17 de maio de 2013

Relato de parto: Como fomos parar numa revista...


Ficaram sabendo que um bebê, no interior de Rondônia, havia nascido de uma forma muito linda, muito especial! Era uma estória encantada, parecida com aquelas que se ouvia falar no passado, bem de antigamente, sobre vida, sobre fé, sobre amor, sobre família...

Bom, foi aí que procuraram a família deste bebê de sorte e a convidaram a abrir seu coração e expor sua estória.

Foi assim que saímos em uma revista...Revista Ellas Rondônia


ELA ESCOLHEU O PARTO NATURAL


Um nascimento dentro do lar
(Por Danieli Zuanazzi)

“E eis que o dia da árvore chegou. Amanheceu 21 de setembro de 2011 e minha comunhão com o bebê era tanta que eu já pressentia que algo estava por vir.” Assim começou o ritual da chegada de Cassiano. Durante toda a gestação, Cariny se preparou para dar à luz da forma mais natural possível, em seu lar, acompanhada de seu marido e filhos e, principalmente, na hora em que a natureza decidisse que seria certo.

Ela, moradora de Cacoal, esperava seu terceiro herdeiro e optou pelo parto natural e em casa por ter experimentado outras formas de dar à luz e por ser considerada gestação de baixo risco. Em 2007, veio seu primeiro filho, de cirurgia cesárea, e em 2009, o segundo, por parto natural, em um hospital de Porto Velho. Ela queria se livrar das intervenções que a grande maioria dos hospitais fazem, de rotina, nas gestantes e nos bebês e que são contrárias às recomendações da Organização Mundial de Saúde. A episiotomia (o famoso ‘pique’), o uso de medicamentos como ocitocina sintética, o corte do cordão umbilical antes de parar de pulsar naturalmente, a exigência de posição deitada, o jejum obrigatório, a demora no início da amamentação, entre muitas outras práticas.

Após estas experiências, Cariny teve a certeza de que o melhor, tanto para ela, quanto para o bebê, seria um procedimento natural, utilizando somente os mecanismos do corpo feminino, da forma como foi criado para conceber uma nova vida.

Então, ainda no dia 21, Cariny começou a ter leve sangramento e outros sinais de início de parto, ela pegou seu carro e foi meditar entre a natureza em um local retirado da cidade, voltou para casa e comunicou ao marido e aos filhos que estava chegando a tão esperada hora. Durante toda a noite ela se movimentou, dormiu, tomou banhos de água quente, ficou nas posições que se sentia mais confortável. Sempre tendo a companhia e o apoio de seu marido Uillian. Apoio emocional também veio de uma amiga doula que, mesmo à distancia, conseguiu ajuda-la. Doula é como são chamadas as mulheres que dão apoio emocional para outras mulheres durante a gestação e parto. “Em momento algum tive contrações muito próximas ou muito dolorosas. Cheguei a pensar que não estava em um trabalho de parto. Foi tudo muito suave, muito misterioso”.

Seguiram-se sete horas de ritual e espera. Às nove da manhã do dia 22 de setembro Cariny estava de joelhos, abraçada com seu marido, quando o bebê, pesando 3.550kg, medindo 51 cm e saudável, chegou ao mundo em seu lar e sendo amparado pelas mãos de seu pai. “Com um puxo a bolsa estourou e com mais uns três ele chegou! Tinha uma circular de cordão que meu marido tirou com a autoridade de quem parecia fazer aquilo a vida toda. Passou-me o bebê, com um olhar de orgulho que nunca vou esquecer. Eu limpei seu rostinho e imediatamente o colei no meu peito e ele mamou. Não ouvimos gritos ou choros. Ele tossiu e fez um choramingo, só. Nos beijamos, beijamos o nosso filho e o sagrado nos selou”, conta a mãe.

Meia hora após o nascimento, a ginecologista que acompanhou todo o pré-natal chegou à residência, acompanhou a saída da placenta e o corte do cordão umbilical diante dos pais e irmãos de Cassiano. Para eles foi um momento mágico da natureza humana. Não teve registro em fotografias ou filmagem, somente na memória de cada um deles. Imagens que certamente nunca serão apagadas ou envelhecidas pelo tempo.

Mesmo tendo dado à luz sem uma equipe médica presente, Cariny afirma que não é a favor do parto domiciliar desassistido. Inclusive, ela procurou vários médicos da região que não puderam dar este suporte. As enfermeiras obstétricas que prestam este tipo de serviço domiciliar mais próximo são de Porto Velho, mas não foram acionadas devido à distância e à rapidez que o parto aconteceu. Atualmente, existe o Grupo Buriti, também da Capital, que possui equipe multiprofissional para dar assistência completa a partos naturais e domiciliares.

Hoje, Cariny é militante da Rede de Humanização do Nascimento e Parto (REHUNA) e luta pelos direitos de escolha da mulher. “Eu não faço apologia ao parto desassistido. Não quero e nem nunca quis que isso se transformasse em uma bandeira. Lutei para conseguir atendimento. Continuarei lutando por assistência onde me sinto mais segura e para garantir isso às mulheres que sentem o mesmo que eu”.

Saiba mais:
www.rehuna.org.br
www.partodoprincipio.com.br

2 de maio de 2013

Reflexões: O amor e seus votos...

Imagem daqui


por Cariny Cielo

Este texto nasceu há dois anos atrás, quando eu estava grávida do caçula e precisa de uma mão amiga pra me guiar naquela que foi a maior jornada de fé na vida que já vivi...

Estava abandonado na relação de rascunhos e, como estou escarafunchando todas as gavetas e metamorfoseando todo esse blog, resolvi trazê-lo a tona!!!

Liga o som na música 'Endless love' e pega o lenço...


