1 de junho de 2011

Leituras pra gestantes...



Quando perguntada se já havia algo pronto pro bebê lá em casa, afinal, já estou entrando no sexto mês, eu pensei: Puxa, o enxoval é a última das minhas preocupações. Tenho umas poucas coisinhas que ganhei de presente e ainda não me ocorreu de "ir às compras", como a maioria faria.

Não! Eu estou estes meses todos em deleite, em revisão geral interna, em movimentos psíquicos, em faxina, em exercício da razão e da emoção... Trabalhando a formação física e espiritual deste serzinho que cresce em mim e a minha formação física e espiritual que se forma, com minhas novas formas, agora gestando. Aproveitando a bênção do universo em ter concedido a gravidez às mulheres para crescer... mesmo que doa, mesmo que seja difícil, mesmo que canse.

Talvez as leituras não sejam mesmo tão essenciais e aquela mulher da região rural, afastada dos pavores da cidade possa gestar com riqueza tal qual eu, que vivo a ler, a me instruir.

Mas, dentro do contexto da mulher moderna e estereotipada, como viver o deleite da gravidez sendo bombardeada por todos os lados com instruções, medidas, padrões, medicamentos, patologias, e, além de tudo, infantilizada pela situação? Impossível...

Os noves meses foram muito bem pensados pela natureza; não para forrar as gavetas do quarto do bebê, mas para forrar nossa alma de feminino, resgatar nossas origens de perpetuadoras da humanidade e, aí sim, abrir-se ao mundo, permitindo o nascimento daquela mulher e daquele filho.
Dilatar, ceder, consentir, dar... verbos femininos da maternidade! Mas a maioria quer comprar, colecionar, investigar, furar orelhinhas que nem lhe pertencem...

"Acabo de sair do exame de ultrassom! Está tudo bem como o bebê" (é o que dizem). Nossa, vejam o contrasenso: precisamos que um médico, terceiro estranho ao nosso vínculo, veja chuviscos na tela de um aparelho para ficarmos seguras de que 'tudo vai bem'? Será mesmo? Onde ficou nossa intuição? Nossa comunicação ultra-sensível de mulheres selvagens? Onde está nosso bebê? Dentro de nós ou nos olhos dos médicos?

Estou indo além, pensando que um exame desses não garante absolutamente nada do mundo mágico que é a vida intrauterina. Quantas mulheres saem da clínica com um exame atestando que está tudo bem e, em seguida, o bebê se vai? Quantas saem da consulta médica e, num roupante, o bebê nasce prematuro? Quantas fizeram a translucência nucal e deu 'síndrome de down', daí viaja, gasta, exames e mais exames, choros, desesperos e... não era, ufa! Ufa nada, e os meses de estresse sobre o bebê? A troco do quê? E quantas dão translucência normal e, mais dia menos dia, constatam que o bebê é diferente? Nada nos garante nem mesmo que o bebê encanará, de fato. Só a provisão divina. Sim, ficar grávida é coisa de gente grande! Ou melhor, de mulher grande! Por isto ficamos tão sujeitas, pois apostamos tudo no escuro.

Trata-se da mais pura e forte lição de desapego que existe. O apego que, segundo o budismo, é a causa de todos os sofrimentos. E é mesmo. Devemos nos entregar ao universo interior, voltar a ser o que somos, mulheres selvagens, entregue aos instintos, entregues a si e a mais ningúem! No laudo das ultrassonografias morfológicas está lá: ‘membros, órgãos, feição aparentemente normais’, ‘coração aparentemente com morfologia normal’. Bem com esse termo mesmo, aparente, que o dicionário diz: ‘aquilo que parece real ou verdadeiro, mas não existe, necessariamente, na realidade’.

É impossível navegar com segurança pela magia da gravidez. Quantas estórias conhecemos de erros? Mas será que é o médico que era? Já penso que não. Fazemos exames para, recebendo o atestado de que está tudo bem, continuar tecendo normalidade com a mente, mas o que acontece é o contrário. Quanto mais investigamos, pior fica, mais confuso, mais nervoso, mais invasivo, mais desrespeitoso.

E é nessa sopa psicologicamente negativa e insegura que a mulher mergulha na hora do parto. "Parto? Ah, eu quero normal". Infelizmente, devo dizer aqui que querer um parto dignamente normal não é o suficiente... quem navegou pela gestação com a alma infantilizada, num mundo no país das maravilhas vai se assustar muito quando conhecer a carne-e-osso que é o parto. Daí as consequencias psicossomáticas são simples: não haverá dilatação, o bebê não encaixa (mas quem não está encaixada na dinâmica, na verdade, é a mãe), a dor será insustentável, e por aí vai, todas aquelas complicações que os obstetras adoram e, volta e meia, falam orgulhosos: "eu disse, parto é uma caixinha de surpresas".

Dando continuidade à castração do feminino. Num rasgo de segundo, haverá um bebê bem real, sem os cachinhos dourados dos sonhos, nos braços desta mulher e ela deverá amamentá-lo com sua alma. Mas, que alma? Aquela infatil e vazia? Não, novamente ela será vítima fácil da artificialização do amor. Seu leite será fraco, insuficiente; ou seus seios não terão bico, ou racharão, ou serão muito grandes, muito pequenos... faltará entrega, coragem, confiança, faltará uma mulher adulta.

