tratando do trabalho de doulas, ainda pouco comum no brasil, o serviço voluntário ganha aspectos positivos com relação à mutualidade, ou seja, benefícios para ambas as partes. Ganha a doula com experiência e vivências únicas relacionadas à realidade obstétrica do local e ganha a unidade de saúde e, mais ainda, as usuárias do serviço de saúde por poderem dispor de um serviço da mais alta qualidade e com resultados comprovadamente positivos.

Vamos ouvir a idealizadora do projeto em Ji-Paraná:



"Desde quando conheci o trabalho das Doulas, em 2015, me capacitei e mergulhei profundamente nesse universo do parto e nascimento, logo tive a oportunidade de acompanhar alguns partos em hospitais particulares de Ji-paraná, e comecei a perceber o quanto faltava (e ainda falta) levar informações sobre parto e apresentar o trabalho das doulas para nossa cidade.

Foi quando eu encontrei no blog Parto em Rondônia, uma matéria Doulas Voluntárias, desenvolvido pela doula de Cacoal Cariny Cielo, que com grande generosidade disponibilizou para que outras profissionais de outras cidades pudessem utilizar.

Então iniciei as adaptações para trazer o projeto para Ji-Paraná. A ideia ficou pausada por quase um ano, até que iniciei um estágio do meu curso de Psicologia nas UBS (unidade básica de saúde).

Levando informações importantes para as gestantes, como o trabalho das doulas, técnicas utilizadas para o alivio da dor do parto, vínculos afetivos desenvolvidos durante a amamentação entre outros.

Foi aí que despertou ainda mais o desejo de estar ao lado dessas mulheres na hora do nascimento dos seu filhos e ter a oportunidade de demostrar na pratica o trabalho da Doula no parto e pós parto, apresentar não somente para as gestantes, mais toda a equipe multidisciplinar da maternidade do Hospital Municipal de Ji-paraná.

Depois de algumas poucas alterações no projeto anterior, surgiu o "Projeto ReNascer": Doulas voluntárias de Ji-Paraná.

Entrei em contato com o enfermeiro Rafael Pappa, chefe da maternidade do HM que, com gentileza, recebeu o projeto e apresentou a direção do hospital, o qual aprovou, para que eu e outras Doulas, cadastradas no projeto possam atuar na maternidade.

Estou atuando duas vezes na semana na sala de pré-parto, ajudando as mulheres que desejam o acompanhamento da Doulas. Proporcionando um apoio continuo emocional e físico durante o parto, para seja o mais tranquilo possível, em um momento que é tão importante para uma família.



Levar um atendimento de respeito a essas mulheres com um toque de carinho, massagem, um olhar de tranquilidade e no final de cada parto essas mulheres segurar seu filho e logo te olhar com gratidão não tem preço, me emociono a cada parto e nascimento.

Quero aqui agradecer à Cariny Cielo que idealizou o projeto e o disponibilizou para que outras Doulas possam ajudar outras mulheres também, ao enfermeiro Rafael Pappa e toda a equipe da maternidade do Hospital Municipal de Ji-paraná que me recebeu com tanto carinho."


Gostou da novidade?
Você é Ji-Paraná e fez parte do projeto? Conta pra nós como foi!

Elaine Regina é Doula em Ji-Paraná, Educadora perinatal eAcadêmica do curso de Psicologia da UNIJIPA. Contato: <laineregina250543@gmail.com>


11 de abril de 2016

Relato de parto da Mylka: parto normal hospitalar em Ji-Paraná


Foi através da recomendação de uma amiga, doula Talita Silveira, que eu tive acesso ao auxílio e incentivo da doula Layne Regina que pôde me acompanhar de perto e me instruir durante minha gestação, eu me informei e busquei todas as medidas que fossem melhores para mim e para Ísis no parto o que me abriu várias portas para isto, descobri que minha obstetra que me acompanhava desde o início da gestação era aberta ao parto humanizado e que no hospital havia uma sala especial para parto humanizado.

