23 de abril de 2014

A cesárea protege o meu períneo?


por Cariny Cielo

Dentre os argumentos para se optar por uma cirurgia ao invés de um parto natural, é a ideia de que a cesárea protege o períneo e evita problemas futuros com incontinência urinária, perda de tônus na musculatura vaginal e consequente diminuição no prazer feminino - e do masculino, enfim...

Conheço mulheres que não entraram em trabalho de parto, tiveram bebês por meio de cirurgia e, ainda assim, no alto de seus 50-60 anos tiveram que se submeter a cirurgias de períneo, assim como mulheres que tiveram vários filhos de parto normal e não relatam sequer perda de tônus, mesmo com a idade avançada.

Também li que, em 2001, no Congresso da Sociedade Internacional de Incontinência, em Paris, a Dra. Linda Cardoso apresentou um trabalho, mostrando claramente que a gravidez, assim como a paridade e a multiparidade, aumentam a incidência de incontinência urinária nas mulheres. No entanto, não ficou definido se o parto normal provoca mais incontinência do que a cesariana.

Nós mulheres estamos mais predispostas a ter problemas com períneo do que os homens por questões anatômicas, assim como as que gestam ficam mais propensas do que as que nunca tiveram filhos, já que na gestação, não só o aumento do volume abdominal, mas também a presença da cabeça do bebê insinuada na pelve podem causar danos na musculatura do esfíncter feminino.

A enfermeira obstétrica Maíra Libertad alerta para o fato de que as pesquisas de qualidade mostram benefícios da maioria das técnicas de preparo ou proteção perineal para prevenção de laceração de 3º e 4º grau - envolvendo o esfíncter anal ou reto - que são as mais raras, algo em torno de 0,5 a 2,5%, dependendo do estudo. Assim como a episiotomia (o famoso 'pique') não é mais recomendável em nenhuma situação, pois não comprovou proteger, nem mesmo mitigar lacerações. A imensa maioria de lacerações são de graus 1 e 2, e menores que a invasão de uma episiotomia na vagina.

E que fique sempre bem claro que muitas lacerações são decorrentes de más condutas durante o parto como: orientar a gestante para fazer 'força comprida', manobra de empurrar a barriga (banida em vários países), posições horizontais para parir, excesso de toques e 'massagem' perineal, episiotomia prévia... entre outros.

Uma coisa é certa: a região do assoalho pélvico precisa de atenção assim como toda e qualquer musculatura. E não deveria receber cuidados apenas na gestação, embora a mulher gestante costume gostar de pensar, cuidar e preparar o períneo.

A proposta aqui é investigar mitos (assim como fizemos na pergunta ‘A cesárea protege meu bebe de uma paralisia cerebral?'), novamente, chamo especialistas para responder a seguinte questão: A cesárea protege meu períneo?

Quem responde é a Camila Patriota, fisioterapeuta especializada em Saúde da Mulher.




Antes de responder diretamente a pergunta, se faz necessário compreender alguns conceitos.

Ao pensar em gravidez é importante que a mulher tenha um conhecimento do próprio corpo e das estruturas que estão envolvidas e que sofrerão as transformações ao passo que o bebê se desenvolve.

Os órgãos pélvicos, útero e seus anexos (tubas uterinas e ovários) bem como a bexiga estão localizados na região pélvica, parte compreendida entre o tronco e os membros inferiores. Esta área do corpo atua em importantes funções, como a proteção destes órgãos, sua articulação com os membros inferiores possibilita a locomoção do indivíduo e ainda serve como ponto de fixação de alguns músculos, dentre eles os músculos que formam o assoalho pélvico. Sendo assim a função muscular baseia-se na sustentação destes órgãos pélvicos, atuando também, nas funções de continência urinária, continência fecal e funções sexuais. Ou seja a partir do momento que este grupo muscular evolui com uma diminuição da força é possível que ocorra as incontinências urinária e fecal, o desabamento dos órgãos pélvicos (prolapsos) e até mesmo algumas disfunções sexuais.

E o que seria o períneo? Ao contrário do que muitos pensam ou deduzem, o períneo não é um órgão. Trata-se de uma região anatômica compreendida entre a vagina e o ânus. Internamente, é neste local que é possível detectar o centro tendíneo do períneo, região onde os músculos que recobrem a pelve inferiormente (assoalho pélvico) se encontram, formando um centro de estabilização desta região.


O que se percebe é que existem muitos mitos e tabus que cercam a área pélvica, principalmente a região do períneo, assim como os mitos dos tipos de parto: cesárea ou normal.

Durante a gravidez, ao tempo que o útero se expande junto com o bebê, os músculos do assoalho pélvico ficam sobrecarregados. Desta forma é esperado que a gestante relate pequenos escapes de urina aos esforços (tosse, espirro ou mudanças de postura) e que tema a laceração durante o trabalho de parto, temendo ficar com a vagina “flácida”.

O que deve ser esclarecido é que na verdade estas condições podem ser evitadas com exercícios simples de treino muscular focado no assoalho pélvico, conhecidos como exercícios de kegel. O treino muscular proporciona o aumento da força, melhora da resistência e da consciência corporal quanto ao recrutamento adequado da musculatura, facilitando o entendimento da gestante em saber acionar os músculos para exercer uma contração ou um relaxamento. É indispensável que a escolha pelo parto normal ou pela cesariana seja provida destes cuidados e orientações.

Em caso de parto, durante o período expulsivo, tais músculos sofrerão uma distensão máxima para facilitar a passagem do bebê. Caso não tenham sido preparados através de um programa adequado de treinamento (e caso as condições deste parto sejam negativas em relação à proteção perineal), poderão evoluir para o rompimento parcial de suas fibras, causando a laceração. Tal condição pode ser um dos fatores que irá contribuir para futuros prolapsos de órgãos pélvicos, conhecidos popularmente como “queda da bexiga ou bexiga caída”, queda do útero ou retocele (desabamento do reto). A escolha pela cesárea protegerá a mulher da laceração, mas não irá evitar a condição do prolapso, se a musculatura estiver enfraquecida, seja pela ausência de exercícios ou até mesmo pelo número de gestações.

Muitos são os fatores que podem interferir na integridade da região perineal. São eles: número de gestações, parto, traumas cirúrgicos, atividade física e alteração hormonal. Independente da escolha da via de nascimento, exercícios físicos focados em condicionar os músculos do assoalho pélvico são essenciais para a manutenção da integridade desta região e de suas funções.

