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19 de setembro de 2012

Diário de Grávida: Dias 15...19 de setembro de 2011...


Há mais de dez anos atrás, eu participei do Encontro de Yoga da AYRON (Associação de Yoga de Rondônia) e fiquei responsável por aplicar a sessão de relaxamento com todos os participantes!

Sempre fui apaixonada por rock e, na época, quis fugir do comum e escolhi uma música do Beatles chamada Across The Universe. O refrão diz "nada vai mudar o meu mundo...".

Tá, mas o que isso tem a ver com minha retrospectiva?
Certo, vamos lá! (vai ficar bom, acredite!)

Dia 15 de setembro, há um ano, eu tive um dia difícil. Náuseas, desconforto, falta de ar, irritação, dor... fui pra casa tentar relaxar e cheguei a pensar "se for a hora, então, pelo jeito, o negócio vai ser pedreira", porque realmente estava doendo muito minhas costas, minha virilha, minhas coxas, minha cabeça... doía tudo...

Liguei um canal de músicas na TV e, que música surge?

Esta música, década depois, ouvida novamente num momento muito, muito especial... um reencontro. Além de delícia de ouvir por acaso uma música que a gente gosta muito e muito significativa (quem já passou por isso entende!), a letra parecia ter sido escrita, com carinho, para mim, para este momento único que estava se ajeitando...

Nada vai mudar meu mundo!

Sim, e o meu mundo, meu cenário, meu corpo, meu parto estavam todinhos desenhados... e foi aí que eu me convenci...

Ouvir essa música nas vésperas do parto foi a cereja do meu bolo!

Na manhã do dia seguinte, eu escrevi assim:

"As águas amanheceram calmas após o temporal de ontem, mas um tsunami se prepara, com esmero, nas profundezas do meu corpo e alma".

E saí escrevendo:

"Estamos aqui completando 39 semanas de amor e fé na Vida"

"Filho, eu confio em você! Eu confio em mim! Eu confio em seu pai! Eu confio em Deus! Nossa fé é absoluta... sei o que o melhor está por vir"

"Venha com vontade de me ver, não tenha medo"

"Quando a mente se cala, o corpo assume o comando"

"Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem"

"A medida que permitimos que nossa própria luz brilhe, inconscientemente nós damos aos outros permissão para fazer o mesmo. A medida que somos libertados do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente liberta os outros."

Definitivamente, eu era uma mulher focada!!!


Eu sonhei com o Ric Jones (vc tem que saber quem ele é! Autor de "Memórias do Homem de Vidro" e "Entre as orelhas: hitórias de parto" que podem ser comprados aqui).

Eu tomei banho de rio, comi bolinho de chuva feitos com carinho pela minha sogra, chorei de emoção ao ler a Carta da Nona Lua, procurei qualquer nozinho dentro de mim que pudesse me prejudicar... eu queria liberdade!!! 


Acordei no dia 20 pensando: vou chamá-las mas não esperá-las. Ou seja, eu iria chamar a assistência de Porto Velho, capital, mas sentia que não poderia ficar à espera delas! À noite, tive muitas contrações... eu sabia que seria no dia da árvore... como eu sabia tão bem? Nem eu sei... até hoje, tem vezes que eu me assusto com tanta conexão.

Ah, eu não esqueci da música não! Aí vai... (e diz se não dá de relaxar e se entregar!!!)



Através do Universo
Palavras flutuam como uma chuva sem fim dentro de um copo de papel
Elas se mexem selvagemente enquanto deslizando através do universo.
Piscinas de mágoas, ondas de alegrias estão passando por minha mente
Me possuindo e acariciando

Glória ao mestre

Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo

Imagens de luzes quebradas que dançam na minha frente como milhões de olhos
Eles me chamam para ir através do universo.
Pensamentos se movem como um vento incansável dentro de uma caixa de correio
Elas tropeçam cegamente enquanto fazem seu caminho pelo universo

Glória ao mestre

Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo

Sons de risos, sombras de amor estão tocando meus ouvidos abertos
Incitando e me convidando.
Ilimitado amor eterno, que brilha em minha volta como milhões de sóis,
E me chamam para ir pelo universo

Glória ao mestre

Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo

Glória ao mestre

Glória ao mestre

13 de setembro de 2012

Diário de Grávida: Dias 10... 14 de setembro de 2011...

Há um ano eu completava as 38 semanas! Para os GOs anti-éticos, é o dia perfeito para marcar a cirurgia...

Eles dizem "seu bebê já está maduro", mas meu raciocínio - que eu nada modestamente acho bem coerente - diz: se ele estiver pronto mesmo, vai avisar, obrigada!

