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8 de agosto de 2015

Amamentação: Semana Mundial de Aleitamento Materno 2015: Mama Rondônia!

O grupo Parto Em Rondônia no facebook fez uma chuva de fotos de mães amamentando em lembrança à #SMAM2015 e vieram todas parar aqui!



Aline Pereira com a filha Maria Alice


Carime Amaral


Dani Garcia, com relato de parto aqui!


Geisy Emiliana, de Cacoal.


Graciele Meireles


Gracielen Milomes



  
Josiane Lima


Juliana Lara amamentando sua Larinha, com 6 meses


Karla Vieira


Liz Mariúba



Lorenna Melo amamentando seu filho de 2 anos e 10 meses, com direito à piscadinha!


Mariana do blog Luz Da Mamãe, com relato aqui e aqui!



Michele que tem uma história linda aqui!


Nayara com 1 ano e 4 meses de muito mamá!



Renata Rocha

Sabemos que histórias inspiram... e estas fotos estão aqui para inspirar! 


Tem uma bela história de amamentação? Manda pra cá!







SAIBA MAIS:




A Semana Mundial da Amamentação é considerada um veículo para promoção da amamentação. Ocorre em 120 Países e, oficialmente, é celebrada de 1 a 7 de agosto. A Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação (WABA) define, a cada ano, o tema a ser trabalhado na SMAM, lançando materiais que são traduzidos em 14 idiomas.



No IBFAN Brasil, Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar
Temas já adotados:

1992 1ª SMAM
Waba: Baby-FriendlyHospital Initiative
Brasil: Hospitais Amigos da Criança

1993 2ª SMAM
Waba: Mother-Friendly Workplace Initiative
Brasil: Amamentação: Direito da Mulher no Trabalho

1994 3ª SMAM
Waba: Protect Breastfeeding: Making the Code Work
Brasil: Amamentação Fazendo o Código Funcionar

1995 4ª SMAM
Waba: Breastfeeding - Empowering Women
Brasil: Amamentação Fortalece a Mulher

1996 5ª SMAM
Waba: Breastfeeding - A Community Responsibility
Brasil: Amamentação Responsabilidade de Todos

1997 6ª SMAM
Waba: Breastfeeding Nature's Way
Brasil: Amamentar é um Ato Ecológico

1998 7ª SMAM
Waba: Breastfeeding The Best Investment
Brasil: Amamentação: O melhor Investimento

1999 8ª SMAM
Waba: Breastfeeding Education for Life
Brasil: Amamentar: Educar para a Vida

2000 9ª SMAM
Waba: Breastfeeding It's Your Right!
Brasil: Amamentar é um Direito Humano

2001 10ª SMAM
Waba: Breastfeeding in the Information Age
Brasil: Amamentação na Era da Informação

2002 11ª SMAM
Waba: Breastfeeding: Healthy Mothers and Healthy Babies
Brasil: Amamentação: Mães Saudáveis, Bebês Saudáveis

2003 12ª SMAM
Waba: Breastfeeding in a Globalised World for Peace and Justice
Brasil: Amamentação: Trazendo Paz num Mundo Globalizado

2004 13ª SMAM
Waba: Exclusive Breastfeeding: the Gold Standard Safe, Sound, Sustainable
Brasil: Amamentação Exclusiva: Satisfação, Segurança e Sorrisos

2005 14ª SMAM
Waba: Breastfeeding and Family Foods
Brasil: Amamentação e introdução de Novos Alimentos a partir dos 06 meses de Vida.

2006 15ª SMAM
Waba: Breastfeeding Code Watch - 25 Years of Protecting
Brasil: Amamentação: Garantir este direito é responsabilidade de todos.

2007 16ª SMAM
Waba: Breastfeeding: The 1st Hour Save One Million Babies!
Brasil: Amamentação na Primeira Hora, Proteção sem demora.

2008 17ª SMAM
Waba: Mother Support: Going for the Gold.
Brasil: Amamentação: Participe e Apóie a Mulher!

2009 18ª SMAM
Waba: Breastfeeding: A Vital Emergency Response.
Brasil: Amamentação em todos os momentos.
Mais carinho, saúde e proteção.

2010 19ª SMAM
Waba: Breastfeeding: Just 10 Steps!
Brasil: Amamentar é muito mais do que alimentar a criança.
É um importante passo para uma vida mais saudável.

2011 20ª SMAM
Waba: Talk to me! Breastfeeding – a 3D Experience.
Brasil: Amamentar faz bem para o bebê e para você.

2012 21ª SMAM
Waba: Understanding the Past-Planning the Future.
Brasil: Amamentar Hoje é Pensar no Futuro.

2013 22ª SMAM
Waba: Breastfeeding Support: Close to Mothers.
Brasil: Tão importante quanto amamentar seu bebê é ter alguém que escute você.

2014 23ª SMAM
Waba: Breastfeeding: A Winning Goal For Life!
Brasil: Aleitamento Materno: uma vitória para toda a vida!

2015 24ª SMAM
Waba: Breastfeeding and Work - Let's Make it Work!
Brasil: Amamentação e Trabalho: Para dar certo, o compromisso é de todos.
2016 25ª SMAM
Brasil: Presente Saudável, Futuro Sustentável


2017: Construindo alianças, sem conflitos de interesses

29 de janeiro de 2015

Maternidade Ativa: Amamentação precisa de apoio!

imagem: arquivo pessoal

Que eu sou ativista da amamentação vocês já sabem! Expliquei meus motivos aqui e aqui. Também vivi todo o caos que vivem as mães para conseguir amamentar um filho em uma época onde valoriza-se tanto o artificial, o distanciamento... meu primeiro filho mamou até 1 ano e 6 meses e eu achei pouco, eu penso que deveria ter sido mais, mas ele foi deixando assim que engravidei. Desconfio que aqueles anticorpos ainda fazem falta nele... Meu filho do meio mamou até os 2 anos e 4 meses, desmamou sozinho; meu caçula mamou até 2 anos e 11 meses e também largou o peito e seguiu para a vida de menino.

Sobre amamentação, eu já fiz piada, já ri e já chorei, já invejei gente que deixava o bebê de poucos meses na casa da vó e ia viajar, passear ou fazer um curso. Sim, não é fácil a vinculação da amamentação exclusiva: ela é feita e projetada pela natureza para só-dar-certo-com-você. Ninguém mais serve, só a mãe!

E para combater o romantismo, os floreios, os rococós que as próprias mães fazem sobre tudo que envolve a maternidade, trago aqui a história de uma mãe que tinha uma ideia fixa: amamentar a filha com leite materno exclusivo! A despeito de comentários negativos e das dores - inevitáveis - a Amanda insistiu e agora conta como foi, sem enfeites, sua vida real com a amamentação da filha.

Vamos lá!





