22 de julho de 2014

Relato de parto da Juliana: parto normal hospitalar em Porto Velho

O relato de hoje traz, na verdade, a história de dois partos. Juliana tinha uma ideia fixa: queria parto normal. Da área da saúde e filha de médica obstetra, ela insistia que queria viver o nascimento dos filhos o mais naturalmente possível, mesmo com a fama de que talvez não aguentaria as famosas dores do parto!

Ela recebeu as dores com alegria, como se fossem anúncios de que seu tão amado filho estava chegando! Isso acabou transformando as dores em incentivo e ela se fortalecia a cada contração. Além disto, Juliana é mais um exemplo de o quanto informar-se sobre parto e contar com o apoio irrestrito do marido faz diferença! 

Vamos às histórias:



Meu nome é Juliana e tenho dois filhos. Sempre que pensava em ser mãe me deparava com a questão do momento do nascimento do meu filho, desde sempre não queria passar pela cesariana, ao mesmo tempo temia um pouco o parto normal. Minha mãe é ginecologista/obstetra e, sendo da área da saúde, já assisti algumas cesarianas e partos normais, então conversei muito com ela a respeito, que sempre falou que eu poderia ter um parto normal, apesar de achar que eu não suportaria a dor, afinal sempre fui “fraca” para aguentar dores. Quando engravidei do meu primeiro filho tive a certeza que faria um parto normal! Sempre fui a favor. Minha irmã teve sua primeira filha por parto normal e isso me animou muito.


Primeiro parto:

Meu primeiro filho nasceu em 2011. Com sete meses comecei a entrar em trabalho de parto e fui para maternidade. Descobriram uma infecção de urina, fiquei internada por quatro dias aguardando que a infecção fosse controlada para evitar um parto prematuro. Depois destes quatro dias, fui liberada, porém, tive que ficar em repouso total. Com 36 semanas paramos as medicações e ficamos aguardando a chegada do Gabriel.

Com 39 semanas entrei em trabalho de parto, passei o dia com contrações a cada 40 minutos, porém sem dores. Por volta das 23 horas, senti uma dor forte e as contrações já estavam a cada 7 minutos. Ligamos para a médica que me indicou ir para a maternidade. Chegando lá eu estava com 5 cm de dilatação.
Me aplicaram ocitocina e, às 4:10 da manhã, Gabriel nasceu!
Ele foi colocado em meus braços e, assim que chegamos no quarto, pude amamentá-lo. Apesar de ter realizado minha vontade em ter um parto normal, as dores me assustaram um pouco, cheguei a pensar que não ia conseguir. Foram longas horas de fortes emoções, com meu esposo ao meu lado o tempo todo.


Tive a bênção de contar com uma enfermeira sensacional ao meu lado naquela madrugada, não me recordo o nome dela, mas foi de fundamental importância no processo, sempre me acalmando, me falando palavras de incentivo. Agradeço a Deus por isto.


Segundo parto:

Na segunda gestação eu já estava mais que certa que novamente passaria pelo parto normal. Após o nascimento do meu primeiro filho, comecei a ler mais sobre o parto normal, e a ter mais informação.

Confesso que depois das 30 semanas ficava cada dia mais ansiosa para passar novamente por aquele momento do parto, onde passam tantas coisas em nossa mente. Pensava que tudo seria como no primeiro, mas eu estava enganada! Com 37 semanas a médica fez o toque e verificou que eu estava com 3 cm de dilatação. Nesse dia eu fiquei muito ansiosa, pois estava sentindo algumas contrações porém eram pontuais, não estavam se repetindo.

