24 de julho de 2013

Vinte passos para destruir um parto.


por Cariny Cielo

Simplesmente porque tem momentos em que acredito que um Conselho Nacional Anti-Mulher se reuniu por aí no passado e decidiu destruir o parto, resolvi imaginar como teria sido esta reunião e quais tópicos teriam sido discutidos. O mote seria: Relacionar tudo que de pior pode ser feito à mulher para humilhá-la, desrespeitá-la e fazê-la sentir-se vulnerável física e emocionalmente e como abusar da tecnologia e dos avanços da medicina em prejuízo da fisiologia. Vale tudo para prejudicar o decurso do trabalho de parto.

Foi assim que surgiu o Protocolo de Atendimento à Mulher para Destruir o Parto, ou #P.A.M.D.P..

Normas de base:

1. Luz na sala de parto! Muita luz, daquelas brancas e que mostram tudo, perfeitas para fazer sutura.

2. Frio! Quanto mais desconfortável a temperatura, melhor. Nada de calor quentinho, não! Vamos congelar essas mulheres.

3. Sentir fome e sede também ajuda bastante. Jejum obrigatório e de rotina!

4. Assim que ela entrar no hospital, coloquem-na logo num soro, na veia, pra ela achar que está doente e/ou que pode ficar a qualquer momento.

5. A melhor roupa é aquela que mostra a bunda e a melhor cor é a verde água. Assim que ela der entrada, faça-a vestir a roupa do hospital.

6. Raspem os pelos dela às pressas e reclamando que ela bem poderia ter feito isso em casa.

7. Para deixar o trabalho de parto bem desconfortável, façam lavagem intestinal. Será terrível ela sentir os puxos e ter receio de fazer cocô no próprio filho.

8. Aproveitem a oportunidade para liberarem todos os seus demônios. Vai ser divertido fazer gozação, chacota, chamar a atenção, repreender. As melhores frases são (anotem aí pra não esquecer): "Pra fazer você não gritou assim!". "Mãezinha, cala a boca".
9. Só pode entrar sozinha. Ou vocês querem testemunhas do nosso sadismo? O pai, a doula, o escambau... ficam do lado de fora!
10. Toques, toques e mais toques. Sempre com pessoas diferentes. Aproveitem qualquer estagiário ou residente para fazer toques. A melhor forma é a seguinte: toquem, olhem por teto, depois pro infinito e saiam sem dar informação.

11. Deitada, de barriga pra cima e pernas nos estribos é a melhor e mais feladaputa posição para a contração doer e causar sofrimento fetal. Adotem-na com suas pacientes, em todos os atendimentos.

12. Estourem a bolsa sem consulta prévia e logo no início do trabalho de parto que é para as contrações ficarem bastante dolorosas e aumentar o risco de infecções.
13. Monitorem os batimentos fetais sempre com ar de preocupação e, ao final, façam comentários entre os colegas usando termos técnicos.

14. Usem ocitocina sintética e digam que é só um remedinho pra apressar o nascimento. Se tivermos sorte, as contrações ficarão tão insuportáveis que ela vai implorar por uma cirurgia.

15. Usem anestesia – ou qualquer outro meio de alívio farmacológico da dor – com o intuito de destruir a auto-estima dela e mostrá-la que ela não dá conta das contrações. Melhor ainda é fazer isto seguido do comentário: ‘eu sabia que você ia implorar por uma peridural’.

16. Ela está cansada e sem forças na hora do expulsivo? Peçam que alguém suba na barriga dela e realize a manobra de kristeller. É proibido em alguns países e não recomendado pela OMS, mas se a ideia é destruir o parto, essa é uma boa opção.

17. Se ainda assim, com todas essas manobras desgraçadas, o trabalho de parto progredir e aquela gestante tiver a petulância de estar caminhando tranquila para um parto normal, não a deixem sair ilesa! Marquem-na, eternamente, cortando-lhe o sexo, para que se lembre que só pariu por meio de nós (by Ric Jones). Sim, usem o 'pique' rotineiramente, ignorando o que recomenda a Organização Mundial de Saúde.

18. Nascido o bebê, cortem imediatamente o cordão umbilical e privem-no do sangue que era dele por direito, a despeito do que recomenda a Sociedade Brasileira de Pediatria desde março de 2011. Cortando abruptamente o suprimento de oxigênio, ele dará um grito numa tentativa desesperada para respirar e, assim, o que poderia ser uma transição suave e fisiológica, será traumática e dolorosa.

19. Aspirem o bebê, mesmo que não seja recomendado para os nascidos de parto normal. Pinguem colírio de nitrato de prata presumindo que a gestante seja portadora de gonorréia e apliquem vitamina K injetável, mesmo havendo a opção da vitamina ser ministrada via oral. Façam tudo isso antes mesmo de entregá-lo para a mãe e aproveitem para manipulá-lo das mais infinitas formas para medir, pesar, esfregar, e toda sorte de procedimentos duvidosamente necessários para serem feitos imediatamente após o nascimento.

20. Não o deixe que mame. A amamentação na primeira hora deve ser evitada a todo custo e o melhor lugar pro bebê ficar é longe da mãe.

Feito isso, sintam-se vitoriosos! Vocês acabam de destruir o mais sublime evento feminino e o maior milagre na perpetuação da humanidade. Ela não vai odiar vocês, pois vai estar muito encantada com o filho recém chegado. E tem mais, ela ouvirá que não tem o direito de se sentir frustrada ou triste, afinal, o bebê nasceu, está com saúde e ela não morreu!

*Atenção para post fazendo piada de assunto sério.

Para mais, conheça o Dr. Frotinha.



Mapa da Violência Obstétrica no Brasil, aqui.

Participe da pesquisa "Desrespeito e Violência no parto", aqui.

Relatório Final da CPMI da Violência contra a Mulher, aqui

Perguntas frequentes sobre Violência Obstétrica, aqui.



16 de julho de 2013

Relato: A história da Clara e de uma dor que não foi em vão...


A Clara Crispim chegou até mim assim, numa mensagem:

“Cariny, tava no site da Rede Parto do Princípio e escolhi, aleatoriamente, um depoimento de parto pra ler. Li o seu! Queria te agradecer só pelas suas palavras. TUDO que você disse naquele texto retrata o que estou passando. E quando vi que você teve seu bebê em Porto Velho, me senti mais amparada ainda! Tento perder todas as inseguranças que implantaram em minha cabeça no decorrer de todos esses anos. E palavras como a sua me dão a nítida certeza de que agora quem vai decidir como meu bebê virá ao mundo sou eu. Tenho 2 cesáreas (contra minha vontade) e tinha muito medo de ‘estourar meu útero’ numa tentativa de parto normal. Mas NADA mais me assusta! Estudei, me informei e vejo histórias de mulheres como você que mudaram toda minha concepção a respeito do assunto e do mundo! OBRIGADA!”

Eu comemorei! Afinal, era mais uma mulher saindo da matrix!

Esquecemos uma da outra e, meses depois, fiquei seduzida pela estória dela quando li um pequeno relato que ela escreveu assim que seu terceiro menino nasceu. Inundada com a revolução que vem junto com as chegadas e partidas da vida, ela fez um texto corajoso – de gente grande, como se diz por aí – assumindo suas escolhas, lamentando perdas e comemorando vitórias!

