19 de abril de 2017

Relato de parto da Eva: segundo Parto normal: hospitalar com doula


Bem... fiz o meu primeiro relato de parto nesse grupo (Grupo Parto Em Rondônia no Facebook). Apesar de eu ter tido um parto rápido, foi extremamente doloroso pela violência obstétrica que sofri. A minha primeira filha foi uma gravidez planejada e fizemos de tudo para que ela fosse bem recebida (mas não aconteceu). Superamos! Mas não esquecemos.

Já a minha segunda gravidez, não foi planejada. Eu estava fazendo exames para detectar um tumor abaixo da minha tireoide e descobri que estava grávida, fiz uma ultra para confirmar e já estava com 4 meses. Sem sintomas nenhum até "aquele dia". Depois tive enjôo até o dia de parir.

Apesar do mega susto, eu sabia que iria precisar de uma #DOULA (depois contem quantas vezes vou citar essa palavra no meu texto!). Sim! Foi um susto grande, desmamei a minha filha com 2 anos e 5 meses da forma mais natural possível e estava tomando remédios para secar o leite. Quando descobri que estava grávida, procurei uma amiga que tinha acabado de ganhar neném após 3 anos de uma cesárea eletiva (da qual ela havia se arrependido muito). Depois li o relato lindo dela sobre o parto natural, acompanhado de uma doula. Pensei: Preciso urgentemente de uma doula. Ela me indicou a doula que atendeu ela, eu comecei a conversar com ela pelo whatsApp.

Marcamos nosso primeiro encontro para conversar. Expliquei que estava muito fragilizada e que já havia sofrido no primeiro parto e não queria isso para o segundo. Minha maior dor foi o que fizeram com o meu bebê e não queria isso para aquele novo bebê.

Ela me atendeu em todos os meses seguintes. Me ajudou em todos os momentos. Apesar da minha angústia pelo tumor na garganta e não ter planejado um novo bebê, ela me fez ver e curtir o lado bom de estar grávida. Doula não é um gasto, é um investimento...

Foi o que disse para o meu marido quando ele questionou, como iríamos pagar sendo que nem começamos a fazer o enxoval do bebê. Para mim o bebê poderia ficar enrolado em uma manta, desde que ele tivesse um nascimento respeitoso. Eu me preocupei com cada detalhe (inclusive pós nascimento). Eu poderia amamentar na primeira hora de vida dele/dela? Assim que ele/ela nascesse, viria direto para o meu colo? Quais procedimento eu posso pedir (exigir) que não façam no meu bebê? O banho? Quando e como dar? Quem pode dar? Nessa gestação fiz: pintura na barriga (minha doula que fez), roda materna, Yoga e etc...

#Dia #Do #Parto

Cheguei a 39 semanas e 1 dia. Estava exausta, não dormia bem pois a barriga era enorme; levantava mil vezes a noite para ir fazer xixi. O calor era sobrenatural. As roupas do bebê já estavam prontas e arrumadas na mala já havia um mês, de tanto cólica que eu sentia. Mas apesar de tudo isso, eu orava para que o bebê nascesse no final de semana, pois minha doula havia começado a trabalhar em uma empresa e meu marido também trabalhava durante a semana. A doula já havia deixado uma outra doula de reserva caso ela não pudesse ir. Mas eu não me sentia a vontade com uma doula que eu ainda nem tinha conhecido. Queria ela em meu marido! Orei muito para o bebê nascer no final de semana, mas a cada final de semana, nada de ele vir.

Tínhamos um grupo no whattsApp só de mulheres grávidas que a minha doula atendia, no mês de outubro éramos só em 3 grávidas. Um bebê nasceu de 37 semanas após um encontro nosso num sítio para fazer pinturas de barriga e fotos. Passando mais 3 semanas o outro bebê nasceu de 38 semanas e alguns dias. E nada do meu bebê chegar. Pelas contas de uma ultra era para eu estar com 40 semanas e 5 dias (no dia do parto) mas essa é a mesma ultra que dizia que meu bebê era uma MENINA quando na verdade nasceu um MENINO. Pela ultra do outro médico eu estava com 39 e um dia.

Chorei no sábado a noite (dia 5 novembro). Estava muito cansada via mais um final de semana indo embora e nada do bebê chegar, tinha medo dele nascer durante a semana. Minha filha me viu chorando no quarto sozinha, chegou bem de vaga e disse: "calma mãe, vai ficar tudo bem. O bebê te ama"... eu ouvi aquilo e me acalmei. Orei mais uma vez, pedi que fosse a vontade de Deus e levei ela e a família para lanchar fora e naquela noite combinamos um piquenique no parque. No domingo de manhã acordei com a alma mais leve e uma música do Tim Maia na cabeça "Dia de Domingo"... arrumei nossas coisas com uma vontade de por algumas roupas do bebê. Mas só coloquei meus documentos e a carteira de gestante. Fomos de manhã bem cedo. Brincamos com quatis, capivaras, caminhei, descansei em uma rede... dia perfeito e aquela musica tocando na minha cabeça.

"Eu preciso respirar o mesmo ar que te rodeia e na pele quero ter o mesmo sol que te bronzeia. Eu preciso descobrir a emoção de estar contigo"...

