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18 de fevereiro de 2014

Movimento de Humanização do Nascimento e Parto: 50 tons de... 'o ativismo pegou você'

  

por Cariny Cielo

Você percebe que o ativismo tomou conta de você quando...
  1. Quer digitar a palavra ‘parte’, mas digita automaticamente a palavra ‘parto’, reiteradas vezes
  2. Círculo de fogo não é um filme em cartaz nos cinemas e sim um momento do expulsivo
  3. Ric não é Ric Martin, aquele cantor latino, e sim um famoso escritor e obstetra gaúcho
  4. AC não é 'Antes de Cristo', e sim Ana Cris, famosa obstetriz paulistana
  5. O nome Melania te lembra imediatamente de ‘indicações reais e fictícias de cesárea
  6. Você não está na Revolução Francesa, mas vive gritando “Maíra Libertad
  7. Polido tem o arroz e tem a Carla
  8. DPP, DUM, TP, PD, IU, AU, LM, LD viram siglas cotidianas e você passar a ter um glossário próprio pra conversar nas redes sociais
  9. Líquido nunca é um estado físico da água, é sempre o amniótico
  10. Bolsa é a que envolve o bebê, raramente você se lembra que usa uma a tira colo
  11. Frotinha não é o apelidoso carinho do Alexandre Frota e sim um fictício (ou não) obstetra cesarista
  12. Falar e escrever ‘menas’ não é mais um errinho de gramática
  13. Você fala em períneo mais do que qualquer outro ser humano na face da Terra
  14. GAMA não é um clube de futebol, e sim o Grupo de Apoio à Maternidade Ativa
  15. Os obstetras têm medo de conversar contigo
  16. Escreve rehuna com ‘h’ mesmo quando quer escrever a conjugação do verbo reunir
  17. Gravidez prolongada é só quando passa das 42 semanas
  18. As pessoas não te contam que escolheram fazer cesárea
  19. O Michel famoso é o Odent, e não o Teló, e você o cita como se ele fosse seu chegado
  20. Você vai ao cinema várias vezes para assistir ao mesmo documentário, e chora em todas elas
  21. Você compra o DVD do filme O Renascimento do Parto só pra emprestar pros outros
  22. Coroar não te lembra monarquia e sim uma fase do expulsivo
  23. Tampão não te lembra absorvente interno, e sim aquele mucoso, que sela o colo do útero.
  24. Você diz pra todo mundo que o parto nasce ‘entre as orelhas
  25. Você não é soldado, mas vive marchando
  26. Você tem licença pra escrever coisas como ‘doula a quem doer
  27. Você cria neologismos como partolândia, maridoulo, doulamiga, mamaço...
  28. Quando grávida... mente sobre a data provável do parto, jogando umas duas semanas a mais. Não gasta com enxoval e sim com livros e equipe de assistência ao parto. Exige que o pai do bebê saiba tanto de parto quanto você. Faz 1/5 dos exames de ultrassom que o médico pede
  29. Na hora de parir... você toma até tapa na cara, mas não toma sorinho na veia. Cortam teu pescoço, mas não cortam tua vagina. Amarram tua boca, mas não amarram tuas pernas.
  30. Você ajuda mulheres que nunca viu na vida e talvez nunca veja, mas sente como se fossem irmãs
  31. Machismo, misoginia, patriarcado passam a ser termos correntes que ganham um significado negativo muito profundo
  32. Você ri por dentro quando alguém diz ‘minha cesárea foi humanizada, teve luz apagada e tocou CD da Enya’
  33. Você chora por dentro quando alguém diz que ‘minha cesárea foi por sofrimento fetal. O bebê nasceu com apgar 10-10’
  34. Desconfia de grupos, blogs, sites e afins que chamam as mulheres de mãezinhas, gravidinhas e demais 'inhas'
  35. Faz alguém se arrepender amargamente de ter constrangido uma mulher amamentando convocando um mamaço que sempre sai nos jornais em todo Brasil
  36. Nunca foi muito boa em planejar, mas virou perita em plano de parto
  37. Você tem amigas que são a biblioteca cochrane ambulante
  38. Você sabe mais sobre os protocolos de atendimento ao neonato do que o seu pediatra
  39. Alojamento conjunto não tem nada a ver com militares dormindo todos juntos
  40. Colo tem dois: o do útero e o que a mãe dá ao bebê, sem ressalvas
  41. Você pode ser urbana, mas visita direto uma Vila
  42. Você explica que violência obstétrica existe pra pessoas que achavam que violência contra a mulher era só 'esposa apanhar de marido'
  43. Você ficou fã de uma cientista depois que ela virou mãe
  44. Pra você, parto bom é o parto livre, é o parto ativo, é o Parto do Princípio
  45. Mexer com Jorge Kuhn é mexer com você
  46. Sonha em fazer terapia com Laura UpligerEleanor LuzesEvania ReichertLaura Gutman... 
  47. Você se empodera para o próprio parto e este empoderamento reverbera em outras áreas da sua vida
  48. Pra você, a Gisele Leal tem mais ibope que a Bündchen
  49. Bola de pilates não é pra fazer pilates, é pra relaxar a pelve durante o trabalho de parto e banqueta não é pra sentar, é pra parir 
  50. Você é chamada constantemente de radical, mas sempre tem uma amiga mais radical que você... e isto é ótimo