Vitória por ter sido protagonista da própria estória e não mera observadora. Vitória por ter se empoderado e feitos escolhas corajosas, escolhas verdadeiras e não se permitir levar pela maré do falso. Vitória por ser adulta e assumir a parte que lhe cabe em cada um dos desfechos que viveu na estória da chegada do seu caçula. Vitória por inspirar outras mulheres a sair da artificialidade e buscar a carne, o sangue, o suor e as lágrimas, em trocar de conhecer a verdade. Vitória por promover o homem, chamar o companheiro e dar o poder, também a ele, de apostar na vida. Vitória por ter coragem de tirar a venda dos olhos e olhar a luz para, assim, desejar dar à luz.

Poderia ter doído menos, Clara. Sim! Você poderia ter ouvido, friamente, as palavras de fora que te insistiam em dizer que a cirurgia é a melhor escolha da mulher. Sim, você teria sentido menos dor. Mas não porque doa menos, mas porque agir contrário aos nossos sentimentos internos nos entorpece, nos deixa anestesiadas... e a dor surgiria depois, disfarçada em alguma das inúmeras fantasias que criamos para nossas dores internas mal curadas. É preciso coragem para enfrentar os próprios fantasmas...
Muitos podem analisar os fatos como uma tentativa em vão... como uma perda. Mas só os sábios tiram proveito da dor. Enquanto caminhamos feito zumbis, ora fugindo da dor, ora perseguindo o prazer, há quem escolha a dor como caminho e os ganhos com esse auto conhecimento são verdadeiros tesouros!

Não é difícil imaginar porque razão uma mulher, quando for ter seu primeiro filho, não queira sentir dor. Passou anos recebendo mensagens fortíssimas de que dor não é bom, dor não serve para nada, dor é inútil, dor deve ser combatida. Então, como encarar um rito de passagem como o parto que tem a fama de ter a 'pior dor do mundo'? Ficou todos os anos de seus ciclos menstruais sentindo cólicas e tomando analgésicos para elas, sem contudo procurar descobrir porque seu útero gritava mês a mês. Assim faziam sua mãe, suas tias, suas amigas. Quando a enxaqueca a acometia, corria para a farmácia e não para dentro de si. Porque razão esta mulher iria aceitar a dor do parto? "Não! De jeito nenhum, isto é grotesco, selvagem, animal... eu quero parto sem dor, quero filho sem dor". Ledo engano; o filho doerá de qualquer jeito, pois nossos filhos nos jogam na cara tudo aquilo que somos e o que não somos. A dor é inevitável, o sofrimento é que é opcional. Vai doer, é o ônus assumido por estarmos aqui, mas nós podemos escolher se queremos ou não sofrer com esta dor.

No livro ‘Quando o corpo consente’, há um trecho que me tocou profundamente e que ilustra a escolha da Clara. Diz lá que a dor do parto é a dor que carregamos dentro de nós. Sim, eu mesma já cheguei às portas da maternidade com muitas dores, cicatrizes mal curadas, e tudo aquilo viria a mim, de qualquer jeito, de uma forma ou de outra. Foi então que eu pensei: se a dor é minha, então ela é minha parceira de vida, vou trazê-la, vou exorcizá-la, vou vomitá-la... e assim, eu recebi a dor como uma dádiva de Deus, uma ferramenta esplêndida da natureza. Ela veio e depois se foi... dois anos depois, pari sem dor, meu terceiro menino. A Clara também chamou para si a sua dor e, assim, fez-se mais sábia! Caminhou radiante na transposição do rio de sua vida...

Vamos de Clara agora. Se você se apaixonar pelas palavras desta mulher que abre o coração com simplicidade e paixão, espere até ver as fotos...


1º ATO: “Eu adoraria ter ido até o fim, mas tudo acontece na melhor das formas.”




As pessoas têm me perguntado como foi meu parto, se foi normal como eu queria, se eu consegui... Eu consegui! Consegui entender o poder de uma mulher, sua autonomia, sua soberania. Consegui sentir o poder da decisão, o poder/querer. Levantei dia 24/12 às 6 horas da manhã impulsionada pela primeira contração. E eu não tinha dúvida, o show estava começando. O meu show. O show da vida. Fui à maternidade às 9hr, já com dores imensas e encontrei meu primeiro obstáculo. O médico que me atendeu disse que só esperaria até as 11 horas, caso eu não tivesse a dilatação necessária, ele me operaria. Bem, essa decisão era minha, não dele.

Voltei pra casa e lá fiquei até às 19 horas. Foram as MINHAS horas. Foram insuportáveis e deliciosas horas.... era eu e meu bebê numa comunicação intensa... era a magia da dor de ser mãe... era ISSO que eu queria.

Sentir a vida se expressar pelo meu corpo. Tive o privilégio de ter três excelentes profissionais me acompanhando (eterna gratidão). E mais três pessoas que nunca mais serão as mesmas na minha vida... Quando a dor me venceu, foram eles que me lembraram que havia mais que dor naquele momento... minha mãe, meu marido e a madrinha do Henrico.

Estas pessoas foram reposicionadas nos meus sentimentos... Tive muita energia positiva jorrada em cima de mim o dia todo... pessoas rezavam, firmavam, mentalizavam, cuidavam e esperavam.. comigo, por mim e para que meu sonho fosse realizado. Nem consigo expressar o meu afeto por todas estas pessoas que se permitiram sonhar comigo. Mesmo com seus receios, suas crenças, suas experiências. Mesmo com os “nãos” estas pessoas andaram de mãos dadas comigo, e energizaram meu dia... São pessoas de LUZ.

Às 19 horas voltei à maternidade. Neste momento eu fui vencida. Pelo medo. O outro médico que me consultou mediu 8 cm de dilatação. Quando soube que eu já tinha feito 2 cesáreas anteriores, imediatamente me encaminhou para a terceira. Assim, sem respostas, sem esclarecimentos, sem delicadeza. Disse que meu trabalho de parto havia se estendido por muito tempo e que havia risco a partir de então (Bem, de acordo com o outro médico havia risco desde às 11 horas da manhã). Com um toque que demorou 2 segundos ele pôde concluir isso? Eu nunca vou saber se havia riscos de verdade, ou o tamanho deste risco. Uma operação (cesárea) é muito arriscada, afinal é um procedimento cirúrgico. Mas pra este risco, este médico estava preparado, este risco ele queria correr, e não aceitava correr o MEU risco comigo. E eu não podia decidir arriscar sozinha, eu precisava daquele médico, do conhecimento dele. Era da vida do meu bebê que estávamos falando. Eu estava frágil. Decidi operar. Senti a dor e a delícia de participar ativamente do MEU parto.

Protagonizei. Fui dona da decisão de não ir até o fim... tentei ser mais cautelosa que durona. Aprendi isso com a maternidade. Meu bebê nasceu após 15 horas de trabalho de parto. Nasceu de cesárea. Me ensinou nestas 15 horas tanto sobre tanta coisa. Transformou minha vida. Eu adoraria ter ido até o fim. Mas como diz Chico Xavier “tudo acontece na melhor das formas”.