Grávidas que me leem, é simples: se o bebê está pronto ele não vai ficar perdendo tempo dentro da barriga, nem se enforcando no cordão, nem envelhecendo sua placenta, nem nada... ele nasce! Simples, mas imensamente mal compreendido.
Só não entra em trabalho de parto, a mulher que é operada antes. Simples assim mesmo, insisto!
Como aqui eu posso falar, vou tentar te convencer de que escolher o dia do teu filho nascer não é bom para ele, nem pra ti! "Quem ela pensa que é?", você vai dizer daí e eu me defendo dizendo que vou usar a lista da Médica Obstetra Doutora (com doutorado) Melania Amorim!

Melhorou, né?

Um nascimento programado por cesariana eletiva (ou seja, antes de entrar em trabalho de parto) pode acarretar problemas de saúde no bebê, por exemplo (o rol não é se esgota, tá?):

1. Maior frequência de problemas respiratórios, de admissão em UTI neonatal e pequeno, porém significativo aumento, do risco relativo de morte neonatal;

2. Maiores dificuldades para estabelecer amamentação;

3. Maior chance de afastamento mãe-bebê e todas as sequelas decorrentes;

4. Nascimento prematuro por erro de datação de idade gestacional ou simplesmente, por retirar antes da hora um bebê que, mesmo a termo, não estava biologicamente programado para nascer;

5. Aumento do nascimento de recém-nascidos "termo precoce", entre 37 e 38 semanas, com maior morbidade em relação aos recém-nascidos com 39 e 40 semanas;

6. Aumento do risco de alergias, atopias, no futuro;

7. Aumento do risco de obesidade na infância e idade adulta;

Isso tudo falando somente do ponto de vista do bebê, ainda têm as complicações maternas.
Dia 12, há um ano, eu tive consulta pré-natal! Minha cara de paisagem nas consultas era comédia pura! Lembro do médico perguntar:
Alguma dor, alguma queixa, sangramento, pressão irregular???
E eu: nada..

Meu marido brincava dizendo que provavelmente os médicos detestavam me atender pois eu os fazia se sentir impotentes! ha ha ha

Discuti com 3 médicos sobre a questão da episiotomia, o 'pique'. Mesmo eu dizendo que não queria, todos diziam que só iriam poder decidir isso na hora. O que em bom português significa "se eu quiser, eu vou fazer sim".
Ao que parece, o índice de episiotomia em Rondônia gira em torno de algo como 110%, tem mais 'pique' do que vagina por aqui...


Dia de consulta, pra mim, era um dia triste de constatar que eu caminhava para um tratamento frio e distante e que meu bebê sofreria todas as intervenções horrorosas que já são desaconselhadas pela OMS... como a questão do corte abrupto do cordão umbilical, que eu já falei aqui.

Acabo de constatar que se eu fiz o diário para mostrar pros filhos quando estiverem maiores, eu já comecei com o pé esquerdo! Não sei que meleca que deu na caneta que usei... borrou tudo, pra todo lado...enfim, mas grávida tem que ter diário...


Teve Conferência de Políticas Públicas para Mulher aqui em Cacoal ano passado. Eu fui representando a Rede Parto do Princípio. Consegui a palavra, falei do não cumprimento da Lei do Acompanhante, das episiotomias de rotina, do excesso de cesáreas, do não apoio à amamentação... parecia outro idioma! Ponto negativo pra Rondônia... snif snif snif
Eu leio este singelo diário e, ao que parece, vejo que eu não conseguia me permitir dizer "quero parir sozinhaaaaa".
Sim, vejo em mim uma eterna ambivalência entre me submeter ao que os hospitais podiam me oferecer e ao desejo profundo da minha alma de ficar em casa e receber meu filho assim, com naturalidade.

Eu chamei pela força, eu chamei pela Deusa do Parto, Ártemis, e ela foi devagarzinho invadindo meu ser e me formando como mulher. Quando penso, hoje, em como eu estava focada, direcionada, segura, tranquila, até assusta... de fato, eu estava assustadoramente calma e serena.

Lia os livros 'Empoderando as Mulheres' e 'Origens Mágicas' e tudo aqui me dava ainda mais certeza do meu feminino...

Há um ano eu estava prestes a viver a maior aventura da minha vida...
Alguém duvida?