Nós amamos, no cotidiano da vida, de várias maneiras. Debaixo da rotina boba do acordar-trabalhar-comer-dormir, corre, pelos subterrâneos de nossas almas, a chama do amor que temos pelo nosso homem, pelos nossos filhos, por nós mesmos, por Deus, pelo mundo. O variar dos acontecimentos, as tormentas próprias de um mundo de dualidades não alteram estes amor verdadeiro. No entanto, ele morre, nasce, cresce, diminui, muda de astral... tudo ao sabor da maré da vida eterna.

Com uma frase, talvez despretenciosa, um amor fez-me assinar votos de eternidade quando segurou minha mão e pulou, junto comigo, no ‘familiar’ abismo do desconhecido.

Cansado de me ver peregrinar pelo direito de parir um filho com dignidade, ele sentenciou: “Eu sou a única pessoa que não vai te decepcionar na hora”. Sim, a única certeza que temos hoje, eu e meu bebê, é a de que o pai dele estará lá, ele estará lá por nós, o que quer que esse "lá" signifique. E foi assim que, de repente, esse homem cresceu mais para mim, ganhou mais forma. Quem faria um voto desses? “Sim, eu vou com você rumo ao desconhecido; eu mancharei minhas mãos com o sangue do teu corpo; eu viverei contigo o evento mais feminino do universo: o parir; eu serei teu esteio naquilo que sequer conheço; eu acredito em ti; eu acredito no invisível; eu acredito no que está totalmente fora de mim”.

Foi aí que me dei conta do que dizem os livros sagrados quando trazem que homem e mulher transmutam-se em um só corpo e em um só espírito. Ainda que outro, completo e alheio a mim, ele é um comigo, na mais profunda acepção do significado de unicidade.

De onde vem esta coragem que só de eu sentir, enche-me de emoção por ver, quase que concretamente, a confiança e a fé absoluta num propósito? Nós temos o amor cotidiano. Aquele que briga, que cansa, que cai, que levanta. Aquele que exige esforço, dedicação. Aquele que se esforça para enxergar o bom, aquele que aceita o ruim, como parte do acordo. Mas, volta e meia, sou assolada por estas manifestações de amor que me foge ao entendimento concreto, ao entendimento do homem e mulher de Marte e Vênus. Aquele que nos tira do lugar-comum e nos leva para outra dimensão, onde só existe luz; e o mundo, como o vemos, não é nada mais do que poeira cósmica.

5 de abril de 2013

Maternidade Ativa: Filhos... o importante é que eles venham...

Imagem gentilmente cedida, aqui

por CarinyCielo

Existem frases que falamos, repetimos e passamos a diante sem sequer nos darmos conta de seu sentido. Uma destas frases já foi dita a mim por diversas vezes e eu já ouvi sendo dita a outras pessoas inúmeras vezes também. A frase é: “o importante é que venha com saúde”.

Quantas vezes ouvimos ou dissemos isto a alguma gestante? Na manifestação da vontade de se ter menino ou menina na hora de gestar tem residido um interesse que parece mais forte do sentido de TER um filho do que de SER mãe. E, quanto a isto, sempre fui meio rebelde (não sem causa)... pois, em resposta a esta frase clichê, eu rebatia: “Que nada. Sem saúde, você deixaria de amar?”

E mais: O que é saúde? O que é amar um filho? Onde e como você guarda sua fé? Afinal, de uma gestação, o que se espera?

Os desejos do mundo plástico nos fazem sonhar que o bebê venha com os olhos azuis de algum parente, o nariz perfeitinho de outro. Com o menino que falta pra alegrar o pai ou a menina pra mãe brincar de boneca. Com o filho a seguir a profissão de médico ou a filha a herdar as jóias da família.

Mas quais são os desejos do mundo da essência de um ser humano? Quais sãos os desejos profundos insertos na nossa alma, na nossa biologia? Qual a força e o propósito da vida?

Hoje, depois de acreditar já ter sorrido e chorado todos os risos e lágrimas do mundo virtual materno; quando eu imaginava já ter lido tudo que se refere a fé, amor e maternidade... eu conheço a Vitória..

Vitória foi uma menina que, com 12 semanas de vida intrauterina, foi diagnosticada com acrania, uma condição que, em tese, tornaria a vida fora do útero impossível. Os pais encontraram razões bastante íntimas para sustentar a manutenção desta vida, baseados em crenças pessoais da fé cristã. No entanto, não foram exatamente estas bases religiosas e os textos bíblicos transcritos que me chamaram a atenção.

A mim tocaram muito mais as palavras sinceras de uma mãe, escritas em catarse de amor e entrega, sujeita à vida e ao que a vida lhe apresentasse... me tocou o poder que a maternidade tem de invadir nosso ser e nos chamar ao amor, seja ele de que nome for. Cada mulher constrói sua jornada de mergulho em si mesma, de forma única, íntima, sem replay. Cada mulher nomeia a sua fé, mas toda fé caminha para um mesmo objetivo: a vida.

O fato é que Vitória viveu 2 anos e meio e, num vácuo de instante, conhecer esta estória me fez lembrar da frase ‘o importante é que venha com saúde’ e de todos os desdobramentos acerca da fé, do amor, da saúde, da alma, da maternidade e da essência da vida.

Dancei naquela estória e mergulhei em um sentimento genuíno. Foi empatia imediata! Foi como chegar em casa ao final de um dia. Foi ver o amor de mãe em sua forma mais nua e verdadeira, vê-lo em sua essência... aí constatei o porquê do meu sempre dissabor ao ouvir frases como ‘importante é que venha com saúde’ porque, em meu íntimo, sempre senti que, em se tratando de vida, o importante é que venha, e só! E que venha como tem que misteriosamente vir, e que venha nos arrebatando, que nos escancare, nos desfaça as máscaras e nos desvele os véus... nos exponha ao que somos e ao que não somos...

