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11 de setembro de 2012

Amamentação: Só uma música doida daquelas que as mães cantam pros filhos...


Com o aval do Luan Santana para esta licença poética materna (mentira, ele nem sabe!), aí vai uma paródia-canção sobre filho, pós-parto, hormônios, aleitamento materno, attachment parenting (criação com vínculo), e outras coisinhas relativas ao amor.

Só uma música doida daquelas que as mães cantam pros filhos... aumenta o som!
Ocitocina (Cariny Cielo)

Meu coração tá relaxado
Meu corpo tá viciado
Nesta louca ocitocina que me faz arrepiar
Meu leite ferve nas tetas
Quando você me incendeia


Vem mamáááaáá

Estou vidrada em você
Química perfeita
Não quero nem entender
É impossível te dizer não

Você criou as regras
Estou na palma da suas mãos

Tô relaxando com o seu amor
Me entreguei pra ficar perto do seu calor
Inconseqüente, nossa paixão
A cada dia uma nova emoção

Meu coração tá relaxado
Meu corpo tá viciado
Nesta louca ocitocina que me faz arrepiar
Meu leite ferve nas tetas
Quando você me incendeia

Vem mamá!

Meu coração tá relaxado
Meu corpo tá viciado
Nesta louca ocitocina que me faz arrepiar
Meu leite ferve nas tetas
Quando você me incendeia

Vem mamááaáááááá...

Estou vidrada em você
Química perfeita
Não quero nem entender
É impossível te dizer não

Você criou as regras
Estou na palma da suas mãos

Tô relaxando com o seu amor
Me entreguei pra ficar perto do seu calor
Inconseqüente, nossa paixão
A cada dia uma nova emoção

Meu coração tá relaxado
Meu corpo tá viciado
Nesta louca ocitocina que me faz arrepiar
Meu leite ferve nas tetas
Quando você me incendeia

Vem mamááaááá

Quando você chega mais perto é prazer
Meu coração acelera quando eu tô com você
Essa magia chega e domina
O meu peito explode é pura ocitocinaaaaaaaaa

Meu coração tá relaxado
Meu corpo tá viciado
Nesta louca ocitocina que me faz arrepiar
Meu leite ferve nas tetas
Quando você me incendeia

Vem mamááaááá

Meu coração tá relaxado
Meu corpo tá viciado
Nesta louca ocitocina que me faz arrepiar
Meu leite ferve nas tetas
Quando você me incendeia

Vem mamááaááá

Vem mamááááááááááááá...

11 de julho de 2012

Puerpério: bem vindo sangue...sangue bem vindo...


por Cariny Cielo

Lá se foram nove meses do meu cisma! O nascimento, meu e do meu filho, passou como flash, num piscar de olhos. Em termos hormonais - e muitos acreditam, em termos energéticos também - o meu puerpério terminou agora, com a volta dos meus ciclos menstruais.

Menstruei orgulhosa e saudosa nove meses depois do parto e dezoito meses depois da vida se aninhar no meu útero! Orgulhosa por receber novamente os banhos de renovação que as fases dão só a nós, mulheres. E saudosa por, enfim, despedir-me daquilo que foi a verdadeira libertação da minha fêmea.

Deixo pra trás meus dias de puérpera, de corpo dedicado unicamente à cria, de simbiose profunda com o universo encantado do filho recém chegado... os dias de altos e baixos emocionais, de vazio estrógeno, de noites truncadas e apetite variante... deixo uma sombra: a que enfrentei com coragem para nascer e renascer como mãe, novamente.

Recebo o cio, a enxurrada de hormônios, o viço de mulher fêmea e não mais de mulher mãe. Que venha a beleza tão lindamente projetada pela natureza, finamente desenhada pela divina força... aquela que gera, que cria! A dona do mundo. O ciclo chega assim, dizendo-me: sejas tu, mulher, fêmea! E eu sigo, criadora e criatura...

Aquilo que ouvi a vida toda que era feio, sujo, fétido... que era para esconder, disfarçar, lamentar: meu sangue! Meus sinais, minhas fases. Presa que eu era num calabouço masculino, minha única saída era lembrar, todos os meses, que havia uma mulher ali dentro... sedenta de vida! Uma "mulher brava", diria Clarissa Pinkola.