Na reta final da gravidez a ansiedade só aumentava, mas quanto mais o tempo passava a hora tão esperada parecia nunca chegar; a gestação toda correu bem, sem nenhuma doença ou risco, porém com 39 semanas comecei a ser "apressada" por muitos e muito pressionada. Ouvia diversas histórias de pessoas que perderam o bebê que passou da hora, bebê que entrou em sofrimento, diversas possibilidades de "dar errado"... meu objetivo de esperar a hora certa que eu havia conseguido manter até então estava sendo ameaçado.

O medo e desespero começaram a tomar conta de mim, também pelo fato de que a médica aberta ao parto humanizado ia viajar e a probabilidade de ser empurrada para uma cesariana por um obstetra substituto era grande. Então fomos para o hospital, a médica fez um toque para acelerar a decida do tampão mucoso, no outro dia ele saiu, então comecei a fazer exercícios e tomar chás com mais frequência para tentar entrar em trabalho de parto. 

Minha doula Layne Regina sempre me tranquilizando e dando dicas para que eu pudesse esperar a hora certa sem indução, mas a pressão das pessoas sobre mim só aumentava e com ela minha preocupação. Então um dia antes da viagem da obstetriz voltamos ao hospital e já fiquei internada às 13:00 horas. 

Foram usadas algumas intervenções durante a tarde e a noite para que o trabalho de parto ativo começasse...e nada! Passei a noite sentido algumas contrações e dores leves, fazendo exercícios. Amanheceu e às 7:00 horas e decidi fazer mais uma caminhada pelo corredor. Quando cheguei na porta a bolsa estourou! Imediatamente o trabalho de parto ativo começou. 

A médica veio fazer o toque e estava com apenas 4 cm de dilatação... e me perguntou se eu queria cesariana, eu disse: "Não, eu vou tentar ter normal!". Ela saiu para fazer uma cesariana e, alguns minutos, depois a dor foi ficando cada vez mais intensa e eu já comecei a pensar que não conseguiria, por estar com apenas 4 cm dilatados, pensava que duraria a tarde toda, então entrei em desespero! 

Pedi cesariana, a minha sorte é que a obstetra estava na cirurgia e então eu tive que esperar cerca de 45 minutos... quando ela veio, eu já estava com 8 cm dilatados! Então desisti da cesariana e começamos a batalha pela saída da Ísis. 

Eu já estava muito fraca, mas criei forças para conseguir...  ia pra banheira, pra cama, pro banquinho de cócoras, e isto ajudou muito. A Doula Layne e minha mãe sempre me amparando bem perto de mim e me dando forças, parecia que não ia conseguir, mas consegui! 

Às 11:24 a Ísis saiu, e MAIS UMA BATALHA COMEÇOU, ela saiu inconsciente, praticamente morta, a sala encheu com mais enfermeiras e duas pediatras, fizeram massagem cardíaca, aspiração pulmonar, massagem respiratória, perdi meu chão, mas não pensei nem um minuto que ia perder minha filha, não cogitava esta possibilidade nem vendo ela morta na minha frente! 

Enfim conseguiram reanimá-la, e me deram em meus braços, a sensação eu não posso explicar, mas posso dizer que foi a melhor que já senti na minha vida! Logo a levaram para os aparelhos e lá ela ficou por cerca de 35 horas; eu estava muito bem fisicamente, não tive nenhuma laceração grave, não levei nenhum ponto, me alimentava bem e não sentia dores, mas meu coração estava estraçalhado, era uma angústia inexplicável, eu ia lá ver ela por uma janela pequena e chorava tanto, a tristeza de ver ela ali mesmo sabendo que estava sendo bem cuidada, o desespero batia cada vez mais, mas após longas 35 horas ela veio para meus braços e pude cuidar de minha filha, após 4 dias de monitoramento recebemos alta, e minha anjinha está muito bem e saudável!