"Pode não ser interessante para algumas pessoas, mas se eu tivesse lido sobre isso ou se alguém tivesse me falado enquanto eu estava grávida da Ester, talvez eu não tivesse sofrido tanto, não só fisicamente, mas também, e principalmente, psicologicamente.

E se eu conseguir fazer com que alguma mãe/futura mãe não desista de amamentar com o meu relato já ficarei demasiadamente satisfeita. Amamentar dói! Não importa se a pega (posição da boca do bebê no seio) está certa ou errada, vai doer!! Afinal de contas tem alguém amassando, apertando, salivando e esfregando o seu mamilo. Vai doer e nada do que você faça vai impedir isso. As pomadas específicas vão amenizar a dor, hidratar os seios e ajudar nas fissuras (rachaduras), mas não vão impedir que você sinta dor.

Algumas mães sentem mais outras menos. Só que essa dor é temporária (ainda bem!) e só vai durar, em média, 40 dias, depois vai melhorando. Aí que está o problema, esses dias iniciais! Por sentir uma dor horrível nos primeiros dias de nascimento da Ester, eu tinha pavor de amamentar. Toda vez que se aproximava do horário dela mamar eu entrava em desespero, pois sabia o que me aguardava. A dor era tanta que eu chorava de soluçar (e olha que sou até forte para dor). Então eu ia adiando as mamadas, mas é claro que não resolvia, pois ela, recém-nascida, só queria mamar. Foi aí que, por não amamentar, meu peito empedrou e a dor aumentou! Além de bico machucado, fiquei com a mama dura de tanto leite não utilizado!

Nesse momento eu ouvi o seguinte: "Dá mamadeira para ela, assim ela enche a barriguinha e seu peito não dói. Pelo menos até essa dor passar, depois você volta para o peito". Recusei o conselho, pois não queria dar mamadeira para ela, uma vez que tenho consciência da importância do leite materno para a criança. Mas não teve jeito, depois de muita dor e de muita insistência para dar a mamadeira acabei cedendo.

Foi aí que os problemas começaram. A mamadeira, por mais que tenha o bico super parecido com o mamilo e que a marca seja a melhor de todas (a minha era excelente), sempre vai ser mais fácil para o bebê do que ter que sugar o seio. A própria posição que damos a mamadeira facilita o processo. Então depois que experimentou a mamadeira, a Ester sugava bem pouco o seio e depois chorava de fome. Mas era eu dar a tal da mamadeira que ela se saciava e ficava toda mole.

A cada mamadeira dada era um sofrimento para mim, parece que doía mais do que o incômodo no seio, pois quando o bebê está sendo amamentado não é só leite que sai de nós, mas muito amor junto! A mamadeira era fria, era mecânica. Eu sentia vontade de chorar ao dar mamadeira para ela, mas dentro de mim eu falava que aquilo ali era passageiro e logo daria somente o seio!! Mas não foi tão fácil.

Nesses momentos em que ela chorava de fome, que na verdade não era fome, mas era de "raiva" por ter que fazer força para sugar o seio, já que a mamadeira dava de graça o leite e sem nenhum esforço, o que eu mais ouvia era:

"SEU LEITE É FRACO!"

"SEU LEITE NÃO SUSTENTA A ESTER!"

"ACHO QUE VOCÊ PRODUZ POUCO LEITE!"

"SEU PEITO DEVERIA ESTAR MAIOR!"

"DÁ MINGAU PARA ELA, POIS ASSIM ELA FICA SATISFEITA!"

"VOCÊ NÃO ESTÁ DANDO CONTA DE AMAMENTAR ELA!"

Um apelo!

Se as pessoas soubessem a dor que essas palavras trazem para uma mãe que está tentando amamentar um filho elas sequer cogitariam a possibilidade de falar isso. Não foi uma e nem duas vezes que depois de ouvir essas palavras eu engolia seco, disfarçava e me trancava no primeiro cômodo que visse para chorar. Chorava por me sentir incapaz de alimentar a minha própria filha. Mas dentro de mim eu sempre falava: "Minha filha ainda vai mamar só no peito, se Deus quiser!"

Fiz chá de hortelã, comi canjica, tomei leite, fiz tudo o que me ensinavam para "aumentar a produção de leite", pois eu quase acreditei que não tinha o suficiente. Comecei, então, a ignorar esses comentários nada incentivadores e, me enchi de segurança, e disse: "Ela vai mamar só no peito, Deus me fez mulher e me deu dois seios saudáveis e capazes de sustentar a fome da minha filha!".

Fui reduzindo a quantidade de mamadeiras até chegar ao ponto de não precisar dar mais nenhuma!! Comecei a observar com mais detalhes os chorinhos da Ester, nem sempre quando um bebê chora é fome! As pessoas ao redor que não estão com você todos os dias sempre vão dizer: É FOME! Mas você que é mãe e que está a todo o momento com o bebê sabe que pode ser sono, dor, irritabilidade, cólica, gases, frio, calor, ou até mesmo vontade de um colinho!

Então, graças ao meu bom Deus e muito apoio do meu marido, hoje eu posso falar que a minha filha, depois de muita insistência e determinação, mama EXCLUSIVAMENTE no peito! Nada de mamadeira, só leite materno! E olha só, é suficiente para ela!! Ela fica saciada, feliz e tranquila!! Enquanto algumas pessoas reclamam por acordar de madrugada para dar mamar eu levanto feliz da vida por ter de amamentar ela!

Não estou criticando quem prefere dar a mamadeira ou quem por algum motivo, ainda que quisesse muito, não pôde amamentar. Estou apenas mostrando para aquelas mães que, assim como eu, se sentiam inseguras e frustradas na hora de amamentar, que nós somos capazes, que nosso corpo consegue produzir leite suficiente para os nossos filhos.

Não existe leite fraco, TODO LEITE MATERNO É BOM E FORTE!

Sobre a quantidade de leite, QUANTO MAIS VOCÊ AMAMENTA, MAIS SEU CORPO PRODUZ LEITE!

Sobre o tamanho dos seios, NÃO SOMOS UM ESTOQUE DE LEITE PARA TER OS SEIOS IMENSOS, É A CADA MAMADA QUE NOSSO CORPO PRODUZ REALMENTE O LEITE!

Tive que descobrir tudo isso sozinha, depois de muito pesquisar, ler, conversar com outras mães, pediatra, e depois de muita insistência mesmo, pois não é fácil, mas com muito amor a gente consegue!!!!

Portanto, ignore os comentários ruins e absorva somente os bons, o nosso psicológico tem poder sobre tudo, inclusive sobre a amamentação. A única coisa que indico é beber muita água, de resto o nosso corpo toma conta!"




Lindo, né?

Conta pra nós como foi sua experiência com a Amamentação... sem enfeites, só a realidade!!!

Para saber mais, acesse o portal Aleitamento.com e assistam um vídeo com dicas bem legais!

