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8 de julho de 2014

Projeto para Doulas Voluntárias

Desenho de Teresa Lucena para as 
Doulas Independente, daqui

por Cariny Cielo

Anos com a ideia na cabeça, meses com a ideia no papel... agora, nasceu! Nasceu aqui em Cacoal um projeto que permite o trabalho de Doulas voluntárias na maternidade pública e deixo aqui de sugestão o interior teor do trabalho para que outras doulas, se assim quiserem, possam dar entrada em outras maternidades pelo país afora. Em Cacoal, interior de Rondônia, o projeto foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde, recebeu revisões da Direção Clínica e, agora, segue para implantação.

O projeto consiste, basicamente, em um hospital ou maternidade permitir a presença e o trabalho de doulas voluntárias nos plantões obstétricos dos profissionais que aderirem ao projeto.

O serviço voluntário é legítimo, amparado por lei e costuma ser excelente ferramenta de melhorias. Em se tratando do trabalho de doulas, ainda pouco comum no brasil, o serviço voluntário ganha aspectos positivos com relação à mutualidade, ou seja, benefícios para ambas as partes. Ganha a doula com experiência e vivências únicas relacionadas à realidade obstétrica do local e ganha a unidade de saúde e, mais ainda, as usuárias do serviço de saúde por poderem dispor de um serviço da mais alta qualidade e com resultados comprovadamente positivos.

Projeto sendo apresentado na Reunião do 
Conselho Municipal de Saúde de Cacoal, Rondônia


O roteiro que sugiro para a implantação, pela experiência que vivenciamos aqui em Cacoal, seria o seguinte:

1º . Confecção do projeto com todos os anexos, analisando as peculiaridades locais. O projeto deve ter um responsável, que é o relator ou relatora. No entanto, a ação pode/deve ser mobilizada por várias pessoas, todas as doulas da região, por exemplo.

2º. Com o projeto em mãos, marcar uma reunião com algum conselheiro municipal de saúde para apresentar a proposta e pedir para ser incluída em pauta da próxima reunião.

3º. Na reunião do conselho municipal de saúde, participar em peso, quanto mais interessados melhor, demonstrando o projeto e apontando o que é doula e quais os benefícios do serviço de uma na unidade de saúde. Aqui, fomos eu e a Doula Suélen da Luz do Nascer, pois somos as únicas doulas de Cacoal.

4º. Dependendo do local, a Direção Clínica poderá desejar participar da confecção do projeto para ajustes, aprimoramentos. É a fase de ajustes, discussão etc... Aqui, contamos com a análise do Diretor Clínico à época, que é medico pediatra e da apoiadora Rede Cegonha para a região, que é enfermeira obstétrica.

5º. Após todos os ajustes, alterações, enfim, quando tudo estiver prontinho para dar início, é hora de submeter o projeto à Direção Administrativa da unidade, conforme requerimento que fecha este texto.


Longe deste trabalho ser um fim em si mesmo, acredito, inclusive, que com a implantação formal ele sofrerá ajustes, adaptações, melhorias. Um projeto é algo vivo, que nasce, cresce, vai se desenvolvendo...

Aqui eu trouxe sugestão de peças que integram o projeto para replicação em todo o país. Imagino que também irão surgir melhorias e espero que essa melhoria possa chegar até aqui, na forma de comentários, para que possamos aprimorar o trabalho... sempre!


PROJETO:

PROJETO-PILOTO

“Doulas voluntárias no atendimento materno infantil” 
(aqui dê nome ao seu projeto)


IDENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELO PROJETO:
(Aqui coloque o nome da responsável pela elaboração do projeto)

Nome: ..............................................
Formação: ................................................
E-mail:.....................................................
Telefone para Contato: ..........................................

Palavras-Chave: DOULAS / PARTO HUMANIZADO / APOIO CONTÍNUO

Resumo: Atendimento voluntário de profissionais Doulas, juntamente com a equipe médica e de enfermagem responsável, a parturientes que procurarem os serviços de saúde do Hospital Materno Infantil de Cacoal.

Órgãos Envolvidos: Hospital ..... , Secretaria de Saúde do Município........ e Conselho Municipal de Saúde

Execução: Doulas para apoio contínuo à parturiente, em apoio à equipe médica e de enfermagem responsável.

Executores: Doulas cadastradas, conforme formulário próprio (Anexo I).

Localização: (Endereço completo da ou das unidades de saúde)

Público-Alvo: Usuárias do serviço público de saúde. Gestantes, parturientes e puérperas.

Duração: 1 ano de projeto piloto, com possibilidade de prorrogação. (ou conforme entendimento).

Justificativa: (apresentar o índice de nascimentos por cirurgia, conforme pesquisa no DATASUS e apontar que está bem abaixo do recomendado pela OMS.)
O Estado ou Município tal ....... possui índices de nascimentos por cirurgia em .....
Fonte: DATA SUS:
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2011/f08.def
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvuf.def

Tal índice está muito acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (que é de 10-15%). Conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde os partos normais deve ser atendidos com o mínimo de intervenção e sem procedimentos realizados de rotina.
Fonte: Guia da Organização Mundial de Saúde no atendimento ao parto normal http://www.bionascimento.com/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=19

Pesquisas realizadas na última década demonstraram que, sob a supervisão de uma Doula, o parto evolui com maior tranqüilidade e rapidez e com menos dor e complicações tanto maternas como fetais.

Doulas são mulheres que trabalham dando assistência a mulheres em trabalho de parto e oferecendo informação durante a gestação e pós-parto.

Com a difusão da nova profissão, poderá também ocorrer uma substancial redução de custos para os sistemas de saúde, graças à redução do número de intervenções médicas e do tempo de internação de mães e bebês.

Trata-se de um recurso com eficácia comprovada por evidências científicas. O trabalho das Doulas em apoio contínuo durante o trabalho de parto tem reflexos positivos nestas duas situações: a) excesso de cesarianas e b) partos normais com intervenções desnecessárias.

Em 2012, Hodnett et al. publicou uma revisão atualizada em Cochrane sobre o uso contínuo de apoio para mulheres durante o parto. Eles juntaram resultados de 22 estudos que incluíam mais de 15 mil mulheres. Essas mulheres foram randomizadas para receber apoio contínuo individual durante o parto.
Quando o suporte de trabalho contínuo foi fornecido por uma Doula, foram estes os resultados:
1. Diminuição de 31 % na utilização de oxitocina
2. Diminuição de 28 % no risco de cesárea
3. Aumento de 12% na probabilidade de um parto vaginal espontâneo
4. 9 % de redução no uso de qualquer medicação para o alívio da dor
5. Diminuição de 14 % no risco de recém-nascidos a ser internado em um berçário de cuidados especiais
6. 34 % de redução no risco de estar insatisfeita com a experiência do nascimento