Nos dizeres de Laura Gutman (Maternidade) a mulher se deparará com a sua parcela mais recôndita da alma, encarará tudo aquilo que sempre quis esconder, disfarçar... por isto nossos filhos são a melhor ferramenta de crescimento e amadurecimento pessoal que existe, mas isto, claro, aos que estão dispostos a encará-los. O choro do recém-nascido é o choro oculto da mãe e isto fez todo sentido no nascimento do meu primeiro filho que veio de uma cesárea, recheado de frustração, por uma mulher que só 'queria' um parto normal. Todo meu choro, meu lamento, saía através do meu pequeno.
A posição vitimizada é sempre muito confortável, muito cômoda. A pose de Barbie ainda é muito valorizada. Mas não nos enganemos! Nossa alma cobrará pelo crescimento, mais dia, menos dia, ela aparecerá. A gestação, o parto, a amamentação são veículos maravilhosos de crescimento da mulher, mas se ainda assim ela preferir abafar sua verdade, em algum momento esta mulher faminta virá à tona. Nós até podemos nos esconder por um tempo, fugir, disfarçar, mas, não há saída: O progredir infinito é a Lei Universal!

Meu enxoval:
100 promessas para o meu bebê (Malika Chopra)
Origens mágicas, crianças encantadas (Deepak Chopra)
Diário da Gestante (Fadynha)
Quando o corpo consente (Thereze)
Memórias do Homem de Vidro (Ric Jones)
Nascer Sorrindo (Leboyer)
A cientificação do Amor (Michel Odent)
Maternidade e o encontro com a própria sombra (Laura Gutman)
Infância, Idade Sagrada (Evania Reichert)
Parto ativo (Janet Balaskas)
Mulheres que Correm com Lobos (Clarissa Pinkola)

E você? O que leu ou está lendo em sua gravidez para nutri seu corpo e sua alma? Conte aqui!

21 de maio de 2011

Maternidade Ativa: Como a flor segue o sol, eu sigo meu ventre...


por Cariny Cielo

Vi este termo num livro (Quando o corpo consente) e achei o máximo. Mãe girassol: "como a flor segue o sol, eu sigo meu ventre". A medicina detesta o imaginário mágico das mãe e disseca os corpos dos bebês. Cataloga, numera, padroniza, pesa, mede, estica e puxa, palpita, define. Tudo para mostrar ingerência no invisível; para mostrar controle, no incontrolável; para racionalizar o instintivo; masculinizar o feminino. A que pretexto? Ah, sim, tranquilizar a mãe, a família, ‘ver se está tudo bem com o bebê’.

Na minha segunda e última ultrassonografia, analisando a placenta, o médico fala, num dado momento: “hum, olha que placenta interessante...” e pára por aí. Segue um silêncio, e mais outro. Eu, atônita, adormecida pelo comentário, sequer consegui tecer palavras. Acabou o exame e eu saí com o ‘interessante’ calado dentro de mim, no oco do coração de grávida. O que teria sido? O que poderia tê-lo deixado tão interessado por minha placenta? Com certeza uma anomalia, pensa minha parte ansiosa.

Os médicos adoram deformidades, calamidades, patologias. Devem amar quando encontram uma inédita... OU, com certeza estava linda e perfeita, pensa minha parte girassol. Os médicos devem ver tantos problemas que quando encontram algo perfeito, até se surpreendem. É foi isto. Sigo confiante na minha barriga, voltada ao meu ventre e não aos olhos do médico. Descobri, nesta terceira gestação, que o concreto não me seduz, não me alivia, não me preenche.

É preciso deixar que a vida corra naturalmente pois vida é assim, natural, livre, solta, não se curva a controles externos. Ocorre que a confiança, hoje, em todo processo do ciclo de vida está tão embotada que faltam gestantes que se entregam verdadeiramente a gestar. Entregam-se, ansiosas e perdidas, aos ditames dos que sabem mais, e sufocam seus instintos, suas emoções.

A maioria não vê a hora de enxergar seu bebê pela tela chuviscada do aparelho e ouvir, de uma terceira pessoa, que tudo está bem. Eu não. Definitivamente não fui feita para as praxes que transformam a gravidez e o parto num evento médico, e não num rito feminino. Eu prefiro enxergar com outros sentidos, com os olhos de mulher selvagem e ouvir, da minha essência e do meu interior, que está tudo caminhando como deve caminhar.

Teu corpo sabe mais, acredite! Teus sentidos, todos eles, estão comungando desta vida que cresce. Não se curvem às estatísticas pois a ansiedade, esta sim, fará mal ao teu bebê. Os pesadelos, estes sim, farão surgir fantasmas físicos em teu corpo.

Quantos inúmeros casos de erros, falhas, exames duvidosos vimos todos os dias. Translucência nucal indicativa de anomalia e, depois de meses de angústias e exames mais invasivos, descobre-se que era tudo um engano. Assunto esquecido! Esquecido nada, seu corpo chorou cada hora de angústia, de dúvida, de ansiedade e ficou com estas marcas. E quantas saem dos exames com atestado de 'está tudo bem' e então o bebê se vai? O que faz acontecer tudo isso? São erros? Não, é que a vida segue seu curso. Não adianta o que fazemos ou deixemos de fazer, ela seguirá seu curso...

Eu costumo dizer que gravidez é coisa de 'gente grande', ou melhor, de mulher grande. Sim, porque apostamos tudo, todas as nossas expectativas, desejos, todas as nossas feridas narcísicas, completamente no escuro. Em nenhum outro evento das nossas vidas estaremos tão de mãos, pés, ventre, entregues aos mistério puro.

Gravidez é isso mesmo. Mistério puro. E quem consegue conviver com o mistério? Quem consegue seguir olhando com os olhos do espírito e saber o que lhe espera? Quem consegue hoje, onde se sabe tudo, se vê tudo, confiar no imaginário? A maioria prefere laudos de ultrassom assinados por um profissional altamente gabaritado.

Eu prefiro a utopia, a entrega, a poesia pois sinto que isso me nutre muito mais do que exames e atestados. Porque eu sei que, no fundo, os atestados, todos eles, não me garantem nada. Mas meu coração sim, minha intuição sim... estes me garantem tudo.