E importante: A gestante que evolui com um parto natural ou cesárea deve dar continuidade ao programa de exercícios na fase pós parto, voltando a manter o condicionamento dos músculos da região pélvica e de outras regiões do corpo, afim de retomar a forma física de maneira saudável e adequada, respeitando sua individualidade.




Camila Patriota Ferreira é graduada em fisioterapia (2008) pela Faculdade São Lucas/ PVH. Tem especialização em fisioterapia em saúde da mulher (2009) pela Universidade Estadual de Campinas Unicamp SP e é docente da faculdade Interamericana de Porto Velho/Uniron PVH (desde 2012)



Imagem do texto Oficina de Períneo 

24 de março de 2014

Relato de Parto da Elis: Parto Natural hospitalar após uma cesárea, em Porto Velho



Eu conheci a Elis na Bello Parto, em um dos encontros. Era uma típica gestante: cheia de dúvidas, insegura e ansiosa... estava ainda no início da gestação. Então, muita coisa mudou nos meses seguintes e ela foi ficando cada vez mais certa de seus desejos e direitos! Não existe desfecho feliz de parto, dentro da maternidade consciente, sem busca da mulher e sem empoderamento. Ela é o exemplo de que com informação, vivências, troca de experiências, busca por ajuda e apoio do marido, consegue-se sair da insegurança e navegar, confiante, pelas ondas de um parto digno e de um nascimento respeitoso.

Antes de entrar em trabalho de parto, Elis teve a chance de assistir o filme "O Renascimento do Parto" que lhe serviu de catarse... catarse de emoção e empoderamento! Olha a energia que ela com ela, quando ela saiu da telona:


Sim, assistir o filme marcou o fim de gestação da Elis... cinco dias depois ela entrou em trabalho de parto!!!

Elis sentiu bastante dor. Elis viu as contrações avançarem vagarosamente... mas não desistiu. Contou com apoio contínuo de uma doula e com a força constante do marido. E assim nasceu o Arthur... de uma maneira inesperada e surpreendente, mas maravilhosa... o mais importante de tudo: foi no tempo dele, foi da forma que ele quis!!!

Deu curiosidade né? Então, vamos ao relato:





Descobri que estava grávida em junho de 2013 e depois foi só alegria: idas seguidas ao banheiro; sono, muito sono; e uma ideia fixa: eu queria que meu parto fosse normal, diferente da minha primeira gestação onde fui obrigada a fazer uma cesárea as pressas sem muitas explicações.

Eu já estava com 3 meses de gravidez quando, certa noite, estava no Facebook e vi a fanpage do Belloparto . Coincidentemente, era de uma amiga da época da escola e vi que ela era enfermeira e doula, mas até então eu nem sabia o que era uma doula. Fiquei curiosa para conhecer e entrei em contato com a ela. Conversamos e foi então que eu e meu marido passamos a frequentar os encontros, conhecer o trabalho dela e da equipe Belloparto. 

Resolvemos contratá-la como minha enfermeira e doula, pois confiava nela e, assim, me sentiria mais segura com ela ao meu lado no momento esperado. Eu ia regularmente ao meu médico que, no fundo, não era a favor da minha escolha por um parto normal, eu não tinha referencias dele, mas como eu não tinha como mudar de médico por conta do meu plano de saúde, continuei com ele toda a minha gestação.

Toda consulta eu tentava trabalhar nele o meu desejo pelo parto normal e que ele respeitasse isso. Houve uma consulta em que minha doula me acompanhou para discutirmos como seria o trabalho dela comigo e na penúltima consulta eu apresentei a ele meu plano de parto informando sobre os procedimentos que não queria e todos os meu desejos. 

Nesses noves meses eu e meu marido nos informamos bastante, liamos artigos sobre todos os procedimentos e intervenções, eu assisti muitos vídeos de partos naturais. Eu queria muito que meu parto fosse em casa, cheguei ate a brincar com minha doula, dias antes do meu trabalho de parto, que não queria ir para hospital e teria em casa mesmo, afim de evitar qualquer intervenção.

Apesar do expressar as minhas vontades ao meu médico e apresentar meu plano de parto, na ultima consulta quando estava com 38 semanas ele me alertou dizendo que se o bebe não nascesse ate completar 40 semanas ele não iria esperar mais, pois ficaria com medo de esperar. Não respondi nada, mas eu sabia muito bem que meu filho poderia nascer perfeitamente ate com 42 semanas, a minha gestação estava tranquila, meu exames estavam em dia e estávamos bem. Ate então não havia motivos para uma cesárea e muito menos antes do tempo do bebê.

Dia 20 de fevereiro, meu marido, antes de dormir, fez uma oração com bastante fé e depois que terminou falou que o Arthur já podia chegar! Na manhã do dia 21 eu estava com 39 semanas e 5 dias e, às 06 horas, senti algo diferente... como se fosse uma pequena cólica. Meu marido prontamente levantou falando: chegou a hora! Ele está chegando! 

Demorei para acreditar que estava na hora. Começamos a monitorar o tempo das contrações e intervalo. Meu marido foi deixar meu filho mais velho na escola e quando voltou mandamos uma mensagem para a minha doula contando o que estava acontecendo. Ela respondeu dizendo para continuar o monitoramento e tomar café da manhã que já ela chegava. Logo que ela chegou, ela me orientou ficar debaixo do chuveiro com água quente por 40 minutos para termos certeza de que estávamos em trabalho de parto.

O tempo passou e as contrações não pararam! Foi quando eu tive a certeza de que, em poucas horas, meu filho estaria comigo! Entramos em contato com o médico e partimos para a primeira avaliação. Nesse momento as contrações já estavam mais fortes. Na avaliação, ele falou que eu estava apenas com 1 cm de dilatação! Fiz uma cara de espanto! Depois de toda essa dor apenas 1 cm? Voltamos para casa para aguardar o trabalho de parto ativo.

Começamos então a preparar o ambiente com músicas, massagens e compressas, como eu sempre tinha visto em vários vídeos em que as mulheres estavam tranquilas e relaxadas: Nada deu certo! Não consegui prestar atenção nas musicas... as compressas não ajudavam... a doula preparou um escalda-pés com essência de canela que dispensei na hora... a bola só piorava minha dor... As únicas coisas que ajudaram foram as massagens constantes e o banho com água quente.