Referencias:
1. Caton, D., M. P. Corry, et al. (2002). “The nature and management of labor pain: executive summary.” Am J Obstet Gynecol 186(5 Suppl Nature): S1-15.
2. Declercq ER, Sakala C, Corry MP, Applebaum S. (2007). “Listening to mothers II: Report of the second national U.S. survey of women’s childbearing experiences.” The Journal of Perinatal Education 16:9-14.
3. Hodnett, E. D. (2002). “Pain and women’s satisfaction with the experience of childbirth: a systematic review.” Am J Obstet Gynecol 186(5 Suppl Nature): S160-172.
4. Hodnett, E. D., S. Gates, et al. (2012). “Continuous support for women during childbirth.” Cochrane database of systematic reviews: CD003766.
5. Hofmeyr, G. J., V. C. Nikodem, et al. (1991). “Companionship to modify the clinical birth environment: effects on progress and perceptions of labour, and breastfeeding.” British journal of obstetrics and gynaecology 98(8): 756-764.
Fonte: http://evidencebasedbirth.com/the-evidence-for-Doulas/

Objetivos gerais: melhorar a experiência de parto através de apoio físico e emocional e por meio de métodos não farmacológicos de alívio da dor; reduzir as intervenções no parto normal através do suporte contínuo durante o trabalho de parto e parto; melhorar as condições de nascimento do neonato por meio do estímulo ao parto ativo e não medicalizado; melhorar o vínculo mãe-bebê por meio do estímulo à amamentação na primeira hora e da vivência positiva do parto.

Objetivos específicos: oferecer apoio contínuo à mulher em trabalho de parto e pós-parto; orientar gestantes e família sobre melhores condições de parto e amamentação.

Metodologia:
1. Acompanhamento de plantões obstétricos, voluntariamente, por parte de profissionais Doulas no Hospital ............................., sob supervisão dos médicos e/ou enfermeiros plantonistas
2. As Doulas interessadas deverão fazer cadastro através de formulário próprio (Anexo I) e firmar Termo de Consentimento e Responsabilidade (Anexo III). Assim que tiverem o cadastro aprovado pela Direção Clínica, terão acesso ao Hospital ........................., área pré-parto, bloco cirúrgico e pós-parto, durante os plantões dos médicos que aderirem ao projeto piloto, para permanência durante o período matutino, vespertino ou noturno.
As Doulas poderão ser contatadas em outros horários pela equipe médica ou de enfermagem e poderão apresentar-se, de acordo com disponibilidade.

3. O serviço consiste em atendimento de apoio contínuo, sustentado pelos protocolos da Organização Mundial de Saúde no atendimento ao parto normal, às parturientes que manifestarem interesse em ser acompanhadas por uma Doula, nos plantões dos profissionais médicos obstetras que optarem por participar do projeto-piloto e assinarem o Termo de Adesão junto à Direção Clínica.

4. Após o atendimento, a parturiente será abordada para preencher a Pesquisa de Satisfação (anexo II), para que seja possível avaliar os resultados do projeto.

5. Fluxo de atendimento:
I) A parturiente chega até a unidade de saúde e é avaliada pelos profissionais plantonistas.
Se estiver em franco trabalho de parto e apresentar boas condições de saúde, é consultada acerca do interesse em usufruir do serviço de Doulas na maternidade. Isso deverá ser anotado em seu prontuário médico.
A parturiente ficará em contato permanente com a Doula, recebendo o monitoramento da equipe médica e de enfermagem, conforme protocolo da unidade.
II) A parturiente chega até a unidade de saúde e é avaliada pelos profissionais plantonistas.
Se estiver em pródomos, poderá ser encaminhada à Doula que estiver no plantão para se informar acerca da dinâmica do trabalho de parto e poderá escolher entre retornar pra casa ou internar e receber os serviços de Doulagem.

Em qualquer situação, a atuação das Doulas ficará a critério do interesse da parturiente e conforme aval do profissional médico ou enfermeiro plantonista. A parturiente será informada de que poderá, a qualquer momento, dispensar os serviços da Doula.

Recursos materiais: Pode ser usado: bola suíça, chuveiro quente, massageadores, banheira inflável, rebozo, banqueta, aparelho de som, óleo vegetal. Além de outros utensílios reconhecidamente aptos a melhorar as condições do trabalho de parto.
Pode incluir: massagens, deambulação, relaxamento, encorajamento, sugestão de posturas, sugestão de atividades, informação, acupressão.

Legalidade e competências para o projeto: Doula é uma ocupação oficialmente reconhecida pelo Ministério do Trabalho, código nº 3221-35, desde Janeiro de 2013.
Cabe a Doula oferecer à parturiente, apoio físico e emocional durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Ela utiliza métodos não farmacológicos de alívio da dor como massagens, compressas, utilização de bola de ginástica, banqueta de parto, técnicas de respiração, movimentos corporais e posições para ajudar na descida do bebê através do canal pélvico, utilização da água morna, através de banho no chuveiro ou banheira. Usa também técnicas de relaxamento e oferece, sempre que possível, um ambiente acolhedor, com iluminação reduzida e música, se a parturiente desejar.

A Doula incentiva a mulher a ser protagonista do nascimento do seu filho. Orienta e informa acerca das etapas do trabalho de parto, do pós-parto e incentiva a amamentação, tudo conforme é preconizado no documento da Organização Mundial de Saúde: Boas Práticas de Atenção ao Parto e Nascimento.

A Doula não realiza procedimentos técnicos ou médicos como ausculta fetal, exame de toque. Sua função é dar apoio emocional, encorajamento e suporte com informações a respeito da gestação, parto e pós-parto/amamentação.

Avaliação: Serão realizados relatórios ao final de cada semestre para análise dos resultados obtidos, dificuldades surgidas, obstáculos superados. Os relatórios serão entregas ao Conselho Municipal de Saúde para acompanhamento.


ANEXO I: Ficha de Cadastro de Doula
(Qualquer doula interessada poderá preencher o cadastro e submeter à Direção do hospital, juntando cópia de documentos pessoais e do certificado de formação)




ANEXO II: Pesquisa de satisfação para coleta de resultados
(Aqui criamos esta pesquisa pós serviço, para avaliarmos e termos condições de acompanhar os resultados do trabalho da doula. A ideia é a pesquisa ser feita sem identificação, no dia posterior ao parto, antes da alta da parturiente)




ANEXO III: Termo de Consentimento e Responsabilidade
(Alguns hospitais usam termos como este e é interessante para respaldo jurídico, de ambas as partes. Este é inspirado no utilizado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Com algumas adaptações, basicamente o texto tem a mesma finalidade)

TERMO DE CONSENTIMENTO E RESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA FÍSICA E EMOCIONAL AO PARTO NO .......................................................... (anexar à Ficha de Cadastro da Doula)



Eu, .............................................................. Doula regularmente cadastrada neste Hospital conforme Anexo I do Projeto Doulas no ........................., DECLARO, para os devidos fins de fato e de direito QUE:

1.Prestarei assistência física e emocional voluntária e, portanto, sem fins lucrativos, durante o parto das pacientes internadas no Hospital ................................................... que, após conheceram meu trabalho, manifestarem interesse em receber os serviços de uma doula.

2. Prestarei assistência física e emocional à parturiente, ficando vedada qualquer atividade e/ou conduta que interfira no atendimento médico-hospitalar durante o pré-parto, o parto ou o pós-parto.

