28 de outubro de 2013

Relato de parto da Mileide: parto natural hospitalar



Mileide Campanha está estreando o nosso novo ambiente!!!

O blog "Parto em Rondônia" será um espaço para tratar sobre maternidade ativa em nosso Estado - tão carente de projetos nesta área. Iremos reunir aqui textos, ações, relatos, entrevistas... e tudo que tiver no entorno da maternidade ativa.

A Mileide participou de alguns cursos da Bello Parto e procurou focar-se em realizar seus desejos, ou seja, empoderar-se...

Vamos conhecê-la!

<3


Meu nome é Mileide, tenho 27 anos e estou casada com meu marido Rafael, 32 anos, há 3 anos. Estamos juntos, contando com o namoro, há 10 anos e sempre quisemos ter filhos e uma família bem grande, porém, minha gravidez não foi planejada. Mesmo assim, ficamos muitíssimo felizes com a notícia, e ainda mais quando soubemos que teríamos uma linda menina em alguns meses!! Ela se chama Rebeca e nasceu de um lindo parto normal no dia 03 de agosto de 2013, para colorir de rosa as nossas vidas!!!

Durante a gravidez eu continuei me exercitando, como sempre fiz: natação, pilates e caminhada (essa última mais durante o último mês). Engordei 16 kls ao todo e desde o início eu e o meu marido desejamos que meu parto fosse normal. Minha mãe almejava que eu fizesse uma cesariana, porque ela já tinha feito duas, mas eu não deixei que isso me influenciasse, tudo com o apoio do meu marido.

Uma cesariana era desnecessária porque minha gravidez foi muito tranquila e saudável. Minha bebê então, sempre forte e saudável também!

Fiz 39 semanas numa sexta-feira e não sentia nada, nenhum sinal de que minha bebê estava para chegar, a não ser pelos pés inchados que se instalaram dois dias antes e não queriam mais desinchar. Fora isso, não sentia nem a mínima cólica, o que me deixava ansiosa e apreensiva porque queria que meu parto fosse normal e a médica já tinha avisado que esperaria somente até a quadragésima semana para fazer o parto.

Fui dormir meio desapontada. Foi então que na meia noite de sábado comecei a sentir as contrações: pequenas dores nas costas bem suportáveis. Parecia uma dor de barriga, vontade de fazer cocô mesmo. Fui no banheiro e elas passaram um pouco. Até pensei que não estava em trabalho de parto. Me deitei e as dores voltaram. Elas vinham de meia em meia hora, eram pequenas e irradiavam das costas para o pé da barriga. Bem suportáveis, como pequenas cólicas. Assim, duvidando que eram realmente as contratações, eu consegui dormir entre uma dor e outra. Às 3:40 senti um chutão da minha bebê e um "ploc". Minha bolsa tinha estourado! Só que o líquido veio com sangue vivo, deixando a água que escorria rosada. Corri para o hospital com receio por causa do sangue, mas fui examinada pelo médico platonista e a bebê estava bem, com os batimentos cardíacos ótimos e eu estava com 4 cm de dilatação.

As dores vinham de 10 em 10 min. Depois de 5 em 5, logo de 3 em 3 minutos, durando 1 minuto cada. Assim, para acelerar o trabalho de parto, eu fiquei caminhando pelo corredor do hospital, acompanhada pela minha mãe e irmã e pelo marido querido. Quando vinham as contrações eu parava de andar, me apoiava no meu marido e eles me faziam uma massagem bem forte na lombar, o que aliviava um pouco a dor. Desde o início, a cada hora, os enfermeiros mediam minha pressão e verificavam os batimentos da bebê.

Até os 7 cm de dilatação (8h da manhã) as dores eram totalmente suportáveis e eu estava muito feliz porque sabia que em algumas horas minha filha estaria em meus braços! Só a partir dos 8 cm é que as dores ficaram mais fortes. Foi então que resolvi ir para o chuveiro bem quente, e deixava a água cair sobre minha lombar. Isso me aliviou um pouco, mas quando as dores atingiam um pico eu cheguei a duvidar se iria conseguir. Eu achava que iria desmaiar de dor, nem cheguei a pensar em pedir anestesia, porque antes minha médica já havia avisado que não haveria anestesista presente no momento do parto e que se fosse realmente necessário ele seria acionado e demoraria a chegar.

Não pedi cesariana porque estava decidida que faria normal, já que já tinha sentido todas aquelas dores por tanto tempo. Mas duvidei que me corpo aguentaria tamanha dor e nessas horas eu olhava para meu marido e perguntava: - Eu vou conseguir??? E ele sem hesitar respondia: -Cooom certeza! Você é forte e já está quase acabando! Nossa bebê tão amada e esperada está chegando! Isso me ajudava a recuperar as forças e a não querer desistir.

Com as últimas dores vinha uma vontade de fazer força. Tentei ficar de cócoras mas a dor aumentou. Tentei ficar de quatro em cima da cama, mas doeu mais. Nisso, minha médica veio verificar a dilatação mais uma vez e me pediu que deitasse de barriga para cima na cama. Pediu que eu segurasse minhas pernas flexionadas e as puxasse em direção à minha cabeça. Meu marido segurava minha cabeça e a puxava em direção ao meu peito, tirando-a do travesseiro. Quando vinham as contrações, minha irmã fazia a respiração bem forte perto do meu ouvido, assim eu a escutava respirando e a imitava respirando também.

O pediatra que pegaria a bebê chegou e me pediu que fizesse uma força bem longa de fazer cocô quando as contrações viessem. Porém, nas primeiras tentativas eu parava de fazer a força quando a contração terminava. Foi então que ele falou para segurar a força mesmo que a contração fosse embora. Assim eu fiz, e ao mesmo tempo tendo que respirar. Fiz duas vezes a maior força da minha vida e minha filha nasceu às 10 horas, em ponto.

Quando ela saiu só senti uma ardência, e a dor das contrações parou na mesma hora. O que dói são as contrações finais e ter q fazer a força junto com a contração.

Assim que nasceu, minha filha foi colocada em meu peito e a felicidade invadiu minha alma!!! Comecei a conversar com ela e a dizer o quanto ela foi esperada e ela parou de chorar na hora e ficou me olhando!!! Durante esse período a médica fez os pontos. Não injetaram ocitocina em mim, nem fizeram episiotomia. Mas tive vários pontos em razão da laceração. Meu marido ficou comigo até o fim, o que foi primordial porque no fim achei que não conseguiria!

Sempre tive muito medo do parto, nunca quebrei uma unha, mas é incrível como nascemos preparadas para parir. Faria tudo de novo! Foi uma experiência maravilhosa, que serviu para me mostrar o quanto nós mulheres somos fortes!










25 de setembro de 2013

A amamentação e as chagas do patriarcado



por Cariny Cielo


Aí você nasce, vindo de um meio que é conforto puro. Conforto térmico, conforto gravitacional, conforto auditivo, conforto visual, um toque gostoso, o sacolejo ritmado, a explosão de sons que tranquilizam, a paz profunda...

Alimentava-se quase que ininterruptamente, sem nenhuma ressalva. Assim que queria, como bem lhe aprouvesse, dava goladas generosas de líquido amniótico. Não havia dia, nem noite. Era o tempo sem hora.

Passada a tensão que todo o ritual traz, seja ele de partida ou de chegada, você conhece, enfim, sua mãe.

Mas agora o tempo é outro! É o tempo dos relógios, é o tempo das medidas, dos padrões. É o tempo do engessamento, do reto, do limpo, do direito... é o tempo da razão. E assim, surgem as regras, a rotina imposta. Surge a distancia, o silêncio, a inércia.

Você é, então, deixado em um berço, sem aquele som, sem movimento, sem alimento. E você busca, em completo desespero, aquele conforto que vivenciou e que te trazia tanta paz. Você estava no paraíso e agora... Bem vindo! Você chegou na sociedade patriarcal!

A invenção do patriarcado foi a negação do ventre materno, do seu dom de dar a vida e de tudo mais relacionado ao feminino: a emoção, o instinto, o calor, o conforto, o contato, a empatia, o colo, o doar-se. Mulheres e homens sufocados, buscando na razão, o que só a emoção explica... e é por isso que você sofre.

Sua mãe provavelmente não tem na própria mãe um esteio para apoiar-se nesta jornada. Ela também não amamentou. E não há mais mulheres ao redor, não há tias, primas, irmãs... as famílias são agora núcleos fechados, valoriza-se o indivíduo e não o coletivo. Não existe comunidade pois estão todos distantes, fechados em suas próprias paredes.

Você não sabe falar, é um bebê fisiologicamente prematuro e busca desesperadamente por aquele ambiente de paz que tem em seus registros de memória mais primitivos. E aí você chora. Chora por ser a única forma que conhece de se fazer visto e ouvido. Você carrega os milhões de anos que o tornaram um ser humano e sabe que chorar é a chance de ser acalentado, de ser livrado do perigo... são registros muito primitivos, do instinto, da chama essencial do que que nos faz humanos, da fagulha divina.

Ela sabe que você é um grande presente, mas, distante que está de seus instintos femininos por tê-los sufocados a vida toda para encaixar-se nos ideais impostos, acha que é nos livros que aprenderá como lhe acalentar. Ingênua ignorância. Você está aqui para lembrá-la de que ela é instinto, ela é mamífera, ela é bicho, ela é mais um ser vivo neste vasto planeta... com toda a fisiologia à serviço da vida. E é aí que ela racha. Racha porque não sabe mais ser natural. Realizamos grandiosos feitos com nosso maravilhoso neocórtex, mas o nosso primitivo ainda grita dentro de nós... grita por respeito, por validação, por liberdade. Muitas vezes é só no momento do conceber, gestar, parir e amamentar, que a mulher se dá conta, enfim, de que é um ser mamífero, dotado de razão, de intelecto caminhando lado a lado com a emoção e o instinto.

Sua mãe busca os anseios femininos, mas nem sempre os encontra. Sua mãe está confusa, perdida, ama com o corpo e alma, mas não consegue se conectar com a alma feminina, essencial para as tarefas de cuidado e empatia.