Toda gravida tem a posição ideal de parir, a que me senti mais confortável foi de joelhos. A cada contração eu me ajoelhava. Já estava por volta de meio-dia e as contrações não me deixaram almoçar bem. Na verdade não comi quase nada. Comi pouco no trabalho de parto, mas as barras de cereal, mel e água foram essenciais para me dá forças.

Às 14 horas as contrações já estavam muito intensas! Já não conseguia conversar tanto e ocorreu de minha bolsa estourar. Ligamos para o médico e fomos fazer uma nova avaliação. As dores já estavam muito fortes e decidimos levar também as malas. Tive muita dificuldade para descer as escadas do prédio (moro no terceiro andar), a cada vão de escadas eu me ajoelhava para suportar a contração. Na hora de entrar no carro não consegui ir sentada, solução? Fui de 4 no banco de trás do carro até o hospital com a minha doula me segurando, enquanto meu marido dirigia.

Ao chegar no hospital tentei ser discreta, pois a emergência estava lotada. Fu direto para o banheiro. Meu médico chegou e me levou para o consultório para me examinar e eu estava com 3 cm de dilatação! Como as contrações já estavam muito forte, pedimos para ir para um apartamento e esperar lá a dilatação completa.

Ate chegar ao quarto do hospital, ia me ajoelhando a cada contração e isso deixou os enfermeiros do hospital assustados, pareciam que nunca tinham visto uma mulher em trabalho de parto. Ficavam me oferecendo cadeira de rodas, maca, mas eu não conseguia sentar e ficava a todo o momento repetindo isso... mas eles não queriam compreender e fui andando e ajoelhando quando vinha a contração. 

Já no apartamento, a doula e meu marido faziam o que podiam para aliviar a dor, fui para debaixo do chuveiro quente, fizeram massagens e me seguraram quando vinha a contração, por que a única posição em que eu conseguia ficar era de joelhos. Tentava ficar de pé para circular o sangue, pois meus pés estavam ficando roxos. As contrações vinham de 1 em 1 minuto e duravam quase 1 minuto também, eu não tinha tempo de relaxar, passei o trabalho de parto todo nessa posição: de joelhos.


A doula continuava a me acompanhar e então ela, como é enfermeira, entrou em contato com o médico pra informar que as coisas estavam avançando! Ele disse que logo logo estaria chegando.

Nesse momento aconteceu o que eu não esperava mas, no fundo, queria: comecei a sentir umas contrações muuuito intensas e senti que algo bem diferente começou a acontecer, mas não conseguia falar! Foi quando eu dei um grito (eu ainda não tinha gritado, só respirava fundo, pois ajudava a aliviar a dor). Vei tudo de uma só fez, muito rápido. Com uma voz de espanto e alegria imensa, minha doula disse: está nascendo! O Arthur está vindo! 

Eu não pude acreditar, meu filho nascendo no apartamento do hospital! O médico ainda estava a caminho e eu, por instinto, abri mais as pernas e, de joelhos, no chão do quarto, veio uma ultima contração que fez meu filho escorregar nos braços da minha doula. Eu não consegui pegá-lo de primeira, pois estava exausta, mas quando vi meu filho... eu esqueci tudo e ela o pôs no meu colo.

A emoção tomou conta de todos... meu marido ficou emocionado e eu me sentia plena e realizada com meu filho nos braços. "Eu consegui!" Eu dizia para minha doula! Logo naquele momento de alegria, tivemos o apartamento invadido por um monte de estagiários e enfermeiros que curiosos vieram verificar o que estava acontecendo, junto com o médico de plantão. O meu obstetra ainda não havia chegado.

O medico de plantão queria cortar o cordão umbilical para ensinar os estagiários, sendo que no meu Plano de Parto constava que seria meu marido que iria cortar o cordão, assim que parasse de pulsar. E ainda queriam puxar a minha placenta! Nesse momento eu tive que impor minhas vontades, já expostas através do Plano de Parto, senão iria virar cobaia.

Consegui que meu marido cortasse o cordão e não deixei ele tirar minha placenta. Meu médico finalmente chegou. Nessa hora fiquei feliz em vê-lo e poder expulsar aquele povo do quarto. Ele me examinou e como tive uma laceração, precisei ser encaminhada para o centro cirúrgico para fazer a sutura. Esse foi o único momento em que me separei do meu filho, mas ele ficou seguro com o pai e todos os procedimentos “necessários” ao bebe foram feitos no apartamento na nossa presença. 

Não pude evitar a aplicação do nitrato de prata, mas não houve aspiração nasal e nenhum outro procedimento que havíamos colocado no plano de parto. Deixamos para dar banho nele em casa. Voltei para o apartamento e fui amamentar. Não consegui fazer ele mamá assim de pronto, só no dia seguinte que ele pegou o peito. Eu não me desesperei, pois sabia que isso podia acontecer e hoje ele mama muito bem e graças a Deus não precisei dar nenhum leite artificial para ele.

O Arthur nasceu com 3.325kg 50 cm às18h10min do dia 21 de fevereiro de 2014.

Eu pari e foi maravilhoso! Meu médico ainda me questionou se tinha valido a pena sentir tanta dor, pois ele não acreditava que eu aguentaria, respondi sem hesitar: "valeu muito a pena e faria tudo de novo!" Como disse meu marido: eu nasci para isso!

A Elis Loras tem 30 anos, é mãe do Gabriel nascido de cesárea 
há 10 anos e agora do Arthur, nascido de parto natural. 
É administradora, casada e mora em Porto Velho.


11 de março de 2014

Maternidade Ativa: vencendo os obstáculos da amamentação nos primeiros dias...


Conheça a emocionante história desta mãe de primeira viagem que, vencendo os obstáculos para amamentar o próprio filho nos primeiros dias, acabou sendo 'mãe' de outros tantos bebês!!! Ela saiu do total desamparo, acreditando não ter leite e ser incapaz de alimentar o próprio filho, sentindo-se culpada e cobrada para..... virar doadora de Banco de Leite!

<3



Eu quero dividir com vocês minha vivência sobre amamentação. Quando meu filho nasceu, há seis meses atrás, assim que saí do centro cirúrgico e fui pro quarto da maternidade foi uma dificuldade enorme conseguir amamentá-lo! O bico do meu seio era invertido e ele não conseguia fazer a sucção.