Foram muitas complicações, e o fato é que, se você opta por uma intervenção no parto você colherá as consequências dela e provavelmente terá que passar por outras intervenções para concertar a primeira. 

No meu caso não sei se teria dado certo esperar mais uma semana, mas cada caso é um caso. Tenho certeza que meu parto seria totalmente bem sucedido se fosse 100% humanizado, mas não pude prever tudo que aconteceria. Agora estou completa com minha filha em minha vida, sabe quando o coração transborda de amor? É assim que me sinto, agradeço a todos que me ajudaram a fazer possível este momento, minha doula dedicada e querida Layne Regina, minha preciosa mãe Lídia, e a atenciosa equipe do hospital.

11 de fevereiro de 2016

Relato de parto da Sheila: parto normal hospitalar em Ji-Paraná


Olá, me chamo Sheila, tenho 23 anos.

Pedro Davi é literalmente um presente de Deus, pois tive problemas de saúde e, para ter um bebê, precisaria fazer um tratamento. Com 15 dias que iniciei este tratamento, descobri o presente lindo. Foi um milagre, eu não esperava, não planejava, mais eu já amava incondicionalmente.

O período de gravidez foi bem turbulento pois, no início, a gravidez era considerada de risco. Pais de primeira viagem, hormônios à flor da pele... o que resultou em um divorcio dias antes do Pedrinho vir ao mundo.

Comecei com um GO cesarianista nato: eu tinha duvidas sobre os tipos de partos, perguntava e ele só dizia: "no 8º mês discutimos isso, não se preocupe". Isso foi me apavorando. Conversei com o pai do meu filho e decidimos mudar de obstetra. Foi onde conheci uma pessoa maravilhosa, a Dra Adélia. Parecia que nos conhecíamos a anos. Então, durante os 6 últimos meses de acompanhamento com ela, fui me apaixonando pelo parto humanizado.

A partir das 37 semanas, a ansiedade estava me matando... todo dia achava que ia nascer rsrsrs

Sozinha em casa, os dias e noites não passavam. Tiravam minhas duvidas com amigas e uma dizia: "Quando você acordar com uma super disposição, é o dia que vai nascer!". Eu ria e dizia: "Pedrinho vai ficar pra sempre na minha barriga rsrsrsrs". Outra dizia que quando eu me sentisse muito cansada era o dia! Minha cabeça ficava mais confusa ainda.

Então chegou o dia 30 de Novembro de 2015. Acordei com a preguiça de sempre (rsrsrs), sem dor nenhuma. Era uma manhã até então normal... almocei.... dormi.... Acordei e, por volta das 15 horas, resolvi colocar uns enfeites de natal na porta de casa e assim fiz. Sobe e desce da cadeira, até que terminei e me senti cansada, muuuito cansada. Resolvi deitar no sofá e percebi que a barriga ficava “dura” e voltava, e assim ficava a cada 10min; Achei diferente e então chamei uma amiga que me incentivou sempre ao parto normal, a Sandra, chamei ela no whatsApp, expliquei o que eu sentia, ela me perguntou se tinha algum sangramento, perda de liquido, ou corrimento, e não tinha nada, ai ela me disse: provavelmente ele nasça daqui uns dois dias, isso foi como um balde de água fria rsrsrsrs. Então ela mandou eu fazer exercícios na bola, isso era 05:30 da tarde. Fui então pra bola. Meu humor tinha ficado azedo rsrsrs, me irritei e disse que não queria fazer exercícios, então a Sandra falou pra ir pro chuveiro, meia hora na água quente e surgiu então aquelas dores chatas rsrs, corri e contei pra ela, eufórica, eu sentia que ia nascer, então ela pediu pra eu avisar a médica, mas resolvi esperar um pouco, pois aquela dor parecia mais vontade de fazer o numero 2, do que contração (mãe de primeira viagem, não sabia o que era dor de contração rsrs), sentei no vaso por 15 min e nada, então voltei para o chuveiro, mandei uma mensagem para minha mãe, pedindo para que fizesse uma sopinha (mais não contei das dores, pois era mais apavorada que eu rsrsrs), no meio do banho, escuto meu pai saindo de carro, fiquei desesperada, e se o bebe fosse nascer, como ia para o hospital? Respirei fundo, continuei no banho, terminei, fui até a casa da minha mãe, e adivinhem? Ela também estava de saída, fingi que não sentia nada, a dor era fraquinha, e como o bebe tava previsto pra depois do dia 02, me acalmei, tomei a sopa, quando levantei, veio uma dor mais forte, abaixei de cócoras e ela passou, como meus pais tinham saído, resolvi falar com a médica. As contrações vinham em um intervalo de 4 minutos e duravam, 30 seg. Ela pediu para eu ir no hospital, isso era por volta das 20:00 horas. Chamei o pai do bebe no whats, expliquei a situação e pedi que me levasse ao hospital, (se tivesse ido com os bombeiros, tinham me assustado menos rsrsrs), fomos voando para o hospital, pisca alerta ligado, velocidade lá em cima, emoções transbordando, não sabia o que pensar, falar, só respirava fundo para aquela dor passar.