12 de novembro de 2013

O Renascimento do Parto em Cacoal Rondônia


por Cariny Cielo

A FACIMED, a Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal – Rondônia, aprovou o projeto de extensão “O Renascimento do Parto em Cacoal” de autoria da enfermeira obstétrica Tânia Roberta Furtado que é professora do curso de enfermagem da instituição.

O curso é coordenado pela enfermeira Janice Segura, que acompanha o projeto. O objetivo é estimular a participação dos acadêmicos na exibição do filme nas sessões do Cine Art Cacoal. A proposta é realizar debates, inclusive em salas de aulas, acerca do filme, como forma de amadurecer o assunto em Rondônia.

Tal participação é de extremo valor e importância uma vez que envolver a classe acadêmica é valioso para levantar discussões de qualidade, promover reflexões e enriquecer o pensamento dos futuros profissionais.

O tema é relevante e a comunidade acadêmica é uma força motriz, fomentadora de mudanças e de conscientização.

São, ainda, colaboradores do projeto: o médico Flávio Ferrari, professor do curso de medicina da instituição e a educadora perinatal Cariny Cielo, membro da rede Parto do Princípio.



Para saber mais:

CACOAL É A PRIMEIRA CIDADE DE RONDÔNIA A EXIBIR O FILME "O RENASCIMENTO DO PARTO"

Em exibição inédita no Estado de Rondônia, dia 18 de novembro, o Cine Art de Cacoal, de propriedade de Paulo Roberto Bezerra, trará o filme nacional "O Renascimento do Parto" que já é um dos documentários de maior bilheteria na história do cinema nacional e exibido em mais de 40 cidades.

O filme bateu o recorde brasileiro de crowdfunding (financiamento coletivo), foi selecionado para festivais internacionais de cinema em Los Angeles, China, Venezuela e Colômbia, selecionado para o XIV Projeta Brasil Cinemark entre os 28 melhores filmes de 2013 segundo a Rede Cinemark e convidado pela Secretaria Geral da Presidência da República para ser exibido no Palácio do Planalto diante ministros e autoridades.

O filme aborda, de maneira sensível e muito tocante, uma questão de saúde pública: o excesso de cesarianas e a mercantilização do nascimento no Brasil, que é campeão de nascimentos por cirurgia no mundo. Rondônia, neste aspecto, carrega o vergonho título de primeiro lugar do país, por três anos consecutivos, conforme dados do DATASUS.

Cine Art estreará o filme em Cacoal, cidade que é polo universitário dos cursos de medicina, enfermagem e técnico em enfermagem, embora o tema seja de interesse geral e de imensa relevância mormente tratar-se de tema que envolve todos direta ou indiretamente.