Nenhuma profissional da área médica soube me explicar algo simples como massagem ou drenagem no seio, por exemplo. Elas apenas diziam: “você vai ter que dar de mamar”. A aquilo me batia um desespero. Nem elas sabiam passar alguma informação sobre aleitamento porque tudo que faziam era apertar meu seio com força. Até quase ficar roxo!



Após a alta do hospital, cheguei em casa e nada de conseguir amamentar. A esta altura, eu já estava sofrendo. Até que recebia uma ligação da Izabela Texeira, Doula da Belloparto. Eu não me aguentei e comecei a chorar dizendo que não tinha leite, não conseguia amamentar... ela foi lá em casa na hora, mesmo estando há poucas horas de um compromisso de viagem.

Ela drenou o leite represado, massageou minha mama, me ensinou a fazer a ordenha manual e foi então que percebi, pra minha completa surpresa que: Sim! Eu tinha leite, e muito! Mesmo com muita gente me mandando desistir e dar leite artificial, eu consegui e a amamentação se estabeleceu!

Meu marido também foi de suma importância, com sua paciência e amor, me apoiando sempre. Finalmente meu bebê estava ganhando 45 gramas por dia! Os dias foram se passado, o Ben engordando sempre e, ainda assim, a produção de leite era tanta que decidi doar ao Banco de leite da minha cidade, em Porto Velho.

Atualmente, estou doando leite materno já há 6 meses e, nesse sábado, dia 8 de março, veio aqui em casa uma senhora do banco de leite, responsável por pasteurizar o leite. Ela me disse o seguinte depoimento:

"É você que é a Talita? Eu tinha que te conhecer pessoalmente, sou eu quem cuido do leite que você doa, quero lhe falar que o seu leite é um do melhores que recebemos, os bebês que tomam seu leite engordam muito, você tem 18 filhos (!) todos eles estão ficando gordinhos e saudáveis. Quero lhe dizer você é uma salvadora de vidas. Inclusive, temos uma mãe HIV positivo que não pode amamentar, mas o bebê dela tá engordando com seu leite. Obrigada"

Eu comecei a chorar, muito emocionada com tudo que ela disse. E ela: “não chore, senão eu choro junto”... e choramos, as duas!

Hoje (11/03/2014) meu bebê completa 6 meses de aleitamento materno exclusivo! Pra mim foi muito bom e realizador. Espero que esse meu depoimento fique como incentivo ao aleitamento materno e que as mães não desistam. No comecinho não é simples amamentar, mais é maravilhoso!

   
Talita Santana tem 28 anos, mora em Porto Velho 
e é mãe do Benjamin de 6 meses de idade . 



18 de fevereiro de 2014

Movimento de Humanização do Nascimento e Parto: 50 tons de... 'o ativismo pegou você'

  

por Cariny Cielo

Você percebe que o ativismo tomou conta de você quando...
  1. Quer digitar a palavra ‘parte’, mas digita automaticamente a palavra ‘parto’, reiteradas vezes
  2. Círculo de fogo não é um filme em cartaz nos cinemas e sim um momento do expulsivo
  3. Ric não é Ric Martin, aquele cantor latino, e sim um famoso escritor e obstetra gaúcho
  4. AC não é 'Antes de Cristo', e sim Ana Cris, famosa obstetriz paulistana
  5. O nome Melania te lembra imediatamente de ‘indicações reais e fictícias de cesárea
  6. Você não está na Revolução Francesa, mas vive gritando “Maíra Libertad
  7. Polido tem o arroz e tem a Carla
  8. DPP, DUM, TP, PD, IU, AU, LM, LD viram siglas cotidianas e você passar a ter um glossário próprio pra conversar nas redes sociais
  9. Líquido nunca é um estado físico da água, é sempre o amniótico
  10. Bolsa é a que envolve o bebê, raramente você se lembra que usa uma a tira colo
  11. Frotinha não é o apelidoso carinho do Alexandre Frota e sim um fictício (ou não) obstetra cesarista
  12. Falar e escrever ‘menas’ não é mais um errinho de gramática
  13. Você fala em períneo mais do que qualquer outro ser humano na face da Terra
  14. GAMA não é um clube de futebol, e sim o Grupo de Apoio à Maternidade Ativa
  15. Os obstetras têm medo de conversar contigo
  16. Escreve rehuna com ‘h’ mesmo quando quer escrever a conjugação do verbo reunir
  17. Gravidez prolongada é só quando passa das 42 semanas
  18. As pessoas não te contam que escolheram fazer cesárea
  19. O Michel famoso é o Odent, e não o Teló, e você o cita como se ele fosse seu chegado
  20. Você vai ao cinema várias vezes para assistir ao mesmo documentário, e chora em todas elas
  21. Você compra o DVD do filme O Renascimento do Parto só pra emprestar pros outros
  22. Coroar não te lembra monarquia e sim uma fase do expulsivo
  23. Tampão não te lembra absorvente interno, e sim aquele mucoso, que sela o colo do útero.
  24. Você diz pra todo mundo que o parto nasce ‘entre as orelhas
  25. Você não é soldado, mas vive marchando
  26. Você tem licença pra escrever coisas como ‘doula a quem doer
  27. Você cria neologismos como partolândia, maridoulo, doulamiga, mamaço...
  28. Quando grávida... mente sobre a data provável do parto, jogando umas duas semanas a mais. Não gasta com enxoval e sim com livros e equipe de assistência ao parto. Exige que o pai do bebê saiba tanto de parto quanto você. Faz 1/5 dos exames de ultrassom que o médico pede
  29. Na hora de parir... você toma até tapa na cara, mas não toma sorinho na veia. Cortam teu pescoço, mas não cortam tua vagina. Amarram tua boca, mas não amarram tuas pernas.
  30. Você ajuda mulheres que nunca viu na vida e talvez nunca veja, mas sente como se fossem irmãs
  31. Machismo, misoginia, patriarcado passam a ser termos correntes que ganham um significado negativo muito profundo
  32. Você ri por dentro quando alguém diz ‘minha cesárea foi humanizada, teve luz apagada e tocou CD da Enya’
  33. Você chora por dentro quando alguém diz que ‘minha cesárea foi por sofrimento fetal. O bebê nasceu com apgar 10-10’
  34. Desconfia de grupos, blogs, sites e afins que chamam as mulheres de mãezinhas, gravidinhas e demais 'inhas'
  35. Faz alguém se arrepender amargamente de ter constrangido uma mulher amamentando convocando um mamaço que sempre sai nos jornais em todo Brasil
  36. Nunca foi muito boa em planejar, mas virou perita em plano de parto
  37. Você tem amigas que são a biblioteca cochrane ambulante
  38. Você sabe mais sobre os protocolos de atendimento ao neonato do que o seu pediatra
  39. Alojamento conjunto não tem nada a ver com militares dormindo todos juntos
  40. Colo tem dois: o do útero e o que a mãe dá ao bebê, sem ressalvas
  41. Você pode ser urbana, mas visita direto uma Vila
  42. Você explica que violência obstétrica existe pra pessoas que achavam que violência contra a mulher era só 'esposa apanhar de marido'
  43. Você ficou fã de uma cientista depois que ela virou mãe
  44. Pra você, parto bom é o parto livre, é o parto ativo, é o Parto do Princípio
  45. Mexer com Jorge Kuhn é mexer com você
  46. Sonha em fazer terapia com Laura UpligerEleanor LuzesEvania ReichertLaura Gutman... 
  47. Você se empodera para o próprio parto e este empoderamento reverbera em outras áreas da sua vida
  48. Pra você, a Gisele Leal tem mais ibope que a Bündchen
  49. Bola de pilates não é pra fazer pilates, é pra relaxar a pelve durante o trabalho de parto e banqueta não é pra sentar, é pra parir 
  50. Você é chamada constantemente de radical, mas sempre tem uma amiga mais radical que você... e isto é ótimo