3. As atividades e funções por mim exercidas se restringirão à assistência física e emocional da parturiente, ficando vedados atos médicos ou de enfermagem (ainda que eu tenha formação para tal), tais como, mas não só: indicar ou realizar exames e/ou manobras médicas, utilizar ou manusear equipamentos médicos, cirúrgicos, de monitoramento, enfermagem e/ou ministrar medicamentos. Responsabilizo-me integralmente pelas atividades e funções exercidas na assistência ao parto, isentando o hospital, médicos e equipe de enfermagem, quanto à conduta por mim praticada.

4. Seguirei as recomendações da equipe médica, hospitalar e de enfermagem, comprometendo-me a garantir a segurança e o bem-estar da parturiente e do recém-nascido e a contribuir para o perfeito atendimento à parturiente.

5. Obtive expressamente o consentimento do médico obstetra da parturiente para ingresso na sala de parto, conforme adesão ao projeto.

6. Tenho ciência e concordo que ficará a critério exclusivo da equipe médica e de enfermagem autorizar a entrada, na sala de parto, de equipamentos, aparelhos, utensílio por mim levados, devendo para tanto dar ciência plena à equipe médica e de enfermagem quanto a estes. Comprometo-me, ainda, a suspender a qualquer momento, atividades que não estejam contribuindo para o parto, atendendo a solicitação da equipe médica ou de enfermagem.

7. Tenho ciência e concordo que em havendo a necessidade de intervenção cirúrgica de qualquer ordem na parturiente e/ou recém-nascido, bem como em caso de intercorrência médica, estarei proibida de fazer ou continuar a assistência ao parto, devendo para tanto me retirar do recinto.

8. Tenho ciência e concordo que a ofensa a qualquer destas condições implicará em descumprimento das condições do termo, podendo ser suspenso o cadastro para a atividade de doula perante o hospital, sem prejuízo das sanções cíveis e criminais.

Local, data ......../........./........

Assinatura da Doula


ANEXO IV: Consentimento da parturiente e do obstetra e acompanhamento da doula
(É importante dispor, expressamente, do consentimento da parturiente e do médico obstetra e também acompanhar com registros tudo que está sendo feito com aquele atendimento)




REQUERIMENTO À DIREÇÃO ADMINISTRATIVA DO HOSPITAL:
(Com tudo pronto, imprimir este requerimento e protocolar na Direção administrativa do hospital)


ILUSTRÍSSIMO(A) SENHOR(A) DIRETOR(A) ADMINISTRATIVO(A) DO HOSPITAL ......................................................................, FULANO(A) DE TAL





Fulana de tal (qualificação civil completa da responsável pelo projeto), vem à presença de vossa senhoria apresentar a versão final e revisada do Projeto-Piloto “Doulas no Hospital ........................" e expor, conforme abaixo:

1. Em reunião do Conselho Municipal de Saúde deste município ocorrida em ...................do ano em curso, o presente projeto foi apresentado e aprovado para implantação neste município.

2. Com as revisões devidas e acrescidos os anexos necessários ao aperfeiçoamento, o projeto encontra-se pronto para implantação.

Assim, é o presente para apresentar o projeto finalizado ao arbítrio da Direção Administrativa e REQUERER que vossa senhoria autorize o início da implantação, cuja íntegra segue em anexo.

Nestes termos, aguarda deferimento.

Local, data.

Assinatura


19 de maio de 2014

Semana Mundial Pelo Respeito ao Nascimento pela primeira vez em Rondônia


Pela primeira vez em Rondônia, a Semana Mundial Pelo Respeito ao Nascimento será comemorada com uma exposição de emocionantes fotos, organizada pela Parto do Princípio, sobre o nascer no Brasil.

O evento acontece no município de Cacoal, nos dias 19 a 23 de maio, graças à Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal - FACIMED que cedeu o hall de entrada da instituição para a exposição das fotos.

A Parto do Princípio é uma rede de mulheres, consumidoras e usuárias do sistema de saúde brasileiro, que oferece informações sobre gestação, parto e nascimento baseadas em evidências científicas e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Temos como principais propósitos: promover os benefícios do parto humanizado, do parto ativo, do protagonismo da mulher no parto e lutar contra a banalização da cesárea em várias frentes de ação. Somos mais de 200 mulheres atuando voluntariamente em 21 estados brasileiros mais o Distrito Federal.

A Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento (SMRN) é uma iniciativa da Alliance Francophone pour l’Accouchement Respecté (AFAR) e da European Network of Childbirth Associations e tem ocorrido em vários países desde 2004 . Neste ano acontecerá de 19 a 25 de maio de 2014 e o tema abordado será “Parir é Poder!”.

Para comemorar a SMRN, a Parto do Princípio está preparando uma exposição que ocorrerá simultaneamente em várias cidades, com fotos em preto e branco de mulheres brasileiras no momento do nascimento de seus filhos.

São fotos de mulheres que tiveram seus desejos de parto e nascimento respeitados, transmitindo assim, imagens positivas do evento do nascimento, na intenção de mostrar que quando a mulher tem a possibilidade de escolher o local de parto, seus acompanhantes e a maneira como quer dar a luz, este processo se torna muito mais positivo e transformador. Por retratarem um momento tão emocionante, e a fim de respeitar os expectadores e a privacidade das mães, as imagens selecionadas são ao mesmo tempo discretas e significativas.

A cada ano, o movimento ganha novas vozes, consolidando-se como uma manifestação expressiva de mulheres e homens que buscam resgatar o nascimento como um evento natural e marcante para a formação do ser.

Impossível não se emocionar com as fotos!



Onde? Na Facimed Cacoal, Avenida Cuiabá, n. 3087, Bairro Jardim Clodoaldo. Telefone 3441-1950
Quando? Dias 19 a 23 de maio.
Que horas? Manhã, tarde e noite.


 



12 de fevereiro de 2014

O filme O Renascimento do Parto em Porto Velho Rondônia

Porto Velho: Imagem de Leonardo Valério

por Cariny Cielo

O parto, em Rondônia, está em festa!
Está em festa porque será renascido!
Está em festa porque em nenhum outro Estado, o parto está tão carente de renascimento!

Já falamos aqui que, há anos, Rondônia vem carregando o título de Estado número 1 em nascimentos por cirurgia e sabemos que os partos normais são, em sua maioria, ceivados de violência e na contramão das recomendações da Organização Mundia de Saúde e Ministério da Saúde.

Curiosamente, a postagem de maior popularidade na fanpage do facebook do filme O Renascimento do Parto, foi a de um relato de parto em Porto Velho!!! O parto da Verônica, que você pode ler aqui.

Pois bem!

O filme O Renascimento do Parto nasceu do sonho de duas pessoas em denunciar a grave situação obstétrica do país e apresentar uma nova visão sobre o nascimento. O parto não pode ser um evento traumático! E não pode porque é fisiológico... é natural por excelência!

Este documentário, até então, só havia sido exibido no interior de Rondônia, já que estreou em Cacoal no mês de novembro passado, no Cine Art, com emocionantes relatos...

Agora o filme chegou à capital e, finalmente, Porto Velho poderá ter acesso a tanta informação de qualidade sobre saúde, sobre amor, sobre vida! Depois de tanto "eu quero o filme!", o Cine Veneza atendeu nosso pedido e dedicará uma semana para exibir o documentário.



