12 de julho de 2013

As delícias - e os micos - de uma mãe garupeira em sua primeira viagem de moto... (com dicas pra não ficar muito chato)

tá estressado? #deitanabr

por Cariny Cielo

Este texto dá início a uma nova faceta do blog! Não que seja a primeira vez que eu falo de moto, não é!! Estreia da série: Porque-Mãe-Também-Pode.

A ideia agora é a de associar este espaço a divulgar aventuras que muitos podem achar incompatíveis com a maternidade! Estou aqui para mostrar os bastidores de um casal com filhos pequenos e que amam viajar de moto! A partir de agora, nossas aventuras no mototurismo e as minhas pirações como mãe-mulher-garupa apaixonada, estarão aqui também, afinal de contas, o blog é sobre a vida com três meninos e em-cima-de-duas-rodas!

Isso porque, pensem comigo: eu engravidei 3 vezes, eu pari em casa sozinha com o marido, eu enchi a casa de menininhos e... agora, eu, gradativamente, vou conseguindo me dedicar a uma paixão, a um vício: o tal vício de viajar de moto, compartilhado com outro dependente e estamos sem previsão de cura!!!

Até 2005 eu nunca tinha sentando numa moto, nem pra pilotar, nem como garupa. Muita gente não acredita já que hoje sou tão aficionada por moto que se saio de carro, não acho que é passeio, é só meio de transporte!

Confesso que minha paixão estava latente e foi apenas aflorada. Não tive grandes problemas em me adaptar a viajar de moto, ao contrário, inclusive comecei a achar muito mais divertido.

Muitas coisas mudam quando se viaja de moto e eu fui apanhando aprendendo com tentativa e erro.

Bagagem: Uma hora você vai me perguntar sobre a bagagem, não é?! Comecei nem contar o começo! Como alguém que vai viajar de moto tem que arrumar mala? Ou melhor, como nós mulheres, naturalmente agregadoras de coisas, conseguimos viajar de moto? É só desapegar! Aliás, dica que serve pra tudo na vida, né não? Esquece os sapatos, esquece aquela porção de bijoux, desiste de ter opção para escolher a roupa do dia e vá com o mínimo. Eu já mentalizo o que vou vestir em cada dia e esqueço boa parte dos acessórios.

Brincos: no capacete só ficam confortáveis aqueles que não tem tarrachinha, então, geralmente é uma argolinha charmosa e pronto!

Anel: incomoda no tira-e-põe da luva! Talvez vc pode levar uns favoritos pra sair... mas não use durante a viagem. Colares, pulseiras e afins: a mesma regra do anel.

Cabelo: É uma luta. Mas, eu venci, aderindo à trança. Só prender num rabo de cavalo pode fazê-lo escapar pra fora da jaqueta no vento e aí, nunca mais seus cabelos verão um pente! Soltos só dá certo naqueles editorais pra vender moto... na prática vc vai ficar parecendo uma doida varrida! Então, uma trança solta pra quem tem cabelos lisos, e mais firme pra quem tem cachos, e você conseguirá chegar apresentável no fim do dia. (Ou não! Andar de moto é abdicar de vários conceitos de beleza! E vale a pena! Hahaha).

Maquiagem: confesso que não sou muito boa em recomendações sobre maquiagem, pois sou linda naturalmente, mentira, morro de preguiça de me maquiar. Viajando de moto, então... é trágico. Para as expert e que sabem até o que é primer, eu recomendo: esquece tudo na hora de viajar. A balaclava (vou já falar dela!) vai ficar colada no seu rosto, deixando só os olhos à mostra, o capacete vai entrar te espremendo as bochechas, o tira-e-põe em cada parada, então... nem o batom resiste!

Mas acho que pras que querem fazer bonito, dá de manter os olhos pintados com rímel e delineador. Acho tá, gente?! Nunca tentei... nem quero... dá um medo de escorrer, borrar, manchar, sei lá e eu ficar parecendo um panda no meio da estrada!

