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27 de agosto de 2012

Diário de Grávida: Dias 25, 26 e 27 de agosto de 2011...

por Cariny Cielo

Parabéns para nós que há um ano estávamos entrando no nono mês!

Quem tá grávida sabe que entrar no nono mês é fabuloso... (hein?!)

Não é bem assim não!!! (Só na revista Caras que as grávidas de nove meses se sentem radiantes!)

A maioria das mortais está desesperada pelo nascimento do bebê porque tudo dói!

É muito quilo numa pessoa só, amarrar o cadarço do tênis vira um problema (que tênis, minina? Eu só aguento rasteirinha!), é xixi toda hora, intestino preso, azia, o estômago não corresponde ao olho gordo, carregar seu filho mais velho (se tiver, e eu tinha dois!) é maratona pura, a sensação de um sono bom vai caindo no esquecimento... maaaaaaaas, calma! É muito bom sim saber que o bebê está completamente formado, restando apenas amadurecer mais alguns órgãos internos para a vida extra uterina.

Numa escala de 0 a 100 (em que 100 é a grávida da revista), eu costumo chegar ao nono mês me sentindo uns 80. E já é muito, muito bom...

Completar nove meses é bom também porque a gente foge daqueles comentários assombrosos sobre bebês prematuros. Ufa, uma babaquice a menos que a grávida tem que ouvir (e ainda vêm tantas pela frente! Por exemplo, que o cordão umbilical pode enforcar seu bebê e sobre isto clique imediatamente aqui!!!).

Eu, pelo visto, tava em modo: “muito bem obrigada...”


Viajei de carro dia 25 para Porto Velho, pois iria fazer o último módulo do curso de capacitação em yoga (pausa para recomendar o curso!!!!) pelo Instituto do Ser (para saber mais: institutodoser_phv@hotmail.com) e, foi meio sofrível ficar mais de 6 horas sentada! Quem tá de barrigão sabe...

Recebi contato de parteiras! Eu estava certa de que acharia uma parteira em São Miguel do Guaporé, que fica há uns 180 quilômetros de Cacoal. Pra quem não sabe, o Ministério da Saúde vem capacitando as parteiras tradicionais e, naquela cidade, parece que havia 10 cadastradas. Eu achei perfeito! E na minha cabeça de pote grávida, tinha certeza que daria tempo de alguma me atender.

Parteiras em nosso Estado ainda me soa meio lenda de mapinguari... todo mundo lembra de alguma, fala de alguma, mas quando a gente procura, não acha. (Mais à frente vocês vão ver o que deu a estória das Parteiras de Rondônia!)

Há um ano eu conversei com uma enfermeira obstétrica de Porto Velho. Adorei ela! A Francine tem 4 filhos e é adepta total da humanização do nascimento e tenho surpresas dela que vou trazer aqui qualquer dia desses...


Há um ano chegou minha bonequinha Flor do Sul. É uma boneca que tem bebê de parto normal e amamenta... eu queria ela para usar no chá de bebê e, sei lá, brincar com meus filhos mesmo... só! Quer uma também?

Parabéns para nós, neste nono mês querido!


Fizeram uma despedida para mim no curso e um mini-chá de bebê. Como não sabíamos o sexo do bebê (e quem quer saber essas coisas?!!) eu ganhei uns mimos asexuados e um cartão carinhoso de fazer grávida soluçar de choro (como se precisasse de muito pra isso...).

Vi claramente que, sem querer querendo, eu estava caminhando para o parto desassistido. O meu ‘sinto que ninguém mais me serve’ e o ‘nem sei se quero alguém mais’ davam indícios de que eu já estava cansada de fazer contas dos quilômetros e horas, medir distâncias e fazer acordos para um atendimento.

Resumindo, há um ano, eu estava feliz e barrigudona...

1 de setembro de 2011

DE VENTRE EM POPA: três dúzias de manobras alegres para os navegantes mãe e neném, pelos mares da gestação!


Texto de uma Laura que eu amo! Laura Uplinger.

Era de manhã, bem de manhãzinha, uma mulher sorria, solene, na janela da cozinha, o olhar a vagar pelos telhados e pelas copas das árvores, enquanto as estrelas davam lugar a um novo dia. Suavemente, levou a mão quentinha ao ventre grávido. Um cantar profundo, corajoso e silencioso ecoava no seio dessa mulher. Começara há tempos imemoriais, percorrera eras e eventos infindáveis, transmitidos por incontáveis desdobramentos até aquele momento, àquela nova vida que crescia num calor gostoso no centro de seu corpo. E ela ficava a sorrir, saboreando com todo seu ser o pão de uma profunda comunhão com cada ventre, com cada mãe que já havia existido.

O dia começava, a luz o anunciava, assim como um pássaro. O neném! Mesmo antes de ser concebido, esse bebê morava no seu coração. Ela costumava olhar adiante e sabia que, quando engravidasse, daria a seu filho experiências de uma intimidade deliciosa, imagens extasiantes e aventuras em bibliotecas povoadas de lembranças.E foi o que fez: durante a gestação, ela caminhou por entre as árvores, fez versos ao beijar maçãs, elevou-se às estrelas, seguiu o curso de riachos e, com a música, voou à terras de luz. Compartilhou-se com o seu neném, mostrando-se por inteiro, revelando sua curiosidade, suas idéias, seu maravilhamento e suas alegrias.O neném cresceu, e hoje caminha pela vida digno, robusto, feliz, livre, bom e sábio. A mulher, agora avó, ainda gosta de acolher o amanhecer. E quando pensa na época da gestação, sorri o mesmo sorriso solene, relembrando as deliciosas idéias que teceu com o pequeno companheiro em seu ventre. Ela pediu que passássemos suas idéias adiante para que você as provasse, saboreasse e multiplicasse.


Admiração
Pare um momento e pense nas pessoas que você mais admira: artistas, revolucionários, inventores, mães, professores, líderes, benfeitores. Encontre um livro sobre a vida e os feitos de um desses seres. Enquanto estiver lendo este livro, peça que as características de grandeza dessa pessoa penetrem sua mente e seu ventre. Visualize seu filho já adulto, personificando as qualidades que você admira, pela vida afora.

Água corrente
Convide seu neném a ouvir os sons da água jorrando da mangueira do jardim, de uma torneira ou de uma jarra.
Ao ouvir, sinta prazer;
é a música da vida se renovando.
Ouça e veja, o fluxo é suave e triunfante,
ele vai levando embora toda mágoa, tristeza e desalento.
Agradeça a água corrente por essa impressionante dissolução.

Água de beber
Num momento de sede, encha um copo de água e beba bem devagar, saboreando e com reverência.
A água é mãe da vida, o primeiro alimento de todos.
Sinta a água entrando e transformando você,
vindo a ser você e seu neném.
Viaje pela água aos primórdios da vida.
Maravilhe-se com esse beber:
a água, você e o neném estão tecendo vida.

Árvore de Comunhão
Caminhe entre árvores e escolha uma delas para ser sua amiga.
Toque-a com alegria e reverência:
ela é feita das energias do sol, da terra e das chuvas.
Recoste-se na árvore com a mão direita sobre sua barriga.
Coloque a mão esquerda nas costas, a palma voltada para o tronco.
Peça à árvore para compartir energias com seu bebê e com você.
Sinta a intensidade das correntes de energia fluindo.Depois, abracem calorosamente a árvore, em agradecimento.

A voz da água
Caminhe pela natureza até encontrar um riacho de águas claras.
Siga-o até a nascente.  Lá, à beira da fonte que brota, ouça a água murmurar,
viva, fresca, inquisitiva.
Agache-se para fazer um carinho na água e sinta o que ela tem a dizer. Escute essa linguagem secreta, escute de coração aberto. Seu neném também ouvirá, entenderá e sempre se lembrará da voz da água.

Consciência celular
Deite-se, feche os olhos, respire calma, profundamente e sorria. Fale amigavelmente com as células de seu corpo, os zilhões de células que formam você. Agradeça a elas por compor seus órgãos. Estimule a harmonia da colaboração entre elas. Peça-lhes para superar-se nas suas funções. As células a ouvirão e responderão trabalhando ainda mais em conjunto, aumentando a qualidade da sua saúde e gestação.

Dádiva do Fruto
Segure uma fruta nas mãos, digamos, uma maçã. Veja e cheire esta maçã, transbordante de vida. Toque-a com os lábios. Você está beijando outonos e primaveras de alento. Essa maçã traz presentes de vida da macieira, do sol e da chuva, dons da terra, do ar e das estrelas.
As folhas do ano passado caíram e entregaram-se a ela. Junte-se a essa procissão de dádivas:
coma a maçã como um dom para seu bebê, sua dádiva frutuosa ao mundo.

Degustando e amando
Segure uma de suas frutas prediletas com as duas mãos, admirando-a em sua beleza.
A fruta é uma carta de amor do universo para você. Ela conta a história da criação. Maravilhe-se enquanto a come e, nesse maravilhamento, seu bebê e você receberão ainda mais da fruta.
Mais alegria, mais harmonia e amor para vocês dois espalharem pelo mundo.Degustando energia Segure uma de suas frutas prediletas com as duas mãos. Admire a vida desta fruta e respire sua fragrância. Dê a primeira mordida, coma devagar, com prazer, inspirando conscientemente e, agradecida, saboreie. Assim, energias sutis fluem da fruta para você e seu bebê, alimentando-os com vitalidade, saúde e sensibilidade.

Degustando e pensando
Segure uma de suas frutas prediletas com as duas mãos. Admire a forma desta fruta, sua textura, sua cor, seu cheiro. Pense de onde vem, nas energias que a alimentaram, nas pessoas que a cultivaram. Pense, enquanto come, no enorme bem que ela traz a você e ao seu bebê.
Pense e agradeça. A fruta alimentará suas mentes com um entendimento mais claro e profundo da vida.

