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4 de agosto de 2018

Relato de parto da Mayara: Parto normal hospitalar com doula em Cacoal



Feliz demais em trazer para o blog a história de gravidez e parto da minha amiga e irmã de alma, Mayara, que eu tive o privilégio de doular (do verbo "ser doula" rsrsrsrsrs).

"Não basta ser amiga-irmã, confidente, terapeuta, massagista, não basta ser comadre... Tem que ser doulanda com parto relâmpago e em 6 horas trazer nossa Manuela". Foi assim que anunciei a chegada da bebê da Mayara e é assim que começo o relato aqui. Uma história de desencontros e reencontros que culminou em uma desfecho iluminado.


sentaquelávemrelato💜sentaquelávemrelato



por Mayara Tassi


Desde de minhas memórias mais antigas lembro do meu desejo em ser mãe, sinto que tudo só estaria completo quando este momento chegasse, mas pelo fato de ser sempre tão racional, adiei esta vontade por algum tempo.

Me dedico ao tema “gravidez e parto” desde o início da faculdade em fisioterapia, há 12 anos. Acompanho a militância da minha amiga e doula Cariny sobre humanização do parto há quase o mesmo tempo, há 2 anos criamos uma roda de gestante para dividir experiências e informações de qualidade, e trabalho com pilates para gestantes há 4 anos.

Em fim esse assunto faz parte da minha vida há muito tempo!



Casei aos 20 anos, mas somente aos 27, mais especificamente em março de 2015 começaram as tentativas para engravidar. Desde a adolescência fui diagnosticada com S.O.P. (síndrome dos ovários policísticos), apresentava ciclos irregulares e longos períodos sem menstruar, tive ciclos de até 120 dias, o que não me dava a chance de saber se havia ovulado.

Comecei a buscar por informação a fim de conhecer o meu corpo, e conheci o método sintotermal. Aferi temperatura, muco e colo diariamente durante 1 ano. Passei a perceber, mesmo sem muitas expectativas neste período, apenas 3 ciclos em que havia chance de ovulação. Impossível não ficar ansiosa! Tudo que estudava era sobre S.O.P. e ovulação... mais de 2 anos e nada da gravidez, o ciclo mais curto foi de 40 dias, tratamentos e mais tratamentos naturais...

Por diversas vezes me senti só na tentativa em engravidar. Entendia a resistência do meu marido devido a sua sobrecarga de responsabilidades, o que fez com que me dissesse por algumas vezes que me apoiava, mas não compartilhava do mesmo desejo, me gerando muita insegurança, e me fazendo refletir sobre os mistérios do nosso inconsciente, os traumas, medos, e padrões repetitivos que herdamos... mas nada me tirava o imenso desejo de ser mãe... fazia planos, sonhava e vislumbrava cada momento com um bebê.

Após uma constelação familiar, muitas coisas se mobilizaram. Começara um movimento sutil e ao mesmo tempo avassalador.

Em abril de 2017 decidimos nos separar. Foi uma decisão de ambos, para que nossa relação fosse preservada, uma vez que sempre nos admiramos. Fomos apoio e porto seguro um ao outro há 9 anos. Terminamos com o desejo que em um futuro breve as coisas pudessem melhorar e talvez o nosso casamento ser resgatado. Foi um período muito difícil, cheio de dúvidas, medos e inseguranças. Após 3 meses ocorreram muitas mudanças em ambos, o amor falou mais alto, e nosso reencontro foi preparado por Deus. Fomos para a terapia, e dia 02 de agosto de 2017 tivemos a certeza que não poderíamos viver mais um sem o outro, e a primeira coisa que ele desejou para nós foi um filho!

Havia menstruado no dia 30/07/2017, mas com um ciclo irregular e há quase 3 anos de tentativa, gravidez não era uma possibilidade. Agora era eu que achava que não era o momento de ter filhos, muitas mudanças na área profissional, achei que era melhor esperar. Dia 01/09/2017, uma sexta-feira, tive um escape, como já conhecia perfeitamente o meu corpo e meu ciclo, logo suspeitei de gravidez... seios doloridos e um sono incontrolável me deixaram ainda mais na certeza.

Fiz um teste de farmácia no dia seguinte, e como tantos outros... NEGATIVO. Na segunda feira, meu esposo percebeu que meus seios estavam maiores. Convicta depois do teste que deu negativo, respondi que deveria ser TPM. Contudo a dor nos seios não aliviavam, e nunca havia sido tão intensa. Resolvi comprar outro teste de farmácia uma semana depois, fiz logo no meio da tarde, e... POSITIVO! Uma linha forte de controle e outra clarinha, não acreditei! Imediatamente mandei mensagem para minha prima Luana e minha irmã Letícia, como em 2016 tive uma provável gravidez química (positivou o teste de farmácia e negativou o beta hcg) fiquei com medo de ter acontecido novamente, e logo providenciei o teste laboratorial.

Mas, no fundo, não me restavam mais dúvidas. Antes do resultado do exame de sangue, saí para comprar lembrancinhas pra fazer a surpresa pro papai! E pouco tempo depois chegam meus irmãos no meu trabalho com o resultado do exame... aos prantos, todos! Era muita felicidade! A noite fiz a surpresa para o meu esposo - que foi o último da família a saber. E ali no dia 11 de setembro de 2017 minha vida começava a mudar para sempre... eu, que tanto desejei, tanto esperei, não conseguia acreditar! Misto de sentimentos... parecia um sonho e eu tinha medo de acordar!



A ultrassom confirmava minha ovulação tardia, pois não coincidia com a data da última menstruação (D.U.M)... provavelmente ovulei 2 semanas depois do esperado de um ciclo normal, pelas minhas contas a concepção provavelmente ocorreu próximo ao dia 26/08/2017, saindo totalmente do meu controle e da minha racionalidade, pra quem era tão controladora, isso foi a prova de que as coisas precisavam fugir do meu domínio para então seguir seu curso natural.

Por volta da 7ª semana começaram os enjoos, no início até achamos engraçado, mas com o passar do tempo, fiquei muito indisposta, vomitava muito, principalmente de madrugada, achava que nunca mais fosse saber o que era conviver sem enjoos. Graças a Deus eles cessaram com exatas 14 semanas. Tirando esse detalhe, minha gravidez foi muito tranquila, e não tive nenhum contratempo. Com 9+2 dias realizei o exame de sexagem fetal, e após 8 dias, descobrimos e confirmamos o que eu e Fabrício intuíamos: é uma menina!!!



Meu médico desde o início apoiou as minhas escolhas e eu confiei em minha intuição, nunca me imaginei fazendo uma cesariana, nunca me preocupei com as dores do parto, inclusive me questionava se não subestimava as dores ou realmente estava preparada para enfrentá-las, depois de tudo que já havia estudado e acompanhado.



Me preparei emocionalmente para passar das 40 semanas, até para dar suporte à família e ao meu esposo, que era o mais ansioso. Com 38 semanas, meus padrinhos, que hoje assumem o papel dos meus pais, chegaram para ficar comigo... a ansiedade então só aumentava. Me mantive tranquila, tendo em mente que poderia chegar a 42. Minha madrinha, 2 meses antes, previu que seria na virada da lua nova, que era de fato a minha nona lua, dia 15/05/2018. Fabrício, meu esposo, desejava que ela viesse no dia 19/05 (aniversário dele e Data Provável do Parto - DPP), e eu confesso que não tinha palpite algum.

Dia 01/05/2018 percebi que minha barriga havia descido, assim de repente, da noite pro dia, a parte superior do abdômen estava mole, sinal que ela começava a encaixar.

Dia 13/05/18, domingo, 39 semanas e 1 dia, percebi um muco, pouca quantidade e sem rajadas de sangue, mas talvez fosse o tampão, foi o único sintoma pré-parto. Me sentia já bem cansada, mas ainda estava bem ativa, fazia meus exercícios na bola, ficava de cócoras, trabalhava na medida do possível e tentava namorar sempre que possível. Minha irmã mais velha, Tatiana, pressentiu que algo estava por vir. Fomos a chácara de uma amiga, Mariana (relato aqui), no intuito de tomar o famoso banho de bica, que trouxera Mateus, seu caçula, após 2 dias.

Dia 15/05/2018 virada da lua nova o dia amanheceu diferente, chuvoso e Fabrício anunciou a chegada da nossa pequena: disse que era o dia perfeito pro nascimento! Me sentia melancólica, não havia dormido nessa noite, mas me sentia disposta. Por volta de 11:30 ao falar com a minha irmã Tati pelo telefone, me dei conta que as contrações de treinamento estavam mais intensas, uma pressão diferente, mas ainda não classifiquei como dor. Contei apenas para o Fabrício, já enfatizando pra que não ficasse ansioso pois ainda poderia ficar dias em pródomos.

Resolvi cronometrar e as contrações estavam ritmadas, 7/8 min com duração de 50 segundos em média, mas era apenas uma pressão diferente, sem dor. Informei minha irmã Tatiana, pois ela precisava viajar 220 km para acompanhar o parto como planejamos desde o início.