E talvez por isso eu sempre gostei de menstruar... da cor, do cheiro, das ondas de sensações que vinham com a ovulação. Não me incomodava, não me doía, não me limitava... eu não queria esconder ou mentir... era algo muito, muito simbólico para mim. Eu ainda não sabia o que o futuro me reservava mas já sentia que esse sangue era sagrado.

Essa semana precisei responder uma pergunta bem simples sobre o nascimento do meu filho caçula: "o que mais te marcou no parto?" Que difícil dizer! No entanto, de tudo que me vinha a mente, uma coisa havia em comum: as sensações corpóreas, de maneira geral, me marcaram muito. Ver, tocar, conhecer a minha placenta. Ver, tocar, sentir o cordão umbilical. O barulho que ouvi quando a bolsa d'água estourou. O bebê mexendo dentro de mim, querendo nascer, depois coroando e enfim, escorregando quentinho pro meu colo. Aquele cheirinho de bombom no quarto que perdurou por dias.

Todas sensações de carne, osso e sangue! Dizem que a placenta é nossa 'mãe interna'. E eu fiquei impressionada em ver como é grande, corpulenta, cor de sangue enegrecido...

E, por gostar sempre tanto de tudo que pertencia à minha intimidade, eu não poderia ter vivido a jornada do nascimento de outra maneira, a não ser a minha maneira!

Tinha quer ser assim... a menina que gostava do sangue que a avó insistia em dizer que ela deveria ter asco. A menina que se olhava e se investigava onde se dizia ser imoral tocar. A menina que tinha certeza que havia mais do que aquilo que o mundo apresentava como sendo das mulheres.

Não é nosso: a dor, o fardo, o peso ou a vergonha!

Nosso é o gozo, a vida, o riso solto, a renovação e a expressão...

A natureza não foi injusta com as mulheres! Quem transformou os eventos fisiológicos femininos em dores e patologias foi o modelo patriarcal que conquistou o mundo desde séculos atrás. E isso é tão forte e pujante que nós mesmas, as maiores vítimas, perpetuamos...

Menstruação não é vergonha, nem nojo. Não é para doer! Parto não é coisa de índia, é coisa de mulher. Não é para doer! Amamentar não é coisa de pobre, é natural. Não é para doer! Envelhecer não é coisa de mulher relaxada, é a ordem natural do mundo. Não é para doer! Chorar não é perder! Sentir não é ser fraco! Dar não é espoliar-se!

O que dói não é o sangramento mensal, nem a gravidez, nem o parto, nem a menopausa... dói a mulher, por querer desesperadamente ser fêmea num mundo de falos.

Hoje eu dei mais um passo na minha jornada pela mulher que nasci para ser...

Bem vindo, sangue; dores não me servem mais!





Em nota: Difícil achar uma imagem de menstruação no google! Esta, linda, e única, que achei trouxe, de quebra, uma estória interessante: veja aqui. e divirta-se com os comentários!!!

14 de fevereiro de 2012

Amamentação: O desmame e a angústia do não falar...



por Cariny Cielo

eu poderia ter dito àquela mãe que quem estava perdendo era, principalmente, ela. Nada do manjado papo de que o 'leite materno é o melhor alimento'... todo mundo já sabe disso.

depois de cerca de 4-5 meses de amamentação exclusiva, estava ela, à minha frente, dizendo que havia desmamado seu bebê e que estava tomando medicamentos para parar a produção do leite materno.

quem perdeu? os dois, certamente! O bebê não receberá mais sua dose diária de vacina, nem aquele colinho único de peito de mãe... mas a mãe perdeu mais!

eu poderia dizer para ela que a amamentação, nos dias de hoje, seria uma das poucas vivências femininas autênticas que ela teria para desfrutar. Num mundo de cortes na barriga para nascer e gestações monitoradas, amamentar é o que resta para muitas mulheres...

eu poderia ter insistido com ela que todas aquelas mastites de repetição no seio direito, em verdade, queriam dizer alguma coisa, mas nunca que ela deveria suspender a amamentação natural.

não, não era a mastite. Era seu bebê desesperadamente clamando por contato. Não digo nem contato físico, ele queria conexão emocional, espiritual, energética com essa mãe. Eu poderia ter dito isso a ela.