Aqui você consulta se qualquer substância química pode ou não ser utilizada por mães que amamentam!

Imagem daqui


Imagem daqui







26 de janeiro de 2015

Maternidade Ativa: Amamentação: Carta de uma mãe que quer amamentar...

foto: arquivo pessoal

Adoro cartas de mãe para filhos! Temos umas lindas aqui e aqui... e quando estas cartas envolvem superação e entrega materna, são ainda mais emocionantes. Mariana escreve para a filha sobre os desafios e a luta que travou para conseguir amamentá-la, mesmo com os prejuízos advindos de uma mamoplastia, quando mais jovem.

Amamentação e superação: mais uma bela história:



"Filha, com 19 anos a mamãe fez uma mamoplastia - redução do seio - que deu super errado porque a auréola do lado esquerdo necrosou. O resultado não foi satisfatório, inclusive esteticamente. Como sempre quis ser mãe, tive muita insegurança se conseguiria amamentar. O médico disse que não tinha como garantir, só quando eu tivesse filho ia saber. Além disso, a mamãe quase não tem bico nos seios.

Bom, você nasceu e a minha doula não foi embora enquanto eu não consegui te fazer mamar. Foi difícil para você aprender, principalmente porque não tenho bico. Mas conseguimos e a nossa primeira noite foi com você de um peito para o outro, mamando o colostro. (Dormiu o dia inteiro e a noite ficou com fome).

Depois de uns 2, 3 dias, já na casa da vovó, desceu meu leite e eu já pude notar que o seio direito ficou enorme e o esquerdo não. Quase não desceu leite do lado esquerdo, justamente o seio que eu tive necrose.

A doula e o médico me orientaram a continuar colocando você nele para estimular e foi o que eu fiz, mas não mudava muita coisa, logo você se irritava nele. Como é muito comum, meus dois bicos machucaram. Me diziam que por volta de uns quinze dias o meu organismo se acostumava, o bico 'calejava' e eu me contorcia de dor para amamentar, principalmente quando você abocanhava o peito... isso somado ao pós-parto, à recuperação dos pontos no períneo, à distância do seu pai (que estava em Cacoal e nós em Brasília) e às emoções do puerpério... não foi nada fácil!

Eu contava os dias para que passassem logo os 'tais quinze dias'... bom, chegou o 15º dia e nada de melhorar. Enquanto isso, você chorava até que bastante, bem mais à noite, e a mamãe só conseguia te acalmar no peito, o que era um tremendo sacrifício, já que você ficava às vezes uma hora e meia mamando sem parar, como se fosse uma chupeta.

Eu e a vovó achávamos que você estava com as famosas cólicas e, de fato, você tinha gases; mas também tinha fome! Constatei isso quando te levamos ao pediatra com 18 dias e vimos que só havia engordado 12g por dia e o mínimo seria 20g. Ele orientou que eu te desse complemento com o leite artificial e disse que você poderia ganhar força e sugar mais forte e estimular o peito a produzir mais e tinha chance de você mamar só no peito depois de 15 dias.

Meu sentimento foi se frustração quando percebi que teria que complementar... Senti vontade de chorar e medo de que você largasse meu peito. Eu já tinha me informado sobre relactação, que é uma forma de amamentar com uma sonda acoplada numa seringa e você mamando no peito. Foi o que eu decidi fazer, para não oferecer mamadeira e correr um risco maior que largasse o peito. Isso dá um trabalhão! Eu dava sempre primeiro o meu leite e depois o complemento. O complemento eu dava no seio esquerdo, para continuar recebendo estímulo de sucção. Me disseram que com um mês o peito "calejaria" e melhoraria a dor... você completou um mês e eu ainda sofria com dor! A dor era mais forte no peito direito, que era o que mais você mamava. Ele ficou rachado no meio. Não eram fissuras, mas talvez você mamando errado. O peito ficava vermelho e não ficava dolorido apenas no bico, doía lá dentro também.

Eu usei pomada, raspa da casca de banana, o meu próprio leite, concha de silicone, ordenhava o leite e nada fazia melhorar, só analgésicos que me aliviavam a dor, mesmo assim apenas temporariamente. Então, você já maiorzinha, com mais de um mês, foi à pediatra aqui em Cacoal. Ela me passou uma pomada e foi o que resolveu os machucados no bico. Foram mais de 40 dias de dor e vermelhidão! Mesmo assim, nada me fazia pensar em desistir... o vínculo que criamos e os benefícios do leite materno me motivavam.

No entanto, com o tempo, não teve jeito. Só meu peito não te alimentava. Fiquei uns 45 dias fazendo a relactação com seringa, mas a quantidade de leite que você ingeria foi aumentando e a relactação tornou-se inviável. Um dia eu realmente cansei e desisti... Conversei com você que eu não gostaria que largasse meu peito e ofereci mamadeira. E estamos assim até hoje. Você não largou o peito, está com 2 meses. De madrugada, normalmente, só mama no meu peito, de dia mama os dois. Fico feliz por todo meu esforço estar dando certo, e torço de todo coração que eu possa te amamentar por no mínimo 6 meses e além, até quando você quiser. Me sinto uma vitoriosa até aqui e não sinto que vá largar meu peito... É muito amor não é mesmo, filha ?

Tudo isso para você saber da minha doação e para que saiba que temos que lutar verdadeiramente pelo que queremos e pelo que vale a pena.

Por amor e com amor,

Mamãe Mariana"


Essa é Alice, aos 4 meses, que segue feliz mamando no peito!










11 de março de 2014

Maternidade Ativa: vencendo os obstáculos da amamentação nos primeiros dias...


Conheça a emocionante história desta mãe de primeira viagem que, vencendo os obstáculos para amamentar o próprio filho nos primeiros dias, acabou sendo 'mãe' de outros tantos bebês!!! Ela saiu do total desamparo, acreditando não ter leite e ser incapaz de alimentar o próprio filho, sentindo-se culpada e cobrada para..... virar doadora de Banco de Leite!

<3



Eu quero dividir com vocês minha vivência sobre amamentação. Quando meu filho nasceu, há seis meses atrás, assim que saí do centro cirúrgico e fui pro quarto da maternidade foi uma dificuldade enorme conseguir amamentá-lo! O bico do meu seio era invertido e ele não conseguia fazer a sucção.

Nenhuma profissional da área médica soube me explicar algo simples como massagem ou drenagem no seio, por exemplo. Elas apenas diziam: “você vai ter que dar de mamar”. A aquilo me batia um desespero. Nem elas sabiam passar alguma informação sobre aleitamento porque tudo que faziam era apertar meu seio com força. Até quase ficar roxo!



Após a alta do hospital, cheguei em casa e nada de conseguir amamentar. A esta altura, eu já estava sofrendo. Até que recebia uma ligação da Izabela Texeira, Doula da Belloparto. Eu não me aguentei e comecei a chorar dizendo que não tinha leite, não conseguia amamentar... ela foi lá em casa na hora, mesmo estando há poucas horas de um compromisso de viagem.