Informei meu médico às 14 horas que pediu pra me avaliar às 16 horas. Às 16:30 horas, o obstetra me avaliou, fizemos o toque sob meu consentimento. Ainda não estava em trabalho de parto, nenhum centímetro dilatado, e colo alto. Provavelmente não nasceria nesse dia... afirmou o médico. Chegando em casa tentei dormir para poupar energias e Fabrício foi trabalhar pra amenizar a ansiedade.

Às 18:00 horas chegava minha doula querida Cariny, com todo seu aparato! Achei engraçado pois achava que ainda era muito cedo para luzes, massagens, escalda pés... mas aproveitei o momento. Às 18:15 hs chega minha irmã Tatiana, rimos e relembramos os seus partos, enquanto minha madrinha preparava meu chá (chá da Naoli) e meu escalda pés. Às 18:30hs percebo que as contrações intensificaram, parei de conversar, começou a perder a graça. Às 19:00h as contrações ficaram realmente intensas, e logo chega meu marido, curtimos um tempo a sós, mas as contrações ficam tão fortes e doloridas a ponto de me fazer vomitar.



Tomei um caldo em meio às contrações que minha madrinha preparou com todo amor, me arrumei para ir ao hospital para ser reavaliada, mas as contrações quase não tinham mais intervalos. Durante o trajeto ao hospital pensava que se não estivesse em trabalho de parto, eu não aguentaria.

Paramos 3 vezes no trajeto, porque a dor era muito intensa. Chegando ao hospital mal conseguia deitar para auscultar os batimentos cardíacos fetais, e então o médico resolve fazer um novo toque, e para a surpresa de todos 4 cm de dilatação! Renovava então minhas forças. Fui encaminhada a outro hospital, pois não havia vaga no hospital que eu havia planejado.



Demos entrada as 21 horas na maternidade, logo na entrada, eu vomito novamente. As contrações não davam trégua. Às 21:30hs vou para o chuveiro com o meu esposo, fiquei por alguns minutos de cócoras e revezava entre sentar e ficar em pé com a água quente caindo sobre minha barriga. Enquanto Cariny e meus tios traziam de casa tudo que planejamos, bola, som, chá, luminária, travesseiros... As contrações eram todas no baixo ventre. Após 30 minutos de chuveiro só queria deitar, queria achar uma posição que doesse menos...



De repente comecei a sentir muita pressão no períneo, coincidindo com o momento da chegada do médico. Estávamos no apartamento, e por protocolo do hospital não poderíamos fazer o parto ali. Trouxeram uma cadeira para me levar ao centro cirúrgico, implorei para não ir, ela estava coroando, e eu não aguentava sair daquela posição!
As 22:14 senti o círculo de fogo, comuniquei ao médico que senti que ela havia coroado, ele confirmou com um exame de toque e ficou impressionado com a rapidez de tudo! Pude ouvir e sentir a comoção de todos presente, misto de euforia e felicidade. Ouço as palavras de incentivo da Cariny e da minha irmã que, juntas, seguravam a minha perna, pois achei mais confortável ficar deitada, e da minha outra irmã Letícia, que registrou o nosso momento... e, em especial, meu marido, que segurou a minha mão em cada fase, ria e chorava, me deu apoio e foi meu guia, senti que nunca estivemos em total conexão como neste momento, adivinhava meus pensamentos e respirava amor, jamais esquecerei da nossa sintonia... a bolsa rompeu durante o período expulsivo, eu gritei neste momento, um grito da alma, das entranhas, da profundeza dos meus sentimentos mais ocultos... foram mais 4 contrações, e em 15 minutos ela nasceu!



Neste momento meu mundo parou, a emoção mais visceral que senti na vida, lembro de sua pele quentinha escorregar em meus braços, o seu chorinho soar como música aos meus ouvidos, o coração explodir de amor e felicidade, meu corpo estremecer, e eu pensar a todo momento como eu nasci para ser mãe, e ser mãe da Manuela! Ela estava pronta, a nossa espera para vir a este mundo, no melhor momento, e em seu momento! O amor mais genuíno que alguém pode sentir.



Obrigada, minha filha, por me permitir essa experiência divina... através de você eu tive a oportunidade de renascer!



Não poderia deixar de agradecer a minha incrível rede de apoio, como sou privilegiada por isso! A começar pelo meu marido que engravidou junto, sempre cuidadoso, disposto a me cuidar, e ser o melhor pai e marido para mim e Manuela. A minha doula, amiga e irmã de alma Cariny que sempre me guiou e dividiu suas experiências da maternidade há 11 anos, sonhando e planejando comigo cada detalhe deste dia. A minha família que esteve presente em cada momento, vibrando com cada novidade, sonhando junto, me apoiando em cada decisão e com muito amor e dedicação transformando-se em tio, tias, primo, prima, avô, avó, padrinho e madrinha. As minhas amigas, por cuidarem de mim, por cada gesto de carinho e preocupação, por compartilharem suas vidas e suas experiências.

 
  

Ainda com nó na garganta por não poder dar esse presente aos meus pais, sei que eles estariam em êxtase junto com a gente, vibrando, chorando e amando ser avós, mas sei que em algum plano espiritual olham por nós, vocês serão sempre minha maior inspiração. Serei eternamente grata a vocês.





Mayara tem 29 anos, mora em Cacoal, onde trabalha como fisioterapeuta.
Proprietária do Estúdio de NeoPilates Mayara Tassi. Casada com Fabrício Klipel.






6 de abril de 2018

Relato de Parto da Mariana: Parto normal hospitalar com doula em Cacoal

Arquivo pessoal

A Mariana já nos brindou com um relato lindo contando o nascimento da primeira filha, Alice, aqui e nos emocionando com uma carta à filha sobre os desafios de amentar com relactação, aqui.

Em 2014, ela precisou viajar até Brasília para conseguir o tão sonhado parto. Agora, a história foi bem diferente, e vamos com ela, saber como foi!



Relato de Parto da Mariana, nascimento do Mateus:





O Mateus já veio pra mostrar que cada gravidez e parto é totalmente único... a começar pela gravidez prolongada, enquanto minha primogênita não chegou a 40 semanas, ele nasceu com 41+3 dias... e já vou falando que esperar depois que passa das 40 semanas é muito difícil, não só pra mim, mas pra toda família... ainda bem que meu marido e minha mãe me apoiaram nessa espera, mas a vovó no final começou a ficar preocupada - fez até promessa.

Eu estava acompanhando com um médico aqui em Cacoal, mas com antecedência ele me avisou que viajaria 2 de outubro e minha DPP era 4 de outubro. Fiquei perdida e resolvi acompanhar com uma médica de Ji-paraná. Bom, antes de completar 41 semanas a médica fez um procedimento chamado descolamento de membrana para induzir o trabalho de parto naturalmente ... cheguei à conclusão que não foi uma boa ideia para mim, pois passei a sentir pontadas no útero, tive pródomos, câimbras, comecei a perder tampão, tudo ficou desconfortavel e confuso depois disso, o que gerou mais ansiedade. Passei uns dias agradáveis em família em Ji-Paraná à espera de Mateus e como não nasceu e o médico voltou de viagem, voltei pra Cacoal.

Na sexta feira, um dia antes do Mateus nascer, eu me senti muito desanimada com a gestação prolongada... tive enxaqueca a noite, me dei conta de algumas situações emocionais que podiam estar atrapalhando meu trabalho de parto de engrenar, foi uma noite muito difícil, onde eu já não sabia se conseguiria trazer meu filho ao mundo como sonhei ... no sábado eu tinha um ultra-som agendado, e sábado, 14 de outubro, foi o dia que meu marido fez questão de me acompanhar, apoiar, mostrar que estava realmente entregue a esse momento ... fizemos e estava tudo bem no ultra-som, saí de lá leve, mais animada, liguei para o meu médico e ele disse que então podíamos esperar mais tempo tranquilamente ...

Em casa dei as boas notícias para todos e fomos almoçar... e lá começou a fase latente do meu parto, comecei a ter contrações suportáveis, e foi assim o dia todo, estava com medo de criar expectativas, mas achava que estava próximo. Por orientação de uma amiga, tomei um chá que é uma mistura de canela, Pimenta do reino, gengibre, chocolate em pó...para ajudar no trabalho de parto.

Falei com Fabiola, minha doula, ela me orientou a tomar um banho bem quente pois se fosse mesmo trabalho de parto iria engrenar... enrolei o dia todo e umas 19h fui para o banho quente. Daí pra frente as contrações começaram a tomar ritmo, ficaram intensas, por volta de 21:30h resolvi chamá-la para ir lá em casa.

