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25 de setembro de 2013

A amamentação e as chagas do patriarcado



por Cariny Cielo


Aí você nasce, vindo de um meio que é conforto puro. Conforto térmico, conforto gravitacional, conforto auditivo, conforto visual, um toque gostoso, o sacolejo ritmado, a explosão de sons que tranquilizam, a paz profunda...

Alimentava-se quase que ininterruptamente, sem nenhuma ressalva. Assim que queria, como bem lhe aprouvesse, dava goladas generosas de líquido amniótico. Não havia dia, nem noite. Era o tempo sem hora.

Passada a tensão que todo o ritual traz, seja ele de partida ou de chegada, você conhece, enfim, sua mãe.

Mas agora o tempo é outro! É o tempo dos relógios, é o tempo das medidas, dos padrões. É o tempo do engessamento, do reto, do limpo, do direito... é o tempo da razão. E assim, surgem as regras, a rotina imposta. Surge a distancia, o silêncio, a inércia.

Você é, então, deixado em um berço, sem aquele som, sem movimento, sem alimento. E você busca, em completo desespero, aquele conforto que vivenciou e que te trazia tanta paz. Você estava no paraíso e agora... Bem vindo! Você chegou na sociedade patriarcal!

A invenção do patriarcado foi a negação do ventre materno, do seu dom de dar a vida e de tudo mais relacionado ao feminino: a emoção, o instinto, o calor, o conforto, o contato, a empatia, o colo, o doar-se. Mulheres e homens sufocados, buscando na razão, o que só a emoção explica... e é por isso que você sofre.

Sua mãe provavelmente não tem na própria mãe um esteio para apoiar-se nesta jornada. Ela também não amamentou. E não há mais mulheres ao redor, não há tias, primas, irmãs... as famílias são agora núcleos fechados, valoriza-se o indivíduo e não o coletivo. Não existe comunidade pois estão todos distantes, fechados em suas próprias paredes.

Você não sabe falar, é um bebê fisiologicamente prematuro e busca desesperadamente por aquele ambiente de paz que tem em seus registros de memória mais primitivos. E aí você chora. Chora por ser a única forma que conhece de se fazer visto e ouvido. Você carrega os milhões de anos que o tornaram um ser humano e sabe que chorar é a chance de ser acalentado, de ser livrado do perigo... são registros muito primitivos, do instinto, da chama essencial do que que nos faz humanos, da fagulha divina.

Ela sabe que você é um grande presente, mas, distante que está de seus instintos femininos por tê-los sufocados a vida toda para encaixar-se nos ideais impostos, acha que é nos livros que aprenderá como lhe acalentar. Ingênua ignorância. Você está aqui para lembrá-la de que ela é instinto, ela é mamífera, ela é bicho, ela é mais um ser vivo neste vasto planeta... com toda a fisiologia à serviço da vida. E é aí que ela racha. Racha porque não sabe mais ser natural. Realizamos grandiosos feitos com nosso maravilhoso neocórtex, mas o nosso primitivo ainda grita dentro de nós... grita por respeito, por validação, por liberdade. Muitas vezes é só no momento do conceber, gestar, parir e amamentar, que a mulher se dá conta, enfim, de que é um ser mamífero, dotado de razão, de intelecto caminhando lado a lado com a emoção e o instinto.

Sua mãe busca os anseios femininos, mas nem sempre os encontra. Sua mãe está confusa, perdida, ama com o corpo e alma, mas não consegue se conectar com a alma feminina, essencial para as tarefas de cuidado e empatia.

Seu pai também passou anos recebendo mensagens de que emoções são sinais de fraqueza e, por isso, ele quer ser forte, ele quer compreender com a cabeça, não com o coração. O coração foi calado, endurecido e posto sem segundo plano. Talvez por isto mesmo, por ser o macho, o homem, o pai, ele tenha ainda mais dificuldade em exercer a empatia com você... que chora, clamando por um colo.