De 14 a 20 de fevereiro, sempre às 21:00 horas, teremos o privilégio de ver, na telona, profissionais renomados mundialmente apresentando uma nova forma de enxergar aquilo que tanto nos mobiliza, aquilo que nos faz tão iguais, tão humanos... o nascer!

No dia 15, sábado, haverá um Cine-Debate, pós filme, organizado pela Bello Parto e pela Slingue, duas novas empresas de Porto Velho super envolvidas no tema maternidade consciente. (Dica: Aproveitem para curtir a fanpage delas no facebook e divulgar o filme, valendo ingressos grátis!!!!)


              Alyssa Grigório(Slingue)  Izabela Texeira e Sandra Schultz (Bello Parto)



O filme é...

Uma chave mágica para quem ainda tem chances de fazer escolhas para o nascimento dos filhos

Uma catarse para quem, como eu um dia, sentiu ter sido roubada no parto

Um presente para quem busca qualidade nas informações e analisa as questões públicas do país com seriedade

Um bálsamo para aqueles que acreditam que para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer



Vai lá, assiste, e depois nos conta como foi!!!

Semana de exibição: 14 A 20 de fevereiro
Sempre às 21:00 horas
No Cine Veneza (Rua Joaquim Nabuco - 1855, Centro. Telefone: (69) 3221 - 8296)
!Cine-debate dia 15, com profissionais da área da saúde!

20 de agosto de 2013

Amamentação: É que amamentar deixou de ser a regra...

Ícone da 'Ala de Amamentação' de um shopping de uma capital do país. 
Poderia ser um bebê pendurado num peito, poderia ser um gota de leite, 
poderia ser um bebê sorridente... mas não! É uma mamadeira!!!

por Cariny Cielo


Ano passado eu respondi a pergunta "Porque eu sou ativista da amamentação?" proposta pelo Desabafo de Mãe, numa blogagem coletiva que reuniu um material muito precioso sobre o assunto.

Este ano, temos um novo mote: Porque as campanhas do governo não funcionam? Sim, porque campanhas não faltam, cartazes também e não conheço nenhuma pessoa que diz que o leite materno é ruim. "Todos aprovam e sabem dos benefícios, mas, então porque nossos filhos estão sem peito?"

E eu vim defender as campanhas (calma, eu explico!). Sim, as campanhas estão melhorando... só que ainda não vencem o que está arraigado no senso comum: ainda estamos presos à 'Era da Mamadeira". O resumo do meu post é o seguinte: levou tempo pro leite materno deixar de ser a regra e levará tempo para ele ganhar 'status quo' de normal, natural, simples, igual dormir, acordar, fazer cocô, comer... (e pra mim, só vai tá bom o negócio, quando amamentar for visto assim!)

Estamos falando de séculos onde foi moldada a cultura e a história da humanidade. Situando a amamentação como fenômeno sócio-histórico, torna-se evidente que essa prática sofreu (e sofre!) oscilações em diferentes momentos históricos e em distintos contextos sociais reafirmando-se que o ato de amamentar ou não ao peito, a despeito de possuir uma expressão no nível biológico, decorre de processos que transcendem este plano sendo histórica e culturalmente condicionado. 

Então, muita água tem que passar por debaixo da ponte, muitas atrizes têm que posar e fazer propaganda em horário nobre, muitos cartazes tem surgir para colocar o aleitamento como acessível - culturalmente - a todas! Estamos bem no meio da transição... Aliás, estamos bem no meio de várias transições: do nascimento, da criação dos filhos, da dedicação ao trabalho, do casamento, das amizades, do contato com as pessoas e do vínculo... Fomos aos extremos e agora buscamos caminhos alternativos que correspondam aos anseios que fundamentaram todos os extremos que conhecemos! Queremos o melhor dos mundos antagônicos. A segurança dos avanços da medicina + parir em casa é um desses 'o melhor'!!!!

Se o símbolo, o ícone, o chamariz de uma sala de amamentação do shopping (provavelmente um dos locais mais visitados de uma cidade) é uma mamadeira, esta é a prova de que pro inconsciente coletivo, dar leite artificial é o normal, é a regra! Quando postei a foto que ilustra este post no instagram, coloquei: "ache o erro". Muitas escreveram "tinha que ser um peitão", "tinha que ser um bebê no seio" e por aí vai. Como que alguém sentou e pensou: aqui é a sala de amamentação, faz um desenhozinho de mamadeira pra ilustrar... Porque pensou assim? Pensou assim porque mamadeira é normal... é a regra... é o símbolo... é o que está plasmado no inconsciente coletivo... na primeira dificuldade, na primeira falha, na primeira noite difícil (e todos sabem que virão muitas noites difíceis)... ali está ela! A postos! Presente do chá de bebê ou de alguma avó mais solícita...

Não foi preciso procurar muito. Numa saída de casa, andando pelo centro da cidade, eu pude observar o quanto a mamadeira - e com ela o leite artificial - está arraigada na nossa cultura. Mamadeira é sinônimo de infância, de maternidade... nas farmácias e mercados (dois comércios que mais se vê nas cidades!) encontramos gôndolas com mamadeiras fofas e inúmeras opções de leite... além de funcionárias treinadas a indicar os melhores modelos, os melhores bicos...

"Vendo lembrancinhas de chá de bebê" (de brinde vai a 
mensagem de que usar mamadeira é normal)


"Eu tenho aqui a de bico ortodôntico e uma importada com 
bico que imita o seio. Qual você prefere?" (eu prefiro o seio 
autêntico mesmo, é melhor e mais barato, vc não sabia?)

Escrevi pro shopping informando que amamentação é questão de saúde pública e que eles, tendo um ambiente de uso comum do povo, devem rever suas políticas e repensar na forma de 'ilustrar' uma sala de amamentação. Recebi como resposta:
Prezada Sra. Cariny
Agradecemos o seu contato e informamos que sua sugestão foi encaminhada para o setor responsável. Para nós as sugestões de nossos clientes é a melhor forma de aperfeiçoarmos os nossos serviços. Isso nos motiva e faz com que trabalhemos para oferecer sempre o que há de melhor.Seja sempre bem vinda.


Eu sigo na militância pra mostrar que mamadeira não é normal e que leite artificial é exceção, e não regra! E que, portanto, não deve ser promovida!!!

Sigo buscando empoderar as mulheres e fazê-las acreditar que num mundo de cifras, não é preciso gastar um centavo pra alimentar um bebê durante seis meses!!! Embora, muitas vezes, eu acabe num silêncio que me incomoda, eu, refém deste período de transição da história, sigo acreditando que é uma verdade que deve ser dita e repetida milhões de vezes, em todos os lugares, sem parar, carinhosamente, com apoio, com empatia, com rigor de leis, com incentivos multifatoriais...


Recebi um interessante estudo publicado nos Cadernos da Escola de Saúde Pública do Ceará. Está todo aqui e logo abaixo eu transcrevo uma parte bem didática sobre toda a história do aleitamento materno no Brasil e no mundo... (ATENÇÃO: é só para os leitores mais fervorosos ou praquela hora em que ficamos até de madrugada no facebook e não aparece mais status pra acompanhar). Vou logo adiantando que parece que foi - mais uma - herança nefasta dos 'brancos' sobre os índios e que o chique, na época, era ter ama de leite... hoje é ter mamadeira importada com bico que imita o seio!