Balaclava: não, não é frescura! Balaclava é tua melhor amiga! É aquela máscara que os bandidos usam pra assaltar bancos, mas nós vamos usar pra manter os cabelos nos lugar e dar mais conforto ao uso do capacete. Difícil algo mais irritante do que fiozinhos de cabelo voando pelo seu rosto, pegando olhos, nariz, no meio da estrada! Tem que para a moto e ajeitar. É desesperador! Ela ainda protege o pescoço do vento, do frio... E existem as balaclavas com proteção térmica que é legal usar nas viagens para regiões frias (que eu ainda não fiz).

Calçados: É, querida amiga garupa que me lê, você vai chorar quando se der conta de quantos calçados vão caber na sua mala de viagem de moto! Geralmente eu levo a bota de viajar, um sapato básico daqueles que vão combinar com todos os trajes do mundo (isso existe?!) e um chinelinho ou sandália. Pois é... é bem assim: de vestido, de short, de calça jeans, de macacão, de mini saia, de legging, de seja-lá-o-que-for, vc vai ter que usar o mesmo sapatinho multi-uso. No meu caso já foi um modelo boneca, de couro bem molinho confortável na cor caramelo, hoje é um tênis de passeio bege.

Luvas: Eu tenho de couro e de malha. Já andei sem e aconteceram duas coisas que me fizeram nunca mais andar sem: 1. Um inseto me picou em pleno 'vôo'; e 2. Uma pedrinha bateu na minha mão e machucou. Mas pra tirar fotos, tem que ficar sem luva, então eu costumo ficar com uma mão livre pra fazer meus flashs (já que eu me acho ‘a fotógrafa’ e depois escondo ela entre o piloto e eu.

Mochilas, baús etc: O baú traseiro ou um sissybar são parceiros excelentes de viagem para as garupas já que podemos nos apoiar. Mais um ponto pras jaquetas próprias, pois elas têm proteção nas costas e impedem que você se machuque ao escorar no baú. Há quem viaja carregando uma mochila, neste caso, aconselho a não sustentar a mochila nos ombros e sim apoiá-la na moto.

E vamos aos micos! Vou começar a série de post sobre viagens de moto+maternidade registrando a minha primeira viagem longa de moto. Sim porque quem é de Rondônia, só acha uma viagem de moto longa a partir dos 1.000 quilômetros.

O primeiro grande erro de toda garupa que vai fazer viagem longa de moto é achar que aquela jaquetinha jeans que está no armário vai servir pra viajar... não vai! Mas, quase sempre a gente só aprende essa sofrendo e demora pra colocar a mão no bolso - ou no cartão em 12 vezes!!! - e comprar roupas adequadas que, de fato, são muito caras! Não pague esse mico e compre antes suas roupas e calçado próprios se for viajar longe...

Capacete, então, é um item à parte que merece um texto próprio. Já sofri toda sorte de dor com capacetes grandes demais, pequenos de mais, pesados demais...

Minha primeira viagem longa de moto foi de Cacoal, interior de Rondônia à Chapada dos Guimarães e Nobres, no Mato Grosso para o 6º Encontro Regional Centro Oeste do Clube XT600. Em 2010 tínhamos dois filhos e eles ficaram em casa com a avó – afinal, pra que servem avós?. O caçula ainda mamava; sim, porque como boa mamífera, meus filhotes mamam prolongadamente e desmamam sozinhos... mas, nem por isso eu deixo de viajar, há que se montar uma estratégia e tanto, é verdade, mas dá certo! Estocar leite materno é uma delas!

Fomos numa Yamaha XT 660, azul, que era xodó lá em casa e que considero a melhor moto de custo-benefício para viagens que envolvam trechos off road.