Qualquer livro que diga algo diferente de 'ouça seu filho'; ouça o que este bebê quer dizer'; 'esqueça todas as regras e seja pai e mãe desta criança que é única no mundo todo' é inimigo do aleitamento, é inimigo do feminino, é inimigo do natural, é inimigo da vida.

Eu sei que é impossível para você aguardar por três longas horas para saciar sua fome de alimento e de vida. Eu sei que é insuportável mamar e ser privado do seio pela arbítrio do relógio, de um tempo que até poucos dias você sequer conhecia. Nem eu consigo ficar 3 horas sem comer ou beber algo, imagino como deve ser desesperador para você que acabou de chegar por aqui e está em período de simbiose profunda com a sua mãe. Você acha que é o que ela é, sequer se compreende indivíduo. Eu entendo, entendo porque lhe é impossível aceitar a separação dos corpos. Entendo seu grito. Separar te soa como morrer.

Eu sei que você precisa mamar o leite anterior, que te mata a sede, mamar o leite posterior, que te mata a fome e, mais ainda, eu sei que você precisa mamar para sentir que está vivo, eu sei que você precisa daquela bolha de amor, daquela energia pulsante te dando boas vindas. Sei que o leite posterior é produzido quando a amamentação está disponível em sua plenitude, sem regras, sem rigidez.

Mas regra e rigidez são ferramentas do patriarcado. Esse modo de vida contrário a própria vida. E é por isso que ela não consegue te ouvir. Ela é amor, mas é um amor sem pernas e braços para ir ao teu encontro e te pegar no colo.

Eu sei como é a solidão fria, silenciosa e inerte do berço e que isto não se parece em nada com aquele estado de deleite em que vivias. É preciso um ouvido carinhoso e alguém que cuide de sua mãe para que ela possa, enfim, te ouvir e, se entregando a ti, te compreender. Ela foi educada para ser invencível, para ser perfeita e tua insistente exigência soa para ela como uma espoliação. 

Seu choro motiva nela culpa e derrota... mas ninguém tem culpa. Nem tu que está sendo apenas o que é, nem ela que está fazendo aquilo pelo qual foi talhada para fazer. 

Quanto à derrota, bom... todos perdem... perdem a vivência única de bem receber um recém chegado, cheio de mistérios e encantos. Perdem de viver com leveza o bom e o ruim deste grande encontro. Perdem a delícia de desfrutar e se conectar com aquela energia que é pura inocência. E perde você que, não se alimentando bem, perde peso, perde sossego e pode perder o seio, assim que um médico pouco comprometido lhe receitar leite artificial...

Como curar esta chaga? É justamente no momento de cisma da mulher - quando ela se vê mãe - que esta ferida mais dói. Surge a dor da saudade que se sente na nossa parcela mulher mais verdadeira e livre, aquela que levamos anos para sufocar. E a cura? A cura, nos dizeres de Mirela Faur, virá com encontros de homens e mulheres em círculos e vivências comunitárias, para despertar e alinhar mentes, corações e espíritos em ações que visem a cura e a transmutação das feridas da psique, infligidas pelo patriarcado.

Apaziguar a si mesmo, harmonizar seus relacionamentos, vencer o separatismo, reconhecer e honrar a interdependência de todos os seres, evitar qualquer forma de violência, dominação, competição ou discriminação são desafios do ser humano contemporâneo, no nível pessoal, coletivo e global. Incentivando a parceria e a integração entre os gêneros.

Mas hoje, agora, já, eu digo que é preciso mais contato, mais toque. É preciso mais devoção, é preciso mais entrega despretensiosa. É preciso mais linguagem de mãe. É preciso mais ajuda sincera e sem julgamentos. É preciso um amor despido, um amor de carne, osso e alma. É preciso um 'colocar-se do lugar de'.

É preciso mais colo sem tempo e um seio sem relógios...