A doula chegou, me sugeriu dar uma volta no quarteirão, agachar, água quente, mas nessa altura eu não queria nada disso... a dor estava muito intensa, fomos para o meu quarto e com luz baixa, ela fazia massagens a cada contração... minha casa estava cheia, meus irmãos, os avós, todos esperando Mateus, mas todos respeitaram meu momento e tive privacidade. Minha mãe foi lá no quarto e perguntou se já tínhamos falado com o médico, foi quando decidi ligar e a doula falou com ele. Ele já pediu para nós irmos para o hospital,...graças a Deus no caminho não tive contração, mas assim que chegamos na porta do hospital veio uma forte, fomos então para a sala do médico, para fazer o toque, e mais contração, foi um sufoco deitar na maca para o toque ... e para a minha surpresa: 8cm de dilatação!!! Eu sabia que estava em TP mas não imaginava que estava tão avançado pois as contrações apesar de MUITO dolorosas, não chegavam a durar 1 minuto.

Arquivo pessoal

Fomos para o quarto, eu, minha mãe, meu marido, a doula e o médico. Lá fui para o chuveiro quente, o que parece ter acelerado ainda mais o trabalho de parto. Fiquei apoiada na bola de pilates, com a água quente caindo nas minhas costas, enquanto minha mãe segurava a bola para dar estabilidade, a doula massageava minhas costas, disse a ela qual jeito me aliviava mais, ela me disse palavras de incentivo, pois estava sendo muito intenso e rápido, o que acredito ter tornado MUITO doloridas as contrações.

A pediatra chegou, e como já havia pedido pra doula, ela conversou com ela sobre não pingar o nitrato de prata, esperar o cordão pulsar, amamentar na primeira meia hora. E ela voltou me tranquilizando que estava tudo certo com a pediatra, que ela tinha aceitado.

O médico veio na porta do banheiro e perguntou como estava e disse que na hora que eu começasse a ter vontade de fazer força, sair do chuveiro. Logo eu comecei a sentir e quis sair, me embrulharam numa toalha,desligaram o ar, o médico fez um toque (mega incomodo) e já estava com 10 cm!

Ele me perguntou se queria ir para o centro cirúrgico ou ficar no quarto, optei ficar lá mesmo no quarto, e adorei a opção. Fiquei na cama apoiada na bola de pilates, tipo 4 apoios, mas a perna cansou e o médico tinha falado que se eu deitasse faria manobras pra proteção do períneo durante o expulsivo, mesmo com todas as informações sobre essa posição não ser favorável para ganhar bebe, achei confortável na hora e fiquei deitada, primeiro de lado com a perna apoiada e depois virei e fiquei deitada mesmo.

Arquivo pessoal

A doula começou a colocar travesseiros nas minhas costas pra ficar mais vertical, usei uma bolsa de água quente no pé da barriga pra aliviar as dores das contrações e meu marido foi parceirão e segurou minha mão e me abanou com um leque, pois eu sentia frio e calor. Achei demorado o expulsivo, e não me toquei na hora que pode ter sido exatamente a posição, pois não tinha a gravidade ajudando.

Arquivo pessoal

Depois de muita força, muita dor, quando meu bebe coroou, o médico ainda segurou a cabecinha para não sair de uma vez e preservar o períneo, mas eu pedi: “por favor, alguém me ajude!”. Aquilo não acabava nunca. Minha mãe disse: “coitadinha Dr”... depois que coroou, tinha uma circular de cordão, que tranquilamente o médico tirou e...

De mãos dadas com meu marido, com o carinho da minha mãe, apoio da minha doula, meu caçulinha chegou ao mundo e veio para os meus braços. Alguns segundos de tensão até soltar seu primeiro chorinho, meu presente divino veio me transformando mais uma vez, renasci como mãe do Mateus, mãe de dois, mãe de menino, mãe de segunda viagem.

Arquivo pessoal

Peguei meu pacotinho, disse “é a mamãe, filho”, ele me olhou nos olhos, nos conhecemos e reconhecemos ...o papai cortou o cordão: “agora é com você, filho”, amamentei na primeira meia hora, meu bezerro já sabia mamar, pega correta. Demorou ainda até que a placenta nascesse e eu levasse alguns pontos superficiais, enquanto o papai e a vovó o acompanhavam na pediatria, um meninão de 50cm e 3425kg, 14/10/2017, às 23:05h.

   
Arquivo pessoal


Arquivo pessoal

E eu sou só gratidão, minha família está mais completa, tudo correu perfeitamente como planejado, ele encheu minha vida de amor, fé, leveza. Obrigada

Deus, minha mãe Maria, minha mãe Laurinha maravilhosa e companheira de todos os momentos, meu marido que ficou ao meu lado de mãos dadas(como devemos seguir sempre), Fabíola pelo incentivo e conforto. Obrigada a minha família e a do marido que estava em peso à espera de Mateus. A todos os amigos que fizeram oração, vibraram e torceram por nós!!! Gratidão também aos médicos que me assistiram, por me respeitarem em minhas escolhas, pelo profissionalismo e competência!

Minha familia, projeto de Deus!

Obs.: como relatado antes, minha filha Alice nasceu em Brasília e toda minha experiência de empoderamento, meu e da família e busca por conhecimento, foi maior na sua gravidez. Como já estava mais segura e tranquila dessa vez, pois eu já tinha dado à luz uma vez, escolhi ficar na minha cidade e casa pra ganhar o Mateus. E como estamos no blog parto em Rondônia, posso afirmar seguramente para as gestantes empoderadas que buscam um parto natural, que minha experiência de nascimento do Mateus não deixou nada a desejar quando comparada a da Alice.

Arquivo pessoal

Já estamos contando com médicos super adeptos ao parto humanizado, tive um excelente pré natal tanto com a médica em Ji-Paraná quanto com o médico em Cacoal, e um parto incrível e super respeitoso aqui. Dessa vez a pediatra não pingou o nitrato, o que era um grande desejo meu e o médico me ofereceu parir ali no quarto, o que também me deixou muito feliz e satisfeita de não ter que deslocar para o centro cirúrgico com tanta dor e por considerar um ambiente mais aconchegante do que o centro cirúrgico.

Muito animada por ver a sementinha que nossa amiga Cariny, através da iniciativa desse blog e muitas outras iniciativas como a roda de gestantes absolutamente gratuita e rica em informações, e outras ações em prol da humanização do nascimento, dando frutos e hoje contamos com doulas super capacitadas no estado de Rondônia, como a Fabiola aqui em cacoal, médicos como esses que já citei aqui, que estão cada vez mais abertos, enfim! Orgulhosa por não precisar me descolar para ter mais uma vez essa vivência tão transformadora e especial!

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Obrigada, Mariana, você é INSPIRAÇÃO...

13 de dezembro de 2017

Relato de parto da Daniele: parto normal hospitalar em Porto Velho

 

História linda da Daniele que teve seu filho Gabriel de parto hospitalar com doula, em Porto Velho.
Desfrute!




Nunca fui daquelas que sonham com casamento ou maternidade, mas quando conhecemos uma pessoa especial há uma mudança nos conceitos sobre família. Mesmo sem muitas expectativas para o crescimento de nossa família, decidimos então não nos preocuparmos com métodos contraceptivos.

Já tinha feito inúmeros testes de farmácia, inclusive na primeira semana de dezembro de 2016. E no dia 07/12/2016 resolvi fazer um beta só para provar à uma amiga que eu não estava grávida. Ao abrir o exame fiquei em choque! O chão saiu debaixo dos meus pés e senti vários calafrios pelo corpo.

Estou grávida! E agora? Como contar ao marido que ele seria o pai do ano de 2017? Resolvi então comprar algo especial e simbólico para esse momento, comprei um body branco com a oração do Santo do Anjo, embalei para presente e fiz um cartão de boas-vindas do filhote para o papai.



Lágrimas de alegria transbordaram e nossa caminhada começou. Primeiro trimestre se passou, nada de enjoos, apenas o cansaço, normal numa gestação saudável. Sempre fiz atividade física e mantive minha rotina com o personal training Fabrício Souto e decidi complementar com pilates para gestante na Clínica Vitalle sob a supervisão das queridas Maysa e Gisele. E pensando em todos os benefícios que meu corpo teria, complementei com drenagem linfática realizada pela querida Rosa Márcia.

E assim segui com minha rotina de cuidados por toda a gestação. Segundo trimestre chegou e descobrimos o Gabriel: um anjo em nossas vidas! Igual como sonhamos num belo dia de missa ao ouvirmos o sermão sobre o Arcanjo Gabriel. Nos encantamos com seu significado e decidimos que esse filho seria recebido em nossas vidas da mesma forma: como o mensageiro de Deus, um homem de Deus, portador de notícias abençoadas e servo do senhor.

Nome escolhido, faltava decidir sobre o parto. Assistimos “O Renascimento do Parto” e foi suficiente para que eu ficasse em choque na frente da TV. Quanta violência obstétrica, quanto despreparo de muitos profissionais, então ficou claro o motivo de tantas experiências ruins de parto. Conversamos com o obstetra sobre a decisão do parto, esclarecemos muitas dúvidas e medos. Seguimos assim ao longo dos meses, buscando conhecimento, histórias e conversando muito sobre tudo que aprendíamos.