Ela drenou o leite represado, massageou minha mama, me ensinou a fazer a ordenha manual e foi então que percebi, pra minha completa surpresa que: Sim! Eu tinha leite, e muito! Mesmo com muita gente me mandando desistir e dar leite artificial, eu consegui e a amamentação se estabeleceu!

Meu marido também foi de suma importância, com sua paciência e amor, me apoiando sempre. Finalmente meu bebê estava ganhando 45 gramas por dia! Os dias foram se passado, o Ben engordando sempre e, ainda assim, a produção de leite era tanta que decidi doar ao Banco de leite da minha cidade, em Porto Velho.

Atualmente, estou doando leite materno já há 6 meses e, nesse sábado, dia 8 de março, veio aqui em casa uma senhora do banco de leite, responsável por pasteurizar o leite. Ela me disse o seguinte depoimento:

"É você que é a Talita? Eu tinha que te conhecer pessoalmente, sou eu quem cuido do leite que você doa, quero lhe falar que o seu leite é um do melhores que recebemos, os bebês que tomam seu leite engordam muito, você tem 18 filhos (!) todos eles estão ficando gordinhos e saudáveis. Quero lhe dizer você é uma salvadora de vidas. Inclusive, temos uma mãe HIV positivo que não pode amamentar, mas o bebê dela tá engordando com seu leite. Obrigada"

Eu comecei a chorar, muito emocionada com tudo que ela disse. E ela: “não chore, senão eu choro junto”... e choramos, as duas!

Hoje (11/03/2014) meu bebê completa 6 meses de aleitamento materno exclusivo! Pra mim foi muito bom e realizador. Espero que esse meu depoimento fique como incentivo ao aleitamento materno e que as mães não desistam. No comecinho não é simples amamentar, mais é maravilhoso!

   
Talita Santana tem 28 anos, mora em Porto Velho 
e é mãe do Benjamin de 6 meses de idade . 



25 de setembro de 2013

A amamentação e as chagas do patriarcado



por Cariny Cielo


Aí você nasce, vindo de um meio que é conforto puro. Conforto térmico, conforto gravitacional, conforto auditivo, conforto visual, um toque gostoso, o sacolejo ritmado, a explosão de sons que tranquilizam, a paz profunda...

Alimentava-se quase que ininterruptamente, sem nenhuma ressalva. Assim que queria, como bem lhe aprouvesse, dava goladas generosas de líquido amniótico. Não havia dia, nem noite. Era o tempo sem hora.

Passada a tensão que todo o ritual traz, seja ele de partida ou de chegada, você conhece, enfim, sua mãe.

Mas agora o tempo é outro! É o tempo dos relógios, é o tempo das medidas, dos padrões. É o tempo do engessamento, do reto, do limpo, do direito... é o tempo da razão. E assim, surgem as regras, a rotina imposta. Surge a distancia, o silêncio, a inércia.

Você é, então, deixado em um berço, sem aquele som, sem movimento, sem alimento. E você busca, em completo desespero, aquele conforto que vivenciou e que te trazia tanta paz. Você estava no paraíso e agora... Bem vindo! Você chegou na sociedade patriarcal!

A invenção do patriarcado foi a negação do ventre materno, do seu dom de dar a vida e de tudo mais relacionado ao feminino: a emoção, o instinto, o calor, o conforto, o contato, a empatia, o colo, o doar-se. Mulheres e homens sufocados, buscando na razão, o que só a emoção explica... e é por isso que você sofre.

Sua mãe provavelmente não tem na própria mãe um esteio para apoiar-se nesta jornada. Ela também não amamentou. E não há mais mulheres ao redor, não há tias, primas, irmãs... as famílias são agora núcleos fechados, valoriza-se o indivíduo e não o coletivo. Não existe comunidade pois estão todos distantes, fechados em suas próprias paredes.

Você não sabe falar, é um bebê fisiologicamente prematuro e busca desesperadamente por aquele ambiente de paz que tem em seus registros de memória mais primitivos. E aí você chora. Chora por ser a única forma que conhece de se fazer visto e ouvido. Você carrega os milhões de anos que o tornaram um ser humano e sabe que chorar é a chance de ser acalentado, de ser livrado do perigo... são registros muito primitivos, do instinto, da chama essencial do que que nos faz humanos, da fagulha divina.

Ela sabe que você é um grande presente, mas, distante que está de seus instintos femininos por tê-los sufocados a vida toda para encaixar-se nos ideais impostos, acha que é nos livros que aprenderá como lhe acalentar. Ingênua ignorância. Você está aqui para lembrá-la de que ela é instinto, ela é mamífera, ela é bicho, ela é mais um ser vivo neste vasto planeta... com toda a fisiologia à serviço da vida. E é aí que ela racha. Racha porque não sabe mais ser natural. Realizamos grandiosos feitos com nosso maravilhoso neocórtex, mas o nosso primitivo ainda grita dentro de nós... grita por respeito, por validação, por liberdade. Muitas vezes é só no momento do conceber, gestar, parir e amamentar, que a mulher se dá conta, enfim, de que é um ser mamífero, dotado de razão, de intelecto caminhando lado a lado com a emoção e o instinto.

Sua mãe busca os anseios femininos, mas nem sempre os encontra. Sua mãe está confusa, perdida, ama com o corpo e alma, mas não consegue se conectar com a alma feminina, essencial para as tarefas de cuidado e empatia.

Seu pai também passou anos recebendo mensagens de que emoções são sinais de fraqueza e, por isso, ele quer ser forte, ele quer compreender com a cabeça, não com o coração. O coração foi calado, endurecido e posto sem segundo plano. Talvez por isto mesmo, por ser o macho, o homem, o pai, ele tenha ainda mais dificuldade em exercer a empatia com você... que chora, clamando por um colo.

Qualquer livro que diga algo diferente de 'ouça seu filho'; ouça o que este bebê quer dizer'; 'esqueça todas as regras e seja pai e mãe desta criança que é única no mundo todo' é inimigo do aleitamento, é inimigo do feminino, é inimigo do natural, é inimigo da vida.

Eu sei que é impossível para você aguardar por três longas horas para saciar sua fome de alimento e de vida. Eu sei que é insuportável mamar e ser privado do seio pela arbítrio do relógio, de um tempo que até poucos dias você sequer conhecia. Nem eu consigo ficar 3 horas sem comer ou beber algo, imagino como deve ser desesperador para você que acabou de chegar por aqui e está em período de simbiose profunda com a sua mãe. Você acha que é o que ela é, sequer se compreende indivíduo. Eu entendo, entendo porque lhe é impossível aceitar a separação dos corpos. Entendo seu grito. Separar te soa como morrer.