12 de fevereiro de 2014

O filme O Renascimento do Parto em Porto Velho Rondônia

Porto Velho: Imagem de Leonardo Valério

por Cariny Cielo

O parto, em Rondônia, está em festa!
Está em festa porque será renascido!
Está em festa porque em nenhum outro Estado, o parto está tão carente de renascimento!

Já falamos aqui que, há anos, Rondônia vem carregando o título de Estado número 1 em nascimentos por cirurgia e sabemos que os partos normais são, em sua maioria, ceivados de violência e na contramão das recomendações da Organização Mundia de Saúde e Ministério da Saúde.

Curiosamente, a postagem de maior popularidade na fanpage do facebook do filme O Renascimento do Parto, foi a de um relato de parto em Porto Velho!!! O parto da Verônica, que você pode ler aqui.

Pois bem!

O filme O Renascimento do Parto nasceu do sonho de duas pessoas em denunciar a grave situação obstétrica do país e apresentar uma nova visão sobre o nascimento. O parto não pode ser um evento traumático! E não pode porque é fisiológico... é natural por excelência!

Este documentário, até então, só havia sido exibido no interior de Rondônia, já que estreou em Cacoal no mês de novembro passado, no Cine Art, com emocionantes relatos...

Agora o filme chegou à capital e, finalmente, Porto Velho poderá ter acesso a tanta informação de qualidade sobre saúde, sobre amor, sobre vida! Depois de tanto "eu quero o filme!", o Cine Veneza atendeu nosso pedido e dedicará uma semana para exibir o documentário.



De 14 a 20 de fevereiro, sempre às 21:00 horas, teremos o privilégio de ver, na telona, profissionais renomados mundialmente apresentando uma nova forma de enxergar aquilo que tanto nos mobiliza, aquilo que nos faz tão iguais, tão humanos... o nascer!

No dia 15, sábado, haverá um Cine-Debate, pós filme, organizado pela Bello Parto e pela Slingue, duas novas empresas de Porto Velho super envolvidas no tema maternidade consciente. (Dica: Aproveitem para curtir a fanpage delas no facebook e divulgar o filme, valendo ingressos grátis!!!!)


              Alyssa Grigório(Slingue)  Izabela Texeira e Sandra Schultz (Bello Parto)



O filme é...

Uma chave mágica para quem ainda tem chances de fazer escolhas para o nascimento dos filhos

Uma catarse para quem, como eu um dia, sentiu ter sido roubada no parto

Um presente para quem busca qualidade nas informações e analisa as questões públicas do país com seriedade

Um bálsamo para aqueles que acreditam que para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer



Vai lá, assiste, e depois nos conta como foi!!!

Semana de exibição: 14 A 20 de fevereiro
Sempre às 21:00 horas
No Cine Veneza (Rua Joaquim Nabuco - 1855, Centro. Telefone: (69) 3221 - 8296)
!Cine-debate dia 15, com profissionais da área da saúde!

29 de janeiro de 2014

Maternidade Ativa: comemorando o aniversário dos filhos...

Comemorar é parte importante da nossa cultura.

Dividir o tempo em horas, dias, anos e dar-lhe significado tem um grandioso valor. Tem a ver com afeto, com lembrança, com compartilhar alegrias, e também tristezas... já que vivenciamos também o luto.

Existe na grande maioria das pessoas, a vontade de comemorar, marcar de alguma forma aquele dia especial. No caso do aniversário dos filhos, isto fica ainda mais evidente. Comemora-se a vida e comemora-se a família que se faz no entorno da vida desta criança.

No entanto, ganha espaço em nossa sociedade capitalista o culto à ostentação, muitas vezes esquecendo-se o valor intangível que existe nas coisas. Quando o assunto é festa de aniversário isso fica muito bem explicito. Muita gente já passou pela experiência de gastar demais, muitas vezes um dinheiro que não tinha, para montar uma festa plástica, descartável e que, em muitos casos, não agradou tanto as crianças... apenas deixou todos exaustos!

Sempre vale a pena refletirmos sobre nossas escolhas. Contribui para o auto-conhecimento e, em se tratando de ser mãe, faz parte do exercício da maternidade consciente. Pensar se aquela escolha combina com a gente, se combina com o temperamento do nosso filho, se é o que realmente nos atenderá e se é o que realmente mais importa.

Lembrando da máxima de que a pureza de amor das crianças é tão grande que pra eles é mais importante a presença que o presente e a brincadeira que o brinquedo, a Alyssa, Doula e proprietária da Slingue (carregadores de bebês) divide com a gente a experiência que teve ao fazer uma festa pensando única e exclusivamente nos interesses do filho mais velho.