E nutrindo esta confiança em mim, eu estou, aos poucos, me preparando para o momento do parto. Eu costumava achar que o parto era coisa para atletas. Depois, com as duas gestações, comecei a dizer que o parto está na mente. Mas agora, depois de tanta vivência, de tantos insigths, eu digo: o parto está no coração da mulher, mas isto é assunto para outro post.

2 de maio de 2011

Maternidade Ativa: desmame suave: a lua está mudando...


por Cariny Cielo

Filho,

Nascestes e durante meses, tudo que tu precisou foram dos meus seios fartos de leite, do sangue da vida. Após os meses simbióticos, começastes a andar, a comer, a falar... e eu, ainda alheia à tanta transformação, te mantinha ligado em mim, pelo leite. Teu irmão te empurrou mais ainda à independência com seu jeito explosivo e vivaz de ser. E tu foi...

E lá vai o ele. Deixando os peitos e seguindo para a autonomia. Ele se decide e, certo de tudo, vai. Não havia data marcada, dia certo, não marquei na agenda. Apenas deixei que fosse, na confiança de que, assim como foi seu nascimento, o desmame também seria natural, respeitoso e feliz. Um dia ainda ele pediu, aconchegou-se, mas, por alguma misteriosa razão, o mamá não seguiu adiante.

Não está dando muito tempo para que eu me dê conta de que nós estamos nos deixando, não é filho, um ao outro, e que uma nova lua está chegando no meu vínculo contigo Giordano. Talvez porque estamos na sintonia de mais uma vida a caminho, talvez porque eu ainda não tenha te olhado, de dentro pra fora até agora. Logo, tu, que me fez nascer contigo, em sua vinda ao mundo; que cicatrizou as feridas, todas elas; que me empurrou para vencer os medos, todos eles.

Minhas eternas reverências a ti, filho meu. De nobreza singular, você é do refino, do capricho. Quando te vejo, até hoje, dois anos após teu nascimento, lembro das palavras do médico dizendo que você vinha dormindo, sereno e belo. Que espetáculo de alma, tão certo de tudo.

Agora que não é mais do meu leite de que precisas, procurarei mudar minha lua, e oferecer-te o que mais necessitares e o que mais tenho... até o próximo dia mágico, na ciranda da vida...

26 de abril de 2011

Maternidade Ativa: gestação espartana


por Cariny Cielo

Conversando com uma amiga do Rio de Janeiro sobre o corte tardio do cordão umbilical, ela me disse: "te sinto muito preocupada com todas as 'matemáticas do parto', relaxa e curte a gravidez".

E minha resposta virou uma catarse! Verifiquei que a maternidade não tem sido uma experiência suave e florida na minha vida, como deveria ser. Se tivesse sentado e relaxado na minha segunda gravidez, na hora do parto, teriam me cortado novamente a barriga. Na verdade, eu já venho relaxando e curtinho faz tempo. Dureza mesmo foi quando engravidei pela segunda vez e queria um parto natural mas saía das consultas obstétricas com diagnóstico de candidata a futura cesárea só por já ter me submetido a uma.

Seria maravilhoso e ideal se eu tivesse a oportunidade de relaxar, admirar o invisível, apenas. Mas não no meu caso. Escolhi a batalha por ser da minha natureza, faz parte do meu desafio do feminino.

Mas eu tenho que escolher e convencer. Não tenho ninguém para fazer estas escolhas e apresentá-la a mim e, se eu chegar com dúvidas, receios e medos, serei novamente encaminhada às praxes médicas da tecnocracia.

Quem pari naturalmente, não tenham dúvidas, sente-se mais mulher. Simplesmente porque ela se permitiu viver o maior de todos os ritos de passagem, se permitiu renascer, se permitiu exorcizar todos os seus medos, se permitiu viver o natural, viver o divino, se permitiu ser como a natureza a desenhou e isso é um ganho inestimável para a auto-estima, segurança, força e poder da psiquê da mulher.

Você pode conseguir tudo isto talvez de outras formas, com anos de terapia, com grandes vivências espirituais, mas o parto verdadeiro te dá esses tesouros e mais o seu filho nos braços.

Não, não posso descansar em paz no pomar da floresta encantada enquanto as decisões sobre meu destino são tomadas no plano externo. Eu tenho que dar as cartas, decidir, ter os contra-argumentos perfeitos, eu sou a maior interessada, maior beneficiada e, principalmente, a maior responsável.

Talvez meus filhos não precisem de nada disso. Imagino um mundo onde as mulheres possam viver a gestação única e exclusivamente encantadas com a maravilha de gerar um ser e que, onde quer que elas escolham ir ou ficar neste mundo, elas serão recebidas com amor para parir como fêmea, como mamífera, como ser divino.

A era atual ainda é de luta e prevejo um futuro de deleite puro da mulher! Mas hoje, agora, já, temos que ranger os dentes mesmo, que pensar racionalmente, sentir o território, montar as estratégias, os planos A, B... enfim... esse é o tempo das mulheres guerreiras. Já fomos muito domesticadas e o peso da coleira ainda é sentido no pescoço. Agora, mais livres, há muito tarefa a ser feita principalmente no resgate ao respeito ao parto e ao nascimento. O resto é tudo conseqüência pois como diz Michel Odent "se queremos mudar o mundo, primeiro precisamos mudar a forma de nascer".

Bom, só que não sou toda espartana não... se fosse, estaria masculinizada e na hora do parto, cadê a mulher para se abrir e dilatar? Não adianta sermos fortalezas de rocha... rochas não amolecem, não são macias...

Não, não estou sempre de armadura e lança em punho. Estou encantada também, ansiosa também, ambivalente também, chorona também, aérea também, bem grávida também. Redonda e cheia! Cheia ao ponto de ter que fazer faxina forçada todos os dias para limpar os pensamentos negativos, ruins, estranhos, sinistros, maléficos, ridículos, depreciativos, desqualificantes, medrosos, carentes, torturantes que permeiam a mente das que carregam a humanidade no ventre... bem comum, bem mulher mesmo...