Seu pai também passou anos recebendo mensagens de que emoções são sinais de fraqueza e, por isso, ele quer ser forte, ele quer compreender com a cabeça, não com o coração. O coração foi calado, endurecido e posto sem segundo plano. Talvez por isto mesmo, por ser o macho, o homem, o pai, ele tenha ainda mais dificuldade em exercer a empatia com você... que chora, clamando por um colo.

Qualquer livro que diga algo diferente de 'ouça seu filho'; ouça o que este bebê quer dizer'; 'esqueça todas as regras e seja pai e mãe desta criança que é única no mundo todo' é inimigo do aleitamento, é inimigo do feminino, é inimigo do natural, é inimigo da vida.

Eu sei que é impossível para você aguardar por três longas horas para saciar sua fome de alimento e de vida. Eu sei que é insuportável mamar e ser privado do seio pela arbítrio do relógio, de um tempo que até poucos dias você sequer conhecia. Nem eu consigo ficar 3 horas sem comer ou beber algo, imagino como deve ser desesperador para você que acabou de chegar por aqui e está em período de simbiose profunda com a sua mãe. Você acha que é o que ela é, sequer se compreende indivíduo. Eu entendo, entendo porque lhe é impossível aceitar a separação dos corpos. Entendo seu grito. Separar te soa como morrer.

Eu sei que você precisa mamar o leite anterior, que te mata a sede, mamar o leite posterior, que te mata a fome e, mais ainda, eu sei que você precisa mamar para sentir que está vivo, eu sei que você precisa daquela bolha de amor, daquela energia pulsante te dando boas vindas. Sei que o leite posterior é produzido quando a amamentação está disponível em sua plenitude, sem regras, sem rigidez.

Mas regra e rigidez são ferramentas do patriarcado. Esse modo de vida contrário a própria vida. E é por isso que ela não consegue te ouvir. Ela é amor, mas é um amor sem pernas e braços para ir ao teu encontro e te pegar no colo.

Eu sei como é a solidão fria, silenciosa e inerte do berço e que isto não se parece em nada com aquele estado de deleite em que vivias. É preciso um ouvido carinhoso e alguém que cuide de sua mãe para que ela possa, enfim, te ouvir e, se entregando a ti, te compreender. Ela foi educada para ser invencível, para ser perfeita e tua insistente exigência soa para ela como uma espoliação. 

Seu choro motiva nela culpa e derrota... mas ninguém tem culpa. Nem tu que está sendo apenas o que é, nem ela que está fazendo aquilo pelo qual foi talhada para fazer. 

Quanto à derrota, bom... todos perdem... perdem a vivência única de bem receber um recém chegado, cheio de mistérios e encantos. Perdem de viver com leveza o bom e o ruim deste grande encontro. Perdem a delícia de desfrutar e se conectar com aquela energia que é pura inocência. E perde você que, não se alimentando bem, perde peso, perde sossego e pode perder o seio, assim que um médico pouco comprometido lhe receitar leite artificial...

Como curar esta chaga? É justamente no momento de cisma da mulher - quando ela se vê mãe - que esta ferida mais dói. Surge a dor da saudade que se sente na nossa parcela mulher mais verdadeira e livre, aquela que levamos anos para sufocar. E a cura? A cura, nos dizeres de Mirela Faur, virá com encontros de homens e mulheres em círculos e vivências comunitárias, para despertar e alinhar mentes, corações e espíritos em ações que visem a cura e a transmutação das feridas da psique, infligidas pelo patriarcado.

Apaziguar a si mesmo, harmonizar seus relacionamentos, vencer o separatismo, reconhecer e honrar a interdependência de todos os seres, evitar qualquer forma de violência, dominação, competição ou discriminação são desafios do ser humano contemporâneo, no nível pessoal, coletivo e global. Incentivando a parceria e a integração entre os gêneros.

Mas hoje, agora, já, eu digo que é preciso mais contato, mais toque. É preciso mais devoção, é preciso mais entrega despretensiosa. É preciso mais linguagem de mãe. É preciso mais ajuda sincera e sem julgamentos. É preciso um amor despido, um amor de carne, osso e alma. É preciso um 'colocar-se do lugar de'.

É preciso mais colo sem tempo e um seio sem relógios...

Eu sei o quanto você deseja calor, embalo e colo, mas você chegou por aqui em tempos difíceis...


Imagem: arquivo pessoal

9 de setembro de 2013

Cesárea ou parto normal? Cinco 'petit' respostas para mulheres que querem saber mais...


por Cariny Cielo

É todo dia que recebo questionamentos sobre cesárea ou parto normal. Eu queria demais poder dar a resposta acima, mas enquanto o filme não estreia por aqui, eu resolvi tornar pública a carta que costumo mandar pra quem me pergunta: "O que é melhor, cesárea ou parto normal?"

Vamos lá:

A primeira coisa: nosso cenário nacional e, principalmente, estadual (Rondônia) de prestação de serviços de obstetrícia é precário. Hoje, a mulher sente-se na obrigação de escolher OU uma cesárea (cirurgia de grande porte com 5 vezes mais riscos para o binômio mãe-bebê) OU um parto normal violento (ceivado de violência obstétrica). Em resumo, se você quiser ter uma experiência positiva de parto, de empoderamento feminino, de saúde e segurança para você e para seu bebê, terá que brigar. É bom brigar e lutar estando grávida? Não, não é... mas estamos bem numa era de transição de valores e, provavelmente nossas netas não precisarão passar por isto. (Oremos!)

Segundo: Tudo que você conhece a já ouviu falar de 'parto normal' provavelmente é o parto normal 'tecnocrata', ou seja, onde práticas de rotina da medicina são utilizadas como se as mulheres fossem linhas de montagem. É a fisiologia à serviço da tecnologia e não o inverso, como deveria ser. Vivemos uma época remota em que morriam mesmo muitas mulheres e bebês em partos sem assistência e rumamos pro extremo oposto disto, acreditando que as intervenções médicas no nascimento seriam a garantia de segurança. Hoje, grandes movimentos internacionais de Humanização do Nascimento e Parto concluíram estudos dizendo que não, mecanizar o nascimento não fez bem e agora vimos que podemos/devemos ter o melhor dos dois mundos: o respeito ao fisiológico e a segurança dos avanços médicos. O principal disto tudo é que a Org. Mundial de Saúde já rechaçou a grande maioria das práticas 'de rotina', mas somos nós que devemos lembrar isto ao médico. Exemplos: episiotomia (o famoso pique, não deve ser feito). Soro na veia, lavagem intestinal, posição deitada, corte abrupto do cordão umbilical, ocitocina sintética, manobra de kristeler (empurrar a barriga da mãe pro bebê nascer), ácido nos olhos do bebê (este eles fazem até nos nascidos de cesárea).

Terceiro: a 'escolha' pela cesárea não pode ser uma escolha baseada na segurança do bebê e da mãe já que ela é mais arriscada que um parto normal (dados! não é o que eu acho). No entanto, as mulheres escolhem a cesárea para fugir de um parto normal violento. Existem inúmeros benefícios ao bb que nasce de parto normal (mesmo um parto normal violento é mais saudável do ponto de vista físico pro bb do que uma cesárea), embora os médicos vão lhe dizer que não exista diferença nenhuma. E esta é a outra parte: os médicos mentem muito pras mulheres, seja por má fé, seja por arrogante ignorância mesmo. Uma reflexão quanto a isto: Temos a taxa número 1 de cesáreas do mundo e também é nossa a taxa de maior número de bebês nascidos prematuros (12%) (que precisam de UTI neonatal ou alguma ajuda inicial pra respirar). Estamos tirando os bebês antes da hora e engordando os bolsos dos hospitais! Nenhum bebê está pronto para nascer enquanto não disparar mensagem químicas que dão início ao trabalho de parto. Qualquer coisa antes disto, é tirar um bebê com o pulmão ainda não 100% preparado para respirar. As implicações disto, muitas vezes, não são vistas de início, mas podemos observar um 'booom' de alergias e doenças na primeira infância que praticamente são uma pandemia nacional. Novamente, os laboratórios e hospitais agradecem!

Quarto: O feto que passou pelo canal do parto é 'colonizado' pelas bactérias necessárias à formação do sistema imunológico. Ao que parece, a ciência está apontando para o grande e maior problema das cesarianas: o fato de não haver colonização imediata do bebê pelas bactérias do canal de parto. A ausência dessas bactérias no momento do parto trazem repercussões para o resto da vida, desde obesidade, doenças auto-imunes, entre outros. Estamos, no Brasil, recebendo uma nação de bebês que virarão adultos com doenças crônicas. O sistema privado já pode começar a contabilizar os lucros. A OMS recomenda que as taxas de cesárea girem em torno de 10 a 15%, RO está com quase 70%... são raros os casos em que a mulher realmente precisa de uma cirurgia. Nenhum médico que conheço em Porto Velho vai saber disto tudo... E te garanto que para QUALQUER argumento dele, eu te mostrarei dados reais da Ciência Baseada em Evidências Científicas. Nada disto é minha opinião pessoal, embora eu seja uma entusiasta do nascimento digno, são dados científicos. Nenhuma mulher que pariu e teve uma experiência ruim vai te recomendar. Todos vão dizer que a cesárea é a 'evolução' do parto. Você ouvirá contos aterrorizantes de partos trágicos e de cesáreas salvadoras... Eu estou aqui pra te contar a outra história disto tudo!

Quinto. Eu não te conheço mas, agora, vou arriscar um papo de mulher, de emoção e não de razão! O parto é um evento sexual da vida da mulher, ele não só não irá comprometer sua saúde sexual, como pode melhorá-la. Parir nos traz novamente ao posto de fêmea. Conhecer o próprio corpo, como ele funciona, como fazer ele funcionar em benefício do fisiológico. E ser fêmea é aquele posto que a gente costuma precisar sufocar - muitas vezes a vida toda - para sobreviver numa sociedade que pede mulheres sempre lindas, cheirosas e sorridentes, que tudo conseguem, que tudo suportam... É no parto que a gente se lembra que somos mamíferas, gestamos, parirmos e amamentamos nossa criar... Te garanto que o parto pode ser um evento empoderador e digno e que o nascimento deve ser, precipuamente, um momento de manifestação do amor. Te empresto livros, tenhos DVDs excelentes, te indico leituras na blogosfera materna para que sua escolha final, seja, realmente, informada. E não vendida pelo médico, pelo sistema ou pelo inconsciente coletivo. Fico aguardando teus contatos, se vc quiser.