Cheguei no hospital, as contrações vinham a cada 3 minutos e duravam 30 segundos... aquela dorzinha irritante, pelo intervalo delas, imaginei que já estava com uns 7 centímetros de dilatação hahahha!!!

A médica fez o “delicioso” toque, olhou para mim, sorriu e disse: Você está de 1 pra 2 cm de dilatação. Foi um balde de água fria rsrs. Ela então me deu a opção de ir pra casa e voltar depois ou me internar, antes que respondesse, o ansioso papai respondeu que ficaria ali mesmo, e assim fiz (não tava com paciência pra discutir)... liguei para minha mommy e ela ficou eufórica por saber que o primeiro neto estava a caminho.


Fomos para a sala de parto, eu, papai e vovó paterna, assim que entramos, chegou minha mãe e minha melhor amiga (estavam no meu plano de parto). Acabou que todos (papai, vovós e titia), assistiram o parto, entre uma contração aqui e outra ali, bebia água, bebia suco, exercícios na bola, barra, banquinho, nada da bolsa estourar, mais as dores ainda estavam suportáveis. Quando foi 01:37 da madrugada, veio uma contração, abaixei no banquinho, e senti um “plock”, olhei para baixo, e senti aquele delicioso liquido quente, chamei o papai e disse calmamente: Acho que minha bolsa estourou! A reação dele foi como se tivesse dito: "O bebe nasceu rsrsrs". Ele saiu apavorado chamando a enfermeira, enquanto isso aquela "dorzinha chata", se tornou uma dorzinha incômoda. Chegou o médico plantonista, já colocando aquela luvinha, olhei pra ele um pouco irritada e perguntei se era necessário esse toque e, obviamente era. Pelas dores pensei: agora sim, 7cm ! Ele fez o toque, e disse: Colo ainda grosso e você esta de 4 para 5cm , eu quis chorar, e dizer que ele tava mentindo, mais respirei fundo e disse: Essa dor ainda esta a suportável, eu aguento!
Uma enfermeira (não me lembro o nome), muito carinhosa, disse pra eu usar o chuveiro, para aliviar a dor (nessa hora, eu nem lembrava do chuveiro, só queria ver o rosto do bebê). Então, fui para o chuveiro, meu ex marido sempre prestativo, caindo de sono, e estava lá do lado, pegando isso ou aquilo, segurando minha mão, minha amiga e minha mãe revezavam ao lado dele. O chuveiro foi um presente de Deus hahaha Quanto alivio!

