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3 de março de 2023

Relato de parto da Keila: parto normal humanizado em Cacoal



Quem me conhece há muito tempo, sabe que ser mãe nunca foi meu sonho...rs, por muitas vezes me culpei por isso.... Acreditem! Mas foi a minha melhor escolha desde que engravidei pela primeira vez eu tinha escolha como tudo na vida... e eu escolhi ser Mãe, desejei ser mãe, e logo então o sonho começou....

A chegada da Isa, foi a significação de tudo isso... quando descobri que estava grávida pela terceira vez, foi em um dos momentos de maior desafio e vulnerabilidade em que estávamos enfrentando. Nossa família havia acabado de superar o COVID, no entanto e noticia da gravidez soou em nossos ouvidos como esperança... Luz... Amor e Milagre.

Após a superação de uma doença... a chegada da gravidez trouxe a certeza de que milagre existe...

Isabela nos permitiu fazer tudo novo, de novo, e diferente de tudo em que havíamos vivido. Nunca havia pensado em parto Humanizado... porém todas as outras gestações não abri mão do parto Natural, pois eu mais do que ninguém sei o quanto o parto natural faz bem para criança e para nós mães.

Foi ai que decidi que seria um parto humanizado dessa vez... ao meu modo... rs Nascer sempre é, e sempre será, um momento muito forte para a criança e para a mãe. Isso de acordo com a ciência do Início da vida, da médica Eleanor Luzes! E o mais importante é entender isso: “Para mudar o mundo devemos primeiro mudar a forma de nascer” (M. Odent).

E existe um jeito de enfrentar isso de uma maneira mais leve e amorosa... o parto humanizado! Para você enfrentar com leveza, amor e gratidão essa fase que você e bebê enfrentarão juntos. Foi único - só para adiantar - e mudar muita coisa, é o início…

E comigo não foi diferente há como foi maravilhoso meu parto gente, existem anjos que Deus coloca em nosso caminho e a Sabrina fisioterapeuta pélvica e doula foi o meu anjo e o da Isa.



Nosso trabalho de parto durou em média 15 horas. Eu estava em São Francisco ainda a noite quando comecei a perder liquido sem qualquer contração decidimos ir para Cacoal, chegando lá constatamos que eu havia perdido muito liquido e o médico achou melhor me monitorar no hospital e induzir ao parto uma vez que o liquido não estava repondo... sim, induzimos o parto na maior tranquilidade e muito monitorada, só que Isa é tão tranquila que a cada contração os batimentos se mantinham bem, e ela não descia... rsrsrs continuamos com muita segurança e monitoramento, como eu já havia estado muito cansada (eu estava sem dormir há quase duas noites por conta da viajem) solicitei e falei com o médico que as contrações estavam muito alta e ai ele disse vamos induzir com o hormônio. Falei 'sim', e confiei total nele. Nessas horas o mais importante é a sua fé e a segurança no profissional em que você escolheu te acompanhar. E aí não durou mais 10 minutos e a Isa veio ao mundo!

Foi muito rápido... o momento da chegada dela foi em minutos. Nasceu dia 26/11/2021 Isabela Sodré Simonato. Pesando 2,444 kg 48 cm de 36 e 6 dias de gestação... foi único... resinificamos todos os outros partos, Eu e o Talis, sempre enfrentamos isso juntos, e nessa gestação não poderia ser diferente! Ele esteve presente em todos os momentos da gestação isso me deixou muito feliz e agradecida.



Aprendi que:

Eu sei que o medo pode aparecer mas ele não é nada perto da minha força.

A dor do parto nunca será, maior que o amor de mãe, pelas as minhas filhas.

Que sou a essência de uma mulher, com espirito de loba.



💟Keila Helena Sodré Simonato é fisioterapeuta, tem 3 filhas e mora em São Francisco do Guaporé, Rondônia.
Contato: keilahelenasodre88@gmail.com

Instagram: KeilaSodré Fisio

5 de setembro de 2012

Diário de Grávida: Dias 5... 9 de setembro de 2011...

por Cariny Cielo

De acordo com Michel Odent (se você está grávida e não sabe quem é esse cara, 'meldels', corrige isso agora no Google!), a ocitocina é um hormônio que depende de fatores ambientais e sua produção se intimidaria diante da presença de estranhos e observadores. Por esse motivo, ele sugere a retomada de um ambiente mais feminino, mais íntimo e mais aconchegante para que as gestantes deem a luz.