Já não bastam os 'bichos' a que estamos sujeitas pelo nosso inconsciente de gestantes, ainda temos sempre alguém para contar-nos estórias terríveis de bebês que morrem do nada, de partos sanguinários, de doenças de nome esquisito, de vírus que pega no ar... e isso vem de amigos, de parentes, da TV, e até de quem deveria nos acalmar e tranquilizar, os médicos!

Ao que parece, médico só cuida de doença... então, quando entra uma grávida no seu consultório imediatamente vem a sua mente: placenta prévia, hipertensão, toxemia, clamídia, citomegalovírus, toxoplasmose, infecção, muito líquido, pouco líquido, má formação, risco de aborto, parto prematuro, anemia, diabetes, cardiopatias, edemas, placenta prévia, placenta baixa, placenta fraca, placenta estragada. Cordão grande, cordão pequeno, cordão com defeito, vagina assassina de filho com herpes ou streptococos, parto prematuro, distócia de ombro, prolapso, falta de progressão, queda dos batimentos, aceleração dos batimentos, embolia de líquido aminiótico, mecônio, asfixia, sofrimento, dor, óbito...

Trata-se de uma batalha desleal entre as informações negativas e destrutivas que chegam à mente de uma grávida e o sentimento de emoção e grandeza em gerar um ser humano que ela carrega instintivamente dentro de si.

Mas, sigo eu, firme, resistindo, entre pavores e certezas, apaixonada por mim e por minha amada barriga.


Flor de Lótus
Ela vem assim,
Linda assim,
Pura assim,
Perfume de jasmin...

Suave e meiga
Cresces e me fortaleces
És minha menina-seiva
Eu sei porque viestes

Vens pela Mulher Selvagem
Para a floresta encantada
Eu te consenti, consciente
Fizestes de mim tua morada

Aqui é onde ficas
Mas não é onde estás
Tu pertences ao universo
E lá tua luz se faz brilhar

Até que no dia secreto
Do meu claustro sairás
E então poderás, qual estrela,
Nossas vidas iluminar.




Imagem daqui

22 de fevereiro de 2011

Maternidade Ativa: Sobre febre e sobre a dor...



Esta semana fomos todos em casa pegos por uma gripe! Febre, moleza no corpo e todas aquelas melecas de nariz que parecem adorar nariz de criança. Nos dizeres de Eleanor Luzes, citando a Nova Medicina Germânica, os vírus, bactérias e fungos são nossos aliados, então, procurei administrar os sintomas com tranquilidade, certa de que havia uma razão imunológica para tantos espirros, tosses e denguinhos...

Ouvi a seguinte frase que me fez discorrer mentalmente durante dias sobre a questão da dor e nosso mundo. Me perguntaram se eu havia dado remédio para a febre do Emiliano, eu disse que não, aliás, os dois livros mais modernos de pediatria que tenho em casa, não recomendam baixar a febre a qualquer custo (A Saúde dos Nossos Filhos e O que esperar dos Primeiros Anos). "Mas você vai deixar ele passando dor à toa?, contadinho...". Daí, pensei: será que a dor é mesmo à toa, desnecessária, em vão? Lembrei que li há uns 2 anos um livro chamado "A dádiva da dor", de um médico que observava chocado a tristeza que viviam pessoas que sofriam com hanseníase sem tratamento. O que aconteciam com elas é que elas passavam a não sentir mais nada em suas peles. As crianças corriam com cotos no lugar dos pés, sofrendo cortes, alheias à dor.

No caso, ele verificava o quanto era importante sentir dor. A dor é o sinal que nosso corpo usa para nos impelir a mudar. Mudar de posição, mudar de alimento, mudar de pensamento, mudar... oxigenar... dor é sinal de falta de oxigênio, de falta de vida... Pensando assim, a dor não deve ser combatida a todo custo, deve ser recebida e analisada, como um sintoma, não um mal em si mesmo.

No entanto, vemos o ocidente mergulhado num mar de dor e de analgésicos. Já existe até o medo de sentir dor, catalogado e estudado pela psicanálise. Fibromialgia, dor de coluna, enxaqueca, cólicas... dor que irradia, que martela, que dá pontada, que não pára... ai que dor! Cada um tem uma dor para chamar de sua.

Ao invés de reagimos à dor como deveríamos, por ser ela um sintoma, nós a combatemos. "Não me interessa saber porque minha cabeça dói, quero apenas que pare de doer", para alegria geral da nação de laboratórios de remédios, essa é a sentença de morte de todo mundo. Os médicos estão programados para tratar sintomas e se o paciente chega queixando de dor, nada mais natural que receitar um alívio imediato para essa dor. O alívio imediato infelizmente não significa alívio verdadeiro e profundo pois este muitas vezes dói muito mais que a dor. Sim, dói investigar as razões ocultas da dor pois isto envolve expor nossas fraquezas (fraco, eu?!), mexer na nossa lama... quem quer?
É difícil mesmo imaginar porque razão uma mulher, no alto dos seus 30 anos, quando for ter seu primeiro filho, não querer sentir dor. Passou anos recebendo mensagens fortíssimas de que dor não é bom, dor não serve para nada, dor é inútil, dor deve ser combatida. Então, como encarar um rito de passagem como o parto que tem a fama de ter a 'pior dor do mundo'? Ficou todos os anos de seus ciclos menstruais sentindo cólicas e tomando analgésicos para elas, sem contudo procurar descobrir porque seu útero gritava todos os meses. Claro, assim fazia sua mãe, suas tias, suas amigas. Quando a enxaqueca a acometia, corria para a farmácia e não para dentro de si. Porque razão esta mulher iria aceitar a dor do parto? "Não! De jeito nenhum, isto é grotesco, selvagem, animal... eu quero parto sem dor, quero filho sem dor". Ledo engano, o filho doerá de qualquer jeito, pois nossos filhos nos jogam na cara tudo aquilo que somos e o que não somos.