Por volta das 03:30 horas, eu me sentia cansada... olhei para o pai do bebê e disse: Estou cansada, não vou conseguir! (eu já estava chorando), não era a dor, era o cansaço, o sono, estava exausta. Ele então me abraçou e disse: "Você vai conseguir, eu estou aqui, segura minha mão, você é forte!". Respirei fundo e veio mais uma... cada contração, eu só lembrava do que me dizia a Sandra, minha amiga: "Sempre pensa, menos uma, menos uma!" E assim foi!

A médica chegou, fez um toque e disse: "7 centímetros de dilatação, por volta das cinco e meia, Pedrinho está aqui". Me senti mais confiante... agora eu já tinha mais ou menos um horário, até esqueci que era no tempo do Pedrinho e não no nosso rsrsrs. Então ela voltou para a sala dela e disse que qualquer coisa que eu precisasse era pra chamá-la, olhei para ela sorri e me lembrei que na penúltima consulta eu disse que não iria ficar chamando ela toda hora, que iria querer ficar sozinha rsrs, e assim foi... não chamei, dor vinha, dor ia... mas não sentia que tava chegando. Chegou outra enfermeira, encheu a banheira e disse: quando vir a contração faz força, aquela de ir ao banheiro (se eu visse ela hoje, dava uns puxões de cabelos por ter dito isso), como imaginei que o neném já estava nascendo, cada contração fazia força, mais ainda não era o momento do expulsivo... fiquei exausta! Por volta das seis da manhã, chamei a enfermeira e disse: "Me dá uma injeção de força, anestesia, cesárea, qualquer coisa, mais tira o bebê!" (Acho que falei num tom meio DESESPERADO). Como havia pedido no plano de parto nenhuma intervenção, ela correu e chamou a médica. Vem ela correndo rsrsrs, segurou a minha mão e disse calmamente: "Calma! Lembra de toda nossa teoria, agora é colocar em prática, mantenha o foco, trabalhe seu psicológico". Olhei para ela e disse: "mas não é a dor, eu aguento mais, mas não tenho forças pra fazer forças, estou exausta!"

Então ela fez mais um toque, balançou a cabeça e disse: "Não dá tempo, ele está vindo!"

Força, nas contrações mas, se não sentir vontade de fazer força, não faça. Faça apenas quando sentir vontade. E assim foi... algumas contrações eu dormia, outras fazia força... a médica foi fazer uma cesárea, e continuei descansando e fazendo força. Às 06:30 horas, apontou a linda cabecinha do meu príncipe, com uma mão eu segurava no pai do bebê e, com a outra, segurava a mão da minha melhor amiga (quase quebrei) rsrs, e faz força aqui e ali. Já era o momento do expulsivo e não via mais nada, não ouvia e não falava, só queria fazer força. Eu senti o corpo pegar fogo, e então saiu a cabeça! Papai, titia e vovós começaram a chorar, e eu achava que não iria conseguir, me lembro de ouvir a médica dizer: só mais um, Sheila, vamos, Pedro está quase aqui!

Fechei os olhos novamente, fiz força... e então chegou ao mundo meu bebe... a sensação foi estranha, me senti roubada, vazia, quando a pediatra o pegou, chorava tão lindo, de imediato ela colocou no meu colo, e ele calou, e me olhava com aqueles olhinhos espertos, parecia que queria dizer: Estou aqui mamãe, pra te amar muito!

Meus olhos se encheram de lagrimas, e ele não tirava os olhos de mim, foi a maior emoção da minha vida, um amor inexplicável, nunca imaginei que caberia tanto amor em uma só sala, todos chorando, papai, titia, vovós, as enfermeiras me parabenizando, e eu só queria ficar ali quietinha com meu príncipe no colo até o cordão parar de pulsar... ele trocou olhares com o papai, o papai chorava tanto que achei que não conseguiria cortar o cordão rsrsrs.
E assim foi o meu parto, lindo, “rápido”, humanizado e cheio de amor... não me arrependi, faria tudo de novo. Pedro Davi chegou ao mundo no dia 01 de Dezembro às 06:42 horas, com 48 centímetros e 3.110 quilos. Hoje minha vida tem sentido, cor, amor.