E ouvir deles “esse é o melhor dia da minha vida” fez nascer nela o sentimento de que valeu a pena a ideia de fazer diferente.


...


No último aniversário do meu primogênito, em 2013, eu fiz uma festa em casa e gastei uma fortuna alugando o painel do ‘Ben10’, o bolo do mesmo personagem e todos os apetrechos. Aluguei pula-pula e fiz algumas brincadeiras como “Caça ao Tesouro” e outras que acabaram fazendo muito mais sucesso do o tema em si!

Então decidi que na de 6 anos não alugaria painel nenhum e resolvi investir em diversão. E o resultado: Igor, o irmão mais novo, entrou na festa gritando "Esse é o Melhor Dia da Minha Vida". Impagável né?!

Nesta o Alan escolheu o tema do Kung Fu Panda e logo corri para buscar algumas alternativas para enfeitar a festa e também agradá-lo nesse quesito.

Durante as duas últimas semanas fiquei nessa função de imprimir, recortar, dobrar e colar os "pepakuras". E o mais legal foi que eles participaram de tudo, acompanharam e ajudaram. Meu marido também entrou na onda de ajudar nas dobraduras.

Achei coisas bem legais na internet:
Fazendo nossa Festa 
Este aqui é um site que disponibiliza uma serie de modelos e ensina como cortar e editar para facilitar a nossa vida como convites, marca pagina... tem de tudo mesmo, com ou sem impressão. Tudo free!
Até quem é super leiga nessas coisas de edição, corte e montagem, não tem dificuldade alguma.

Analu Festas
Este site é de umas moças lá de Floripa que participam do Bazar Coisa de Mãe, super indicadas pela Lígia do Cientista que Virou Mãe. Elas criam temas próprios, sem se prenderem nesses temas da moda. Dá para tirar idéias legais no Blog delas. Para enfeitar a mesa, eu usei personagens de papercraft, muito legal. No google se consegue achar vários modelos para montar.




Paramount Pictures
Aqui está o site onde tirei os do Kung Fu. Tem também várias atividades de pintar, desenhar... que usei para colocar nas sacolinhas de lembrança.



A festa foi na Sede da A.A.B.B. em Porto Velho. Bem ao lado do salão tinha uma dupla de bombeiros praticando tirolesa, não hesitamos e fomos descer também. Logo o Igor (mais novo) quis descer também e então todas as crianças desceram.

Quanto à comida, optamos por fazer um churrasco. Contratei um churrasqueiro e uma cozinheira que deram conta de tudo. Já os doces, encomendei com um casal de amigos que chegaram recentemente em Porto Velho e estão trabalhando com vendas de doces. Foi no horário do almoço e durou até fim de tarde, umas 17:00 horas.

Teve ainda o futebol de sabão que alugamos que foi o auge da festa. Imaginem todas as crianças jogando futebol em um pula-pula todo molhado e cheio de sabão?? As fotos falam por si só:















<3

16 de janeiro de 2014

Relato de parto da Daniela: parto natural hospitalar em Cacoal


Uma gestante que teve uma bela - e rara - experiência de parto em um hospital de Cacoal. Parto sem intervenções desnecessárias, em menos de uma hora e meia de internação e com respeito ao tempo do bebê. Para esta mulher, cuja mãe teve dez (!) filhos, todos de parto normal e que já tinha passado pela experiência do parto com outras duas filhas, parto normal é exatamente como deve ser mesmo: normal.

Daniela é servidora pública e mora em Cacoal, Rondônia, com suas três filhas e nos conta agora como nasceu sua caçula, a Sara.



Depois de quase 13 anos da data de nascimento da minha primogênita de 8 anos, na data de nascimento da segunda filha, o sentimento da maternidade me tomou conta. Vários projetos foram tomando espaço em minha vida, adiando ainda mais a realização desse desejo. Entretanto, cheguei em uma fase em minha vida onde percebi que, dentre vários projetos realizados, o de ser mãe pela terceira vez era mais importante pra mim.

"Decidimos engravidar" eu e meu amado. Há um ano sem tomar anticoncepcional, veio a notícia: Positivo! Impossível descrever a alegria, pois estava aguardando muito este dia. Mas a gestação não foi tão tranquila assim. Com cinco meses descobrimos que eu estava com Toxoplasmose e que teria que ingerir remédios para o bebe não nascer com sequelas, entre elas a surdez ou cegueira.

Desde sempre escutei minha mãe dizer que preferia ter 10 partos normais a ter uma cesariana. Ou seja, creio que inconscientemente fui absorvendo essa ideia, sem nem ao menos ter conhecimento dos benefícios do parto normal.

Especificamente no parto da Sara, eu já conhecia a dores iniciais e as "manhas" para que eu pudesse ajudá-la a nascer sem sofrer tanto. Meu médico sempre me dizia que fazer uma cesariana em mim seria um crime, pois tinha tudo para ter normal e que somente faria diferente se fosse estritamente necessário.

Graças a Deus aconteceu conforme o previsto. Às 3 horas e 20 minutos do dia 11/06/2013 comecei sentir as cólicas. Já sabia que era a Sara querendo nascer. Fomos para o hospital e, chegando lá, meu médico chegou com uns 10 minutos após ser comunicado. Não tenho porque fazer propaganda de médico, mas ele foi um ótimo médico quanto ao fornecimento de informações que necessitava (mesmo sendo o meu terceiro parto normal).

Fomos abençoados por Deus e às 4:45 horas da manhã me despi de toda vaidade que uma mulher pode ter para dar a luz a uma criança linda... tão linda que não saberia descrever tanta beleza. De parto normal e sem "pique" (diferente das outras duas gestações) nasce Sara.

Uma gestação marcada por altas doses de remédios fortíssimos, exames muitas vezes invasivos... tudo para controlar a enfermidade adquirida na gestação, mas que valeu à pena. Veio para completar meu trio: Maria Eduarda, Isabela e Sara. Os melhores presentes que Deus já me deu até hoje, dentre tantos outros.

Não tenho palavras para descrever a alegria que sinto, o sentimento de renovação que traz uma criança no lar de uma família...sentimento tão forte de amor, compaixão que só quem é mãe sabe do que estou falando. Olhar para o rostinho dela e vê-la perfeitinha e sem nenhuma sequela me deixa constrangida diante da imensa bondade do meu Jesus Cristo para comigo, pois não sei se sou merecedora de tão grande bênção.