O aleitamento materno deve ser situado como um fenômeno sócio-histórico, com repercussões na prática cultural e, não somente no plano biológico. Para tanto, julgamos oportuno retratá-lo em diversos períodos da história da humanidade, de modo a evidenciar os diferentes sentidos a ele atribuídos.

Os problemas relacionados à amamentação no contexto da alimentação infantil são muito antigos. Talvez o aleitamento artificial seja tão antigo quanto a história da civilização humana. Isso se evidencia pela grande quantidade de crianças abandonadas em instituições de caridade, ao longo de vários séculos e durante tempos economicamente difíceis, como já se verifica na Antiguidade. Tal fato se evidencia pelos registros de recipientes encontrados em vários sítios ao lado de corpos de lactentes em escavações arqueológicas (séc. V e VII), sugerindo que os gregos recebiam alimentos de outras fontes além do leite materno, por meio
de vasilhas de barro encontradas em tumbas de recém-nascidos àquela época. Esses achados nos
possibilitam afirmar que a substituição do aleitamento materno diretamente ao peito por outras formas de alimentação constitui uma prática muito antiga. Os mistérios e tabus relacionados ao tema, ao que parece, também datam do começo da civilização.

O Código de Hammurabi (cerca de 1800 a. C) já continha regulamentações sobre a prática do desmame, significando amamentar criança de outra mulher, sempre na forma de aluguel (amas-de-leite). Na Bíblia também é referida a prática das amasde-leite e do aleitamento materno, sendo comparada à palavra de Deus entendida como o leite genuíno: “Desejai ardentemente como crianças recém-nascidas o leite genuíno, não falsificado, para que por ele vades crescendo”(I Pedro 2;2). 

Nos tempos espartanos, a mulher, se esposa do rei, era obrigada a amamentar o filho mais velho; plebéias amamentavam todas as crianças. Plutarco relata que o segundo filho do rei Themistes foi preterido por seu irmão mais velho, somente porque ele não havia sido amamentado por sua mãe e sim por uma estranha. Hipócrates escrevendo sobre o objetivo da amamentação, declara que: “somente o leite da própria mãe é benéfico, (sendo) o de outras perigoso”.

Publicações europeias do final do período medieval e início da era moderna também exaltam a importância do aleitamento materno para a infância. No século XII, havia uma atitude de indiferença em relação à criança, retratando que a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la, pois não havia registro de nascimentos e mortes e raramente no diário da família fazia-se referência aos infantes. As crianças eram representadas por homens de tamanho reduzido, expressando o sentimento vigente de que esta se diferenciava do adulto apenas no seu tamanho e na sua força. Essa concepção predominou até o fim do século XIII, quando passaram a ser reconhecidas por sua proximidade com os anjos e o menino
Jesus cujas formas aproximavam-se da morfologia infantil. Com o advento da modernidade, essa “descoberta da infância” expande-se e torna-se particularmente significativa no final do século XVI e durante o século XVII, caracterizando um período de grande avanço na discussão de temas da primeira infância 

De 1500 a 1700, mulheres inglesas saudáveis não amamentavam seus filhos. Embora o aleitamento materno fosse reconhecido como um regulador de nova gravidez, essas mulheres preferiam dar à luz de 12 a 20 bebês, do que amamentá-los. Elas acreditavam que a amamentação espoliava seus corpos e as tornavam velhas antes do tempo, crença que parece sobreviver até os dias atuais. Com isso, o desmame era iniciado precocemente, sendo utilizados, em substituição, cereais ou massas oferecidas em colher.

Existiam, ainda, as normas médicas e religiosas que iam ao encontro desse propósito, pois proibia-se a relação sexual durante o período de amamentação,que deveria ser de 18 a 24 meses, por entenderem que isso tornaria o leite humano mais fraco e com risco de envenenamento em caso de nova gravidez. O conhecimento médico vigente também considerava que o colostro era um leite ruim e que não deveria ser oferecido à criança. A alimentação das crianças era à base de leite de animais e de um alimento chamado “panado”, feito à base de pão (farinha) e água. Àquela época, havia um dispositivo na Constituição Francesa, que visava a proteger crianças nascidas de famílias ditas indigentes: amas-de-leite não poderiam amamentar mais do que duas crianças além da própria e, cada criança deveria ter um berço, a fim de que não corresse o risco de ser levado à cama pela mãe e morresse sufocado durante o sono.

De acordo com diários de chefes de família da grande burguesia parlamentar, as mães do século XVI amamentavam seus filhos e somente no final deste século ao início do século XVII, a moda de enviar os filhos para casa de uma ama conquistou as famílias de uma maneira irreversível.

No século XVIII, o envio das crianças para casa de amas se estende por todas as camadas da sociedade urbana. Ocorre nesse período um aumento crescente de mortes infantis, associadas às doenças adquiridas pelas amas de leite. Suas enfermidades contaminavam os bebês e muitas dessas amas, com receio de que estivessem “repassando afeto” aos bebês, passaram a oferecer o leite de vaca em pequenos chifres furados (precursores das mamadeiras) porque acreditava-se “que sugando o leite, sugava-se também o caráter e as paixões de quem os amamentava”. Além disso, esse procedimento passaria a acarretar importantes riscos à saúde das crianças, pois além da oferta em um recipiente não estéril, as mulheres desconheciam a quantidade exata de água que deveria ser misturada ao leite, sem considerar o risco de contaminação dessa água”.

No Brasil, existem relatos dos séculos XVI e XVII, imprecisos e contraditórios, ao tratar dos antigos Tupinambás. Os filhos das indígenas eram amamentados durante um ano e meio e, neste período, eram transportados em pedaços de pano conhecidos por typoia ou typyia. Mesmo se as mulheres tivessem que trabalhar nas roças, não largavam seus filhos: carregavam as crianças nas costas ou encaixavam-nas nos quadris. Do mesmo modo que os animais, as índias nutriam e defendiam seus filhos de todos os perigos. Se soubessem que o bebê tinha mamado em outra mulher, não sossegavam enquanto a criança não colocasse para fora todo o leite estranho .

Esses documentos são muito valiosos quando relatam a história da influência européia sobre as sociedades indígenas, radicadas no litoral do Brasil. Havia uma cultura indígena no Brasil colonial, mas os viajantes adotavam uma visão típica da tradição cristã, estando pouco preocupados com os habitantes do Novo Mundo.

Com a chegada das caravelas, muitas doenças foram aparecendo nas tribos, contaminando os índios que não possuíam qualquer defesa orgânica. Esse fato acabou produzindo uma multidão de órfãos desamparados, o que findou por levar os jesuítas a criar instituições destinadas a abrigar legiões de indiozinhos sem pais.

No século XVII, o abandono de crianças passou a ser percebido entre a população de origem portuguesa. Ao longo do século XVIII, a população dos principais centros portuários aumentou significativamente, dobrando ou quadruplicando as modestas cifras do início do século.