E chega! Você pode achar que eu sou desequilibrada e talvez seja mesmo! hahaha"

20 de agosto de 2013

Amamentação: É que amamentar deixou de ser a regra...

Ícone da 'Ala de Amamentação' de um shopping de uma capital do país. 
Poderia ser um bebê pendurado num peito, poderia ser um gota de leite, 
poderia ser um bebê sorridente... mas não! É uma mamadeira!!!

por Cariny Cielo


Ano passado eu respondi a pergunta "Porque eu sou ativista da amamentação?" proposta pelo Desabafo de Mãe, numa blogagem coletiva que reuniu um material muito precioso sobre o assunto.

Este ano, temos um novo mote: Porque as campanhas do governo não funcionam? Sim, porque campanhas não faltam, cartazes também e não conheço nenhuma pessoa que diz que o leite materno é ruim. "Todos aprovam e sabem dos benefícios, mas, então porque nossos filhos estão sem peito?"

E eu vim defender as campanhas (calma, eu explico!). Sim, as campanhas estão melhorando... só que ainda não vencem o que está arraigado no senso comum: ainda estamos presos à 'Era da Mamadeira". O resumo do meu post é o seguinte: levou tempo pro leite materno deixar de ser a regra e levará tempo para ele ganhar 'status quo' de normal, natural, simples, igual dormir, acordar, fazer cocô, comer... (e pra mim, só vai tá bom o negócio, quando amamentar for visto assim!)

Estamos falando de séculos onde foi moldada a cultura e a história da humanidade. Situando a amamentação como fenômeno sócio-histórico, torna-se evidente que essa prática sofreu (e sofre!) oscilações em diferentes momentos históricos e em distintos contextos sociais reafirmando-se que o ato de amamentar ou não ao peito, a despeito de possuir uma expressão no nível biológico, decorre de processos que transcendem este plano sendo histórica e culturalmente condicionado. 

Então, muita água tem que passar por debaixo da ponte, muitas atrizes têm que posar e fazer propaganda em horário nobre, muitos cartazes tem surgir para colocar o aleitamento como acessível - culturalmente - a todas! Estamos bem no meio da transição... Aliás, estamos bem no meio de várias transições: do nascimento, da criação dos filhos, da dedicação ao trabalho, do casamento, das amizades, do contato com as pessoas e do vínculo... Fomos aos extremos e agora buscamos caminhos alternativos que correspondam aos anseios que fundamentaram todos os extremos que conhecemos! Queremos o melhor dos mundos antagônicos. A segurança dos avanços da medicina + parir em casa é um desses 'o melhor'!!!!

Se o símbolo, o ícone, o chamariz de uma sala de amamentação do shopping (provavelmente um dos locais mais visitados de uma cidade) é uma mamadeira, esta é a prova de que pro inconsciente coletivo, dar leite artificial é o normal, é a regra! Quando postei a foto que ilustra este post no instagram, coloquei: "ache o erro". Muitas escreveram "tinha que ser um peitão", "tinha que ser um bebê no seio" e por aí vai. Como que alguém sentou e pensou: aqui é a sala de amamentação, faz um desenhozinho de mamadeira pra ilustrar... Porque pensou assim? Pensou assim porque mamadeira é normal... é a regra... é o símbolo... é o que está plasmado no inconsciente coletivo... na primeira dificuldade, na primeira falha, na primeira noite difícil (e todos sabem que virão muitas noites difíceis)... ali está ela! A postos! Presente do chá de bebê ou de alguma avó mais solícita...

Não foi preciso procurar muito. Numa saída de casa, andando pelo centro da cidade, eu pude observar o quanto a mamadeira - e com ela o leite artificial - está arraigada na nossa cultura. Mamadeira é sinônimo de infância, de maternidade... nas farmácias e mercados (dois comércios que mais se vê nas cidades!) encontramos gôndolas com mamadeiras fofas e inúmeras opções de leite... além de funcionárias treinadas a indicar os melhores modelos, os melhores bicos...

"Vendo lembrancinhas de chá de bebê" (de brinde vai a 
mensagem de que usar mamadeira é normal)


"Eu tenho aqui a de bico ortodôntico e uma importada com 
bico que imita o seio. Qual você prefere?" (eu prefiro o seio 
autêntico mesmo, é melhor e mais barato, vc não sabia?)

Escrevi pro shopping informando que amamentação é questão de saúde pública e que eles, tendo um ambiente de uso comum do povo, devem rever suas políticas e repensar na forma de 'ilustrar' uma sala de amamentação. Recebi como resposta:
Prezada Sra. Cariny
Agradecemos o seu contato e informamos que sua sugestão foi encaminhada para o setor responsável. Para nós as sugestões de nossos clientes é a melhor forma de aperfeiçoarmos os nossos serviços. Isso nos motiva e faz com que trabalhemos para oferecer sempre o que há de melhor.Seja sempre bem vinda.


Eu sigo na militância pra mostrar que mamadeira não é normal e que leite artificial é exceção, e não regra! E que, portanto, não deve ser promovida!!!

Sigo buscando empoderar as mulheres e fazê-las acreditar que num mundo de cifras, não é preciso gastar um centavo pra alimentar um bebê durante seis meses!!! Embora, muitas vezes, eu acabe num silêncio que me incomoda, eu, refém deste período de transição da história, sigo acreditando que é uma verdade que deve ser dita e repetida milhões de vezes, em todos os lugares, sem parar, carinhosamente, com apoio, com empatia, com rigor de leis, com incentivos multifatoriais...


Recebi um interessante estudo publicado nos Cadernos da Escola de Saúde Pública do Ceará. Está todo aqui e logo abaixo eu transcrevo uma parte bem didática sobre toda a história do aleitamento materno no Brasil e no mundo... (ATENÇÃO: é só para os leitores mais fervorosos ou praquela hora em que ficamos até de madrugada no facebook e não aparece mais status pra acompanhar). Vou logo adiantando que parece que foi - mais uma - herança nefasta dos 'brancos' sobre os índios e que o chique, na época, era ter ama de leite... hoje é ter mamadeira importada com bico que imita o seio!



O aleitamento materno deve ser situado como um fenômeno sócio-histórico, com repercussões na prática cultural e, não somente no plano biológico. Para tanto, julgamos oportuno retratá-lo em diversos períodos da história da humanidade, de modo a evidenciar os diferentes sentidos a ele atribuídos.

Os problemas relacionados à amamentação no contexto da alimentação infantil são muito antigos. Talvez o aleitamento artificial seja tão antigo quanto a história da civilização humana. Isso se evidencia pela grande quantidade de crianças abandonadas em instituições de caridade, ao longo de vários séculos e durante tempos economicamente difíceis, como já se verifica na Antiguidade. Tal fato se evidencia pelos registros de recipientes encontrados em vários sítios ao lado de corpos de lactentes em escavações arqueológicas (séc. V e VII), sugerindo que os gregos recebiam alimentos de outras fontes além do leite materno, por meio
de vasilhas de barro encontradas em tumbas de recém-nascidos àquela época. Esses achados nos
possibilitam afirmar que a substituição do aleitamento materno diretamente ao peito por outras formas de alimentação constitui uma prática muito antiga. Os mistérios e tabus relacionados ao tema, ao que parece, também datam do começo da civilização.

O Código de Hammurabi (cerca de 1800 a. C) já continha regulamentações sobre a prática do desmame, significando amamentar criança de outra mulher, sempre na forma de aluguel (amas-de-leite). Na Bíblia também é referida a prática das amasde-leite e do aleitamento materno, sendo comparada à palavra de Deus entendida como o leite genuíno: “Desejai ardentemente como crianças recém-nascidas o leite genuíno, não falsificado, para que por ele vades crescendo”(I Pedro 2;2). 

Nos tempos espartanos, a mulher, se esposa do rei, era obrigada a amamentar o filho mais velho; plebéias amamentavam todas as crianças. Plutarco relata que o segundo filho do rei Themistes foi preterido por seu irmão mais velho, somente porque ele não havia sido amamentado por sua mãe e sim por uma estranha. Hipócrates escrevendo sobre o objetivo da amamentação, declara que: “somente o leite da própria mãe é benéfico, (sendo) o de outras perigoso”.

Publicações europeias do final do período medieval e início da era moderna também exaltam a importância do aleitamento materno para a infância. No século XII, havia uma atitude de indiferença em relação à criança, retratando que a arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la, pois não havia registro de nascimentos e mortes e raramente no diário da família fazia-se referência aos infantes. As crianças eram representadas por homens de tamanho reduzido, expressando o sentimento vigente de que esta se diferenciava do adulto apenas no seu tamanho e na sua força. Essa concepção predominou até o fim do século XIII, quando passaram a ser reconhecidas por sua proximidade com os anjos e o menino
Jesus cujas formas aproximavam-se da morfologia infantil. Com o advento da modernidade, essa “descoberta da infância” expande-se e torna-se particularmente significativa no final do século XVI e durante o século XVII, caracterizando um período de grande avanço na discussão de temas da primeira infância 

De 1500 a 1700, mulheres inglesas saudáveis não amamentavam seus filhos. Embora o aleitamento materno fosse reconhecido como um regulador de nova gravidez, essas mulheres preferiam dar à luz de 12 a 20 bebês, do que amamentá-los. Elas acreditavam que a amamentação espoliava seus corpos e as tornavam velhas antes do tempo, crença que parece sobreviver até os dias atuais. Com isso, o desmame era iniciado precocemente, sendo utilizados, em substituição, cereais ou massas oferecidas em colher.

Existiam, ainda, as normas médicas e religiosas que iam ao encontro desse propósito, pois proibia-se a relação sexual durante o período de amamentação,que deveria ser de 18 a 24 meses, por entenderem que isso tornaria o leite humano mais fraco e com risco de envenenamento em caso de nova gravidez. O conhecimento médico vigente também considerava que o colostro era um leite ruim e que não deveria ser oferecido à criança. A alimentação das crianças era à base de leite de animais e de um alimento chamado “panado”, feito à base de pão (farinha) e água. Àquela época, havia um dispositivo na Constituição Francesa, que visava a proteger crianças nascidas de famílias ditas indigentes: amas-de-leite não poderiam amamentar mais do que duas crianças além da própria e, cada criança deveria ter um berço, a fim de que não corresse o risco de ser levado à cama pela mãe e morresse sufocado durante o sono.