2º Ato: A maternidade depois das escolhas...




Ser mãe é? Não acredito que exista uma definição para isso. Sou mãe de três meninos lindos e até hoje não defini o que é ser mãe.

Trabalho, estudo, cuido de casa, dos filhos, acho tempo pra me divertir e cuidar da saúde. Como? Sendo mãe! É que mãe é um pouco médica, um pouco enfermeira, um pouco professora, um pouco vidente, um pouco nutricionista, um pouco psicóloga... com tantas atribuições, é possível imaginar como uma mãe consegue dar conta de tanta coisa ao mesmo tempo né?

Fui mãe pela primeira vez aos 19. Inexperiente, solteira, sem formação, morando com os pais. E pasmem, engravidei por que quis. Por que me bateu muito forte uma vontade de ser mãe. Sofri muito. Ser mãe menina é muito doloroso. Mas aprendi, de um jeito difícil, mas aprendi. O mundo modernizou-se, mas ainda há o preconceito com a mãe solteira, com a gravidez na adolescência.

Nove anos depois, me casei então nasceu meu segundo filho. Outra realidade, gestação completamente diferente, curti cada momento desde o “beta”. Desta vez houve chá de bebê, chá de fralda, book, dvd da ultrasson, desejos de grávida atendidos, tudo que uma gestação tem direito, foi lindo. Acontece que no meu peito, havia uma brecha. E eu descobri a resposta para aquele vazio na terceira gestação. Três anos depois, descobri que esperava meu terceiro filho.

Dentro de mim eu sempre soube que o melhor para uma mãe e seu bebê era um parto natural. Esta informação esteve sempre lá. Mas de alguma forma eu não a usei. Sempre deixei os profissionais que cuidavam de mim, decidir o que era melhor. E desta vez eu decidi que o parto era MEU. Aos 31 anos e terceira gravidez eu decidi parir. E por que desta vez? Acho que agora eu tinha maturidade para impor a uma sociedade e médicos cesaristas , a minha real vontade. E assim comecei a minha busca árdua e incansável.

Dona de duas cesáreas anteriores (completamente desnecessárias), morando numa cidade com pouquíssimas opções de médicos, com carência de estrutura própria para parto, e com muitas pessoas ao meu redor que não concordavam com minha decisão de parir.

Contei com a minha insistência e com apoio incondicional do meu marido, da minha mãe, da minha comadre e de poucos amigos. Busquei informações na internet, li artigos científicos, vi vídeos e relatos de mulheres sobre o VBAC (vaginal birth after cesarean - quando a mulher tem um parto normal após ter tipo uma ou mais cesarianas). Entrei em contato com pessoas renomadas estudiosas do assunto no Brasil inteiro. Estava sedenta por informação e apoio. E consegui. Mas na minha busca conseguia um sim para cada dez nãos. Desta forma acabei desistindo. Pensei: “correr atrás desse sonho vai dar muito trabalho”. E desisti. Mas continuei exaltando as pessoas que podiam parir (e me entristecia quando percebia que essas pessoas escolhiam operar com data e hora marcada. Por que eu que não podia e queria tanto uma oportunidade destas).

Minha mãe escutava minhas lamentações e nada podia fazer a não ser me encorajar. Meu marido também de mãos atadas até concordou em me deixar parir em outra cidade longe dele caso eu conseguisse apoio profissional. Minha comadre tirou um dia pra correr atrás de ajuda comigo. Cercamos uma médica que levanta a bandeira do parto normal. Quando falamos com ela sobre o meu desejo de tentar parir tendo duas cesáreas anteriores ela me fuzilou com o olhar, e com as palavras também. Chorei. E cada vez que fazia uma tentativa de encontrar apoio era a mesma coisa. Testas franziam e os ‘nãos’ soavam. Com medo de continuar me frustrando sempre, achei melhor parar de tentar.

Um dia uma prima me marcou numa publicação do facebook sobre uma tal Roda Materna. Aconteceria dali duas semanas mais ou menos. Pensei em ir, mas no fundo sabia que uma nova frustração viria. Mas se eu não fosse ia ficar com o sentimento de covardia me torturando. Fomos eu e meu marido. Encontramos uma psicóloga e uma doula que ouviram atenciosamente a minha história (quase como um desabafo). Claro que eu estava esperando as testas e os olhares, afinal o que uma louca que tem duas cesáreas quer fazer numa roda onde se discute o parto normal? Quer tentar ter um parto normal? Impossível! Não para aquelas profissionais. Ali eu encontrei o restinho da força que eu precisava para enfrentar todas as caras de reprovação e retomar a busca ao meu sonho.

O Grupo Buriti estava realizando a sua segunda reunião materna. Então eu fui abençoada com esta descoberta que também era uma novidade. Encontrar com outras mães que já haviam tido parto normal, com enfermeira, com doula, com psicóloga, com mãe que também já tinha cesárea anterior, com toda essa energia positiva, foi determinante na minha luta. Agora eu já tinha argumento, já tinha apoio e me faltava um médico. Mas eu tinha um plano. Através da minha comadre, entramos em contato com uma assistente social da maternidade municipal. E esta mesma nos garantiu que ali apenas era realizado parto normal. Mesmo que a mãe já tivesse cesárea, se no trabalho de parto tudo ocorresse bem, podia ir pra lá que o parto seria normal. Nos disse que isso já acontecera naquela maternidade várias vezes. Então pensei: “vou fazer o pré-natal todo na rede particular e quando for ter o bebê, vou para a maternidade municipal. Tá resolvido”. E assim foi.

Meu médico marcou a data do meu parto para o dia 17/12/12. Lógico que eu não aceitei. Disse que ligaria para ele para dizer que data seria melhor pra mim e aquela foi minha última consulta com ele. Mas eu já começava a entrar em pânico, pois completei 41 semanas e nada de TP. Então eu comecei a enfraquecer. Tinha medo de passar da hora de nascer, de algo acontecer ao meu bebê e a culpa ser minha. As pessoas que não apoiavam minha idéia de parto normal, já começavam a me dizer que aquilo tudo era uma loucura, que eu estava sendo inconsequente e teimosa. Mas esperei mesmo assim.
Dia 24/12/12, às 06:00 horas, senti minha primeira contração. Pulei da cama. 41 semanas e 4 dias. Abençoado seja este filho que me presenteia no natal. Meu show estava começando. Catei a vassoura e fui limpar a casa, afinal eu só voltaria pra lá com meu bebê no colo e tinha de estar tudo perfeito. Dei banho no cachorro. Curtia minha dor como se fosse um carinho em meu ventre. Acordei meu marido, pedi que ele mantivesse a calma, pois um trabalho de parto demoraria no mínimo duas horas. Pedi que ele lavasse a louça, pois naquela altura minha dor já não me permitia. Tirei o lixo e saímos. Fomos para a casa da minha mãe por volta das 08:30 da manhã.