5 de setembro de 2012

Diário de Grávida: Dias 5... 9 de setembro de 2011...

por Cariny Cielo

De acordo com Michel Odent (se você está grávida e não sabe quem é esse cara, 'meldels', corrige isso agora no Google!), a ocitocina é um hormônio que depende de fatores ambientais e sua produção se intimidaria diante da presença de estranhos e observadores. Por esse motivo, ele sugere a retomada de um ambiente mais feminino, mais íntimo e mais aconchegante para que as gestantes deem a luz.

Vale a pena ler todo o texto do diário! E é pra ler, se possível com o pai!

Eu tenho fortes motivos para achar que quanto mais intimidade no parto, menos ele dói. Quanto mais invasivos foram meus partos, mais dor eu senti. Quando eu me vi amparada, segura, acolhida e verdadeiramente livre, não doeu.

Dói o frio, o medo, a solidão. Dói a pressa, a má posição, os desrespeitos. Doem as intervenções desnecessárias como a episiotomia...


Tem hora que eu chego a pensar que um Conselho Masculino Anti Mulher se reuniu por aí no passado e decidiu o seguinte: Vamos relacionar tudo que de pior pode ser feito à mulher para humilhá-la, desrespeitá-la e fazê-la sentir-se vulnerável. Vale tudo para prejudicar o decurso do trabalho de parto.

Deve ter sido mais ou menos assim:
1. Luz! Muita luz, daquelas brancas e que mostram tudo, perfeitas para fazer sutura...
2. Frio! Nada de calor quentinho, não! Vamos congelar essas mulheres...
3. Sentir fome e sede também ajuda bastante. Jejum obrigatório e de rotina!
4. Assim que ela entrar no hospital, coloquem logo um soro na veia, pra ela se lembrar de que está doente e, se não estiver, que pode ficar a qualquer momento.
5. A melhor roupa é aquela que mostra a bunda e a melhor cor é a verde água.
6. Raspem os pelos dela às pressas e reclamando que ela bem poderia ter feito isso em casa.
7. Para deixar o trabalho de parto bem desconfortável, façam lavagem intestinal. Será terrível ela sentir os puxos e ter receio de fazer cocô no próprio filho.
8. Aproveitem a oportunidade para liberarem todos os seus demônios. Vai ser divertido fazer gozação, chacota, chamar a atenção, repreender. As melhores frase são (anotem aí pra não esquecer): "Pra fazer você não gritou assim!". "Mãezinha, cala a boca".
9. Só pode entrar sozinha. Ou vocês querem testemunhas do nosso sadismo? O pai, a doula, o escambau, ficam do lado de fora!
10. Toques, toques e mais toques. Sempre com pessoas diferentes. Aproveitem qualquer estagiário ou residente para fazer toques. A melhor forma é a seguinte: toquem, olhem por teto, depois pro infinito e saiam sem dar informação.
11. Deitada, de barriga pra cima e pernas nos estribos é a melhor e mais feladaputa posição para a contração doer e causar sofrimento fetal. Adotem-na com suas pacientes, em todos os atendimentos.
12. Estourem a bolsa sem consulta prévia (pra quê ouvir gestante?) e logo no início do trabalho de parto que é para as contrações ficarem bastante dolorosas e aumentar o risco de infecções.
13. Monitorem os batimentos fetais sempre com ar de preocupação e, ao final, façam cometários entre os colegas usando termos técnicos.
14. Usem ocitocina sintética e digam que é só um remedinho pra apressar o nascimento. Se tivermos sorte, as contrações ficarão tão insuportáveis que ela vai implorar por uma cirurgia.
15. Se ainda assim, com todas essas manobras desgraçadas, o trabalho de parto progredir e aquela gestante tiver a petulância de estar caminhando tranquila prum parto normal, não a deixem sair ilesa! Marquem-na, eternamente, cortando-lhe o sexo, para que se lembre que só pariu por meio de nós (by Ric Jones). Sim, usem o 'pique' rotineiramente, ignorando o que recomenda a Organização Mundial de Saúde.
Feito isso, sintam-se vitoriosos! Vocês acabam de destruir o mais sublime evento feminino. E ela não vai odiar vocês pois vai estar muito encantada com o filho recém chegado. E tem mais, ela ouvirá que não tem o direito de se sentir frustrada ou triste, afinal, o bebê nasceu, está com saúde e ela não morreu!

Eu fiz aqui um filme dos horrores, é verdade! Embora muitas mulheres tenham tido a infelicidade de receber praticamente todo o kit 'destrua o parto', existe um gigantesco meio termo.

Tem as que sofreram pique, por exemplo, mas ficaram muito, muito felizes por terem conseguido o tão desejado parto normal. É verdade! A delícia de sentir o bebê nascer por nossas próprias forças supera tudo e é por isso mesmo que acabamos não nos dando conta de que aquilo foi violência!