Vale a pena ler todo o texto do diário! E é pra ler, se possível com o pai!

Eu tenho fortes motivos para achar que quanto mais intimidade no parto, menos ele dói. Quanto mais invasivos foram meus partos, mais dor eu senti. Quando eu me vi amparada, segura, acolhida e verdadeiramente livre, não doeu.

Dói o frio, o medo, a solidão. Dói a pressa, a má posição, os desrespeitos. Doem as intervenções desnecessárias como a episiotomia...


Tem hora que eu chego a pensar que um Conselho Masculino Anti Mulher se reuniu por aí no passado e decidiu o seguinte: Vamos relacionar tudo que de pior pode ser feito à mulher para humilhá-la, desrespeitá-la e fazê-la sentir-se vulnerável. Vale tudo para prejudicar o decurso do trabalho de parto.

Deve ter sido mais ou menos assim:
1. Luz! Muita luz, daquelas brancas e que mostram tudo, perfeitas para fazer sutura...
2. Frio! Nada de calor quentinho, não! Vamos congelar essas mulheres...
3. Sentir fome e sede também ajuda bastante. Jejum obrigatório e de rotina!
4. Assim que ela entrar no hospital, coloquem logo um soro na veia, pra ela se lembrar de que está doente e, se não estiver, que pode ficar a qualquer momento.
5. A melhor roupa é aquela que mostra a bunda e a melhor cor é a verde água.
6. Raspem os pelos dela às pressas e reclamando que ela bem poderia ter feito isso em casa.
7. Para deixar o trabalho de parto bem desconfortável, façam lavagem intestinal. Será terrível ela sentir os puxos e ter receio de fazer cocô no próprio filho.
8. Aproveitem a oportunidade para liberarem todos os seus demônios. Vai ser divertido fazer gozação, chacota, chamar a atenção, repreender. As melhores frase são (anotem aí pra não esquecer): "Pra fazer você não gritou assim!". "Mãezinha, cala a boca".
9. Só pode entrar sozinha. Ou vocês querem testemunhas do nosso sadismo? O pai, a doula, o escambau, ficam do lado de fora!
10. Toques, toques e mais toques. Sempre com pessoas diferentes. Aproveitem qualquer estagiário ou residente para fazer toques. A melhor forma é a seguinte: toquem, olhem por teto, depois pro infinito e saiam sem dar informação.
11. Deitada, de barriga pra cima e pernas nos estribos é a melhor e mais feladaputa posição para a contração doer e causar sofrimento fetal. Adotem-na com suas pacientes, em todos os atendimentos.
12. Estourem a bolsa sem consulta prévia (pra quê ouvir gestante?) e logo no início do trabalho de parto que é para as contrações ficarem bastante dolorosas e aumentar o risco de infecções.
13. Monitorem os batimentos fetais sempre com ar de preocupação e, ao final, façam cometários entre os colegas usando termos técnicos.
14. Usem ocitocina sintética e digam que é só um remedinho pra apressar o nascimento. Se tivermos sorte, as contrações ficarão tão insuportáveis que ela vai implorar por uma cirurgia.
15. Se ainda assim, com todas essas manobras desgraçadas, o trabalho de parto progredir e aquela gestante tiver a petulância de estar caminhando tranquila prum parto normal, não a deixem sair ilesa! Marquem-na, eternamente, cortando-lhe o sexo, para que se lembre que só pariu por meio de nós (by Ric Jones). Sim, usem o 'pique' rotineiramente, ignorando o que recomenda a Organização Mundial de Saúde.
Feito isso, sintam-se vitoriosos! Vocês acabam de destruir o mais sublime evento feminino. E ela não vai odiar vocês pois vai estar muito encantada com o filho recém chegado. E tem mais, ela ouvirá que não tem o direito de se sentir frustrada ou triste, afinal, o bebê nasceu, está com saúde e ela não morreu!

Eu fiz aqui um filme dos horrores, é verdade! Embora muitas mulheres tenham tido a infelicidade de receber praticamente todo o kit 'destrua o parto', existe um gigantesco meio termo.