Do fogo ao coração
Em um dia de frio, acenda um fogo na lareira. Bem aconchegada, contemple o significado da chama, enquanto o fogo crepita, cresce e dança alegremente. Galhos velhos e mortos recobram vida, aquecendo e deliciando você, trazendo-lhe a lembrança de que transformações são possíveis. Volte seu olhar para dentro e busque elementos que deseja modificar. Encontre frios a abrasar, sombras a iluminar, angústias a queimar até virarem paz. Ateie fogo nesses velhos elementos até que eles brilhem no generoso âmago de seu coração. Emocione-se com o nascimento dessa nova energia, e na luz profunda da sua felicidade sorria confiante com o seu neném.

Do fundo do coração
Do fundo de seu coração, sussurre um convite ao seu neném: “Vem, meu amor, vamos pensar juntos”. Pensem então no planeta terra, com seus oceanos, montanhas e árvores. Abracem esses seus vôos com amor, tornando-os ainda mais amplos, maravilhosos e belos. Criem frases que transmitam algumas dessas idéias, usando palavras como: dádiva, abarcar, beijo, sublime, possível, receber... Diga essas frases em voz alta. Para você e seu neném, uma bela forma de doar amor.

Esperança
Enrosque-se no sofá e feche os olhos. Convide seu bebê para que juntos compartilhem de um momento especial de tranqüilidade, um momento aberto à esperança. A esperança fecunda de vitalidade e saúde sua corrente sangüínea, gerando ondas de nova energia no seu sistema digestivo. Inspire, expire e deixe acontecer. Sinta a esperança acenando-lhe e corra para abraçá-la. Visualize essa amiga poderosa com vocês dois para sempre, fortalecendo-os.

Harmonia
Inspire profunda e calmamente, até que uma suave harmonia cante em você e seu neném.
À medida que cresce o acalanto, lembre-se de um incidente conflituoso em sua vida.
Projete essa harmonia sobre tal lembrança e observe a dissolução de toda e qualquer raiva,
indignação, tristeza ou ressentimento remanescentes. Em seguida, pronuncie palavras de alívio,
compaixão, compreensão e esperança. Esta é uma forma muito especial de trabalhar com a harmonia, uma maravilhosa experiência de aprendizado para o neném.

Livro aberto
Para o seu bebê, você é a pessoa mais importante na face da terra. Desde o início da gestação, seu bebê adora você e fica feliz quando você é completamente fiel a si mesma. E quem é você?
Gosta de pensar em quê? Pegue um livro sobre um assunto que a fascine. Aconchegue-se e compartilhe a leitura com seu bebê; ele adora quando você conversa com ele, adora conhecer você.

Luz de amor
O amor é uma força. Use-a. Chame essa força, convide-a para entrar e aquecer seu bebê e você. Ela penetra vocês dois, inteiramente prenhe de um calor generoso. Quando estiver totalmente plena dessa força, deixe-a resplandecer nos seus olhos, sorriso e pele. Ofereça o brilho para todos os novos bebês do mundo e suas mães. Veja como o brilho que vocês irradiam
atrai ainda mais luz para dentro de vocês.

Luz de vela
No lusco-fusco de um quarto tranqüilo, convide uns momentos de silêncio de alma. Nesse estado privilegiado de maravilhamento, acenda uma vela. Olhe em contemplação para a chama como se fosse a primeira vez. A chama é uma dança, uma viagem misteriosa daqui ao infinito.
Junte-se a ela e explore a imensidão. Comungue na energia incorruptível do fogo;
ela fortifica e eleva você e seu filho. Reverencie essa energia como uma fonte de inspiração.

Mãos de mãe
Acaricie sua barriga de grávida. Depois de um tempo, deixe que suas mãos repousem sobre ela;
sinta um sorriso despontando no seu rosto. E, com o amor brotando de suas mãos,
abençoe seu neném. Invoque então as forças e as energias criativas da vida, para que participem com você da formação de um maravilhoso ser humano.

Melodia cósmica
Mergulhe em sua poltrona favorita, coloque os pés para cima e sinta plenamente o delicioso conforto que envolve você e seu bebê. Descanse, acariciando a harmonia. Nesse devaneio, pense em música. Imagine que você e seu bebê são músicos, fazedores de música numa orquestra sinfônica composta de todo o universo. As melodias que vocês tocam são músicas cósmicas
que falam de vocês dois. Essas composições são trechos da música das esferas.
Ouça a alegria, a força e a magnificência.

Música do coração
Escute uma música, aquela que mais a inspire, uma música que simplesmente a leve para bem longe. E deixe que faça exatamente isso. Enquanto ouve, pense em um aspecto seu que gostaria de cultivar. Na sua imaginação,  deixe a música levá-la a um mundo em que essa qualidade floresça e desabroche em você.  Digamos que escolha a saúde: veja-se então transbordando de saúde. Veja-se tão radiante que, por onde quer que passe, multidões dançam com exuberante saúde, graças a você.
Que emoção para o neném!
Noite de estrelas
Em uma noite estrelada, levante os olhos para os céus. Sinta-se transportada para esse infinito.
Ouça a silenciosa presença atemporal dos milhões de luzes no firmamento e saboreie essa paz.
Escolha uma única estrela e faça dela sua companheira. Fale de você e seu bebê com essa estrela amiga. Faça perguntas sobre temas importantes para vocês. Haverá respostas para vocês dois.

No mundo das nuvens
Num dia com nuvens, olhe para o céu e delicie-se com essa visão. Brinque com as formas, as luzes e os movimentos das nuvens. Crie histórias com elas. As nuvens são o teatro do vento, coletâneas de histórias: cavalgadas, batalhas, festas, beijos, carinhos, suspiros. São o ar brincando. Celebre sua amizade com as nuvens e elas responderão com o orvalho do amor para seu bebê e você.

O brincar da brisa
Em um dia de alegres brisas, saia de casa e vá para um lugar onde você e seu bebê possam estar a sós. Tire então toda a roupa e entregue-se ao ar. Sinta-o dançando com você, acariciando seu rosto, brincando com sua mente. Agora, ele está dentro de você, rodopia, gira, espanta amolações, afasta dúvidas, sopra para longe preocupações. Inspire essa brilhante e atuante brisa, ria com ela e agradeça. Sua pele está cantando com o ar. Seu bebê se delicia.

Paz
Saia para passear num parque, floresta ou jardim, um espaço verde e belo onde você e seu bebê possam estar a sós por um tempo. Abrace a eloqüente quietude da natureza e entregue-se por completo às mensagens voluptuosas de fragrâncias, formas, cores, sussurros. É uma intrincada dança dos elementos. Convide toda essa beleza a entrar em você. Torne-se o lar desse poema telúrico. Você e seu bebê estão aprendendo paz.

Pés em festa
Ofereça a seus pés um delicioso banho de água quente. Agradeça seus pés, acariciando-os e conversando com eles. Sinta todo o seu ser pouco a pouco se abrindo e se expandindo.
Sinta seu sistema nervoso respondendo, sua mente aclarando, sua energia aumentando.
Presenteie então seu neném com esta encantadora festa.

Pura luz
Feche os olhos e, com seu pensamento, embarque numa viagem suave e profunda para uma terra de luz pura, expressiva, surpreendente e regeneradora. Para uma terra tão prometida quanto o raiar do sol. Entre, trazendo seu neném. Flutue livremente nesse oceano de vida vibrante.
Respire essa luz, saboreie-a. Deixe que se ela torne una com vocês dois. Então, quando estiver transbordando de luz, volte para casa e irradie.

Rapsódia de cores
Pendure um cristal facetado numa janela ensolarada e convide os raios a brincar. Lá, na parede oposta, eles projetam borrifos de arco-íris. Intercepte um raio com os olhos e veja a deslumbrante música da vida. O azul claro canta a saúde de seus pulmões, o azul escuro fortalece seus ossos, o vivaz laranja traz fartura ao seu sangue. O amarelo alimenta nervos e mente. O verde compõe harmonias para seus órgãos digestivos. O vermelho leva força a seus músculos. O lilás alegra as glândulas. Detenha-se no brilho de cada cor até que seu determinado espírito a tenha tocado. Então, feche os olhos para que você e seu bebê possam rapsodiar.

Show de luz
Uma noite dessas, planeje acordar na madrugada seguinte para acolher o amanhecer.
Antecipe uma comemoração para o momento em que seus olhos e os primeiros raios de sol se encontrarão. O sol estará enviando energia radiante e maravilhosa pelo espaço até você.
E você estará recebendo essa energia luminosa com todo o seu coração, deixando que ela inspire e renove você. Convide então a luz para que ela se junte a seu ser na tessitura de seu bebê.

Sopro de vida
Inspire até encher completamente seus pulmões. Pare, repleta de consciência e de ar... saboreie o gosto do ar da vida. Agora, conscientemente, solte todo o ar. Esse dar e receber da respiração sempre foi assim. É uma troca de dádivas: você recebe do universo e, por sua vez, dá de si e do seu bebê. Com tudo isso em mente, agradeça e respire de novo.

Sua música
Escolha uma música lindíssima de sua coleção e comece a ouvi-la. Imagine essa música sendo uma canção sobre você... sobre como você é única. Ouça a atmosfera da melodia. Ela pronuncia suas qualidades, a beleza do seu ser. Seu bebê, no seu ventre, está recebendo essas visões através da música e sente uma singular onda de felicidade. Esta é uma forma encantadora de enriquecer vocês dois.

Tempero de amor
Um belo dia, convide um ou dois amigos queridos para jantar. Componha um delicioso menu, pratos que goste de comer e de preparar. Calcule quantidades, tempere e cozinhe com o coração em festa, repleto de carinho. Enriqueça as receitas com ingredientes especiais: seu amor pela vida, pelos amigos e a alegria de estar grávida. Peneire e mexa, fatie e corte, misture e mescle,
amando cada aroma, cor e textura. Expresse esse amor em voz alta: “Há tanta beleza em vocês, alimentos queridos! Levem essa beleza para as pessoas que vamos nutrir e ofereça-lhes nossa essência”.

Terra
Encontre um pedacinho de terra, acaricie-a com as duas mãos e afunde nela os dedos.
Sinta os aromas que ela libera para você. São fragrâncias de nossa mãe, essências de recriação.
Cumprimente e agradeça a terra; é ela que compõe os elementos de seu corpo e do corpo de seu bebê. Deixe suas energias fluírem para ela pelos seus dedos. Peça que ela as receba bem em suas profundezas, aninhe-as e transforme-as, para depois devolvê-las limpas e regeneradas.
Uma forma bela e telúrica de exaltar a saúde da sua gestação.