Já se disse por aí que a dor é inevitável, o sofrimento é que é opcional. Sim, escutem isto: a dor é inevitável! Repitam isto para dentro de si: a dor é inevitável. Vai doer, é o ônus assumido por estarmos aqui encarnados, mas nós podemos escolher se queremos ou não sofrer com esta dor. Este mistério da dor é fortíssimo quando lembramos da dor do parto. Já ouvi mulheres que dizem que não doeu, mas o meu parto doeu, mas eu não sofri. Eu estava feliz, entregue, recebendo a dor como minha aliada na dilatação e na transposição do meu rio da vida...

No livro 'Quando o corpo consente', uma das escritoras que é terapeuta diz que "a dor do parto é a dor que carregamos dentro de si", esta frase ecoou dentro de mim e fez todo sentido. Eu havia chegado às portas da maternidade com muitas dores, cicatrizes mal curadas, e tudo aquilo viria a mim, de qualquer jeito, de uma forma ou de outra. Foi então que eu pensei: se a dor é minha, então ela é minha parceira de vida, vou trazê-la, vou exorcizá-la, vou vomitá-la... e assim, eu recebi a dor como uma dádiva de Deus, uma ferramenta esplêndida da natureza.

Eu não procuro evitar a dor aos meus filhos, pois acredito que assim estou ensinando-os que a dor é inevitável. Mas mostro para eles a todo instante que sofrer sim é uma escolha e pode ser evitado.

Eles podem escalar suas montanhas imaginárias, surfar pelo quintal, pular seus obstáculos sabendo que podem cair e se machucar nestes percursos... é o ônus de brincar. Lembram? É como o ônus de estarmos aqui vivos e encarnados. Machucou? Doeu? É assim mesmo, brincando a gente às vezes se machuca; aliás, vivendo a gente às vezes se machuca. O que devemos evitar não é a dor e sim o sofrer. Todo mundo tem suas dores, mas nem todo mundo sofre.

Não enxergo como um coitado aquele que sente dor e sim aquele que sofre. Anos a fio preso às amarras do sofrimento, arrastando suas correntes, carregando suas cruzes. Tomando seus analgésicos: enriquecendo os laboratórios e empobrecendo sua alma.

Seja bem vida, bendita dor... quando te dói é sinal de que você está diante de uma maravilhosa oportunidade de encontro com seu eu interior. Não mascare nem encubra este magnífico momento.

Meu filho tem febre? Que maravilhoso! "Febre é tudo aquilo que um antibiótico gostaria de ser" (Ricardo Herbert Jones). Assim como a dor, a febre é só um sintoma, não um mal em si. Na maioria dos casos não precisa de tratamento convencional. Mas ele vai ficar com dor? Sim, a dor é maravilhosa! É o sinal de que ele deve recolher-se e deixar que seu corpo faça seu papel de agente de cura. Ele vai ficar com a dor, enquanto ela for dor e estiver ensinando seu corpo a se curar. Mas e sofrer? Ele vai sofrer? Não, se aprender que a dor é bem vinda e que vai passar.

Bom... o sofrimento, este sim, é em vão...

Imagem daqui


14 de fevereiro de 2011

Concepção: Venha bebê... (parte II)



Foi-me perguntada, sobre concepção, a seguinte dúvida: se a concepção é um evento tão sutil, tão espiritual e se o casal deve estar tanto em harmonia, em sintonia, como que mulheres que não querem engravidar concebem e casais em desarmonia, casos de violência etc.

É verdade que vemos, comumente, situações onde é evidente que a mulher não quer o filho, o pai não quer o filho, o casal muitas vezes sequer é um casal, há casos até mesmo de tentativas de aborto, enfim.


O que acontece nestes casos, em geral (frise-se!) é que não estamos falando de espíritos tão conscientes quanto os que procuram nascer nos lares da maioria das pessoas do nosso círculo de amizade. Estes espíritos são em geral aprisionados com a concepção por razões as mais diversas e não vem ao mundo lúcidos. É óbvio que todos nós estamos inseridos na mesma dimensão de vida, mas também é óbvio que conseguimos facilmente distinguir os níveis de amadurecimento das pessoas. Conseguimos claramente perceber de quem estamos mais conscientes e de quem estamos menos. Um exemplo disto é sabermos que para nós, a violência é inaceitável, ao passo que muito vivem mergulhados no sangue e no ódio. É fácil também vermos que personalidades como Madre Tereza estão muito além da nossa realidade de seres humanos pois nos parecem pessoas de outro mundo, de um plano espiritual superior, mais sutil.


Assim, os espíritos que desejam chegar a nossa família são evoluídos, esse é o caminho natural... serão melhores do que nós. E, por isto, possuem consciência de sua vinda, conseguem perceber as ondas sutis de desarmonia, medo, incerteza, caos. Mesmo que o casal esteja com seu corpo 'em dia', a mulher ovulando, o homem liberando uma taxa normal de espermatozóides, este serzinho perceber que só isto não basta, ele quer conexão: mulher-homem e destes dois com ele. Como eu disse, a concepção é a união harmônica de três almas, no breve instante do amor.