De acordo com diários de chefes de família da grande burguesia parlamentar, as mães do século XVI amamentavam seus filhos e somente no final deste século ao início do século XVII, a moda de enviar os filhos para casa de uma ama conquistou as famílias de uma maneira irreversível.

No século XVIII, o envio das crianças para casa de amas se estende por todas as camadas da sociedade urbana. Ocorre nesse período um aumento crescente de mortes infantis, associadas às doenças adquiridas pelas amas de leite. Suas enfermidades contaminavam os bebês e muitas dessas amas, com receio de que estivessem “repassando afeto” aos bebês, passaram a oferecer o leite de vaca em pequenos chifres furados (precursores das mamadeiras) porque acreditava-se “que sugando o leite, sugava-se também o caráter e as paixões de quem os amamentava”. Além disso, esse procedimento passaria a acarretar importantes riscos à saúde das crianças, pois além da oferta em um recipiente não estéril, as mulheres desconheciam a quantidade exata de água que deveria ser misturada ao leite, sem considerar o risco de contaminação dessa água”.

No Brasil, existem relatos dos séculos XVI e XVII, imprecisos e contraditórios, ao tratar dos antigos Tupinambás. Os filhos das indígenas eram amamentados durante um ano e meio e, neste período, eram transportados em pedaços de pano conhecidos por typoia ou typyia. Mesmo se as mulheres tivessem que trabalhar nas roças, não largavam seus filhos: carregavam as crianças nas costas ou encaixavam-nas nos quadris. Do mesmo modo que os animais, as índias nutriam e defendiam seus filhos de todos os perigos. Se soubessem que o bebê tinha mamado em outra mulher, não sossegavam enquanto a criança não colocasse para fora todo o leite estranho .

Esses documentos são muito valiosos quando relatam a história da influência européia sobre as sociedades indígenas, radicadas no litoral do Brasil. Havia uma cultura indígena no Brasil colonial, mas os viajantes adotavam uma visão típica da tradição cristã, estando pouco preocupados com os habitantes do Novo Mundo.

Com a chegada das caravelas, muitas doenças foram aparecendo nas tribos, contaminando os índios que não possuíam qualquer defesa orgânica. Esse fato acabou produzindo uma multidão de órfãos desamparados, o que findou por levar os jesuítas a criar instituições destinadas a abrigar legiões de indiozinhos sem pais.

No século XVII, o abandono de crianças passou a ser percebido entre a população de origem portuguesa. Ao longo do século XVIII, a população dos principais centros portuários aumentou significativamente, dobrando ou quadruplicando as modestas cifras do início do século.

Quando a razão da acolhida correspondia a um interesse meramente financeiro, a estada na residência das amas quase sempre colocava em risco a vida dos bebês, pois, aos recém-nascidos era oferecido, além do leite materno, leite in natura, acrescido de carbohidratos.

Os profissionais responsáveis pela assistência também referiam a utilização de práticas “modernas” para alimentar as crianças, como o emprego de mamadeiras de vidro e pequenos bules que tinham um bico de borracha adaptado à ponta de saída.

Muitos médicos da época, no entanto, atribuíam as doenças comuns à infância aos contatos dos instrumentos citados com os miasmas atmosféricos . Nos séculos XVII e XVIII, a sociedade brasileira admitia como fato corriqueiro a morte de bebês. Àquela época, 20 a 30% morriam antes de completar o primeiro ano de vida. Aceitavam a morte como a crença da transformação de crianças em anjos, o que contribuía para que as famílias suportassem a dor da perda e a considerassem como uma benção do céu .

Formadas dentro dessa tradição, as mulheres anunciavam a morte das crianças em verdadeiras festas, o que deixavam escandalizados os visitantes da época.Esses rituais eram marcados por antigas tradições africanas e as autoridades religiosas escandalizavam-se diante daquilo que consideravam uma grosseira deturpação dos ensinamentos cristãos. Interessante observar que a morte de crianças estava relacionada com a miséria e o aumento do número de crianças mortas na Roda (Roda dos Expostos: dispositivo bastante difundido em Portugal, a Roda consistia num cilindro que unia a rua ao interior da Casa de Misericórdia. No Brasil, apenas Salvador, Recife e Rio de Janeiro estabeleceram tais Rodas no período colonial...a Roda funcionava
dia e noite, e qualquer um, furtivamente ou não, podia deixar um pequerrucho no cilindro sem ser notado ou muito menos incomodado). 

Concomitante a essa crescente mortalidade, verificava-se a negação da maternidade entre a sociedade burguesa, através da gravidez indesejada, ou o abandono das crianças pelas mulheres escravas, por falta de condições para a criá-las. Isso levou à prática de mães mercenárias e mães escravas de aluguel, que empregavam desastrosas técnicas de alimentação artificial, levando milhares de bebês à morte. Outra prática substitutiva do aleitamento materno diretamente ao peito era a utilização de ama de leite. No entanto, a partir de 1800, o número de crianças encaminhadas às amas através da Direção Mundial das Amas-deleite declinou substancialmente.

No séc. XIX, com a implantação das faculdades e academias de medicina, surgiram vários projetos destinados a combater as altas taxas de mortalidade dos expostos. As mulheres que não podiam amamentar e que tinham recursos eram orientadas a contratar uma ama-de-leite em domicílio, fiscalizando todos os cuidados proporcionados ao bebê. Ressaltavam que “essa conduta só deveria ser adotada em casos desesperados e que a babá- uma segunda mãe - seria o personagem central da família burguesa, que logo adquire autoridade sobre a mãe ignorante. Pensava-se àquela época que o simples fato de contrariá-la, poderia azedar o leite e preferia-se calar a arriscar a saúde do bebê.

As amas-de-leite, no entanto, “simulavam ser boas mães” e, visando a conservar sua remuneração, apropriavam-se das crianças, estimulando-as a permanecer a maior parte do tempo com elas. O sistema de amas-de-leite prosperou até fins do século XIX. 

Depois disso, o aleitamento artificial, sob forma de mamadeira com leite de vaca, possibilitado pelo progresso de esterilização, viria a substituir a amamentação mercenária. (E essa cultura do leite artificial perdura até hoje)



13 de agosto de 2013

Relato: "Para o que a minha experiência servir, estarei aqui disposta a contar"

"Saudade dessa barriga de 40 semanas!"

Lembram da Lorenna? Há um mês recebi uma mensagem de uma leitora me perguntando sobre o segundo filho dela. Claro que a convidei novamente, pra trazer sua história pra nós e, mais uma vez, foi um presente! Há quem prefira não falar... mas há quem veja o tesouro que é compartilhar experiências!

Eu já me peguei pensando que não sei o que é mais bonito: se os partos e seus relatos ou as jornadas, os passos dados, as escolhas feitas pelas mulheres. Todo o trabalho interno de desenrolar fios, de conhecer-se... mais e melhor. Quando lemos um relato, ele é uma ínfima parte, só um petisco, de toda a caminhada feita na essência...  E isso é lindo, isso é o que fica. Isso é a própria vida. Depois que o relato ganha forma e vai embora, ficam os ganhos adquiridos, ficam os degraus que subimos... nesta incessante jornada rumo ao que é Eterno...

Acredito que histórias como a da Lorenna são exemplos da falta que faz o profissional humanizado, o profissional que trabalha baseado em evidências científicas. Em Rondônia somos muito carentes deste serviço. Afinal, a jornada por um nascimento respeitoso e digno é somente da mulher? É uma caminhada solitária em que o médico é mero espectador e, muitas vezes, o boicotador? Não! O médico aqui talvez tenha sido a 'mão-dada' que faltou. Foi o 'confia, eu te apoio' que não veio. Foi o 'vamos? eu vou contigo' que não teve... a parcela que cabe ao médico, a parte da conta que deveria ser paga pelo profissional de saúde, já que ele é nossa reserva de cautela. Ficam lágrimas, mas fica a vivência, fica a jornada de fé, ficam as dores e as delícias de viver o que mais importa: o Amor.

Gratidão pelo privilégio de fazer parte disto tudo e parabéns pela corajosa jornada...

<3

Quando meu mais velho estava prestes a completar 3 anos, percebemos que havia chegado a hora, vamos ter mais um bebê!! Uma coisa era certa, não iria ser como foi na primeira vez, que não escolhi nada, não lutei por nada, me deixei levar. Como se para nascer uma mãe, bastasse estar grávida e deixar vir ao mundo da forma que fosse, e tudo estaria certo!

Com 39 semanas decidi que era hora de parar, desacelerar e entrei com meu pedido de licença maternidade. Não queria ter horários para acordar, dormir, almoçar, queria deixar rolar, queria ser só do meu bebê, estava apenas à sua espera, estava entregue a ele, para qualquer hora que ele quisesse chegar eu estivesse ali, aonde deveria. Queria estar em casa, de vestido e não de calça, descalça e não de sapatos! Queria dar atenção ao meu pequeno de 4 anos, avisar quem estava chegando, brincar com ele!! Arrumei todas as coisinhas aos poucos, sem pressa, pensei em todos os meus passos, o que faria se....tudo acontecesse!!! Repassei com meu marido tudo que até aquele momento tinha aprendido, lido, me informado.

Até essas 39 semanas tinha feito tudo diferente da minha primeira gravidez (que não fiz nada!). Participei de cursos, roda materna, li livros que comprei ou peguei emprestado, estava conhecendo um mundo sobre nascimentos que mal sabia que existia. Entrava madrugada adentro lendo relatos de partos, assistindo partos, e me emocionava a cada nascimento, é um espetáculo a parte, íntimo, queria um para mim!