Após muitas histórias e muita leitura, tomei coragem e decidi enfrentar o parto normal. Considerei importante meu filho escolher o momento do seu nascimento e os benefícios do parto normal pra nós dois. Tive 100% de apoio do meu marido e tinha certeza que estaríamos juntos em todo o processo. E assim, seguimos para o último trimestre da gestação. Chegamos no 7º mês, confesso que pensei em desistir, pois ainda estava confusa e cheia de medos, mas o medo de uma cirurgia era muito maior.

Decidimos contratar o serviço de doula para me acompanhar e apoiar nessa caminhada, então chegamos até a Talita e Helena do Grupo Araripe. Meu maior medo era desistir e pedir uma cesárea nas primeiras contrações, no fundo eu não acreditava que era capaz. E na semana 37 percebemos como o tempo passou rápido, principalmente com a chegada dos falsos pródromos e com a saída do tampão mucoso. Nos vimos atrasados com os preparativos para a chegada do Gabriel e pensamos: precisamos agilizar!

Chegamos na semana 38 e eu não queria que ele nascesse ainda, meu obstetra estava viajando e eu fazia questão que o parto fosse com ele. Fiquei a semana inteira de repouso absoluto para garantir que chegaríamos na 39º semana. E finalmente a semana 39 chegou. Estávamos prontos para o encontro mais importante de nossas vidas. Eu tinha certeza que Gabriel nasceria naquela semana. Retornei paras as atividades físicas pensando que isso poderia ajudar no “início do trabalho de parto”. Saiu lua, entrou lua e Gabriel não deu sinais. A frustração chegou, pois eu já sabia que tinha um prazo para parir normal. Ao entrar na semana 40 comecei a ficar ansiosa, o médico já havia conversado conosco e informado que ele só poderia esperar até o início da semana 41. Comecei a pensar o que eu poderia fazer para ajudar, pois já estava convicta de desejava o parto normal.

Não queria cesárea desnecessária, considerando que eu e meu bebê estávamos em ótimo estado de saúde. Conforme os dias iam passando a decepção se instalou e comecei a pensar que não conseguiria. Intensifiquei as atividades físicas (sempre com orientação dos profissionais que me acompanharam) e nada do Gabriel. Comecei a considerar fazer a indução do parto, mas sem muito ânimo pois não tinha planejado ou desejado que fosse assim.

Descobri a indução natural do parto usando técnicas não farmacológicas (acupressão, alimentação, massagens relaxantes e etc) e segui todas as orientações das doulas e dicas recebidas de amigas. Nada ainda. E chegou o domingo, era dia dos pais e eu completava 40 semanas e 6 dias. O dia seguinte era o limite do prazo acordado com o médico. Já estava preparada psicologicamente para decidir entre a indução ou a cesárea.

Em homenagem ao “novo papai”, decidi fazer seu bolo preferido e às 10 horas da manhã, ao me abaixar para olhar o forno, eis que veio a surpresa. Ouvi um “ploc” e em seguida um líquido escorreu pelas minhas pernas: a bolsa estourou. Até que enfim, pensei. Já estava desacreditada que esse momento chegaria, depois de muito engano (por causa dos pródromos e perda do tampão) finalmente a hora chegou.

A família ficou eufórica, mas eu respirei, mantive minha calma e segui meu dia normalmente. Resolvi descansar após o almoço, já considerando que que eu poderia ter uma madrugada bem agitada. Dito e feito: a primeira contração chegou às 17h, leve e suportável. Às 19h resolvi fazer caminhadas no condomínio com a companhia do marido, bebendo muita água e me distraindo sempre que possível. Após 30 minutos de caminhada, a dor apertou e só consegui pensar num banho bem quente.

E assim seguimos ao longo da noite, entre contrações, massagens, técnica de respiração, risadas e amor, muito amor. Ora preferia ficar embaixo do chuveiro, ora abraçava o marido, ora deitava. As contrações estavam tão arrítmicas que não conseguia identificar o quão próximo estávamos de chegar nos 10 cm de dilatação. Às 23h fomos ao consultório do médico Rodrigo Carrapeiro para realização do toque, eu acreditava que estava na fase ativa do trabalho de parto, estava sentindo muita dor. Passei mal à caminho do consultório, vomitei várias vezes, tive calafrios e já tinha me convencido que o final estava próximo. E quando o médico falou que estava apenas com 2 cm de dilatação me desesperei. Pensei: não vou aguentar!




Pedi anestesia (mesmo sabendo que não ganharia) e então me descontrolei. Precisei de muita oração para recuperar o controle da situação. Cheguei no hospital por volta de 01:00 hora e fui direto para a sala de parto normal (meu médico já havia falado com o plantonista) na companhia do meu esposo e das minhas doulas. Só aí que pude ficar mais confortável, então sentei na bola de pilates embaixo do chuveiro e namorei a água quente escorrendo pelo meu corpo. Enquanto isso pedi que enchessem a banheira de hidromassagem e comecei a me concentrar no meu mundo.

Após alguns minutos de massagens, algumas conversas e exercícios para acelerar a dilatação, resolvi entrar na banheira. A água estava perto dos 40º e finalmente a dor se foi. Que alívio! Fiquei ali por horas, me concentrando nos sinais do meu corpo, na minha decisão e no meu filho. Não sei se a reclusão no meu mundo foi tão intensa que me fizeram não mais perceber as contrações ou se de fato a dor tinha ido embora. 

Às 4h da manhã senti a primeira vontade de “empurrar” que era incontrolável, resolvi então sair da banheira e me posicionar para iniciar o expulsivo. Fiquei de pé e apoiada no espaldar fazia força para a posição de cócoras em cada contração que chegava. Já não sentia mais nenhuma dor, apenas meu corpo trabalhando para expulsar Gabriel do meu ventre. Após muitas tentativas, passei por novo toque e descobrimos que Gabriel já estava na metade do caminho. Mais força, mais concentração e mais expectativas. Estava ficando cansada já. Depois de passada 1h do último toque, ainda usando a mesma posição, um novo toque foi feito e veio a surpresa: Gabriel continuava no mesmo lugar. Não tinha descido mais nada. Veio novamente o desespero!!! E agora? Fiquei preocupada com meu filho e comecei a pensar o que eu estaria fazendo errado. 

Concluí que precisava me concentrar e fazer acontecer, afinal de contas eu tinha decidido desta forma. Respirei fundo, me empoderei totalmente do meu corpo, da minha mente, relembrei tudo que havia aprendido ao longo das 41 semanas de gestação e mudei de posição. Decidi que Gabriel deveria nascer logo e escolhi a posição de 4 apoios na bola de pilates para fazer acontecer.

Em cada contração eu controlava a respiração e executava tudo aprendido na fisioterapia com a Camilla Patriota. Assim empurrei Gabriel pro mundo. Imagino que quatro contrações depois da minha decisão, senti meu filho coroar. Que euforia, que alegria. 

Me preparei, respirei fundo e na contração seguinte Gabriel nasceu!! Às 07:50h da manhã do dia 14 de agosto de 2017, com 52 cm e 3.955kg, piscando para o mundo. Que momento único!! Nosso nascimento foi inesquecível: minha versão materna e a chegada do meu bebê. Não tem preço que pague esse momento. Quanto orgulho e alívio meu marido sentiu. Finalmente conhecer nosso filho foi inexplicável.



E quando veio a calmaria pensei: Meu Deus, eu fui capaz de parir. Logo eu! Que orgulho de mim! Não tive lesões no períneo, não passei por nenhum procedimento desnecessário, fui tratada com muito carinho por todos os profissionais que me acompanharam em toda gestação e com toda certeza digo que faria novamente. 

Considero que tive o parto dos sonhos. Aprendi nessa jornada que um bom acompanhamento, com bons profissionais fazem sim diferença na evolução do trabalho de parto, mas se você não tiver determinação, conhecimentos da sua escolha e auto-controle, a chance de você desistir é imensa. Esse com certeza foi até hoje o momento mais feminino de toda minha vida, de uma intensidade que só quem sente é capaz de descrever. Às 9:00 h eu já estava no apartamento com Gabriel em meus braços, vivenciando o amor incondicional que é a maternidade.













 
Daniele é dentista, mãe de primeira viagem do Gabriel, apaixonada por animais e casada com Theo há 5 anos. Gabriel é fruto de uma história de amor que já dura 11 anos e veio para completar nossas vidas.

9 de dezembro de 2017

Relato de parto da Mádala: parto normal hospitalar em Ji-Paraná



Faz 6 anos que pari meu último filho e tem 3 que não amamento mais. Este distanciamento de eventos femininos tão viscerais (parir, amamentar...) me faz, muitas vezes, se afastar de minha essência, já que poucas experiências são tão impactantes para nós mulheres quanto estas. Mas eu consigo trazer à tona todas essas emoções genuínas sempre que recebo presentes como este, no email partoemrondonia@gmail.com. 

O relato de parto da Mádala que trago aqui hoje me lembrou muito o relato do parto normal do meu segundo filho, que está aqui, por conta da gratidão imensa que ela deixou transbordar nas palavras... Agradecer a experiência do parto ao filho que chegou é de uma conexão tão profunda, explicada pela Ciência do Início da Vida, que chega sufoca de emoção! 