Porque o diário? Esses dias uma amiga me disse que não sabia se conseguiria escrever para o bebê todos os dias, como eu sugiro fazer quando o casal começa a pensar em conceber. E eu pensei: "será que você não teria nada para dizer ao seu filhinho?". Segundo ela, ela nunca foi muito de escrever. De fato, o melhor mesmo seria meditar, mas o ocidente não usa a meditação como deveria, como prática diária, então, a opção perfeita de exercício de conexão seria escrever. Deixar a criatividade aflorar (criatividade = fertilidade), permitir-se inspirar. E não seria maravilhoso, este filho já grande, quando aprender a ler, ganhar de presente este precioso diário mostrando a ele o quanto ele foi desejado, amado, antes mesmo de se materializar? Você pode, inclusive, continuar seu diário, transformando-o em diário de gravidez. Anotando suas mudanças, seus sonhos, e até mesmo colocando mensagens da família e dos amigos. Como diria a PHD Eleanor Luzes, esta criança já vem à vida com "kit auto-estima" completo!


Eu mesma tenho o diário dos meus dois filhos e é maravilhoso volta e meia ler, viajar no tempo, conhecer aquela mãe e a mãe sou hoje. Até mesmo nos momentos de dificuldades que todas nós mães passamos, um tesouro destes transforma-se em verdadeiro elixir.


Um livro que posso indicar e que me inspirou muito foi o "100 promessas para o meu bebê", escrito pela Malika, filha do Deepak Chopra. Quem sabe, você não pode dar sequencia e escrever as suas próprias promessas para o seu bebê?


Existiria no mundo maior presente do que este pequeno diário ser transmitido de geração em geração na família, mostrando o quanto aquelas pessoas são ligadas pelos amor? Que força e impacto isto teria na vida da sua neta, bisneta?

Nós precisamos, principalmente as mulheres, resgatar nossa inspiração, nossa intuição, nossa arte. As doenças que hoje acometem tanto as mulheres são doenças da mulher-masculina e as clínicas de reprodução estão lotadas porque as mulheres resolver se lembrar que são mulheres quando querem conceber, mas passaram anos escondendo, a duras penas, seu feminino. Esse tempo já passou, podemos respirar, relaxar e curir o que somos, sem cobranças. Já conquistamos, já provamos que conseguimos, já podemos votar, já alcançamos grandes postos, já vencemos a violência e a opressão. Podemos estender bandeira branca a nós mesmas e parar de fugir. A guerra já acabou! Chegar de lutar. 

Que delícia entregar as armas, inspirar e voltar para casa cheia de orgulho e oxitocina por ser MULHER!

www.cienciadoiniciodavida.com.br

5 de fevereiro de 2011

Concepção: Venha bebê (parte I)


É comum hoje ouvirmos estórias de casais que embora desejem muito um bebê, este bebê simplesmente não vem. Daí começam as maratonas de exames, check-ups, médicos, remédios, interferências. E, mesmo com um diagnóstico de que o casal não tem problema nenhum de fertilidade, o bebê continua não vindo. O casal não tem filhos e deseja muito, mas as vezes o casal já até tem filhos e quer mais...

O que acontece?

Acontece que a gravidez não é um fenômeno puramente físico. Não se trata apenas de fisiologia. Se assim fosse, todos os que tiveram com os exames ok, teriam seus filhos, certo? Então, esta é uma mostra de que a gravidez é um fenômeno espiritual, mental, emocional, psíquico. Sendo assim, um corpo são não é a garantia de conceber. É preciso mais... E é esse mais que está faltando para as mulheres de hoje em dia.

É preciso ser fêmea, ser quente e úmida, ser sensível, ser fecunda. É preciso acolher, rececer, ceder e doar-se, assim com o útero se doa para receber a semente.

Como querer engravidar e detestar a menstruação, por exemplo, como vemos muito comumente hoje? Como querer engravidar e ser masculina, ativa, rígida, fria? Como querer engravidar sem contar com a conexão do homem? Daí é festival de fertilizações em vidro! O bebê vem de um estupro artificial em que o homem força a geração de vida onde a própria vida enxergava solo árido e inóspito.

Então, qual a saída?

Minhas propostas são fruto de minha própria vivência e diversos cursos que fiz, entre eles, o de Ciência do Início da Vida com a PHD Eleanor Luzes.

O primeiro passo é a conscientização do casal da razão de vinda deste bebê. Tanto o futuro pai, quanto a futura mãe devem estar conectados, em corpo e espírito, numa verdadeira harmonia conjugal. É importante conversar sobre esse bebê, sobre a vontade dos dois, dos irmãos, se houver, enfim. A harmonia deve começar do casal pois a concepção é uma união de três almas.

Uma forma importante de a mãe se inspirar é comprando um diário e começando a escrever para esse bebê, todos os dias. Conecte com essa alma que anseia encarnar em sua família. Descreva-se como mãe, descreva o pai, a família toda. Anote poesias, contos e estórias que lhe encantam e lhe emocionam. Fale de sua fé e de o quanto esse bebê é importante. Os ocidentais não tem o costume de meditar, então indico este método como uma forma bem palpável de focar a mente e elevar o espírito e torno de um propósito.

A postura do casal deve ser como a de um casal que já está 'grávido', evitando embates, consumo de toxinas (álcool, fumo, drogas, cafeína etc) e a mãe deve pensar numa alimentação o mais nutritiva possível e na movimentação constante de seu corpo através de exercícios que lhe tragam bem estar e não angústia. Neste ponto a hatha yoga cabe como uma luva. (mais tarde veremos exercícios de yoga específicos para mulheres que buscam conceber naturalmente).

Carla Machado, uma terapeuta reichiana traz que o prefixo MA é comum às palavras Matrix (útero), Mãe e Mater (matéria) que é a nossa mãe-Terra. Cada uma destas mães, desde a mãe-Cósmica até a mãe-Terra, vão nos acolhendo e nos preparando para “nascer” para a próxima mãe, num ciclo infinito de encarnações.