Às 09:00 fui para a maternidade ver se estava tudo bem com o bebê. Aquela dor já me possuía por inteiro. Eu tinha certeza que o bebê já estava para nascer. Quando o médico me disse que eu estava com 1 cm de dilatação parecia mentira. E disse que como eu tinha duas cesáreas anteriores, mas queria muito ter o parto normal, ele esperaria até às 11:00 horas pro meu trabalho de parto evoluir e eu dilatar tudo. Caso não ocorresse, ele me operaria.

Voltei pra casa da minha mãe (frustrada pra variar) esperançosa que minha dilatação seria rápida. Enquanto eu buscava um conforto pra amenizar as dores da contração, fui presenteada com a visita das meninas (psicóloga, doula e enfermeira) da roda materna. E a visita virou o meu apoio do dia inteiro. Às 11:00 horas, quando eu devia voltar pra maternidade, havia dilatado apenas mais um centímetro.

Então, segurando as mãos do meu marido, da minha mãe e da minha comadre, decidi que iria esperar dilatar tudo e então eu voltaria para maternidade para ter meu parto normal. E foi através destas mãos que, quando eu quis desistir fraquejando para a dor, eu descobri que o apoio deles era tão grande quanto meu sonho. Eu tinha a melhor equipe do mundo ao meu lado. As melhores profissionais e a energia positiva que se podia sentir de longe.

Foram 15 horas de trabalho de parto. Quinze deliciosas horas de dor, medo, ansiedade. As quinze horas que determinavam quem eu seria dali pra frente. O parto transforma a mulher. Nenhuma mulher deveria se privar desta experiência. Eu repaginei a minha vida naquela data. Foi um momento de descoberta de limites, de valores, de sentimentos.

Abro um parêntese agora. Paula, Elis e Sandra eu nunca nesta vida vou conseguir dizer a vocês o tamanho da minha gratidão.

Quando a enfermeira me falou que eu havia atingido 8 cm de dilatação, eu decidi que era hora de voltar à maternidade. E neste momento eu perdi a rédea. O médico que agora era outro, quando viu no meu registro que eu já havia passado pro duas cesáreas agiu como um ogro. Indicou para uma cesárea de urgência e naquele momento ele esqueceu que é de pessoa que ele cuida, não de objeto, pela forma que passei a ser tratada o resto da noite. Não tive força para contradizê-lo. Não conseguia lutar com a minha insegurança sentindo tanta dor. Eu precisava daquele médico. Mas ele não precisava de mim na véspera de natal, com “a casa cheia”. O choro e o rosto do meu filho que “nascia” as 21:00 horas foi o lenço para lágrimas que não sei se um dia deixarão de cair dos meus olhos.

Sou mãe do Vitor, que me ensinou que ser mãe é amadurecer. Sou mãe do Alef, que me ensinou que ser mãe é dedicar. Sou mãe do Henrico, que me ensinou que ser mãe é lutar.

Tenho pena dos homens. Nunca saberão a delícia de gerar e parir. Pelo menos uma destas eu senti, e a outra eu sonho quando durmo, como se tivesse sido a minha realidade.

E mesmo assim, aqueles pobres homens que me tomaram um sonho, nunca chegarão perto de entender o que é ser mulher, mãe. Nunca entenderão a grandeza de ser igual àquela que os deu a oportunidade de existir. Podiam fazer parte de um espetáculo pelo menos como coadjuvante e teriam a honra de participar do milagre da vida.








































Todas as fotos foram tiradas por Elis Freitas, fotógrafa, mãe e fundadora do primeiro grupo de apoio a gestantes de Rondônia, o Grupo Buriti, em Porto Velho, juntamente com Paula Camargo Gerhardt, psicóloga e mãe e que hoje é parceira no grupo de apoio a gestantes Bello Parto, também em Porto Velho.



*Em tempo (19/07): Um leitor chamou a atenção para o uso da palavra 'estória' ao invés de 'história' e apresentou-me uma pesquisa. De fato, a palavra tem uma polêmica e foi criada para ter uma conotação de 'criada', 'inventada', 'sugerida', uma obra de ficção. Já a história é uma narrativa que faz parte dos fatos ocorridos na vida, uma obra não ficcional. Então, que se mude o título do post, já que de fictícia a história da Clara não tem nada! Valeu!

12 de julho de 2013

As delícias - e os micos - de uma mãe garupeira em sua primeira viagem de moto... (com dicas pra não ficar muito chato)

tá estressado? #deitanabr

por Cariny Cielo

Este texto dá início a uma nova faceta do blog! Não que seja a primeira vez que eu falo de moto, não é!! Estreia da série: Porque-Mãe-Também-Pode.

A ideia agora é a de associar este espaço a divulgar aventuras que muitos podem achar incompatíveis com a maternidade! Estou aqui para mostrar os bastidores de um casal com filhos pequenos e que amam viajar de moto! A partir de agora, nossas aventuras no mototurismo e as minhas pirações como mãe-mulher-garupa apaixonada, estarão aqui também, afinal de contas, o blog é sobre a vida com três meninos e em-cima-de-duas-rodas!

Isso porque, pensem comigo: eu engravidei 3 vezes, eu pari em casa sozinha com o marido, eu enchi a casa de menininhos e... agora, eu, gradativamente, vou conseguindo me dedicar a uma paixão, a um vício: o tal vício de viajar de moto, compartilhado com outro dependente e estamos sem previsão de cura!!!

Até 2005 eu nunca tinha sentando numa moto, nem pra pilotar, nem como garupa. Muita gente não acredita já que hoje sou tão aficionada por moto que se saio de carro, não acho que é passeio, é só meio de transporte!

Confesso que minha paixão estava latente e foi apenas aflorada. Não tive grandes problemas em me adaptar a viajar de moto, ao contrário, inclusive comecei a achar muito mais divertido.

Muitas coisas mudam quando se viaja de moto e eu fui apanhando aprendendo com tentativa e erro.

Bagagem: Uma hora você vai me perguntar sobre a bagagem, não é?! Comecei nem contar o começo! Como alguém que vai viajar de moto tem que arrumar mala? Ou melhor, como nós mulheres, naturalmente agregadoras de coisas, conseguimos viajar de moto? É só desapegar! Aliás, dica que serve pra tudo na vida, né não? Esquece os sapatos, esquece aquela porção de bijoux, desiste de ter opção para escolher a roupa do dia e vá com o mínimo. Eu já mentalizo o que vou vestir em cada dia e esqueço boa parte dos acessórios.

Brincos: no capacete só ficam confortáveis aqueles que não tem tarrachinha, então, geralmente é uma argolinha charmosa e pronto!

Anel: incomoda no tira-e-põe da luva! Talvez vc pode levar uns favoritos pra sair... mas não use durante a viagem. Colares, pulseiras e afins: a mesma regra do anel.

Cabelo: É uma luta. Mas, eu venci, aderindo à trança. Só prender num rabo de cavalo pode fazê-lo escapar pra fora da jaqueta no vento e aí, nunca mais seus cabelos verão um pente! Soltos só dá certo naqueles editorais pra vender moto... na prática vc vai ficar parecendo uma doida varrida! Então, uma trança solta pra quem tem cabelos lisos, e mais firme pra quem tem cachos, e você conseguirá chegar apresentável no fim do dia. (Ou não! Andar de moto é abdicar de vários conceitos de beleza! E vale a pena! Hahaha).