Meu filho, meu tudo.






19 de junho de 2015

Relato de parto da Jéssica: parto normal hospitalar em Ji-Paraná


Bom, a minha historia começa em 2013 quando eu me meu marido resolvemos que em 2014 tentaríamos engravidar. Então, como havia mudado para Ji-Paraná recentemente, busquei uma ginecologista e obstetra e encontrei a Dra. Adélia Pompeu. Logo no início gostei dela porque é minha conterrânea (ambas de Pato Branco/PR kkkkkkkkk), depois gostei mais ainda pois soube que ela é completamente a favor do parto normal (que muitos médicos não gostam de realizar por demorar mais, por ter que ter mais paciência com a futura mãe e sua família, etc...) e foi ai que os preparativos começaram.

No final de 2013 fiz todos os exames e em janeiro de 2014 parei de usar o anticoncepcional e passei a usar o ácido fólico, já preparando-me para engravidar. Em maio, tive um sangramento por 15 dias e descobri havia ocorrido um aborto espontâneo de uma gestação de 3 semanas. Para mim e meu marido, no primeiro momento foi um choque, fiquei muito decepcionada, triste, enfim... não queria acreditar! Aí, a doutora disse que se quiséssemos continuar tentando, a chance de engravidar nos próximos 60 dias era grande... Então vamos aos treinos!

Em agosto surge a grande nova... Estou grávida de 6 semanas!

Desde o início sabia que queria o parto mais natural possível. Independente da dor, eu não queria cortes e muito menos agulhadas, pois detesto agulhas!! Então, com a liberação da doutora, após o 3º mês voltei à praticar pilates, para que estivesse preparada para o grande dia.

Com 32 semanas, minha pequena Maria Cecília tentou nascer. Comecei a ter pequenas contrações e perdi o tampão mucoso. Liguei para a dra. Adélia e ela prontamente me atendeu. Recomendou-me a aplicação de progesterona, além de repouso absoluto por 2 semanas e até o final em repouso moderado, pois sabia que quanto mais tempo ela permanecesse em meu ventre, mais cresceria e mais saudável nasceria.

No dia 24 de abril completei 39 semanas e fui à consulta de rotina do pré-natal. A ansiedade já tomava conta de mim, do meu marido e dos amigos, queríamos muito ver a carinha da bebê, mas, como não “mandamos” nesses eventos, ela nasceria quando quisesse.

Como eu estava bem e ela já “podia” nascer sem problemas, fui para Ouro Preto do Oeste passar o final de semana. A noite, não dormi bem, parecia estar com refluxo e então no sábado quis levantar bem cedo. Quando fui levantar da cama, senti uma dor forte na barriga toda, mas como não aconteceu novamente, desconsiderei. Por voltas das 7:30 fui tomar café da manhã e então pequenas contrações quase indolores na região abaixo do umbigo começaram e repetiam-se a cada 10 minutos mais ou menos.

Voltei para Ji-Paraná e no caminho, elas tornaram-se mais frequentes e dolorosas. Quando cheguei em casa, as dores já estavam fortes e mais frequentes, 2 contrações em 10 minutos. Meu marido ligou para a doutora e ela recomendou que quando estivesse com 3 contrações em 10 minutos eu fosse ao hospital. Tomei banho, pegamos as malas, as lembrancinhas e de repente estava com 3 contrações em 10 minutos. As 10:30 fomos para o hospital.


Chegando lá, a doutora já fez o “toque” e disse que eu estava com 9 (N-O-V-E!!!!!!!!) cm de dilatação. Fui internada e já fiquei aguardando a preparação do centro cirúrgico. As 11:30 horas, eu, meu marido e minha amiga Natália, como constava no plano de parto, entramos no centro cirúrgico.