Quando a razão da acolhida correspondia a um interesse meramente financeiro, a estada na residência das amas quase sempre colocava em risco a vida dos bebês, pois, aos recém-nascidos era oferecido, além do leite materno, leite in natura, acrescido de carbohidratos.

Os profissionais responsáveis pela assistência também referiam a utilização de práticas “modernas” para alimentar as crianças, como o emprego de mamadeiras de vidro e pequenos bules que tinham um bico de borracha adaptado à ponta de saída.

Muitos médicos da época, no entanto, atribuíam as doenças comuns à infância aos contatos dos instrumentos citados com os miasmas atmosféricos . Nos séculos XVII e XVIII, a sociedade brasileira admitia como fato corriqueiro a morte de bebês. Àquela época, 20 a 30% morriam antes de completar o primeiro ano de vida. Aceitavam a morte como a crença da transformação de crianças em anjos, o que contribuía para que as famílias suportassem a dor da perda e a considerassem como uma benção do céu .

Formadas dentro dessa tradição, as mulheres anunciavam a morte das crianças em verdadeiras festas, o que deixavam escandalizados os visitantes da época.Esses rituais eram marcados por antigas tradições africanas e as autoridades religiosas escandalizavam-se diante daquilo que consideravam uma grosseira deturpação dos ensinamentos cristãos. Interessante observar que a morte de crianças estava relacionada com a miséria e o aumento do número de crianças mortas na Roda (Roda dos Expostos: dispositivo bastante difundido em Portugal, a Roda consistia num cilindro que unia a rua ao interior da Casa de Misericórdia. No Brasil, apenas Salvador, Recife e Rio de Janeiro estabeleceram tais Rodas no período colonial...a Roda funcionava
dia e noite, e qualquer um, furtivamente ou não, podia deixar um pequerrucho no cilindro sem ser notado ou muito menos incomodado). 

Concomitante a essa crescente mortalidade, verificava-se a negação da maternidade entre a sociedade burguesa, através da gravidez indesejada, ou o abandono das crianças pelas mulheres escravas, por falta de condições para a criá-las. Isso levou à prática de mães mercenárias e mães escravas de aluguel, que empregavam desastrosas técnicas de alimentação artificial, levando milhares de bebês à morte. Outra prática substitutiva do aleitamento materno diretamente ao peito era a utilização de ama de leite. No entanto, a partir de 1800, o número de crianças encaminhadas às amas através da Direção Mundial das Amas-deleite declinou substancialmente.

No séc. XIX, com a implantação das faculdades e academias de medicina, surgiram vários projetos destinados a combater as altas taxas de mortalidade dos expostos. As mulheres que não podiam amamentar e que tinham recursos eram orientadas a contratar uma ama-de-leite em domicílio, fiscalizando todos os cuidados proporcionados ao bebê. Ressaltavam que “essa conduta só deveria ser adotada em casos desesperados e que a babá- uma segunda mãe - seria o personagem central da família burguesa, que logo adquire autoridade sobre a mãe ignorante. Pensava-se àquela época que o simples fato de contrariá-la, poderia azedar o leite e preferia-se calar a arriscar a saúde do bebê.

As amas-de-leite, no entanto, “simulavam ser boas mães” e, visando a conservar sua remuneração, apropriavam-se das crianças, estimulando-as a permanecer a maior parte do tempo com elas. O sistema de amas-de-leite prosperou até fins do século XIX. 

Depois disso, o aleitamento artificial, sob forma de mamadeira com leite de vaca, possibilitado pelo progresso de esterilização, viria a substituir a amamentação mercenária. (E essa cultura do leite artificial perdura até hoje)



17 de agosto de 2012

Amamentação: Por quê eu sou ativista?


por Cariny Cielo

Fui convidada a participar da Blogagem Coletiva proposta pelo blog Desabafo de Mãe em comemoração à Semana Mundial de Aleitamento Materno e pensei: Por quê alguém que não ganha absolutamente nada com algo, se dedicaria a promover este algo? Sim, pois, que eu sabia, eu não recebo uma nota de cem reais para cada peito de mãe que um bebê abocanha.

Aliás, seria imensamente mais vantajoso ser ativista da indústria de leite artificial! Eu exigiria alguns % em cada venda de leite de vaca enlatadinho e, nos dias de hoje, de fato, eu ficaria rica, pois se vende MUITO leite artificial. Eu viajaria pelo Brasil, ganharia subornos (OPS!) presentes maravilhosos, férias em resorts e iria a magníficos congressos na Europa... um luxo só.

Mas então, o que raios eu tenho na cabeça para querer tanto promover a amamentação numa era onde o que importa é o dinheiro? O filho não é meu e a mãe, muitas vezes, eu nem conheço.

Foi respondendo esta pergunta que eu me dei conta de quê espaço eu quero ocupar!

Quero chegar até a família que deseja profundamente que o bebê recém chegado mame, mas encontra dificuldades já que vive num tempo contrário ao natural. Num mundo onde, nos dizeres de Sonia Hirsch , a “saúde é subversiva porque não dá lucro a ninguém”. Numa era que dá, a todo instante, mensagens de incentivo ao consumo, ao lucro, à competição, ao espetáculo e pouco ou nada promove ao que é fisiológico, natural, verdadeiro e de qualidade.

Não me importam as mães e suas escolhas em não amamentar. (Em que pese eu entender que aleitamento materno seja questão de saúde pública – mas isto é assunto para outro post).


Mas me importa, e muito, a mãe que quer amamentar, e não tem apoio nenhum. É por ela, tudo isso! Eu já fui uma delas e, cheia de olheiras e mamilos esfolados, olhei prum lado, olhei pro outro e... nada de ajuda! Banco de Leite? Privilégio da Capital: Porto Velho, e só!

Lembro do ódio que eu tinha dos cartazes nos postos de saúde quando eu ia vacinar meu filho. “Como ela consegue e ainda faz essa cara de Diva?”. Eu segui cambaleando até acertar e, ao final, o Emiliano mamou feliz até mais de um ano, mas eu poderia ter desistido naquela noite em que se somou meu esgotamento, a dificuldade de pega dele e toda uma coletiva de imprensa me dizendo que o bebê era muito magrelinho.

A mulher que quer amamentar o filho encontra, hoje, uma verdadeira campanha contra! (E pra quem vai dizer que, ‘Imagine! Que exagero! O Ministério da Saúde promove a amamentação escrevendo isso em todas as embalagens de leite e mamadeira e fazendo belas campanhas com atrizes famosas, eu digo: “aham!”).

- Em cada farmácia e supermercado existem gôndolas de mamadeiras desenhadinhas, além de latas e latas de leite, de todos os tipos, com uma informação nutricional de dá inveja!;
- Em todo consultório tem um médico receitando o leitinho enlatado ‘caso o leite da mãezinha seja fraco’;
- Em toda família tem vovós que adorariam dar mamadeira pro netinho e, assim, se sentirem cuidando também da cria;
- Em toda cama de casal tem um marido que se sente ‘perdendo’ os peitos da mulher pro filho.
- Em todo muro tem uma vizinha dizendo que seu filho tá magro ou chora de fome;
- E, em toda mulher moderna, existe, em algum grau, uma sensação de inadequação com os processos naturais e fisiológicos femininos fruto do modelo masculino e racional em que se organizou a sociedade. Carregamos uma anti-mulher dentro de nós que diz que não vamos conseguir, que aleitar dá trabalho demais, que é dedicação demais, que é feio demais, que vai nos espoliar, nos estragar o corpo, nos privar da vida social, nos prejudicar o casamento e, finalmente, que o que é comprado é melhor, mais bonito e limpinho.