E tem as que descobrem que tudo isso é ruim, é errado e não é recomendado de se fazer no atendimento obstétrico muito tempo depois... quando começam a reeditar seus partos!

Eu questionei muito minha cirurgia.
Eu questionei muito o atendimento dado ao meu segundo filho, nascido de parto natural hospitalar.

E nessa de questionar, investigar, lutar... eu alcancei um delicioso estágio de 'nada a questionar' com o parto do meu terceiro filho. Ele, sim, nasceu como se deve nascer. Ele me teve, plena, e foi pleno em seu chegar ao mundo.

Mas o melhor deste post vem agora: foi há um ano que eu acertei o dia do parto! Eu estava em tamanha conexão com meu pequeno que até escolhi o dia do nascimento dele.

Prova cabal de que o bebê é o que é a mente da mãe que o gesta, como diz a PHD Eleanor Luzes! Alguém duvida? Eu não.

"Hoje, pensei num dia dia lindo pra nós: Dia 21"

Que assim seja...


3 de setembro de 2012

Diário de Grávida: Dias 1... 4 de setembro de 2011...

por Cariny Cielo

Tem algo de punk em chegar ao mês da sua DPP (Data Provável do Parto).

A grávida ouve dentro da cabeça algo do tipo "deste mês não passa". Eu sempre tenho essa impressão/sensação de que este é O Mês, com letra maiúscula mesmo...


Eu nunca completei 40 semanas... ou seja, nunca cheguei até a famosa DPP e, consequentemente, nunca tive que fazer cara de paisagem sempre que alguém me perguntasse "ele ainda está aí dentro?".

Para o desafio hercúleo de sobreviver à pressão externa para que o seu bebê nasça, decore minha dica: joga umas 2-3 semanas 'a mais' na conta do médico! Sim, se a DPP, ou seja, 'as 40 semanas' é dia 3, diga 'pra-todo-mundo' que é 17.

Promete? É isso ou não aguentar as chantagens (do médico, das avós e da mulher na fila do banco) e cair numa cirurgia sem indicação médica; e, pior, trazendo seu bebê ao mundo antes de ele sinalizar que está na hora!

Acredite, a pressão psicológica é insuportável... eles jogam baixo meeesmo! E quem quer lutar jiu-jitsu grávida? De nove meses então...

Grava essa: Comunicado Importante: A FAMOSA DATA PROVÁVEL DO PARTO é só uma ideia, uma super estimativa, de quando nascerá seu filho.

Uma gestação pode chegar, tranquilamente, a 42 semanas... quem não chega traquilamente em geral é a família, que fica desesperada para por a cabo aquela barriga!

Pois saiba que, em 5% dos casos, uma barriga vai sim durar 42 semanas... para desespero de todos, menos do bebê que está 'muito bem obrigado' dentro do útero.
Ainda duvida? Eu te convido a ler o que a ciência diz quando o bebê quer ficar mais...


Há um ano eu me encontrei com uma parteira. E a experiência foi, no mínimo, estranha. Hoje eu lamento minha cabeça avoada de grávida que não me fez lembrar de tirar uma foto... aquela mulher ficou só na minha lembrança...

Não senti nenhuma empatia ou segurança. Deu foi vontade de sair correndo... o médico gaúcho Ricardo Herbert Jones bem me alertou do caráter folclórico que essas parteiras tradicionais podem ter, mas eu tinha que tentar...

E, quanto a isto, eu me fiz um compromisso de encontrar, entrevistar, fotografar e registrar estas mulheres que estão em algum lugar escondidas em Rondônia.

Eu continuava o pré-natal padrão, ainda sonhando com um atendimento.
Gostei de lembrar que foi nesta época o meu chá de bebê ou, como eu gostei de ler em algum lugar, minha despedida de barriga! Foi emocionante, com pessoas queridas e ainda com a magia do querer parir/nascer em casa.

Foi apresentada, pela Tainá Musa, uma linda estória sobre a intuição feminina! Extraída do Livro "Mulheres que Correm Com Lobos" (pausa para dizer que é leitura obrigatória) a estória da Boneca Vasalisa encantou a todos.
A lembrança do chá foi igualmente um encanto: uma bonequinha de feltro, toda colorida feita... por mim! Pois é... grávida muda mesmo... vira e revira de um lado e do avesso para se perder e se achar no universo selvagem. Foi a PHD Eleanor Luzes que me sugeriu bordar, pintar, costurar, enfim... qualquer coisa que exercitasse a criatividade e que eu pudesse imaginar 'criando' meu bebê. Tá grávida? Experimenta fazer alguma coisa criativa!