é, eu poderia sim ter dito que amamentar é se fazer fêmea, selvagem e única e que isso tem um preço. Que era preciso despir-se das inúmeras máscaras que colocamos todos os dias para os mais diferentes tipos de pessoas e situações e sermos apenas nós, assustadoramente verdadeiras, em carne-viva.

eu poderia ter falado que o puerpério desvela em nós os véus que colocamos para maquiar nossas vidas e nos expõe nua, em pelo. Que nossa sombra, aquela parcela de nós que não gostamos, não queremos ver, vem com força arrebatadora, construindo e destruindo... e, para quem quiser aproveitar a tsunami, é o momento de salvar a si mesma e ser mulher, talvez pela primeira vez na vida.

e eu deveria ter dito que amamentar dá medo. Sim, é assustador constatar a simplicidade da vida em tempos de artificialidade. Assusta ver que eles vivem e crescem durante seis meses a despeito de qualquer coisa criada pelo homem! "Como isso?", diriam algumas. "Eu precisei de artifícios para engravidar; eu fui analisada mês a mês com aparelhos de ultrasom; no dia determinado pelo médico eu fui cortada e me entregaram um bebê avaliado, pesado, medido, asseado; e, agora, eu não preciso de mais nada para criá-lo? Só o leite que me verte?".

dá medo confiar num seio tão diferente da mamadeira graduada. Quanto ele mamou? Como mamou? Não importa... a natureza fez de uma maneira que fosse irrelevante fazer estas perguntas.

eu poderia ter argumentado ainda que o bebê não mama apenas leite, ele mama amor, energia, fluidos sutis da mãe, quando está no seio. Não é só leite; é amor, confiança, resiliência, fé na vida... assim ele mama. Alimenta seu corpo e sua alma.

é, eu talvez tinha que ter dito que se tratava, ali, do início de uma separação que deveria ocorrer somente por volta dos dois anos. Que, com alguns meses, o bebê ainda é fusão pura, simbiose pura. Ele é o que ela é. Ele está como ela está e que isto seria um maravilhoso mecanismo de crescimento pessoal.

seria um passo sem volta, eu diria a ela. um passo que provavelmente vá doer quando este mesmo filho, já adolescente, mostrar completo distanciamento desta mãe, enquanto ela volta a linha do tempo na cabeça e se pergunta onde errou.

eu poderia dizer que choro de culpa que ela demostra agora na minha frente por "tadinho", "tirar o leitinho dele" é, na verdade, o choro da mulher que ela poderia ser. O choro de todo o potencial de amadurecimento, de libertação, do que ela deveria perseguir e não quis. É o choro, na verdade, da vergonha de não enfrentar, de não fazer as perguntas difíceis, de optar pelo mais fácil e mais cômodo. É a dor de não crescer. Esta sim, mais doída e muito mais exigente do que a dor de enfrentar e seguir adiante.

dentro daquela mulher cheia de argumentos superficiais e paliativos médicos para desmamar sua cria, uivava uma loba sedenta de feminino...

mas eu não disse nada.

ouvi toda a estória das mastites, dos antibióticos, do bebê não querer 'mamá', dos bicos escoriados, do início das papinhas e do leite artificial, do veredicto médico...

ouvi tudo, muda, sem tecer uma só palavra, apenas assistindo, com pesar, o desmoronar da fêmea... talvez deveria ter dito algo. Talvez deveria ter, como 'procuradora constituída', falado em prol do bebê. Quem sabe eu deveria ter gritado com ela, batido na mesa, arregalado aqueles olhos, rosnado... mas não, só consegui fazer sair um "eu entendo" minguado e atônito.

minha tristeza não foi nem tanto pelo bebê; ele escolheu a mãe que tem e, do ponto de vista nutricional, ele vai seguir muito bem. Será um bebê amado e feliz.

doeu-me a amiga, a mulher, a mãe que estava ali na minha frente, presa em uma armadilha sutil, abrindo mão, deliberadamente, de crescer.




Imagem daqui

23 de dezembro de 2011

Puerpério: O dia depois do parir...


por Cariny Cielo

Demorou! Demorou bastante para eu me sentir novamente e traçar palavras. O parto é um ápice dilacerante que nos parte, nos reparte, dos divide e, no paradoxo da vida, nos une ao que somos verdadeiramente e ao ser que colocamos no mundo.

Embora a sensação inebriante de conquista e felicidade esteja permanentemente guardada dentro da gente, para todo o sempre, o dia depois do parir traz mudanças muito pontuais na vida da mulher. Somos impelidas a estar magras, lindas, sorridentes, disponível, cuidando de tudo, como sempre fomos. Mas não! Não é assim... Não é para ser assim. A natureza planejou diferente. Criou um bebê prematuro e um esquema de amamentação continuada que vincula fortemente a mãe a sua cria e à necessidade de parar, de frear, de largar tudo e virar bicho, de novo.