Tem as que sofreram pique, por exemplo, mas ficaram muito, muito felizes por terem conseguido o tão desejado parto normal. É verdade! A delícia de sentir o bebê nascer por nossas próprias forças supera tudo e é por isso mesmo que acabamos não nos dando conta de que aquilo foi violência!

E tem as que descobrem que tudo isso é ruim, é errado e não é recomendado de se fazer no atendimento obstétrico muito tempo depois... quando começam a reeditar seus partos!

Eu questionei muito minha cirurgia.
Eu questionei muito o atendimento dado ao meu segundo filho, nascido de parto natural hospitalar.

E nessa de questionar, investigar, lutar... eu alcancei um delicioso estágio de 'nada a questionar' com o parto do meu terceiro filho. Ele, sim, nasceu como se deve nascer. Ele me teve, plena, e foi pleno em seu chegar ao mundo.

Mas o melhor deste post vem agora: foi há um ano que eu acertei o dia do parto! Eu estava em tamanha conexão com meu pequeno que até escolhi o dia do nascimento dele.

Prova cabal de que o bebê é o que é a mente da mãe que o gesta, como diz a PHD Eleanor Luzes! Alguém duvida? Eu não.

"Hoje, pensei num dia dia lindo pra nós: Dia 21"

Que assim seja...


1 de junho de 2011

Leituras pra gestantes...



Quando perguntada se já havia algo pronto pro bebê lá em casa, afinal, já estou entrando no sexto mês, eu pensei: Puxa, o enxoval é a última das minhas preocupações. Tenho umas poucas coisinhas que ganhei de presente e ainda não me ocorreu de "ir às compras", como a maioria faria.

Não! Eu estou estes meses todos em deleite, em revisão geral interna, em movimentos psíquicos, em faxina, em exercício da razão e da emoção... Trabalhando a formação física e espiritual deste serzinho que cresce em mim e a minha formação física e espiritual que se forma, com minhas novas formas, agora gestando. Aproveitando a bênção do universo em ter concedido a gravidez às mulheres para crescer... mesmo que doa, mesmo que seja difícil, mesmo que canse.

Talvez as leituras não sejam mesmo tão essenciais e aquela mulher da região rural, afastada dos pavores da cidade possa gestar com riqueza tal qual eu, que vivo a ler, a me instruir.

Mas, dentro do contexto da mulher moderna e estereotipada, como viver o deleite da gravidez sendo bombardeada por todos os lados com instruções, medidas, padrões, medicamentos, patologias, e, além de tudo, infantilizada pela situação? Impossível...

Os noves meses foram muito bem pensados pela natureza; não para forrar as gavetas do quarto do bebê, mas para forrar nossa alma de feminino, resgatar nossas origens de perpetuadoras da humanidade e, aí sim, abrir-se ao mundo, permitindo o nascimento daquela mulher e daquele filho.
Dilatar, ceder, consentir, dar... verbos femininos da maternidade! Mas a maioria quer comprar, colecionar, investigar, furar orelhinhas que nem lhe pertencem...

"Acabo de sair do exame de ultrassom! Está tudo bem como o bebê" (é o que dizem). Nossa, vejam o contrasenso: precisamos que um médico, terceiro estranho ao nosso vínculo, veja chuviscos na tela de um aparelho para ficarmos seguras de que 'tudo vai bem'? Será mesmo? Onde ficou nossa intuição? Nossa comunicação ultra-sensível de mulheres selvagens? Onde está nosso bebê? Dentro de nós ou nos olhos dos médicos?

Estou indo além, pensando que um exame desses não garante absolutamente nada do mundo mágico que é a vida intrauterina. Quantas mulheres saem da clínica com um exame atestando que está tudo bem e, em seguida, o bebê se vai? Quantas saem da consulta médica e, num roupante, o bebê nasce prematuro? Quantas fizeram a translucência nucal e deu 'síndrome de down', daí viaja, gasta, exames e mais exames, choros, desesperos e... não era, ufa! Ufa nada, e os meses de estresse sobre o bebê? A troco do quê? E quantas dão translucência normal e, mais dia menos dia, constatam que o bebê é diferente? Nada nos garante nem mesmo que o bebê encanará, de fato. Só a provisão divina. Sim, ficar grávida é coisa de gente grande! Ou melhor, de mulher grande! Por isto ficamos tão sujeitas, pois apostamos tudo no escuro.