Uma canção
Saia para caminhar com uma canção no coração. Essa canção é uma amiga, seu ritmo conduz seus passos e desenha seu sorriso. Ao andar, deixe que a canção penetre você por completo;
tal doçura a engrandece. Quando chegar a um lugar adequado e quando a canção não puder esperar nem mais um instante, cante a plenos pulmões! Os sons da música que você faz,
a beleza e o significado da canção, tudo isso tem um impacto imediato na química de seu corpo.
Seu sangue está levando mais nutrientes, saúde e vida a seus órgãos. Sua mente vai ficando mais clara e livre. A alegria galopa em você e seu neném. Vocês são um abraço cantante.

Vocês três
Num momento de intimidade, pegue as mãos do pai do seu neném e leve-as a sua barriga.
Os três juntos, falem sobre essa família. Falem sobre quem vocês são. Sobre a casa de vocês, a vida de vocês, suas idéias, esperanças e sonhos. “Sua mãe e eu já imaginamos você tomando
seu primeiro sorvete de chocolate”. “Seu pai quer levar você para velejar!” “Bem-vindo ao nosso tão difícil e querido planeta, você vai contribuir com soluções, tá?”. “Você é uma grande alegria! É uma honra pertencer a você”. “Conte conosco”. Então, do fundo do coração, dêem um beijo em família.

Volta aos primórdios
Num dia calmo e gostoso de sol, vá à praia e mergulhe no mar, berço de toda a vida.Ao nadar para longe, dê braçadas sensuais e conscientes. Visualize-se penetrando no ventre grávido da terra. Lá, em doce rendição, deixe-se boiar. Ouça o ritmo das ondas do mar: são confortantes batidas de coração. Sinta todo seu ser abraçado, acariciado e cuidado pelas águas salgadas. Desde os primórdios, sempre foi assim, todo esse cuidado e amor, por eras e eras... até chegar a você. E, lá dentro de você, um notável feito está se dando: seu neném está revivendo toda a história da vida.

Vôo de felicidade
Imagine-se caminhando no seu lugar predileto deste mundo. Lá está você, grávida, livre e despreocupada. Seus pensamentos vagueiam pelos seus momentos mais criativos. Como por exemplo, aquela vez em que você expressou seu amor tão lindamente que todo o medo se dissolveu. Sinta-se tomada por uma imensa satisfação, alegria e certeza. Vôos como esse afetam profundamente e para sempre, a vida do seu filho.

8 de agosto de 2011

PREPARANDO O VERDADEIRO ENXOVAL: Nove meses para nutrir a alma



O ser humano, como indivíduo em constante evolução que é, possui diversos mecanismos para amadurecimento, sejam eles físicos ou psíquicos. Do encantado mundo da infância, até a formação de um homem, ou uma mulher, vive-se os desafios dos tempos da escola, a enxurrada de hormônios, do círculo de afetos e desafetos, a adolescência. Além das revoluções próprias do crescimento, há os eventos protagonizados por terceiros mas que afetam o indivíduo desde a tenra infância, como as perdas e ganhos, financeiros ou não, os lutos, as separações, as novas uniões, enfim.

De uma forma mágica, ainda fora da compreensão e entendimento do homem, o universo conspira em prol do progredir eterno, arquitetando manobras na esfera pessoal, social, coletiva, cultural... tudo para atingir seu objetivo.

Quanto a essas ‘janelas de oportunidades’ para o crescimento pessoal, as mulheres levam vantagem, pois tem na maternidade, de uma forma geral, mas principalmente na gestação, uma grande aliada para o desenvolvimento individual. Não que o homem, sendo um novo pai, não participe desta grandiosa modificação pessoal, no entanto, este resultado virá muito mais de sua iniciativa e de seu envolvimento voluntário. Já para a mulher é tudo mais forte e determinante: quer ela queira, quer não, a gravidez a levará feito tsunami para as profundezas de sua psiquê.

A gestação seria, assim, o grande salto de amadurecimento emocional, físico, intelectual e psíquico da mulher, coroada com um parto empoderador, dando início assim a uma maternagem ativa e feliz, propícia à formação de serem humanos saudáveis. Não se trata de um palpite, diversos estudiosos apontam a gravidez como um período de extrema sensibilidade e suscetibilidade da mulher com o intuito primordial de criar um ambiente suficientemente bom para o desenvolvimento inicial da vida. Pode-se citar Reich, Federico Navarro, David Boadella, Alexander Lower, Gerda Boyensen e Sanley Keleman[1].

Segundo Rachel Soifer, a mulher deseja ter a criança, o que significa aceitação da gestação; entretanto, ao mesmo tempo, surge uma rejeição à gravidez em si, causada pelo temor que sente em ser destruída. Soifer destaca que não se trata, de modo algum, de rejeição ao filho, mas de uma defesa diante dos temores da gestação em si[2].

No entanto, é cultural que se passe pela gravidez com o discernimento completamente embotado e, quanto a isto, os dizeres de Carlo Goldoni caem como uma luva para exemplificar a oportunidade não aproveitada. Como ele diz: “o mundo é um belo livro, mas é pouco útil a quem não o sabe ler”[3]. Neste diapasão, a gravidez é um evento formador único, mas é muito pouco explorado pelas mulheres e é voluntariamente anulado pelos ideais de consumo e de culto ao artificial.

É muito mais confortável e cômodo seguir a correnteza e viver a gestação de forma infantilizada, mimada por todos, enchendo gavetas de roupinhas; ou, no extremo inverso, de forma alheia, não preparando o ninho, rejeitando e anulando o evento, completamente desconectada do que se passa internamente, em seu corpo e em sua alma; em uma longa TPM (tensão pré-menstrual), nos dizeres de Adriana Tanese Nogueira[4]. Por que seria mais cômodo? Porque crescer dói mesmo! Exige mudanças, reformas íntimas, exige perdão, exige cortes necessários como as podas nas plantas, exige confiança em si mesma e no invisível.

A gravidez levanta questões há muito custo escondidas e guardadas e, traze-las à tona, para a promoção de mudanças é, por vezes, insuportável. Ocorre que fugir delas, da mesma forma, é inútil, pois elas virão, qual fantasmas, a assombrar o parto, o puerpério, a maternidade. Fiel à sua missão de promotora do progredir infinito – dos indivíduos e do universo – uma força não tardará a exigir desta mulher as reformas necessárias. Seja através de mecanismos puramente psíquicos, seja através de somatizações, essa força miraculosa seguirá empurrando, forçando, cobrando, exigindo; a seu modo e na medida que cabe a cada um viver.

O obstetra e homeopata gaúcho Ricardo Herbert Jones[5] chega a afirmar que não existe gravidez indesejada, existe sim mulher que não reconheceu seu desejo inconsciente de conceber. Em que pese ser um acontecimento físico, explicado biologicamente com detalhes, a concepção, a gestação, o parto são misteriosos e ligados às emoções e não puramente leis da mecânica. Trata-se de processos psíquicos inconscientes e muito primitivos. Se não fosse assim, não haveria uma infinidade de casais férteis, do ponto de vista biológico, que simplesmente não conseguem conceber. Da mesma forma, não existiriam relatos de gestações e partos que ofendem todas as leis da medicina[6].

Como não se assustar ao enfrentar tão duras e reais questões? Como não se intimidar ao ver seu íntimo tão desvelado? Abrir-se a esta força é a chave para navegar com segurança pelo maremoto que a gestação provoca. Abrir-se! Esta é a saída. Mas, aí vem a questão: como se abrir se, culturalmente, aprendemos desde cedo a se fechar? É verdade, a mulher moderna pagou e vem pagando um preço altíssimo em troca do espaço social que angariou.

Uma conjunção de eventos sociais concorreram para a destruição do feminino em nossa cultura, mas principalmente a Revolução Industrial [7]que modernizou tudo, inclusive a medicina e avançou o patriarcado. A Revolução Industrial gerou profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. Ao longo do processo (que de acordo com alguns autores se registra até aos nossos dias), a era da agricultura foi superada, a máquina foi superando o trabalho humano, uma nova relação entre capital e trabalho se impôs, novas relações entre nações se estabeleceram e surgiu o fenômeno da cultura de massa, entre outros eventos. Se havia uma máquina milagrosa para fazer tudo e se a quantidade passou a superar a qualidade em razão do consumo, nada mais conseqüente do que se transformar a gestação, o parto e a amamentação em eventos médicos, conduzidos por homens, onde a tecnologia virou protagonista, e não mais um ser humano, a mulher. O ícone desta mudança radical pôde ser observado com a amamentação, antes natural, ao seio, e posteriormente, com a mulher entrando no mercado de trabalho, via mamadeiras e outros artifícios, junto com um leite artificial.

O mundo, como se conhece, domestica as mulheres. Todos se horrorizam com as mutilações feitas contra as mulheres no oriente (e são mesmo atrocidades), mas esquece-se que, inúmeras vezes, no cootidiano, as mulheres são violentadas, castradas, aprisionadas. Assim que nascem, recebem a vagina já com pavor. “Não brinque na rua, feche essas pernas, não se suje, não fale alto, não rale as pernas, não prove nada novo, não mexa com insetos e nem répteis, não lute, não brigue, não pise na grama, nem no barro, nem na terra, aliás, nunca ande descalça!”... e assim vai-se sufocando a menina-selvagem e criando-se a menina-porcelana. Ocorre que quem vai parir um dia não será esta menina de porcelana, boazinha, quietinha, perfeita, limpa e comportada.