Eu estava assim, muito à flor da pele, muito escancarada, muito intuitiva! Esta intuição perdura até hoje... de alguma forma mágica eu me expandi e, hoje, abro mão de tudo em prol de ouvir meu sentido mais íntimo, mais profundo...

Há um ano eu escrevi o texto de boas vindas ao meu filho... "Nasce ......, em casa. Veio cercado da mesma intimidade com que foi, um dia, atraído para esta família e protegido pelo mesmo amor que o concebeu" (hoje, sabemos que os pontinhos eram para o Cassiano, mas na época não sabíamos o sexo do bebê).

A certeza era assustadoramente tranquila!

31 de agosto de 2012

Diário de Grávida: Dias 28... 31 de agosto de 2011...

por Cariny Cielo

Há um ano eu conhecia uma doula.

A única que existe em Rondônia, se você quer saber.

Minha realidade não me permitia sonhar muito com os benefícios de ter uma doula no momento do parto, e são muitos esses benefícios!

Doula é uma palavrinha que vem do grego e significa 'servir'. Mulher que serve outra mulher. Atualmente é uma profissão em busca de regulamentação e muito rara em Rondônia... só temos uma e ela mora em Porto Velho!

Claro que é possível ter um parto legal sem ela, mas tendo uma, você aumenta muito suas chances de:

1. Não fazer uso de medicação para alívio da dor;

2. Não sofrer episiotomia;

3. Não sofrer violências verbais, emocionais;

4. Ter um parto legal, respeitoso e digno;

5. Fazer um plano de parto e garantir que ele seja cumprido pela equipe que lhe atende;

6. Garantir respeito ao seu filho no momento em que ele for recepcionado;

7. Escapar de uma cirurgia mal indicada;

8. Escapar de ter pelos raspados, sorinho na veia, lavagem intestinal, todas essas coisinhas que os hospitais fazem com as gestantes para transformar o parto em uma experiência aterrorizante...

Com uma doula, você tem uma defensora dos seus direitos, embora ela nunca irá substituir o atendimento do médico, da obstetriz.

Aliás, é bom que se esclareça: doula não confere pressão arterial, não faz toque, não avalia progressão do trabalho de parto, não ouve o bebê, não decide sobre os rumos do trabalho de parto...

Minha experiência com doula foi com uma 'não' doula. A Glória, que me atendeu no meu VBAC (sigla em inglês para 'parto normal após cesárea') não é doula, não tem essa formação, mas me foi muito importante por me garantir alívio da dor através de métodos naturais. Massagem, concentração, meditação, dança... ela é massoterapeuta e sua atuação foi pontual neste aspecto. Se ficou curioso, leia o relato aqui.

Ainda não se convenceu? Acesse e conheça o blog da Cris, uma doula bem famosa e que tem muita estória pra contar. Eu preciso mesmo de uma doula?

Tá, você agora vai dizer: de quê adianta fazer propaganda de doula, se por aqui sequer existem essas profissionais? Pois é! Não existem porque não tem demanda... a partir do momento em que houver procura, elas vão aparecer.

E também porque, no Estado número um do Brasil me nascimentos por cirurgia, falar em apoio à mulher no trabalho de parto ainda é falar outra língua.

É possível ter apoio no parto de alguém que não é doula, claro! O pai do bebê, a mãe, amiga, madrinha, avó, enfim...

Eu, no parto do Giordano: um parto natural hospitalar, tive minha mãe, uma massoteraupeuta, minha professora de yoga, minha tia, enfim... Hoje, quando lembro, acho gente demais! Mas, na época, toda ajuda era importante para eu vencer o mito do 'parto normal após cesárea'.

Só a doula estuda muuuuuuuuuuito sobre empoderamento e protagonismo da mulher e isso faz toda diferença!


No diário, com nove meses, são apontados estes exames que podem ser pedidos: Ecocardiografia, Cardiotocografia, Dopplerfloxometria e cultura de secreção.

O que eu acho importante falar sobre exames é que:

1. Eles devem ser solicitados com um propósito e nunca, de rotina!

2. Que eles podem apresentar erros e isso pode destruir a paz de uma gestante.

3. Que é um procedimento normalmente muito estressante para a maioria das mulheres. Eleanor Luzes, PHD em Ciência do Início da Vida diz que a grávida deve mentalizar saúde e que, muitas vezes, se submeter a exames cada vez mais invasivos tire da mulher a pureza de seus pensamentos e os levam ao medo, à doença, ao negativo.