As 17:00 estávamos saindo do parque, com uma vista linda do lago. Eu pedi para pararmos e comprar um dindim (aqui eles chamam de gelinho), depois vi uma pipoca e a filha correu para brincar no balanço com outras crianças. Eu fiquei com a minha mãe enquanto o Marcus convencia ela que deviamos ir embora. Até que senti uma água quente descer. Pensei... sera que fiz xixi? O líquido que desceu era pouco, na aquela altura a incontinência urinária reinava. Eu ja estava com um absorvente. Fui conferir. Fiz mais uma força e desceu líquido novamente. Fui para um lugar reservado (a guarita de um guarda) para ver o que era (mesmo já sabendo). Siiiiim! Minha bolsa estourou! \0/ num dia de domingo.


Voltei com um sorrisão no rosto e contei pro meu marido. Ele olhou pra mim e disse: cadê? Ele esperava uma tsunami de líquido amniótico. Hahahhahaha....

Decidi ir para a casa da doula, chegando lá fui conferir novamente e vi o tão famosos tampão mucoso. Liiiiindo! \0/ Me despedi da filha e meu marido levou ela e minha mãe para casa e foi buscar as nossas coisas. (Ele estava super nervoso).

Quando ele chegou já era umas 19:30 as contrações começaram. (Todas suportáveis). Fomos caminhar na rua... conversar como um casal de namorados ♥... foi tão bom, a tempos não fazíamos isso. Minha doula ligou para todas as maternidades daqui para saber quem era os plantonistas, só depois de levantar a ficha de cada médico é que decidimos para onde ir. Eu ja estava com contrações vindo de 11 e 11. (Suportáveis ainda). Chegamos lá fui atendida pelo "tal" médico (para fazer a triagem) e tudo que ele ia fazer ele me avisava antes. Disse que eu já estava com 7 cm. Ia me internar.


Chamei a doula e o marido. Fomos para uma sala de parto só nossa. Lá havia bola, banqueta tudo a nossa disposição. O médico não apareceu por lá. Enquanto eu fazia exercício apareceu uma enfermeira com soro na mão, dizendo que o médico tinha receitado ocitocina.


Quando eu vi isso. Disse um alto e sonoro NÃO! EU NÃO QUERO E NÃO VOU FICAR PULSIONADA. Ela disse tudo bem, vou avisar ao médico. E foi embora e não voltou mais. Graças a Deus! Eu estava disposta a comprar briga.
Quando as dores aumentaram fui pro chuveiro. Meu marido fazia massagens instruído pela doula.


 

Ela entendeu que se ele ficasse parado, ele ficaria mais nervoso. O negócio era dar uma função pro marido.


Quando as dores aumentaram eu entrei na #partolândia já não me importava se estava nua, se queria rolar no chão. Nada! Comecei a pedir "Vem meu filho" mesmo com duas ultra dizendo ser menina e uma dizendo ser menino eu sentia que era um menino. E obediente que ele é, começou a coroar no chuveiro. Eu me toquei e senti o cabelinho dele e sua cabeça.


Então gritei tá coroando vai nascer!!!!! A equipe médica que estava lá fora ouviu e entrou no banheiro pedindo pra eu ir para cama. Nem conseguia me levantar, mas o médico disse que não podia parir ali, pelo risco de contaminação.

Meu marido me levantou e me levou para a cama (senti o bebê voltar nessa hora). O médico fez o toque e de fato estava com 10 cm bebê querendo sair. Ele pediu pra eu levantar as pernas e colocar no apoio e eu disse: Nãooooo! Eu quero parir na banqueta. Imediatamente ele mandou a equipe arrumar a banqueta, sentou na minha frente e mandou meu marido sentar atrás e me apoiar.

Senti o bebê corando novamente. Não fiz força. Fui deixando ele ir se ajeitando para não me lacerar. O médico não tocou em mim enquanto isso. Ele apenas disse: quando sentir vontade empurra sem medo. Eu senti! Empurrei. Equanto a cabeça saia, o médico me perguntou: é menino ou menina? Eu gritei: eu não seiiiiiii!

E saiu o corpinho do bebê e ele colocou direto no meio dos meus seios. Veio pra mim, como alguém que acaba de sair do mergulho de uma piscina. Não foi aplicado injeção, nem colírio nele. Foi só medido, pesado, avaliado e entregue ao pai dele. Eu tive que ser pulcionada depois, porque tenho uma anemia crônica que precisa de cuidados.


O bebê foi pro peito nos primeiros minutos de vida. Ele só tomou banho no outro dia, um banho supervisionado pelo pai, cheio de carinho. Meu colostro não desceu logo, mas uma equipe do banco de leite sempre visita as mães recém paridas para ensinar a pega correta, massagens para estimular a descida do leite. Saimos de lá muito felizes. ♡♡♡♡♥♥♥♥♥

Esse parto curou minhas feridas do parto anterior. Meu marido também se realizou nele, esteve mais presente e hoje mais que nunca reconhece a importância de uma doula.
Não houve laceração! No outro dia foi super tranquilo fazer xixi, eu não estava machucada como no parto anterior. Meu bebê demorou para abrir os olhos de tão tranquilo e a vontade que ele estava. Só recebeu amor e carinho na maternidade, só ficou no meu colo ou no colo do pai... Ele sentiu toda a proteção dos nossos abraços, beijos e cheiro. Ele era só nosso e ninguém ousava tira-lo do nosso colo.


Éramos só amor naquele momento. ♥






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