Eu sei que você precisa mamar o leite anterior, que te mata a sede, mamar o leite posterior, que te mata a fome e, mais ainda, eu sei que você precisa mamar para sentir que está vivo, eu sei que você precisa daquela bolha de amor, daquela energia pulsante te dando boas vindas. Sei que o leite posterior é produzido quando a amamentação está disponível em sua plenitude, sem regras, sem rigidez.

Mas regra e rigidez são ferramentas do patriarcado. Esse modo de vida contrário a própria vida. E é por isso que ela não consegue te ouvir. Ela é amor, mas é um amor sem pernas e braços para ir ao teu encontro e te pegar no colo.

Eu sei como é a solidão fria, silenciosa e inerte do berço e que isto não se parece em nada com aquele estado de deleite em que vivias. É preciso um ouvido carinhoso e alguém que cuide de sua mãe para que ela possa, enfim, te ouvir e, se entregando a ti, te compreender. Ela foi educada para ser invencível, para ser perfeita e tua insistente exigência soa para ela como uma espoliação. 

Seu choro motiva nela culpa e derrota... mas ninguém tem culpa. Nem tu que está sendo apenas o que é, nem ela que está fazendo aquilo pelo qual foi talhada para fazer. 

Quanto à derrota, bom... todos perdem... perdem a vivência única de bem receber um recém chegado, cheio de mistérios e encantos. Perdem de viver com leveza o bom e o ruim deste grande encontro. Perdem a delícia de desfrutar e se conectar com aquela energia que é pura inocência. E perde você que, não se alimentando bem, perde peso, perde sossego e pode perder o seio, assim que um médico pouco comprometido lhe receitar leite artificial...

Como curar esta chaga? É justamente no momento de cisma da mulher - quando ela se vê mãe - que esta ferida mais dói. Surge a dor da saudade que se sente na nossa parcela mulher mais verdadeira e livre, aquela que levamos anos para sufocar. E a cura? A cura, nos dizeres de Mirela Faur, virá com encontros de homens e mulheres em círculos e vivências comunitárias, para despertar e alinhar mentes, corações e espíritos em ações que visem a cura e a transmutação das feridas da psique, infligidas pelo patriarcado.

Apaziguar a si mesmo, harmonizar seus relacionamentos, vencer o separatismo, reconhecer e honrar a interdependência de todos os seres, evitar qualquer forma de violência, dominação, competição ou discriminação são desafios do ser humano contemporâneo, no nível pessoal, coletivo e global. Incentivando a parceria e a integração entre os gêneros.

Mas hoje, agora, já, eu digo que é preciso mais contato, mais toque. É preciso mais devoção, é preciso mais entrega despretensiosa. É preciso mais linguagem de mãe. É preciso mais ajuda sincera e sem julgamentos. É preciso um amor despido, um amor de carne, osso e alma. É preciso um 'colocar-se do lugar de'.

É preciso mais colo sem tempo e um seio sem relógios...

Eu sei o quanto você deseja calor, embalo e colo, mas você chegou por aqui em tempos difíceis...


Imagem: arquivo pessoal

20 de agosto de 2013

Amamentação: É que amamentar deixou de ser a regra...

Ícone da 'Ala de Amamentação' de um shopping de uma capital do país. 
Poderia ser um bebê pendurado num peito, poderia ser um gota de leite, 
poderia ser um bebê sorridente... mas não! É uma mamadeira!!!

por Cariny Cielo


Ano passado eu respondi a pergunta "Porque eu sou ativista da amamentação?" proposta pelo Desabafo de Mãe, numa blogagem coletiva que reuniu um material muito precioso sobre o assunto.

Este ano, temos um novo mote: Porque as campanhas do governo não funcionam? Sim, porque campanhas não faltam, cartazes também e não conheço nenhuma pessoa que diz que o leite materno é ruim. "Todos aprovam e sabem dos benefícios, mas, então porque nossos filhos estão sem peito?"

E eu vim defender as campanhas (calma, eu explico!). Sim, as campanhas estão melhorando... só que ainda não vencem o que está arraigado no senso comum: ainda estamos presos à 'Era da Mamadeira". O resumo do meu post é o seguinte: levou tempo pro leite materno deixar de ser a regra e levará tempo para ele ganhar 'status quo' de normal, natural, simples, igual dormir, acordar, fazer cocô, comer... (e pra mim, só vai tá bom o negócio, quando amamentar for visto assim!)

Estamos falando de séculos onde foi moldada a cultura e a história da humanidade. Situando a amamentação como fenômeno sócio-histórico, torna-se evidente que essa prática sofreu (e sofre!) oscilações em diferentes momentos históricos e em distintos contextos sociais reafirmando-se que o ato de amamentar ou não ao peito, a despeito de possuir uma expressão no nível biológico, decorre de processos que transcendem este plano sendo histórica e culturalmente condicionado. 

Então, muita água tem que passar por debaixo da ponte, muitas atrizes têm que posar e fazer propaganda em horário nobre, muitos cartazes tem surgir para colocar o aleitamento como acessível - culturalmente - a todas! Estamos bem no meio da transição... Aliás, estamos bem no meio de várias transições: do nascimento, da criação dos filhos, da dedicação ao trabalho, do casamento, das amizades, do contato com as pessoas e do vínculo... Fomos aos extremos e agora buscamos caminhos alternativos que correspondam aos anseios que fundamentaram todos os extremos que conhecemos! Queremos o melhor dos mundos antagônicos. A segurança dos avanços da medicina + parir em casa é um desses 'o melhor'!!!!

Se o símbolo, o ícone, o chamariz de uma sala de amamentação do shopping (provavelmente um dos locais mais visitados de uma cidade) é uma mamadeira, esta é a prova de que pro inconsciente coletivo, dar leite artificial é o normal, é a regra! Quando postei a foto que ilustra este post no instagram, coloquei: "ache o erro". Muitas escreveram "tinha que ser um peitão", "tinha que ser um bebê no seio" e por aí vai. Como que alguém sentou e pensou: aqui é a sala de amamentação, faz um desenhozinho de mamadeira pra ilustrar... Porque pensou assim? Pensou assim porque mamadeira é normal... é a regra... é o símbolo... é o que está plasmado no inconsciente coletivo... na primeira dificuldade, na primeira falha, na primeira noite difícil (e todos sabem que virão muitas noites difíceis)... ali está ela! A postos! Presente do chá de bebê ou de alguma avó mais solícita...

Não foi preciso procurar muito. Numa saída de casa, andando pelo centro da cidade, eu pude observar o quanto a mamadeira - e com ela o leite artificial - está arraigada na nossa cultura. Mamadeira é sinônimo de infância, de maternidade... nas farmácias e mercados (dois comércios que mais se vê nas cidades!) encontramos gôndolas com mamadeiras fofas e inúmeras opções de leite... além de funcionárias treinadas a indicar os melhores modelos, os melhores bicos...