Nesses encontros de grávidas, conheci pessoas incríveis que já tinham passado por essas experiências, com toda dedicação esclareciam, incentivavam, derrubavam mitos que a gente cria e escuta por aí! Nas reuniões da roda materna, percebi que ainda tinha muitas dúvidas sobre aonde seria o parto, qual hospital? Aqui em Porto Velho, Rondônia, só havia um que teria uma sala para parto normal adequada, apesar de o meu médico ter falado que o parto poderia ser até no apartamento de tudo estivesse evoluindo bem. Também tem a maternidade municipal que na época visitei, e achei o máximo, porém algumas coisas fez com que eu não escolhesse ir para lá, por exemplo: só poderia ter um acompanhante, aí eu teria que escolher entre meu marido e minha mãe, e eu queria os dois, também poderia pegar o plantão de qualquer médico. Queria pelo menos garantir que o médico que estivesse comigo, me conhecesse e soubesse o que eu queria para meu parto. Então decidi que iria ser no hospital particular mesmo, com o meu médico mesmo.....mas no fundo, me sentia meio só nessa caminhada...apesar do apoio que estava recebendo, precisava de alguém que estivesse na mesma sintonia que eu, que pudesse lutar comigo!! Aí recebi uma mensagem da Elis (Doula) uma das responsáveis pela criação do Grupo Buriti que realizava a roda, disse que me acompanharia se eu quisesse: "siiimmm, quero e muito", trocamos mensagens. É diferente saber que alguém que conhece todo o processo de trabalho de parto vai estar com você, só de pensar que ela estaria comigo, não me senti mais só, tive um renovo. Sou muito agradecida pelas mensagem que trocamos, enfim eu estava acreditando em mim!!

E a semana ia se passando....minha mãe chegou! Veio para passar 20 dias só comigo! Com ela, as coisas são tão mais fáceis, mais leves! Ela é meu aconchego! Minha sogra também já tinha chegado há 1 semana, e na próxima semana meu marido entrava de férias por 20 dias, mais 10 dias de licença paternidade, tínhamos combinado assim, ele também ia se envolver, diferente como foi da primeira vez!! A minha equipe formada!!

Minha mãe e minha sogra inventavam receitas e chazinhos com pouco de canela nesse começo!!Também estavam presentes nesses dias minha avó e a sogra da minha irmã, todos na sintonia, relatos de partos não faltavam. Dona Adenir pariu 8, minha vó 7, minha mãe 3, minha sogra 2, de tudo aconteceu nesses partos, nem todos bebês sobreviveram, e dá para saber porque muitas mulheres foram desencorajadas a terem seus partos, e esse medo foi passado adiante...elas sofreram violências, manobras, e intervenções que deixaram cicatrizes até na memória delas, pela forma de relatarem o que passaram!! Muito diferente dos partos humanizados que li, e que aí sim, foram de total respeito ao nascimento e à vida!!

E aí, chegaram as 40 semanas, eu me sentia o máximo, caminhava, agachava, levantava, me exercitava, prestava atenção no que comia, não tinha inchaço nem mal estar, conversava com o bebê (o Henrique), lembrava ele que eu estava a disposição dele, pronta!

Fazia minhas orações, minhas leituras, e conversava muito com uma amiga, uma irmã, que me lembrava que o controle de todas as coisas vem lá do alto, que os anjos estavam a minha disposição... "Porque aos seus anjos dará ordem ao seu respeito, para te guardarem em todos os seus caminhos" (Salmos 91.11).

Meu coração era só sossego, e o Henrique dentro de mim era só agitação. ele mexia muito, vigorosamente, sem brincadeira, ele conseguia empurrar as coisas que estavam encostadas na minha barriga, ai que saudade disso!!!

Contei para Elis que iria numa nova consulta, acho que a última, ela me alertou que ele iria querer marcar a cesariana. Por ele marcava mesmo, e olha que dizem que ele incentivava o parto normal, de verdade, não achei isso! Quem luta por isso é só a mãe, o médico não, apesar de falarem que é o melhor!

Ele quis analisar o colo do útero, e pediu que eu prestasse atenção se o bebe estava ativo, anotasse num papelzinho quantas vezes mexia durante uma hora após cada refeição. O útero estava amolecido e fino, ou seja, estava se preparando, não estava estagnado, ótimo! Naqueles próximos dias a lua ia mudar, e ele disse: acho que desse final de semana não passa!!Levei o papelzinho para casa, e perdi as contas de quantas vezes ele mexia, mexia demais, e larguei essa história de papel para lá, eram incontáveis as mexidas, teriam que ser mais de 20 vezes por dia....ultrapassava isso nos primeiros 10 min!!Fiquei pensando se isso era realmente necessário...ahh, ele também me pediu para ir na maternidade municipal no dia do plantão dele, para verificar os batimentos do bebe num aparelho (esqueci o nome) durante um minuto...fui para não dizer que não fui, pois eu sabia e sentia q tudo estava muuuito bem!!

Já era quinta-feira, e final de semana ia mudar a lua. A Elis tinha ido viajar e deixou o número da Paula (psicóloga) também do grupo Buriti. Traz paz só de olhar para ela! Nos falamos por telefone e, qualquer coisa, eu ligaria para ela! Continuei caminhando, tomando chazinhos de canela, agora mais concentrado rsrs! Pessoas ligavam para saber do menino, e a resposta era: “ainda” na barriga!!

Aí desejei muito que algo acontecesse nesse final de semana, falei com o Henrique, falei com Deus....pedi muito!! Sexta se foi, sábado, domingo...meu coração ia ficando apertado, meu semblante triste, respirava fundo várias vezes, já não falávamos de parto, de contrações, do que fazer se....
Já se passavam 41 semanas, fui para internet, fui atrás de um relato, uma explicação, uma solução, por incrível q pareça não achava nada, podia ter ligado para alguém, mas eu e minha dificuldade de pedir ajuda!!

Fui dormir, ou tentar, fiquei pensando, chamando pelo meu filho!! Acordei na segunda, com o coração pequeno, eu tinha me preparado e lido sobre tantas coisas que poderia acontecer, mas não tinha me preparado para chegar em 42 semanas, chegar na fase de risco, segundo o médico. Desde o começo eu nem cogitei isso, pois isso ocorre com poucas mulheres, e não me coloquei nesse grupo!! Ah, como era angustiante, queria minha mãe, meu colo, oramos juntas, choramos juntas!!

Percebi que havia receio de todos, medo de complicações, o clima começou a ficar diferente...nostálgico, nem receitas novas mais elas faziam, fiquei sabendo depois que minha irmã ligou até para meu médico, mas ele não atendeu! Aquela segunda-feira não podia terminar sem alguma decisão, meu marido veio até mim, pediu para que nós fossemos no dia seguinte no médico, eu concordei. Chegando lá ele falou a possibilidade de indução, já tinha lido, e não me imaginava fazendo isso, deitada, sorinho na veia, esperando o remédio fazer efeito, e despertar meu bebe. E eu monitorada,sei lá de quanto em quanto tempo....não, para mim soava mais coisa ruim do que boa!!

Todos queriam uma resposta, então cedi... e resolvemos marcar a cesariana. Aí ele me perguntou para quando, minha vontade era dizer: daqui 1 semana, mas não queria surtar a família que esperava ansiosamente em casa. Fica para amanhã então, dia 31 de Outubro, dia das bruxas. Todos vibravam, o sorriso voltou a reinar no rosto das pessoas. Naquela noite desejei mais do que nunca a vinda do meu bebe, mas ele dormiu tranquilo e não houve nenhuma mudança. Pela manhã arrumamos as coisas, dei um cheiro profundo no meu pequeno que ficava com a vó, e disse: "volto logo, com uma surpresa para você, te amo". 
E como sempre ele responde com toda doçura e sorrindo: "eu também te amo".

Chegamos no hospital umas 9h, fomos para o apartamento, e tudo me incomodava, eu me sentia no lugar errado, me sentia traindo a mim mesma, traindo as mulheres e mães do grupo! Não disse nada a ninguém, o coração estava apertado, chorei com meu marido!! Queria que o mundo conspirasse contra aquilo, e algo desse errado, os médicos não fossem, que acabasse a energia, sei lá! Duas horas depois do combinado mais ou menos 12h, o meu médico liga falando que não achou nenhum pediatra nem anestesista, será a conspiração?!! Adiamos para 16h, olha Henrique, essa é a hora!!! Mas Henrique estava mais preocupado em mexer suas perninhas!

Fomos para o centro cirúrgico, desligaram o ar, recebi a anestesia. Estava com muito medo, e ainda meu marido não tinha entrado, achei que fosse passar mal, coloquei a mão no rosto, logo amarraram minhas mãos, putz!, o que eu poderia fazer demais?? Meu marido chegou, e respirei mais fundo, e resolvi fechar os olhos, tapar meus ouvidos para aquelas conversas absurdas diante do acontecimento, para eles tanto faz o que está tirando, um bebê, uma vesícula, um apêndice!! 

Entrei em oração, me concentrei, falei com Deus, lembrei dos anjos, eles estavam ali, me cuidando, lembrei do amor de Deus, do amor que lança fora o medo! Na mesma hora, senti a presença deles, Deus era comigo!!Nunca tinha sentido tamanha paz, eu parecia estar dormindo, eu estava nas mãos Daquele que me criou e fez brotar vida dentro de mim! E uma coisa Ele me atentou: o receba com alegria, o seu milagre!!

O mínimo que poderia fazer pelo meu filho nesse momento era demonstrar o tamanho da minha alegria pela sua chegada. Meu coração se inflou novamente...foi quando seu choro forte me fez despertar! Ele era lindo, a cara do irmão, tinha o peso e altura do irmão, só que com o narizinho achatado, pois estava bem encaixadinho. Chegou chorando, de olhos abertos, fazendo xixi e cocô! Aí o trouxeram pertinho de mim, falei baixinho com ele, os olhinhos dando aquelas piscadinhas bem lentas, ele se acalmou, prestando atenção na voz, que ele conhecia! Pedimos para que ele ficasse conosco ali, mas não deixaram, ele tinha que trocar a roupinha, que doida essa mãe!!