Queria compartilhar esta alegria que sinto com meus amigos. Para os que ainda "não tem coragem" ou "tem muita coisa para fazer antes de ter filhos" lhes digo: vocês não sabem o que estão perdendo.









7 de janeiro de 2014

Relato de parto da Helena: parto natural hospitalar com doula em Porto Velho



A Helena já contou aqui uma experiência muito feliz de parto. Ela teve seu segundo menino de parto normal, após uma cesárea, num trabalho de parto que começou na tranquilidade do lar... 

Agora temos ela aqui novamente para contar uma história igualmente linda! Helena recebeu sua menina de parto natural. Pioneira em Porto Velho na confecção de um plano de parto, ainda assim ela teve que lutar para garantir alguns direitos e evitar intervenções desnecessárias e já desaconselhadas pela Organização Mundial de Saúde... episiotomia é uma delas!

A presença da doula foi dificultada mesmo havendo uma série de artigos científicos em revistas renomadas que citam a influência positiva do suporte físico e emocional contínuo durante o trabalho de parto e parto, através das doulas ou pessoas com essa função exclusiva! Veja aqui as referências.

Já dissemos aqui que o tempo é de luta e, infelizmente, só através dela conseguiremos garantir dos nossos direitos por um parto digno e um nascimento respeitoso aos nossos filhos. A Helena marchou, a Helena se preparou, planejou, gritou... e na hora, conseguiu desconectar e se entregar ao maior ritual de amor e fé da Vida! Parabéns! E que venham muitos outros bebês assim...




Arielle veio na minha vida para aprender a desapegar de coisas e sentimentos que não estavam funcionando mais. Um momento de transformação pessoal daquele jeito de rito de passagem transformador, me mostrando a importância dos pequenos detalhes e principalmente da minha conexão comigo mesma.

Então vamos lá.

Estava desconfiando que estava grávida há um mês, pois depois que tive meu segundo filho não menstruei e acabamos nos descuidando. Então foi que durante uma aula de yoga resolvi esticar bem o corpo amassar bem o abdômen nas posturas pra ver se sentia algo, foi então que no fim da aula, no momento de sentir a respiração, coloco a mão sobre o abdômen e sinto um movimento a princípio achei que fosse gases, mas senti um movimento novamente, e aquilo foi o sinal que tinha procurado. Saindo da aula passei na farmácia e comprei um teste rápido e pela manhã fui fazer o teste que logo me deu o resultado positivo. Nossa foi o momento mais assustador que tive na vida, 3 filhos, pra quem havia imaginado apenas ter um filho, já estava na terceira gestação e com mais um desafio, cuidar de duas crianças pequenas ao mesmo tempo, pois o Luan estava à beira de completar seus 2 anos de idade.

Passado o susto inicial, comecei o processo de pesquisa e mais informação sobre parto, ainda sonhava com o parto em casa que não consegui realizar com o nascimento do Luan, mas não era uma ideia paranoica. 

Comecei o pré-natal com o mesmo medico que acompanhou minhas 2 outras gestações, conheci o grupo Bello Parto com suas reuniões semanais gratuitas onde pude me informar mais e também compartilhar de minhas experiências. Lugar maravilhoso onde conheci pessoas incríveis como a Izabela e a Alyssa, anjos lindos que ajudam as mães a trazerem seus bebês ao mundo de forma natural e cheia de emoção.

Nesta gestação resolvi que queria ser cuidada - e fui muito bem cuidada - por minha doula linda Alyssa que em nossos tão esperados encontros, sempre vinha com uma mágica especial.

Minha gestação ocorreu perfeitamente bem sem qualquer alteração de pressão, e nem infecção de qualquer gênero. Perfeito para um parto em casa né Iza?! (rs).  (Izabela da Bello Parto)

Queria nesta gestação me entregar mesmo à minha intuição, tanto que nem queria saber o sexo do bebê, mas por pressão do pai, resolvi ceder e saber o sexo do bebê. Descobri numa ultra feita com 25 semanas, quase enlouqueci com as pessoas querendo saber o sexo, e eu, muito delicada, respondia que iriam saber quando nascesse. 

E então descobrimos que teríamos nossa menina. Ai o cabeção pirou novamente e agora só sei ser mãe de menino, como vai ser???? Esse sentimento de dúvida me seguiu por algumas semanas, depois fui relaxando, pois sabia que de uma maneira ou outra iria aprender, pois estamos aqui para aprender né, e como mães de qualquer sexo, aprendemos todos os dias. E que venham os desafios.

Chegando no fim da gestação parei de dar aulas, pois via que precisava de um tempo para me entregar de verdade a minha gestação, foram semanas longas cheias de altos e baixos, hormônios em ebulição constante me fazendo ter todos os tipos de sentimentos que se possa imaginar. Sempre achei que o último mês é o mais longo, pois não conseguia posição pra dormir, sentar, ficar em pé todas essas coisas simples exigiam o máximo de mim.

E as semanas foram passando e chegamos as 39 semanas de gestação, acordei com contrações indolores que apenas me traziam um formigamento na pélvis, comecei a monitorar e estavam de 10 em 10 minutos. Como tinha consulta naquele dia, mandei mensagem para minha doula pra saber se iria na consulta para me certificar se estava mesmo em trabalho de parto e ela me recomendou a ir e então fui. Cheguei lá tinha um monte de grávidas esperando o médico chegar para marcarem suas 'desnecesáreas' e elas ficaram apreensivas pelo fato de eu estar sentindo contrações. O medico, chegando super atrasado, me atende primeiro e, é claro, fazemos o maldito toque... e nada de dilatação. Nossa como isso foi brochante pois eu estava super feliz em estar tendo contrações, mas sabia que a coisa podia engrenar já que estava em pródromos. 

Fui pra casa ainda sentindo as contrações mas logo ao deitar de noite elas cessaram e ficou tudo parado assim, contrações vinham.... quando pensava que agora vai..... paravam. Isso foi frustrante demais. E então 3 dias depois, a querida doula me manda uma mensagem pra saber como estávamos, e respondo tudo em paz, ela vem me ver à tarde e então fizemos uma massagem nos pés, tenta ativar os pontos para ver se tem contração e caminhar pelo bairro pra ver se algo acontece, e uma ou duas contrações e continuamos na mesma, então nos despedimos ela me sugere tomar um chá de canela pra dar uma estimulada. 