Curta esta história linda, recheada de amor e fotos!





Pois bem! Tudo começou em fevereiro de 2016, quando eu e meu então namorido Alex, descobrimos estar grávidos. Eu havia parado de tomar o anticoncepcional por quatro meses, em razão de um nódulo no seio, benigno, mas que me fez pensar em parar com o uso desse hormônio. Contudo, passados esses meses, comecei a ficar com medo de acontecer uma gravidez indesejada , e voltei a tomar o medicamento. O que eu não me atentei, foi para aquele prazo de 30 dias informado na bula dos anticoncepcionais, uma vez que já tomava há mais de cinco anos, pensei que desde o primeiro dia que tomasse a pílula já estaria prevenida. Ledo engano! Rsrs!

E aí, SURPRESA, dores nos seios, menstruação atrasada, teste de farmácia, estamos GRÁVIDOS! Foi um super susto, ainda não éramos casados, a data do casório estava marcada para maio, e além disso, meu emprego era um cargo de confiança, sem qualquer estabilidade. Chorei litros, mas depois foi só alegria, meus pais vibraram, vovó Raimunda (mãe do namorido) ficou radiante...

Primeira ultrassom, com apenas seis semanas, tudo ok! Segunda ultrassom, com 11 semanas, tivemos a triste notícia de que nosso já tão amado bebê não apresentava batimentos cardíacos. Era um aborto retido. Choramos muito. Tive que passar por uma curetagem, processo extremamente doloroso, meu coração ficou em pedaços. E então eu vi nascer em mim um desejo enorme de ser mãe. Perder aquele pequenino ser, me fez enxergar a vida de outra forma.

Eu e namorido nos casamos em maio de 2016, e nos programamos de engravidar novamente logo que eu fosse convocada para assumir o cargo de um concurso que eu havia sido aprovada. Tomei posse em setembro de 2016, e logo em seguida começamos a tentar.

Em meio a esses meses, estávamos passando pelo momento mais difícil de nossas vidas. Minha amada sogra estava lutando contra um câncer severo e raro, descoberto em junho. A perdemos no final de outubro do mesmo ano.

E assim, em meio a toda tristeza pela perda de uma pessoa tão amada, Deus nos presenteou com o sonhado positivo. Após a morte, Ele nos deu VIDA, maior motivo para seguirmos em frente.

Primeira ultrassom tudo ok. Segunda ultrassom, com 13 semanas, aquele medo enorme de acontecer um aborto retido novamente, mas fomos agraciados por fortes batimentos cardíacos. Foi quando descobrimos que teríamos um meninão, nosso Eduardo, carinhosamente apelidado de Dudu.

A partir disso comecei a pensar em que tipo de parto eu teria. Influenciada pelo estilo de alimentação que eu estava seguindo há alguns meses, baseada em menos industrializados e mais comida de verdade, decidi que não haveria melhor escolha para a minha saúde e do Dudu do que o parto natural.

Então passei a me empoderar! Comecei assistindo ao documentário ORenascimento do parto. Fiquei encantada e ainda mais consciente da minha escolha. Por meio desse filme conheci o trabalho da Dra. Melania e passei a acessar seu blog "Estuda Melania, Estuda", por meio do qual ela disponibiliza informações a respeito do parto, todas baseadas em evidências científicas. Foi quando tomei conhecimento de que, principalmente por interesses econômicos, a maioria esmagadora de nossos médicos são cesaristas, razão pela qual são realizadas muitas cesáreas desnecessárias (desnecesáreas) em nosso país.

Me empoderei e fiz o mesmo com o maridão e meus pais, que me apoiaram incondicionalmente.
Alegria enorme foi descobrir que minha ginecologista, a competentíssima Dra. Adélia F. Pompeu, na contramão dos demais profissionais da área, é a favor do parto natural humanizado, tendo, inclusive, uma sala própria para isso no hospital HCR Maternidade, em Ji-Paraná. Nunca me esqueço dela me dizendo, em uma das inúmeras consultas de pré-natal, que: "O parto está na cabeça da mulher".


Outras influências para essa decisão foram: minha mãezinha, que apesar de ter tido cesáreas (assistida por médico cesarista, infelizmente não poderia ter sido diferente), esperou pelo momento que eu e meu irmão quisemos nascer. Minha sogra, que teve os quatro filhos de parto normal.

Minha cunhada Yasmine, que também passou por essa experiência, quando nasceu nosso amado sobrinho Isaac. Minhas avós materna e paterna, que tiveram 14 e 9 filhos, respectivamente, de parto natural. Uma colega de trabalho, Mileide, cujos relatos de parto eu li, e me influenciaram muito. Minha fisioterapeuta e amiga Keila, que também optou pelo parto normal no nascimento das suas princesas. E às inúmeras mamães que redigiram os vários e vários relatos de parto que eu li e reli.

Por volta das 30 semanas de gestação, em razão de uma conversa em família, percebi que apesar de me apoiarem, maridão e meus pais não estariam preparados emocionalmente para o dia do parto, e talvez sucumbissem a uma cesárea se me vissem sofrendo. Foi quando decidi que precisava de uma Doula. Pesquisei na internet, e encontrei o nome da Layne, no site Parto em Rondonia . Entrei em contato e marcamos um encontro. Conversamos bastante, e eu e minha família gostamos muito da Layne, e então fechamos nosso contrato verbal de que ela estaria conosco nos apoiando no dia do parto.



Tive uma gestação muito tranquila. Durante o terceiro trimestre passei a ter varias contrações de treinamento (Braxton Hicks) que me assustavam muito, em razão de ser marinheira de primeira viagem, rsrs, o que fez com que me adiantasse um pouco e tirasse a licença maternidade com 38 semanas de gestação, uma vez que moro em São Francisco do Guaporé, e não queria ter Dudu por aqui, em razão da política do único hospital da cidade, onde não é permitida a entrada de acompanhante com as mulheres que estão parindo, são obrigadas a parir deitadas, e são realizados vários procedimentos desnecessários, como a episiotomia.

Então, com 38 semanas de gestação fui para Ji-Paraná, aguardar na casa dos meus pais a hora do Dudu querer nascer. A ansiedade era meu segundo nome. Então passei a fazer várias coisas que poderiam ajudar a induzir o parto de forma natural. Passei a fazer acupuntura com a Fisio e amiga da família, Juliana Oliveira. Pulava e pulava na bola de pilates. Comidas picantes, chás de canela. E nada do Dudu querer nascer. Rsrs! Poucos sinais, algumas colicazinhas que passavam rapidamente ao tomar um banho morno.

Com 39 semanas ganhei uma despedida de barriga da querida Doula Layne. Que momento maravilhoso proporcionado por ela. Ganhei uma coroa de flores feita por ela, massagem nos pés e na lombar. Rsrs! Me senti uma rainha. Maridão e meus pais participaram desse momento também.



Por fim chegou a data prevista de parto, eu me convenci que Dudu só viria depois das 42 semanas, o que fez com que ficasse menos agoniada. Me concentrei em fazer o plano de parto, onde constei tudo o que gostaria e não gostaria que fosse realizado no momento do parto e após o parto.

Já que Dudu aparentava não nascer tão cedo, meu marido, acompanhado do meu pai, retornou para São Francisco do Guaporé, a fim de olhar nossa casa e dar uma atenção para nossos cachorrinhos.

Ficamos eu e minha mãe em casa. No sábado (05/08) fomos à igreja, depois saímos para jantar com um casal de amigos da família. Tomei um pote enorme de sorvete e passei a madrugada inteira sem dormir, empanzinada, rsrsrs! Minha barriga estava enorme, se eu comesse uma ervilha a impressão é que tinha comido um boi inteiro. Rsrs!

No dia seguinte, 06/08, quando já estava com 40 semanas e 04 dias de gestação, levantei às 06 da manhã para ir ao banheiro urinar e, SURPRESA, ao me limpar percebi que saiu um pouco do tampão mucoso. Na hora fiquei super, hiper, mega, power feliz! Kkkk! Mas, logo em seguida, lembrei de alguns relatos de parto que havia lido, em que as gestantes perderam o tampão mucoso uma a duas semanas antes do parto. Resolvi me aquietar e não alardear nada para a família.

Voltei a deitar. Poucos minutos depois, comecei a sentir uma levíssima cólica, que vinha da lombar para o baixo ventre, eram as famosas contrações. Continuei quietinha, deitada. Pensando assim: Não é hoje, Mádala! Pára de ansiedade!

Quando deu umas 08 horas da manhã, percebi que as cólicas estavam ficando mais intensas, e aí comecei a cronometrar. Elas vinham a cada 15/20 minutos.

Fui para o chuveiro, fiquei debaixo da água morna caindo, e BINGO, as contrações não passaram. “Huum! Acho que realmente estou em trabalho de parto!” Rsrs!