O desafio é: como convencer alguém mergulhada num universo de consumo que, durante seis meses (!), ela não precisará comprar nada, absolutamente nada para alimentar um filho? A resposta está no ativismo! Dividindo as dificuldades, espalhando as estórias reais de mulheres reais, propondo ajustes, envolvendo a família, apresentando uma nova forma de encarar as dificuldades e um jeito novo de fazer velhas coisas.

É para essas mães que eu dou uma de exagerada ativista e saio por aí ajudando mesmo, gastando do bolso, emprestando vídeos, livros, textos etc, visitando em casa, sugerindo alternativas, trocando experiências, gritando a toda voz...

É pela delícia de ver uma igual dar um passo em direção ao feminino através do aleitamento natural que eu tô aqui, sendo ativista da amamentação! Promovendo o bendito vínculo!

É por ela, é por mim, é por nós: mulheres...


Extra: O que é Ativismo?

6 de agosto de 2012

A Marcha Nacional Pela Humanização do Parto em Rondônia... e as mulheres dançando...

"E os que dançavam foram considerados loucos 

por aqueles que não ouviam a música". 

(Nietzsche)






por Cariny Cielo


Esta frase é sucesso garantido quando estamos vivendo uma revolução. Geral, local, gradativa ou radical, não importa... sempre combina, sempre veste muito bem e, se você acha que consegue, vale a pena ler Nietzsche (quem é esse?) para, no mínimo, fazer cosquinha no cérebro.
Bailaram, no último domingo, algumas anônimas e corajosas mulheres em Rondônia! A Marcha Nacional pela Humanização do Parto teve em Porto Velho sua pincelada talvez mais singular.

Se há um lugar no Brasil onde mulheres defendendo humanização do parto seriam mais consideradas loucas, esse lugar certamente é Rondônia. Somos nós o único Estado da região norte do país onde os nascimentos por cirurgia superam os por parto normal.

Por aqui, todo esse papo ainda é delírio! Exceto pela Maternidade Pública Municipal de Porto Velho (que em 2010 recebeu o selo de Hospital Amigo da Criança pelo Ministério da Saúde, e onde trabalha uma das que Marcharam - a Enfermeira Sandra Schultz) todo o resto fala outra língua.

O grave de falar outra língua, no entanto, é que esse outro idioma é ouvido e 'entendido' todos os dias, dezenas de vezes, por inúmeras mulheres que buscam o sistema obstétrico quando se vêem grávidas.

O outro idioma, no caso, o da intervenção artificial em um evento fisiológico, entorpece de tal forma que raramente vemos as mulheres gritarem dizendo que não estão entendendo o que se diz...

O mais comum é aceitar: aceitar a gravidez excessivamente monitorada com a posição de frágil e doente da mulher, a cirurgia mais arriscada vendida como melhor por conveniência, a falta de ética, a ameaça, o medo paralisante, a mutilação vaginal, o corte abrupto do cordão umbilical, o soro na veia, a posição humilhante, o frio do ar e das pessoas, a luz forte, as vozes estranhas, as ordens, os julgamentos, o bebê que vai embora sem que sequer veja a mãe, a rapagem de pelos e lavagem intestinal, o ácido nos olhos de quem mal viu o mundo, a solidão, o isolamento, fim...

Nasceu um cidadão e nasceu uma mãe dentro de um sistema violento, mas, quem liga? Eles não estão ouvindo a música tocar... Nem eles, nem os médicos e médicas que os atenderam, nem pediatras, nem os familiares envolvidos, nem as enfermeiras ou enfermeiros e técnicos ou técnicas... ninguém... faz-se um silêncio mortal nas salas obstétricas do país e de nosso Estado.

O bom é que um dia a música toca. Sempre toca, é a ordem natural das coisas, é a Lei da Vida, é o progredir infinito do qual ninguém fugirá. Ele vem com prazer ou dor, nos empurrar topo acima...

E essa música tocou com prazer e euforia, no domingo... fazendo dançar orgulhosas, as que ouviam, com deleite, a canção.

Dançou a Paula com seu filho nascido da coragem e naturalmente. Dançou a Sandra que todos os dias molha de sangue e vida suas mãos para fazer respeitar mulheres que chegam a seu caminho. Dançou a Elis que cicatrizou um corte com um parto desafiador, feliz e em casa. Dançou a Alyssa com seus partos naturais, um domiciliar, no florescer da vida. Dançou a Silvania que traz o valor do natural correndo nas veias. Dançou a Helena que se inspirou quando grávida na música que tocava de outras mulheres. Dançou a Lorenna que, numa outra gravidez, se viu uma outra mulher. Dançou a Camila que ainda não tem filhos, mas já acredita no feminino. Dançou a Izabela que sente que essa é a música certa para se ouvir. Outras tantas anônimas talvez passaram, naquele instante, a ouvir e a dançar também...

Que bom que se ouve por aqui o som cristalino e puro da nova onda...

Que orgulho fazer parte desta estória!





19 de junho de 2012

A menor "Marcha do Parto em Casa" do país foi no Estado onde pior se nasce...

A experiência de participar, em Cacoal-Rondônia, de uma mobilização nacional foi muito boa. É óbvio que sentimos que estamos falando um outro idioma, mas estou certa de que sementes estão sendo plantadas neste solo rondoniense. Tivemos 22 pessoas; algumas que foram por ouvirem minha convocação na rádio comunitária, o que muito me alegrou. Fizemos paradas em dois semáforos, na avenida principal da cidade. Levamos 6 cartazes, 50 adesivos com a logo do evento e 300 panfletos explicativos foram entregues.

Em Porto Velho, nossa capital, o movimento contou com a participação de apenas 3 engajadas mulheres, entre elas Elis Freitas. Número bastante sugestivo para este Estado que é o campeão nacional em nascimentos por cirurgia. Pelo jeito, a menor marcha foi na capital onde pior se nasce!

Muito ainda temos que avançar na melhoria do atendimento à mulher. As mulheres são violentadas e desrespeitadas em um momento único da vida (maternidade) e sequer se dão conta disso! Enxergo que, por aqui, somos as maiores coniventes com tudo isso...

MUITÍSSIMO obrigada aos amigos próximos que 'vestiram' a camisa comigo! Mayara e seu irmão e cunhada. Eneas, Jair e a namorada, Washington Sobrinho, Jaqueline e Uillian.

Muito obrigada aos amigos de longe que me dão a oportunidade de servir e valorizam tanto minhas iniciativas!

Muito obrigada ao médico que, há 5 anos, me fez uma cesariana e, a partir disto, me fez conhecer o ruim para poder lutar pelo bom, através da mulher que hoje habita em mim...