"Vendo lembrancinhas de chá de bebê" (de brinde vai a 
mensagem de que usar mamadeira é normal)


"Eu tenho aqui a de bico ortodôntico e uma importada com 
bico que imita o seio. Qual você prefere?" (eu prefiro o seio 
autêntico mesmo, é melhor e mais barato, vc não sabia?)

Escrevi pro shopping informando que amamentação é questão de saúde pública e que eles, tendo um ambiente de uso comum do povo, devem rever suas políticas e repensar na forma de 'ilustrar' uma sala de amamentação. Recebi como resposta:
Prezada Sra. Cariny
Agradecemos o seu contato e informamos que sua sugestão foi encaminhada para o setor responsável. Para nós as sugestões de nossos clientes é a melhor forma de aperfeiçoarmos os nossos serviços. Isso nos motiva e faz com que trabalhemos para oferecer sempre o que há de melhor.Seja sempre bem vinda.


Eu sigo na militância pra mostrar que mamadeira não é normal e que leite artificial é exceção, e não regra! E que, portanto, não deve ser promovida!!!

Sigo buscando empoderar as mulheres e fazê-las acreditar que num mundo de cifras, não é preciso gastar um centavo pra alimentar um bebê durante seis meses!!! Embora, muitas vezes, eu acabe num silêncio que me incomoda, eu, refém deste período de transição da história, sigo acreditando que é uma verdade que deve ser dita e repetida milhões de vezes, em todos os lugares, sem parar, carinhosamente, com apoio, com empatia, com rigor de leis, com incentivos multifatoriais...


Recebi um interessante estudo publicado nos Cadernos da Escola de Saúde Pública do Ceará. Está todo aqui e logo abaixo eu transcrevo uma parte bem didática sobre toda a história do aleitamento materno no Brasil e no mundo... (ATENÇÃO: é só para os leitores mais fervorosos ou praquela hora em que ficamos até de madrugada no facebook e não aparece mais status pra acompanhar). Vou logo adiantando que parece que foi - mais uma - herança nefasta dos 'brancos' sobre os índios e que o chique, na época, era ter ama de leite... hoje é ter mamadeira importada com bico que imita o seio!



O aleitamento materno deve ser situado como um fenômeno sócio-histórico, com repercussões na prática cultural e, não somente no plano biológico. Para tanto, julgamos oportuno retratá-lo em diversos períodos da história da humanidade, de modo a evidenciar os diferentes sentidos a ele atribuídos.

Os problemas relacionados à amamentação no contexto da alimentação infantil são muito antigos. Talvez o aleitamento artificial seja tão antigo quanto a história da civilização humana. Isso se evidencia pela grande quantidade de crianças abandonadas em instituições de caridade, ao longo de vários séculos e durante tempos economicamente difíceis, como já se verifica na Antiguidade. Tal fato se evidencia pelos registros de recipientes encontrados em vários sítios ao lado de corpos de lactentes em escavações arqueológicas (séc. V e VII), sugerindo que os gregos recebiam alimentos de outras fontes além do leite materno, por meio
de vasilhas de barro encontradas em tumbas de recém-nascidos àquela época. Esses achados nos
possibilitam afirmar que a substituição do aleitamento materno diretamente ao peito por outras formas de alimentação constitui uma prática muito antiga. Os mistérios e tabus relacionados ao tema, ao que parece, também datam do começo da civilização.

O Código de Hammurabi (cerca de 1800 a. C) já continha regulamentações sobre a prática do desmame, significando amamentar criança de outra mulher, sempre na forma de aluguel (amas-de-leite). Na Bíblia também é referida a prática das amasde-leite e do aleitamento materno, sendo comparada à palavra de Deus entendida como o leite genuíno: “Desejai ardentemente como crianças recém-nascidas o leite genuíno, não falsificado, para que por ele vades crescendo”(I Pedro 2;2). 

Nos tempos espartanos, a mulher, se esposa do rei, era obrigada a amamentar o filho mais velho; plebéias amamentavam todas as crianças. Plutarco relata que o segundo filho do rei Themistes foi preterido por seu irmão mais velho, somente porque ele não havia sido amamentado por sua mãe e sim por uma estranha. Hipócrates escrevendo sobre o objetivo da amamentação, declara que: “somente o leite da própria mãe é benéfico, (sendo) o de outras perigoso”.

Publicações europeias do final do período medieval e início da era moderna também exaltam a importância do aleitamento materno para a infância. No século XII, havia uma atitude de indiferença em relação à criança, retratando que a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la, pois não havia registro de nascimentos e mortes e raramente no diário da família fazia-se referência aos infantes. As crianças eram representadas por homens de tamanho reduzido, expressando o sentimento vigente de que esta se diferenciava do adulto apenas no seu tamanho e na sua força. Essa concepção predominou até o fim do século XIII, quando passaram a ser reconhecidas por sua proximidade com os anjos e o menino
Jesus cujas formas aproximavam-se da morfologia infantil. Com o advento da modernidade, essa “descoberta da infância” expande-se e torna-se particularmente significativa no final do século XVI e durante o século XVII, caracterizando um período de grande avanço na discussão de temas da primeira infância 

De 1500 a 1700, mulheres inglesas saudáveis não amamentavam seus filhos. Embora o aleitamento materno fosse reconhecido como um regulador de nova gravidez, essas mulheres preferiam dar à luz de 12 a 20 bebês, do que amamentá-los. Elas acreditavam que a amamentação espoliava seus corpos e as tornavam velhas antes do tempo, crença que parece sobreviver até os dias atuais. Com isso, o desmame era iniciado precocemente, sendo utilizados, em substituição, cereais ou massas oferecidas em colher.

Existiam, ainda, as normas médicas e religiosas que iam ao encontro desse propósito, pois proibia-se a relação sexual durante o período de amamentação,que deveria ser de 18 a 24 meses, por entenderem que isso tornaria o leite humano mais fraco e com risco de envenenamento em caso de nova gravidez. O conhecimento médico vigente também considerava que o colostro era um leite ruim e que não deveria ser oferecido à criança. A alimentação das crianças era à base de leite de animais e de um alimento chamado “panado”, feito à base de pão (farinha) e água. Àquela época, havia um dispositivo na Constituição Francesa, que visava a proteger crianças nascidas de famílias ditas indigentes: amas-de-leite não poderiam amamentar mais do que duas crianças além da própria e, cada criança deveria ter um berço, a fim de que não corresse o risco de ser levado à cama pela mãe e morresse sufocado durante o sono.

De acordo com diários de chefes de família da grande burguesia parlamentar, as mães do século XVI amamentavam seus filhos e somente no final deste século ao início do século XVII, a moda de enviar os filhos para casa de uma ama conquistou as famílias de uma maneira irreversível.