Não é esta a mulher que se abre à gestação, que se entrega ao parto, que veste a maternidade com honra. Ela não foi ensinada a se abrir, ela não aprendeu a se entregar, ela não exercitou sua sabedoria inata. Quando chega a menarca, privada de um rito especial, chegam com ela os medos, dores e rejeição: “Odeio ser mulher”, repete a menina em silêncio, a cada anúncio de sangue mensal. Cólicas, cansaço, humores e mal-humores, restrições, maldição! Ela segue a juventude maldizendo seu sagrado sangramento. Ovula com pudor, com nojo, com rejeição. Mais madura, ela busca o amor e para tal imagina, mais uma vez, que precisa adequar-se aos moldes. Ser magra ou malhada (com coxas de jogador de futebol), ou muito bem-sucedida (diz-se aqui: ganhar muito bem) melhor ainda, ganhar mais do que o homem eleito. No trabalho ela sufoca sua sensibilidade para parecer masculina, agressiva, estável, impecável. No salto agulha ela se equilibra na selva masculina e, assim, diz-se feliz, realizada. Ledo engano! Mulheres não são estáveis nunca, oscilam como a lua. Não, elas também não são impecáveis, pois acordam ora divas, ora gatas-barralheiras. Não, ela não está bem, o que ela está é domesticada. Olha a menininha de infância tolhida aí! Cortaram-lhe as garras, serraram-lhe os dentes e ela segue vivendo assim, meio mulher, meio homem. Pintando o cabelo para disfarçar não os fios brancos, mas a alma sufocada.

E eis que, um dia, a vontade de ser mãe ressoa. De alguma forma, esse desejo vem até a mulher e ela, então, começa a pensar na maternidade. Mas, durante toda sua existência como fêmea ela rejeitou seus óvulos, ela apagou sua chama, seu fogo interno. Ela viveu uma vida ensaiada, sem protagonista. Ela imitou a estrela da novela, imitou a magrela de Hollywood ou, pior ainda, ela não conseguiu imitar ninguém e seguiu se sentindo uma estranha, muito estranha, quase uma pária. E agora? Os óvulos a muito congelados não vem; os hormônios escondidos à custa de drogas não surgem; o impulso de receber e de se dar não está presente[8].

A mulher agora sofre em silêncio porque ser mulher requer um ato de fé que ela não aprendeu a fortalecer. A fé em sua natureza, em seu feminino, em sua fisiologia, em sua capacidade para receber, gestar, parir e amamentar. Agora que ela segue, seja procurando conceber, ou seja, gestando, ela está realmente só. Nos dizeres de Clarissa Pinkola[9], “quando somos muito nós mesmas perdemos os outros; mas, em contrapartida, quando temos todos os outros, não se tem a si mesmo”. A solução mais próxima para tanto vazio é extravasar por meio do consumo. Compras infindáveis e um feto com vida social antes mesmo de nascer. Cabe aqui uma reflexão da Psiquiatra e Terapeuta Junguiana Eleanor Madruga Luzes[10], que traz:

“A imagem e o consumo, correm juntas. Marketing é imagem, e as gestantes, por exemplo, ao saberem do sexo do bebê, disparam para as compras ‘devidas’. É como se neste ato de consumo já começassem a cuidar de seus filhos – obedecendo a uma conexão “consumo-amor”. A ênfase na visão do interior do corpo grávido e na busca por essas imagens coaduna-se, por seu turno, com a voga biologizante, fisicalista, de culto ao corpo. A conseqüência do ultra-som fetal é a antecipação da existência social do feto, através da tecnologia, modelando as culturas: visual, do corpo, de consumo e de monitoramento. (DUMIT & DAVIS-FLOYD, 1998, DOWNEY & DUMIT 1997, HARAWAY, 1991, e muitos outros).

Para a maioria das mulheres que não irá conseguir, ao menos não desta vez, libertar-se das amarras, sejam elas sociais, religiosas, culturais, enfim, a concepção é mecânica e a gestação patológica, sendo assim, o enxoval vai limitar-se a fraldas, roupas, toalete e quarto todo decorado. A grande sacada do universo e de sua missão maior de provocar o novo, a mudança, a evolução é que aquela menina selvagem foi apenas sufocada, ela não morreu. Sempre existe a oportunidade de ‘virar a mesa’, ‘chutar o balde’, ‘tapar os olhos e ouvidos’ e perseguir, pela selva, mesmo no escuro, o cheiro familiar de ser mulher. E a gestação é o grande ás deste prazeroso reencontro. É o momento para, durante nove meses, nutrir-se, valorar-se, conhecer-se e preparar um enxoval diferente do padrão: o enxoval da alma.Esse enxoval virá às que se permitirem embarcar na viagem. E, quanto a isto, contar com ajuda externa pode ser decisivo. As mulheres sempre tiveram outras mulheres[11] a quem confiar, trocar experiências e, assim, multiplicar soluções; no entanto, mais uma vez, com o progresso tecnológico, os núcleos familiares diminuíram, o corre-corre diário afastou os vínculos e a mulher, hoje, é uma solitária, no mais profundo significado da palavra.

Ler, ver vídeos, meditar, exercer a espiritualidade, exercitar o lado criativo, emotivo, mesmo que esteja há muito soterrado e oculto; tudo isso faz parte do enxoval da alma da mulher gestando. Seguir a gravidez com um pré-natal frio, distante, entregando nas mãos dos médicos os rumos do próprio corpo; frear toda forma de expressão natural, sensível, imaginativa, íntima; gastar todas as energias com o bebê do mundo encantado e estereotipado; cuidar somente do físico, esquecendo-se do emocional; esse conjunto de fatores que hoje são regra no diário das gestantes é praticamente garantia de parto igualmente boicotado, entregue aos médicos. A mulher ali, deitada na mesa fria do hospital, não entrega apenas seu corpo para ser cortado ou manipulado com violência, está entregando sua alma que há tempos foi abandonada, sem a devida nutrição durante os nove longos meses.

Nesta seara, a presença de uma educadora perinatal pode ser decisiva na medida em que pode apontar nortes, promover discussões, investigações pessoais, sugerir aquisições físicas e emocionais para que o parto seja a coroação de uma gestação consciente e plena. Trata-se apenas de valorar este momento, pois, até mesmo para ganhar músculos em uma academia, as mulheres investem em um personal trainer. Porque não dispor de uma educadora? De uma doula? Aliás, indo mais além: porque não ir em busca da educação? Educar-se para, posteriormente, educar o filho que vai chegar.

Mara Freira aponta[12] que cabe à doula ser o mais “invisível” possível, cumprindo seu papel de estar ao lado, apoiar, acolher, sem interferir nas decisões de sua cliente ou da equipe multidisciplinar (médico, parteiras, enfermeiras, outras). É importante deixar a natureza da mulher falar e agir. O corpo com seu instinto é a melhor voz a ser seguida. Contudo, há vários estudos que comprovam que certas posições proporcionam vários benefícios à mulher e ao bebê. Assim sendo, cabe à doula e à educadora perinatal orientar e proporcionar informações durante a gestação ou mesmo na hora do parto, ensinando algumas técnicas e posições que podem contribuir para um melhor bem estar (físico, emocional e fisiológico), para um melhor posicionamento do bebê. O objetivo é permitir que o corpo reaja de uma forma positiva, proporcionando um parto saudável e tranqüilo. A missão, então é de orientar e mostrar possíveis caminhos a serem seguidos, sendo que a decisão final cabe somente à mulher.

A grávida deve buscar, lutar, correr mesmo, em busca do seu enxoval. Palavra derivada do árabe, que significa o conjunto de roupas e de certos complementos, utensílios, mobiliários. Mas não daquele enxoval físico, na cor azul ou rosa do “filho-sonho”. A gestante precisa montar primeiramente o seu o enxoval da alma.

Os noves meses foram muito bem pensados pela natureza; não para forrar as gavetas do quarto do bebê, mas para forrar a alma da gestante de feminino, resgatar a fé de ser perpetuadora da humanidade e, aí sim, abrir-se, permitindo o nascimento daquela mulher e daquele filho. Dilatar, ceder, consentir, dar: verbos femininos da maternidade que precisam ser exercitados emocionalmente durante toda a gestação. A grande maioria prefere comprar, colecionar, investigar, planejar furos em orelhinhas que nem lhe pertencem. "Acabo de sair do exame de ultrassom! Está tudo bem como o bebê!". É o que mais ouve-se. Aí está todo o contra-senso: precisa-se que um médico, terceiro estranho ao vínculo, veja chuviscos na tela de um aparelho para que venha a segurança. Isto denota falta de enxoval da alma! A mulher está entregue aos médicos, aos aparelhos e não a si mesma, ao seu bebê em formação. Muitas vezes, este bebê já tem inúmeros vestidos ou sapatinhos, mas ele não tem, ainda, a sua mãe, inteira e plena, entregue, aberta.

Ficar grávida é coisa de gente grande, ou melhor, de mulher grande! Por isto ficam todas tão sujeitas, pois aposta-se tudo no mais absoluto escuro. Daí é mais fácil acreditar nas telas frias dos exames do que num corpo que nunca foi ouvido. Engravidar é a mais pura e forte lição de desapego que existe. O apego que, segundo o budismo, é a causa de todos os sofrimentos.

Deve-se entregar ao universo interior, voltar a ser o que é na essência: mulher selvagem, fiel aos instintos, entregue a si e a mais ninguém. É impossível navegar com segurança artificial pela magia da gravidez. Quantas estórias conhece-se de erros? Dever-se-ia faz exames apenas para formação de um pilar de cautela inteligente e continuar tecendo normalidade com a mente. Mas o que acontece é o contrário. Quanto mais investiga-se, mais conduz-se, pior fica, mais confuso, mais nervoso, mais invasivo, mais desrespeitoso.E é nessa sopa psicologicamente negativa e insegura que a mulher mergulha na hora do parto. "Parto? Ah, eu vou esperar normal". Infelizmente, dizer que quere um parto dignamente normal não é o suficiente.
Quem viveu a gestação com a alma infantilizada, num mundo no país das maravilhas vai se assustar muito quando conhecer o processo “carne-e-osso” que é o parto. Daí as consequencias psicossomáticas são simples: não haverá dilatação, o bebê não encaixa (mas quem não está encaixada na dinâmica, na verdade, é a mãe), a dor será insustentável, e por aí vai, todas aquelas complicações que os obstetras adoram e, volta e meia, falam orgulhosos: "eu disse, parto é uma caixinha de surpresas".