Então me lembrei que havia lido que estimular os mamilos induz o parto naturalmente, uma vez que libera ocitocina. Peguei um gel lubrificante que havia comprado pra fazer massagem perineal, e comecei a passar nos mamilos. E não é que depois de uns cinco minutos as contrações ficaram mais intensas?! Sim! Nesse momento tive certeza, eu estava em trabalho de parto.

Liguei para o maridão super empolgada. Ele disse que já estava retornando com meu pai. Chegariam para o almoço. Em seguida, liguei para a Doula Layne, que prontamente me atendeu, e se dirigiu para a casa dos meus pais, onde eu estava.

Nisso minha mãe já estava super preocupada e querendo me levar ao hospital. Rsrs!

Por volta das 10h da manhã as contrações já estavam mais ritmadas e vindo a cada dez minutos, aproximadamente. A cada ida ao banheiro, saia mais um pouco do tampão mucoso. A única posição que me ajudava era de joelhos em cima de um colchonete apoiando os braços e tronco num banquinho à minha frente. A cada contração a Layne massageava minha lombar e fazia uma compressa morna com bolsa térmica, que me ajudavam muito.

Enquanto isso, minha mãe se controlava para me passar tranqüilidade, e se ocupava fazendo o almoço.

Ligamos para a minha ginecologista, Dra. Adélia, que me orientou ficar em casa mais um tempo, e só me dirigir ao hospital quando as contrações estivessem de 01 em 01 minuto, aproximadamente.

Liguei novamente para o maridão que ainda estava na estrada, tranqüilo e calmo, pensando ser um alarme falso. Kkkk!

Pai e marido chegaram por volta de meio dia, quando eu já estava urrando de dor. Sim, eu fui uma parturiente ESCANDALOSA! Sempre achei que sentiria as dores como uma lady, mas GRITEI feito uma condenada. Kkkkk!

Maridão ficou super preocupado e achou que devíamos seguir para o hospital. Eu concordei, pois a dor estava muito intensa. Entrei no carro do jeito que estava em casa. Por falar nisso, que terror é estar em trabalho de parto dentro de um carro. Foram 15 minutos de casa até o hospital, mas pareceu uma hora.



Enquanto isso meus pais se organizavam com as coisas que precisávamos levar para o hospital, minha mala, a mala do bebê, etc. E o almoço da minha mãe virou uma janta. Rsrs! Naquele domingo nenhum de nós almoçou.

Chegamos no hospital por volta de 12h45min. O médico plantonista fez o toque. OITO centímetros de dilatação! Estávamos quase lá!

A dor era realmente intensa, já não havia mais posição que aliviasse. Eu abraçava a Layne e urrava a cada contração. Coitados dos ouvidos da Layne. Rsrs!

Era um misto de sentimentos. DOR, ALEGRIA por já estar com quase toda dilatação necessária, MEDO de não aguentar a fase do expulsivo.

No elevador, subindo para a sala de parto, comecei a chorar e a murmurar. Pedia à Deus mais força, e que me guiasse para a aquilo que o meu corpo é naturalmente pronto. Lembrei das minhas antepassadas e todas aquelas que foram minhas inspirações para chegar até ali...

Chegando na sala de parto, as enfermeiras encheram a banheira, onde fiquei por cerca de uma hora. Maridão ficou na banheira comigo, segurava minhas mãos, massageava minhas costas, o companheirão que sempre foi.



Dra. Adélia chegou por volta das 13h30min. Fez o toque, DEZ centímetros de dilatação. Já estava na fase do expulsivo, eu sentia vontade de fazer força. A bolsa ainda não tinha estourado. Auscultaram o coração do nosso Dudu, tudo ótimo. Layne quis que eu bebesse um suco de laranja, dei um gole, mas nada descia, nem água.

Chegou um momento que não estava mais me sentindo bem na banheira, eu não encontrava uma posição confortável. E água morna estava fazendo com que as contrações diminuíssem. Sai da banheira. Foi quando não tinha mais posição confortável mesmo. A menos pior foi num banquinho próprio para parir. Ele parece um vaso e nas laterais tem alças para segurar enquanto se faz força.

Dra. Adélia fez mais um toque e disse: ele está quase aqui!

Enquanto isso, em meio à dor e meus gritos, eu ouvia tocar minha seleção de músicas para o parto. “Bem vindo meu novo ser, cercado de proteção, de tanto amor, tanta paz, dentro do meu coração. É como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar...”.


A sensação era de que minhas costas estavam abrindo, especialmente a lombar. Eu estava cansada e fazendo a força de forma errada. A Layne e as enfermeiras me orientavam para fazer força de cocô, falavam que eu estava fazendo a força com o pescoço. A bolsa ainda não havia estourado. Eu ouvia a minha volta que o bebê poderia nascer empelicado. Também ouvi meu pai dizer que a bolsa era de couro, rsrs, não consegui rir disso na hora. Rsrs.

Maridão, pai e mãe se revezavam atrás de mim, dando apoio para as costas. Layne o tempo todo ao lado segurando minha mão esquerda.



Chegou um momento que achei que não conseguiria mais. Minhas pernas tremiam, e se me oferecessem uma cesárea eu aceitaria sem pensar duas vezes. Rsrs! Com certeza eu já estava na famosa partolândia, não tinha mais consciência de quem estava atrás de mim dando apoio nas costas, e já não ouvia mais nada ao meu redor. Foi quando vi Dra. Adélia forrando um pano verde no chão, de frente a mim, e o pediatra, Dr. Freddy, sentando num banquinho ao lado. Dra. Adélia disse: FORÇA! Ele está aqui. Fiz mais três forças, senti o círculo de fogo, ele coroou ainda dentro da bolsa, e às 15h27min, do dia 06/08/2017, recebi Dudu nos braços, com 52 cm e 3,710kg.



"MEU FILHO", eu gritei!

Esperaram parar de bater o cordão umbilical e, ainda no meu colo, minha mãe o cortou. Rapidamente o pesaram e mediram. Apgar DEZ/DEZ. Enquanto isso, senti vontade de fazer mais uma forcinha, e pari a placenta. Senti amor por aquele órgão, afinal foi ele que alimentou meu bebê durante toda a gestação.



Levantei extremamente trêmula e fraca, e fui para uma maca, onde a Dra. Adélia deu uns pontinhos na pequena laceração que tive. Layne ao meu lado, ainda segurando minha mão.

Logo me entregaram Dudu no colo novamente, onde ele iniciou uma mamada despretenciosa, meio sem jeito, mas muito importante. Seguimos para um quarto, onde ficamos durante 48 horas sob observação, somente em razão das regras do hospital.



Eu estava cansada, mas falava feito uma maritaca, kkkk, e fiz questão de dar a notícia para todos os familiares com vários telefonemas. Dudu nasceu!!! Dudu nasceu!!! Parto natural!!!

Seria hipocrisia dizer que parir sem anestesia não dói. Mas dar à luz um filho de forma natural, fisiológica, sem qualquer intervenção, é uma força tão transformadora que equivale a nascer de novo. Parir é divino. É sagrado!

Para parir é preciso ter fé. Fé em Deus, em nós mesmas, na natureza, no nosso corpo, no próprio bebê (porque ele sabe nascer) e no que acreditamos.

GRATIDÃO!

À Deus, que nos permitiu conceber o Eduardo, nos guiando no caminho de um parto natural e saudável.

Ao Dudu, meu filho amado, que nasceu no tempo dele, e me fez renascer.

Ao maridão, que me apoiou nessa decisão e se empoderou comigo. Te amo ainda mais por ter aceito participar desse momento tão sagrado de nossas vidas.

Aos meus pais, minhas bases, por sempre me apoiarem incondicionalmente. Amo vocês de uma forma imensurável.

À Doula Layne, pelo profissionalismo, força e amabilidade transmitidos, antes, durante e após o parto.

À Dra. Adélia, por ser uma profissional competentíssima, e por proporcionar às mamães que acompanha a oportunidade de terem seus filhos da forma mais natural possível.

Ao Dr. Freddy, pediatra que estava de plantão no dia do nascimento do Dudu, o qual foi muito atencioso, respeitando os termos do meu plano de parto.

Às enfermeiras presentes durante o trabalho de parto.

Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente influenciaram para que eu vivesse esse momento divino, espetacular e SURREAL na vida de uma mulher.









Mádala Vieira tem 29 anos e é servidora pública do Tribunal de Justiça de Rondônia. E esse é o Dudu! Contato: madalavieira@hotmail.com

4 de novembro de 2017

Relato de parto da Daieny: parto normal hospitalar em Porto Velho com doula



Eu sou a Daieny Bisinella e sempre tive um grande desejo de ser mãe, desde a infância. Quero ser a melhor mãe possível e isso inclui o parto também. Meu relato é grande! Mas a empreitada também foi... e tudo valeu a pena! ❤️❤️

Quando descobri que estava grávida fiquei atônita. Não acreditei que havia chegado o momento que sempre esperei, o momento tão sonhado. Sabia que dali pra frente começaria a grande aventura de ser mãe.