No século XVIII, o envio das crianças para casa de amas se estende por todas as camadas da sociedade urbana. Ocorre nesse período um aumento crescente de mortes infantis, associadas às doenças adquiridas pelas amas de leite. Suas enfermidades contaminavam os bebês e muitas dessas amas, com receio de que estivessem “repassando afeto” aos bebês, passaram a oferecer o leite de vaca em pequenos chifres furados (precursores das mamadeiras) porque acreditava-se “que sugando o leite, sugava-se também o caráter e as paixões de quem os amamentava”. Além disso, esse procedimento passaria a acarretar importantes riscos à saúde das crianças, pois além da oferta em um recipiente não estéril, as mulheres desconheciam a quantidade exata de água que deveria ser misturada ao leite, sem considerar o risco de contaminação dessa água”.

No Brasil, existem relatos dos séculos XVI e XVII, imprecisos e contraditórios, ao tratar dos antigos Tupinambás. Os filhos das indígenas eram amamentados durante um ano e meio e, neste período, eram transportados em pedaços de pano conhecidos por typoia ou typyia. Mesmo se as mulheres tivessem que trabalhar nas roças, não largavam seus filhos: carregavam as crianças nas costas ou encaixavam-nas nos quadris. Do mesmo modo que os animais, as índias nutriam e defendiam seus filhos de todos os perigos. Se soubessem que o bebê tinha mamado em outra mulher, não sossegavam enquanto a criança não colocasse para fora todo o leite estranho .

Esses documentos são muito valiosos quando relatam a história da influência européia sobre as sociedades indígenas, radicadas no litoral do Brasil. Havia uma cultura indígena no Brasil colonial, mas os viajantes adotavam uma visão típica da tradição cristã, estando pouco preocupados com os habitantes do Novo Mundo.

Com a chegada das caravelas, muitas doenças foram aparecendo nas tribos, contaminando os índios que não possuíam qualquer defesa orgânica. Esse fato acabou produzindo uma multidão de órfãos desamparados, o que findou por levar os jesuítas a criar instituições destinadas a abrigar legiões de indiozinhos sem pais.

No século XVII, o abandono de crianças passou a ser percebido entre a população de origem portuguesa. Ao longo do século XVIII, a população dos principais centros portuários aumentou significativamente, dobrando ou quadruplicando as modestas cifras do início do século.

Quando a razão da acolhida correspondia a um interesse meramente financeiro, a estada na residência das amas quase sempre colocava em risco a vida dos bebês, pois, aos recém-nascidos era oferecido, além do leite materno, leite in natura, acrescido de carbohidratos.

Os profissionais responsáveis pela assistência também referiam a utilização de práticas “modernas” para alimentar as crianças, como o emprego de mamadeiras de vidro e pequenos bules que tinham um bico de borracha adaptado à ponta de saída.

Muitos médicos da época, no entanto, atribuíam as doenças comuns à infância aos contatos dos instrumentos citados com os miasmas atmosféricos . Nos séculos XVII e XVIII, a sociedade brasileira admitia como fato corriqueiro a morte de bebês. Àquela época, 20 a 30% morriam antes de completar o primeiro ano de vida. Aceitavam a morte como a crença da transformação de crianças em anjos, o que contribuía para que as famílias suportassem a dor da perda e a considerassem como uma benção do céu .

Formadas dentro dessa tradição, as mulheres anunciavam a morte das crianças em verdadeiras festas, o que deixavam escandalizados os visitantes da época.Esses rituais eram marcados por antigas tradições africanas e as autoridades religiosas escandalizavam-se diante daquilo que consideravam uma grosseira deturpação dos ensinamentos cristãos. Interessante observar que a morte de crianças estava relacionada com a miséria e o aumento do número de crianças mortas na Roda (Roda dos Expostos: dispositivo bastante difundido em Portugal, a Roda consistia num cilindro que unia a rua ao interior da Casa de Misericórdia. No Brasil, apenas Salvador, Recife e Rio de Janeiro estabeleceram tais Rodas no período colonial...a Roda funcionava
dia e noite, e qualquer um, furtivamente ou não, podia deixar um pequerrucho no cilindro sem ser notado ou muito menos incomodado). 

Concomitante a essa crescente mortalidade, verificava-se a negação da maternidade entre a sociedade burguesa, através da gravidez indesejada, ou o abandono das crianças pelas mulheres escravas, por falta de condições para a criá-las. Isso levou à prática de mães mercenárias e mães escravas de aluguel, que empregavam desastrosas técnicas de alimentação artificial, levando milhares de bebês à morte. Outra prática substitutiva do aleitamento materno diretamente ao peito era a utilização de ama de leite. No entanto, a partir de 1800, o número de crianças encaminhadas às amas através da Direção Mundial das Amas-deleite declinou substancialmente.

No séc. XIX, com a implantação das faculdades e academias de medicina, surgiram vários projetos destinados a combater as altas taxas de mortalidade dos expostos. As mulheres que não podiam amamentar e que tinham recursos eram orientadas a contratar uma ama-de-leite em domicílio, fiscalizando todos os cuidados proporcionados ao bebê. Ressaltavam que “essa conduta só deveria ser adotada em casos desesperados e que a babá- uma segunda mãe - seria o personagem central da família burguesa, que logo adquire autoridade sobre a mãe ignorante. Pensava-se àquela época que o simples fato de contrariá-la, poderia azedar o leite e preferia-se calar a arriscar a saúde do bebê.

As amas-de-leite, no entanto, “simulavam ser boas mães” e, visando a conservar sua remuneração, apropriavam-se das crianças, estimulando-as a permanecer a maior parte do tempo com elas. O sistema de amas-de-leite prosperou até fins do século XIX. 

Depois disso, o aleitamento artificial, sob forma de mamadeira com leite de vaca, possibilitado pelo progresso de esterilização, viria a substituir a amamentação mercenária. (E essa cultura do leite artificial perdura até hoje)



4 de dezembro de 2012

Maternidade Ativa: Ela é índia. E eu, sou o que?


por Cariny Cielo

Participei de uma ação com indígenas da região de Cacoal, Rondônia, há uns meses. A etnia era Cinta Larga e Suruí. Fui a trabalho, mas carreguei meu filho mais velho e, enxerida curiosa que sou, não pude deixar de aproveitar a oportunidade para bater um papo de mulher e mãe, com mulheres que vivem realidade tão completamente diferente da minha.

E é diferente mesmo! Praticamente outro mundo; o mundo dos brasileiros por essência. Para saber mais e nunca mais pagar mico, vale a pesquisa aqui.

Comecei meio sem jeito de como se referir a quem não é índio. Se ela é índia (o correto é falar ‘indígena’), eu sou o quê? Afinal, ‘Cara Pálida’ me pareceu americano demais, apesar de o ‘pálida’ caber perfeitamente com a minha cara. ‘Homem branco’ é pior, parece saído daqueles livros de história do ensino fundamental e além do mais, nem branca eu sou...