E eu fui daquele jeito, com uma humilde jaquetinha e calça de malha (!), com uma bota que se prestou ao serviço, mas chegou pronta para o enterro, nunca mais usei! Moto estraga os solados dos calçados e dependendo da posição da garupa pode até arranhar a carenagem da moto! Descobrimos isso quando meu marido olhou com aquele olhar clínico pra lateral da moto cheio de tristeza e pesar... e viu que minha bota, com a sujeira da estrada, veio, digamos assim, se esfregando e arranhou tudo.

Saímos 04:30 da madrugada e eu empolgadíssima perdi toda a empolgação de tanto frio que passei. Quem imaginaria passar frio viajando de Rondônia pro Mato Grosso??? Lembram da jaquetinha, né? Pois então, jaquetinha simples não protege do frio e, acrescentando, não protege de pedrinhas, não protege nem de picada de insetos!

Saímos da BR 364 pra pegar a Rodovia MT 235 e ir até o Rio Papagaio via Sapezal e, na passagem, conhecer o Balneário do Pubi. O município de Sapezal possui hoje uma área de 13.696 km2, sendo 4.934 Km2 de área indígena e, pra chegar ao Balneário tem que pagar pedágio aos indígenas, donos da região.

O Balneário é lindo, o rio é uma delícia, dá de fazer rafting e mergulho. Gostamos tanto que, dois meses depois, fomos lá com uma turma de motociclistas, comemorar nosso aniversário de casamento.

Chegamos em Cuiabá às 19:00 horas. E, fazendo as contas, foram 15 horas de viagem... Cansou? Sim, é bem cansativo, mas viajar de moto é tão excitante que os amantes de moto vão me entender quando digo que é um cansaço delicioso! Ainda chegamos animados para sair à noite e passear pelo centro da cidade...

A propósito, recomendo quando chegar de uma viagem de moto ir direito pra passear na cidade já que se você chegar num hotel, ligar o ar-condicionado e tirar a roupa ... não sai mais! Se a viagem é curta, então, tem que aproveitar...

Na manhã seguinte partimos pra Chapada dos Guimarães que é um ótimo lugar do Brasil pra conhecer e onde foi o encontro propriamente dito. Como passeio, tivemos, no dia seguinte, uma ida até a cidade de Nobres, para conhecer a Vila Bom Jardim, indo pela Usina do Lago do Manso.

Até chegar à Pousada Bom Jardim, é preciso fazer uns 50 km em estrada de chão e quem gosta de off Road é pura diversão; foi onde agreguei poeira e lama ao modelito! Fizemos um mergulho super bacana, chamado ‘de flutuação’.

A volta é sempre mais ligeira e como já passamos por algumas experiências na ida, incrementei mais minha roupa pra não passar tanto frio na madrugada. Chegando em casa lá estavam dois pimpolhos nos esperando... um deles aguardando o mamá! A gente costumar tirar fotos de coisas que eles achariam legal, filmar bastante e depois fazer uma reuniãozinha familiar só pra mostrar!!!

O caçula, à época, tinha 1 ano e 9 meses, ficou 3 dias longe de mim e, quando cheguei, foi "mamá à primeira vista"... a amamentação seguiu até depois dos dois anos, como eu já contei aqui.


O Rio Papaguaio/MT não é lindo?


Corredeiras do Rio Papagaio/MT


Reunião de motos na Chapada dos Guimarães/MT


Alojamento na Chapada dos Guimarães/MT


Mirante da Chapada dos Guimarães/MT


Galera do Encontro! 


E não é que tinha um casal com dois filhos da mesma idade que os nossos? 
Nesse mundo tem doido pra tudo!

Tirar foto no meio da estrada. #quemnunca


Essa sou eu, ou melhor, essa é a balaclava! Indo pra Vila Bom Jardim/MT


50 km de chão para chegar à Pousada Bom Jardim/MT


Mergulho de flutuação em Nobres/MT


No meio da ponte tinha uma garupa empoeirada...


Com tanto cansaço, poeira e calor... será que eu me jogo? 


Pé de Caju que nos recepciona chegando na Chapada dos Guimarães/MT



Eu ainda não disse, mas tenho obsessão por fotografar árvores...

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