Dando continuidade à castração do feminino, num rasgo de segundo, haverá um bebê bem real, sem os cachinhos dourados dos sonhos, nos braços desta mulher e ela deverá amamentá-lo com sua alma. Mas, que alma? Aquela infantil e vazia? Não, novamente ela será vítima fácil da artificialização do amor. Seu leite será fraco, insuficiente; ou seus seios não terão bico, ou racharão, ou serão muito grandes, muito pequenos... faltará entrega, coragem, confiança, faltará uma mulher adulta.Nos dizeres de Laura Gutman[13] a mulher se deparará com a sua parcela mais recôndita da alma, encarará tudo aquilo que sempre quis esconder, disfarçar. Por isto os filhos são a melhor ferramenta de crescimento e amadurecimento pessoal que existe, mas isto, claro, aos que estão dispostos a encará-los. O choro do recém-nascido é o choro oculto da mãe. A posição vitimizada é sempre muito confortável, muito cômoda. A pose de Barbie ainda é muito valorizada. Mas não adianta se enganar! A alma cobrará pelo crescimento, mais dia, menos dia, ela aparecerá.

A gestação, o parto, a amamentação são veículos maravilhosos de crescimento da mulher, mas se ainda assim ela preferir abafar sua verdade, em algum momento esta mulher faminta virá à tona. Pode-se até se esconder por um tempo, fugir, disfarçar, mas, não há saída: O progredir infinito é a Lei Universal!




(texto criado como trabalho de formação final do curso de Educação Perinatal da ONG Amigas do Parto)

REFERÊNCIAS:

ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que Correm com Lobos. Rio de Janeiro, Rocco, 1994.

GUTMAN, Laura. A maternidade e o encontro com a própria sombra. Rio de Janeiro, BestSeller, 2010.

JONES, Ricardo Herbert. Memórias do Homem de Vidro. Porto Alegre, Idéias a Granel, 2008.

REICHERT, Evânia. Infância, Idade Sagrada. Porto Alegre, Vale do Ser, 2008.

BALASKAS, Janet. Parto Ativo. Editora Groud.

TANESE, Adriana Nogueira. Empoderando as Mulheres. São Paulo, Carla Piaggio, 2009.

www.amigasdoparto.org.br
www.relatosdeparto.blogspot.com
www.partodoprincipio.com.br
www.cienciadoiniciodavida.org.br
www.mamaeananda.blospot.com
www.nascerempaz.com/ricjones
www.wikipedia.org
www.yahoogroups.com.br

[1] Infância: A idade sagrada, p. 111.
[2] Infância: A idade sagrada, p. 112.
[3] www.wikpedia.org.br
[4] Texto: Mulheres e Gravidez hoje.
[5] Lista de discussões yahoogroups: partonosso
[6] www.relatosdeparto.blogspot.com; e www.partodoprincipio.com.br
[7] www.wikpedia.org.br
[8] Texto de Casilda Rodrigañez: El útero o El corazon arcaico.
[9] Mulheres que correm com lobos, p. 137.
[10] www.cienciadoiníciodavida.org.br
[11] Texto: Parir Sozinha www.nascerempaz.com/ricjones
[12] Texto: Conduta e ética da doula.
[13] A Maternidade e o encontro com a própria sombra, p. 33.

12 de junho de 2011

Respeitem o claustro materno: ultrassonografias de rotina não!


Este texto me foi passado pela PHD Eleanor Luzes. A conheci em 2010, em Brasília, num curso de Ciência do Início da Vida. Eu achei interessantíssimo e, com autorização dela, replico aqui!



ULTRASSOM: HISTÓRICO e ANTROPOLOGIA
 
O ultra-som foi desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial para detectar os inimigos, tendo mais tarde outros usos na indústria do aço. Em 1955, em Glasgow, o cirurgião Ian Donald adaptou o ultra-som para perceber densidades de tumores abdominais, pois cada tecido tem uma densidade própria e produz um “eco”. (WAGNER, 1999).

Em 1957, usou pela primeira vez para diagnosticar desordens fetais , depois detectar a gravidez em si. O ultra-som foi recebido com suspeita, em especial em relação ao seu uso em gestantes. (PORTER, 1997). Até 1963 esta tecnologia havia sido comercializada e, até meados da década de 70, havia se expandido, começando a ser destinada ao uso obstétrico. Nos EUA, devido aos seguros de saúde 70% das grávidas passam pelo ultra-som; na Europa 98% (pelo menos um por trimestre) (LEVI, 1998). Na Austrália, 99%.

No Reino Unido, Baverley Beech, um ativista dos direitos do consumidor, chamou o ultra-som de “o maior experimento sem controle da História” e a Cochrane Collaboration, maior autoridade em Medicina Baseada em Evidências, diz que é possível que o ultra-som seja prejudicial durante a gravidez. (WAGNER, 1999).
Em 1984 nos EUA, a conferência de consenso do National Institute of Health advertiam que os dados disponíveis sobre a eficiência e a segurança do ultra-som, não permitiam a sua recomendação como técnica de rotina. (CHAZAN, 2007).
Na Inglaterra no mesmo ano o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, ainda que reconhecesse a necessidade de mais pesquisas afirmou que haviam “razões convincentes para supor benefícios a todas as mães e bebês advindos de um escanemento bem feito entre 16-18 semanas de gravidez”. (CHAZAN, 2007).
A teoria do Bonding de Marshall Klaus, John H. Kennel e Phyllis Klaus sobre a ligação mãe e recém-nascido, passou a ser vista como mãe-feto, desde 1970, com bases marcadamente biologizantes (ARNEY, 1982).
A aliança entre medicina e a lei em alguns casos inverteu a hierarqueia mãe-feto, atribuindo autonomia de tal ordem que o feto passou a ter hieraquicamente mais diretos civis que as mães, como é o caso em vários estados dos EUA.
Michèle Fellous em estudo na França nos anos 90, constatou que o interesse sobre os batimentos fetais era mais importante que imagens e o interesse pelo ultra-som caia quando as grávidas começavam a sentir os primeiros movimentos fetais.
Segundo o radiologista HD Meire, que trabalha com isto há 20 anos, o fato de se usar uma máquina poderosa de investigação não quer dizer que sejam também poderosas as informações advindas dali. O ultra-som expõe ao aumento da temperatura intracraniana. (BARNETT, 2001).
Em um estudo, o espectro do pulso do ultra-som Doppler produziu significativo aumento da temperatura do cérebro fetal. Esta temperatura máxima acontece em 30 segundos, caso a temperatura aumente quatro graus Celsius é o suficiente para ocorrer lesão. Mas o fato é que o ultra-som expõe ao aumento da temperatura intracraniana. (BARNETT, 2001)

Os mamíferos possuem, em seus tecidos, pequenas bolsas de gás que com aquecimento podem colapsar os tecidos. Estudos de laboratórios vêm mostrando que células em crescimento expostas ao ultra-som podem causar anomalias que perduram por gerações. (LIEBESKIND et al, 1979)
In vitro, ocorrem alterações somáticas e teratogênicas. (HEDRICK e HYKES, 1991)
Em ratos, afeta a membrana de mielina que recobre o nervo, que é semelhante à humana. (Ellisman e colaboradores, em 1987).
Em outro estudo, camundongos foram expostos a dosagens típicas usadas em obstetrícia e viu-se que o ultra-som causou 22% de redução da divisão celular e dobrou a apoptose (suicídio celular) das células intestinais das cobaias. Houve redução em 22% dos índices de mitoses, após quatro a cinco horas depois da exposição. A apoptose no corpo aumentou de 153% na primeira hora para 160% entre a quarta e a quinta horas. (STANTON et al, 2001)
Newnham e colaboradores, mostraram, em 1993, em estudo experimental randomizado e controlado na Austrália, que mulheres que fizeram cinco vezes ultra-som deram à luz bebês de mais baixo peso do que aquelas que fizeram somente um exame. Em geral, o baixo peso está associado a um não desenvolvimento pleno do cérebro. (CHAMBERLAIN, 1995)

Clínicos defendem o ultra-som de rotina durante a gravidez para descobrir anomalias congênitas, gravidezes de múltipla-gestação, crescimento fetal desordenado, anormalidades de placenta e erros na estimativa de idade gestacional.

Foi realizada uma tentativa randomizada, que envolveu 15.151 mulheres grávidas de baixo risco para problemas perinatais, a fim de pesquisar se o ultra-som diminuiria a freqüência de resultados de perinatais adversos. Definiu-se como resultado perinatal adverso morte fetal, morte neonatal, ou morbidez neonatal, como hemorragia intraventricular. As mulheres, nomeadas fortuitamente ao grupo de ultra-som-blindagem, sofreram um exame ultrasonográfico, entre 15 e 22 semanas de gestação, e outro entre 31 e 35 semanas. As mulheres do grupo controle somente sofreram ultrasonografia por indicações médicas, conforme identificado por seus médicos. Os índices de pretermo e a distribuição de pesos de nascimento eram quase idênticas nos dois grupos. A descoberta ultrasonográfica de anomalias congênitas não teve nenhum efeito no resultado perinatal. Não havia nenhuma diferença significativa, entre os grupos, sobre gravidezes de pós-data, gravidezes de múltipla-gestação ou crianças que eram pequenas para a idade gestacional. Conclui-se que o ultra-som somente se justifica quando a indicação se faz necessária e não se observou vantagem em seu uso de rotina. (EWIGMAN et al, 1993).

Outro estudo mostrou que 10 minutos de exposição ao ultra-som em ratas grávidas afetam o aprendizado de habilidades locomotoras nos ratos adultos, como observou Suresh e colaboradores, em 2002. (BUCKLEY, 2005)
Camundongos albinos, expostos a diagnóstico de ultra-som, havia alterações significantes de comportamento em todos os três grupos expostos, como revelado pela diminuição das atividades locomotora e exploratória e pelo aumento do número de tentativas necessárias para aprendizado. Isto indica que o ultra-som, durante a vida fetal, pode alterar o desenvolvimento cerebral do camundongo na vida adulta.
(DEVI et al, 1995).