Maquiagem: confesso que não sou muito boa em recomendações sobre maquiagem, pois sou linda naturalmente, mentira, morro de preguiça de me maquiar. Viajando de moto, então... é trágico. Para as expert e que sabem até o que é primer, eu recomendo: esquece tudo na hora de viajar. A balaclava (vou já falar dela!) vai ficar colada no seu rosto, deixando só os olhos à mostra, o capacete vai entrar te espremendo as bochechas, o tira-e-põe em cada parada, então... nem o batom resiste!

Mas acho que pras que querem fazer bonito, dá de manter os olhos pintados com rímel e delineador. Acho tá, gente?! Nunca tentei... nem quero... dá um medo de escorrer, borrar, manchar, sei lá e eu ficar parecendo um panda no meio da estrada!

Balaclava: não, não é frescura! Balaclava é tua melhor amiga! É aquela máscara que os bandidos usam pra assaltar bancos, mas nós vamos usar pra manter os cabelos nos lugar e dar mais conforto ao uso do capacete. Difícil algo mais irritante do que fiozinhos de cabelo voando pelo seu rosto, pegando olhos, nariz, no meio da estrada! Tem que para a moto e ajeitar. É desesperador! Ela ainda protege o pescoço do vento, do frio... E existem as balaclavas com proteção térmica que é legal usar nas viagens para regiões frias (que eu ainda não fiz).

Calçados: É, querida amiga garupa que me lê, você vai chorar quando se der conta de quantos calçados vão caber na sua mala de viagem de moto! Geralmente eu levo a bota de viajar, um sapato básico daqueles que vão combinar com todos os trajes do mundo (isso existe?!) e um chinelinho ou sandália. Pois é... é bem assim: de vestido, de short, de calça jeans, de macacão, de mini saia, de legging, de seja-lá-o-que-for, vc vai ter que usar o mesmo sapatinho multi-uso. No meu caso já foi um modelo boneca, de couro bem molinho confortável na cor caramelo, hoje é um tênis de passeio bege.

Luvas: Eu tenho de couro e de malha. Já andei sem e aconteceram duas coisas que me fizeram nunca mais andar sem: 1. Um inseto me picou em pleno 'vôo'; e 2. Uma pedrinha bateu na minha mão e machucou. Mas pra tirar fotos, tem que ficar sem luva, então eu costumo ficar com uma mão livre pra fazer meus flashs (já que eu me acho ‘a fotógrafa’ e depois escondo ela entre o piloto e eu.

Mochilas, baús etc: O baú traseiro ou um sissybar são parceiros excelentes de viagem para as garupas já que podemos nos apoiar. Mais um ponto pras jaquetas próprias, pois elas têm proteção nas costas e impedem que você se machuque ao escorar no baú. Há quem viaja carregando uma mochila, neste caso, aconselho a não sustentar a mochila nos ombros e sim apoiá-la na moto.

E vamos aos micos! Vou começar a série de post sobre viagens de moto+maternidade registrando a minha primeira viagem longa de moto. Sim porque quem é de Rondônia, só acha uma viagem de moto longa a partir dos 1.000 quilômetros.

O primeiro grande erro de toda garupa que vai fazer viagem longa de moto é achar que aquela jaquetinha jeans que está no armário vai servir pra viajar... não vai! Mas, quase sempre a gente só aprende essa sofrendo e demora pra colocar a mão no bolso - ou no cartão em 12 vezes!!! - e comprar roupas adequadas que, de fato, são muito caras! Não pague esse mico e compre antes suas roupas e calçado próprios se for viajar longe...

Capacete, então, é um item à parte que merece um texto próprio. Já sofri toda sorte de dor com capacetes grandes demais, pequenos de mais, pesados demais...

Minha primeira viagem longa de moto foi de Cacoal, interior de Rondônia à Chapada dos Guimarães e Nobres, no Mato Grosso para o 6º Encontro Regional Centro Oeste do Clube XT600. Em 2010 tínhamos dois filhos e eles ficaram em casa com a avó – afinal, pra que servem avós?. O caçula ainda mamava; sim, porque como boa mamífera, meus filhotes mamam prolongadamente e desmamam sozinhos... mas, nem por isso eu deixo de viajar, há que se montar uma estratégia e tanto, é verdade, mas dá certo! Estocar leite materno é uma delas!

Fomos numa Yamaha XT 660, azul, que era xodó lá em casa e que considero a melhor moto de custo-benefício para viagens que envolvam trechos off road.

E eu fui daquele jeito, com uma humilde jaquetinha e calça de malha (!), com uma bota que se prestou ao serviço, mas chegou pronta para o enterro, nunca mais usei! Moto estraga os solados dos calçados e dependendo da posição da garupa pode até arranhar a carenagem da moto! Descobrimos isso quando meu marido olhou com aquele olhar clínico pra lateral da moto cheio de tristeza e pesar... e viu que minha bota, com a sujeira da estrada, veio, digamos assim, se esfregando e arranhou tudo.

Saímos 04:30 da madrugada e eu empolgadíssima perdi toda a empolgação de tanto frio que passei. Quem imaginaria passar frio viajando de Rondônia pro Mato Grosso??? Lembram da jaquetinha, né? Pois então, jaquetinha simples não protege do frio e, acrescentando, não protege de pedrinhas, não protege nem de picada de insetos!

Saímos da BR 364 pra pegar a Rodovia MT 235 e ir até o Rio Papagaio via Sapezal e, na passagem, conhecer o Balneário do Pubi. O município de Sapezal possui hoje uma área de 13.696 km2, sendo 4.934 Km2 de área indígena e, pra chegar ao Balneário tem que pagar pedágio aos indígenas, donos da região.

O Balneário é lindo, o rio é uma delícia, dá de fazer rafting e mergulho. Gostamos tanto que, dois meses depois, fomos lá com uma turma de motociclistas, comemorar nosso aniversário de casamento.

Chegamos em Cuiabá às 19:00 horas. E, fazendo as contas, foram 15 horas de viagem... Cansou? Sim, é bem cansativo, mas viajar de moto é tão excitante que os amantes de moto vão me entender quando digo que é um cansaço delicioso! Ainda chegamos animados para sair à noite e passear pelo centro da cidade...

A propósito, recomendo quando chegar de uma viagem de moto ir direito pra passear na cidade já que se você chegar num hotel, ligar o ar-condicionado e tirar a roupa ... não sai mais! Se a viagem é curta, então, tem que aproveitar...

Na manhã seguinte partimos pra Chapada dos Guimarães que é um ótimo lugar do Brasil pra conhecer e onde foi o encontro propriamente dito. Como passeio, tivemos, no dia seguinte, uma ida até a cidade de Nobres, para conhecer a Vila Bom Jardim, indo pela Usina do Lago do Manso.

Até chegar à Pousada Bom Jardim, é preciso fazer uns 50 km em estrada de chão e quem gosta de off Road é pura diversão; foi onde agreguei poeira e lama ao modelito! Fizemos um mergulho super bacana, chamado ‘de flutuação’.