Sem vontades, sem condições, sem tempo e livre da nomenclatura de credos... o amor, como tem que ser: a serviço da vida. Vida, no caso, corajosamente assumida, acreditada e desfrutada em sua plenitude.

Vindo com os olhos azuis do avô ou não. Vindo na forma de mulher ou na forma de homem. Com o tom de pele que for... nada disto importa!

A vida deseja, apenas, vir! Que exista! Que venha... com ou sem o que chamamos de saúde. Com ou sem o que chamamos de perfeição. Com aquilo que os olhos vêem e com tudo o mais que os olhos não vêem.

Que venha o filho, o humano... que venha a alma, que encarne o espírito, fruto do ventre, a cumprir sua jornada mística e, de regalo, arrastando quem tiver por perto para um caminho irreversível: o progredir infinito...

8 de março de 2013

Blogagem coletiva: Mamatraca: Carreira e Maternidade: Morri na praia, pra nascer mãe...


por Cariny Cielo

Quando eu encontro uma mãe angustiada por que sente vontade de parar de trabalhar pra cuidar da cria recém chegada, mas tem medo de ficar em casa e sair do mercado de trabalho, eu a encorajo a ouvir seu coração de fêmea e frear a vida em prol da nova vida chegando.

Parece lindo, mas, das mais atrevidas eu ouço de volta um sonoro: "é fácil falar isso com a bunda sentada num concurso público". Verdade, sou servidora pública, chefe de um cartório eleitoral... acho que não existe profissão mais careta! Mas isso é a própria cara desta aqui que vos fala... eu sempre fui bem careta mesmo... daquelas que estudou dos 3 aos 18 anos em colégio de freira e fez faculdade, advinha de que? Bacharelado em Direito! (óbvio).

Tem um pedaço de mim que morre de inveja dos que têm liberdade e trabalham de forma autônoma e um outro que morre de medo e acha um absurdo não saber quanto terei no bolso ao final de um mês. Tentei ser advogada e tentei seguir carreira no Ministério Público. Mas, a inconsistência do primeiro e o excesso de consistência do segundo, me fizeram olhar pra outros rumos... e olha que até então eu nem pensava em filho...

Entre essa inveja e esse medo, para não enlouquecer, eu encontrei meu lugar ao sol. Não há outro lugar no mundo onde eu pudesse estar que não aqui, onde estou. Não tem outra ocupação para mim onde eu pudesse viver a minha maternidade da forma que acredito ser boa, que não este. A Justiça Eleitoral é minha paixão. Não a maior, é verdade, mas é uma paixão... trabalhar com cidadania, numa instituição pública (das poucas) respeitada no Brasil é uma grande honra.

Tomei posse neste cargo público em 2005 (sem filhos, livre, leve e solta!) e, ato contínuo, como não havia vaga pra mim na capital, em Porto Velho (minha cidade natal) fui parar em Cacoal, no interior de Rondônia, onde eu nunca tinha ido da minha vida. Mas foi aqui que tudo aconteceu...

Tudo, quero dizer, os filhos... foi aqui que surgiu uma parceria de fé e de vida e, dela, meus três 'tudo'!

Os professores e alguns amigos da época da faculdade adoram me perguntar porque eu desisti... (como-assim??????). Explico! Para a grande maioria dos acadêmicos, formar-se em Direito é sinal de, necessariamente, ambicionar as carreiras de juiz, promotor de justiça, delegado de polícia... fora isso, é morrer na praia...

Bom, eu não morri não, eu nasci na praia. Depois de ouvir, em 2007, de uma amiga juíza, as angústias sofridas por ela em não conseguir atender as demandas da carreira e de seu filho, eu descobri que eu tava na minha praia, na minha melhor praia, a praia certa pra mim... onde posso dosar o medo da incerteza e a inveja da aventura. Uma segurança e um conforto.

Doía ouvir de outras pessoas que eu tinha 'muito potencial', que deveria 'seguir carreira', que estava 'desperdiçando' meu talento... mas, quando eu me dei conta de que minha obsessão por fazer certo ficou elevada ao cubo quando eu virei mãe, eu vi que minha satisfação pessoal estava muito mais em ser mãe do que em ser o que queriam, supunham, sugeririam que eu fosse...

Eu deságuo minha criatividade e vontade íntima de empreender criando e participando de muitos projetos que envolvem meu ofício. Nas últimas eleições, um projeto idealizado por mim, o 'Mesário Na Telinha' foi incluído como 'Boas Práticas' pelo Conselho Nacional de Justiça. A zona eleitoral que chefio foi a única do Estado com 100% de mesários voluntários e uma das poucas no país a atingir esta meta. E mantenho o coração em casa, morando há 8 quadras do trabalho, podendo ficar 6 meses com meus filhos assim que nascem, tendo incentivo para amamentar, enfim... fazendo minha parte no microcosmos para construir um mundo melhor!

Se bem que eu deixei de dar aulas em um cursinho preparatórios pra concurso assim que o Emiliano, meu mais velho, nasceu. Dava um bom e super bem vindo dinheiro, mas me tomava tempo e energia. Também não fiz mestrado (ainda), parei de estudar italiano e não há nada que me tire de casa à noite ou me roube deles os fins de semana (exceto algumas fugidas para mini-viagens de moto com meu outro 'tudo na vida').

Com a entrada na Rede de Humanização do Nascimento e Parto (www.rehuna.org.br), um curso de educação perinatal que fiz e a luta em causa própria para conseguir um parto digno, surgiu este blog, a militância pelo fim da violência obstétrica, a vontade de ajudar outras mulheres... era o empreendedorismo e a aventura novamente batendo a minha porta! Não, eu jamais conseguiria viver só de bater o ponto...