Eu sei o quanto você deseja calor, embalo e colo, mas você chegou por aqui em tempos difíceis...


Imagem: arquivo pessoal

13 de dezembro de 2012

Maternidade Ativa: Dicas de leitura para gestantes


Há tempos que me pedem uma lista! Lista de livros, lista de DVDs, lista de blogs, lista de sites...

Eu prefiro chamar de enxoval! Sim, os noves meses de gestação são riquíssimos momentos de preparação e amadurecimento pessoal, como eu já disse por aqui.

Então, acredito que ler, participar de listas de discussões, assistir vídeos, ouvir relatos e estórias de outras mulheres, enfim, tudo isso forma nosso enxoval da alma.
Cada livro é um degrau na escadinha na nossa psiquê... cada relato faz eco dentro de nós... cada música pode fazer dançar nossa mulher selvagem...

Pedi ajuda da amiga Kalu, do Vila Mamífera, para finalizar a lista e 'voilà la', aqui está! E se você tiver mais alguma interessante sugestão, vamos anotar aqui...

Livros para gestação, parto, pós parto e maternagem

Mulheres que correm com lobos: Clarissa Pinkola (empoderamento feminino, autoconhecimento, psicologia)

Empoderando as Mulheres: Adriana Tanesse Nogueira (empoderamento feminino, exercícios de autoconhecimento para gestantes, preparação emocional para o parto e maternagem)

Origens Mágicas, Vidas Encantadas: Deepak Chopra (autoconhecimento, nutrição, tratamentos caseiros, yoga, mentalizações, preparação emocional e física para o parto, participação do pai)

Lobas e grávidas: Livia Penna Firme Rodrigues (empoderamento feminino, autoconhecimento, preparação emocional e física para o parto e maternagem)

A Bíblia da Gravidez: Vários autores (aspectos físicos da gestação, parto e pós parto. Com fotos) 

O Livro da Maternagem: Dra Relva. Editora Schoba.

Educar Sem Violência. Lígia Moreiras Sena e Andréa Mortensen. Editora 7 Mares.

Quando o corpo consente: Therese Bertherat (preparação emocional para o parto, relatos de parto)

Memórias do Homem de vidro: Ricardo Herbert Jones (estórias de humanização do nascimento, relatos de parto, empoderamento feminino)

Entre as orelhas - histórias de parto: Ricardo Herbert Jones (estórias de humanização do nascimento, relatos de parto, empoderamento feminino)

Parto Ativo: Janet Balaskas (Melhor livro de preparação para o trabalho de parto)

Parto com amor: Luciana Benatti (Relatos emocionantes de parto com belíssimas fotos)
Maternidade e o encontro com a própria sombra: Laura Gutman (Autoconhecimento, ser mãe e mulher, estado puerperal, maternidade)

Bésame Mucho: Carlos Gonzales (cuidados com bebês e crianças, maternidade, criação com vínculo)

O bebê mais feliz do pedaço: Hervey Karp (cuidados com bebês, maternidade, paternidade, criação com vínculo)

A criança mais feliz do pedaço: Hervey Karp (tem em DVD) (cuidados com crianças pequenas, maternidade, paternidade, criação com vínculo)

Infância Idade Sagrada: Evania Reichert: Psicologia, educação infantil, prevenção das neuroses

100 Promessas para o Meu Bebê. Mallika Chopra

Parto Místico: Uma história sobre o percurso feminino de empoderamento

Parto Alquímico: Uma história sobre o percurso feminino de transformação

Coleção Amigas do Parto: Relação de livros de empoderamento feminino para gestação, parto e pós-parto


DVDs, CDs, vídeos e artigos lúdicos

DVD 'O Renascimento do Parto'. Documentário com a segunda maior bilheteria do país.

DVD ‘Amamentação sem Mistério’ Grupo de Apoio à Maternidade Ativa - GAMA

DVD ‘Ciência do Início da Vida’ Eleanor Luzes: concepção, gestação, parto, e os primeiros anos de vida da criança.