Depois de parir ainda estamos em simbiose com um ser totalmente novo. Os três primeiros meses são recheados de vivências. É o quarto trimestre. Curiosamente, quando fomos se aproximando dos 3 meses, eu e o Cassiano começamos a sentir coisas diferentes. Eu passei a me reconhecer novamente, aos poucos, a relembrar o parto, a relembrar a gravidez, a olhar no espelho e dizer: Essa sou eu! Eu passei a sentir na carne a mesma vivência dos exatos três meses atrás e depois relembrar o dia que, feito mágica, o Cassiano pediu-me permissão para vir...

Toda a minha jornada da gravidez foi refeita. As lutas para gestar e para parir. Tudo que construí e tudo que se destruiu na minha frente, a despeito de mim...

Ontem, há 3 meses, o Cassiano nasceu em paz. E somente hoje, 12 semanas depois, eu consigo juntar os pedacinhos de mãe, mulher, ser humano e fechar mais este ciclo. Ele continua minha sombra. Mostrando-me e apontando-me, no 'quê' de tudo.

Meu jardim não está tão bem cuidado como quando eu estava grávida. Também não consigo mais me imaginar bordando bonequinhas como fiz no chá de bebê. O guarda-roupa não está em ordem. As unhas ainda estão por fazer. Nem sempre eu lembro de passar batom ou o blush. As roupas ainda me caem estranhas, como que saídas de outro mundo. Ora estou sem apetite, ora faminta. Quase sempre não sei ao certo o que exatamente quero comer. O sono ainda é saltado, mesmo quando o bebê sequer me chama. À noite os sonhos me deixam louca, embora eles não me trazem tanto impacto como quando eu estava gestando. Ainda não consegui começar a ler nada. Foram meses de leituras dirigidas ao meu momento grávida e para o parto, agora, falta-me opção. As músicas me envolvem diferente também. Quando escuto as seleções de quando estava gestante elas me soam distante de mim, embora guardem uma calorosa lembrança.

A barriga nos protege. É como um escudo mágico e com ela vivemos em outra dimensão. Levamos meses para nos acostumar com a ideia da gravidez mas com o parto é diferente. Em um instante somos uma, piscamos os olhos, e lá estão dois seres. Não há etapa, não temos tempo para ir assimilando a ideia... não! Só há a rasguidão do parto.

E depois, desprotegidas e vulneráveis, cai em nossas mãos aquele bebê mágico, tão lindo quanto completamente estranho. Tão íntimo por sair de nosso claustro, mas tão completamente individual e único. É, ele está aqui! E a mãe? Onde está? Está no puerpério... nome estranho para uma época igualmente estranha. No limbo feminino entre ser mulher e ser mãe. Ainda não somos nós, mas não somos mais grávidas. Está tudo em carne-viva, como me diria uma amiga! Podemos ter quantos filhos for, mas sempre um novo parto nos levará para um novo 'xeque-mate' de vida! Não mais a grávida e seu escudo protetor, nem ainda a mulher de sempre. Uma mãe. Somente e totalmente.

Viverei assim? Poderei gerar? Poderei parir? Conseguirei cuidar dos filhos? Darei conta do meu trabalho ou das minhas vocações? Será que ainda quero isso? Ou será que ainda quero aquilo? Que bicho doido que vira uma mulher no pós-parto...

Mulheres! Não atendam à demanda patriarcal de sair do pós-parto e virar mulher-maravilha! Mergulhem dentro de si, sem medos. Façam-se as perguntas devidas, mesmo as mais difíceis. Adocem a voz, a pele, o olhar e ninem seu bebê. Ninem a si mesmas sabendo dizer 'não' e respeitando-se.

Deixem que a louça espere, o jardim siga sozinho, o corpo se adapte, o sono venha em qualquer horário, a fome seja desregulada, o sexo vire namoro... enfim... deixe o mundo correr no ritmo dele e você, imprima o seu próprio ritmo!

O dia depois do parir é assim! Voltam a nós todas as nossa profundas questões. O que sou, exatamente? Ainda não sei. Mas, hoje, só posso dizer que sou uma puérpera...
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