"Foi uma longa jornada conseguir o contato com a distribuidora do filme, mas estou vendo que todo esforço tem valido a pena. A equipe do filme é formada por pessoas espetaculares que estão neste projeto apenas por amor", conta Camila Duarte, gerente do Cine Art Cacoal que ficou sabendo do projeto através da Parto do Princípio, rede nacional de mulheres em prol da maternidade ativa

Imperdível: Dia 18 de novembro, segunda-feira, às 20:00 em pré-estreia para convidados e a partir do dia 19 de novembro, todas as noites às 22:00 horas.

Assista o trailer


6 de agosto de 2012

A Marcha Nacional Pela Humanização do Parto em Rondônia... e as mulheres dançando...

"E os que dançavam foram considerados loucos 

por aqueles que não ouviam a música". 

(Nietzsche)






por Cariny Cielo


Esta frase é sucesso garantido quando estamos vivendo uma revolução. Geral, local, gradativa ou radical, não importa... sempre combina, sempre veste muito bem e, se você acha que consegue, vale a pena ler Nietzsche (quem é esse?) para, no mínimo, fazer cosquinha no cérebro.
Bailaram, no último domingo, algumas anônimas e corajosas mulheres em Rondônia! A Marcha Nacional pela Humanização do Parto teve em Porto Velho sua pincelada talvez mais singular.

Se há um lugar no Brasil onde mulheres defendendo humanização do parto seriam mais consideradas loucas, esse lugar certamente é Rondônia. Somos nós o único Estado da região norte do país onde os nascimentos por cirurgia superam os por parto normal.

Por aqui, todo esse papo ainda é delírio! Exceto pela Maternidade Pública Municipal de Porto Velho (que em 2010 recebeu o selo de Hospital Amigo da Criança pelo Ministério da Saúde, e onde trabalha uma das que Marcharam - a Enfermeira Sandra Schultz) todo o resto fala outra língua.

O grave de falar outra língua, no entanto, é que esse outro idioma é ouvido e 'entendido' todos os dias, dezenas de vezes, por inúmeras mulheres que buscam o sistema obstétrico quando se vêem grávidas.

O outro idioma, no caso, o da intervenção artificial em um evento fisiológico, entorpece de tal forma que raramente vemos as mulheres gritarem dizendo que não estão entendendo o que se diz...

O mais comum é aceitar: aceitar a gravidez excessivamente monitorada com a posição de frágil e doente da mulher, a cirurgia mais arriscada vendida como melhor por conveniência, a falta de ética, a ameaça, o medo paralisante, a mutilação vaginal, o corte abrupto do cordão umbilical, o soro na veia, a posição humilhante, o frio do ar e das pessoas, a luz forte, as vozes estranhas, as ordens, os julgamentos, o bebê que vai embora sem que sequer veja a mãe, a rapagem de pelos e lavagem intestinal, o ácido nos olhos de quem mal viu o mundo, a solidão, o isolamento, fim...

Nasceu um cidadão e nasceu uma mãe dentro de um sistema violento, mas, quem liga? Eles não estão ouvindo a música tocar... Nem eles, nem os médicos e médicas que os atenderam, nem pediatras, nem os familiares envolvidos, nem as enfermeiras ou enfermeiros e técnicos ou técnicas... ninguém... faz-se um silêncio mortal nas salas obstétricas do país e de nosso Estado.

O bom é que um dia a música toca. Sempre toca, é a ordem natural das coisas, é a Lei da Vida, é o progredir infinito do qual ninguém fugirá. Ele vem com prazer ou dor, nos empurrar topo acima...

E essa música tocou com prazer e euforia, no domingo... fazendo dançar orgulhosas, as que ouviam, com deleite, a canção.

Dançou a Paula com seu filho nascido da coragem e naturalmente. Dançou a Sandra que todos os dias molha de sangue e vida suas mãos para fazer respeitar mulheres que chegam a seu caminho. Dançou a Elis que cicatrizou um corte com um parto desafiador, feliz e em casa. Dançou a Alyssa com seus partos naturais, um domiciliar, no florescer da vida. Dançou a Silvania que traz o valor do natural correndo nas veias. Dançou a Helena que se inspirou quando grávida na música que tocava de outras mulheres. Dançou a Lorenna que, numa outra gravidez, se viu uma outra mulher. Dançou a Camila que ainda não tem filhos, mas já acredita no feminino. Dançou a Izabela que sente que essa é a música certa para se ouvir. Outras tantas anônimas talvez passaram, naquele instante, a ouvir e a dançar também...