CD ‘Vida de Bebê’: Músicas para cumplicidade com o bebê

CD ‘Nascer e Renascer’ Rosa Zaragoza: músicas para trabalho de parto, dança, ritmo, meditação

CD ‘Mozart para bebês’: Músicas para relaxamento na gestação, e pós parto.

Bonecas didáticas : http://flordosul.com (para chás de bebês, bênção da gestação, brincadeiras com filhos e/ou companheiro, desenvolvimento do lúdico)

Terra Flor Aromaterapia: óleos essenciais, óleos vegetais para gestação e parto

Slingue: Você e Seu Bebê juntos e com estilo: Carregadores de bebê: faixas artesanais e super fashion, para carregar bebês de várias formas.

Fraldas ecológicas: Fralda Bonita ou Fralda Madrinha (fraldinhas de pano feitas artesanalmente)
Higiene sem fraldas: Elimination Communication (método que dispensa o uso de fraldas através de profunda comunicação e vínculo com o bebê)

Blogosfera Materna

www.rehuna.org.br : Rede pela Humanização do Nascimento e Parto

Blog do pediatra Carlos Corrêa

Organização Parto do Princípio : Mulheres em rede pela Maternidade Ativa

Blog da Organização Parto do Princípio : Blog da rede ‘Parto do Princípio’ com relatos, artigos e ações.
Aleitamento Materno: O primeiro e mais antigo portal sobre amamentação do Brasil. Tudo sobre amamentação, eventos, artigos e livros.
Amigas do Peito: Grupo de apoio à amamentação.
Vila Mamífera: O maior portal da Maternidade Ativa do país
Amigas do Parto: Tudo sobre parto, relatos e artigos científicos (sem atualização)

ONG Amigas do Parto: Portal completo sobre gestação, parto e pós parto.

Cientista que Virou Mãe : Um dos melhores blogs sobre Maternidade Ativa
Blog da Doutora Melania Amorim : Melhor blog sobre evidências científicas na obstetrícia

Super Duper: Entretenimento e informação de qualidade, criação com vínculo, experiências maternas.
Post indicado: Tudo que você precisa saber sobre cesárea: www.superduper.com.br/2012/07/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre.html

Minha Mãe Que Disse : Portal com reunião de blogs sobre Maternidade Ativa. Entretenimento e informação, experiências maternas, sorteios.

Paizinho, vírgula! As aventuras de um pai apegado.

Memezinho da Mamãe : Blog de humor para mães.

Movimento Infância Livre de Consumismo: Blog sobre criação de filhos e consumo consciente, movimento que combate a publicidade infantil, responsabilidade dos pais.

Mamatraca: o melhor portal com vídeos sobre maternidade, carreira, comportamento.

Cesárea, não obrigada: melhor grupo do facebook para discussão sobre Medicina Baseada Em Evidências Científicas.

Parto Em Rondônia no facebook: Grupo fechado para discutir condições de atendimento obstétrico em Rondônia

Documentário Violência Obstétrica: A Voz das Brasileiras (sobre a realidade brasileira com depoimentos de mães de todo Brasil, inclusive eu, que sofreram violência obstétrica). Assista para não ser vítima!


Prestação de serviços em Rondônia

Em Porto Velho: Equipe Bello Parto

Em Rolim de Moura: Espaço Luz do nascer

19 de setembro de 2012

Diário de Grávida: Dias 15...19 de setembro de 2011...


Há mais de dez anos atrás, eu participei do Encontro de Yoga da AYRON (Associação de Yoga de Rondônia) e fiquei responsável por aplicar a sessão de relaxamento com todos os participantes!

Sempre fui apaixonada por rock e, na época, quis fugir do comum e escolhi uma música do Beatles chamada Across The Universe. O refrão diz "nada vai mudar o meu mundo...".