Trata-se da mais pura e forte lição de desapego que existe. O apego que, segundo o budismo, é a causa de todos os sofrimentos. E é mesmo. Devemos nos entregar ao universo interior, voltar a ser o que somos, mulheres selvagens, entregue aos instintos, entregues a si e a mais ningúem! No laudo das ultrassonografias morfológicas está lá: ‘membros, órgãos, feição aparentemente normais’, ‘coração aparentemente com morfologia normal’. Bem com esse termo mesmo, aparente, que o dicionário diz: ‘aquilo que parece real ou verdadeiro, mas não existe, necessariamente, na realidade’.

É impossível navegar com segurança pela magia da gravidez. Quantas estórias conhecemos de erros? Mas será que é o médico que era? Já penso que não. Fazemos exames para, recebendo o atestado de que está tudo bem, continuar tecendo normalidade com a mente, mas o que acontece é o contrário. Quanto mais investigamos, pior fica, mais confuso, mais nervoso, mais invasivo, mais desrespeitoso.

E é nessa sopa psicologicamente negativa e insegura que a mulher mergulha na hora do parto. "Parto? Ah, eu quero normal". Infelizmente, devo dizer aqui que querer um parto dignamente normal não é o suficiente... quem navegou pela gestação com a alma infantilizada, num mundo no país das maravilhas vai se assustar muito quando conhecer a carne-e-osso que é o parto. Daí as consequencias psicossomáticas são simples: não haverá dilatação, o bebê não encaixa (mas quem não está encaixada na dinâmica, na verdade, é a mãe), a dor será insustentável, e por aí vai, todas aquelas complicações que os obstetras adoram e, volta e meia, falam orgulhosos: "eu disse, parto é uma caixinha de surpresas".

Dando continuidade à castração do feminino. Num rasgo de segundo, haverá um bebê bem real, sem os cachinhos dourados dos sonhos, nos braços desta mulher e ela deverá amamentá-lo com sua alma. Mas, que alma? Aquela infatil e vazia? Não, novamente ela será vítima fácil da artificialização do amor. Seu leite será fraco, insuficiente; ou seus seios não terão bico, ou racharão, ou serão muito grandes, muito pequenos... faltará entrega, coragem, confiança, faltará uma mulher adulta.

Nos dizeres de Laura Gutman (Maternidade) a mulher se deparará com a sua parcela mais recôndita da alma, encarará tudo aquilo que sempre quis esconder, disfarçar... por isto nossos filhos são a melhor ferramenta de crescimento e amadurecimento pessoal que existe, mas isto, claro, aos que estão dispostos a encará-los. O choro do recém-nascido é o choro oculto da mãe e isto fez todo sentido no nascimento do meu primeiro filho que veio de uma cesárea, recheado de frustração, por uma mulher que só 'queria' um parto normal. Todo meu choro, meu lamento, saía através do meu pequeno.
A posição vitimizada é sempre muito confortável, muito cômoda. A pose de Barbie ainda é muito valorizada. Mas não nos enganemos! Nossa alma cobrará pelo crescimento, mais dia, menos dia, ela aparecerá. A gestação, o parto, a amamentação são veículos maravilhosos de crescimento da mulher, mas se ainda assim ela preferir abafar sua verdade, em algum momento esta mulher faminta virá à tona. Nós até podemos nos esconder por um tempo, fugir, disfarçar, mas, não há saída: O progredir infinito é a Lei Universal!

Meu enxoval:
100 promessas para o meu bebê (Malika Chopra)
Origens mágicas, crianças encantadas (Deepak Chopra)
Diário da Gestante (Fadynha)
Quando o corpo consente (Thereze)
Memórias do Homem de Vidro (Ric Jones)
Nascer Sorrindo (Leboyer)
A cientificação do Amor (Michel Odent)
Maternidade e o encontro com a própria sombra (Laura Gutman)
Infância, Idade Sagrada (Evania Reichert)
Parto ativo (Janet Balaskas)
Mulheres que Correm com Lobos (Clarissa Pinkola)

E você? O que leu ou está lendo em sua gravidez para nutri seu corpo e sua alma? Conte aqui!
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