E então, seguindo as orientações das enfermeiras e da doutora Adélia, comecei a fazer força durante as contrações. Eu achei que seria rápido, como nas novelas (pois é! Kkkkkkkkk) mas não foi! Permaneci fazendo muita força, alternando as posições, ora ficava deitava, ora fazia agachamentos e a bebê descendo na sua velocidade.


Com o tempo, veio a exaustão, porém, conforme havia pedido no plano de parto, comi bolachinhas, tomei suco de laranja e água, para recuperar as energias e ter força até o final... e funcionou!

Mais tarde, talvez pela exaustão, talvez pela vontade de ver minha bebê ou pra sair logo dali, consegui fazer maissssss força e então as enfermeiras falaram: “- Vamos, sua menina tá vindo, já podemos ver seu cabelo.. e quanto cabelo! Dá pra fazer uma chuquinha só com o que está aparecendo aqui!”.

Nesse momento, achei que não conseguiria, mas com mais uma força ela coroou e então, lembro-me perfeitamente da doutora Adélia falando: “-Vai, vai, vai! Ela tá nascendo! Agora não pode parar! Força!!!”, e então fiz a maior força da minha vida e escuto o melhor som do mundo, o choro da minha filhotinha!

Nasce Maria Cecília com 48 cm e 3,295kg. Saudável, perfeita, linda e cabeluda!


Meu marido, como descrito no plano de parto, cortou o cordão umbilical e então estávamos com aquele serzinho mais lindo do mundo nos braços!


Doeu? Com certeza! Muito!

Faz de novo? Sim, sem dúvidas! Sem analgesia e sem pique! A anatomia da mulher é perfeita para isso, basta desejar que conseguirá!

Houve pequenas lacerações, mas a doutora suturou e em seguida fui para o quarto. Chegando lá, amamentei minha princesa e logo tomei banho. Minha recuperação foi ótima!


Bom, essa foi minha experiência.

O que tenho a dizer é que super recomendo parto natural, no próximo filho quero novamente e digo mais, apesar da dor, é uma experiência indescritível! O amor envolvido é tanto que supera qualquer infortúnio.


25 de abril de 2014

Relato de parto da Sandra: parto natural hospitalar em Ji-Paraná



Há cerca de 5 anos atrás, não havia um relato de parto sequer que fosse de experiência em Rondônia. Aos poucos isto vem mudando e hoje, se você fizer uma pesquisa 'parto' 'rondônia' 'relato' no google, vai se surpreender com o resultado.

Os posts de relatos estão entre os mais vistos aqui e é impressionante como que experiências positivas motivam, ligam, vinculam pessoas. Eu fui uma das beneficiadas com leituras de vivências de mulheres anônimas pelo Brasil e, hoje, recebo com alegria um relato de parto do coração de Rondônia, de Ji-Paraná.



Meu nome é Sandra Andrade Tissei, tive meu primeiro filho de Parto Normal no hospital municipal daqui de Ji-Paraná. Não foi uma experiência muito "boa" de ser lembrada, porém, agora, na minha segunda gravidez, decidi que seria diferente e que me ajudaria a ter um parto rápido e sem muita intervenção. Busquei informações com doulas, conversei com médicas, li muito e me empoderei, e aqui está meu relato: 

E eis que eu pari!
Dia 15/04/2014 (No dia EXATO da DPP)
Acordei as 7:21 com cólicas beeeeeem de leve..
Fiquei quieta, fiz o que tinha que fazer, dormi mais um pouco, quando acordei de novo 09:30 fui ao banheiro fazer xixi e saiu o tampão, corri aqui no face e perguntei pra uma amiga (enfermeira obstétrica) se já podia estar entrando em TP, ela me explicou tudo e eu fiquei mais tranquila, então fui com o marido no supermercado pra comprar o resto das coisas do bebê que estavam faltando, fomos, deixamos o carro no estacionamento do mercado e caminhamos um pouco mais até algumas lojas de perto...