Tá, mas o que isso tem a ver com minha retrospectiva?
Certo, vamos lá! (vai ficar bom, acredite!)

Dia 15 de setembro, há um ano, eu tive um dia difícil. Náuseas, desconforto, falta de ar, irritação, dor... fui pra casa tentar relaxar e cheguei a pensar "se for a hora, então, pelo jeito, o negócio vai ser pedreira", porque realmente estava doendo muito minhas costas, minha virilha, minhas coxas, minha cabeça... doía tudo...

Liguei um canal de músicas na TV e, que música surge?

Esta música, década depois, ouvida novamente num momento muito, muito especial... um reencontro. Além de delícia de ouvir por acaso uma música que a gente gosta muito e muito significativa (quem já passou por isso entende!), a letra parecia ter sido escrita, com carinho, para mim, para este momento único que estava se ajeitando...

Nada vai mudar meu mundo!

Sim, e o meu mundo, meu cenário, meu corpo, meu parto estavam todinhos desenhados... e foi aí que eu me convenci...

Ouvir essa música nas vésperas do parto foi a cereja do meu bolo!

Na manhã do dia seguinte, eu escrevi assim:

"As águas amanheceram calmas após o temporal de ontem, mas um tsunami se prepara, com esmero, nas profundezas do meu corpo e alma".

E saí escrevendo:

"Estamos aqui completando 39 semanas de amor e fé na Vida"

"Filho, eu confio em você! Eu confio em mim! Eu confio em seu pai! Eu confio em Deus! Nossa fé é absoluta... sei o que o melhor está por vir"

"Venha com vontade de me ver, não tenha medo"

"Quando a mente se cala, o corpo assume o comando"

"Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem"

"A medida que permitimos que nossa própria luz brilhe, inconscientemente nós damos aos outros permissão para fazer o mesmo. A medida que somos libertados do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente liberta os outros."

Definitivamente, eu era uma mulher focada!!!


Eu sonhei com o Ric Jones (vc tem que saber quem ele é! Autor de "Memórias do Homem de Vidro" e "Entre as orelhas: hitórias de parto" que podem ser comprados aqui).

Eu tomei banho de rio, comi bolinho de chuva feitos com carinho pela minha sogra, chorei de emoção ao ler a Carta da Nona Lua, procurei qualquer nozinho dentro de mim que pudesse me prejudicar... eu queria liberdade!!! 


Acordei no dia 20 pensando: vou chamá-las mas não esperá-las. Ou seja, eu iria chamar a assistência de Porto Velho, capital, mas sentia que não poderia ficar à espera delas! À noite, tive muitas contrações... eu sabia que seria no dia da árvore... como eu sabia tão bem? Nem eu sei... até hoje, tem vezes que eu me assusto com tanta conexão.

Ah, eu não esqueci da música não! Aí vai... (e diz se não dá de relaxar e se entregar!!!)



Através do Universo
Palavras flutuam como uma chuva sem fim dentro de um copo de papel
Elas se mexem selvagemente enquanto deslizando através do universo.
Piscinas de mágoas, ondas de alegrias estão passando por minha mente
Me possuindo e acariciando

Glória ao mestre

Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo

Imagens de luzes quebradas que dançam na minha frente como milhões de olhos
Eles me chamam para ir através do universo.
Pensamentos se movem como um vento incansável dentro de uma caixa de correio
Elas tropeçam cegamente enquanto fazem seu caminho pelo universo

Glória ao mestre

Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo

Sons de risos, sombras de amor estão tocando meus ouvidos abertos
Incitando e me convidando.
Ilimitado amor eterno, que brilha em minha volta como milhões de sóis,
E me chamam para ir pelo universo

Glória ao mestre

Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo
Nada vai mudar meu mundo

Glória ao mestre

Glória ao mestre

1 de junho de 2011

Leituras pra gestantes...