De 1.628 mulheres grávidas da população geral, 825 mulheres foram alocadas em exame de ultra-som entre a 18a e a 32ª semanas de gestação, além de cuidado pré-natal de rotina. 803 mulheres receberam uma única exposição ultrasonográfica e somente poderiam realizar outra caso houvesse precisa indicação clínica. A incidência de gravidezes pós-termo era aproximadamente de 70%, no grupo de exposição a ultra-som. Fica claro que, nas mulheres não submetidas ao ultra-som, com freqüência não há indução de trabalho de parto por avaliação de pós-termo. (EIK-NES et al, 2000)

Os estudos epidemiológicos sobre exposição humana de ultra-som na gravidez foram revisados. Eles concentraram possíveis associações de ultra-som in utero com câncer na infância, alterações do desenvolvimento neurológico, dislexia, tendência a uso da mão esquerda, atraso na fala e nascimento de baixo peso, quando houve muita freqüência de exposição de ultra-som Doppler. (SALVENSEN e EIK-NES, 1995)


James Greenleaf, Paul Ogburn e Mostafa Fatemi, da Fundação Mayo Rochester, investigaram a possibilidade de o ultra-som ser ouvido pelo feto, devido às vibrações secundárias no útero. As máquinas geram pulsos que partem em décimos de segundo e isto acontecendo de modo contínuo pode ser ouvido no tecido examinado. Colocaram um hidrofone no útero durante o exame e o som ouvido era similar às notas altas do piano. (SAMUEL, 2001)

Em pesquisa no Reino Unido também se verificou que o ultra-som de pulso Doppler tem som relativamente alto. (HENDERSON et al, 1995)
MOLE indica, em artigo de 1986, que a exposição ao ultra-som causa morte celular em animais e que, esta exposição no período entre a 16ª e a 18ª semanas, pode gerar alterações funcionais de neurônios nos hemisférios dos indivíduos. (BUCKLEY, 2005)

Estudos em humanos têm mostrado efeitos adversos do ultra-som; como ovulação prematura, vista por Testar e colaboradores, em 1982; aborto e trabalho de parto prematuro, vistos por Saari-Kemppaine e colaboradores, em 1990, e Lorenz e colaboradores, também em 1990; morte perinatal, vista por Davies e colaboradores, em 1992. (BUCKLEY, 2005)
Na Noruega, 2.161 crianças, (89%) dos escolhidos de 2.428 nascidos de gravidez não gemelar. Percebeu-se que há indicação de que a exposição ultra-sonográfica tenha relação com lateralização diferente da média. (SALVENSEN et al, 1993).

Em estudo na Suécia, entre 1973 e 1978, através da observação da população masculina quando do alistamento militar, viu-se que a incidência de canhotos era maior naqueles que tinham sido mais expostos a ultra-som, durante o pré-natal. (KIELER et al., 2001, KIELER et al., 2002) Ainda na Noruega, em uma amostra maior de 4.714 crianças, o mesmo fato foi observado. (SALVENSEN et al, 1999) Outro estudo na Universidade de Upsala, na Suécia, que comparou os nascidos entre 1985 e 1987, notou que a propensão à condição sinistra era maior entre meninos. (KIELER et al, 1998) Na Irlanda, dados similares foram achados sobre fetos que, expostos a ultra-som, apresentavam mais tendência a serem canhotos.(HEPPER et al, 1991)
Na Austrália, de 2.834 gestantes de gravidez do grupo exposto, as crianças nasceram de mais baixo peso. (NEWNHAM et al, 1993)

Numa amostra, 603 das 2.428 crianças expostas a ultra-som apresentavam dislexia. (SALVENSEN et al, 1992). A
dislexia também foi pesquisada por Stark e colaboradores, em 1984. (BUCKLEY, 2005)
Campbell estudou 72 crianças com atraso de fala, entre as idades de 24 e 100 meses. Todas elas tinham tido alto nível de exposição ao ultra-som, durante a vida fetal. (CAMPBELL, 1993)
Dois estudos randomizados, de longa duração, controlados na Suécia e na Noruega, compararam exposição, menor exposição ou nenhuma exposição ao ultra-som e o que se observou foi o efeito negativo sobre: desenvolvimento das crianças até oito e nove anos, medindo os efeitos no crescimento e alteração no desenvolvimento da audição, como demonstrado por Salvesen e colaboradores, em 1992; outros artigos, nos anos de 1992, 1993, 1994; e Kieler, em 1997. (BUCKLEY, 2005; KIELER et al, 1998).

Ultrasom de rotina é uma prática que não se provou resultar eficiente, mas, ao contrário, o uso caótico de tal rotina leva à repetição excessiva de exames, com o agravante de criar a visão, que se converte em uma tendência, de que a descoberta muito precoce de defeitos fetais e anomalias cromossomiais pode se dar através deste procedimento o qual, por seu turno, leva à maior argumentação para blindagem de rotina. O que deveria haver, na verdade, era um melhor preparo de quem maneja o aparelho para poder avaliar a realidade de existência de anomalias congênitas. (LEVI, 1998)


Ultrassom rotineiro está definido como um procedimento de blindagem, normalmente executado na população obstétrica total, entre 18 e 20 semanas de gestação. Tais procedimentos podem conduzir à ansiedade desnecessária, se há um resultado falso-positivo, ou para um falso-senso de segurança, se há um resultado falso-negativo. Literatura extensa não fornece nenhum suporte sobre a melhoria na mortalidade ou morbidade perinatal, nem sobre uma redução global em intervenção desnecessária com ultra-som rotineiro. O papel da ultrasonografia de rotina, e sua validade como um teste de blindagem para malformação fetal em uma população de pouco risco, ainda é o objeto de debate. (ANTSAKLIS, 1998)

O ultra-som expõe ao aumento da temperatura intracraniana. Tem som alto. Alterações do desenvolvimento neurológico, dislexia, tendência a uso da mão esquerda, atraso na fala e nascimento de baixo peso. Quando houve muita freqüência de exposição de ultra-som Doppler.
O ultra-som provoca três efeitos: o térmico, o de cavitação e a radiação, Atinge o gás nas células e causa explosão – especialmente em neurônios. O ultra-som somente se justifica quando a indicação se faz necessária e não se observou vantagem em seu uso de rotina.

Ao longo da observação de 9 meses em 3 clinicas do Rio de Janeiro, antropóloga concluiu: “tornou-se claro que naquele universo, no que dizia respeito à produção de verdades, o eixo subjetividade/objetividade se fazia presente de modo cotidiano e dinâmico na prática dos atores”. No tocante às “verdades médicas”, pode-se considerar que haveria um predomínio do aspecto ‘objetivo’, pois com freqüência elas eram apresentadas como dados matemáticos, quantificáveis, traduzidos em números, tais como idade fetal, peso, tamanho, fluxos sangüíneos etc. (mesmo que, a rigor, essas informações fossem apenas estimativas produzidas pelos aparelhos, os atores lidavam com elas como se fossem dados concretos)” (CHAZAN, 2007, p. 117)

“O prazer de olhar e seu correspondente – o de ser visto – são constantemente alimentados por novas tecnologias visuais.” – (CHAZAN, 2007, Exercendo o biopoder para gerenciar a vida).
A atividade fetal observada por meio de imagens é resignificada pela subjetividade dos atores presentes – médicos, gestantes e acompanhantes – que criam interpretações as mais diversificadas e imaginosas. (CHAZAN, 2007, BERGERET, SOULÉ, GOLSE, 2006). Todos os médicos no universo etnográfico da pesquisa de Chazan em 3 clínicas, por 9 meses, tinham a consciência de que havia uma dose de subjetividade na decodificação das imagens, e se ressentiam da atribuição da objetividade seja pelos seus colegas, seja por seus pacientes. (CHAZAN, 2007)


O “prazer de ver” as imagens fetais, e isto implica em filmes, sessões de filmes em casa com famílias e amigos leva a uma demanda que retroalimenta a demanda das gestantes por este tipo de exame. (KEMP, 2005).
É digno de nota a marcação do exame com finalidade única de ver o sexo do feto, e este comportamento não é verificado em outros países. (CHAZAN, 2007). O exame acaba por ter uma faceta médica e outra de entretenimento, com platéia variável. (CHAZAN, 2007).


A imagem, o consumo, correm juntas. Marketing é imagem, e a gestante, por exemplo, ao saber do sexo do bebê, dispara as compras “devidas”. É como se neste ato de consumo já começassem a cuidar de seus filhos – obedecendo a uma conexão “consumo-amor (MILLER, 2002)


A ênfase na visão do interior do corpo grávido e na busca por essas imagens coaduna-se, por seu turno, com a voga biologizante, fisicalista, de culto ao corpo, moeda corrente no universo observado por Chazan.


A conseqüência do ultra-som fetal é a antecipação da existência social do feto, através da tecnologia, modelando as culturas: visual, do corpo, de consumo e de monitoramento. (DUMIT & DAVIS-FLOYD, 1998, DOWNEY & DUMIT 1997, HARAWAY, 1991, e muitos outros)

(Fonte: Eleanor Luzes, PHD Ciência do Início da Vida)

1 de junho de 2011

Leituras pra gestantes...



Quando perguntada se já havia algo pronto pro bebê lá em casa, afinal, já estou entrando no sexto mês, eu pensei: Puxa, o enxoval é a última das minhas preocupações. Tenho umas poucas coisinhas que ganhei de presente e ainda não me ocorreu de "ir às compras", como a maioria faria.

Não! Eu estou estes meses todos em deleite, em revisão geral interna, em movimentos psíquicos, em faxina, em exercício da razão e da emoção... Trabalhando a formação física e espiritual deste serzinho que cresce em mim e a minha formação física e espiritual que se forma, com minhas novas formas, agora gestando. Aproveitando a bênção do universo em ter concedido a gravidez às mulheres para crescer... mesmo que doa, mesmo que seja difícil, mesmo que canse.

Talvez as leituras não sejam mesmo tão essenciais e aquela mulher da região rural, afastada dos pavores da cidade possa gestar com riqueza tal qual eu, que vivo a ler, a me instruir.

Mas, dentro do contexto da mulher moderna e estereotipada, como viver o deleite da gravidez sendo bombardeada por todos os lados com instruções, medidas, padrões, medicamentos, patologias, e, além de tudo, infantilizada pela situação? Impossível...