Não cheguei a tomar o chá, e meia hora que ela sai começam as contrações... primeiro sem dor e logo começam com dor. Mando mensagem que as contrações voltaram de 10 em 10. E então lá pelas 8 da noite ela chega e estou na bola e ganho uma massagem nas costas pra relaxar, e começamos a monitorar e certificamos que estavam de 10 em 10 mesmo.


Coloco as crias, marido e sogra para dormir e ficamos eu e doula na sala assistindo um canal de comédia, e entre risadas e contrações entramos a madrugada, rebola na bola, ganha mais algumas massagens, cochilamos no sofá e as contrações começam a apertar, vamos caminhar na varanda, rebolar, contrações de 8 em 8 começar a apertar. Agora fico de cócoras a cada contração e começo entoar o mantra do parir, aquele que vem do intimo que vai crescendo como aquela onda que se forma no mar. 

Contrações de 5 em 5... vamos buscar a força da terra ao caminhar de cócoras, me sinto cada vez mais perto do fim do arco-íris. E então chega o momento de ir pra maternidade, acorda marido, avisa sogra e vejo o céu que antes era escuro se abrir em luz, já era de manhã!

No carro em direção a maternidade tenho 2 contrações bem mais perto uma da outra, pois o carro sacoleja muito. Chegamos na maternidade damos entrada, e já começa a pressão básica por causa da doula que não queriam deixar entrar. 

No corredor em direção a sala de triagem tenho uma contração que tenho que parar... aí uma grávida passa na minha frente assustada! Consigo chegar na triagem, medem pressão, passa mais alguns dados e me encaminham para a médica. Na espera do atendimento tenho várias contrações e então me agarro em meu marido e volto a cantar o canto daquelas que estão em seu mundo particular num ritual só meu. 

Me sinto em estado de êxtase, tão perto de conhecer meu bebê, sinto toda a alegria transbordar do meu ser. Chega a minha vez de ser atendida, constatamos dilatação total! Nossa que alegria, realmente estava perto, tenho uma contração na sala da médica, começo meu canto novamente, e ela como não estava conectada com as mulheres antigas, me diz pra me calar para não me cansar, mas como eu estava em meu mundo particular ignoro ela com sua sábia ignorância. 

Sou encaminhada pra sala de parto, me mostram um leito e a enfermeira me diz para deitar, olho para ela e digo que não vou deitar... ela me diz como se eu não soubesse: 'seu bebê vai nascer'. E eu respondo 'eu sei que meu bebê vai nascer, mas não vou me deitar'. 


Então ela vai embora e vem outra e me pergunta como terei meu bebê, respondo que ainda não sei. Meu marido diz na hora: "ela vai ficar na posição que for melhor pra ela". Então peço pra ela colocar a barra que teria de cócoras, eu não me deitaria de jeito nenhum, se quisessem ver teriam que se abaixar. Peço encarecidamente que deixem minha doula entrar, aí a enfermeira diz pro meu marido ir chama-la, logo vejo ela tão doce e feliz por ter conseguido entrar. E logo aparece a médica 'diaba com cara de anjo', e diz que vai estourar a minha bolsa para acelerar, meu marido vai conversar com ela e mostra meu plano de parto e lá eles ficam discutindo os procedimentos que eu não queria, ela se negou a assinar e nisso estou só eu e minha doula, rebolo pra bebê descer mais e mais e sinto a pressão da cabecinha me abrindo, e a médica aparece e pergunta o que decidimos, respondo que ela não vai estourar a bolsa, ela resmunga, mas a ignoro novamente e logo ela vai embora, logo tenho uma contração bem forte e a bolsa rompe jorrando seu liquido quente para todos os lados. 

Aparece uma enfermeira e constata que o liquido está claro com grumos tudo certo e logo desaparece. Começo a ter contrações cada vez mais fortes e sinto cada vez mais a cabecinha me abrindo. Digo pra Alyssa 'ela tá vindo!'. Que momento... começo a sentir queimar as minhas entranhas, meu mundo estava se abrindo era o tal círculo de fogo que pra mim veio como o abrir de uma cratera de vulcão... tanto que meu canto se transformou em força e tive que abrir a garganta para que tudo aquilo saísse de mim... era a tal transformação que somente o parir te traz.

O controle sobre as coisas e minha identidade... tudo isso se foi e me joguei de corpo e alma naquela sensação de ser nada e ao mesmo tempo tudo! Deitei de lado para me entregar totalmente ao parir e vejo a cabeça saindo de mim e digo 'ela está aí'. Como o 'ver' às vezes é necessário, tentei passar a mão na cabeça, mas meu marido segurou não sei porque, tentei que ele soltasse meu braço, mas não consegui e voltei a me concentrar na saída da bebê.

Começo a sentir o corpinho sair de mim e de repente escorregar de mim, logo peço para me entregarem a enfermeira a seca um pouquinho e me entrega... meu bem mais precioso! Ouço seu choro, seu cheiro, sua temperatura e abraço seu corpinho quentinho, coloco próximo ao seio, mas ela apenas fica ali quietinha apenas sentindo e ficamos ali nos conectando. A emoção deste momento não pode ser definida em palavras, pois são muitas e nenhuma. A emoção só pode ser sentida, e estando ali naquele momento que é único e tão transformador “O Nascer”.



Ariellle nasceu dia 30/12/2013 ás 07:09h pesando 3.520kg medindo 49cm.

Emocionando Mãe, Pai e Doula.

Apesar de sentir estar me partindo, não tive nenhuma laceração.

Não tive como impedir o uso do colírio e da vitamina k no meu bebê.

Como a equipe do hospital não sabia o que era um plano de parto e nem como procederem, tive que impor no grito alguns dos meus direitos o que me coube no momento pelo menos.

A caminhada pela humanização é longa e vamos percorrendo um passinho de cada vez, tentando tirar os profissionais de suas rotinas desnecessárias.


Quero agradecer meu marido que sempre me incentivou e esteve ali do meu lado segurando a minha mão. Agradecer a Alyssa que com sua voz suave e suas mão delicadas me auxiliou nessa jornada. Agradecer também a todas que fizeram parte dos encontros do grupo Bello Parto que me auxiliaram com suas energias positivas.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...