Quando perguntada se já havia algo pronto pro bebê lá em casa, afinal, já estou entrando no sexto mês, eu pensei: Puxa, o enxoval é a última das minhas preocupações. Tenho umas poucas coisinhas que ganhei de presente e ainda não me ocorreu de "ir às compras", como a maioria faria.

Não! Eu estou estes meses todos em deleite, em revisão geral interna, em movimentos psíquicos, em faxina, em exercício da razão e da emoção... Trabalhando a formação física e espiritual deste serzinho que cresce em mim e a minha formação física e espiritual que se forma, com minhas novas formas, agora gestando. Aproveitando a bênção do universo em ter concedido a gravidez às mulheres para crescer... mesmo que doa, mesmo que seja difícil, mesmo que canse.

Talvez as leituras não sejam mesmo tão essenciais e aquela mulher da região rural, afastada dos pavores da cidade possa gestar com riqueza tal qual eu, que vivo a ler, a me instruir.

Mas, dentro do contexto da mulher moderna e estereotipada, como viver o deleite da gravidez sendo bombardeada por todos os lados com instruções, medidas, padrões, medicamentos, patologias, e, além de tudo, infantilizada pela situação? Impossível...

Os noves meses foram muito bem pensados pela natureza; não para forrar as gavetas do quarto do bebê, mas para forrar nossa alma de feminino, resgatar nossas origens de perpetuadoras da humanidade e, aí sim, abrir-se ao mundo, permitindo o nascimento daquela mulher e daquele filho.
Dilatar, ceder, consentir, dar... verbos femininos da maternidade! Mas a maioria quer comprar, colecionar, investigar, furar orelhinhas que nem lhe pertencem...

"Acabo de sair do exame de ultrassom! Está tudo bem como o bebê" (é o que dizem). Nossa, vejam o contrasenso: precisamos que um médico, terceiro estranho ao nosso vínculo, veja chuviscos na tela de um aparelho para ficarmos seguras de que 'tudo vai bem'? Será mesmo? Onde ficou nossa intuição? Nossa comunicação ultra-sensível de mulheres selvagens? Onde está nosso bebê? Dentro de nós ou nos olhos dos médicos?

Estou indo além, pensando que um exame desses não garante absolutamente nada do mundo mágico que é a vida intrauterina. Quantas mulheres saem da clínica com um exame atestando que está tudo bem e, em seguida, o bebê se vai? Quantas saem da consulta médica e, num roupante, o bebê nasce prematuro? Quantas fizeram a translucência nucal e deu 'síndrome de down', daí viaja, gasta, exames e mais exames, choros, desesperos e... não era, ufa! Ufa nada, e os meses de estresse sobre o bebê? A troco do quê? E quantas dão translucência normal e, mais dia menos dia, constatam que o bebê é diferente? Nada nos garante nem mesmo que o bebê encanará, de fato. Só a provisão divina. Sim, ficar grávida é coisa de gente grande! Ou melhor, de mulher grande! Por isto ficamos tão sujeitas, pois apostamos tudo no escuro.

Trata-se da mais pura e forte lição de desapego que existe. O apego que, segundo o budismo, é a causa de todos os sofrimentos. E é mesmo. Devemos nos entregar ao universo interior, voltar a ser o que somos, mulheres selvagens, entregue aos instintos, entregues a si e a mais ningúem! No laudo das ultrassonografias morfológicas está lá: ‘membros, órgãos, feição aparentemente normais’, ‘coração aparentemente com morfologia normal’. Bem com esse termo mesmo, aparente, que o dicionário diz: ‘aquilo que parece real ou verdadeiro, mas não existe, necessariamente, na realidade’.

É impossível navegar com segurança pela magia da gravidez. Quantas estórias conhecemos de erros? Mas será que é o médico que era? Já penso que não. Fazemos exames para, recebendo o atestado de que está tudo bem, continuar tecendo normalidade com a mente, mas o que acontece é o contrário. Quanto mais investigamos, pior fica, mais confuso, mais nervoso, mais invasivo, mais desrespeitoso.