Daí em diante, eu era só peito, só alegria, passamos a noite, eu, Henrique e vó Pupinha em claro, o leite já tinha descido, ele já mamava, e eu me doava, foram dois meses de peitos feridos, dia sim dia não no banco de leite, foi uma luta, porém era o peito de uma mãe muito mais forte do que antes, que não estava disposta a desistir por nada. Hoje está com 9 meses e ainda mama muito!!!
O nascimento do Henrique poderia ter sido diferente sim, hoje eu creio que existiam outros caminhos e outras decisões que poderiam ser tomadas. A primeira coisa que eu faria diferente, era não comunicar a todos a famosa "Data Provável do Parto" (DPP), pois todos dão limites à gestação, o limite padrão. Porém a DPP é uma previsão retirada de uma tabela baseadas na data da última menstruação, que supõe a data da ovulação! Cada mulher é única, cada ciclo é único, e para muitas mulheres isso é irregular, então nem sempre é possível tabelar, que dirá datar o dia ideal para seu bebê nascer! Nosso corpo é muito mais inteligente que isso. O nosso costume de acreditar e confiar na suprema medicina, nos faz esquecer da singularidade do nosso corpo e de cada nascimento. Eu deveria ter confiado mais no que eu estava sentindo, que tudo estava bem, poderia esperar! Eu deveria ter recorrido a quem respeita o tempo do nascimento, e exposto minhas questões, eu sei que teriam pessoas que lutariam comigo. Mas já virei essa página, isso já não posso mudar na minha estória! Mas sei que novas mães virão, novas lutas, e muitas dúvidas, e para o que a minha experiência servir, estarei aqui disposta a contar.


Henrique com 9 meses!!



9 de agosto de 2013

Maternidade Ativa: Guia bem humorado para vencer o mau humor decorrente de cuidar da própria sujeira: PARTE I: Rol não exauriente!


Eu e o meu balde rolante: um caso de amor

por Cariny Cielo

Hoje faz um mês que estamos cuidando da nossa própria sujeira!

Não é algo que nos dê um Nobel (esse fica pro futuro), mas é algo que percebi que é recheado de conceitos e pré-conceitos. No Brasil parece ser cultural que ter alguém para cuidar da nossa sujeira é chique! E este ‘parece’ tem dados reais: o Brasil é o país numero um do mundo em empregados domésticos...

A ideia de ter alguém cuidando das minhas imundices enquanto eu trabalho e toco a vida era simplesmente absoluta e nada ao meu redor me fazia pensar que poderia ser diferente. Até que essa coisa toda de ser mãe e começar a questionar tudo (e ter um irmão mais novo pentelho que mora do exterior e me traz papos fresquinhos sobre o outro lado de muitas coisas), fez-me parar para questionar também isso: 
Péraí-páratudo! Eu fui criada dependente de terceirizar o serviço doméstico! Culturalmente moldada, entalhada e esculpida para depender de terceirização de serviços domésticos. E estou perpetuando esta ideia criando meus filhos igualmente dependentes deste modelo.

Com o pontapé inicial que partiu do macho alfa e os empurrões que recebi do meu irmão, eu comecei a desenvolver questões profundíssimas que nem valem contar aqui... 

Mentira, valem sim! Como, por exemplo:

1. O serviço doméstico ser resquício da nossa cultura escravocrata;
2. Como ser absurdo que alguém que lava nossos fundos não possa usar nosso banheiro ou dividir com a gente o elevador;
3. Que uma lei que surgiu recentemente para garantir o mínimo aos empregados domésticos foi rechaçada por muitos que eram, na verdade, exploradores de pessoas;
4. Que não é justo que uma mulher deixe sua própria casa e seus próprios filhos para cuidar da limpeza da nossa casa, perpetuando as mazelas do capitalismo;
5. Que não estou educando meus filhos para a vida, se não os coloco responsáveis pela própria sujeira, pela organização de seu próprio espaço e se os ensino que o zelo pelo próprio ambiente em que vivem depende de um terceiro;
6. E algumas outras bem pessoais que guardei para o divã... ou para um livro... enfim...

Sobre isto leia o instigante texto ‘Mucamas, Criadas ou Domésticas’ do historiador Ricardo Corrêa Peixoto (Colunista do Brasil Escola, pesquisador e estudioso da História dos Marginais, autor de diversos artigos e ensaios sobre exclusão social, transição Império-república, escravismo-capitalismo.)

Eu não estou dizendo que nunca mais precisarei de ninguém (no estilo ‘nunca mais sentirei fome nesta vida’ da Scarlet do filme ‘E o Vento Levou’). Não! Afinal, eu tenho três filhos, eu trabalho fora, eu sou preguiçosa, eu blá blá blá... 

Mas uma mudança brutal processou-se dentro de mim de forma que, quando (e se) eu tiver alguém, esse alguém virá me ajudar e não cuidar-da-minha-casa-por-mim. É uma diferença abismal! Assim como acontece com nossa babá que está no seio familiar há uns 15 anos e me ajuda a cuidar dos meus filhos... não cuida deles no meu lugar. Parece bobo? Não é não... Uma faxina é muito mais valorizada e melhor remunerada do que o vínculo trabalhista doméstico.

Depois deste importante primeiro passo, descobrimos um mundo novo! Um mundo de pessoas que cuidam da própria sujeira!!! Bingo!!! Onde tava esse povo todo pra me abrir os olhos quando eu achava legal ser patroa??? Recebi ajuda de todo lado, e ainda recebo e sinto falta de não ter dado valor às dicas da minha mãe quando ela me mandava limpar o chão... (sorry mamy!).

E nessa onda eu ouvi toda sorte de coisa! De “você enlouqueceu?” a “teu marido não vai te ajudar”, “você vai fazer tudo sozinha porque homem não gosta de limpar casa”... felizmente, aqui em casa, meu marido faz até parto (pééééééém), então, uma limpadinha de banheiro, varrer, passar pano, organizar, pra ele é fichinha! Este obstáculo machista do patriarcado nós tiramos de letra...

Na verdade o maior obstáculo à vivência “O Mundo Sem Ninguém Limpando a Casa Pra Você” é a minha total falta de jeito com a dinâmica do negócio, porém, observei que isso é algo que melhora com repetições sucessivas e aprimoramentos, no método tentativa e erro... ainda com muitos erros!

E, como eu nasci vendo graça em tudo, no que eu posso contribuir com a humanidade é criando – e a partir desta data, tornando público – o inédito, o nunca antes divulgado...

Guia bem humorado para vencer o mau humor decorrente de cuidar da própria sujeira 
PARTE I: Primeiro Decênio de Regras:


DISPENSE A TERCEIRIZAÇÃO DO SERVIÇO DOMÉSTICO E: 

Art. 1º. Descobrirás que não é preciso varrer e passar pano na casa todos os dias.
Três dias havia se passado sem a empregada doméstica e eu não via necessidade de limpar o chão. É sério, não é porquice! Eu pisava no chão e não sentia grânulos e nem havia poeira. E com esta descobri o que apelidei de ‘balde rolante’. Fiquei sabendo que o pessoal mais cool não varre e passa pano, vai logo de vassoura mágica ou esfregão com balde rolante... sim, “varrer e passar pano, varria e passava pano a sua vó”.
Nesta vibe eu também resolvi ouvir a minha mãe, ao menos uma vez nestes 34 anos, e passamos a usar o aspirador de pó. É a tarefa preferida do mais velho, de seis anos, que já a faz quase sem supervisão (atenção: não tente isso em casa).

Art. 2º. Lavar banheiro de madrugada passará a ser um divertido programa a dois.
De repente, essa coisa que cuidar da própria casa pega a gente e... em plena madrugada de sexta-feira, estamos num buteco rindo da vida estamos lavando o banheiro! Sim, qualquer hora é hora de limpar e se fazer sozinho pode ser uma penitência, fazer a dois ficará divertido... tomando vinho colonial feito no quintal da casa da vó do marido então, é pura soberba!

Art. 3º. Se o cantinho atrás do sofá estiver sujo, a culpa é só sua.
Tirando raras exceções, o dono é o mais capaz de cuidar bem do que lhe pertence. Este artigo é uma a dica preciosa para quem tinha dificuldades em encontrar alguém que limpasse bem a casa (que era o meu caso!). Veja a lógica: sua casa continua meio sujinha, mas você não está alimentando a chaga do capitalismo e está economizando um dinheiro todo mês. O mais importante é a ideia de que a responsabilidade é nossa, pelo limpo e pelo sujo, que não posso dizer “Olha a imundice aqui! A fulana limpa minha casa igual a cara dela, mas todo mês tenho que pagar direitinho senão já viu, né?”. E se estiver sujo tudo bem, a casa é sua, ninguém tem nada a ver com isto e quando você estiver a fim, você limpa (eu gosto mais desta última).

Art. 4º. Verás que tu não estás só.
Uma legião levantou-se em coro pra me apoiar. Com dicas de produtos (todos caseiros, mais baratos e que não vão corroer a sua mão) e de instrumentos (existe um mundo de vassouras, pás, escovas, buchas, panos e afins ao seu dispor). Além de uma chuva de incentivos. Você vai conseguir! Você tirará de letra! Ah, e uma liberdade! Você vai aprender a gostar! É claro que rola uns “às vezes é um saco”, mas, ótimo, eu gosto mesmo é dazamigas verdadeiras, das chapas, que me falam também do lado chato, feio, fedido das coisas pra eu poder encarar o bom e o ruim. E isso me lembra de umas gentes que eu adoro quando me vêem em algum lugar sozinha com meus três meninos e, ao invés de dizerem ‘nossa, que super mãe, que lindo, que meigo, que fofo, que cor-de-rosa’... Não! Elas me dão um olhar de verdadeira empatia, como se entendessem mesmo o que eu vivo, como se também soubessem o que é criar de verdade os filhos, botar a mão na massa, como se lessem minha mente e soltam um “nossa, que dureza, né? Mas dá de se divertir!”. Essas são das minhas!
Encontrei blogs só sobre cuidar da própria sujeira aqui, aqui e aqui. E gente que também rompeu com o sistema, sobreviveu e voltou pra contar como foi!
#tamujunto

Art. 5º. Lavar a louça não é, de todos, o pior.
Era a tarefa que eu menos gostava... ao ponto de, quando morava sozinha, meu então namorado-hoje-marido lavar o que encontrava na pia com receio de crescer alguma vida não identificada e me atacar à noite... Mas, hoje, vejo com bons olhos essa coisa de lavar copos, talheres, pratos... e passamos todos a sujar menos também. Claro, se é chato limpar, a gente cuida pra não sujar supérfluos. As crianças jogam os restinhos de comida dos pratinhos na lixeira e colocam o prato na pia. Qualquer pessoa que passa pela pia e encontra algo, já lava, pra não acumular. E assim surgiu a outra regra...