E assim eu sigo malabarista de pratos!!! Quebrando alguns, equilibrando outros, acrescentando uns novos! Confesso que ainda não sou boa em equilibrar e aguardo ansiosa que os anos que eu acrescento na carteira de identidade sirvam pra me trazer menos radicalismo e mais serenidade (será?)... as rugas não podem chegar sozinhas! A última eleição municipal com um bebê e dois filhos de 3 e 4 anos me deixaram bem esgotada justamente por conta da minha obsessão em me doar muito às minhas paixões: filhos, marido, carreira, casa, dança, yoga, jardim... aff...

E, como disse a Anne, "não é sobre os pratos. Porque eles caem, quebram, a gente varre e recomeça com outro no lugar. É sobre a energia genuína de mantê-los rodando". Para aqueles que me questionam, volta e meia, se não vou mais estudar para concurso, eu digo, hoje, bem mais segura do que antes "não, eu quero é estudar pra ser mãe".

PS: Eu não ia escrever... já deixei bem claro que este blog está em crise de identidade, talvez até em crise existencial... mas, ao ler a Anne, em seu modo Super Duper, me inspirei e pensei: isso tem que sair de mim! Eu nunca escrevi sobre minha carreira... aproveitei o convite do Mamatraca e, aqui estou!

13 de dezembro de 2012

Maternidade Ativa: Dicas de leitura para gestantes


Há tempos que me pedem uma lista! Lista de livros, lista de DVDs, lista de blogs, lista de sites...

Eu prefiro chamar de enxoval! Sim, os noves meses de gestação são riquíssimos momentos de preparação e amadurecimento pessoal, como eu já disse por aqui.

Então, acredito que ler, participar de listas de discussões, assistir vídeos, ouvir relatos e estórias de outras mulheres, enfim, tudo isso forma nosso enxoval da alma.
Cada livro é um degrau na escadinha na nossa psiquê... cada relato faz eco dentro de nós... cada música pode fazer dançar nossa mulher selvagem...

Pedi ajuda da amiga Kalu, do Vila Mamífera, para finalizar a lista e 'voilà la', aqui está! E se você tiver mais alguma interessante sugestão, vamos anotar aqui...

Livros para gestação, parto, pós parto e maternagem

Mulheres que correm com lobos: Clarissa Pinkola (empoderamento feminino, autoconhecimento, psicologia)

Empoderando as Mulheres: Adriana Tanesse Nogueira (empoderamento feminino, exercícios de autoconhecimento para gestantes, preparação emocional para o parto e maternagem)

Origens Mágicas, Vidas Encantadas: Deepak Chopra (autoconhecimento, nutrição, tratamentos caseiros, yoga, mentalizações, preparação emocional e física para o parto, participação do pai)

Lobas e grávidas: Livia Penna Firme Rodrigues (empoderamento feminino, autoconhecimento, preparação emocional e física para o parto e maternagem)

A Bíblia da Gravidez: Vários autores (aspectos físicos da gestação, parto e pós parto. Com fotos) 

O Livro da Maternagem: Dra Relva. Editora Schoba.

Educar Sem Violência. Lígia Moreiras Sena e Andréa Mortensen. Editora 7 Mares.

Quando o corpo consente: Therese Bertherat (preparação emocional para o parto, relatos de parto)

Memórias do Homem de vidro: Ricardo Herbert Jones (estórias de humanização do nascimento, relatos de parto, empoderamento feminino)

Entre as orelhas - histórias de parto: Ricardo Herbert Jones (estórias de humanização do nascimento, relatos de parto, empoderamento feminino)

Parto Ativo: Janet Balaskas (Melhor livro de preparação para o trabalho de parto)

Parto com amor: Luciana Benatti (Relatos emocionantes de parto com belíssimas fotos)
Maternidade e o encontro com a própria sombra: Laura Gutman (Autoconhecimento, ser mãe e mulher, estado puerperal, maternidade)

Bésame Mucho: Carlos Gonzales (cuidados com bebês e crianças, maternidade, criação com vínculo)

O bebê mais feliz do pedaço: Hervey Karp (cuidados com bebês, maternidade, paternidade, criação com vínculo)

A criança mais feliz do pedaço: Hervey Karp (tem em DVD) (cuidados com crianças pequenas, maternidade, paternidade, criação com vínculo)

Infância Idade Sagrada: Evania Reichert: Psicologia, educação infantil, prevenção das neuroses

100 Promessas para o Meu Bebê. Mallika Chopra

Parto Místico: Uma história sobre o percurso feminino de empoderamento

Parto Alquímico: Uma história sobre o percurso feminino de transformação

Coleção Amigas do Parto: Relação de livros de empoderamento feminino para gestação, parto e pós-parto


DVDs, CDs, vídeos e artigos lúdicos

DVD 'O Renascimento do Parto'. Documentário com a segunda maior bilheteria do país.

DVD ‘Amamentação sem Mistério’ Grupo de Apoio à Maternidade Ativa - GAMA

DVD ‘Ciência do Início da Vida’ Eleanor Luzes: concepção, gestação, parto, e os primeiros anos de vida da criança.

CD ‘Vida de Bebê’: Músicas para cumplicidade com o bebê

CD ‘Nascer e Renascer’ Rosa Zaragoza: músicas para trabalho de parto, dança, ritmo, meditação

CD ‘Mozart para bebês’: Músicas para relaxamento na gestação, e pós parto.

Bonecas didáticas : http://flordosul.com (para chás de bebês, bênção da gestação, brincadeiras com filhos e/ou companheiro, desenvolvimento do lúdico)

Terra Flor Aromaterapia: óleos essenciais, óleos vegetais para gestação e parto

Slingue: Você e Seu Bebê juntos e com estilo: Carregadores de bebê: faixas artesanais e super fashion, para carregar bebês de várias formas.