Eu andava pelo shopping para ajudar na dilatação, uma vez ou outra sentia uma dor mais forte, mas depois não sentia mais nada. Uma semana depois retornei ao consultório e havia dilatado 1 cm, confesso que pensei que não conseguiria, afinal depois de uma semana não ter dilatado mais que 1 cm me deixou um pouco desanimada.
Decidi então não mais me preocupar e segui minha vida normal, voltei a dirigir, segui minha rotina normalmente. Alguns dias depois recebi uma mensagem da minha médica avisando que precisaria viajar dentro de alguns dias e voltaria uma semana depois e me pediu que fosse ao consultório no dia seguinte para um novo exame para verificar a dilatação. Chegando lá, conversamos, pois ela sabia que eu queria um parto normal, e se preocupava, afinal não tem muitos obstetras que aceitam atender tal procedimento. Ela sugeriu induzir no dia seguinte, eu meu esposo ficamos receosos, pois queríamos que tudo ocorresse naturalmente, mas quando ela fez o toque eu estava com 6 cm de dilatação, e me animou ao falar que durante o dia provavelmente iria evoluir.
Minha felicidade havia voltado, afinal conseguiria ter meu filho novamente por parto normal. Voltamos para casa animados. Quando fui levar Gabriel na escola senti uma dor forte, fiquei feliz mesmo sentindo dor! Estava chegando o momento!
A noite acompanhei meu esposo até o clube do condomínio onde moramos, caminhei e comecei a sentir as contrações leves, que estavam a cada 20 minutos. Fui dormir e, por volta das 22:00, fui acordada com uma forte contração, às 01:30 da manhã. Esperei e com 10 minutos novamente outra contração forte. Me levantei e sentei na bola de pilates e novamente (!) veio outra contração.
Acordei meu esposo e fomos para a maternidade, chegando lá para minha surpresa, a enfermeira me falou que eu estava com 9 cm, e já ligou para médica e para o pediatra. Quando a medica chegou me examinou novamente e me disse que já estava com dilatação total, mas a bolsa não havia rompido. Ela rompeu a bolsa e fui levada a para a sala. Ao chegar lá foram 10 minutos até eu ter meu pequeno Henderson Júnior nos braços!!!
Foi um parto rápido, sem episiotomia. Assim que nasceu, meu filho foi colocado em meus braços. Ele chorava, mas ao encostar seu rosto ao meu consegui acalmá-lo imediatamente, e ele parou de chorar.
Depois de alguns minutos o pediatra o levou, meu esposo o acompanhou, e, em seguida, me levaram para o quarto e meu esposo com nosso filho nos braços foi junto. Consegui amamentá-lo na primeira hora de vida.


Nas duas gestações tive o incentivo do meu esposo e da médica que me assistiu, sempre me deixando à vontade e incentivando o parto normal. Meu esposo ao meu lado durante todo o tempo me deu mais segurança, e tornou o nascimento dos nossos filhos ainda mais emocionante.

A experiência de "parir" - sim, hoje acho lindo essa palavra - é inexplicável. Eu, como mulher, me senti muito mais capaz e forte. É mesmo uma sensação inexplicável, a emoção é muito grande.

Me perguntam se eu chorei, mas a resposta é não! E explico: sempre que você passa de uma sensação de dor à felicidade em segundos, te deixando extasiada, de repente tudo passa! E você tem em seus braços uma vida que você já amava desde o primeiro minuto que descobre a gravidez. Eu, nos dois filhos, fiquei sem ação... só queria olhar e cheirar meus amores, mesmo cansada (os dois nasceram de madrugada) não conseguia dormir, somente ficar admirando meus filhos e passava um filme em minha cabeça.

Em ambas experiências, assim que me senti melhor, me levantei tomei banho e não sentia mais nada. Muitas mulheres dizem que o parto normal na verdade é anormal, eu considero o nome normal, pois depois que parimos tudo está tão “normal”, que nem parece que passamos por horas de trabalho de parto. Tudo vale ao saber que você foi capaz de parir seu filho, que tudo depende de você para trazê-lo ao mundo, tudo vale quando você olha nos olhos dele e consegue ver um amor maior que tudo.

Minha esperança é que muito em breve cada vez mais mulheres se informem e passem por essa incrível experiência, e que a estrutura dos serviços de saúde se adequem e se preparem para receber nós mulheres que desejamos parir!

Juliana tem 29 anos, é Biomédica especialista em Citologia Oncótica e 
Endócrina e Mestre em Biologia Odontológica. Mora em Porto Velho.


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