Almocei normal, passei a tarde despreocupada, sem grilo, sem pensar que poderia ser o bebê querendo nascer, mesmo estando completando 40 semanas. Pois bem, quando foi a noite resolvi ir pra casa da minha mãe, mas já levei tudo pra lá (bola suíça, minha mala, mala do bebê).

Conversando com a minha mãe, fui me exercitando (sem compromisso, rsrsrs) percebi que começaram algumas contrações ainda bem leves, não quis cronometrar pra num ficar ansiosa, até porque ainda não estava acreditando que podia ser TP.

Olhei no relógio pela primeira vez, 22:38 e as dores estavam consideravelmente fortes. Decidi então tomar banho, fiquei uns 30 minutos em baixo d'água quente, e aí evoluiu, e como evoluiu! Quando saí do banheiro minha mãe desesperada: "Filha, porque você não vai no hospital pra ver a quantas anda essas dores?".

Percebi que aquela era a hora de ir mesmo, as contrações já estavam muito intensas e entre uma e outra não demorava 4, 5 minutos, e duravam uns 20, 25 segundos... Soprava e me concentrava em cada uma e como li aqui uma vez, pensava: "MENOS UMA!". A cada pensamento infame de correr pro hospital e pedir analgesia pra parar aquela dor, eu pensava: "Mas se eu já consegui uma vez, porque não vou conseguir outra?".

Minha mãe ligou pro meu marido que veio com a minha cunhada, que seria minha acompanhante no parto, e eles chegaram rápido. Eu já não queria conversar, nem tinha paciência pra brincadeiras, só queria que parasse a dor... Minha cunhada perguntava o que ela podia fazer pra ajudar, e eu só conseguia responder: "NADA!".

Meu filho mais velho (1 ano e 5 meses) ficou com a minha mãe e fomos pro hospital com a mudança toda. Chegamos lá 00:19, vi que era o mesmo médico que fez o parto do meu primeiro (cheio de intervenções, porém, queria muito que fosse com ele de novo, por ele respeitar a vontade da paciente). Fiquei muito mais tranquila, enquanto esperávamos ele vir, conversamos, tiramos fotos e até então meu marido junto. 

O médico veio, fez o toque, e disse: "Dilatação quase completa!"
Minha reação: "JÁÁÁÁÁÁÁÁ?".

Nem eu acreditava que tava sendo tão rápido, e fui caminhando até o pré-parto, onde já não liberaram a entrada nem do marido e nem da cunhada. Eu estava preparada pra brigar, tinha argumento, mas na hora preferi não "criar caso", queria que aquele momento fosse único e não estava nem um pouco afim de sujar a boa lembrança com um episódio desagradável. Enfim.

Fui pra sala de pré parto, meio que deitei de bruços na cama e menos uma, menos duas... comecei a sentir contrações expulsivas. Pedi pra chamarem o médico, senão não ia dar tempo. Enquanto isso, uma senhora que cuida da limpeza me disse pra agachar que melhorava a dor (pra mim piorou!) mas tornou o expulsivo mais rápido. Na terceira agachada senti a cabeça e já achei q ia sair, pus a mão pra ele não cair no chão! kkkkkkkk
O médico chegou e me mandou ir pra sala de parto, falei q não aguentava e que não dava mais tempo, aí ele: "Deita essa menina aí e vai ter que ser aqui mesmo". As enfermeiras me levantaram, me deitaram e na terceira força meu Luís nasceu às 00:50! Sem episiotomia, sem ocitocina sintética, sem intervenção... Pari meu príncipe, naturalmente, pesando 3.835 kg e 53 cm! Tive laceração leve, precisei de sutura, mas sei que meu filho veio ao mundo da forma mais natural possível. Logo vestiram ele e ele voltou pra mim. Ficamos, então, grudadinhos..



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