Fraldas ecológicas: Fralda Bonita ou Fralda Madrinha (fraldinhas de pano feitas artesanalmente)
Higiene sem fraldas: Elimination Communication (método que dispensa o uso de fraldas através de profunda comunicação e vínculo com o bebê)

Blogosfera Materna

www.rehuna.org.br : Rede pela Humanização do Nascimento e Parto

Blog do pediatra Carlos Corrêa

Organização Parto do Princípio : Mulheres em rede pela Maternidade Ativa

Blog da Organização Parto do Princípio : Blog da rede ‘Parto do Princípio’ com relatos, artigos e ações.
Aleitamento Materno: O primeiro e mais antigo portal sobre amamentação do Brasil. Tudo sobre amamentação, eventos, artigos e livros.
Amigas do Peito: Grupo de apoio à amamentação.
Vila Mamífera: O maior portal da Maternidade Ativa do país
Amigas do Parto: Tudo sobre parto, relatos e artigos científicos (sem atualização)

ONG Amigas do Parto: Portal completo sobre gestação, parto e pós parto.

Cientista que Virou Mãe : Um dos melhores blogs sobre Maternidade Ativa
Blog da Doutora Melania Amorim : Melhor blog sobre evidências científicas na obstetrícia

Super Duper: Entretenimento e informação de qualidade, criação com vínculo, experiências maternas.
Post indicado: Tudo que você precisa saber sobre cesárea: www.superduper.com.br/2012/07/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre.html

Minha Mãe Que Disse : Portal com reunião de blogs sobre Maternidade Ativa. Entretenimento e informação, experiências maternas, sorteios.

Paizinho, vírgula! As aventuras de um pai apegado.

Memezinho da Mamãe : Blog de humor para mães.

Movimento Infância Livre de Consumismo: Blog sobre criação de filhos e consumo consciente, movimento que combate a publicidade infantil, responsabilidade dos pais.

Mamatraca: o melhor portal com vídeos sobre maternidade, carreira, comportamento.

Cesárea, não obrigada: melhor grupo do facebook para discussão sobre Medicina Baseada Em Evidências Científicas.

Parto Em Rondônia no facebook: Grupo fechado para discutir condições de atendimento obstétrico em Rondônia

Documentário Violência Obstétrica: A Voz das Brasileiras (sobre a realidade brasileira com depoimentos de mães de todo Brasil, inclusive eu, que sofreram violência obstétrica). Assista para não ser vítima!


Prestação de serviços em Rondônia

Em Porto Velho: Equipe Bello Parto

Em Rolim de Moura: Espaço Luz do nascer

4 de dezembro de 2012

Maternidade Ativa: Ela é índia. E eu, sou o que?


por Cariny Cielo

Participei de uma ação com indígenas da região de Cacoal, Rondônia, há uns meses. A etnia era Cinta Larga e Suruí. Fui a trabalho, mas carreguei meu filho mais velho e, enxerida curiosa que sou, não pude deixar de aproveitar a oportunidade para bater um papo de mulher e mãe, com mulheres que vivem realidade tão completamente diferente da minha.

E é diferente mesmo! Praticamente outro mundo; o mundo dos brasileiros por essência. Para saber mais e nunca mais pagar mico, vale a pesquisa aqui.

Comecei meio sem jeito de como se referir a quem não é índio. Se ela é índia (o correto é falar ‘indígena’), eu sou o quê? Afinal, ‘Cara Pálida’ me pareceu americano demais, apesar de o ‘pálida’ caber perfeitamente com a minha cara. ‘Homem branco’ é pior, parece saído daqueles livros de história do ensino fundamental e além do mais, nem branca eu sou...

Parece que o brasileiro que tem tudo misturado ficou num limbo entre tantos povos. De um extremo ao outro tem uma porção de versões para nós, mas em todos corre a mesma mistureba de sangue. Tá, chega de aula fajuta de história e geografia, não é aqui que você encontrará referências de qualidade para o tema.

O que me interessou foram as mães e mulheres indígenas, todas carregando seus bebês em lindas faixas coloridas. Eu mostrei a faixa que uso (o famoso sling de argolas) e uma delas achou o máximo. Mas fiz sucesso mesmo quando disse que meu caçula havia nascido em casa. Abalei geral, virei estrela... (mentira, parir em casa é normal... nada de mais pra elas, exceto o fato de eu ser: branca!).

Continuamos conversando e ouvi coisas terríveis, dignas de denúncia, como por exemplo, elas me dizerem que são orientadas a parir no hospital, mas chegando lá, não são respeitadas (que novidade!) em suas escolhas sobre posição, intimidade, liberdade de movimentos... enfim, sofrendo, inclusive, episiotomia... Eu disse que existem mulheres em todo país lutando contra esta falta de respeito no atendimento obstétrico. Pelo jeito, a violência com elas é ainda maior, pois é cultural e social também: ouvem piadinhas quanto ao número de filhos, quanto à dor durante as contrações, quanto ao aleitamento, quanto aos seus costumes...

E ouvi coisas interessantes sobre crianças indígenas. Eu perguntei se elas apanhavam, se ficam de castigo, se tinham problemas para dormir, se tinham problema para amamentar ou para o desmame, se era agitadas ou rebeldes (todos aqueles adjetivos que a criança ‘branca’ recebe).

Fiz esse tanto de questionamento e elas ficaram meio se entreolhando, com cara de dúvida, no melhor estilo de sequer entendendo bem o que a ‘cara pálida’ queria saber...

- “A gente não liga pra isso não”. Soltou uma. Eu entendi como “a gente deixa as crianças serem o que são: crianças”.

De fato, as crianças delas não apanham, nem ficam de castigo. Nem elas, tão pouco, apanharam quando crianças. Elas não sabem dizer quando desmamaram, nem de quanto em quanto tempo mamavam, por quantos minutos e em que têta primeiro (há!)...