E para que possamos vivenciar melhor estas etapas do ciclo de nascimento e morte, precisamos vivenciar bem a encarnação. O processo de encarnação no planeta, sob o ponto de vista do ser individualizado, independente, que se sente à vontade para caminhar sobre a Terra, nutrido e responsável por seus atos, o ser que queremos encontrar pelo caminho, que cuide de si e de seu ambiente, este ser só pode acontecer, se as etapas e as passagens entre as etapas forem suficientemente boas. Quanto mais consciente cada uma destas passagens, mais a passagem para a mãe-Terra pode acontecer e também melhor será o retorno à mãe-Cósmica.

Procurarei trazer um olhar reflexivo sobre cada uma dessas passagens iniciais. Como, em termos de tempo, são etapas relativamente rápidas (em comparação com as posteriores) estas guardam as chaves das soluções para a maior parte dos problemas “insolúveis” encontrados posteriormente. Esta é a primeira grande fase de acordo com a Ciência do Início da Vida de Eleanor Luzes.

A primeira e talvez a mais importante passagem é a concepção, quando o espírito vindo do Cosmos inicia seu contato com a matéria-corpo, vinda da Terra. Os textos sagrados de várias religiões, como os Vedas do hinduismo, o Livro Tibetano dos Mortos, a Bíblia, trazem alusão a este momento como de suma importância para todo o processo encarnatório. Portanto deveríamos estar mais bem informados e preparados para ele, antes que aconteça.

Mãe-Cósmica : concepção : Matrix (útero) : parto : Maternagem : independência : Mãe-Terra : morte : Mãe Cósmica

Preparação para Concepção

Nesta fase estamos na Terra e o espírito está ainda no Cosmos, portanto é preciso começar o trabalho aqui, preparando-lhe o terreno, como quem prepara a terra antes da semeadura. É preciso clarear e limpar um pouco nossas próprias questões, pois a fase antes da concepção é quando atraímos o espírito do ser que vai entrar em nossas vidas.

Às vezes, aparentemente está tudo bem, mas se colocarmos a mão um pouquinho mais fundo na consciência veremos o lodo e a sujeira acumulada debaixo do tapete.

Sugestão de alguns florais para concepção:

• Consciência de que há questões a serem trabalhadas: Agrimony (Bach), Raposa (Filhas de Gaia)

• Limpando padrões negativos anteriores:

- com relação à maternidade e à própria ancestralidade: Primavera (Filhas de Gaia), Honeysuckle (Bach), Madressilva (Saint Germain), Ancestral Patterns (Deserto)

- com relação à própria gestação / parto: Star of Bethlehem (Bach), Renascer (Ararêtama), Evening Primerose e Echinacea (FES), SOS Angels (Angels)• Mãe -Auto-aceitação, conexão com a grande-mãe: Paineira (Filhas de Gaia), Castanheira (Amazônia), Quince (FES), Rosa-rosa (Agnes / St.Germain)

• Pai – Responsabilidade, acordar o pai interno: Elm (Bach), Inner Father (Deserto), Saguaro e Sunflower (FES), Unicornio (FG). A participação do pai é importantíssima, pois ele é quem “pesca” o espírito do ser que irá encarnar (ex do congresso: pai com a luz lilás vindo pelo topo da cabeça)

• Relação do casal: Lantana (Minas), Bush Gardenia e Wedding Bush (Australia). Que o bebê não seja uma tentativa de acertar o casal, pq isso resulta em verdadeiros desastres

• Escolha de conceber, clarear qual a real motivação, se o bebê não vem para tapar um buraco existencial, uma frustração profissional: Scleranthus, Wild-Oat e Chicory (Bach)

Concepção - Consciência

Tenho ouvido de muitas mulheres que é melhor deixar esta etapa ao sabor do acaso, pois “Deus escolhe melhor do que eu. E afinal de contas, se eu não conseguir engravidar não vou ficar frustrada e se engravidar será uma boa surpresa”.

Realmente, é uma escolha TÃO importante que é normal, a princípio, nos sentirmos pouco capazes de participar dela, pois é algo realmente Divino este momento. Mas se participamos conscientemente de tantos momentos menos importantes de nossas vidas, como escolha de entrar ou sair de uma faculdade ou de um emprego, vamos ficar de fora logo neste?? Se pudermos ser co-criadores com Deus, utilizando nosso livre-arbítrio, que maravilha termos no mundo seres mais conscientes e responsáveis.

Peça toda a ajuda do Universo, Deus, toda a natureza e espíritos ajudantes. Peça à Terra toda a inteligência dela em suas miríades de formas. Peça pelo poder dos corpos celestiais que residam em você para que você possa ser um universo para seu bebê. Peça e continue pedindo pela presença da mais elevada alma pronta para encarnar.

Ovular 12 vezes ao ano não significa que automaticamente ele estará pronto para vir logo nestas primeiras 12. Se o casal escolhe conceber conscientemente claro que a concepção pode demorar, até mais tempo do que uma concepção “ao acaso”. Por que este espírito cristalino necessita de condições especiais para vir, um momento planetário ideal. A melhor concepção para seu bebê e a melhor época para ele nascer pode ser durante um curto período do ano, portanto se não acontecer naquele ano, talvez só no ano seguinte.

Amor e sexualidade


O fato é que, neste momento, há muitos seres de luz se preparando para encarnar, mas eles precisam de condições especiais. Há outros tantos menos iluminados buscando sua chance no planetinha que vão aproveitar a primeira oportunidade para virem resgatar seus carmas. Muitas crianças são concebidas ao final de uma briga, com um ou os dois pais meio “altos”, onde o sexo atua como reconciliação. A criança já vem com a impossível missão de viver reconciliando os dois, ao invés de poder espelhar a divindade Pai-Mãe no amor dos pais. E dá-lhe de relacionamentos difíceis (já viram algum?) entre pai e filho, mãe e filha, abandono, culpas, processos de paternidade, etc e etc. Para evitar tanto jogo cármico nos relacionamentos, é fundamental conceber conscientemente e com amor.