Passado o primeiro impacto, fui à obstetra para dar início ao pré-natal. Desde essa primeira consulta, meu marido, Bruno, sempre esteve junto. Na segunda consulta, comecei o assunto sobre meu desejo de ter parto normal, pois na minha cabeça sempre foi natural a ideia de que meu(s) parto(s) seria(m) normal(is).

Bom, prontamente a GO que me acompanhava disse que realizava sim e era super a favor, mas seria normal SE eu estivesse bem até lá e que eu não fizesse terror de cesárea, porque hoje em dia ela era ótima, TÃO boa quanto o normal, ela mesma teve cesárea e voltou a trabalhar após 7 dias!!!!! E isso, na opinião dela, era maravilhoso. Saí de lá com o alerta laranja ligado!

Depois disso, as próximas consultas, foram, no mínimo, negligentes, ao ponto de eu ter ficado sem consulta do quarto mês e recorrer à maternidade municipal para não ficar sem o acompanhamento adequado. Nesse período, eu já havia me informado melhor sobre gestação e parto.


No começo, as pessoas me perguntavam se realmente eu tinha coragem para me submeter a um parto normal, e o comentário clichê se repetia abundantemente: "Nossa! Como você é corajosa!". Confesso que esses pouco me abalavam, porque eu tinha muito mais medo de uma cirurgia do que da dor que todos falavam do parto normal.

Mas comecei alucinadamente a me informar e ler e pesquisar sobre parto. Uma grande amiga serviu de inspiração, pois além de me incentivar, me dar dicas sobre a importância do empoderamento da mulher, teve um parto normal humanizado após uma cesárea. Então busquei! O começo foi assistir os documentários "O Renascimento do Parto" e "Violência Obstétrica".


O primeiro me mostrou como um parto poderia ser lindo e o segundo o como poderia ser horrível. Meu marido assistiu comigo os dois, sempre achei que deveria envolvê-lo, pois com ele ao meu lado tudo seria mais fácil e, afinal, foi pra isso que nos casamos, para ficarmos unidos, principalmente nos grandes momentos.

Participamos de rodas de conversa e orientação sobre parto, conhecemos e conversamos com doulas e descobrimos o parto domiciliar, o qual criou raízes no meu coração, pois enxerguei nele a forma mais adequada de uma mulher parir e a maneira de fugir dos profissionais desumanizados do sistema.

Foi aí que decidi mudar de GO. O meu marido mesmo falava que a que eu estava ia me induzir a uma "desnecesárea". Então fomos para o segundo GO, o qual era referência em parto normal na cidade, mas confesso que, desde a primeira consulta, coisas me deram sinais de que ele não era tudo isso que falavam, mas era o que conhecia de melhor.

Comecei nessa época, por volta de 27 semanas, a fazer fisioterapia obstétrica, com a Camila Patriota Ferreira: uma maravilha! Foi de várias maneiras importante para a construção do meu empoderamento.

O tempo passava e eu me informava e aprendia cada vez mais e aumentava a minha confiança em mim mesma. Foi quando, com cerca de 32 semanas, veio a notícia de que eu não poderia parir em casa, pois, por motivos alheios a minha gestação, a empresa que realiza o parto em casa não poderia me atender. No começo tive medo. Sabia o que acontecia a muitas mulheres nos hospitais. Mas então aceitei essa mudança como parte da história da minha gestação e do meu processo de nascer como mãe, e passei a tomar as providências que eu podia para assegurar que minha filha viesse ao mundo da melhor maneira.

No sétimo mês de gestação mudei novamente de GO, por indicação. Foi ótimo, me senti mais segura. Por fim, resolvi procurar também um pediatra que fosse humanizado para acompanhar o parto.
Do oitavo mês em diante, eu já estava me sentindo completamente confiante com relação a parir. Sabia, no meu íntimo, que pariria minha filha em qualquer lugar e com qualquer profissional que fosse acompanhando. Eu tinha o poder de parir e isso não dependia de mais ninguém. Eu gostaria que tudo fosse o mais harmônico e suave possível, mas eu tinha plena convicção da minha capacidade, entendi, então, o que era o famoso "empoderamento da mulher".

Com 38 semanas e tudo ótimo, sabia que dali em diante qualquer hora poderia ser a hora, porém sempre me esforcei para controlar a ansiedade. E chegou a DPP, 24/06 e nada. Fiquei com receio, mas ainda restavam duas semanas para esperar. Quando cheguei a 41 semanas, meu receio aumentou ainda mais, pois não queria me submeter a uma cirurgia, além de ter muita vontade de viver a experiência de parir e sentir trazer minha filha ao mundo. Entretanto, também me esforçava para me preparar psicologicamente para uma possível real indicação de cesárea ou indução.

Eis que após duas semanas de pródromos, muitos alarmes falsos e muita expectativa, às 2hs da madrugada do dia 03/07/17, começo a sentir contrações. Esperei pra ver se elas cederiam e após algum tempo avisei as doulas. Eu duvidava, mas a Talita Silveira Santana, doula, parece que sentiu que a hora havia chegado, e mesmo eu dizendo pra aguardar para termos certeza, ela se pôs a caminho da minha casa e quando eu avisei que achava que ela deveria vir mesmo, ela já estava na minha porta.

Na primeira hora de contrações eu ainda duvidava de que fosse trabalho de parto, tinha receio de que elas passassem. Mas quando percebi que era de verdade, me alegrei e senti muita gratidão, tinha muita confiança que dali em diante tudo daria certo. O Bruno logo colocou as malas no carro e deixou tudo certo para nossa saída para o hospital e depois de algum tempo foi dormir para poder ficar bem durante o dia.

Foi a madrugada mais maravilhosa da minha vida, tudo muito natural, tranquilo. Passei quase todo o tempo sentada na bola, fazendo os movimentos para relaxar entre uma contratação e outra e os exercícios pra TP que aprendi na fisioterapia. A Talita esquentava uma bolsa de sementes e fazia compressas na minha lombar e pelve, e durante cada contração eu vocalizava e relaxava meu corpo, para que ele pudesse trazer minha filha a esse mundo. Conscientemente eu vivia cada contração com amor e alegria desse trabalho de parto tão desejado. Por volta de 5:30h resolvi comer algo, pois queria ficar preparada para um possível TP demorado, então pensei que seria melhor manter minhas energias carregadas.

Por volta de 6:30h o Bruno acordou. Eu estava na sala, apoiada no sofá, tirando cochilos entre uma contração e outra, por conselho da Talita (e eu cochilei mesmo!) Esperai até 7h para ligar e avisar a família que a Maria Clara estava a caminho. Depois disso, após a insistência da Talita, fui para o chuveiro quente com a bola (eu enxergava na água quente a minha maior cartada contra as dores das contrações, e como sentia pouca dor, resistia a ir para o chuveiro pois achava que ainda ia piorar muito. Mas a Talita conseguiu me convencer quando me lembrou que a água quente apressava a dilatação).

Daí em diante, logo entrei na partolândia e foi lindo. O Bruno veio ficar comigo, Talita apagou a luz, colocou um aromatizador, acendeu uma vela e nos deixou a sós. Conversávamos como dois amigos, dois namorados, e foi nosso último momento de casal antes da nossa filha. A minha impressão é de que já havia se passado muito tempo, as contrações começaram a ficar mais intensas e mais próximas.

Avisamos o GO, que disse que em breve iria a nossa casa para me avaliar. Porém, depois de pouco tempo, a Talita avisou que não havia mais tempo pra esperar, já que as contrações estavam muito próximas e que deveríamos ir até o GO logo. Eu resisti a sair do chuveiro. Estava imersa naquele momento, mas cedi e avisei, enquanto me vestia, que se eles não queriam que ela nascesse em casa, eles deveriam se apressar. Senti que minha filha estava chegando.

Entramos no carro e fomos para o hospital, vocalizei em cada contração e me agarrava ao ombro do Bruno, ele era tudo que eu queria, tudo que eu procurava naquela hora. Quando chegamos, da entrada até o consultório do GO tive duas contrações na recepção e já estava sangrando. Após a avaliação, o GO informa que eu estou com dilatação total e que, de agora em diante, deveria mudar meu padrão de respiração para fazer força.

Lembrei da fisioterapia e de como fazer a força no expulsivo. Cheguei no quarto e assim que vi a escadinha de subir na maca, instintivamente me agarrei a ela e fiquei em 4 apoios, ninguém me tirava mais dali. Bruno correu no carro para buscar a bola e o tapete de EVA, o qual foi colocado sob meus joelhos. Mandei que apagassem a luz. Daí em diante eu não vi mais nada, só Bruno do meu lado esquerdo, cuja mão eu segurei quase o tempo todo, e a Talita, que estava do outro lado e me encorajava quando eu pedia e socorro.

Após algumas contrações senti que precisava mudar de posição para que minha filha pudesse sair, então estiquei a parte de baixo das pernas e na próxima contração senti o círculo de fogo, logo após o que a cabeça da Maria Clara saiu, juntamente com um braço, na mesma posição que sempre esteve durante a gestação.