Para nós, isso tudo soaria como uma completa bagunça, sem regra, uma anarquia! (deixa a Super Nanny saber disso! Ou ainda, mais na moda agora, o deseducador Marcelo Bueno, num quadro de péssimo gosto do programa 'Mais Você'.

E os filhos quando chegam à adolescência, eu perguntei, ficam rebeldes? Desrespeitam tudo e todos? Explodem, feito vulcões, em fúria contra a vida?

“Não... normal”, disse outra. Eles começam a se interessar em namorar, ir morar na cidade, estudar... questionam, claro, afinal, assim caminha a humanidade, mas não se vê a ‘aborrecência’ nem seus problemas adjacentes... simples assim também! Essas coisas não são assunto por lá... não sacodem especialistas... não mobilizam a sociedade...

Existe muita coisa boa no que construímos no papel de colonizador (escrevi isso mais pra ficar bonitinho do que porque acredito mesmo...), mas existe muita coisa boa que destruímos dos povos colonizados e que precisa ser reavivado.

Não sei se em todos os agrupamentos indígenas é assim, e também conversei com algumas poucas mulheres... longe de mim dizer “eles vivem assim” ou “eles não vivem assim” (tô fora de dar uma de besta igual fez o repórter Alexandre Garcia!)

Mas será que não podemos misturar uma cultura com a outra, colher o bom de cada uma? Ao invés de oprimir , apagar e ridicularizar não poderíamos mesclar?

Eles não têm uma pá de problemas que julgamos ter na criação de filhos, porque será? Há algo aí que precisa ser analisado e copiado, não? (favor concordar comigo AGORA!)

O 'carregar bebes', no meu ver, é um exemplo maravilhoso disso! Vejam Aqui e aqui os benefícios desta simples atitude da mãe e que, até pouco tempo atrás, era privilégio das crianças indígenas no Brasil (ou de alguma mãe-branca-bicho-grilo-reacionária). Tá aqui algo fácil de copiar e delicioso pro bebê.

Em Rondônia tem onde comprar, na Slingue, em Porto Velho. E custa muito mais barato que os carrinhos de bebês (que vão te manter longe do teu filho e te fazer raiva na hora de por e tirar de um carro, por exemplo).




Outro ponto que posso facilmente relacionar aqui e que podemos/DEVEMOS copiar:

Amamentação à livre demanda... conforme o fluxo de leite da mãe e o fluxo de emoções do filho.

Sem deseducação, sem indústrias de leite patrocinando eventos para pediatrias, ops!, aliás, sem pediatras dizendo como amamentar, sem leite fraco, bico raso, sem vizinha dizendo que o bebê precisa de mamadeira porque está magro, sem marido dizendo que os peitos são dele e não do filho, sem mãe precisando voltar ao trabalho depois de 4 meses enquanto a OMS manda amamentar exclusivo por 6, sem pressão sobre a mulher para voltar ao corpo e conseguir 'não parecer' que teve filho, sem pressão para a mulher voltar a trabalhar, sem pressão sobre a mulher!!!

Quer mais um ponto a copiar? Te digo agora!

Elas são mulheres que se ajudam e não que competem, como nós (bando de machista que somos! - pausa para ferver de ódio...

Mães, avós, tias, primas, irmãs, amigas... todas cuidam da puérpera, todas cuidam das crianças, todas se cuidam... todas dividem sabedorias, experiencias, e não críticas quanto ao visual da outra.

Parece que o nosso ruim está tão bem sedimentado (‘parecer’ é por pura cortesia) que sequer conseguimos questionar... e quem questiona é doida varrida! (no caso, eu que aqui vos escreve...)

Um exemplo claro da nossa incapacidade de mesclar o bom de cada mundo está no nosso sistema obstétrico. Sim, porque poderíamos ter toda a segurança que os avanços da tecnologia trouxeram e toda a intimidade que o parto, por ser um evento fisiológico e natural da mulher (lembra?), requer... juntinhos!

Mas não, ao invés disto e sob a pecha de evitar a morte e a dor, transformamos todo nascimento em uma patologia... e as gestantes, lindas e poderosas donas do mundo, perpetuadoras da humanidade, foram transformadas em bombas relógio prestes a explodir!

Eu quero conhecer mais esta cultura e trarei aqui todas as minhas impressões.

Recentemente meu filho mais velho me disse:
- puxa mãe, tadinho dos índios, devem passar frio morando na floresta

E eu: - Ué filho, claro que não... eles têm casas, à noite eles vão pras casinhas deles na floresta.

E ele continuou: - Mas como é a casa deles?

Pois é! Eu fiquei morrendo de vontade de saber e de mostrar pra ele!


20 de novembro de 2012

Sereias parindo em casa: como assim? Um relato de parto e uma amizade de infância...


por Cariny Cielo

Eu não tinha notícias dela havia muitos e muitos anos.

Mas ela foi uma amiga marcante de infância pela sincronia que tínhamos de ideias. Que ideias? Bom, a gente amava o mar, a natureza, adorávamos ser meninas, gostávamos de livros e de estudar coisas... ah, e queríamos ser sereia ou cientista... o que viesse primeiro. (pode rir...)

Mal sabia eu que, vinte anos depois, descobriríamos que nossa sincronia era, de fato, muito real!

Nossos últimos contatos foram trocas de cartas (sim, era na época das cartas) falando amenidades de meninas de 12 anos. Depois, caímos no esquecimento da vida adulta... Ela em Santa Catarina e eu em Rondônia.

Depois que meu Cassiano chegou por aqui, num parto em casa, por acaso, eu soube que também ela havia recém tido bebê. Fiquei curiosa e consegui o telefone...
A surpresa mais deliciosa do que conversar, adulta, com uma amiga de infância foi saber que, também ela, alguns meses depois de mim, deu à luz em casa, num magnífico parto domiciliar assistido pela equipe Hanami, em Florianópolis, sul do país.