Art. 6º. Não deixarás acumular
Como a vivência “O Mundo Sem Ninguém Limpando a Casa Pra Você” ainda está em fase inicial, não posso traçar muitos comentários sobre acumular e nem sobre cumprir a risca esta regra. Mas, sim, ‘não acumular’ é uma palavra de ordem quando o assunto é cuidar da própria sujeira! Como a casa tem dois pisos (aff, se eu soubresse antes...) acabamos criando pequenas mini-centrais de limpeza com produtos e ferramentas sempre à mão, nos dois andares. Não fica muito bonito, mas e daí? A casa é minha e eu faço o que eu quiser e eu uso essa frase pra quase tudo agora! Sempre que passamos e vemos algo, já limpamos na hora ou... apenas olhamos e rimos (às vezes choramos)! Hahahaha

Art. 7º. Conhecerás teu lado chantagista.
Eu já me peguei chantageando a mim mesma, tipo: “mulher, se você não limpar este banheiro, eu te acharei a pessoa mais porca do mundo”, ou ainda, “você já passou aqui três vezes só esta manha e não limpou as prateleiras, se você não limpar, vou ligar pra sua sogra vir lhe visitar hoje e justo hoje ela irá apoiar a bolsa nesta prateleira!”. 
Até antes da vivência “O Mundo Sem Ninguém Limpando a Casa Pra Você” eu não era chantagista, nem meu cônjuge. Nós jamais praticaríamos esse ato imoral ou criminoso que consiste em ameaçar ou revelar coisas ou informações sobre uma pessoa, um grupo ou corporação a não ser que a pessoa ameaçada cumpra exigências, geralmente para proveito próprio, feitas pelo ameaçador. Até que...

Art. 8º. Aprenderás que se deve limpar sempre de cima pra baixo.
Nessa de libertar-se da dependência de terceirização do serviço doméstico, eu já fiz toda sorte de baboseiras aprendendo a limpar minha casa; mas um dia, eu me superei: limpei com esmero as prateleiras de baixo... até perceber, limpando as de cima, que a sujeira desce e suja tudo de novo. Isso vale pro teto, pras teias de aranha, pro pó que dá nos móveis... enfim. Aqui, vale um adendo: eu me considerava uma mulher inteligente, articulada, super esperta, até ser vencida pelas trapalhadas feitas, mas eu tenho me perdoado dizendo para mim mesma que não é limitação de raciocínio é só falta de prática (às vezes dá certo, e eu me convenço, às vezes não e eu me xingo: burra, burra, burra!).

Art. 9º. Necessitarás de reconhecimento imediato
Serviço doméstico é um serviço que não se vê. Só se vê quando ele não foi realizado... então, percebi que quem limpa quer ser imediatamente reconhecido pelo o grandioso feito recém realizado. É assim com quem cozinha e gosta de ouvir um sonoro ‘está delicioso!’. Notei que assim que deixei o banheiro brilhando – à custa de um vidro de vinagre (só fui aprender a economizar e dosar depois) – ninguém me elogiou, ninguém notou a belezura, mimimi. Da mesma forma, outro dia, o marido deu um grau na cozinha toda. Como eu não estava em casa e não pude ver a performance, assim que entrei em casa e passei reto sem uma palavra, ele soltou: Não vistes que limpei toda a cozinha?! Percebemos, então, que elogios e reconhecimentos devem ser adotados como moeda corrente na vivência “O Mundo Sem Ninguém Limpando a Casa Pra Você”. A boa convivência e o casamento agradecem.

Art. 10º. Limparás a casa longe da internet
Esta regra vem como colaboração de uma amiga querida. Caso você ainda não tenha notado, é impossível limpar a casa e ser popular nas redes sócias ao-mesmo-tempo-agora e, embora saibamos que muita gente consegue fazer várias coisas e ainda compartilhar tudo ao mesmo tempo com o cybermundo... isso não se aplica à faxina. 
Eu pensei até em criar tutoriais no youtube para registrar com mais detalhes toda essa nossa saga pela libertação da dependência na terceirização dos serviços domésticos, mas percebi que: ou eu assoviava ou chupava a cana!

Fiquei chupando a cana e perdi a oportunidade de ficar super famosa e dar palestras pelo país afora. Mas tô bem, tô aqui e, logo mais, nos próximos aniversários da experiência “O Mundo Sem Ninguém Limpando a Casa Pra Você”, trago outros decênios de regras.



#tadiotto&cielolaboratórios


29 de julho de 2013

Requerimento de Cópia de Prontuário Médico: tudo sobre...


por Cariny Cielo

Pegando carona na campanha lançada pela Gabi Sabit, do Dadadá, resolvi reunir informações acerca do direito à cópia do prontuário médico a que todo paciente tem direito E, especificamente no nosso caso, a que toda mulher recém parida ou recém operada tem direito!

Aqui você encontra:

1. Um artigo para você que, como eu, não tinha dado muita bola pra isso e nem sabia que era seu direito, explicando tudo sobre o Prontuário Médico.

2. Uma reunião com as principais normas que regulam a confecção, manutenção e sigilo do Prontuário Médico, lembrando que ele deve ser mantido por 20 anos!

3. Um modelo para você protocolar e requerer o seu!

Vamos lá:


REQUERIMENTO DE CÓPIA DE PRONTUÁRIO MÉDICO: Tudo sobre.

A Resolução 1638/2002 do Conselho Federal de Medicina diz que prontuário médico é "o documento único constituído de um conjunto de informações, sinais e imagens registradas, geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada, de caráter legal, sigiloso e científico, que possibilita a comunicação entre membros da equipe multiprofissional e a continuidade da assistência prestada ao indivíduo."

O prontuário do paciente é o documento único constituído de um conjunto de informações, sinais e imagens registradas, geradas a partir de fatos, acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada, de caráter legal, sigiloso e científico, que possibilita a comunicação entre membros da equipe multiprofissional e a continuidade da assistência prestada ao indivíduo. O prontuário do paciente (e não do médico, como erroneamente é chamado) é o documento que deverá ser utilizado como prova para instruir processos disciplinares e judiciais, visando identificar as ações ou omissões da equipe multiprofissional e a responsabilidade (ou não) da instituição onde o atendimento ocorreu. Ou seja, se o prontuário estiver mal feito, a defesa ficará prejudicada ou a acusação será facilitada.

Por determinação do Código de Ética Médica (CEM), o médico tem o dever de criar o prontuário antes de iniciar a anamnese, sob pena de processo ético-disciplinar perante o Conselho Regional de Medicina (CRM).

Ao médico é proibido receitar ou atestar de forma secreta ou ilegível. O bom senso indica que o prontuário deve ser elaborado de maneira completa e com letra legível, sob pena de sanções disciplinares perante o CRM, em razão de transgressão do CEM.


Conteúdo: Deverão constar obrigatoriamente do prontuário:

1. Identificação completa do paciente, sexo, nome dos pais, naturalidade e endereço.

2. Anamnese, exames físicos e complementares e seus respectivos resultados, hipóteses diagnósticas, diagnóstico definitivo e tratamento efetuado.

3. Evolução clínica diária, discriminação dos procedimentos, prescrições e identificação dos profissionais que os realizaram, com data, hora, nome e número de inscrição no respectivo conselho de classe.

4. Tipo de alta.


Responsabilidade: A responsabilidade pelo prontuário do paciente cabe:

1. Ao médico assistente e aos demais profissionais que compartilham do atendimento.

2. À hierarquia médica da instituição, nas suas respectivas áreas de atuação, que tem como dever zelar pela qualidade da prática médica ali desenvolvida.

3. À hierarquia médica constituída pelas chefias de equipe, chefias da clínica, do setor até o diretor da divisão médica e/ou ao diretor técnico.

Comissões: Resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) determinam que são obrigatórias a criação da Comissão de Revisão de Prontuários e a implantação da Comissão Permanente de Avaliação de Documentos nos locais onde se presta assistência médica.


A quem pertence?

Paciente: O paciente é o alvo dos serviços prestados pelos profissionais e pela instituição. No prontuário constam informações sobre sua saúde, seu corpo, sua intimidade física, emocional, mental e até sobre sua vida social e privada.

Médico: O prontuário retrata a atividade profissional desempenhada pelo médico e pelos demais componentes da equipe multidisciplinar que atenderam o paciente.

Instituição: O prontuário comprova a efetiva prestação de serviços pela instituição e seus prepostos, servindo, inclusive, como base para elaboração do faturamento. Ele é guardado sob a custódia da instituição de saúde. Quem desejar e possuir legitimidade, poderá solicitar cópia dele, que não poderá ser negada pela instituição.

Sigilo: O prontuário é secreto e protegido pelo segredo profissional. É proibida a divulgação de fatos conhecidos no desempenho da profissão e cuja revelação acarretaria danos à reputação, à honra, à vida privada e aos interesses moral ou econômico do paciente ou de seus familiares. Seu conteúdo não pode ser revelado sem autorização escrita do paciente, sob pena de cometimento de crime, infração ético-disciplinar e de responsabilização civil.

Cópias:

Paciente: Obviamente que o próprio paciente pode obter cópia do seu prontuário. Basta solicitar por escrito. Porém, se o conteúdo do prontuário colocar a saúde do paciente em risco, deve-se substituir sua cópia por um laudo que contenha informações genéricas sobre sua saúde e as providências que deverão ser adotadas. Cabe aos Diretores Clínicos e Técnicos ou à Comissão de Ética Médica analisar os prontuários e fazer este exercício de inteligência e de interpretação das informações contidas no prontuário.

Familiares: O sigilo da relação médico/paciente impede que qualquer familiar tenha acesso ao prontuário. Isso somente será possível se o paciente autorizar por escrito. Se o paciente for menor de idade ou incapaz, o acesso deve ser permitido ao seu representante legal, desde que provada tal condição documentalmente. Na hipótese de o paciente estar inconsciente ou ter ido a óbito, as informações devem ser passadas pelo médico sob a forma de laudo.