Eu não fiz nenhum desses. Por que? Porque sou doida varrida? Não! Simplesmente não apresentei nenhum sintoma que indicasse uma investigação maior... só isso!

Mas tive que fugir, confesso, do preferido dos obstetras: o ultrassom do nono mês! O ultrassom do nono mês é o mais desnecessário, contraindicado e absurdo exame que se pode fazer em uma gestante como rotina! Eu disse, como rotina tá, gente?!

É com esse ultrassom que os médicos adoram marcar uma conveniente cirurgia com um nebuloso diagnóstico de:

Cordão enrolado!

Pouco líquido, muito líquido

Placenta 'velha'

Bebê muito grande ou muito pequeno

E por aí vaí...

A melhor lista não é minha não, é da Doutora (com doutorado!) Melania Amorim

Eu fiz apenas dois ultrassons na minha última gestação. Hoje, numa próxima, faria apenas o morfológico, por volta das 20 semanas.

Um dos meus textos mais populares, eu fiz com colaboração da Eleanor Luzes, depois que a conheci quando fiz o curso de Ciência do Início da Vida em 2010, fala muito sobre a invasão que o sistema faz no útero materno.

Com o título Ultrassonografias de rotina não! você irá conhecer estudos que convencem acerca do porquê não fazer aquela pancada de ultrassom (e encher o bolso do médico)...

Pára tudo! Ok admito: eu também já fui daquelas que não sabia de nada disso e fiz trocentos exames, crente de que só via meu filho bem, se fosse pela tela de chuviscos.

Se eu pudesse fazer um gráfico, sairia de 9 na primeira gravidez, para 5 na segunda e 2 na terceira... depois que a gente expande o cérebro ele não cabe mais nos mesmos lugares, nas mesmas crenças... e aí, lascou!

27 de agosto de 2012

Diário de Grávida: Dias 25, 26 e 27 de agosto de 2011...

por Cariny Cielo

Parabéns para nós que há um ano estávamos entrando no nono mês!

Quem tá grávida sabe que entrar no nono mês é fabuloso... (hein?!)

Não é bem assim não!!! (Só na revista Caras que as grávidas de nove meses se sentem radiantes!)

A maioria das mortais está desesperada pelo nascimento do bebê porque tudo dói!

É muito quilo numa pessoa só, amarrar o cadarço do tênis vira um problema (que tênis, minina? Eu só aguento rasteirinha!), é xixi toda hora, intestino preso, azia, o estômago não corresponde ao olho gordo, carregar seu filho mais velho (se tiver, e eu tinha dois!) é maratona pura, a sensação de um sono bom vai caindo no esquecimento... maaaaaaaas, calma! É muito bom sim saber que o bebê está completamente formado, restando apenas amadurecer mais alguns órgãos internos para a vida extra uterina.

Numa escala de 0 a 100 (em que 100 é a grávida da revista), eu costumo chegar ao nono mês me sentindo uns 80. E já é muito, muito bom...

Completar nove meses é bom também porque a gente foge daqueles comentários assombrosos sobre bebês prematuros. Ufa, uma babaquice a menos que a grávida tem que ouvir (e ainda vêm tantas pela frente! Por exemplo, que o cordão umbilical pode enforcar seu bebê e sobre isto clique imediatamente aqui!!!).

Eu, pelo visto, tava em modo: “muito bem obrigada...”


Viajei de carro dia 25 para Porto Velho, pois iria fazer o último módulo do curso de capacitação em yoga (pausa para recomendar o curso!!!!) pelo Instituto do Ser (para saber mais: institutodoser_phv@hotmail.com) e, foi meio sofrível ficar mais de 6 horas sentada! Quem tá de barrigão sabe...

Recebi contato de parteiras! Eu estava certa de que acharia uma parteira em São Miguel do Guaporé, que fica há uns 180 quilômetros de Cacoal. Pra quem não sabe, o Ministério da Saúde vem capacitando as parteiras tradicionais e, naquela cidade, parece que havia 10 cadastradas. Eu achei perfeito! E na minha cabeça de pote grávida, tinha certeza que daria tempo de alguma me atender.

Parteiras em nosso Estado ainda me soa meio lenda de mapinguari... todo mundo lembra de alguma, fala de alguma, mas quando a gente procura, não acha. (Mais à frente vocês vão ver o que deu a estória das Parteiras de Rondônia!)

Há um ano eu conversei com uma enfermeira obstétrica de Porto Velho. Adorei ela! A Francine tem 4 filhos e é adepta total da humanização do nascimento e tenho surpresas dela que vou trazer aqui qualquer dia desses...