Que bom que se ouve por aqui o som cristalino e puro da nova onda...

Que orgulho fazer parte desta estória!





16 de maio de 2012

Movimentos pelo respeito ao nascimento e parto: O que eu quero?


por Cariny Cielo

Hoje eu dei uma entrevista sobre parto, mulher, humanização do nascimento, essas coisas. Foi uma tarde agradável ao lado de uma jornalista super divertida e muito dinâmica. Ela me contou, inclusive, a própria experiencia com o nascimento da filha, uma cesárea quase que imposta.

Eu queria uma eternidade para falar sobre parto, mas tive que me render ao tempo e ao chamado dos filhos, só que fiquei pensando em o que deixar como resumo, como informação principal...

Eu poderia dizer muitas coisas sobre ter filhos naturalmente. Poderia recomendar o parto natural, o aleitamento, uma gestação sem interferências e o mais consciente possível...

Minha estória dos últimos cinco anos, onde saí de uma menina completamente entregue à medicina, na primeira gestação (o que me rendeu um corte na barriga para fazer nasceu o meu primeiro filho), à uma mulher que pariu sozinha em casa, me permite ter muito assunto. Muitas dicas, conselhos, referências, evidências científicas, livros, exercícios, sugestões, papites... enfim... mas eu não quero nada disso. Essas vivências são muito pessoais para fazer eco em outras mulheres, eu quero mais que isso tudo!

Quero dizer às mulheres apenas uma coisa: Temos liberdade de fazer escolhas, mas estas escolhas devem ser conscientes.
Quero apenas mostrar que coragem tem que ter não quem pari em casa, sozinha, mas quem agenda uma cirurgia para fazer nascer o filho, pois morrem muito mais bebês e mulheres nestas circunstâncias do que parindo naturalmente. Isso são dados, e não 'achismos' ou estórias folclóricas...

Quero que saibamos que estamos nos expondo e expondo nossos filhos a muito mais riscos numa cesárea do que num parto natural. E, não, repito! Isso não é o que eu acho... são evidências científicas, algo que a maioria dos obstetras ignora para nos vender a cirurgia como melhor, mais fácil e mais segura! Não é!

Não me importam suas escolhas, mas me importa apenas saber se elas são livres, conscientes e informadas!
Se, a despeito de conhecer todos os riscos, você optar pela via cirúrgica, esta será uma escolha responsável e adulta. Mas o que vemos atualmente são mulheres completamente silenciadas, ocupadas com o enxoval do bebê, sem saber muito sobre o próprio feminino, enquanto o médico 'cuida' do parto.

Quero tornar público que o parto normal oferecido pelos hospitais é violento, é humilhante e desrespeitoso para a mulher. E que, ao par disto, é até compreensível que se escolha tanto a cirurgia.

Quero tão somente abrir os olhos das mulheres para a castração do feminino na sociedade em que vivemos e que durante a gestação e parto isso fica muito evidente através das práticas invasivas que fazem no corpo e na alma da mulher.

Somos desde cedo impelidas a acreditar que não funcionamos bem. Devemos silenciar nossos ovários à custa de hormônios porque menstruar dói muito. Dói mesmo... dói ser mulher num mundo de falos! Parir dói demais... dói mesmo! Dói partir-se para fazer nascer a mulher e abandonar a menina. Amamentar dói... dói mesmo abdicar do posto de receber para doar, com o sangue.

Ser mulher tem doído muito... afogar nossa essencia, dia após dia, para atender às demandas do mundo, dói demais!

Mas o que eu quero, afinal?

Meu desejo é muito singelo...

Quero que a escolha das mulheres seja consciente para, só assim, ser verdadeiramente livre.

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