Convênios: O prontuário não pode sair das dependências físicas da instituição de saúde. O convênio ou seguradora deverão identificar profissional médico para lá se dirigir a fim de auditar, conferir ou analisá-lo, desde que haja autorização escrita do paciente. Na prática, porém, sabemos que os hospitais mandam cópia do prontuário para os convênios. Quem age assim deve suportar os riscos de eventual vazamento de informação pessoal do paciente e responder por processo em que se questionar eventual dano, material ou moral.

Autoridades: O ofício de autoridade policial ou judiciária deve ser encarado da mesma forma que o de outras pessoas, pois, nesse assunto, delegados e juízes não têm prerrogativas e nem há normas específicas nesse sentido, mesmo que eles pensem de forma diferente. A postura a ser adotada é a mesma: requerer a nomeação de perito médico para que vá até a instituição de saúde e colha a informação que a autoridade desejar, pois, enquanto médico, ele também está obrigado ao compromisso do segredo profissional. Isso é burocrático e nem sempre as autoridades agem assim. Todavia, é o que a legislação manda fazer, cabendo aos cidadãos cumpri-la e ao Judiciário fazer que ela seja cumprida, inclusive quando lhe disser respeito. Se a legislação é burocrática, o problema é do Poder Legislativo e não do hospital. Caberá ao advogado do médico ou da instituição de saúde explicar por escrito os motivos pelos quais não se cumprirá a ordem de encaminhar cópia do prontuário quando não houver autorização escrita do paciente.


Prazo de arquivamento

Papel: O prazo para arquivamento dos prontuários em papel é vinte anos. Decorrido esse prazo e colhidos pareceres escritos das comissões acima mencionadas, os prontuários em papel que contiverem informações relevantes dos pontos de vista médico-científico, histórico, epidemiológico, social ou legal devem continuar arquivados definitiva-mente.
Os que não forem assim classificados, mediante critérios de amostragem predefinidos pelas comissões, e transcorridos vinte anos, poderão ser destruídos, eliminados ou incinerados.

O prazo de vinte anos é maior que os previstos em outras normas legais, devendo ele ser observado como regra geral para manutenção em arquivo dos prontuários em papel. À medida que a instituição passar a utilizar meios eletrônicos de arquivo, o que não é obrigatório e dependerá do seu fôlego financeiro, ela poderá destruir os respectivos prontuários em papel.

Meio eletrônico: Os prontuários que já foram transformados em meio eletrônico, óptico ou magnético (digitalização, microfilmagem etc.), e os que assim já foram diretamente criados, sem utilização de papel e desde que respeitada a rigorosa legislação arquivística, deverão ser guardados de forma definitiva e ininterrupta pela instituição. Mais, aqui.


Obrigações: São (algumas) obrigações dos médicos:

1. Elaborar prontuário para cada paciente que atender.

2. Fornecer cópia do prontuário, desde que solicitado pelo paciente ou requisitado pelo CFM ou CRM.

3. Fornecer cópia do prontuário às autoridades, desde que autorizado por escrito pelo paciente.

4. Disponibilizar o prontuário ao perito que for nomeado por autoridade para nele realizar perícia, que deve se restringir aos fatos em questionamento.

5. Apresentar o prontuário em juízo para elaboração de sua defesa, devendo requerer que a matéria seja mantida em segredo de justiça.

6. Consultar o CRM por escrito sobre a postura a ser por ele adotada nos casos não previstos na lei e resoluções.

7. Comunicar compulsoriamente casos de doença, quando a lei assim determinar, não podendo ser enviada cópia do prontuário.


Proibições: É proibido ao médico, dentre outras ações:

1. Revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por justa causa, dever legal ou autorização escrita do paciente.

2. Revelar informações confidenciais obtidas quando do exame de trabalhadores, mesmo que exigida pelos dirigentes de empresas ou instituições, salvo se o silêncio puser em risco a saúde dos empregados ou da comunidade.

3. Revelar segredo que possa expor o paciente a processo criminal.

4. Deixar de orientar seus auxiliares e de zelar para que respeitem o segredo profissional a que estão obrigados por lei.

5. Facilitar o manuseio e conhecimento dos prontuários por pessoas que não estão obrigadas ao compromisso do segredo profissional.

Daqui. 


NORMAS

1) Resolução da Diretoria Colegia, ou RDC, n. 63/2011


Seção IV: Do Prontuário do Paciente

Art. 24 A responsabilidade pelo registro em prontuário cabe aos profissionais de saúde que prestam o atendimento.

Art. 25 A guarda do prontuário é de responsabilidade do serviço de saúde devendo obedecer às normas vigentes.
§ 1º O serviço de saúde deve assegurar a guarda dos prontuários no que se refere à confidencialidade e integridade.
§ 2º O serviço de saúde deve manter os prontuários em local seguro, em boas condições de conservação e organização, permitindo o seu acesso sempre que necessário.

Art. 26 O serviço de saúde deve garantir que o prontuário contenha registros relativos à identificação e a todos os procedimentos prestados ao paciente.

Art. 27 O serviço de saúde deve garantir que o prontuário seja preenchido de forma legível por todos os profissionais envolvidos diretamente na assistência ao paciente, com aposição de assinatura e carimbo em caso de prontuário em meio físico.

Art. 28 Os dados que compõem o prontuário pertencem ao paciente e devem estar permanentemente disponíveis aos mesmos ou aos seus representantes legais e à autoridade sanitária, quando necessário.


2) Código de Ética Médica

Capítulo X: DOCUMENTOS MÉDICOS

É vedado ao médico:

Art. 80. Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique, que seja tendencioso ou que não corresponda à verdade.

Art. 81. Atestar como forma de obter vantagens.

Art. 82. Usar formulários de instituições públicas para prescrever ou atestar fatos verificados na clínica privada.

Art. 83. Atestar óbito quando não o tenha verificado pessoalmente, ou quando não tenha prestado assistência ao paciente, salvo, no último caso, se o fizer como plantonista, médico substituto ou em caso de necropsia e verificação médico-legal.

Art. 84. Deixar de atestar óbito de paciente ao qual vinha prestando assistência, exceto quando houver indícios de morte violenta.

Art. 85. Permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade.

Art. 86. Deixar de fornecer laudo médico ao paciente ou a seu representante legal quando aquele for encaminhado ou transferido para continuação do tratamento ou em caso de solicitação de alta.

Art. 87. Deixar de elaborar prontuário legível para cada paciente.
§ 1º O prontuário deve conter os dados clínicos necessários para a boa condução do caso, sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem cronológica com data, hora, assinatura e número de registro do médico no Conselho Regional de Medicina.
§ 2º O prontuário estará sob a guarda do médico ou da instituição que assiste o paciente.

Art. 88. Negar, ao paciente, acesso a seu prontuário, deixar de lhe fornecer cópia quando solicitada, bem como deixar de lhe dar explicações necessárias à sua compreensão, salvo quando ocasionarem riscos ao próprio paciente ou a terceiros.


3) RESOLUÇÃO Conselho Federal de Medicina nº 1.605/2000

Art. 1º - O médico não pode, sem o consentimento do paciente, revelar o conteúdo do prontuário ou ficha médica.

Art. 2º - Nos casos do art. 269 do Código Penal, onde a comunicação de doença é compulsória, o dever do médico restringe-se exclusivamente a comunicar tal fato à autoridade competente, sendo proibida a remessa do prontuário médico do paciente.

Art. 3º - Na investigação da hipótese de cometimento de crime o médico está impedido de revelar segredo que possa expor o paciente a processo criminal.

Art. 4º - Se na instrução de processo criminal for requisitada, por autoridade judiciária competente, a apresentação do conteúdo do prontuário ou da ficha médica, o médico disponibilizará os documentos ao perito nomeado pelo juiz, para que neles seja realizada perícia restrita aos fatos em questionamento.

Art. 5º - Se houver autorização expressa do paciente, tanto na solicitação como em documento diverso, o médico poderá encaminhar a ficha ou prontuário médico diretamente à autoridade requisitante.

Art. 6º - O médico deverá fornecer cópia da ficha ou do prontuário médico desde que solicitado pelo paciente ou requisitado pelos Conselhos Federal ou Regional de Medicina.

Art. 7º - Para sua defesa judicial, o médico poderá apresentar a ficha ou prontuário médico à autoridade competente, solicitando que a matéria seja mantida em segredo de justiça.

Art. 8º - Nos casos não previstos nesta resolução e sempre que houver conflito no tocante à remessa ou não dos documentos à autoridade requisitante, o médico deverá consultar o Conselho de Medicina, onde mantém sua inscrição, quanto ao procedimento a ser adotado.

Art. 9º - Ficam revogadas as disposições em contrário, em especial a Resolução CFM nº 999/80.

Mais normas aqui.





******MODELO DE REQUERIMENTO DE CÓPIA DE PRONTUÁRIO MÉDICO******


Ilustríssimo Senhor Diretor do Hospital ou Unidade de saúde .............




Assunto: Requer cópia de Prontuário Médico.


FULANA DA SILVA SAURO, brasileira, casada/solteira, portadora do CPF tal e do RG tal, residente e domiciliada à Rua tal, no município tal, vem à presença de vossa senhoria expor QUE foi paciente do médico tal, e, em tal dia, foi submetida a procedimento cirúrgico cesariana OU foi assistida em parto normal no Hospital/Maternidade tal. Assim, por motivo de foro íntimo (ou se quiser colocar motivo) REQUER:

1. Cópia do Prontuário Médico do referido procedimento, conforme previsão legal dos artigos 87 e 88 do Código de Ética Médica e artigo 6º da Resolução 1602/2000; fazendo constar os exames complementares solicitados, no período, se houver. (OU cópia do Prontuário Médico desde a primeira consulta, em ...... até a última, em .............).

Local, data.

Assinatura 
Fulana da Silva Sauro
Requerente




*imprimir em duas vias, juntar cópia de documentos, se quiser, exemplo: carteirinha da gestante, cartão do SUS, enfim... e protocolar no setor administrativo do hospital ou maternidade.


Ah, e se você chegou até aqui (já é vitorioso!), se pegou o modelinho acima, se protocolou o requerimento, se recebeu seu prontuário, não deixe de compartilhar! Eu vou lá pedir os meus...



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