Há um ano chegou minha bonequinha Flor do Sul. É uma boneca que tem bebê de parto normal e amamenta... eu queria ela para usar no chá de bebê e, sei lá, brincar com meus filhos mesmo... só! Quer uma também?

Parabéns para nós, neste nono mês querido!


Fizeram uma despedida para mim no curso e um mini-chá de bebê. Como não sabíamos o sexo do bebê (e quem quer saber essas coisas?!!) eu ganhei uns mimos asexuados e um cartão carinhoso de fazer grávida soluçar de choro (como se precisasse de muito pra isso...).

Vi claramente que, sem querer querendo, eu estava caminhando para o parto desassistido. O meu ‘sinto que ninguém mais me serve’ e o ‘nem sei se quero alguém mais’ davam indícios de que eu já estava cansada de fazer contas dos quilômetros e horas, medir distâncias e fazer acordos para um atendimento.

Resumindo, há um ano, eu estava feliz e barrigudona...

24 de agosto de 2012

Diário de Grávida: Dias 23 e 24 de agosto de 2011...

por Cariny Cielo

Auto estima bombando!

Como é que eu tava me 'achando' tanto assim? O meu delírio raciocínio foi: "eu nunca quis fazer algo que não tenha conseguido". Pelo jeito serviu e, se você quiser adaptar, fique à vontade!

A parceria do pai estabeleceu-se com a frase final: "Se você tiver bem, eu tô bem". E fim! Simples assim, bem da testosterona mesmo...

Adorei lembrar que neste dia eu defini que, em sendo um menino, o nome seria Cassiano. Tá, vai, pode falar que isso só interessa a mim, mas, ao menos, serve de exemplo (insisto) sobre como é bacana ter um diário de grávida! Relembrar e rir... ou chorar.


A graça do dia 24 de agosto de 2011 ficou por conta de falar com a enfermeira Sandra, que viria de Porto Velho - portanto iria rodar por quase QUINHENTOS quilômetros - no meu plano infalível de ter assistência domiciliar. Quanta mongoliçe ingenuidade.

Para quem não entender o 'abaixei minha banqueta', explico: Significa um corte que fiz no meu banquinho de cócoras, pois meu marceneiro querido, acredito eu, fez pensando na Ana Hickman (é assim que se escreve o nome dela?) e deve faltar quase 30 centímetros de Hickman em mim.

22 de agosto de 2012

Diário de Grávida: O dia a dia até um ano do grande dia...

por Cariny Cielo

Do nada hoje me veio uma vontade imensa de reviver a chegada do Cassiano. Talvez pelos preparatidos do aniversário de um ano que estão me ocupando e talvez por que hoje (22/08), há exato 1 ano, eu estava há 1 mês do parto.

E o último mês foi de emoções mais ainda à flor da pele. Foi tempo de decisões finais, acertos, choro e riso...

Choros e risos! A lua era minguante e eu estava mesmo à mingua de assitência. O último mês foi marcante pelas últimas tentativas, últimas procuras, últimos acordos e desacordos... Suspiros finais...

Corri por meu diário, carinhosamente preenchido, dia após dia. O Diário da Gestante da professora de yoga Fadynha embalou minhas mais loucas emoções... havia pouco espaço para eu escrever o tudo que explodia dentro de mim! Este sim é item essencial do enxoval da grávida: um diário!

Tá aqui ele, testemunha da minha jornada! Resolvi em comemoração, escrever todos os dias o que eu escrevi no mesmo dia, ano passado, até o Grande Dia!

Porque alguém faria isso? Achei um monte de motivos bobos relevantes!

1. Porque o caminho pode ajudar a orientar alguém. Sim, eu via muito de mim nas estórias de mulheres anônimas.

2. Porque minhas dúvidas, aspirações, loucuras e viajadas podem ser as mesmas de outras tantas. Vai dizer que não?!

3. Porque é como celebrar novamente! E quem não quer celebrar a chegada de um filho?

4. Porque é magnífico falar daquele dia e de toda aquela estória

5. Porque é possível refazer todo o percurso e entender, dentro de mim, como eu fui parir sozinha...

Diário é bom demais! Divirtam-se (como eu!) revivendo as minhas últimas voltas na montanha russa da gravidez e que culminaram num grande encontro...

Aí vai: Hoje, dia 22 de agosto, em 2011, eu estava assim:


Ansiosa?! Eu?! Nunquinha!!! Confesso que me surpreendi quando li!
Viu com é bom diário? Eu jamais me lembraria disso...