A volta é sempre mais ligeira e como já passamos por algumas experiências na ida, incrementei mais minha roupa pra não passar tanto frio na madrugada. Chegando em casa lá estavam dois pimpolhos nos esperando... um deles aguardando o mamá! A gente costumar tirar fotos de coisas que eles achariam legal, filmar bastante e depois fazer uma reuniãozinha familiar só pra mostrar!!!

O caçula, à época, tinha 1 ano e 9 meses, ficou 3 dias longe de mim e, quando cheguei, foi "mamá à primeira vista"... a amamentação seguiu até depois dos dois anos, como eu já contei aqui.


O Rio Papaguaio/MT não é lindo?


Corredeiras do Rio Papagaio/MT


Reunião de motos na Chapada dos Guimarães/MT


Alojamento na Chapada dos Guimarães/MT


Mirante da Chapada dos Guimarães/MT


Galera do Encontro! 


E não é que tinha um casal com dois filhos da mesma idade que os nossos? 
Nesse mundo tem doido pra tudo!

Tirar foto no meio da estrada. #quemnunca


Essa sou eu, ou melhor, essa é a balaclava! Indo pra Vila Bom Jardim/MT


50 km de chão para chegar à Pousada Bom Jardim/MT


Mergulho de flutuação em Nobres/MT


No meio da ponte tinha uma garupa empoeirada...


Com tanto cansaço, poeira e calor... será que eu me jogo? 


Pé de Caju que nos recepciona chegando na Chapada dos Guimarães/MT



Eu ainda não disse, mas tenho obsessão por fotografar árvores...

29 de maio de 2013

Maternidade Ativa: Laboratórios Tadiotto & Cielo: Resultados: Parte I

arquivo pessoal: Cientistas malucos

por Cariny Cielo

Após seis anos de trabalhos intensos, os laboratórios Tadiotto & Cielo abrem ao público alguns resultados de pesquisas de campo. Ressaltando que são dados parciais e sempre passíveis de reformulação.

Estamos atualmente com três amostras, também chamadas de filhos, nascidos em 2007, 2009 e 2011 e, ao que tudo indica, permaneceremos com este número até para poder aprofundar as pesquisas, com estudo de qualidade.

Para melhor didática, apresentaremos os resultados por temas principais e, hoje, trazemos os seguintes temas: parto, sono, alimentação e hora do banho. Todos temas diretamente ligados à piração, ou melhor, ao interesse legítimo da grande imensa maioria dos pais.


Primeira temática: Parto

2007: Primeira amostra: o parto é do médico. Nascer é um evento extremamente perigoso e imprevisível que deve ser entregue à medicina. Quanto mais ultrasonografias melhor, foram feitas 9. Nasceu de cirurgia.

2009: segunda amostra: Algo ocorreu dentro do esquema que questionou o modelo tecnocrata de assistência ao nascimento e o parto passou a ser encarado como um evento fisiológico. Nasceu de parto natural hospitalar

2011: terceira amostra: O parto transformou-se num momento normal, tranquilo e natural, como comer, dormir ou fazer cocô. Nasceu de parto natural, em casa, assistido pelos próprios cientistas.


Segunda temática: Sono

Primeira amostra: o sono deve ser ensinado a todo custo. É algo de fora pra dentro. Não se sabe como a humanidade vem dormindo até hoje sem alguém que ensine técnicas para tal. Nana Nenê é um livro de cabeceira e o autor tem todo o direito de invadir a privacidade do lar e dizer como e onde é melhor colocar uma criança para dormir. Dormiu no berço e chorou (muito). Chora até hoje e sente falta de contato.

Segunda amostra: Bom mesmo é sentir o quentinho do corpo de um bebê. Eles vão dormir assim que entrarem num ritmo, que é próprio e não pode ser manipulado acirradamente. A criança que tem contato suficiente e quando pede, desvencilha-se naturalmente e com tranquilidade. Dorme bem e pede pra ir pra caminha.

Terceira amostra: Observando-se respostas positivas advindas do método com o segundo filho, repetiu-se todo o processo, tendo-se os mesmos resultados positivos.


Terceira temática: alimentação

Primeira amostra: Amamentação exclusiva até os seis meses e, após, cálculos matemáticos precisos e acompanhamento diário acerca das porções de proteína, carboidratos e vitaminas. Dificuldade na manutenção deste controle por conta de uma síncope sofrida pela responsável por este controle, no caso, o cientista mãe. O cientista pai defendia mais tranquilidade e confiança na alimentação do rebento, no entanto, a formação acadêmica rígida da mãe não a fazia compreender esta possibilidade de flexibilização da dieta do rebento. Continuação da amamentação até 15 meses. Desmame por razões ainda não descobertas, restando algumas questões de ordem psicológicas e emocionais como palpites obscuros.

Segunda amostra: amamentação exclusiva até os seis meses. Controle do consumo de proteínas, carboidratos e vitaminas semanalmente e não diariamente como com o primeiro caso. Observou-se muita dificuldade em manter esta segunda amostra longe das guloseimas não nutritivas que a primeira amostra já consumia. Os itens foram: pipoca, pirulito do pediatra (argh!), batata palha, iogurte e brigadeiro. Não foi observada perda do interesse por alimentos nutritivos, mas observou-se um considerável escândalo difícil de suportar pelos cientistas por parte do filho que tinha restrições alimentares. mamou até 27 meses, desmamou por conta própria.

Terceira amostra: Não há palavras, dentro da metodologia científica, para descrever a dificuldade em se manter uma terceira amostra longe das porcarias que as duas primeiras amostras consomem. Os maiores fazem questão de, à revelia da mãe, interagirem com o caçula, colocando toda sorte de tranqueira na boca deste.
Percebeu-se um cansaço por parte da cientista mãe em fazer controles alimentares e esta, após receber suporte psicológico e de nutricionista, passou a adotar a teoria inicialmente levantada pelo cientista pai: só adquirir produtos de qualidade e em eventos carentes de preocupação com a saúde infantil, permitir o consumo de pouco a moderado das porcarias, ops!, guloseimas à disposição. No entanto, entendeu-se por bem que esta postura não se refere a refrigerantes, estando estes terminantemente proibidos para o consumo. Ainda mama no peito.


Quarta temática: Hora do banho

Primeira amostra: 40 minutos de preparação para iniciar o ritual do banho o que incluía ligar um som relaxante, limpar a banheira com alcool gel, usar um termômetro, colocar brinquedos, usar xampu, condicionador e sabonete líquido, encher com água quente, deixar uma toalha fralda à mão. Colocar o bebê, segurar com insegurança, passar xampu em meia dúzia de fios de cabelo, passar condicionador na meia dúzia de fios que jamais embaraçariam, perceber que não dá pra pegar sabonete líquido da Mamãe Bebê da Natura só com uma mão, desvendar uma estratégia para extrair o sabonete líquido da Mamãe Bebê da Natura virando o frasco pra baixo e pressionando contra a banheira, lamentar o desperdício vendo todo aquele sabonete escorrer pela banheira abaixo, descobrir que a toalha não estava tão “à mão” assim, gritar pedindo toalha ou puxar a toalha com o pé já que a perna permite um alcance maior. O bebê volta e meia chorava. Mas costumou ser um momento de prazer para ambos. Com os meses, o cientista pai assumiu a função do banho noturno como forma de, segundo ele, aumentar as chances de conexão com o bebê. Deu certo. Mas não é essencial, verificou-se que um bom pai vai se conectar com o filho, independente dos banhos noturnos.