E é nessa sopa psicologicamente negativa e insegura que a mulher mergulha na hora do parto. "Parto? Ah, eu quero normal". Infelizmente, devo dizer aqui que querer um parto dignamente normal não é o suficiente... quem navegou pela gestação com a alma infantilizada, num mundo no país das maravilhas vai se assustar muito quando conhecer a carne-e-osso que é o parto. Daí as consequencias psicossomáticas são simples: não haverá dilatação, o bebê não encaixa (mas quem não está encaixada na dinâmica, na verdade, é a mãe), a dor será insustentável, e por aí vai, todas aquelas complicações que os obstetras adoram e, volta e meia, falam orgulhosos: "eu disse, parto é uma caixinha de surpresas".

Dando continuidade à castração do feminino. Num rasgo de segundo, haverá um bebê bem real, sem os cachinhos dourados dos sonhos, nos braços desta mulher e ela deverá amamentá-lo com sua alma. Mas, que alma? Aquela infatil e vazia? Não, novamente ela será vítima fácil da artificialização do amor. Seu leite será fraco, insuficiente; ou seus seios não terão bico, ou racharão, ou serão muito grandes, muito pequenos... faltará entrega, coragem, confiança, faltará uma mulher adulta.

Nos dizeres de Laura Gutman (Maternidade) a mulher se deparará com a sua parcela mais recôndita da alma, encarará tudo aquilo que sempre quis esconder, disfarçar... por isto nossos filhos são a melhor ferramenta de crescimento e amadurecimento pessoal que existe, mas isto, claro, aos que estão dispostos a encará-los. O choro do recém-nascido é o choro oculto da mãe e isto fez todo sentido no nascimento do meu primeiro filho que veio de uma cesárea, recheado de frustração, por uma mulher que só 'queria' um parto normal. Todo meu choro, meu lamento, saía através do meu pequeno.
A posição vitimizada é sempre muito confortável, muito cômoda. A pose de Barbie ainda é muito valorizada. Mas não nos enganemos! Nossa alma cobrará pelo crescimento, mais dia, menos dia, ela aparecerá. A gestação, o parto, a amamentação são veículos maravilhosos de crescimento da mulher, mas se ainda assim ela preferir abafar sua verdade, em algum momento esta mulher faminta virá à tona. Nós até podemos nos esconder por um tempo, fugir, disfarçar, mas, não há saída: O progredir infinito é a Lei Universal!

Meu enxoval:
100 promessas para o meu bebê (Malika Chopra)
Origens mágicas, crianças encantadas (Deepak Chopra)
Diário da Gestante (Fadynha)
Quando o corpo consente (Thereze)
Memórias do Homem de Vidro (Ric Jones)
Nascer Sorrindo (Leboyer)
A cientificação do Amor (Michel Odent)
Maternidade e o encontro com a própria sombra (Laura Gutman)
Infância, Idade Sagrada (Evania Reichert)
Parto ativo (Janet Balaskas)
Mulheres que Correm com Lobos (Clarissa Pinkola)

E você? O que leu ou está lendo em sua gravidez para nutri seu corpo e sua alma? Conte aqui!

14 de fevereiro de 2011

Concepção: Venha bebê... (parte II)



Foi-me perguntada, sobre concepção, a seguinte dúvida: se a concepção é um evento tão sutil, tão espiritual e se o casal deve estar tanto em harmonia, em sintonia, como que mulheres que não querem engravidar concebem e casais em desarmonia, casos de violência etc.

É verdade que vemos, comumente, situações onde é evidente que a mulher não quer o filho, o pai não quer o filho, o casal muitas vezes sequer é um casal, há casos até mesmo de tentativas de aborto, enfim.