Parece que o brasileiro que tem tudo misturado ficou num limbo entre tantos povos. De um extremo ao outro tem uma porção de versões para nós, mas em todos corre a mesma mistureba de sangue. Tá, chega de aula fajuta de história e geografia, não é aqui que você encontrará referências de qualidade para o tema.

O que me interessou foram as mães e mulheres indígenas, todas carregando seus bebês em lindas faixas coloridas. Eu mostrei a faixa que uso (o famoso sling de argolas) e uma delas achou o máximo. Mas fiz sucesso mesmo quando disse que meu caçula havia nascido em casa. Abalei geral, virei estrela... (mentira, parir em casa é normal... nada de mais pra elas, exceto o fato de eu ser: branca!).

Continuamos conversando e ouvi coisas terríveis, dignas de denúncia, como por exemplo, elas me dizerem que são orientadas a parir no hospital, mas chegando lá, não são respeitadas (que novidade!) em suas escolhas sobre posição, intimidade, liberdade de movimentos... enfim, sofrendo, inclusive, episiotomia... Eu disse que existem mulheres em todo país lutando contra esta falta de respeito no atendimento obstétrico. Pelo jeito, a violência com elas é ainda maior, pois é cultural e social também: ouvem piadinhas quanto ao número de filhos, quanto à dor durante as contrações, quanto ao aleitamento, quanto aos seus costumes...

E ouvi coisas interessantes sobre crianças indígenas. Eu perguntei se elas apanhavam, se ficam de castigo, se tinham problemas para dormir, se tinham problema para amamentar ou para o desmame, se era agitadas ou rebeldes (todos aqueles adjetivos que a criança ‘branca’ recebe).

Fiz esse tanto de questionamento e elas ficaram meio se entreolhando, com cara de dúvida, no melhor estilo de sequer entendendo bem o que a ‘cara pálida’ queria saber...

- “A gente não liga pra isso não”. Soltou uma. Eu entendi como “a gente deixa as crianças serem o que são: crianças”.

De fato, as crianças delas não apanham, nem ficam de castigo. Nem elas, tão pouco, apanharam quando crianças. Elas não sabem dizer quando desmamaram, nem de quanto em quanto tempo mamavam, por quantos minutos e em que têta primeiro (há!)...

Para nós, isso tudo soaria como uma completa bagunça, sem regra, uma anarquia! (deixa a Super Nanny saber disso! Ou ainda, mais na moda agora, o deseducador Marcelo Bueno, num quadro de péssimo gosto do programa 'Mais Você'.

E os filhos quando chegam à adolescência, eu perguntei, ficam rebeldes? Desrespeitam tudo e todos? Explodem, feito vulcões, em fúria contra a vida?

“Não... normal”, disse outra. Eles começam a se interessar em namorar, ir morar na cidade, estudar... questionam, claro, afinal, assim caminha a humanidade, mas não se vê a ‘aborrecência’ nem seus problemas adjacentes... simples assim também! Essas coisas não são assunto por lá... não sacodem especialistas... não mobilizam a sociedade...

Existe muita coisa boa no que construímos no papel de colonizador (escrevi isso mais pra ficar bonitinho do que porque acredito mesmo...), mas existe muita coisa boa que destruímos dos povos colonizados e que precisa ser reavivado.

Não sei se em todos os agrupamentos indígenas é assim, e também conversei com algumas poucas mulheres... longe de mim dizer “eles vivem assim” ou “eles não vivem assim” (tô fora de dar uma de besta igual fez o repórter Alexandre Garcia!)

Mas será que não podemos misturar uma cultura com a outra, colher o bom de cada uma? Ao invés de oprimir , apagar e ridicularizar não poderíamos mesclar?

Eles não têm uma pá de problemas que julgamos ter na criação de filhos, porque será? Há algo aí que precisa ser analisado e copiado, não? (favor concordar comigo AGORA!)

O 'carregar bebes', no meu ver, é um exemplo maravilhoso disso! Vejam Aqui e aqui os benefícios desta simples atitude da mãe e que, até pouco tempo atrás, era privilégio das crianças indígenas no Brasil (ou de alguma mãe-branca-bicho-grilo-reacionária). Tá aqui algo fácil de copiar e delicioso pro bebê.

Em Rondônia tem onde comprar, na Slingue, em Porto Velho. E custa muito mais barato que os carrinhos de bebês (que vão te manter longe do teu filho e te fazer raiva na hora de por e tirar de um carro, por exemplo).




Outro ponto que posso facilmente relacionar aqui e que podemos/DEVEMOS copiar:

Amamentação à livre demanda... conforme o fluxo de leite da mãe e o fluxo de emoções do filho.

Sem deseducação, sem indústrias de leite patrocinando eventos para pediatrias, ops!, aliás, sem pediatras dizendo como amamentar, sem leite fraco, bico raso, sem vizinha dizendo que o bebê precisa de mamadeira porque está magro, sem marido dizendo que os peitos são dele e não do filho, sem mãe precisando voltar ao trabalho depois de 4 meses enquanto a OMS manda amamentar exclusivo por 6, sem pressão sobre a mulher para voltar ao corpo e conseguir 'não parecer' que teve filho, sem pressão para a mulher voltar a trabalhar, sem pressão sobre a mulher!!!

Quer mais um ponto a copiar? Te digo agora!

Elas são mulheres que se ajudam e não que competem, como nós (bando de machista que somos! - pausa para ferver de ódio...

Mães, avós, tias, primas, irmãs, amigas... todas cuidam da puérpera, todas cuidam das crianças, todas se cuidam... todas dividem sabedorias, experiencias, e não críticas quanto ao visual da outra.

Parece que o nosso ruim está tão bem sedimentado (‘parecer’ é por pura cortesia) que sequer conseguimos questionar... e quem questiona é doida varrida! (no caso, eu que aqui vos escreve...)

Um exemplo claro da nossa incapacidade de mesclar o bom de cada mundo está no nosso sistema obstétrico. Sim, porque poderíamos ter toda a segurança que os avanços da tecnologia trouxeram e toda a intimidade que o parto, por ser um evento fisiológico e natural da mulher (lembra?), requer... juntinhos!

Mas não, ao invés disto e sob a pecha de evitar a morte e a dor, transformamos todo nascimento em uma patologia... e as gestantes, lindas e poderosas donas do mundo, perpetuadoras da humanidade, foram transformadas em bombas relógio prestes a explodir!

Eu quero conhecer mais esta cultura e trarei aqui todas as minhas impressões.

Recentemente meu filho mais velho me disse:
- puxa mãe, tadinho dos índios, devem passar frio morando na floresta

E eu: - Ué filho, claro que não... eles têm casas, à noite eles vão pras casinhas deles na floresta.

E ele continuou: - Mas como é a casa deles?

Pois é! Eu fiquei morrendo de vontade de saber e de mostrar pra ele!


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