• Sexualidade: Hibiscus (Minas), Sexual Harmony (Deserto), F.Sexualidade (Angels / Solaris). Lembrando que o floral é feito com água + sol / calor, traz-nos a união da Mãe Terra com o Pai Sol, essência da sexualidade sagrada.

Ato sagrado

Que um respeite o outro como ser sagrado e divino. Que haja contato entre os dois, que seja um momento de verdadeira comunhão e celebração deste amor, um verdadeiro ato sagrado.

• Contato para concepção: Clematis (Bach), Madia (FES), Sodalita (Solaris)

• Prepara para a chegada no novo espírito: Lírio da Paz (Agnes), Angélica (FES)

É muito importante preparar-se e este preparado depende muito da mulher. Sejamos mulheres-fêmeas verdadeiras!

1 de fevereiro de 2011

Reflexões: recordando a chegada: o desafio do feminino...


por Cariny Cielo

Acordo e o que eu vejo é só o branco do teto de um quarto frio e sem vida. Alguém geme ao meu lado. Presa à cama pelas praxes médicas de um nascimento bruto, é minha mãe, tentando ser mãe e ficar feliz com a minha chegada depois de todas as desilusões que envolveram sua figura de mulher na vida. Infância restrita, adolescência enterrando o pai e tendo que aceitar a tirania da mãe, casamento-fuga, maternidade angustiada e um divórcio-fuga.

Todos os sonhos de expressão feminina postos de lado para manter um castelo ridículo, construído de tijolos vazios. O puritanismo castrador, o preconceito velado, o não-prazer, o não-sentir, o não-sou! “Odeio ser mulher”, assim ela dizia sempre que tinha que conversar com o espelho. Que alto preço pagamos nós, mulheres, em não escutar a natureza fêmea, a mãe-terra.

Um dia, em sua gestação, eu lhe apareci bebezinha em sonho dizendo, com a mão em punho e braço erguido: - “mamãe, eu sou é mulher”. Foi assim que eu cheguei, dizendo, sussurrando, gritando para elas todas e para o mundo: EU SOU MULHER!!! Foi assim que eu me fiz mulher, lutando contra, indo de encontro, batalhando, rebatendo, defendendo, insistindo, peregrinando... ser mulher não foi uma vivência suave e florida, como talvez deveria ser. Afinal, nós somos suaves, nós somos floridas...

O que é mulher? Vamos começar pelo que não é! Não é a executiva disputando igualdade de salários, nem a marombada da academia com coxas masculinas. Não é gritar que não precisa do masculino para se valorizar e se debulhar em lágrimas e histeria a menor desilusão amorosa. Não é, tampouco, a subserviência estúpida de entregar ao outro as rédeas da própria vida.

Mulher é um cavalo selvagem, livre, forte e feliz. É a natureza poderosa que depende e é auto-suficiente em um só ser. É aquela que sabe que quanto mais dá, mais tem e que ama como expressão de sua existência e não como moeda de troca. É a terra úmida onde em se plantando tudo dá. É a lua, misteriosa e bela. É a mata secreta e perfumada.

E porque querer a fêmea? Para preencher um feminino vazio? Para eternizar um movimento feminino? Não. Esta não seria a mulher madura que hoje sou a pensar, até porque não me entrego a devaneios tão crus. E depois, seria muita responsabilidade para um ser ter que nascer com tamanhas expectativas e idéias preconcebidas. Eu mesma, agora, mulher-mãe, sei que meus filhos nasceram para ser o que quiserem ser, sem planos, sem estereótipos, sem ‘assim seja’. Eu sou e serei para eles o primeiro abrigo, o carnal e, posteriormente, o ancoradouro espiritual e emocional para que realizem aquilo que intuitivamente aprenderem a descobrir que nasceram para fazer.

Meu rito de passagem não me permite mais olhar para trás. Agora eu sou mamífera mesmo. Sou mulher não só na carteira de identidade, mas na carne, no osso, nas entranhas. Recebo, gero, dou a luz e amamento com meu sangue e isto não me espolia, mas me empondera. E por isso eu tenho a capacidade de dar com toda a minha força e poder. Eu agora sou deusa, sou poderosa! A delícia de chamar, receber, gerar, parir e amamentar um semelhante e permitir que este ser floresça é a chama do meu momento. 

Quero ser a fêmea-mulher verdadeira que ouve o que ninguém mais ouve, que vê o que está por trás de tudo, que sente com a pele e com o espírito, a do sexto, sétimo, oitavo sentido. É o que sou. Por isso, caminho solitária no meio do artificial, e minha voz sequer dá eco.

Não me fantasio de mulher, eu sou mulher! Quem me entenderia se hoje a menstruação é chamada de sangria inútil? Mas, eu sou! Sou a mulher-fêmea que ama e reverencia o sangramento sagrado mensal, que adora os seios caídos que sinalizam que amamentaram os filhos, que carrega o templo sagrado do útero como expressão da criação e da perpetuação da humanidade. Que beija os pés do masculino, pois conhece exatamente seu lugar na criação. Isso é ser mulher.

O masculino centraliza minha existência hoje, pois precisei reverenciá-lo. Era o último estágio. Agora sei quando é que preciso deles, sei onde é que eles estão. Por isso um marido não conseguiu chegar a tempo no parto natural. Era preciso reforçar as fêmeas, unir as mamíferas em torno do maior de todos os ritos, o nascimento. Agora que sei como gira o mundo e como as almas se atraem. A delicadeza, a pureza, a suavidade finalmente chegaram e invadiram meu ser...

A inspiração me bateu a porta e uma brisa trouxe-me as boas novas. Traga-me, cosmo sagrado, a criatura divina que hoje enxerga o ambiente perfeito para germinar e nascer.

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