O que acontece nestes casos, em geral (frise-se!) é que não estamos falando de espíritos tão conscientes quanto os que procuram nascer nos lares da maioria das pessoas do nosso círculo de amizade. Estes espíritos são em geral aprisionados com a concepção por razões as mais diversas e não vem ao mundo lúcidos. É óbvio que todos nós estamos inseridos na mesma dimensão de vida, mas também é óbvio que conseguimos facilmente distinguir os níveis de amadurecimento das pessoas. Conseguimos claramente perceber de quem estamos mais conscientes e de quem estamos menos. Um exemplo disto é sabermos que para nós, a violência é inaceitável, ao passo que muito vivem mergulhados no sangue e no ódio. É fácil também vermos que personalidades como Madre Tereza estão muito além da nossa realidade de seres humanos pois nos parecem pessoas de outro mundo, de um plano espiritual superior, mais sutil.


Assim, os espíritos que desejam chegar a nossa família são evoluídos, esse é o caminho natural... serão melhores do que nós. E, por isto, possuem consciência de sua vinda, conseguem perceber as ondas sutis de desarmonia, medo, incerteza, caos. Mesmo que o casal esteja com seu corpo 'em dia', a mulher ovulando, o homem liberando uma taxa normal de espermatozóides, este serzinho perceber que só isto não basta, ele quer conexão: mulher-homem e destes dois com ele. Como eu disse, a concepção é a união harmônica de três almas, no breve instante do amor.

Porque o diário? Esses dias uma amiga me disse que não sabia se conseguiria escrever para o bebê todos os dias, como eu sugiro fazer quando o casal começa a pensar em conceber. E eu pensei: "será que você não teria nada para dizer ao seu filhinho?". Segundo ela, ela nunca foi muito de escrever. De fato, o melhor mesmo seria meditar, mas o ocidente não usa a meditação como deveria, como prática diária, então, a opção perfeita de exercício de conexão seria escrever. Deixar a criatividade aflorar (criatividade = fertilidade), permitir-se inspirar. E não seria maravilhoso, este filho já grande, quando aprender a ler, ganhar de presente este precioso diário mostrando a ele o quanto ele foi desejado, amado, antes mesmo de se materializar? Você pode, inclusive, continuar seu diário, transformando-o em diário de gravidez. Anotando suas mudanças, seus sonhos, e até mesmo colocando mensagens da família e dos amigos. Como diria a PHD Eleanor Luzes, esta criança já vem à vida com "kit auto-estima" completo!


Eu mesma tenho o diário dos meus dois filhos e é maravilhoso volta e meia ler, viajar no tempo, conhecer aquela mãe e a mãe sou hoje. Até mesmo nos momentos de dificuldades que todas nós mães passamos, um tesouro destes transforma-se em verdadeiro elixir.


Um livro que posso indicar e que me inspirou muito foi o "100 promessas para o meu bebê", escrito pela Malika, filha do Deepak Chopra. Quem sabe, você não pode dar sequencia e escrever as suas próprias promessas para o seu bebê?


Existiria no mundo maior presente do que este pequeno diário ser transmitido de geração em geração na família, mostrando o quanto aquelas pessoas são ligadas pelos amor? Que força e impacto isto teria na vida da sua neta, bisneta?

Nós precisamos, principalmente as mulheres, resgatar nossa inspiração, nossa intuição, nossa arte. As doenças que hoje acometem tanto as mulheres são doenças da mulher-masculina e as clínicas de reprodução estão lotadas porque as mulheres resolver se lembrar que são mulheres quando querem conceber, mas passaram anos escondendo, a duras penas, seu feminino. Esse tempo já passou, podemos respirar, relaxar e curir o que somos, sem cobranças. Já conquistamos, já provamos que conseguimos, já podemos votar, já alcançamos grandes postos, já vencemos a violência e a opressão. Podemos estender bandeira branca a nós mesmas e parar de fugir. A guerra já acabou! Chegar de lutar. 

Que delícia entregar as armas, inspirar e voltar para casa cheia de orgulho e oxitocina por ser MULHER!

www.cienciadoiniciodavida.com.br
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