As fotos estão no Comfestas!!! No link abaixo
http://www.comfestas.com.br/galeria_view.php?gft=2945














20 de junho de 2011

ALERTA: Rondônia foi o campeão nacional de nascimentos por cesariana


Em recente resultado fornecido pelo DATASUS do Governo Federal, Rondônia restou com um destaque preocupante. Em 2008*, fomos o Estado com o maior número de nascimentos por via cirúrgica do país. Ficamos em último lugar no ranking de partos por via vaginal. Somente 40% dos bebês nascem de parto normal, sendo que, segundo a Organização Mundial de Saúde, este índice deveria ficar em no mínimo 85%.

Acredita-se que este número é infinitamente maior na rede de saúde suplementar, onde hospitais particulares praticam índices ainda mais alarmantes de cirurgias cesarianas. A questão do excesso de “medicalização” do nascimento é nacional, sendo que Rondônia ficou em último lugar! Da região norte e nordeste do país fomos o único Estado em que o número de cesarianas superou o de partos.

Quantos destes mais de 15 mil nascimentos por cesariana (contra 10 mil de parto vaginal) foram fruto de real necessidade advindos de risco iminente para a mãe e para o bebê (lembrando-se que esta é a razão pela qual a cirurgia deve ser indicada)?

Por outro turno, cabe aqui uma reflexão. O parto vaginal oferecido pelas maternidades parece que em nada atrai as gestantes mesmo com as vantagens inegáveis de recuperação rápida. As poses das atrizes dizendo “deixe a vida acontecer naturalmente” nas campanhas do Governo Federal parece que não têm convencido as parturientes. Qual seria a razão disto?

A resposta a esta questão possui esferas físicas e emocionais profundas mas é fácil imaginar que o parto oferecido como normal em nada se parece com a vivência verdadeira de nascimento a que todas as mulheres, mesmo que ainda no plano inconsciente, anseiam profundamente.

A começar pelo atendimento frio e distante, os comentários inoportunos, o acesso venoso, o uso indiscriminado de ocitocina sintética que torna as contrações insuportáveis, lavagem intestinal, corte dos pelos pubianos, roupa de hospital, isolamento, posição litotômica (deitada), que pressiona as veias cavas e causa grande desconforto para a gestante podendo resultar em deficiência de oxigênio para o feto. Não menos contraditório ainda tem o alívio farmacológico da dor que limita a movimentação da mulher através do acesso espinhal para peridural, sendo que já existem evidências de inúmeros meios não fármacos de alívio da dor fisiológica do parto. Digo fisiológica porque aquela dor proveniente do uso de hormônio sintético, ocitocina, não é fisiológica e torna-se, inúmeras vezes, insuportável para a mulher. Por fim, como que para assinar o grande final tecnocrata de ‘gestão do nascimento’, cortam-lhe o sexo, por meio da episiotomia, e fazem a cessão abrupta do cordão umbilical, com a pecha de apressar o nascimento. Mas, quem tem pressa?

Não, esta não é a vida acontecendo naturalmente. Essa série de condutas adotadas rotineiramente em grande parte das maternidades do país são fruto de uma única e sinistra síntese: o parto não pertence mais à mulher. O ato de parir, antes um evento feminino, ativo e importante da vida sexual passou a ser passivo, um ato médico, completamente entregue à tecnologia. A mulher, antes protagonista, virou paciente. Seu útero agora é alvo de investidas cada vez mais poderosas que começam com as ultrassonografias de rotina e findam em seu corte, sua e exposição, no nascimento por cirurgia. O feto, um ser humano, virou algo a ser expelido do corpo gravídico o mais rápido possível... restando novamente a pergunta: de quem é a pressa?

O que antes era aterrorizante – o numero de mulheres e crianças que morriam no parto – findou por aterrorizar de tal forma a sociedade que durante décadas passou-se a acreditar que a solução para as trágicas mortes seria gerenciar completamente o nascimento.

Hoje, no entanto, temos a oportunidade de parir naturalmente, com dignidade e respeito, mas com toda a tecnologia disponível para agir, de pronto, se necessário. A problemática surgiu em se utilizar o “se necessário” como regra, transformando todas as intervenções médicas em rotinas obstétricas. O nascimento, maior encontro de nossas vidas – o de nós, recém-humanos de fato, com nossa origem – virou frio, distante e, em muitos casos, traumático para o bebê que ingressa na vida independente com registros negativos de isolamentos e violações, além de causar horror também a mulher que ingressa na maternidade sem viver, plenamente, seu rito de passagem ao universo feminino.

Se for necessário que se faça uma cirurgia, que ela seja humanizada e não mecânica tal qual se extrai uma vesícula. Para os médicos é apenas mais um dos inúmeros procedimentos que farão no dia, mas para os pais e para o feto é o momento único de formação de uma família e perpetuação da humanidade.

O movimento pela humanização do nascimento já está muito bem formado no Brasil e no mundo. Resta às mulheres tomar conhecimento desta tendência e lutar pelos direitos de parir com dignidade e garantir um nascimento respeitoso para seus filhos. Em novembro passado, houve a Conferência Internacional da Rede Pela Humanização do Nascimento, em Brasília, com autoridades de vários países, todos apresentando dados alarmantes de violência à mulher e ao feto na hora do parto, mas também apontado experiências de sucesso e evidências científicas de que a humanização do nascimento pode andar de mãos dadas com a tecnologia conquistada pela medicina moderna. (www.rehuna.org.br)

A Sociedade Brasileira de Pediatria, recentemente, emitiu mudanças nas normas de reanimação neonatal incluindo o corte tardio do cordão umbilical como melhor prática a ser adotada nos nascimentos. Comprovou-se por estudos que o sangue que o bebê recebe após o nascimento durante alguns minutos em que a placenta ainda funciona garante-lhe uma rica reserva de oxigênio e nutrientes, entre eles o ferro.

Gradativamente, graças à força que os movimentos de respeito ao parto e nascimento proliferam em todo o mundo e à adesão por profissionais das mais diversas áreas, muitas das ações que antes precisavam ser exigidas no momento do parto, agora é regra médica ou garantida por lei, e isto é digno de comemoração. No Brasil temos a Parto do Princípio, uma rede formada por mulheres de todas as regiões que militam pelos direitos relativos ao feminino, realizando diversas ações locais e nacionais. A onda é mundial e no Brasil temos grandes nomes de respeito entre obstetras, pediatras, enfermeiros e terapeutas nos mais diversos campos. No entanto, muito trabalho ainda precisa ser feito, principalmente por nós, mulheres, que queremos o melhor para nós mesmas e para nossos filhos. (www.partodoprincipio.com.br).

Não, ainda não dá para, parafraseando a campanha do governo federal, “deixar” a vida acontecer naturalmente, porque o cenário para permitir este evento ainda não está montado! Hoje, costumo dizer, ainda estamos nos tempos de “lutar” para que a vida aconteça naturalmente; principalmente em nosso Estado, como os números vergonhosamente nos apontaram.


Vamos à luta então!

*Adendo: Fonte DATASUS: Em 2009 e em 2010 também continuamos em primeiro lugar. O post é de 2011, mas o assunto continua alarmante, como o gráfico demonstra! Em 15/07/2013
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