14 de fevereiro de 2011

Concepção: Venha bebê... (parte II)



Foi-me perguntada, sobre concepção, a seguinte dúvida: se a concepção é um evento tão sutil, tão espiritual e se o casal deve estar tanto em harmonia, em sintonia, como que mulheres que não querem engravidar concebem e casais em desarmonia, casos de violência etc.

É verdade que vemos, comumente, situações onde é evidente que a mulher não quer o filho, o pai não quer o filho, o casal muitas vezes sequer é um casal, há casos até mesmo de tentativas de aborto, enfim.


O que acontece nestes casos, em geral (frise-se!) é que não estamos falando de espíritos tão conscientes quanto os que procuram nascer nos lares da maioria das pessoas do nosso círculo de amizade. Estes espíritos são em geral aprisionados com a concepção por razões as mais diversas e não vem ao mundo lúcidos. É óbvio que todos nós estamos inseridos na mesma dimensão de vida, mas também é óbvio que conseguimos facilmente distinguir os níveis de amadurecimento das pessoas. Conseguimos claramente perceber de quem estamos mais conscientes e de quem estamos menos. Um exemplo disto é sabermos que para nós, a violência é inaceitável, ao passo que muito vivem mergulhados no sangue e no ódio. É fácil também vermos que personalidades como Madre Tereza estão muito além da nossa realidade de seres humanos pois nos parecem pessoas de outro mundo, de um plano espiritual superior, mais sutil.


Assim, os espíritos que desejam chegar a nossa família são evoluídos, esse é o caminho natural... serão melhores do que nós. E, por isto, possuem consciência de sua vinda, conseguem perceber as ondas sutis de desarmonia, medo, incerteza, caos. Mesmo que o casal esteja com seu corpo 'em dia', a mulher ovulando, o homem liberando uma taxa normal de espermatozóides, este serzinho perceber que só isto não basta, ele quer conexão: mulher-homem e destes dois com ele. Como eu disse, a concepção é a união harmônica de três almas, no breve instante do amor.

Porque o diário? Esses dias uma amiga me disse que não sabia se conseguiria escrever para o bebê todos os dias, como eu sugiro fazer quando o casal começa a pensar em conceber. E eu pensei: "será que você não teria nada para dizer ao seu filhinho?". Segundo ela, ela nunca foi muito de escrever. De fato, o melhor mesmo seria meditar, mas o ocidente não usa a meditação como deveria, como prática diária, então, a opção perfeita de exercício de conexão seria escrever. Deixar a criatividade aflorar (criatividade = fertilidade), permitir-se inspirar. E não seria maravilhoso, este filho já grande, quando aprender a ler, ganhar de presente este precioso diário mostrando a ele o quanto ele foi desejado, amado, antes mesmo de se materializar? Você pode, inclusive, continuar seu diário, transformando-o em diário de gravidez. Anotando suas mudanças, seus sonhos, e até mesmo colocando mensagens da família e dos amigos. Como diria a PHD Eleanor Luzes, esta criança já vem à vida com "kit auto-estima" completo!


Eu mesma tenho o diário dos meus dois filhos e é maravilhoso volta e meia ler, viajar no tempo, conhecer aquela mãe e a mãe sou hoje. Até mesmo nos momentos de dificuldades que todas nós mães passamos, um tesouro destes transforma-se em verdadeiro elixir.


Um livro que posso indicar e que me inspirou muito foi o "100 promessas para o meu bebê", escrito pela Malika, filha do Deepak Chopra. Quem sabe, você não pode dar sequencia e escrever as suas próprias promessas para o seu bebê?


Existiria no mundo maior presente do que este pequeno diário ser transmitido de geração em geração na família, mostrando o quanto aquelas pessoas são ligadas pelos amor? Que força e impacto isto teria na vida da sua neta, bisneta?

Nós precisamos, principalmente as mulheres, resgatar nossa inspiração, nossa intuição, nossa arte. As doenças que hoje acometem tanto as mulheres são doenças da mulher-masculina e as clínicas de reprodução estão lotadas porque as mulheres resolver se lembrar que são mulheres quando querem conceber, mas passaram anos escondendo, a duras penas, seu feminino. Esse tempo já passou, podemos respirar, relaxar e curir o que somos, sem cobranças. Já conquistamos, já provamos que conseguimos, já podemos votar, já alcançamos grandes postos, já vencemos a violência e a opressão. Podemos estender bandeira branca a nós mesmas e parar de fugir. A guerra já acabou! Chegar de lutar. 

Que delícia entregar as armas, inspirar e voltar para casa cheia de orgulho e oxitocina por ser MULHER!

www.cienciadoiniciodavida.com.br
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