Segunda amostra: a banheira deu lugar a um balde por causa da moda do ‘banho de balde’ que invadiu a internet. Na verdade, os cientistas ficaram receosos em adotar uma conduta não cientificamente comprovada, mas como o balde ocupava bem menos espaço dentro do box, resolveram apostar. Deu certo. Abandonou-se ou substitui-se por outras mais adequadas algumas práticas que retardavam todo o processo como, por exemplo: ligar som foi substituído por mãe cantando pro bebê. Não se sabe se a troca foi boa, mas o filho até hoje não reclamou. Não se limpou mais o baldo por causa de pura preguiça, mentira, porque é importante a sujeira pra o fortalecimento do sistema imunológico do ser humano. Xampu, condicionador e sabonete líquido foram todos substituídos por um único produto capaz de limpar e manter cheirosinho um bebê com a mesma eficácia. A segunda amostra, apesar de usar menos xampu, foi a que apresentou mais cabelo, requerendo mais cuidado no enxágue. Os cientistas deram muito mais banhos diários na segunda amostra do que na primeira, justamente pela capacidade que tiveram de reduzir o tempo da tarefa e torná-la mais prazerosa e menos mecânica.

Terceira amostra: o balde adotado na última experiência ficou para os filhos maiores e a terceira amostra, divulgando aqui em primeira mão, tomou banho no chuveiro com a cientista mãe. Era prático e rápido, além de muito gostoso pelas experiências sensoriais advindas do contato pele a pele com água morna. Algumas vezes o sabonete era esquecido sem prejuízos maiores. A toalha era o próprio roupão da mãe que saía do banheiro com o filhote enrolado. Hoje 19 meses depois de tudo, os três tomam banho enfiados na maior bacia encontrada na loja de utilidades domésticas mais próxima, conforme figura abaixo.


Aguardem mais resultados de pesquisas. 

#tadiotto&cielolaboratórios

27 de maio de 2013

Reflexões: O amor e o sexo na era do espetáculo

Imagem daqui!

por Cariny Cielo

Uma pessoa muito querida me mostrou um texto interessante – e polemico – sobre os benefícios da relação extraconjugal. Eu acredito que textos têm uma vida própria e, de algum lugar mágico, eles clamam por serem escritos, por serem expostos e explodirem, tornando-se concretos, ganhando vida...

Há tempos um texto sobre amor e traição grita dentro de mim, rogando ser escrito... Eu li o texto da Navarro e milhões de palavras explodiram na minha mente... segundo ela, relações fora do casamento seriam boas para a manutenção do casamento. Vamos pensar? Eu sou profundamente fiel, monogâmica e estável. Consigo amar e sentir atração sexual, paixão pela mesma pessoa, sem problemas, sem ser uma frustrada ou estar bloqueando algum desejo.

Acho que a nossa sociedade estragou o sexo e o transformou num espetáculo. Não é mais o sexo pra conexão, pra brincadeira, pra união do casal, pra descarga de carmas, pra relaxamento, pra meditação. É o sexo da quantidade, dos acessórios, das metas, do ranking...

Todos monitoram a vida de um casal e imaginam se eles transam sempre, se transam bem, se usam brinquedinhos, se fazem de tudo e mais um pouco... os próprios casais não tão seguros de suas escolhas e preocupados também com esse excesso de publicidade, talvez acabam por questionar, e muito, a própria vida sexual que levam, imaginando que a dos solteiros ou a dos que tem casamentos 'abertos' sejam infinitamente melhor e mais gratificante... mas será?

A questão de que 'trair' faz o casamento melhor está, na minha opinião, no vício por adrenalina, no vício por eterna angústia que algumas pessoas têm... Veja o que diz um psicoterapeuta sobre relações sexualmente abertas e amor livre:

“É fascinante, assustador, maravilhoso, doloroso, prazeroso, novo, imprevisível, incontrolável, rico, maluco, romântico, caótico, aventureiro.”

Isso não tem nada a ver comigo! Mas consigo perfeitamente compreender que tem muita gente doida por isso! Concorda?

Eu, muito particularmente falando, não vivo atrás de loucura, susto, maluquice, romance, caos e aventura... Quero pé no chão, quero o natural, sem artifícios, quero o amor real, aquele que ama o bom e o ruim, o saudável e o doente... o sexo um dia ótimo, outro dia bem comum, sem floreios, sem rebusques, sem adornos, sem adereços, sem nada de fora.

O sexo, eu costumo dizer, que é a única coisa no mundo que mesmo ruim, é bom! Até aquele dia que é básico, que você não se conecta tanto, que não está tão disponível, mesmo assim, é bom... foi fisicamente bom, ativou a circulação, conectou o casal, lavou o amor...

Tem aquele outro dia em que é espetacular e estes ficam guardadinhos na nossa memória sexual, mas nem todos os dias são assim... e nos dias que não é assim, é uma delícia também... porque tem que ser ruim? Porque esse medo do comum?

Concordo que, muitas vezes, um caso fora da relação possa dar um 'up' no relacionamento. Até porque balança as estruturas, põe em risco, faz os dois abrirem os olhos e se olharem de verdade, talvez até pela primeira vez. Às vezes a mulher passa a se cuidar mais, a se amar mais... às vezes o homem volta a se preocupar como peso, com o vigor, fica mais observador e cuidadoso da relação.
Inclusive, se o casal souber passar a adiante e compreender que só entra um terceiro numa relação a convite dos dois, ou seja que não há vítimas nem culpados, que os dois aceitaram e permitiram o ingresso do terceiro, o casamento pode progredir, e muito, depois de uma traição. O amante passar a ser, no meu entender, um bode expiatório, sabe? Para 'acordar' o amor...

Como temos dificuldade em perdoar, em lavar a alma, em viver e superar crises, como crescer dói, preferimos o divórcio, e dali uns anos estamos novamente vivendo o morno do amor, com o novo amor que, de amante, passou a ser a rotina. Acabou a adrenalina novamente, acabou a paixão... e lá vai o outro atrás, de novo, de um ‘novo’.

Eu tive uma amiga cujo marido era extremamente fetichista, tarado mesmo... a gente pode até pensar que “nossa, que legal um homem tarado que te pega na cozinha lavando louça, te joga na mesa, te chama de lagartixa”, mas ela era bem estressada com isso... sabe porque?

Porque cansa! Porque não é natural, não é 'em paz'. E a guerra, embora sirva pra catarse, ela cansa, exaure, esgota...

Ela queria um homem que a quisesse também com camiseta furada, com calcinha bege e queria não ter que pensar todos os dias no espartilho, na calcinha sexy, nas velas, enfim... Ela queria na cama fofinha e não sempre em pé no jardim... ela queria conexão com ela e não com os vibradores, os chicotes... ela queria o sexo por si só e não o sexo de performance... ela não queria ele olhando pro espelho, ela queria ele olhando pra ela, ou olhando pra dentro de si.