A contração passou... eu respirei... esperei... e logo veio mais uma contração e com a pouca força que eu fiz, ela nasceu! Chorou imediatamente, um choro lindo. Bruno a pegou, eu me sentei e encostei na parede e pedi minha filha. Ela veio pro meu colo, olhei-a sem acreditar. Choramos juntos, eu e Bruno, sem palavras pra expressar.



Tudo foi ótimo. Nem ela, nem eu, passamos por qualquer procedimento desnecessário: não houve corte prematuro do cordão umbilical, não foi aplicado nitrato de prata, não houve episiotomia e, ao final de tudo, períneo íntegro. Em todos os momentos ela ficou comigo ou com o pai, onde deveria ficar.

Nisso, minha noção de tempo estava completamente alterada mas, descobri depois, que chegamos ao hospital às 9:15h e a Maria Clara nasceu às 10:10h. Tudo foi muito rápido. Todos os profissionais que estiveram envolvidos foram muito respeitosos e humanizados. Me senti absolutamente dona do meu corpo e feliz por conseguir que minha filha chegasse a esse mundo com amor e respeito, no tempo dela, do jeito dela. Agradeço a Deus por essa oportunidade, ao meu marido e companheiro, Bruno, ao nosso obstetra, ao nosso pediatra e à doula querida, Talita.

Amei meu parto e foi a coisa mais forte e mais intensa que eu já vivi em minha vida, trouxe um amor que eu só imaginava que existisse.




7 de agosto de 2017

Relato de parto da Izabela: Nascimento de Clarice: Parto domiciliar assistido, em Porto Velho




Nasceu a Luminosa!

Clarice significa a que é brilhante, a que produz luz! Assim, na calada da noite e na virada da lua, chegou essa menina intensa. Escolheu uma parteira para mãe e não poderia ter acertado mais!

Izabela é parteira e intensa... igual sua menina Clarice.

Em 2013, veio de Porto Velho para Cacoal só para assistir a estreia no cinema do filme O Renascimento do Parto. Saiu aos prantos, me emocionando, dizendo perceber tão nitidamente, a razão pela qual havia nascido.

Se é pra marchar, Izabela marcha! Se é pra instruir, Izabela instrui e realiza! Que frutos poderiam colher aquela que luta por nascimento respeitoso e digno, por parto baseado em evidências científicas... que luta por ser exatamente aquilo que prega e defende?

Acredito que ninguém esperava mais a concretização deste relato, do que eu, Cariny! Isto porque, há pouco mais de 5 anos, não havia relatos de partos na internet do nosso Estado! Hoje, temos Doulas, temos relatos, temos Grupos de apoio, temos histórias felizes de escolhas seguras espalhadas por toda Rondônia!

Podemos agora ver, e nos emocionar, viajando nas histórias dos partos desta enfermeira obstetra que precisou vencer muitos medos... navegou nos mares da ambivalência entre a visão profissional e técnica e sua essência, seus instintos de mulher, de mãe. Que bom que ela abriu seu coração, deixou-nos entrar em sua intimidade e nos mostrou um mar de amor e fé...

O resultado está todo aqui. Desfrutem.






Desde que comecei a acompanhar partos sonhei como seriam os meus, porém nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria viver as duas melhores experiências de transformação e amor.

Me arrepio só de lembrar!


Nascimento do Valentin

Meu primeiro filho veio cheio de desafios, fruto de uma gravidez mais que planejada, tranquila e sem intercorrências ❤

Nasceu num parto domiciliar, assistido pela Equipe Hannami de Cuiabá (Enfermeiras Bruna e Damaris, Doula Amanda), na casa da minha amiga Elis Freitas (Fotógrafa e Doula).

Não poderia ter dado mais certo ❤!

Assim vivi junto ao meu marido Helton, a nossa primeira experiência de nascimento do nosso primogênito Valentin.



Vídeo aqui!


Nascimento da Clarice

Desde o nascimento do Valentin, já tínhamos em mente que o nosso segundo filho nasceria em nossa casa, planejamos e enfim, em 2017, começamos o ano de casa nova. No dia 23 de outubro de 2016 descobrimos que estávamos grávidos novamente. Conversei com Elis e disse que ela não poderia faltar nesse momento em nossas vidas.



Clarice desde cedo, com 34 semanas aproximadamente, já demonstrava que chegaria rapidamente, eu sentia... a forma com que ela se encaixava no meu corpo era diferente, era forte, intensa. Me fez desacelerar meu ritmo, me tirou do controle, ainda na gestação. Mesmo sendo tranquilizada e acalmada pelo meu médico, que sempre apoiou a minha decisão e soube das minhas escolhas de parir, eu me sentia insegura.

Quando uma parturiente e uma parteira estão no mesmo corpo, há um sensação estranha de poder enxergar tudo de fora para dentro, como um mergulho dentro do próprio corpo, precisei me despir dos medos da prematuridade, do controle para parir.



Com o meu chá de bênçãos que minhas doulas Helena e Talita organizaram, consegui me entregar, dividir com mulheres que também acreditavam no meu corpo e na minha historia, foi uma conexão incrível.



Tudo pronto, Julho chegou! Elis chegou! Sandra e Nayra, minhas parteiras, deixaram tudo prontinho... minha casa estava toda arrumada para a chegada de Clarice ❤

No dia 9 de julho, fui a um evento de uma amiga junto com meu filho e, por volta das 17 horas comecei a sentir umas cólicas leves que eu não sabia nem descrever ... sim eu não soube descrever kkkkkkk. Às 19 horas, quando eu estava saindo do evento, ainda com aquelas cólicas, sem rumo, sem descrição. Ali eu senti, que estava próxima a chegada da Clarice.

Liguei para o meu marido, avisei que estava sentindo umas cólicas, porém aquilo não seria motivo de alardes, poderiam durar semanas, horas, tudo poderia acontecer.

A Lua estava linda, sim era uma virada de lua ❤

Meu marido veio de um plantão de 36 horas exausto. Ao chegar em casa, comecei a organizar as coisas para que tudo ficasse lindo para o tão esperado dia. As cólicas, ainda irregulares e leves, começaram a dar sinais de incomodo por volta de 23 horas, quando pedi ao meu marido que fosse descansar, que naquela noite poderia ser que Clarice chegasse!

Avisei a minha parteira Sandra e minha Doula Helena sem alardes, sem sustos, porque eu realmente me sentia bem e estava tranquila, fiz minhas orações.

Às 23:30 comecei a sentir umas coisas estranhas e avisei Helena. Pedi que viesses ficar comigo em casa... eu não sabia descrever o que estava sentindo! Sem perda de tampão, sem contrações, apenas cólicas mais intensas. Helena chegou por volta de meia noite, as dores começaram a intensificar, apertarem de verdade, nada servia mais, nem bola, nem massagem, apenas o chuveiro de água quente aliviava a minha dor. Helena chamou meu marido para que preparasse a banheira, ligou para Sandra e para Elis. Tudo aconteceu dali muito rápido.



Agora sim eu sabia o que estava ocorrendo, eu estava parindo! De olhos fechados, eu sentia cada vez mais Clarice passando por mim... às vezes eu mal tinha tempo de respirar, ela veio realmente muito intensa. A todo tempo eu perguntava pela Sandra e pela Elis. Como no sonho das minhas amigas Doulas Mileide e Talita e no meu sonho: tudo seria muito rápido, e era assim que estava acontecendo!

Meu coração se acalmou quando vi Elis me olhando na porta do banheiro, com um sorriso que dizia: "eu cheguei, vim de tão longe e já deu certo". Faltava Sandra que veio voado e já me encontrou dizendo que ela já estava ali, que Clarice ia nascer. Tínhamos sonhado isso tantas vezes, viver essa experiência juntas, como queríamos da primeira gestação.

Fomos para sala , organizamos o sofá, e às 01:59 da manhã, rodeada de muito amor, com o meu marido segurando minhas mãos e com olhar amoroso que sempre acreditou em mim e nas minhas escolhas ❤ , minha equipe , minha doula...

Clarice nasceu ❤



A palavra que define esse nascimento é: intensidade! Eu me senti muito completa, muito imersa na minha dor e no meu corpo.

Foram praticamente as 2 ou 3 horas mais intensas da minha vida, que me deram um amor de 51 cm, 3.490g, nas minhas 38 semanas e 2 dias (10/07/2017)! Minha menina, minha força, minha Clarice.

A escolha desse nome, Clarice, veio de uma historia muito especial que vivi em Recife, no meu curso de Parteria Urbana. De uma bebê linda e guerreira que acompanhamos nascer e nos provou que o milagre da Vida existe porque as mulheres sabem parir e os bebês sabem nascer! E o quão importante é o nosso trabalho, e a responsabilidade dele. ❤



Obrigada a todas!


Na foto: Parteiras Nayra e Sandra, Izabela, Doula Helena, Fotografa Elis e Clarice.

Equipe: Enfermeiras obstetras Sandra e Nayra

Fotografia: Elis Freitas. Não deixe de ver mais fotos: Aqui

Doula: Helena Grupo Araripe de Apoio ao Parto







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