Os noves meses foram muito bem pensados pela natureza; não para forrar as gavetas do quarto do bebê, mas para forrar nossa alma de feminino, resgatar nossas origens de perpetuadoras da humanidade e, aí sim, abrir-se ao mundo, permitindo o nascimento daquela mulher e daquele filho.
Dilatar, ceder, consentir, dar... verbos femininos da maternidade! Mas a maioria quer comprar, colecionar, investigar, furar orelhinhas que nem lhe pertencem...

"Acabo de sair do exame de ultrassom! Está tudo bem como o bebê" (é o que dizem). Nossa, vejam o contrasenso: precisamos que um médico, terceiro estranho ao nosso vínculo, veja chuviscos na tela de um aparelho para ficarmos seguras de que 'tudo vai bem'? Será mesmo? Onde ficou nossa intuição? Nossa comunicação ultra-sensível de mulheres selvagens? Onde está nosso bebê? Dentro de nós ou nos olhos dos médicos?

Estou indo além, pensando que um exame desses não garante absolutamente nada do mundo mágico que é a vida intrauterina. Quantas mulheres saem da clínica com um exame atestando que está tudo bem e, em seguida, o bebê se vai? Quantas saem da consulta médica e, num roupante, o bebê nasce prematuro? Quantas fizeram a translucência nucal e deu 'síndrome de down', daí viaja, gasta, exames e mais exames, choros, desesperos e... não era, ufa! Ufa nada, e os meses de estresse sobre o bebê? A troco do quê? E quantas dão translucência normal e, mais dia menos dia, constatam que o bebê é diferente? Nada nos garante nem mesmo que o bebê encanará, de fato. Só a provisão divina. Sim, ficar grávida é coisa de gente grande! Ou melhor, de mulher grande! Por isto ficamos tão sujeitas, pois apostamos tudo no escuro.

Trata-se da mais pura e forte lição de desapego que existe. O apego que, segundo o budismo, é a causa de todos os sofrimentos. E é mesmo. Devemos nos entregar ao universo interior, voltar a ser o que somos, mulheres selvagens, entregue aos instintos, entregues a si e a mais ningúem! No laudo das ultrassonografias morfológicas está lá: ‘membros, órgãos, feição aparentemente normais’, ‘coração aparentemente com morfologia normal’. Bem com esse termo mesmo, aparente, que o dicionário diz: ‘aquilo que parece real ou verdadeiro, mas não existe, necessariamente, na realidade’.

É impossível navegar com segurança pela magia da gravidez. Quantas estórias conhecemos de erros? Mas será que é o médico que era? Já penso que não. Fazemos exames para, recebendo o atestado de que está tudo bem, continuar tecendo normalidade com a mente, mas o que acontece é o contrário. Quanto mais investigamos, pior fica, mais confuso, mais nervoso, mais invasivo, mais desrespeitoso.

E é nessa sopa psicologicamente negativa e insegura que a mulher mergulha na hora do parto. "Parto? Ah, eu quero normal". Infelizmente, devo dizer aqui que querer um parto dignamente normal não é o suficiente... quem navegou pela gestação com a alma infantilizada, num mundo no país das maravilhas vai se assustar muito quando conhecer a carne-e-osso que é o parto. Daí as consequencias psicossomáticas são simples: não haverá dilatação, o bebê não encaixa (mas quem não está encaixada na dinâmica, na verdade, é a mãe), a dor será insustentável, e por aí vai, todas aquelas complicações que os obstetras adoram e, volta e meia, falam orgulhosos: "eu disse, parto é uma caixinha de surpresas".

Dando continuidade à castração do feminino. Num rasgo de segundo, haverá um bebê bem real, sem os cachinhos dourados dos sonhos, nos braços desta mulher e ela deverá amamentá-lo com sua alma. Mas, que alma? Aquela infatil e vazia? Não, novamente ela será vítima fácil da artificialização do amor. Seu leite será fraco, insuficiente; ou seus seios não terão bico, ou racharão, ou serão muito grandes, muito pequenos... faltará entrega, coragem, confiança, faltará uma mulher adulta.

Nos dizeres de Laura Gutman (Maternidade) a mulher se deparará com a sua parcela mais recôndita da alma, encarará tudo aquilo que sempre quis esconder, disfarçar... por isto nossos filhos são a melhor ferramenta de crescimento e amadurecimento pessoal que existe, mas isto, claro, aos que estão dispostos a encará-los. O choro do recém-nascido é o choro oculto da mãe e isto fez todo sentido no nascimento do meu primeiro filho que veio de uma cesárea, recheado de frustração, por uma mulher que só 'queria' um parto normal. Todo meu choro, meu lamento, saía através do meu pequeno.
A posição vitimizada é sempre muito confortável, muito cômoda. A pose de Barbie ainda é muito valorizada. Mas não nos enganemos! Nossa alma cobrará pelo crescimento, mais dia, menos dia, ela aparecerá. A gestação, o parto, a amamentação são veículos maravilhosos de crescimento da mulher, mas se ainda assim ela preferir abafar sua verdade, em algum momento esta mulher faminta virá à tona. Nós até podemos nos esconder por um tempo, fugir, disfarçar, mas, não há saída: O progredir infinito é a Lei Universal!

Meu enxoval:
100 promessas para o meu bebê (Malika Chopra)
Origens mágicas, crianças encantadas (Deepak Chopra)
Diário da Gestante (Fadynha)
Quando o corpo consente (Thereze)
Memórias do Homem de Vidro (Ric Jones)
Nascer Sorrindo (Leboyer)
A cientificação do Amor (Michel Odent)
Maternidade e o encontro com a própria sombra (Laura Gutman)
Infância, Idade Sagrada (Evania Reichert)
Parto ativo (Janet Balaskas)
Mulheres que Correm com Lobos (Clarissa Pinkola)

E você? O que leu ou está lendo em sua gravidez para nutri seu corpo e sua alma? Conte aqui!

14 de fevereiro de 2011

Concepção: Venha bebê... (parte II)



Foi-me perguntada, sobre concepção, a seguinte dúvida: se a concepção é um evento tão sutil, tão espiritual e se o casal deve estar tanto em harmonia, em sintonia, como que mulheres que não querem engravidar concebem e casais em desarmonia, casos de violência etc.

É verdade que vemos, comumente, situações onde é evidente que a mulher não quer o filho, o pai não quer o filho, o casal muitas vezes sequer é um casal, há casos até mesmo de tentativas de aborto, enfim.


O que acontece nestes casos, em geral (frise-se!) é que não estamos falando de espíritos tão conscientes quanto os que procuram nascer nos lares da maioria das pessoas do nosso círculo de amizade. Estes espíritos são em geral aprisionados com a concepção por razões as mais diversas e não vem ao mundo lúcidos. É óbvio que todos nós estamos inseridos na mesma dimensão de vida, mas também é óbvio que conseguimos facilmente distinguir os níveis de amadurecimento das pessoas. Conseguimos claramente perceber de quem estamos mais conscientes e de quem estamos menos. Um exemplo disto é sabermos que para nós, a violência é inaceitável, ao passo que muito vivem mergulhados no sangue e no ódio. É fácil também vermos que personalidades como Madre Tereza estão muito além da nossa realidade de seres humanos pois nos parecem pessoas de outro mundo, de um plano espiritual superior, mais sutil.


Assim, os espíritos que desejam chegar a nossa família são evoluídos, esse é o caminho natural... serão melhores do que nós. E, por isto, possuem consciência de sua vinda, conseguem perceber as ondas sutis de desarmonia, medo, incerteza, caos. Mesmo que o casal esteja com seu corpo 'em dia', a mulher ovulando, o homem liberando uma taxa normal de espermatozóides, este serzinho perceber que só isto não basta, ele quer conexão: mulher-homem e destes dois com ele. Como eu disse, a concepção é a união harmônica de três almas, no breve instante do amor.

Porque o diário? Esses dias uma amiga me disse que não sabia se conseguiria escrever para o bebê todos os dias, como eu sugiro fazer quando o casal começa a pensar em conceber. E eu pensei: "será que você não teria nada para dizer ao seu filhinho?". Segundo ela, ela nunca foi muito de escrever. De fato, o melhor mesmo seria meditar, mas o ocidente não usa a meditação como deveria, como prática diária, então, a opção perfeita de exercício de conexão seria escrever. Deixar a criatividade aflorar (criatividade = fertilidade), permitir-se inspirar. E não seria maravilhoso, este filho já grande, quando aprender a ler, ganhar de presente este precioso diário mostrando a ele o quanto ele foi desejado, amado, antes mesmo de se materializar? Você pode, inclusive, continuar seu diário, transformando-o em diário de gravidez. Anotando suas mudanças, seus sonhos, e até mesmo colocando mensagens da família e dos amigos. Como diria a PHD Eleanor Luzes, esta criança já vem à vida com "kit auto-estima" completo!


Eu mesma tenho o diário dos meus dois filhos e é maravilhoso volta e meia ler, viajar no tempo, conhecer aquela mãe e a mãe sou hoje. Até mesmo nos momentos de dificuldades que todas nós mães passamos, um tesouro destes transforma-se em verdadeiro elixir.


Um livro que posso indicar e que me inspirou muito foi o "100 promessas para o meu bebê", escrito pela Malika, filha do Deepak Chopra. Quem sabe, você não pode dar sequencia e escrever as suas próprias promessas para o seu bebê?


Existiria no mundo maior presente do que este pequeno diário ser transmitido de geração em geração na família, mostrando o quanto aquelas pessoas são ligadas pelos amor? Que força e impacto isto teria na vida da sua neta, bisneta?

Nós precisamos, principalmente as mulheres, resgatar nossa inspiração, nossa intuição, nossa arte. As doenças que hoje acometem tanto as mulheres são doenças da mulher-masculina e as clínicas de reprodução estão lotadas porque as mulheres resolver se lembrar que são mulheres quando querem conceber, mas passaram anos escondendo, a duras penas, seu feminino. Esse tempo já passou, podemos respirar, relaxar e curir o que somos, sem cobranças. Já conquistamos, já provamos que conseguimos, já podemos votar, já alcançamos grandes postos, já vencemos a violência e a opressão. Podemos estender bandeira branca a nós mesmas e parar de fugir. A guerra já acabou! Chegar de lutar. 