Pois é. Eu em Rondônia e ela em Santa Catarina, separadas pelo tempo e pela distância, sem qualquer contato uma com a outra, vivemos plenamente o mesmo evento espetacular: parimos nosso filho na intimidade do lar, entre nossos sonhos e lençóis...

Fiquei emocionada quando conversei com ela pelo telefone. Talvez porque estávamos, as duas, invadidas pelo hormônio do amor, vivendo o mais feliz dos puerpérios... aquele que decorre de um parto empoderador e digno.

Hoje é aniversário desta mulher guerreira e quem acabou ganhando um presente foi eu! O privilégio de receber o relato de parto e dar publicidade a esta estória linda...

Obrigada amiga pela intimidade compartilhada com a facilidade de quem foi sempre querida, apesar do tempo e da distância!

Uma vida inteira nos separa, mas um evento no une agora e para sempre.

Tenho a honra de publicar aqui o relato do nascimento da Alice. A Larissa traz pra nós suas emoções e impressões...
A chegada dela foi linda, como foi a do Cassiano, a quilômetros de distância. E Alice significa defensora: desejo que ela seja mesmo uma defensora! Defensora desta forma de nascer!

Vamos ao relato:


"Com 13 semanas de gravidez tivemos a confirmação: “é uma menina” e não demorou muito pra escolhermos o nome, será Alice.

A sementinha de um parto domiciliar foi plantada em mim pela minha querida amiga Iara Feyer, mas desabrochou em nosso coração após uma conversa com o meu ginecologista, Dr. Marcos Leite, que nos tranquilizou e tirou todas as dúvidas. Desde então eu e meu marido Emerson amadurecemos a ideia, tiramos todas as dúvidas e preparamos tudo para este momento tão especial em nossas vidas.

Meus outros filhos, Beatriz (12 anos) e Tiago (7 anos), nos auxiliaram a escolher as músicas que ouviríamos no parto. Convidamos as amigas que gostaríamos que estivessem presentes neste momento e então tudo virou uma grande festa.

Quanto o prazo para seu nascimento chegou estava super tranquila, ao contrário das outras gravidezes, curtindo cada mexida que ela dava e confiando que ela é quem iria me dizer o momento exato pra nascer.

No dia 17 de março, já de noite senti muitas contrações de treinamento e fisgadas no colo, uma secreção avermelhada apareceu.

Mais tarde as contrações vinham com uma cólica no pé da barriga, e por serem curtas e fracas decidi que queria dormir o máximo que pudesse. E assim eu fiz, me deitei mesmo com aquela dorzinha chata e não senti mais nada.

Acordei 9 e meia e sem dor alguma, fiquei conversando na cama com o meu marido. Após uma meia hora, as dorzinhas voltaram e começaram a ficar mais fortes e regulares. Tomei um belo café da manhã e liguei para a Renata.

Assim que ela chegou as contrações pararam completamente, não senti mais nada. Ao me examinar constatou que já estava com 5 cm de dilatação e o colo bem macio. Só faltavam então as contrações voltarem pra valer.

Era 18 de março, domingo, um dia lindo de verão, com o céu límpido e com um brilho especial... O forte calor dos últimos dias havia finalmente dado uma trégua. Eu sentia: é hoje o grande dia, minha florzinha finalmente vai nascer.

Lá pelo meio dia as contrações voltaram, e começaram a aumentar a intensidade da dor. Pedi pro meu marido encher a piscina e colocar a água pra esquentar. Minha mãe preparava o almoço e começou então a organização da casa para o parto. A esta altura já havia ligado para a Renata novamente.

Minha amiga do peito e cunhada Denise já não cabia em si de ansiedade e já estava a caminho, junto com meu irmão Giordano.

Colocamos na sala o CD que gravamos pra este momento, e a emoção tomou conta da casa. Meu filho Tiago começou a chorar assim que a primeira música tocou, dizendo que nem acreditava que a maninha estava chegando. E eu, como uma boa gestante, chorei junto, lembrando do carinho com que selecionamos aquelas músicas, a dedicação que tivemos com a preparação do seu enxoval, seu cantinho... e por ver este momento chegar, exatamente do jeito que planejamos.

Quando a Rê chegou eu estava almoçando e a Dene e o Gi já estavam aqui, era 14:20 hrs. Não foi nem preciso me examinar pra ela ver que agora sim era pra valer. Meu marido avisou nossa amiga Juliana, a dinda Bety e a dinda Andréa, que imediatamente vieram presenciar o belo momento. O resto da equipe já estava a caminho.

A Ju ficou tão nervosa que nem se lembrava do endereço da minha casa.

As contrações já eram bem mais fortes e a Rê ensinou a Dene a massagear minha lombar com um óleo essencial de lavanda. Ela assim o fazia, com “aquela delicadeza” só dela. Nossa, como aliviava!

Pedi pra Rê ligar pra Iara e então chorei novamente. Chorei de saudades daquela que estava tão presente em meu coração, responsável por tudo o que estava acontecendo e que tinha tudo haver com aquele momento.

Quando a Rê foi escutar o coraçãozinho da Alice, a dinda Bety não aguentou, começou a chorar. Observei que ela se escondia pra que eu não percebesse, mas falei: “pode chorar cumadre”. E assim ela o fez, até o fim do trabalho de parto.

Minha filha quis presenciar o nascimento da irmã e estava conosco, auxiliando no que fosse preciso.

A casa foi tomada por uma alegria tremenda. Entre uma contração e outra dei boas risadas com o jeito alegre da Andréia, o nervosismo da Dene, o choro da Bety, as brincadeiras do Gi e a sinceridade da Ju.

Minha mãezinha querida estava auxiliando no que fosse preciso e meu marido na empreitada de encher e aquecer a piscina. O Gi ficou encarregado de tirar as fotos e filmar todo o processo.