Eu vejo, pela minha própria vivência de sexo, que a sexualidade serve para a gente viver várias energias diferentes... ser mais loba, mais sexy, ser mais calma, mais mansa, assumir as rédeas e num outro dia se deixar levar... enfim... é uma caminhada junta, que, no meu ver, se deve fazer juntos, para que o sexo fique cada vez melhor... porque eu cresço como mulher quando me solto e meu parceiro cresce como homem. Porque eu posso surpreendê-lo e ele pode me surpreender também... porque eu não sou a mesma e não me deito com o mesmo homem todas as vezes... porque eu posso ser muitas, e porque, para o sexo, infinitas são as possibilidades do amor...

Pra quê procurar outras pessoas se podemos ter e ser várias dentro de nós mesmas em busca de proporcionar prazer ao outro? Eu entendo que deve ser difícil ficar na monogamia, porque isso envolve muita intimidade. E intimidade gera exposição e exposição gera insegurança, vulnerabilidade.

E muitos casais estão juntos, mas não tem intimidade. Não se abrem ao outro, não se expõem, não pedem, não experimentam, não mostram as feridas, não se mostram em carne viva... esse é o desafio! Arranjar outro é não me expor de verdade a nenhum dos dois... (ou dos três, dos quatro!).

Eu estou há 8 anos com um homem e ainda me surpreendo com ele. Ainda me surpreendo comigo mesmo e com o que ele faz de mim e eu faço dele. Será que será assim pra sempre? Daqui 20 anos estarei ainda conectada sexualmente com ele? Quem sabe?

Mas vivo pensando que nossa sexualidade é algo vivo, que evolui, que muda, que cai, que sobe, tem que ter uma maré, uma descoberta... tem o inverno, tem o verão... aceito o inverno numa boa não como um 'mau sinal', mas como parte do pacote 'ser humano'. E desfruto do verão, aposto nele...

Vários parceiros vão me dar o que? Uns 30% deles? Enquanto posso caminhar pra ter 100% de um ou, inversamente, eu me dou 20-30% pra vários, ao passo que posso traçar uma jornada para conseguir me doar 100% para um... num terreno seguro, num lugar conhecido meu e da minha psiquê. E, na medida que aceito esse um, eu cresço pois o outro me dá as ferramentas necessárias pro meu aprimoramento pessoal, pro meu crescimento...

Não adianta dizer que se ama e se entrega totalmente a alguém que acabamos de conhecer... e que isso traria satisfação pessoal e solucionaria os problemas da nossa sociedade da traição! Porque o amor é profundo... e as relações extraconjuguais estão ainda no raso do amor. Tanto prova que assim que elas se aprofundam, muitas vezes perdem a graça, perdem o glamour, e confundem os amantes que antes estavam alucinados com o novo! O novo agora é velho e lá vem a vida novamente nos chamando a amar o velho... a aceitar a calmaria...

Existe o rompante de amor? Existe! Tem a paixão avassaladora que volta e meia nos visita. Mas o amor é vertical. Ele é pra baixo, ele é fundo... ele penetra... o amor é estável, é rotineiro, mas é na vivência do amor natural que provamos da maré da paixão...

O exercício da criatividade, ativando o chacra básico, nosso centro básico de energia, o fogo kundalini, permite uma vivência de auto-conhecimento poderosíssima, principalmente para nós mulheres inseridas numa sociedade patriarcal e machista...

A criatividade está diretamente relacionada com sexualidade. Nosso fogo criativo é nosso fogo sexual. Porque será que a natureza pôs a criatividade tão intrinsecamente ligada à sexualidade? Porque o sexo é nossa conexão (com o outro, com a gente) e, ao mesmo tempo, nossa desconexão (do mundo, da razão, da casca). Ele nos eleva espiritualmente, emocionalmente, mas nos lembra que somos bicho. Nos liga e nos desliga... é o intelecto e o instintivo... a loucura dos que se amam... a diversão e o deleite do amor...

A falha não está na monogamia. Ainda que sejamos forçados a concordar que, na imensa pluralidade de indivíduos no mundo, ela pode não servir para todos, não é ela a vilã dos relacionamentos. Não é ela a destruidora de casamentos.

Não acredito que a raiz da traição esteja na obrigatoriedade da monogamia. Porque trair o outro, é, antes ainda, uma traição de si mesmo. É atestar que não se está seguindo a vida que se gostaria de seguir.

O que estraga o amor monogâmico talvez seja nós mesmos, viciados que estamos em espetáculos! Tudo, inclusive, o sexo, tem que ser adornado, enfeitado, fantasiado, ainda que o conteúdo seja de qualidade duvidosa. É isso que vemos o tempo todo nas revistas, na TV... a pornografia de baixo calão e misógina, a coisificação da mulher, a indústria do sexo maquiado. Toda uma parafernália vendida como condição necessária para se atingir um orgasmo!

Tem a posição certa, a posição melhor. O brinquedinho infalível. O gel, o óleo, a bolinha, o cheirinho. Ninguém mais quer saber do cheirinho verdadeiro e único, que só seu parceiro tem! Vamos maquiar o cheiro também. Com um é pouco? Melhor chamar mais gente. Ereção natural? Que nada, uma pílula e você fica a ponto de bala por horas. Tá com a cabeça cheia? Toma esse remedinho que o sexo fica ótimo.

Esquecemos que sexo é tão natural, tão fisiológico que beira o grosseiro...

E esta pressão do sexo maquiado recai com muito mais força e violência sobre nós, mulheres. Nossa roupa íntima deve estar a serviço do sexo e não do conforto. É nossa obrigação manter a ‘chama acessa’ do casamento. É imposta, à mulher, a responsabilidade por seduzir...

A sedução deve ser natural, inerente ao casal que se ama. Sem artifícios, sem tanto espetáculo, sem esforço, sem preocupação com performance. Volta e meia é possível maquiar? Claro que sim e é ótimo! Mas, como sempre, esquecemos a medida e partimos pro excesso... e ao que me parece o caminho de volta é bastante tortuoso!

Viciados que estamos em adrenalina, em olhar o do outro, em desejar o que não se tem. Nossas vidas estão todas sendo expostas através das redes, e vemos a vida de todos também. O sexo saiu do nosso quarto e está estampado pra todos os lados. A intimidade não é mais íntima, é exposta, é mostrada, é imitada e invejada! Nossa relação sexual não mais nos pertence! Vivemos angustiados na buscar pelo ‘ter’. E, nesta busca, o orgasmo também virou item de consumo... no melhor estilo: ‘quanto mais, melhor!’. O outro, por sua vez, é apenas um mecanismo de conquista do tão almejado orgasmo!

Um resumo? embora esse tema seja inesgotável e não garanto que não volto aqui pra escrever mais...

Eu gosto muito e me faz bem comer feijão com arroz de rotina, bem caseiro, bem conhecido e bem temperadinho, bem no meu paladar. Feito especialmente pra mim, pra me agradar, sem imitações, sem corantes, nem conservantes, sem estimulantes de paladar! E, volta e meia, é uma delícia se surpreender com grandes banquetes à luz de velas inesquecíveis e estasiantes...

E como vai o seu feijão com arroz?


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