Que delícia entregar as armas, inspirar e voltar para casa cheia de orgulho e oxitocina por ser MULHER!

www.cienciadoiniciodavida.com.br

5 de fevereiro de 2011

Concepção: Venha bebê (parte I)


É comum hoje ouvirmos estórias de casais que embora desejem muito um bebê, este bebê simplesmente não vem. Daí começam as maratonas de exames, check-ups, médicos, remédios, interferências. E, mesmo com um diagnóstico de que o casal não tem problema nenhum de fertilidade, o bebê continua não vindo. O casal não tem filhos e deseja muito, mas as vezes o casal já até tem filhos e quer mais...

O que acontece?

Acontece que a gravidez não é um fenômeno puramente físico. Não se trata apenas de fisiologia. Se assim fosse, todos os que tiveram com os exames ok, teriam seus filhos, certo? Então, esta é uma mostra de que a gravidez é um fenômeno espiritual, mental, emocional, psíquico. Sendo assim, um corpo são não é a garantia de conceber. É preciso mais... E é esse mais que está faltando para as mulheres de hoje em dia.

É preciso ser fêmea, ser quente e úmida, ser sensível, ser fecunda. É preciso acolher, rececer, ceder e doar-se, assim com o útero se doa para receber a semente.

Como querer engravidar e detestar a menstruação, por exemplo, como vemos muito comumente hoje? Como querer engravidar e ser masculina, ativa, rígida, fria? Como querer engravidar sem contar com a conexão do homem? Daí é festival de fertilizações em vidro! O bebê vem de um estupro artificial em que o homem força a geração de vida onde a própria vida enxergava solo árido e inóspito.

Então, qual a saída?

Minhas propostas são fruto de minha própria vivência e diversos cursos que fiz, entre eles, o de Ciência do Início da Vida com a PHD Eleanor Luzes.

O primeiro passo é a conscientização do casal da razão de vinda deste bebê. Tanto o futuro pai, quanto a futura mãe devem estar conectados, em corpo e espírito, numa verdadeira harmonia conjugal. É importante conversar sobre esse bebê, sobre a vontade dos dois, dos irmãos, se houver, enfim. A harmonia deve começar do casal pois a concepção é uma união de três almas.

Uma forma importante de a mãe se inspirar é comprando um diário e começando a escrever para esse bebê, todos os dias. Conecte com essa alma que anseia encarnar em sua família. Descreva-se como mãe, descreva o pai, a família toda. Anote poesias, contos e estórias que lhe encantam e lhe emocionam. Fale de sua fé e de o quanto esse bebê é importante. Os ocidentais não tem o costume de meditar, então indico este método como uma forma bem palpável de focar a mente e elevar o espírito e torno de um propósito.

A postura do casal deve ser como a de um casal que já está 'grávido', evitando embates, consumo de toxinas (álcool, fumo, drogas, cafeína etc) e a mãe deve pensar numa alimentação o mais nutritiva possível e na movimentação constante de seu corpo através de exercícios que lhe tragam bem estar e não angústia. Neste ponto a hatha yoga cabe como uma luva. (mais tarde veremos exercícios de yoga específicos para mulheres que buscam conceber naturalmente).

Carla Machado, uma terapeuta reichiana traz que o prefixo MA é comum às palavras Matrix (útero), Mãe e Mater (matéria) que é a nossa mãe-Terra. Cada uma destas mães, desde a mãe-Cósmica até a mãe-Terra, vão nos acolhendo e nos preparando para “nascer” para a próxima mãe, num ciclo infinito de encarnações.

E para que possamos vivenciar melhor estas etapas do ciclo de nascimento e morte, precisamos vivenciar bem a encarnação. O processo de encarnação no planeta, sob o ponto de vista do ser individualizado, independente, que se sente à vontade para caminhar sobre a Terra, nutrido e responsável por seus atos, o ser que queremos encontrar pelo caminho, que cuide de si e de seu ambiente, este ser só pode acontecer, se as etapas e as passagens entre as etapas forem suficientemente boas. Quanto mais consciente cada uma destas passagens, mais a passagem para a mãe-Terra pode acontecer e também melhor será o retorno à mãe-Cósmica.

Procurarei trazer um olhar reflexivo sobre cada uma dessas passagens iniciais. Como, em termos de tempo, são etapas relativamente rápidas (em comparação com as posteriores) estas guardam as chaves das soluções para a maior parte dos problemas “insolúveis” encontrados posteriormente. Esta é a primeira grande fase de acordo com a Ciência do Início da Vida de Eleanor Luzes.

A primeira e talvez a mais importante passagem é a concepção, quando o espírito vindo do Cosmos inicia seu contato com a matéria-corpo, vinda da Terra. Os textos sagrados de várias religiões, como os Vedas do hinduismo, o Livro Tibetano dos Mortos, a Bíblia, trazem alusão a este momento como de suma importância para todo o processo encarnatório. Portanto deveríamos estar mais bem informados e preparados para ele, antes que aconteça.

Mãe-Cósmica : concepção : Matrix (útero) : parto : Maternagem : independência : Mãe-Terra : morte : Mãe Cósmica

Preparação para Concepção

Nesta fase estamos na Terra e o espírito está ainda no Cosmos, portanto é preciso começar o trabalho aqui, preparando-lhe o terreno, como quem prepara a terra antes da semeadura. É preciso clarear e limpar um pouco nossas próprias questões, pois a fase antes da concepção é quando atraímos o espírito do ser que vai entrar em nossas vidas.

Às vezes, aparentemente está tudo bem, mas se colocarmos a mão um pouquinho mais fundo na consciência veremos o lodo e a sujeira acumulada debaixo do tapete.

Sugestão de alguns florais para concepção:

• Consciência de que há questões a serem trabalhadas: Agrimony (Bach), Raposa (Filhas de Gaia)

• Limpando padrões negativos anteriores:

- com relação à maternidade e à própria ancestralidade: Primavera (Filhas de Gaia), Honeysuckle (Bach), Madressilva (Saint Germain), Ancestral Patterns (Deserto)

- com relação à própria gestação / parto: Star of Bethlehem (Bach), Renascer (Ararêtama), Evening Primerose e Echinacea (FES), SOS Angels (Angels)• Mãe -Auto-aceitação, conexão com a grande-mãe: Paineira (Filhas de Gaia), Castanheira (Amazônia), Quince (FES), Rosa-rosa (Agnes / St.Germain)

• Pai – Responsabilidade, acordar o pai interno: Elm (Bach), Inner Father (Deserto), Saguaro e Sunflower (FES), Unicornio (FG). A participação do pai é importantíssima, pois ele é quem “pesca” o espírito do ser que irá encarnar (ex do congresso: pai com a luz lilás vindo pelo topo da cabeça)

• Relação do casal: Lantana (Minas), Bush Gardenia e Wedding Bush (Australia). Que o bebê não seja uma tentativa de acertar o casal, pq isso resulta em verdadeiros desastres

• Escolha de conceber, clarear qual a real motivação, se o bebê não vem para tapar um buraco existencial, uma frustração profissional: Scleranthus, Wild-Oat e Chicory (Bach)

Concepção - Consciência

Tenho ouvido de muitas mulheres que é melhor deixar esta etapa ao sabor do acaso, pois “Deus escolhe melhor do que eu. E afinal de contas, se eu não conseguir engravidar não vou ficar frustrada e se engravidar será uma boa surpresa”.

Realmente, é uma escolha TÃO importante que é normal, a princípio, nos sentirmos pouco capazes de participar dela, pois é algo realmente Divino este momento. Mas se participamos conscientemente de tantos momentos menos importantes de nossas vidas, como escolha de entrar ou sair de uma faculdade ou de um emprego, vamos ficar de fora logo neste?? Se pudermos ser co-criadores com Deus, utilizando nosso livre-arbítrio, que maravilha termos no mundo seres mais conscientes e responsáveis.

Peça toda a ajuda do Universo, Deus, toda a natureza e espíritos ajudantes. Peça à Terra toda a inteligência dela em suas miríades de formas. Peça pelo poder dos corpos celestiais que residam em você para que você possa ser um universo para seu bebê. Peça e continue pedindo pela presença da mais elevada alma pronta para encarnar.

Ovular 12 vezes ao ano não significa que automaticamente ele estará pronto para vir logo nestas primeiras 12. Se o casal escolhe conceber conscientemente claro que a concepção pode demorar, até mais tempo do que uma concepção “ao acaso”. Por que este espírito cristalino necessita de condições especiais para vir, um momento planetário ideal. A melhor concepção para seu bebê e a melhor época para ele nascer pode ser durante um curto período do ano, portanto se não acontecer naquele ano, talvez só no ano seguinte.

Amor e sexualidade


O fato é que, neste momento, há muitos seres de luz se preparando para encarnar, mas eles precisam de condições especiais. Há outros tantos menos iluminados buscando sua chance no planetinha que vão aproveitar a primeira oportunidade para virem resgatar seus carmas. Muitas crianças são concebidas ao final de uma briga, com um ou os dois pais meio “altos”, onde o sexo atua como reconciliação. A criança já vem com a impossível missão de viver reconciliando os dois, ao invés de poder espelhar a divindade Pai-Mãe no amor dos pais. E dá-lhe de relacionamentos difíceis (já viram algum?) entre pai e filho, mãe e filha, abandono, culpas, processos de paternidade, etc e etc. Para evitar tanto jogo cármico nos relacionamentos, é fundamental conceber conscientemente e com amor.

• Sexualidade: Hibiscus (Minas), Sexual Harmony (Deserto), F.Sexualidade (Angels / Solaris). Lembrando que o floral é feito com água + sol / calor, traz-nos a união da Mãe Terra com o Pai Sol, essência da sexualidade sagrada.

Ato sagrado

Que um respeite o outro como ser sagrado e divino. Que haja contato entre os dois, que seja um momento de verdadeira comunhão e celebração deste amor, um verdadeiro ato sagrado.

• Contato para concepção: Clematis (Bach), Madia (FES), Sodalita (Solaris)

• Prepara para a chegada no novo espírito: Lírio da Paz (Agnes), Angélica (FES)

É muito importante preparar-se e este preparado depende muito da mulher. Sejamos mulheres-fêmeas verdadeiras!
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