Eram 16 horas quando a Clariana e a Vânia chegaram com todos os equipamentos para o parto. Pronto, agora não faltava mais ninguém. Neste momento as contrações estavam me partindo ao meio e já não conseguia me distrair. Pedi pra que meu marido temperasse a água da piscina logo, pois sentia que estava se aproximando o momento de conhecer minha filhinha.

Fui ao banheiro antes de entrar na piscina e o sangue lavou minhas pernas. Assustada, chamei a Clara que me tranquilizou e disse que estava tudo certo.

Então entrei na piscina. Agora éramos só nós duas, eu e a Alice, nos sintonizando pro grande momento. Já não via mais nada ao meu redor, todas aquelas pessoas já pareciam não estar mais ali. Ouvia apenas as músicas que tocavam naquele momento.

Meu marido ficou segurando a minha mão e me dando força para trazer ao mundo a nossa Alice. Minha mãe e minha filhota Beatriz ficaram próximas a mim, me acariciando e secando o meu rosto.

A Renata se pôs ao meu lado, o tempo todo, e jamais vou esquecer sua voz tão tranquila e amorosa naquele momento, dizendo “deixa ela nascer”. Lembrava-me do que fazer, como respirar e me tranquilizava. Sua presença naquele momento foi muito importante pra mim.

No intervalo de uma contração comecei a acariciar a barriga, ouvindo a belíssima música da Flávia Wenceslau (Te desejo vida). Neste momento me conectei com a minha cria, desejando a ela toda aquela poesia. E a contração veio com tudo e pensei “é agora”. Percebi que estava em outro mundo, deve ser a Partolândia, ouvia apenas as músicas que tocavam ao fundo.

Em um determinado momento abri os olhos e vi, na escada da minha casa, todas as minhas queridas amigas, sentadas, uma em cada degrau, observando o tão esperado momento. Foi a última coisa que me lembro, como um flash.

As contrações já eram muito intensas e me assustei com a bolsa que acabara de romper. Senti então que minha filhinha já havia coroado e confesso que, naquele momento, rezei pra que ela nascesse rápido. Minhas orações foram atendidas.

Senti a cabecinha dela saindo e, pela primeira vez nos três partos que tive, senti também seu corpinho se virando pra chegar ao mundo. Veio então a última contração, e senti ela escorregar de dentro de mim.

A Rê me entregou minha filhota, enfim ela chegou, da maneira como eu esperei, seguindo todos os planos pra este momento. E a alegria foi geral, todos estavam felizes e comemoravam sua chagada.

A Beatriz foi chamar o Tiago pra conhecer sua maninha e ele já veio chorando pela escada, muito emocionado com a chegada da sua tão sonhada irmãzinha. E neste momento a choradeira foi geral!

E com a minha princesinha nos braços chorei, mas chorei muito, emocionada por estar vivendo este momento tão sonhado, de ver seu rostinho pela primeira vez e vê-la com saúde.

O parto domiciliar foi pra mim muito mais do que esperava, me senti única e dona do meu parto. Sou grata as Hanamigas pelo respeito que tiveram com as minhas escolhas para este momento, por toda atenção dedicada a nossa família. Desejo a todas vocês que continuem acreditando no parto domiciliar, que possam proporcionar esta experiência a muitas mulheres.

Quero deixar aqui registrado um agradecimento especial a Renata por sua amizade, atenção e carinho que teve comigo. Suas palavras tão doces e tranquilas no momento do nascimento da minha florzinha me marcaram profundamente, espero que Deus guie teus passos pra poder auxiliar, cada vez mais, mulheres como nós.

Agradeço também a Clariana pela amizade e segurança que me passou, por sua mão tão “geladinha” no meu barrigão naquele verão tão quente (ai como era bom).

E a Vânia, por sua determinação em tornar possível este momento em nossas vidas, pelas boas risadas que demos aqui em casa nas consultas pré-parto e pela tranquilidade que passou pra minha mãe.

Sou grata também por existir aqui na ilha uma equipe tão maravilhosa, que pode nos proporcionar um parto natural e humanizado, respeitando-nos como mulher, mãe e família.

O parto da Alice foi uma experiência maravilhosa em minha vida e na da minha família e agradeço a Deus por tê-la vivido tão intensamente. Tudo foi perfeito, do jeitinho que imaginei, com todos os detalhes.

Hoje a Alice esta crescendo tranquila e com saúde, e enche a nossa casa de alegria todos os dias"


Ah, e me ajudem a dar os nomes de todo mundo na foto!!!

8 de novembro de 2012

Maternidade Ativa: Como amar? Larga tudo e vai se divertir com eles...



por Cariny Cielo

Esta é a semana do vínculo no Mamatraca que, segundo as próprias mamatracas, é um espaço para dar voz às mães reais, aquelas que sabem que não existem regras ou perfeição nessa jornada tão incrível e ao mesmo tempo desafiadora que é a maternidade. Não conhece ainda? Tá perdendo o que há de melhor na blogosfera materna!

A convite delas, mães de todo Brasil, inclusive essa de Rondônia que aqui vos fala tecla, enviaram vídeos e fotos sobre como amar nossos filhos.

"Como assim como amar? A gente sabe como amar um filho!". Você vai dizer daí...

Mas eu te digo daqui: Nem sempre! Afastadas que estamos de nossa essência num mundo cada vez mais consumista e descartável, muitas vezes esquecemos a simplicidade do 'amar'.

Esquecemos que a brincadeira é mais importante que o brinquedo. Que a presença é mais importante que o presente.

Abra seu coração aos seus filhos e sente-se com eles no chã de casa... quando você piscar os olhos, a casa estará vazia, mas seu coração cheio de deliciosas lembranças!

Como amar? Aqui vai uma porção de sugestões... invente a sua!



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